sexta-feira, 24 de abril de 2026


foto catraca livre


autora: Mirian Cristina De Almeida Ferreira

A borra de café contém uma composição nutricional excepcional: aproximadamente 2% de nitrogênio, 0,3% de potássio e 0,3% de fósforo, além de magnésio, cálcio e micronutrientes essenciais. Esta combinação natural cria um fertilizante orgânico completo que:

·                Melhora a estrutura do solo aumentando aeração e retenção de água

·                 Estimula a vida microbiana benéfica no solo

·                 Repele pragas naturalmente como lesmas, caracóis e formigas

·                 Acidifica moderadamente o solo, ideal para plantas específicas

Sustentabilidade em Açãoreutilizar borra de café reduz significativamente o volume de resíduos orgânicos enviados para aterros sanitários, contribuindo para um ciclo mais sustentável.

Plantas que amam borra de café

Grandes beneficiárias:

Plantas acidófilas: azaleias, hortênsias, gardênias, rododendros         

Frutíferas: tomates, berinjelas, pimentões, morangos         

Ornamentais: roseiras, samambaias, violetas africanas

Plantas sensíveis:

Ervas mediterrâneas: lavanda, alecrim, sálvia, tomilho         

Cactos e suculentas: preferem solos menos ricos em matéria orgânica        

Sementes e mudas jovens: podem ser inibidas pela cafeína residual

Métodos comprovados de aplicação

1. Compostagem (Método mais eficaz)

        Misture 1 parte de borra com 3 partes de materiais “marrons” (folhas secas, palha)

        Mantenha umidade adequada e revolva semanalmente

        Composto pronto em 60-90 dias

 

2. Chá de norra para rega

        2 xícaras de borra seca em 10 litros de água

        Deixe descansar 24-48 horas

        Filtre e dilua 1:3 antes da aplicação

 

3. Aplicação direta (com cuidados)

        Use apenas borra completamente seca

        Aplique camadas máximo 1cm de espessura

        Mantenha 2-3cm de distância do caule

Soluções naturais para problemas comuns

Controle de Pragas

A textura abrasiva e os compostos naturais da borra criam barreiras eficazes contra:         

Lesmas e caracóis: espalhe faixa de 3-5cm ao redor das plantas         

Formigas: aplique sobre trilhas para mascarar feromônios         

Pulgões: use spray de chá de borra com sabão neutro

 

Combate a Fungos

Os compostos fenólicos presentes na borra combatem naturalmente:         

Oídio e míldio         

Fusariose         

Podridão radicular

Erros fatais a evitar

Nunca faça:

Aplicar borra fresca e quente diretamente

Usar em plantas que preferem solo alcalino

Criar camadas espessas que compactam

Aplicar durante períodos de estresse hídrico

 

Sinais de excesso:

Bordas amareladas nas folhas         

Crescimento atrofiado         

Drenagem comprometida         

Escurecimento das raízes

 

Maximizando os benefícios

Combinações poderosas:

Borra + cascas de ovos (3:1): equilibra pH e adiciona cálcio         

Borra + cinzas de madeira (5:1): fornece potássio extra         

Borra + farinha de ossos (10:1): ideal para floração

 

Controle de pH:

Para acidificar: 2,5kg de borra por m^2 reduz pH em 0,5 ponto         

Para neutralizar: adicione calcário dolomítico (100g por kg de borra)

Dicas de Especialista

·         Frequência ideal: aplicações mensais durante crescimento ativo, bimestrais em dormência.

·         Armazenamento: seque completamente e armazene em recipiente fechado por uma semana antes do uso.

·         Monitoramento: teste o pH do solo mensalmente após aplicações para ajustes necessários.

Transforme resíduo em recurso

A borra de café representa muito mais que um fertilizante gratuito - é uma filosofia de jardinagem sustentável que transforma o que seria descartado em um recurso valioso. Com as técnicas corretas, este resíduo doméstico torna-se um aliado poderoso para criar jardins mais saudáveis, produtivos e ecologicamente equilibrados.

 

Lembre-se: o sucesso com borra de café está na aplicação consciente e no conhecimento das necessidades específicas de suas plantas. Comece devagar, observe os resultados e ajuste conforme necessário para obter os melhores benefícios deste fertilizante natural extraordinário. Se tiver dúvidas, consulte mais técnicas similares sobre o assunto em VerusBlog que tem muita informação sobre os mais diversos usos da borra do café.

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Mirian Cristina De Almeida Ferreira 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Biofertilizante sustentável com o caroço do açaí!!

