É uma leguminosa de verão de porte alto e ciclo semi-perene. Tem como forte característica o sistema radicular agressivo e robusto que cresce em profundidade, reciclando nutrientes e descompactando solos adensados, fazendo uma subsolagem “biológica”.
É rústica e se desenvolve bem em solos de baixa fertilidade, por isso é utilizada na recuperação de solos degradados.
É usada também como cerca viva ou quebra vento em culturas perenes e no plantio de mudas no campo, evitando a radiação solar direta.
Excelente forrageira para alimentação de animais, inclusive fornecendo forragem rica no período mais seco. Grande produtora de biomassa e fixadora de nitrogênio.
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Adubar uma planta é fornecer nutrientes que serão utilizados na
produção do alimento que ela precisa. As plantas, diferentemente de nós,
produzem seu próprio alimento, que pode aumentar ou diminuir de
qualidade e quantidade em função dos nutrientes disponíveis no processo
de produção. Quando adubamos uma planta, estamos enriquecendo o solo e
disponibilizando um estoque de nutrientes para que o alimento por ela
produzido seja de qualidade e possa suprir todas as suas necessidades.
Bem nutridas, as plantas nos retribuem com a beleza de suas folhagens e
muitas flores e frutos.
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Tipos de adubos
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Químicos ou minerais
Adubos constituídos de compostos químicos inorgânicos, sintetizados em laboratório ou retirados de rochas.
Vantagens: Liberação rápida. Devido à rápida absorção, alguns já podem
ser localizados na planta em questão de horas. Baixo custo e alto
rendimento.
Desvantagens: Curta duração e risco de queima da planta quando
utilizados em excesso ou deixados em contato direto com folhas e
troncos.
Orgânicos
São os fertilizantes constituídos de compostos orgânicos de origem vegetal ou animal.
Vantagens: Liberação lenta, alta durabilidade no solo. Além de fornecer
nutrientes, a incorporação de matéria orgânica traz uma série de outras
vantagens: ajuda a evitar a compactação do solo, que impede a oxigenação
e dificulta o desenvolvimento das raízes; ajuda as plantas a absorverem
melhor os nutrientes minerais; e serve de alimento para uma série de
organismos essenciais para o bom desenvolvimento das plantas, desde
minhocas até bactérias diversas.
Desvantagens: Demoram mais tempo para serem aproveitados pelas plantas,
uma vez que precisam passar por processos químicos para poderem ser
absorvidos. São economicamente inviáveis para culturas com grande
necessidade nutricional, como os cereais.
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Principais adubos orgânicos
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Húmus de Minhoca
O húmus é resultado do processamento dos nutrientes presentes no
esterco bovino que, depois de passar pelo organismo das minhocas, fica
totalmente solubilizado, tornando mais fácil sua assimilação pelas
plantas. Rico em matéria orgânica, além de fertilizar, o húmus recupera
as características físicas, químicas e biológicas do solo natural,
favorecendo, assim, o bom desenvolvimento das plantas.
Esterco
Os mais utilizados são os de gado e de frango. O esterco de gado
contém maior quantidade de fibras, o que evita a compactação do solo e
ajuda a reter maior quantidade de água. O de frango, por sua vez, é mais
concentrado, extremamente rico em nutrientes. Porém, a grande
quantidade de alguns elementos aumenta o risco de tornar o solo mais
ácido e salino.
Atenção: Todo esterco só deve ser utilizado se estiver curtido, pois o esterco fresco pode queimar as plantas.
Torta de Mamona
É o bagaço que sobra após a retirada industrial do óleo de mamona.
Além de ser muito rica em nitrogênio (cerca de 5%) ainda possui ação
nematicida (os nematoides são vermes que atacam as raízes das plantas).
Embora excelente para as plantas, ela é extremante venenosa para os
animais de estimação. Além da ricina (veneno presente na mamona), há
concentrações elevadas de metais pesados como o cádmio e o chumbo.
Farinha de ossos
Resultante da moagem ou autoclavagem de ossos de boi, a farinha de
ossos é rica em cálcio, fósforo e matéria orgânica. É muito indicada
para utilização em plantas floríferas e no controle da acidez do solo.
Um solo rico precisa apresentar todos os componentes essenciais ao
desenvolvimento de uma planta. Alguns desses componentes são necessários
em quantidades maiores e são denominados macronutrientes: nitrogênio,
fósforo e potássio. Outros, apesar de essenciais nas reações químicas e
fisiológicas das plantas, são utilizados em quantidades menores, são os
micronutrientes: cálcio, magnésio, enxofre, boro, cloro, cobre, ferro,
manganês, zinco e molibdênio.
