terça-feira, 23 de junho de 2026

PANCS plantas alimentícias não convencionais

 

Fig 1. Que tal uma salada de flores comestíveis? Crédito: Nikolay_Donetsk/iStock

 

Saiba como identificar as PANCs corretamente e onde essas Plantas Alimentícias Não Convencionais podem ser encontradas

Você já imaginou poder diversificar sua alimentação com plantas que muitas vezes passam despercebidas, mas que oferecem uma incrível variedade de sabores, texturas e benefícios nutricionais? As PANCs, ou Plantas Alimentícias Não Convencionais, são exatamente isso! Com nomes curiosos e propriedades surpreendentes, essas plantas são uma ótima alternativa para enriquecer sua dieta e aproveitar ao máximo o que a natureza tem a oferecer. Talvez você tenha PANCs na sua casa… E nem sabe!

As escolhas alimentares geram impactos importantes na saúde humana e no ambiente. O aumento do consumo de produtos altamente processados e com baixa qualidade nutricional está contribuindo para o surgimento de doenças crônicas e degenerativas, como hipertensão, diabetes, câncer e obesidade. Além disso, a falta de contato com a natureza, especialmente entre as crianças, está levando a um distanciamento preocupante, conhecido como transtorno do déficit de natureza, que se manifesta em problemas comportamentais e de saúde.

Diante desse cenário, é fundamental adotar uma alimentação que promova qualidade de vida, segurança alimentar e nutricional, respeitando a cultura local e estimulando práticas agrícolas sustentáveis. É necessário buscar o equilíbrio entre produtividade, sustentabilidade e qualidade nutricional, apoiando a agricultura familiar e o comércio justo, respeitando a biodiversidade e a sazonalidade dos alimentos. Essa abordagem não só beneficia a saúde das pessoas, mas também contribui para a preservação do ambiente e a promoção de um estilo de vida mais saudável e conectado com a natureza.

 

O ABC das PLANCs

Mas… Como assim “não convencional”?
Para uma planta ser considerada uma PANC, é necessário analisar o contexto em que ela está inserida. Em algumas regiões, essas plantas são consumidas no dia a dia e são consideradas tradicionais. O Brasil possui um grande potencial para explorar as PANCs, sejam elas nativas ou vindas de outros lugares.
O nome “não convencional” foi dado a essas plantas por elas não serem tão comuns no nosso cotidiano e por não fazerem parte de uma cadeia produtiva já estabelecida (não são facilmente encontradas em mercados, por exemplo).

 

Como consumir as PANCs?
As PANCs podem ser incorporadas no cardápio do dia a dia. Não é necessário ser um chef de cozinha para utilizá-las; muitas receitas podem ser adaptadas substituindo os ingredientes convencionais pelas PANCs. Cada planta possui sua própria peculiaridade e forma de consumo.

 

Como saber se minha planta é uma PANC ou não?
É importante identificar corretamente as PANCs, pois algumas plantas podem ter partes comestíveis não conhecidas ou consumidas pela maioria das pessoas. É fundamental ter certeza do que está sendo consumido, evitando confusões que podem gerar problemas de saúde. Uma dica é sempre verificar se o nome científico corresponde à planta.

 

Onde encontrar as PANCs?
Calçadas e ruas podem ser ambientes poluídos e contaminados, por isso é recomendável adquirir as PANCs em locais com procedência confiável. Feiras orgânicas e agroecológicas são ótimos lugares para encontrar PANCs para consumo, sementes ou mudas.

 

Que benefícios as PANCs trazem para a saúde?
O consumo de PANCs traz diversos benefícios para a saúde, contribuindo para a diversidade da alimentação e a garantia da segurança alimentar e nutricional. Essas plantas apresentam um potencial nutritivo surpreendente, sendo ricas em compostos bioativos, fibras alimentares, aminoácidos essenciais, vitaminas, proteínas, carboidratos, antioxidantes e ômega 3.

 

As Plantas Comestíveis Não Convencionais são uma verdadeira riqueza da natureza, oferecendo uma variedade incrível de sabores, texturas e benefícios nutricionais. Incluir essas plantas em nossa alimentação pode ser não apenas uma forma de diversificar os pratos, mas também de promover uma alimentação mais saudável e sustentável. Que tal experimentar algumas dessas PANCs e descobrir novos sabores e nutrientes para sua dieta?