 

Faturamento de R$ 230 mil: como produtor superou a falência ao transformar caroço de açaí em negócio

Uma solução que nasce do caroço do açaí está ajudando a transformar um problema ambiental em uma oportunidade de negócio em Macapá, no Amapá (AP).

O engenheiro agrônomo Wesley Lamonier criou um biofertilizante sustentável a partir do resíduo da fruta — abundante na região — e hoje comanda uma empresa que alia inovação, impacto ambiental positivo e rentabilidade.

A ideia surgiu da necessidade. Antes de empreender, Wesley chegou a ter uma produção rural com mais de 5 mil pés de pimenta e oito funcionários, mas enfrentou dificuldades financeiras e acabou indo à falência.

Foi nesse momento que decidiu buscar alternativas mais sustentáveis e menos dependentes de fertilizantes químicos, que elevavam o custo da produção.

O ponto de virada veio ao observar o desperdício do açaí: apenas entre 15% e 20% da fruta é aproveitado para consumo, enquanto cerca de 80% vira resíduo — principalmente o caroço, muitas vezes descartado ou queimado, o que libera ainda mais CO₂ na atmosfera.

A partir daí, o empreendedor passou a desenvolver um biofertilizante utilizando biochar, um material obtido por meio da carbonização sustentável de resíduos orgânicos, como o caroço de açaí.

O produto melhora a qualidade do solo ao reter água e nutrientes, funcionando como uma espécie de “ímã” natural. Além disso, ajuda a capturar carbono — um diferencial em tempos de mudanças climáticas.

Com investimento inicial de cerca de R$ 80 mil e apoio de programas de inovação, o negócio ganhou escala. Hoje, a fábrica recebe cerca de 20 toneladas de caroço de açaí por dia, embora processe, por enquanto, aproximadamente 2 toneladas. Em 2025, o faturamento médio chegou a R$ 230 mil.

O modelo de negócio é voltado principalmente para o mercado agro, com vendas para empresas (B2B), mas também atende agricultores por meio de associações e cooperativas. A proposta é reduzir os custos com adubação e, ao mesmo tempo, melhorar a produtividade de culturas como hortaliças e frutas.

Além do impacto econômico, o empreendimento também fortalece a chamada economia circular. A empresa compra os caroços de coletores locais, gerando renda e evitando que o resíduo seja descartado de forma inadequada.

Para Wesley, o propósito vai além do lucro. “Fazer a diferença na vida dentro da agricultura é o que motiva a gente todos os dias”, afirma. A iniciativa mostra que, ao cuidar do solo, é possível contribuir para um futuro mais sustentável — e criar um negócio promissor ao mesmo tempo.

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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Uso de urina como biofertilizante melhora produtividade em 40%



Aplicação de um composto com urina, água e outros produtos naturais somente é realizada quando não há frutos nas parreiras: adubo foliar garante maior produtividade. Foto: Carina Ribeiro/OP
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Líquido é usado diluído e fermentando para não contaminar as plantas e aumentar acidez do solo

O uso de urina animal como biofertilizante tem se solidificado cada vez mais em Marechal Cândido Rondon e região devido aos resultados obtidos em produtividade na agricultura orgânica.
De acordo com as engenheiras agrônomas do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), Simone Grisa e Elisângela Belandi, atualmente em torno de 50% dos produtores atendidos pela entidade fazem aproveitamento do líquido na composição de biofertilizantes para solo de hortas, fruticultura e pastagens. O Capa atende uma área que abrange Nova Santa Rosa, Mercedes, Maripá, Quatro Pontes, Missal, Ramilândia, Foz do Iguaçu, Diamante do Oeste e São Miguel do Oeste.
O casal de produtores orgânicos rondonense Hildegart e Herbert Bier aplica o composto que contém urina na produção de uvas há cerca de sete anos. Segundo eles, esse manejo tem garantido um rendimento cerca de 40% maior do que se não houvesse o uso.
Conforme as agrônomas, o uso de urina de vaca é reconhecidamente eficiente, no entanto, requer seguir uma série de recomendações. “É usada uma concentração baixa de urina, que representa somente em torno de 2% a 5% de uma composição com água, devido à alta concentração de nitrogênio que possui”, informam.
Segundo elas, em geral, é usada a urina de vacas em lactação devido à questão hormonal do animal. “Nessa fase a vaca recebe uma alimentação mais completa e a quantidade de nitrogênio na urina é maior, além de outros componentes que a tornam mais eficiente como biofertilizante”, explicam.
A aplicação é realizada no solo para a produção de mudas e outros cultivos, também como adubo foliar nas plantas em fase de dormência ou brotação. “Para as flores o líquido pode ser abortivo”, expõem.
A urina é usada em maior concentração como isca para pragas.