Este video foi desenvolvido para dar suporte a educadores que desejam instruir seus alunos sobre o universo das abelhas e seu papel imprescindível na atividade de polinização e geração de alimentos, para os alunos do Ensino Fundamental I (crianças de 8 a 11 anos). É um video que complementa o "Caderno de Atividades sobre Educação Ambiental" também disponível para download gratuito no site www.semabelhasemalimento.com.br/educativo .
Com duração aprox. de 9 min, foi produzido pela organização "Bee or not to be?", com o apoio do Projeto Polinizadores do Brasil.
Autores:
Prof. Dr. Lionel Segui Gonçalves
Profa. Dra. Rosane Malusá G. Peruchi.
Hibiscus sabdariffa é bactericida poderoso: um ótimo ajudante na cozinha
Hibiscus sabdariffa é conhecido aqui no Brasil como vinagreira, caruru-azedo, azedinha, quiabo-azedo, quiabo-róseo, quiabo-roxo, rosélia – uma arbustiva que pode ser perene ou bianual, dependendo da região, originária de longe (Ásia ou África, não se tem a certeza) e muito espalhada por nossos campos. É dos botões deste hibisco que se faz o famoso chá de hibisco, de tantos usos medicinais.
Uma pesquisa realizada no México determinou que esta planta é um dos bactericidas mais eficientes que temos conhecimento – a água do Hibiscus sabdariffa consegue eliminar até 90% de todas as bactérias de frutas e verduras, por lavagem simples, quando o cloro só consegue um percentual de 50%.
Esta eficácia transforma a água de vinagreira em um ótimo ajudante de cozinha desde que você deixe nela mergulhadas as frutas e verduras que vai consumir.
O pesquisador mexicano, Javier Castro Rosas, da Universidade de Hidalgo, testou a eficácia da água de vinagreira para bactérias como a Salmonella typhimurium DT104, Escherichia coliO157: H7, Listeria monocytogenes , Staphylococcus aureus e Bacillus cereus (no Lieberpub) e patenteou uma composição para desinfecção e preservação eficaz de alimentos, incluindo alimentos frescos, a partir de formulações aquosas com base em extractos de cálices de Hibiscus sabdariffa, que também se propõe ser usado para desinfecção de sementes e plântulas ou grãos germinados, sem alteração das propriedades de germinação, nutricionais ou alimentares dos mesmos (veja o processo de patenteamento aqui).
Esta descoberta é bastante interessante já que possibilita, em uso extensivo, melhorias na saúde pública das populações latino-americanas, asiáticas e africanas, regiões onde abunda a vinagreira, sem o aditivo de químicos clorados comumente usados para controle bacteriológico.
Tenho colhido muitas pitangas de uma muda, que trouxe do bairro Belém Novo em 1997. Aliás esta muda plantada em uma lata de 18 l, foi enterrada por mim no fundo do terreno onde moramos.
Pórem durante uns cinco anos ela não se desenvolvia. Em 2002 iniciei o curso de agronomia na UFRGS e a minha primeira cobaia foi a pitangueira.
Comecei corrigindo a acidez do solo, aplicando calcareo, observei que o crescimento era enorme, mas as frutas eram poucas. Neste ano com aplicação do biofertilizante caseiro, a colheita está estupenda, veja as fotos! boa semana! alexandre
A pitanga, fruto da pitangueira (Eugenia uniflora L.), pertence à família botânica das Myrtaceae. É uma planta frutífera nativa do Brasil, da Argentina e do Uruguai. O seu nome vem da palavra tupi "pyrang", que significa "vermelha". Já era apreciada pelos colonizadores que a cultivavam em suas residências, e de seus frutos produziam doces e sucos, além de utilizarem suas folhas na medicina popular. Apesar de sua origem tropical, seu cultivo já se encontra difundido por diversos países, podendo ser encontrada no sul dos Estados Unidos, nas ilhas do Caribe e em alguns países asiáticos. No Brasil, a região nordeste é a única a explorar comercialmente esta fruta de alto potencial econômico.