 

Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

Talvez uma das mais conhecidas, a ora-pro-nóbis é uma planta rica em proteínas, fibras e vitaminas A, B e C, além de minerais como cálcio, ferro e fósforo. Suas folhas podem ser utilizadas em saladas, refogados, sopas e até mesmo sucos, adicionando um toque especial à dieta.

 

Fig 2. Ora-pro-nóbis pode ser consumida em refogado, tal como na imagem acima. Crédito: cabuscaa/iStock

 

Taioba (Xanthosoma sagittifolium)

A taioba é outra PANC bastante nutritiva, sendo uma ótima fonte de vitamina A, ferro, cálcio e fósforo. Suas folhas podem ser consumidas refogadas, em saladas ou em sopas, proporcionando sabor e nutrientes essenciais à nossa saúde.

 

Fig 3. A taioba pode ser utilizada de várias formas, entre elas, como recheio de diferentes pratos. Crédito: Rodrigo Moreira/iStock

 

Caruru (Amaranthus viridis)

Rico em ferro, cálcio, fósforo e vitaminas A e C, o caruru é uma excelente opção para incluir nas refeições. Pode ser utilizado em refogados, saladas e sopas, garantindo um aporte nutricional extra e um sabor único aos pratos.

 

Fig 4. Em algumas regiões do país, tal como Pernambuco, as plantas do gênero Amaranthus são conhecidas como bredo. Crédito: Abdul Hamid Rohandi/iStock

 

Capuchinha (Tropaeolum majus)

As flores e folhas da capuchinha são ricas em vitamina C, ferro e enxofre. Podem ser consumidas cruas em saladas, adicionando cor e sabor, além de nutrientes essenciais à nossa saúde.

 

Fig 5. As folhas e flores de Tropaeolum majus possuem sabor fresco e picante. Crédito: Julie Anne Workman/ Wikimedia Commons

 

Jambu (Acmella oleracea)

Conhecido pelo efeito “choque” que causa na boca, o jambu é uma planta rica em vitamina C e cálcio. Suas folhas são ideais para serem utilizadas em saladas e refogados, adicionando um toque exótico e estimulante às refeições.

 

Fig 6. O jambu é típico da Região Norte do Brasil. Crédito: Vilseskogen/Flickr

 

Peixinho (Stachys byzantina)

O peixinho é rico em vitamina C, ferro e cálcio. Suas folhas macias podem ser consumidas cruas em saladas, proporcionando um sabor suave e nutritivo.

 

Fig 7. As folhas da planta Stachys byzantina podem ser consumidas tal como peixe frito, isto é, à milanesa e fritas e o sabor é similar ao de peixe. Crédito: Rodrigo Moreira/iStock

 

Beldroega (Portulaca oleracea)

Com alto teor de ômega-3, vitaminas A, C e E, além de minerais como ferro, cálcio e potássio, a beldroega é uma excelente opção para enriquecer saladas e refogados, oferecendo benefícios nutricionais importantes para nossa saúde.

 

Fig 8. A beldroega possui folhas suculentas e sabor ácido. Crédito: oykuozgu/iStock

 

Orelha-de-padre (Opuntia cochenillifera)

Os frutos da orelha-de-padre são uma fonte rica em vitamina C, cálcio, fósforo e ferro. Podem ser consumidos in natura ou em sucos, adicionando um sabor único e nutritivo às nossas refeições.

 

Fig 9. A Opuntia cochenillifera é bastante comum na Região Nordeste do Brasil. Crédito:Alfribeiro/iStock

 

Saiba mais:

Alimentação natural e comida de verdade: como fazer escolhas nutritivas

Povo Ticuna: alimentação sustentável

Mandioca: uma herança dos povos originários

Receita de aipim na pressão, um clássico!

 

Fontes consultadas:

Machado, Ana Cristina et al. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). Disponível em: https://cursosextensao.usp.br/pluginfile.php/772923/mod_book/intro/PANC.pdf. Acesso em 03 de abril de 2024.

Monteiro, Maria Isabel Fidelis Monteiro e Abreu, Karla Maria Pedra de. Instituto Federal do Espírito Santo. Plantas Alimentícias Não Convencionais: Resgatando Saberes e Sabores. Disponível em: https://alegre.ifes.edu.br/images/conteudo/Publicacoes/2023/Ebook_PANC.pdf. Acesso em 03 de abril de 2024.