Percevejo
Como neste ano houve uma infestação atípica de percevejos na região, muitos produtores fizeram as iscas com urina de vaca misturada com sal. “Após a colheita de soja houve um período em que havia poucas plantas verdes, com isso surgiram muitos percevejos nas propriedades orgânicas”, relatam.
As agrônomas mencionam que o líquido é colocado em recipientes como garrafas pet com vários orifícios. “O inseto é atraído pela coloração amarela e pelo cheiro e acaba morrendo em contato com a urina. É importante para amenizar a reprodução do percevejo”, enfatizam.
Sustentabilidade

Elisângela lembra que a urina já era usada desde a agricultura primitiva e somente foi sendo esquecida por muitos produtores a partir da revolução verde que trouxe os adubos comerciais. “Ela possui grande quantidade de minerais e é fonte de nitrogênio”, afirma.
Apesar de antiga, a técnica é considerada importante, tendo em vista a proposta de sustentabilidade das propriedades agroecológicas. “É um produto natural e, portanto, contribui para a redução do uso de químicos; e está acessível ao produtor na propriedade, favorecendo um menor gasto tanto de energia como financeiro”, salientam.
As profissionais afirmam que o uso do produto animal é uma experiência consolidada em outras regiões e aplicada por meio da transferência de tecnologia. “Não dispomos de estudo científico para mensurar o potencial do uso da urina, mas constatamos visivelmente a eficácia”, garantem.
Cautela
Elas alertam que o composto com urina não pode ser usado indiscriminadamente, já que pode representar resultados negativos. “Somente deve ser usado quando necessário, pois o uso em excesso provoca acidez no solo”, exemplificam.
A urina ainda precisa ser usada fermentada, caso contrário produz nitrato que pode ser prejudicial à saúde humana.
Também não há um incentivo de se realizar coleta, já que demanda tempo e trabalho do agricultor. “Somente é feita coleta em pequenas quantidades para o uso em iscas”, comentam.
Já nas pastagens opta-se pela fertilização natural. As vacas ficam em piquetes, que são alternados com certa frequência. “Essa prática permite a distribuição da urina em diferentes locais da área de pastagem e quebrar o ciclo biológico do carrapato”, afirmam.
Venda
Em algumas localidades há produtores que já vendem urina entre si para uso como biofertilizante, no entanto, indagadas sobre a prática, as agrônomas do Capa afirmam que não é recomendada a negociação. “Os produtores orgânicos também não devem adquirir urina de propriedades convencionais, tendo em vista que ela pode conter resíduos de medicamentos químicos, por isso evitamos fomentar a comercialização”, salientam.
Em todo caso, o recomendado aos produtores é procurar orientação técnica.
Qualidade
Na propriedade da família Bier, a urina de vaca é um ingrediente a mais na formulação de caldas como o composto chamado por Herbert de “supermagro”. Para prepará-lo, o produtor mistura vários produtos, incluindo urina, soro de leite, caldo de cana, sangue animal (frango), plantas medicinais, entre outros. “É um composto de vários minerais que fica fermentando para ser usado nas culturas e na horta”, conta. Os resultados comprovados pela produção de uva posteriormente são degustados em belos cachos da fruta e vinho orgânico dos quais Herbert Bier garante a qualidade.

fonte:https://www.semadesc.ms.gov.br/urina-de-vaca-e-boa-para-a-agricultura/

Como fazer mudas de morango??


 

terça-feira, 21 de abril de 2026

vamos colorir nosso outono??

 
A Maria-sem-vergonha, também conhecida como Impatiens walleriana, é uma planta herbácea florífera de origem africana, muito apreciada em jardins tropicais e sombreados. Sua principal característica é o florescimento abundante e contínuo, com flores em diversas cores vibrantes. É ideal para canteiros, vasos e jardineiras.

Características
Nome científico: Impatiens walleriana

Família: Balsaminaceae

Altura: 10 a 30 cm

Cores: Vermelha, rosa, branca, roxa, salmão e mistas

Tipo: Herbácea, perene em clima quente

Ciclo de vida: Pode ser anual ou perene, conforme o clima

Cuidados
Luz: Prefere meia-sombra, mas pode receber sol suave

Rega: Solo deve permanecer úmido, mas sem encharcar

Solo: Rico em matéria orgânica e bem drenado

Adubação: Fertilização quinzenal com adubo equilibrado ajuda a manter a floração

Manutenção: Retirar flores e folhas secas estimula novas brotações

Floração
Floresce durante quase todo o ano em regiões de clima ameno, especialmente na primavera e verão. Em climas mais frios, seu ciclo tende a ser anual.