A pitangueira frutifica de outubro a janeiro, e existe uma grande variação na coloração da fruta, indo do laranja, passando pelo vermelho, e chegando ao roxo, ou quase preto. As folhas da pitangueira têm conhecidas atividades terapêuticas, tendo sido usadas no tratamento de diversas enfermidades, como febre, doenças estomacais, hipertensão, obesidade, reumatismo, bronquite e doenças cardiovasculares. Tem ação calmante, antiinflamatória, diurética, combate a obesidade e também possui atividade antioxidante. Os extratos da folha da pitangueira, assim como de outras espécies nativas, também apresentam atividade contra Trypanosoma congolense (doença do sono), e moderada atividade bactericida, sobre Staphylococcus aureous e Escherichia coli.Há uma variedade de compostos secundários, ou fitoquímicos, já identificados nas folhas da pitangueira, como flavonóides, terpenos, taninos, antraquinonas e óleos essenciais. No entanto, sobre a fruta da pitangueira existem poucos estudos, identificando somente algumas antocianinas e carotenóides.
Pesquisas mostram que o conteúdo de fitoquímicos é maior em pitangas maduras do que semi-maduras e estes compostos de uma maneira geral estão concentrados na película da fruta, ou seja, na casca, sendo encontrados em menores concentrações na polpa. Para a pitanga, isto não chega a ser um problema já que, geralmente, é consumida sem a retirada da fina casca que protege a polpa.
Muitos estudos demonstram que o consumo de frutas e hortaliças, principalmente as coloridas, trazem benefícios à saúde. No entanto, nenhum mostra a relação do consumo de pitangas e prevenção ou combate de doenças. Neste sentido, a Embrapa Clima Temperado está iniciando um projeto em que a pitanga será estudada quanto ao seu potencial na prevenção de câncer, uma doença crônica não-transmissível. Em trabalhos preliminares, extratos de pitanga de coloração alaranjada foram testados em algumas linhagens de células cancerígenas (câncer cólon-retal, câncer de pulmão, câncer renal, câncer de mama, câncer de ovário), demonstrando redução na proliferação e viabilidade celular.
Neste projeto será focado o câncer de cólon e serão feitos estudos desde a obtenção e estabilização do extrato, até a identificação dos compostos fitoquímicos e estudos em células cancerígenas de cólon e em animais modificados geneticamente para desenvolver o câncer de cólon. Este projeto conta ainda com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos.
Seu Dodô, agricultor agroecológico do Lami, oferece aos visitantes frutos de Hibiscos. Foto: Cíntia Barenho
por Cíntia Barenho
Andando
pelo Brasil Rural Contemporâneo encontrei uma banca que chama atenção
não só pelo que oferece, mas também pela simpatia de seus expositores.
Na
banca do Salvador (mais conhecido como seu Dodô) e esposa, que são
agricultores ecológicos do Lami (Porto Alegre/RS) há frutos de hibiscos
comestíveis sendo vendidos e oferecidos para degustação. Uma planta que
pode ser usada tanto como ornamental, como comestível.
Obviamente que experimentei tal iguaria, que tem gosto bem citríco/azedinho.
Segundo
seu Dodô, dependendo do uso o nome desse fruto varia. Se for usado no
chá é hibisco; se for usado na salada, chama-se azedinho; se fizermos
suco, torna-se groselha e se transformarmos em conserva, vira
vinagreira.
Semanalmente eles vendem na feira da José do Bonifácio, uma das feiras ecológicas de POA.
Segundo
seu Dodô a planta veio da Ásia e segundo contam as sementes vieram
escondidas no cabelo de uma escrava. A produção mais expressiva ocorre
no Nordeste Brasileiro.
A planta produz durante a Primavera-Verão, apenas em áreas secas e ensolaradas.
No Lami, eles já plantam hibisco
há 4 anos e segundo o agricultor a planta se encaixou perfeitamente ao
sistema agroecológico de plantio que fazem. Seu Dodô contou que os hibiscos rendem mais
que 100% de sua produção, porque além de vender como ornamental ou
embaladas para o consumo direto, a família também transforma os hibiscos
em sucos, geléias, pastas salgadas. Como a plantação-produção só
acontece nos meses quentes do ano, tais beneficiamentos são
imprescindíveis para eles.
A
família está muito satisfeita com a produção agroecológica. “Vivemos em
equilíbrio, perdemos todo aquele desespero de trabalhar ontem pra pagar
as contas de hoje. Vivemos em equilíbrio dentro de casa, com a
plantação”, afirmou seu Dodô.
Um
dos únicos problemas relatados é a dificuldade de terem uma
certificação.Atualmente só podem fazer venda direta ao consumidor, não
podem revender a terceiros. No entanto, diz que estão se organizando
com outros produtores agroecológicos para mudar tal situação.