Sartori, Valdirene Camatti et al. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC): Resgatando a soberania alimentar e nutricional. Disponível em: https://www.ucs.br/site/midia/arquivos/ebook-plantas-alimenticias.pdf. Acesso em 03 de abril de 2024.

Estação Experimental Agronômica - Conhecendo a UFRGS

 


Criação de Minhocas? Mas, afinal, para que serve isto?

 


A criação de minhocas em cativeiro, também conhecida como Minhocultura ou Vermicompostagem, é uma zootecnologia conhecida no Brasil há 20 anos e tem a finalidade de produzir /extrair o precioso adubo (Húmus) produzido por ela, além, é claro, da multiplicação contínua da própria  minhoca.
E para que tantas minhocas? Quem é que compra isto? A minhoca é rica em proteína pura (83%) e é utilizada para alimentar filhotes de outras criações como, por exemplo: rãs, aves domésticas, passarinhos de gaiola, camarão de água doce, peixinhos de aquário, tartaruga e – obviamente – para o anzol do feliz pescador


E o Húmus?
O Húmus é o excremento da minhoca, ou seja, as fezes propriamente dito, porém, sem cheiro, sem moscas e com aspecto e consistência de pó-de-café geladinho.
O húmus é o único adubo orgânico completo de Micro e Macronutrientes, que são necessários para o desenvolvimento ideal das plantas.


O Húmus serve para todas as plantas?
Sim, pode ser aplicado nas plantas ornamentais (com ou sem flor), em frutíferas nos pomares, para a lavoura e agricultura em geral e – principalmente - para gramados esportivos.  Os grandes clubes de futebol como o Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco etc. colocam regularmente toneladas e toneladas de Húmus em seus gramados.
Toneladas de “cocô”? A minhoca produz tanto assim?
Sim, por incrível que pareça, a minhoca come por dia mais do que o seu próprio peso! Já pensou se você tem que comer todo  santo dia mais ou menos o equivalente a um saco de cimento que pesa 50 kg cheio de arroz e feijão? Então, vamos lá, quem é bom em matemática faça os cálculos: Se a minhoca pesa na   média uma grama, então ela come uma  grama por dia, né?  Então, para produzir 50 Quilos de húmus, uma única minhoca levaria 50.000 dias, ou seja, uns 137 anos! É muito, não é?

FONTE:http://www.minhocarioarboreum.com.br/page_22.html

Uso do Guandu na alimentação de aves





A criação de aves para a produção de carne do tipo caipira, no sistema semi-intensivo, é um dos segmentos da avicultura que tem se mostrado promissor.
A carne produzida apresenta sabor diferenciado, que agrada ao paladar de consumidores à procura de alimentos com maiores atributos de qualidade.
No entanto, o desafio nesse tipo de criação é tornar a produção mais eficiente, ao diminuir os custos com a alimentação, sem perder as características dos produtos.
O aumento na demanda por fontes de proteína e o seu alto custo tem estimulado pesquisas que buscam novas alternativas para substituir as tradicionais fontes proteicas, principalmente a do farelo de soja.
O feijão guandu [Cajanus cajan (L.) Millsp.] é uma dessas alternativas, pois apresenta boas quantidades de proteína bruta, que variam entre 22 e 27%. 2011). Além disso, é uma leguminosa resistente à seca, fator importante para sua cultura em regiões semiáridas.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

AS FRUTAS Brasileiras ESTRANHAS Nativas do CERRADO Mais CURIOSAS e INCRÍ...


Descubra o tesouro oculto do cerrado brasileiro! Adentre um mundo
repleto de sabores exóticos, cores vibrantes e texturas surpreendentes.
Bem-vindo ao fascinante universo das frutas típicas do cerrado,
um ecossistema único que abriga uma variedade incrível de tesouros
naturais.

O cerrado, uma das principais savanas tropicais do mundo,
é conhecido por sua rica biodiversidade e por abrigar um verdadeiro
paraíso de frutas exuberantes e saborosas. Elas também são símbolos culturais, enraizadas nas tradições e
na história do povo que habita essa região. Venha conosco em
uma jornada pelo cerrado brasileiro e descubra as frutas que
florescem nessa terra de beleza selvagem. Prepare-se para
experimentar um universo de possibilidades e apaixonar-se
pelas frutas típicas do cerrado.

