quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Minhoca na Cabeça evita envio de 950 toneladas por ano ao aterro em Florianópolis

 FONTE: SITE ND+

O programa já distribuiu 3.000 kits de compostagem doméstica para transformar resíduos orgânicos em adubo

Foto do perfil do autor - Branded Studio

Florianópolis

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Cascas e restos de frutas, legumes e verduras, borra e filtro de café, entre outros resíduos, são colocados na caixa. As minhocas californianas e os microrganismos atuam na sua decomposiçãoFoto: Andy Puerari/PMF/Divulgação/NDCascas e restos de frutas, legumes e verduras, borra e filtro de café, entre outros resíduos, são colocados na caixa. As minhocas californianas e os microrganismos atuam na sua decomposiçãoFoto: Andy Puerari/PMF/Divulgação/ND

Ao lado do fogão da casa da educadora ambiental Gisele Hohgraefe Lopes de Souza, nos Ingleses, um pequeno balde recebe as sobras orgânicas produzidas pela família. Quando está cheio, o conteúdo segue para o minhocário, onde é coberto com serragem ou folhas secas e começa a ser transformado em adubo.

Em uma casa com quatro adultos, são preenchidos entre três e quatro baldes de cinco litros por semana. Cascas, restos de frutas, legumes e outros resíduos que poderiam seguir para o aterro sanitário permanecem no próprio terreno e depois retornam às plantas.

“É como montar uma lasanha. A gente coloca a matéria orgânica úmida e cobre com a matéria seca. Quando aprende a fazer esse equilíbrio, não tem erro”, conta Gisele.

Ela participou de uma das primeiras turmas do programa Minhoca na Cabeça, criado em 2018 pela Prefeitura de Florianópolis. Professora em um colégio no Norte da Ilha, fez a capacitação com o objetivo de utilizar o minhocário como recurso pedagógico nas aulas de educação ambiental.

“Com o Minhoca na Cabeça, a compostagem deixa de ser uma prática distante e passa a fazer parte da rotina das famílias. O programa oferece o equipamento, a capacitação e o acompanhamento necessário para que cada participante consiga transformar os resíduos dentro de casa e manter esse hábito ao longo do tempo”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer.

No início, o equipamento circulava pelas salas e pelos auditórios. Mais tarde, com a implantação de uma área de compostagem na escola, passou a permanecer no local. Gisele participou novamente da oficina para ter outro kit em casa.

A experiência da professora faz parte de uma rede que já recebeu 3.000 minhocários em Florianópolis. Segundo as estimativas do programa, os equipamentos em operação evitam o envio de aproximadamente 950 toneladas de resíduos orgânicos ao aterro sanitário por ano.

Os dados indicam que uma residência participante pode tratar, em média, cerca de 32 quilos desses materiais por mês. Além de reduzir o volume recolhido e transportado, o processo produz húmus e biofertilizante que podem ser utilizados em vasos, jardins e hortas.

“Quando o morador trata os resíduos orgânicos dentro de casa, evita que esse material precise ser coletado, transportado e encaminhado ao aterro. Um minhocário pode parecer uma estrutura pequena, mas o resultado de milhares de famílias participando representa centenas de toneladas recuperadas todos os anos”, destaca Kronbauer.

Gisele Hohgraefe participou de uma das primeiras oficinas da iniciativa, criada em 2018 pela Prefeitura de Florianópolis. Criou um minhocário na escola onde atua e depois instalou um minhocário na própria casaFoto: Arquivo pessoal/NDGisele Hohgraefe participou de uma das primeiras oficinas da iniciativa, criada em 2018 pela Prefeitura de Florianópolis. Criou um minhocário na escola onde atua e depois instalou um minhocário na própria casaFoto: Arquivo pessoal/ND

Aprendizado chega aos estudantes

Na escola, os próprios estudantes participam do manejo do minhocário e acompanham a transformação dos restos de alimentos. Quando o húmus fica pronto, o material é levado para a horta. As crianças também coletam o biofertilizante, fazem a diluição em água e utilizam o produto nas plantas.

Parte do material é entregue às famílias ou distribuída durante eventos escolares. A experiência permite trabalhar a educação ambiental a partir de uma atividade presente na rotina dos estudantes.

“Aprendi na minha trajetória como educadora ambiental que resíduo orgânico não é lixo. É matéria-prima, é alimento para a terra. É isso que procuro ensinar aos estudantes”, afirma Gisele.