Caso
você esteja precisando de algo digestivo, diurético, laxante e até mesmo
anti-depressivo (isso só é uma parte das propriedades medicinais) quem
sabe o Hibiscus sabdariffa, o hibisco comestível, do seu Dodô possa lhe ajudar.
A gigante-africana é uma das espécies mais usadas no Brasil
A minhocultura é um processo de reciclagem de resíduos orgânicos
(restos de alimentos, folhas, esterco, etc) por meio da criação de
minhocas com o intuito de produzir o húmus, um excelente adubo para a
atividade agrícola. Pensando em difundir essa tecnologia, que ajuda a
diminuir o lixo orgânico nas cidades e no campo, a Embrapa Roraima (Boa
Vista, RR) montou, em sua vitrine tecnológica, um minhocário. O
espaço servirá como ponto de transferência de tecnologia para que
agricultores e interessados em geral possam conhecer as principais
técnicas de criação de minhocas em pequenas propriedades. A iniciativa
faz parte do projeto Arcoverde, que busca difundir modelos agrícolas
sustentáveis para produtores da Região Norte do Brasil. Segundo o
agrônomo Silvio Levy, a minhocultura é perfeitamente adaptada à pequena
propriedade agrícola, pois possui um manejo simples. "Essa atividade
tem como produto principal o húmus, que constitui um excelente
fertilizante orgânico, capaz de melhorar as características físicas,
químicas e biológicas do solo", explica. Mas a minhocultura não
tem apenas essa utilidade. Além de fabricar o poderoso adubo, as
minhocas também podem ser utilizadas para a alimentação animal e como
isca para a pesca. Acredita-se que no mundo existam mais de 8
mil espécies diferentes de minhocas. No Brasil, são conhecidas entre 240
e 260 espécies, sendo as mais utilizadas para a produção de húmus as
minhocas Vermelha-da-Califórnia e a Gigante-Africana. Ambas estão sendo
usadas no minhocário da Embrapa. Os interessados em aprender um
pouco mais sobre a minhocultura podem entrar em contato com o setor de
Transferência de Tecnologia da Embrapa Roraima pelo telefone (95)
4009-7135 e agendar uma visita.
Forneço minhocas e minhocários. agropanerai@gmail.com
Minhocários
Existem vários tipos de minhocários, dos mais simples até os mais
caros. Para agricultores familiares, que não pretendem vender
comercialmente o húmus produzido, mas apenas utilizá-lo na propriedade, o
mais indicado é fazer um minhocário de baixo custo e pouca manutenção.
O folder Minhocultura ou vermicompostagem,
da Embrapa Agrobiologia (Seropédica-RJ), mostra os principais aspectos
para aqueles que desejam começar uma criação de minhocas e produção de
húmus. Entre os pontos abordados estão: local ideal de construção do
minhocário, técnicas de criação e manejo, comercialização e as
principais fontes de matéria prima para produção de húmus. Outra publicação da Embrapa que fala sobre a minhocultura para a agricultura familiar é a Circular Técnica Minhocultura e produção de húmus para a agricultura familiar, da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS), também disponível para download. Você sabia?
As minhocas não possuem olhos nem ouvidos e por isso seu sentido de
direção não é muito bom. Sua movimentação é influenciada por células
sensíveis à luz que existem em sua pele. Em geral, evitam a luz direta
do sol, preferindo os ambientes sombreados e mais úmidos. Contudo, as
minhocas não toleram ambientes encharcados, pois sua respiração é feita
pela pele. Em lugares onde há acúmulo excessivo de água, a tendência é
de haver pouco oxigênio. Nestes casos, é comum vermos as minhocas saindo
do solo para procurar locais mais secos.
Clarice Rocha (MTb 4733/PE) Embrapa Roraima
Contatos para a imprensa roraima.imprensa@embrapa.br Telefone: (95) 4009-7114
Pois é gente, este canal de troca de vivências e dúvidas,
já recebeu a visita 3 milhões de internautas.
Obrigado a cada um que passou por aqui!
Este blog começou para ser um diário do estágio obrigatório do curso de
Agronomia da UFRGS, no entanto após o estágio no Sítio dos Herdeiros,
fiquei apaixonado pela agroecologia e percebi quantas pessoas cultivam
suas plantas, quantas gostariam de ter sua horta , seu vaso, mas
deparam-se com inúmeras dificuldades. Este blog quer ser uma ajuda, um
incentivo a continuar a administrar a natureza, protegendo e valorizando
seu potencial.