50 anos da Implantação da Região RS I - Plantio de árvores guamirim

 








Aconteceu no domingo (21/06)... Festejamos esta data histórica do Movimento no Rio Grande do Sul...

Desde as 10 horas da manhã estavamos reunidos tomarndo chimarrão, cantando, rezando e agradecendo por está caminhada de fé, e louvando a Deus pela vida e pela criação...
Houve doação de limões e bergamotas, numa linda partilha.

Alguns casais trouxeram alimentos para as famílias atendidas pela pastoral da criança.

Foi lindo demais!!

Padre Henri caffarel intercedei por nós!!
Local: Praça Franklin Perez, Av Pereira Passos, 520 - bairro Assunção, Porto Alegre/RS...

O Senhor faz em nós maravilhas...

#ENSRegiãoRS1 @ensbrasil
#ENS50anosRS1 @ensprovinciasul3
#planteumaarvore


Foram plantadas três mudas de Guamirim-ubá   (Myrcia Glaba)


Myrcia glabra / guamirim-araçá

  Clique na imagem
para ampliar

PePequenos frutos de ca. 1 cm de diâmetro, suculentos e de coloração vermelha a quase negra na maturação. A árvore pode atingir ca. 10 m em cultivo, apresentando copa em forma de taça e de folhagem densa, muito bonita. Tronco rugoso e descamante, como muitas mirtáceas.

Usos: Os frutos, embora pequenos, são consumidos ao natural e divertem a criançada. São também extremamente atraentes para diversas espécies de pássaros. A árvore possui ótimas características ornamentais, assim como grande valor para reflorestamento de áreas nativas.

Cultivo: A sol pleno ou meia sombra, em solos com capacidade de retenção de umidade. Climas tropicais e subtropicais, resisistindo bem a geadas. Floresce e frutifica fartamente.

Origem: Floresta Pluvial Atlântica, de SP ao RS.

Família: Myrtaceae.

Observações: Para maiores informações, consulte o livro Árvores Brasileiras, de Harri Lorenzi, vol. 2, pág. 259.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Biofertilizante feito com farinha de peixe aumenta produção de morangos de agricultora

Biofertilizante feito com farinha de peixe aumenta produção de morangos de agricultora

 

Foto: MFX/Secom/SC

Fonte: OCP News

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

08/06/2025 - 14:06 - Atualizada em: 08/06/2025 - 14:13

Na Semana do Meio Ambiente, celebrada em junho, uma história que reúne ciência, sustentabilidade, qualidade de vida e geração de renda ganha destaque em Santa Catarina. Trata-se do trabalho de Vilma Fontanive Reichert, 57 anos, moradora de Luiz Alves, que apostou no cultivo de morangos em sistema suspenso e protegido com o apoio da Epagri. A produção ganhou novo fôlego com o uso de um biofertiliante aeróbico desenvolvido pela Estação Experimental da Epagri de Itajaí e apresentado recentemente no TecnoHorti 2025.

Vilma iniciou o cultivo há seis anos, buscando uma atividade que complementasse sua renda após a aposentadoria sem exigir esforço físico excessivo. Com a orientação técnica da Epagri e motivada pelos bons resultados, ela já planeja dobrar a produção em 2026 com a construção de mais um abrigo. “Não tem comparação. Sem o biofertilizante, a planta demora mais a produzir e produz menos morangos porque dá menos flor”, relata.

Uso do biofertilizante resolveu o problema de ácaro na plantação de morangos de uma forma ecológica – – Foto: MFX/Secom/SC

O biofertilizante usado por Vilma foi destaque no TecnoHorti 2025, evento realizado no dia 3 de junho na Estação Experimental da Epagri em Itajaí. Apesar do frio e da chuva, mais de 500 pessoas compareceram para conhecer as inovações da pesquisa catarinense na produção de hortaliças orgânicas. Um dos coordenadores do evento, pesquisador Alexandre Visconti, apresentou o bioinsumo e também demonstrou o sistema de termoterapia para desinfecção de substratos.

O produto, fabricado a partir de farinha de peixe, amido de milho e de mandioca, açúcar, farelo de arroz, esterco e água, é fermentado com bombeamento de oxigênio contínuo por até oito dias. Na propriedade de Vilma, são fabricados 200 litros por mês. Ela aplica o produto por gotejamento, o que garante mais vigor às plantas, prolonga o ciclo produtivo e reduz a incidência de pragas e doenças.