A prática iniciada com o kit também abriu caminho para outras formas de compostagem. Hoje, além do minhocário, a professora mantém composteiras maiores e uma leira diretamente no solo de casa.

O receio de mau cheiro ou da presença de animais indesejados, segundo ela, desapareceu com o aprendizado sobre o equilíbrio entre os materiais.

“Eu também tinha medo de dar mau cheiro ou atrair animais, mas resolvi experimentar. Até hoje, nunca tive nenhum problema. O minhocário é uma maneira muito simples de começar, principalmente para quem tem pouco espaço ou ainda tem receio da compostagem”, relata.

O kit inclui quatro caixas plásticas, insumos para iniciar o processo e minhocas californianas; a retirada é feita mediante Termo de Empréstimo e pode permanecer com o morador pelo tempo em que estiver em FlorianópolisFoto: Andy Puerari/`MF/Divulgação/ND MaisO kit inclui quatro caixas plásticas, insumos para iniciar o processo e minhocas californianas; a retirada é feita mediante Termo de Empréstimo e pode permanecer com o morador pelo tempo em que estiver em FlorianópolisFoto: Andy Puerari/`MF/Divulgação/ND Mais

Capacitação acompanha a entrega

Para receber o kit do Minhoca na Cabeça, o morador precisa participar de uma capacitação sobre montagem, funcionamento e cuidados necessários. A formação apresenta os materiais que podem ser compostados, a quantidade de matéria seca utilizada e a forma correta de retirar o húmus e o biofertilizante.

O kit inclui quatro caixas plásticas, insumos para iniciar o processo e minhocas californianas, que aceleram a decomposição dos resíduos. O equipamento pode ser mantido tanto em casas quanto em apartamentos.

Os kits são retirados mediante a assinatura de um Termo de Empréstimo e podem permanecer com os participantes enquanto eles residirem em Florianópolis e mantiverem o equipamento em uso.

As solicitações recebidas preencheram a capacidade disponível nesta etapa. Por isso, as inscrições estão temporariamente suspensas e não haverá abertura de lista de espera. Os minhocários que estão em produção serão destinados aos pedidos que já foram registrados no sistema e aguardam atendimento.

“A procura mostra que os moradores estão dispostos a adotar soluções sustentáveis dentro de casa. Neste momento, a produção está direcionada às solicitações já recebidas, para que possamos atender essa demanda com os equipamentos e a capacitação necessária”, afirma Kronbauer.

Quando novas inscrições forem abertas, as informações estarão disponíveis em minhocacabeca.pmf.sc.gov.br. Dúvidas podem ser encaminhadas pelo WhatsApp (48) 3261-4808.

Como funciona o minhocário

Minhocário fica em caixas de diferentes tamanhosFoto: Andy Puerary/PMF/ND MaisMinhocário fica em caixas de diferentes tamanhosFoto: Andy Puerary/PMF/ND Mais

Separação dos resíduos

Cascas e restos de frutas, legumes e verduras, borra e filtro de café, erva de chimarrão e outros materiais orgânicos são separados na cozinha.

Montagem das camadas

Os resíduos são colocados na caixa e cobertos com matéria seca, como serragem ou folhas. O equilíbrio entre materiais úmidos e secos ajuda a controlar a umidade e evita mau cheiro.

Ação das minhocas

As minhocas californianas e os microrganismos atuam na decomposição. Quando uma caixa fica cheia, a seguinte passa a receber os resíduos, enquanto o material armazenado continua em processamento.

Produção do húmus

Ao fim do processo, os resíduos são transformados em húmus, um adubo rico em nutrientes que pode ser utilizado em vasos, hortas e jardins.

Coleta do biofertilizante

A caixa inferior, que não possui furos, recebe o líquido formado durante a compostagem. Depois de diluído em água conforme as orientações do programa, o biofertilizante pode ser aplicado nas plantas.