Por isso continua ou começa a tua horta, o teu pomar, pois acredito no provérbio:
"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra".
Lembro que este é um blogue pessoal do Engenheiro Agrônomo Alexandre Panerai Pereira.
As
informações, artigos, textos, imagens, vídeos, fotografias e logos
(salvo os da minha autoria) são de propriedade dos seus respectivos
titulares e estão aqui expostos com finalidade educativa. Se alguma
pessoa física ou jurídica se sentir prejudicada, por favor entre em
contato que as correções serão efetuadas imediatamente.
No
Brasil, onde concentra-se um dos maiores rebanhos de gado do mundo,
encontrar alternativas que possibilitem estabilidade entre as esferas
social, ambiental e econômica é tarefa que envolve o setor produtivo e a
comunidade científica. Foto: Fábio Torrezan / Acom / Esalq
Encontrar o equilíbrio entre uma
produção rentável e sustentável. Nessa tênue divisa caminha a produção
agropecuária que tem em seu escopo auxiliar no desafio de alimentar uma
população crescente, preservando as reservas ambientais. E a ciência
pode contribuir. Uma pesquisa
nesta linha foi o pós-doutorado de Marília Barbosa Chiavegato na Escola
Superior de Agricultura de Luiz de Queiroz (Esalq) da USP. Ela analisou a
qualidade da forragem, o desempenho animal e emissões de gases de
efeito estufa em capim-elefante (Cameroon) submetido a estratégias de
pastejo rotativo. “Foram testadas maneiras de manejar os animais nas
pastagens buscando minimizar as emissões de gases de efeito estufa –
metano entérico CH4
– e aumentar a produtividade de leite”. A partir dos resultados dos
experimentos, concluiu-se, entre outros pontos, que um melhor resultado é
obtido ao se colocar os animais nos pastos de capim-elefante (Cameroon)
quando eles atingem altura de 100 cm (correspondente à interceptação de
95% da luz incidente).
Segundo a Marília Chiavegato, o
capim-elefante é bastante utilizado no setor, mas usualmente o foco do
produtor está no período fixo de descanso antes de colocar o animal no
pasto. “Nosso objetivo foi determinar o momento certo de disponibilizar o
pasto para os animais para que as emissões fossem diminuídas e a
produtividade de leite aumentada”.
E estudo foi supervisionado pelo professor Sila Carneiro da Silva, Departamento de Zootecnia da Esalq.
Experimento com rebanhos
A engenheira agrônoma conduziu na
Esalq experimento com vacas leiteiras e alterou o foco para altura do
capim, desconsiderando o período de descanso fixo. “Ocorre que seguindo
um período fixado em dias de descanso, o produtor pode não ter a melhor
forragem dependendo de condições de clima e solo. O pasto vai crescendo e
pode passar do ponto. Por exemplo, pode ficar fibroso e o animal ter
problemas na digestão, o que interfere na produção de leite e nas
emissões de gases do efeito estufa, especificamente do metano entérico,
que é o mais produzido pelos animais ruminantes”, detalha Marília.
Assim, buscando ajustar a dieta, os
pesquisadores conduziram um experimento com dois rebanhos, monitorando
24 vacas leiteiras. “Foi um projeto bem grande, realizado em parceria
com a Embrapa Pecuária Sudeste e Embrapa Meio Ambiente. E concluímos que
é possível obter um equilíbrio entre produção de leite e emissão de
gases”.
O
Departamento de Zootecnia da Esalq traz em sua essência estudos que
sempre ocuparam a vanguarda desse ramo da ciência, com destacadas linhas
de pesquisas que vão da nutrição ao melhoramento genético animal, da
reprodução à conservação de forragens e pastagens. Na imagem, o capim
elefante – Foto: Segundo Urquiaga / Embrapa
De acordo com a pesquisadora, colocar
os animais nos pastos de capim-elefante (Cameroon) quando eles atingem
altura de 100 cm “resultou em forragem de melhor qualidade, e o
resultado foi um aumento de 30% no número de animais por unidade de
área, ganho de três quilogramas por dia de leite por animal e diminuição
em 20% das emissões de CH4
entérico por quilograma de leite produzido”. Desse trabalho resultaram
ainda duas teses. Uma delas conduzida por Camila Delveaux Araujo
Batalha, com orientação do professor Flavio Augusto Portela Santos, e
outra de autoria de Guilhermo Francklin de Souza Congio que, assim como
Marília, foi orientado pelo professor Sila.