“Aqui a gente tinha muito problema de ácaro. Desde que comecei a usar esse fertilizante da Epagri, os bichinhos sumiram”, comemora. No abrigo de 400m2, a produtora tem 2.700 mudas. Durante o auge da safra, ela planta de 70kg a 80kg por mês e fornece para particulares, padarias, lanchonetes e creches do município.

Tecnologias para produção orgânica

Durante o TecnoHorti 2025, outras experiências como a de Vilma também mostraram o impacto positivo da pesquisa da Epagri no campo. Produtores como Josnei Nowak, de Três Barras, e Fabiana Barros, de Massaranduba, relataram os benefícios do cultivo protegido e do uso de bioinsumos em suas propriedades, tanto para a saúde quanto para a renda familiar.

O cultivo suspenso de hortaliças foi outra inovação apresentada no evento que humaniza o trabalho no campo – Foto: Renata Rosa/Epagri/Fapesc

O evento apresentou as seguintes tecnologias desenvolvidas pela pesquisa da Epagri para auxiliar os produtores catarinenses de hortaliças orgânicas:

  • Compostagem – mostrou como resíduos agrícolas são transformados em adubo orgânico de alta qualidade;
  • Mudas Orgânicas – atendendo à nova exigência das Normas da Produção Orgânica no Brasil, válidas a partir de 2026;
  • Biofertilizantes Aeróbicos – fermentado líquido que promove o crescimento das plantas e o controle de doenças do solo;
  • Cultivares Orgânicos da Epagri – variedades como a alface Litorânea, o tomate Kaiçara e novos materiais em desenvolvimento (pimentões, tomate cereja, rúcula e alface de inverno).
  • Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) – tecnologia consagrada para o manejo sustentável do solo;
  • Cultivo Suspenso de Hortaliças – inovação que valoriza a ergonomia e humaniza o trabalho no campo.

Além das visitas, o TecnoHorti 2025 contou com palestras técnicas ministradas por especialistas de empresas parceiras, com temas alinhados à produção orgânica e ao uso responsável dos recursos naturais

Visconti ressalta que a integração entre pesquisa agropecuária, extensão rural e produtores reforça o papel estratégico da ciência no enfrentamento de desafios como a segurança alimentar, a sucessão familiar e a preservação ambiental. “Em plena Semana do Meio Ambiente, essas histórias demonstram que a sustentabilidade no campo passa por inovação, parceria e protagonismo da agricultura familiar”, diz ele. 

Catálogo de plantas auxilia na conservação de espécies ameaçadas no Espinhaço Mineiro

O Instituto de Biociências da USP e o Instituto Estadual de Florestas lançam publicação que reúne dados botânicos e saberes locais da região da Serra do Espinhaço; e-book está disponível para download gratuito

  17/11/2025 - Publicado há 7 meses
Por
Visão de um campo verde com pequenas flores amarelas e ao fundo uma montanha
Publicação apresenta plantas da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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Entre dados botânicos, histórias e modos de viver do território, o novo Catálogo de Plantas Secas Decorativas Comercializadas no Espinhaço Mineiro propõe um diálogo entre ciência, gestão pública e cultura popular da região, localizada na porção mineira da Serra do Espinhaço, cadeia montanhosa que atravessa o Estado de norte a sul. A área é marcada por grande diversidade biológica, paisagens de campos rupestres e comunidades tradicionais que vivem e manejam esses ambientes. “Mais do que um registro, é um chamado que une conhecimento e responsabilidade socioambiental, para que os recursos naturais caminhem lado a lado com o fortalecimento das identidades regionais”, afirmam os autores Renato Ramos da Silva e Paulo Takeo Sano. O catálogo está disponível para download gratuito neste link (o arquivo está em alta resolução, com 300 MB).

A publicação é uma parceria entre o Instituto de Biociências (IB) da USP e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), e integra as ações do Plano de Ação Territorial (PAT) para a conservação de espécies ameaçadas da região e representa uma ferramenta para o fortalecimento da bioeconomia local. O objetivo principal é conciliar a conservação e a geração de renda.