Como é o kit

O conjunto fornecido pelo Minhoca na Cabeça possui quatro caixas plásticas, insumos para iniciar o processo e minhocas californianas. O tamanho permite a instalação em casas ou apartamentos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Azolla: a planta que pode ajudar a combater o aquecimento global


Azolla cultivada em laboratório. IRRI Images via Wikimedia Commons
Artigo original por Jennifer Huizen, em 15/07/14
Há 55 milhões de anos, quando os cientistas acreditam que a terra se encontrava em um estado de quase caos, perigosamente aquecida por gases estufa, o Oceano Ártico também era um lugar muito diferente. Era um grande lago, conectado com oceanos maiores por uma abertura primária: o Estreito de Turgai.
Quando este canal se fechou ou foi bloqueado cerca de 50 milhões de anos atrás, o corpo de água fechado se tornou o habitat perfeito para uma samambaia de folhas pequenas chamada Azolla. Imagine o Ártico como o Mar Morto de hoje: era um lago quente que se tornou estratificado, sofrendo por falta de trocas com águas externas. Isto significa que a água se tornou carregada de nutrientes em excesso.
Azolla tirou vantagem da abundância de hidrogênio e dióxido de carbono, dois de seus alimentos favoritos, e se espalhou. Grandes populações formaram tapetes grossos que cobriram todo o lago. Quando a precipitação de chuvas passou a aumentar, graças a mudanças climáticas, enchentes criaram uma fina camada de água fresca para a Azolla se espalhar para fora, em partes dos continentes nos arredores.
Azolla surgiu e desapareceu em ciclos por aproximadamente um milhão de anos, cada vez acrescentando uma camada adicional de sedimentos ao grosso “tapete” formado por eles, que foi encontrado em 2004 pela expedição Arctic Coring.
O fato de que esta planta só precisa de pouco mais de uma polegada (2,5 cm) de água para crescer faz com que todo o cenário pareça ter sentido – isto é, até você saber o quanto de dióxido de carbono esta planta faminta absorveu no decorrer destes milhões de anos.
“Cerca da metade do CO2 disponível na época” disse Jonathan Bujak, que estuda poeira e partículas finas de plantas como um palinologista. “Os níveis despencaram de 2500-3500 [partes por milhão] para entre 1500 e 1600 PPM.”
Enquanto o que acabou a era Azolla ainda é incerto, os 49 milhões de anos seguintes viram a terra cair em um ciclo que causou ainda mais quedas drásticas nos níveis de CO2.
Os continentes ao sul se separaram, e, enquanto a América do Sul e a Índia migravam para o norte, a Antártica se tornava isolada e cada vez mais fria, absorvendo mais CO2 e criando correntes de ar frio que perpetuavam o gelo. Uma sucessão de eras glaciais foi iniciada assim que o CO2 atmosférico caiu para menos de 600 PPM, há aproximadamente 26 milhões de anos, apenas 200 PPM acima da estimativa atual.
Eras glaciais cíclicas começaram, alternando entre 10 mil anos de glaciação massiva, seguidos de uma pausa de 10 mil anos. Na metade do século 18, o CO2 atmosférico estava a uma concentração de 280 PPM.

Encontrando usos modernos para uma planta heroica
“O que é realmente incompreensível”, disse Bujak, “é que os processos do nosso planeta de resfriamento e queda de CO2 levaram 50 milhões de anos para acontecer. Agora, estamos revertendo isso em uma questão de séculos”.
O que sabemos sobre as funcionalidades da Azolla ainda é superficial, mas pessoas ao redor do mundo, como Kathleen Pryer, uma professora da Duke que idealizou o sequenciamento do genoma desta pequena samambaia, vem encontrando formas criativas para explorar suas possibilidades. Alan Marshall, um ex-radiologista vivendo na Tasmânia, Austrália, é apenas um exemplo de cidadão-cientista que acredita queAzolla pode ajudar o planeta a encontrar um equilíbrio.
Após dois sofridos anos como um radiologista voluntário no leste africano, Marshall começou a ver que os avanços tecnológicos não são sempre conseguidos por um bom preço. Ele passou a pesquisar meios de empregar o que ele chama de tecnologia alternativa apropriada.
“’Alternativa’ significa que, em oposição á tecnologia industrial cara e que só pode estar disponibilizada quando se tem uma equipe de manutenção, você emprega um meio local e mais simples para realizar o mesmo trabalho.” disse Marshall. “’Apropriado’ leva em consideração o que o povo local vai aceitar de acordo com suas necessidades, tradições, religião, capacidade técnica, etc”.
Marshall estava procurando por um método de tratar a água das pias e da banheira de sua casa, para que pudesse ser usada em seu jardim, quando ele encontrou aAzolla.
“Eu estava no jardim de um vizinho, quando notei uma planta rosada nascendo na superfície de sua lagoa; peguei uma amostra, levei pra casa e pesquisei sobre ela na internet.” Disse Marshall. “Quando descobri que era uma espécie de Azolla, e que ela podia remover fosfatos e nitrogênio da água, pensei que isto poderia ajudar.”
Ele começou a experimentar com Azolla como parte de um sistema de filtragem e compartilhava seu projeto na internet com outros entusiastas da planta e de tecnologia alternativa. Marshall criou um sistema de filtragem de três partes que é efetivo em eliminar o cheiro da água suja, mas não em remover patógenos e vírus.
Ele disse que o desenvolvimento desses mecanismos simples e de pequena escala é ideal como uma tecnologia alternativa, mas também pode ser adaptado para um sistema maior. Este é o motivo pelo que se precisa tanto de profissionais da área para guiar trabalhos futuros.