Outras teses
A tese da Camila apontou que o manejo
baseado com interceptação luminosa (IL) de 95% permitiu que as vacas
acessassem pastos com maior relação folha/colmo, resultando em uma
forragem com melhor composição química.
“Os animais pastejando forragem
colhida aos 95% IL, ou altura de entrada nos piquetes de 100 cm, tiveram
maior consumo de matéria seca e energia, com maior produção de leite
por vaca e taxa de lotação, resultando em maior produção de leite por
unidade de área. Além disso, a estratégia permite a diminuição das
emissões de metano por consumo de energia líquida quando comparado à
entrada dos animais nos piquetes com máxima IL, ou altura de entrada de
135 cm”, descreve a pesquisadora, que ainda avaliou os efeitos do
período de início pastejo (manhã ou tarde) na produção de leite,
variáveis ruminais e eficiência de uso de nitrogênio (N) de vacas
leiteiras no terço médio da lactação.
Segundo Camila, o maior teor de
carboidratos não fibrosos da forragem ao final do dia possibilitou o
aumento da síntese de proteína microbiana, redução do nitrogênio uréico
no leite e apresentou tendência para aumento da produção de proteína e
caseína do leite em comparação às vacas que iniciaram o pastejo no
período da manhã.
“Ao longo dos estudos desta tese
houve uma melhora no valor nutritivo da forragem adotando o critério de
entrada nos piquetes com 95%IL (ou 100 cm de altura) e a troca de
piquetes no período da tarde. Assim, o pastejo no período da tarde deve
ser adotado juntamente com a altura de 100 cm para entrada dos animais
nos piquetes como ajuste fino em sistemas intensivos de produção de
leite à base de capim-elefante (Cameroon)”, aponta.
Os trabalhos de Guilhermo Congio
corroboram os resultados obtidos por Marília e Camila. “O manejo do
pastejo com base na meta de 95%IL é uma prática ambientalmente segura
que melhora a eficiência de uso dos recursos alocados por meio da
otimização de processos envolvendo plantas, ruminantes e sua interface, e
aumenta a eficiência da produção de leite”.
Associação
da meta pré-pastejo com altura de 100 cm e a alocação do rebanho para
um novo piquete à tarde poderia trazer benefícios econômicos, produtivos
e ambientais para a intensificação sustentável de sistemas baseados em
pastagens tropicais – Foto: Sebastião José de Araújo
De acordo com o professor Sila, o uso
do critério de IL para manejar pastos permite que uma série de
processos fisiológicos importantes e determinantes das respostas de
plantas e animais em pastagens sejam integrados em uma simples e única
variável de campo, a altura em que os pastos são mantidos e ou
manejados. “Dessa forma, é possível transferir conhecimento e tecnologia
ao produtor de forma simples, transformando ciência em prática. O bom
manejo do pastejo aumenta a produção e a produtividade animal e reduz a
intensidade de emissão de gases causadores do efeito estufa,
contribuindo para uma pecuária cada vez mais produtiva, eficiente e
sustentável”, considera o docente.
Congio teve ainda como objetivo
descrever e medir a influência de dois horários de alocação de novos
piquetes aos animais sobre a composição química da forragem, consumo de
matéria seca (CMS), produção e composição do leite, e emissões de metano
(CH4)
entérico de vacas HPB × Jersey. “Os resultados indicaram que a alocação
de novos piquetes à tarde pode ser uma estratégia de manejo simples e
útil que resulta em maior partição de nitrogênio (N) para produção de
proteína e menor excreção de nitrogênio ureico no leite. A associação da
meta pré-pastejo de 95% IL (ou altura de 100 cm) e a alocação do
rebanho para um novo piquete à tarde poderia trazer benefícios
econômicos, produtivos e ambientais para a intensificação sustentável de
sistemas baseados em pastagens tropicais”.
Seguindo na linha para continuar
obtendo melhores índices de produtividade de leite, com baixo impacto
ambiental, Marília Chiavegato antecipa futuras pesquisas. “Os próximos
estudos envolverão outras pastagens, a questão da dieta, e também iremos
olhar para as pastagens degradadas, que é um grave empecilho na
produção. Testaremos uma estratégia de recuperação de pastagens
degradadas também buscando aumentar a produtividade e diminuindo o
impacto ambiental”, finaliza.
Com informações da Divisão de Comunicação da Esalq