Para Gabriela Brito, coordenadora do PAT Espinhaço Mineiro, que assina o prefácio, “esta publicação surge com o intuito de lançar um novo olhar sobre o uso das espécies vegetais da região, com um enfoque especial nas plantas secas decorativas, como as famosas sempre-vivas. Este catálogo não só destaca a importância dessas plantas, mas também busca ampliar o conhecimento sobre essa categoria ainda pouco explorada”, afirma, completando que o catálogo é peça fundamental para o compromisso central do PAT Espinhaço Mineiro, de conectar novas possibilidades de estratégias de conservação, integrando a proteção da biodiversidade com o desenvolvimento regional sustentável.

Capa e páginas do livro que tem download gratuito – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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Plano de Ação Territorial 

Em 2020, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF/MG) firmou parceria com o projeto Pró-Espécies: Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), sendo a agência executora o WWF-Brasil. O objetivo era coordenar a elaboração e execução do Plano de Ação Territorial – PAT para conservação de espécies ameaçadas de extinção do território Espinhaço Mineiro.

O plano foi desenvolvido em conjunto com diversos atores como uma estratégia integrada para a conservação e para o uso sustentável dos recursos naturais dos ecossistemas presentes na região da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço. A proposta é conciliar a proteção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos com o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais. Foi elaborado um conjunto de ações de conservação, com um planejamento partindo de um contexto territorial, visando a atender ao objetivo principal do PAT que é “aumentar a conservação dos hábitats, das espécies e da sociobiodiversidade no território Espinhaço Mineiro, com engajamento dos diversos atores sociais”.

O território do PAT abrange uma área com 105.251 km², perpassando os biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. São alvo do plano 24 espécies criticamente em perigo de extinção, sendo 19 espécies da flora, três espécies de peixes e duas espécies de invertebrados; entretanto, os efeitos positivos das ações do plano também serão refletidos em pelo menos 1.787 outras espécies ameaçadas presentes no território.

Partes utilizadas no comércio de plantas – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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Mercado alternativo

Segundo a publicação, o mercado de plantas secas externo está concentrado principalmente nos Estados Unidos e na Europa, onde esses materiais são revendidos. Com a recente emergência do uso das flores secas para montagem de arranjos de plantas secas no Brasil, houve uma mudança na proporção entre os destinos nacionais e internacionais. Enquanto o mercado externo prevalecia em volumes e valores de exportação, essa relação sofreu forte mudança, com uma equivalência atual de mercados.

Segundo os autores, tais mudanças acompanham discussões sobre a sustentabilidade do mercado de flores frescas, considerado como um produto de ciclo de vida curto, mas com alto investimento em cultivos em estufa, com alto consumo de insumos e itens descartáveis. “As flores secas nativas ou de origem cultivada constituem uma alternativa a esse cenário, contudo há que se observar a legislação para que o extrativismo, transporte e comércio sejam realizados de forma legal”, alertam.

Eles explicam que, devido às exigências da legislação ambiental, as espécies comercializadas devem estar identificadas com o nome científico, indicando sua presença ou não em listas de espécies ameaçadas de extinção. Esse, dizem, é um dos objetivos que esse catálogo busca suprir, constituindo bases para adequação e sustentabilidade das atividades, garantindo a conservação das espécies.

Mapa da região do Espinhaço – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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A pesquisa

O levantamento de dados foi iniciado a partir de visitas a galpões e entrepostos de comércio em Diamantina e Contagem, em Minas Gerais. As amostras das partes de plantas comercializadas foram tratadas, seguindo um fluxo de ação regular, para a inclusão de informações básicas sobre cada uma delas. Junto das amostras dos materiais foram obtidos os nomes comerciais ou populares, com informações sobre a origem do material coletado. As fotografias foram organizadas por um banco de imagens. Outras espécies obtidas de publicações científicas e de sites especializados também foram acrescentadas.

A área de estudo compreende a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço (RBSE), no território de Minas Gerais, desde a região central até o norte do Estado. Ali estão as zonas núcleo, compreendidas pelas Unidades de Conservação de Proteção Integral, com a zona de amortecimento e de transição no seu entorno. As plantas estão inseridas no Reino Plantae e os seus diferentes grupos estão representados no catálogo por Angiospermas, Gimnospermas, Líquens, Musgos, Samambaias e Licófitas. As espécies comercializadas foram classificadas quanto à sua origem, distribuição, e ocorrência natural, entre nativas, cultivadas e exóticas.

Confira o Catálogo de Plantas Secas Decorativas Comercializadas no Espinhaço Mineiro neste link.


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