Coma sua Azolla, faz bem pra você
Outros indivíduos experimentaram com os aspectos alimentícios da Azolla, incluindo Andrew Bujak, um chef, filho de Jonathan Bujak. Andrew vem cultivando-as em sua casa, no Canadá. Inicialmente interessado no conceito de slow-food, um movimento italiano que surgiu em oposição à crescente influência das empresas de fast-food, como o McDonald’s, Bujak pensou em um uso pessoal para a Azolla.
“Eu percebi que ela não era apenas uma boa fonte alimentar, sendo nutritiva e praticamente sem sabor, mas também pode ser cultivada por qualquer um, em (quase) qualquer lugar do planeta. Ela é fácil de encontrar, seja online ou em lojas de aquários. É só adicionar água, literalmente”, afirmou Bujak, com uma risada. Quando pedido para descrever o sabor da planta, Bujak a comparou com uma folha de grama.
Azolla cresceu não apenas no Canadá, mas quase em todos os lugares do mundo, segundo Bujak, então, ela é naturalmente adaptada para muitos climas e regiões diferentes. Isto faz com que seja fácil que as pessoas possam simplesmente pegar a planta e usá-la.
“Talvez você seja um pequeno fazendeiro em Alberta e você queira cortar gastos e diminuir a emissão de carbono”, disse Bujak. “Cultive Azolla. Agora você tem um fertilizante valioso, uma fonte de alimentos para seu gado e algo para você mesmo comer.”
Ele adicionou que Azolla também pode ser um superalimento no futuro, tanto por causa de seu valor nutritivo quanto pela quantidade mínima de espaço que ocupa.
“Mesmo se nós as cultivarmos em safra, nós não iriamos estar desperdiçando áreas agricultáveis. Ela seria simplesmente adicionada a sistemas já existentes, como as que são usadas agora em lavras de arroz”, declarou Bujak. “Em situações onde a terra para cultivo de alimentos é extremamente limitada, Azolla oferece muita nutrição para pouco terreno. Já está sendo pesquisado até mesmo seu uso no espaço!”
Bujak relatou que seu próximo projeto é recriar nori, tiras secas e compressas de algas marinhas, utilizando esta planta. Atualmente, Azolla pode ser encontrada como nutracêutico [junção de “nutricional” e “farmacêutico”] no Canadá, em cápsulas ou em pó, com a afirmação de ser um antioxidante e de trazer outros benefícios gerais à saúde, mas ainda não foi aprovada nos Estados Unidos. Bujak afirmou que não vai demorar até que isto aconteça.
“Essa planta é tão incrível, em todos os sentidos”, ele disse. “Eu não ficaria surpreso com nada que fosse descoberto sobre suas capacidades”