Curiosidades e usos
Muito usada como forração ou em vasos suspensos

Atrai polinizadores como abelhas e beija-flores

Apesar do nome popular, não é invasiva nem de difícil controle

É sensível a geadas e excesso de sol direto

domingo, 19 de abril de 2026

FEIJÃO GUANDÚ (Cajanus cajan): Vegetal com alto potencial alimentício pouco explorado no Brasil.


Autor: Ms Carlos H. Biagolini – Biólogo – Universidade Guarulhos UnG
O Feijão Guandu ou Andu, como também é conhecido, é uma planta leguminosa da família Fabaceae, ordem Fabales de origem africana, pouco explorada no Brasil, no sentido nutricional. Mais conhecida na região nordeste, está presente em quintais das casas daquela região e muitas vezes nas ruas ou ainda em praças públicas cultivadas como planta ornamental uma vez que apresenta vistosas flores amarelas com mesclas vermelhas no período de produção de sementes.

Esta planta se desenvolve bem tanto em solos bons como também em solos degradados e além da produção do alimento propriamente dito, tem outras grandes vantagens como, por exemplo, sombrear o solo, mantendo a umidade por maior tempo, incorporar nitrogênio aumentando a fertilidade da terra, servir de alimento para a engorda de aves, servir como forrageira para alimentação de gado e ainda permitir que a água de chuva penetre com maior facilidade devido as suas raízes serem longas e profundas.


Ao contrário do que ocorre no nordeste, na região sudeste o Feijão Guandu é pouco utilizado. Boa parte da população urbana desconhece a planta e os benefícios que podem obter com sua utilização. Em geral ela é cultivada apenas por moradores de origem nordestina ou do interior das grandes capitais que carregam consigo o hábito de consumi-la regularmente. Nas metrópoles, poucos conhecem o Feijão Guandu e muitos não imaginam as vantagens que este maravilhoso vegetal pode oferecer em relação a outros tipos de leguminosas.

A facilidade do plantio, produção de sementes e o crescimento rápido, permitem que esta planta seja utilizada em projetos que visam reduzir a desnutrição com resultados favoráveis em curto espaço de tempo. São muitas as possibilidades de projetos sociais visando à redução da desnutrição que podem ter como elemento principal o Feijão Guandu. Podemos citar, por exemplo, que nos conjuntos habitacionais construídos às margens de rodovias, sempre existe uma cerca tipo alambrado ou um muro alto de proteção. Pois bem, estes lugares são excelentes para o plantio do Feijão Guandu que pode, além de servir de proteção de cercas ou muros permitir ainda a produção deste reforço nutricional. Com orientação, os moradores podem se organizar a fim de criar um plano visando o plantio, colheita e distribuição da produção.
Também nos casos de plantio em hortas comunitárias, as sementes poderiam ser distribuídas através de organizações religiosas, ONGs ou órgãos governamentais. Outra possibilidade é o plantio em espaços público como escolas, postos de saúde ou creches.

Ainda abordando as possibilidades de plantio podemos considerar também que em diversas cidades existem espaços abaixo de redes elétricas de distribuição que por questões de segurança, não podem receber vegetais de porte, sendo cultivadas apenas hortas comunitárias com plantio de hortaliças em geral rasteiras. Este tipo de cultivo necessita de cuidados diários, o que desencoraja o uso destes espaços em maior intensidade então uma boa opção seria o plantio do Feijão Guandu, que é rústico e não requer cuidados diários e constantes como nas hortas convencionais, certificando então as vantagens de plantio do Feijão Guandu.

Com relação à utilização dos grãos que podem ser preparados da mesma forma que o feijão comum, há uma infinidade de outros pratos que podem ser elaborados com o Guandu, a partir da colheita em diferentes momentos de maturação das vagens esta variedade de pratos aumenta ainda mais. Em alguns países do continente Africano, o Feijão Guandu é colhido ainda verde e processado e vendido como ervilhas em lata. Por aqui, pelo que parece não há interesse neste segmento. Uma busca rápida na internet pode resultar na localização de uma infinidade de receitas e pratos preparados com esta leguminosa como a que recomenda o Feijão Guandu, cozido em salmoura leve com pouco sal, permitindo que os grãos sejam usados na complementação de saladas ou decoração de pratos frios e quentes.