A China se torna favorável
Duas semanas atrás, o Instituto de Genômica de Pequim (BGI), dono da plataforma de sequenciamento mais sofisticada do mundo, concordou em adotar o projeto de Pryer para financiar o mapeamento do genoma da Azolla. Até este ano, os mistérios do passado desta planta e suas aplicações para o futuro poderão se tornar dados de acesso aberto.
Gane Ka-Shu Wong, uma das fundadoras do BGI, que também ensina na Universidade de Alberta, no Canadá, disse que a origem pouco ortodoxa do grupo combina, de algumas formas, com o projeto de Pryer. Enquanto trabalhava no projeto Genoma Humano, no final dos anos 90, Wong começou a pensar que o processo de ciência tinha se tornado muito institucionalizado.
“O sistema de recompensa de um governo típico ou de um laboratório universitário é muito focado no indivíduo, não na equipe”, declarou Wong. Se juntando com outros cientistas que pensavam o mesmo, Wong procurou um lugar para abrir suas portas.
“Nós decidimos que, se quiséssemos mudar essa cultura, nós precisaríamos ir para um lugar em que praticamente não houvesse competição, na época”, disse Wong. “Na década de 90, um lugar era muito, muito diferente do que é hoje – esse lugar é a China”.
Sabendo que o genoma humano estava prestes a ser decodificado, a equipe rapidamente se mudou para o outro lado do oceano. Para a surpresa de seus colegas, eles conseguiram terminar sua contribuição de 1% a tempo.
“Nós provamos que conseguíamos, então nós crescemos rapidamente. O governo ficou interessado, empresas privadas ficaram interessadas, e, de repente, nós nos tornamos importantes”, relatou Wong.
Agora fornecendo testes hospitalares, além de oferecer um enorme espectro de outros serviços biológicos, a empresa logo começou a gerar lucro.
“Começamos a usar dinheiro de projetos comerciais para financiar o que chamamos de ‘ciência divertida’”, disse Wong, se referindo aos projetos que despertam a curiosidade de cientistas apenas porque respondem a uma pergunta, não necessariamente servindo a uma função econômica.
“Basicamente, somos um bando de cientistas que amam a ciência e querem ganhar a vida. Até então, está dando certo”, disse Wong. “Nosso objetivo é levar estas informações ao público para que o máximo de pessoas possa ter acesso”.
O BGI também vai focar em desvendar a relação complexa entre Azolla e as cianobactérias que são suas companheiras próximas, algo que o BGI vê como um elemento chave no uso futuro da planta e na extensão dos estudos.
Outros que vêm trabalhando com Azolla por décadas estão entusiasmados com a notícia.

Uma fortuna no futuro de uma plantinha?
“Este conhecimento vai nos dar controle sobre a Azolla de um jeito que não tínhamos antes”, disse Francisco Carrapico, da Universidade de Lisboa. “Nós poderemos aumentar a captura de carbono e a fixação de nitrogênio, ou dar propriedades da Azolla para outras plantas. Até encontramos compostos químicos naAzolla que param a divisão celular. A questão quase chega a ser ‘precisamos encontrar o que esta planta não consegue fazer’”.
Esta planta tem, sim, um problema, que vem dando a ela uma má reputação em partes da Europa e a designação de erva-daninha na América do Norte. Azolla pode,como a maioria das algas, formar enormes proliferações, como ela fez há 49 milhões de anos, no ártico, asfixiando toda a vida de baixo.
Mesmo nesses casos, Jonathan Bujak argumenta, “a proliferação é um sintoma”, normalmente causado por níveis altos de nitrogênio.
Enquanto Pryer diz que suas motivações para pesquisar Azolla são, em maioria, acadêmicas, ela certamente vê o potencial para que o empreendedorismo cresça em volta da planta no futuro.
“Nós queríamos um genoma para o povo, pelo povo”, disse Pryer, com um sorriso. Mas, outros pensam em algo além do aprendizado acadêmico, aplicações ambientais ou industriais que serão possíveis com o trabalho de Pryer.
Azolla me fez perceber que as coisas na vida são muito diferentes do que nos ensinam que seja”, disse Carrapico. “A vida é como a internet: Tudo está conectado invisivelmente, mas nós nos esquecemos disso. Não vemos como impactamos uns aos outros. Podemos olhar para essas conexões e, através da biologia, investir em mudanças que irão melhorar o mundo que deixaremos para o futuro”.
A busca por financiamento para pesquisas adicionais já terminou*, mas este certamente não é o capítulo final na saga da Azolla, uma história que começou muito antes de os humanos habitarem o planeta e, provavelmente, continuará até bem depois de nós irmos embora.

*Azolla genome Project recebeu doações através deste site até o dia 17/07/2014, quando atingiu 147% do valor que era preciso.

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Oi. Tenho 17 anos e sou de Campina Grande, na Paraíba. Aficionado por biologia e (quase) tudo que ela engloba, pretendo me formar em biotecnologia.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Parceria visa introduzir amendoim forrageiro em sistemas de ovos orgânicos contra pragas

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Fonte: notícia MAX

A Embrapa estuda o estabelecimento de uma parceria com a empresa Raiar Orgânicos para avaliar o uso do amendoim forrageiro em sistemas de produção de ovos orgânicos, em Avaré (SP). A iniciativa busca diversificar a cobertura vegetal dos piquetes de pastejo das aves e aumentar a resiliência das pastagens contra pragas.

Atualmente, nos sistemas de criação orgânica, as aves têm acesso diário a áreas externas por períodos de seis a oito horas. No entanto, os piquetes disponíveis nas instalações da empresa contam predominantemente com gramíneas, constituindo um ambiente de monocultura. "A ideia é fazer uma pastagem biodiversa: colocar leguminosa para aportar o nitrogênio por meio da fixação biológica por bactérias nativas no solo e diversificar a qualidade da dieta das aves", explica o pesquisador da Embrapa Acre, Judson Valentim, que esteve na agroindústria junto com o analista Daniel Lambertucci, no dia 13 de agosto. 

O planejamento da iniciativa prevê a transferência de mudas de amendoim forrageiro BRS Oquira da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), para implantação nas áreas experimentais a partir de outubro. Inicialmente, a pesquisa focará na avaliação agronômica para confirmar a persistência da leguminosa em consórcio com as gramíneas atualmente utilizadas nas pastagens. A combinação entre capim e amendoim forrageiro visa aumentar o valor nutritivo das forrageiras e conferir maior resiliência ao sistema, prevenindo perdas decorrentes do ataque de pragas específicas, como a cigarrinha, que atingem apenas as gramíneas.

Após a instalação do experimento, a equipe pretende investigar os efeitos da dieta enriquecida no produto final. Como o amendoim forrageiro é rico em carotenoides, na segunda etapa do trabalho, os pesquisadores pretendem analisar o impacto da leguminosa na pigmentação da gema e na qualidade nutricional dos ovos orgânicos, com o apoio  de novas parcerias institucionais, incluindo o suporte técnico de outras unidades da Embrapa.

INCT Superar a Tríplice Monotonia Alimentar

A prospecção com a Raiar Orgânicos integra o conjunto de ações do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Superar a Tríplice Monotonia do Sistema Agroalimentar. A agenda recente do projeto incluiu a realização do workshop de lançamento do plano de comunicação e o balanço do primeiro ano de operação do INCT, ocorrido no dia 12 de agosto, em São Paulo. 

Durante a visita técnica às instalações da Raiar Orgânicos, que aconteceu no dia 13 de agosto, a equipe apresentou palestras sobre o tema e alinhou os detalhes do plano de trabalho.

A atuação da Embrapa Acre no INCT engloba ações focadas no desenvolvimento, validação e transferência de tecnologias em sistemas pecuários baseados em pastagens biodiversas nos biomas Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. A iniciativa visa promover a transição de sistemas homogêneos  para pastagens biodiversas nos biomas  brasileiros, hoje dominadas pelo gênero Urochloa (Brachiaria), por meio do consórcio de gramíneas com leguminosas e da expansão do Sistema Guaxupé, com foco em propriedades de produtores familiares.

Além das pesquisas agronômicas e do desenvolvimento de produtos, como uma colhedora mecânica de sementes de amendoim forrageiro, o projeto prevê ações de valorização da cultivar BRS Mandobi, propagada por sementes, e uma ampla estratégia de capacitação e transferência de tecnologia. Estão previstas a implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs), a produção de cursos na modalidade EAD e de materiais audiovisuais, além da realização de eventos, como o III Simpósio Internacional sobre o Uso de Leguminosas em Pastagem (SIMPLEG), previsto para novembro de 2028, em Rio Branco-AC. 


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

APRENDA EM 04 PASSOS A PODAR SEU PÉ DE UVA E TER BELOS CACHOS


A VIDEIRA

O pé de uva é chamado de videira, parreira ou vinha. No Brasil, são várias as espécies cultivadas que podem ser consumidas in natura (consumo natural das bagas) ou na confecção de vinhos secos e suaves. Para o consumo natural, a uva mais cultivada é a espécie Vitis labrusca, seu nome popular é Niagara rosada e Niagara branca. A Niagara Rosada é aquela uva comercializada, normalmente, na beira de estrada. Outras uvas cultivadas em casa são a Bordô, a Concord e a Itália.