O feijão maduro e seco, depois de cozido permite também ser utilizado no preparo de massas de salgadinhos ou ainda batido no liquidificador, resulta num caldo nutritivo e saboroso.
Provavelmente o único inconveniente desta leguminosa é que a vagem não pode ser aproveitada como alimento, como no caso do feijão comum quando colhido ainda verde. Por ser fibrosa e resistente mesmo depois de cozidas a casca do Guandu deve ser descartada.

De um modo ou de outro, o Feijão Guandu é um vegetal que apesar de exótico tem muito a oferecer como alimento no Brasil, já que está muito bem adaptado ao nosso clima e solo e já que está introduzido entre nossos vegetais, por que não aproveitá-lo em sua totalidade.
São Paulo, janeiro de 2012.

Alimentação de aves coloniais com batata-doce



A produção de ração no país cresceu de forma expressiva nos últimos 15 anos. Um crescimento médio em torno de 7,4%. A base da formulação da ração convencional tem como componente energético o milho. Em busca de aproveitar resíduos  disponíveis nas propriedades rurais para garantir maior agregação de valor à agricultura familiar, a Embrapa Clima Temperado(Pelotas-RS) está indicando o uso da ração a base de farinha de batata-doce, especialmente, na criação de frangos coloniais.
Trocar o milho por batata-doce é a estratégia para diminuir custos para o produtor, ter maior renda de produção, simplificar a oferta de alimento às aves, facilitar o manejo e contribuir com a preservação do meio ambiente. “Estamos trabalhando com o sistema colonial de produção de frangos, abatidos após 85 dias, onde a ração das aves deve ser adaptada à idade do animal. Toda a ração deve fornecer energia (por exemplo, milho ou batata-doce), proteína (por exemplo, farelo de soja ou girassol ou farinha de folhas de mandioca), vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais”, esclarece João Pedro Zabaleta, pesquisador responsável pelo projeto de pesquisa com aves coloniais.

A cultura da batata-doce
A lavoura de batata-doce é tradicional na agricultura familiar no Brasil e no Estado. Em tempo curto, produz-se grande quantidade da raiz. Possui manejo simples e é facilmente produzida na propriedade.
Uma das dificuldades na produção da batata-doce para o produtor está na necessidade de melhorar a qualidade de suas mudas. “ Há uma baixa qualidade nas mudas, elas são atacadas por viroses, o que prejudica a sua produtividade”, chama a atenção João Pedro Zabaleta.

A ração
A ração a base de batata-doce para aves é viável pelo fato de que o produtor comercializa a parte nobre da batata-doce ( as de tamanho médio e de melhor aspecto visual) para o consumo humano e os resíduos que ficam na lavoura transformam-se em farinha, que adicionada a uma formulação adequada (vitaminas, minerais, proteínas e aminoácidos) é oferecida às aves. “O resíduo é transformado em energia, ou seja, em carnes e ovos, com custo muito baixo, está se aproveitando o que se tornaria lixo”, adverte o pesquisador João Pedro Zabaleta.
Essa farinha passa por um processo de trituração, secagem ao sol, moagem e  embalagem (em sacos plásticos), que possuem uma durabilidade de até dois anos.
 Nas lavouras de batata-doce da região estudada, região Central do Estado do RS, sobram em termos de resíduos cerca de 7 a 10 toneladas.

Benefícios econômicos, sociais e ambientais
Para o agricultor familiar que cultiva batata-doce o uso dos resíduos  é mais conveniente que a aquisição de milho, ou mesmo do plantio do milho. A sua utilização permite que o produtor tenha maior renda e ainda diversifica a oferta de alimentospara os consumidores, através da produção de frangos coloniais.
Além disso, ganhos ambientais  também são destacados como a diminuição da viagem dos insumos (o milho), menor aplicação de agroquímicos e aproveitamento do produto em toda sua potencialidade (resíduos da batata-doce).

“O agricultor passa a ter também maior autonomia sobre sua produção”, conclui João Pedro Zabaleta.
Saiba mais sobre este assunto, ouvindo O Prosa Rural, o programa de rádio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O programa conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

2011/08/22
15'
Cristiane Betemps-MTb 7418-RS
Email: Cristiane.betemps@cpact.embrapa.br
Telefone: (053) 3275-8206
Embrapa Clima Temperado
Colaborador URL

Embrapa Info

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