Benefícios do consumo da uva

As uvas possuem diversas propriedades benéficas à saúde. Elas protegem o sistema circulatório e o coração; têm propriedades antioxidantes, o que significa que impedem a ação de radicais livres no organismo; apresentam características antiinflamatórias; inibem a aglomeração das plaquetas sangüíneas, reduzindo os riscos de ocorrência de infartos e derrames; além de impedir alguns processos desencadeadores do câncer. A fruta ainda é boa fonte de vitamina C e complexo B, rica em minerais como magnésio, enxofre, ferro, cálcio e fósforo, indispensáveis a uma boa saúde.
beneficios uva
Fonte da Foto: gardener.blogg.se

Efeito ornamental da videira

Muito valorizadas por seus frutos que há milênios oferecem alimento e vinho ao homem, as videiras também podem ter uso ornamental e serem bem aproveitadas em jardins domésticos. Ao serem mantidas sobre caramanchões ou pergolados, essas trepadeiras podem adicionar altura em projetos de paisagismo e ainda prover sombra no verão. Além disso, dependendo da espécie escolhida e das condições de plantio, as parreiras de uvas podem gerar deliciosos frutos. Se o objetivo é somente produzir sombra, o melhor são as plantas que comercialmente são utilizadas como porta enxertos. Entre as variedades indicadas para regiões tropicais estão a IAC 572 Jales, a IAC 313 Tropical e a IAC 766 Campinas. Para regiões mais frias, as variedades mais apropriadas são a Paulsen 1103, a SO4, Solferino e a Kober 5BB.
uva ornamental
Fonte da foto: zielonyfront.pl

Condução da videira

Por ser trepadeira, a cultura precisa de suporte para a sustentação dos ramos. A latada ou pérgola é formada por malhas suspensas a cerca de dois metros do chão. As plantas são, assim, conduzidas na horizontal, o que permite um melhor desenvolvimento foliar, maior formação de sombras e alta produção de frutos.
uva pergola
Fonte da foto: florafind.mainegardens.org

Poda de produção da videira

A poda é uma técnica usada para estimular a planta a produzir novas brotações a partir de gemas dormentes. A videira inicia sua produção após 3 anos de plantio. Nestes primeiros 3 anos ela desenvolve raízes para absorção de nutrientes e ramos vegetativos que irão sustentar os cachos produzidos. Após 3 anos de cultivo ela têm condições nutricionais para iniciar a sua produção, produzindo poucos cachos. Com o passar dos anos, essa produção aumenta até estabilizar na fase adulta da planta. Porém, se, após o início da produção não for feita a poda, a planta tende a produzir cada vez menos cachos. Isso ocorre pelo fato da planta produzir cachos apenas em ramos novos.
produção uva
Fonte da foto: sagebud.com

Passo 01 - Desenvolvimento da videira

Para a videira produzir cachos é importante que seja feita uma boa adubação nutricional. Para o plantio da muda da videira deve-se fazer a cova 3 vezes maior o torrão da muda, encher a cova com um condicionador de solo "Classe A" misturado a 300 gramas do NPK formulação 04-14-08, plantar a muda sem desfazer o torrão, apertar em volta para que ela fique fixa e molhar em seguida. Após o plantio, deve-se iniciar a adubação foliar utilizando um fertilizante para o enraizamento e intercalar com uma formulação para o crescimento, ou seja, aplica-se, com um pulverizador nas folhas da videira, 1 vez por semana a formulação de enraizamento e na semana seguinte a formulação de crescimento. Este tratamento visa acelerar o crescimento da videira. Durante a época das chuvas, deve-se aplicar ao redor do pé da videira cerca de 100 gramas do NPK formulação 20-05-20 para o crescimento e desenvolvimento da planta. Após essa aplicação de NPK, a adubação foliar pode ser resumida apenas ao fertilizante de crescimento aplicado 1 vez a cada 15 dias.
plantio uva
Fonte da Foto: www.alltomtradgard.se

Passo 02 - Poda de produção

Após 3 anos de crescimento a videira está apta à produção. A poda deve ser feita no período de dormência da planta, final do inverno ou início da primavera. Para identificação desse período, a videira deverá estar quase sem folhas. Deve-se contar 12 gemas a partir do enxerto e podar em forma de bisel com uma tesoura de poda afiada e esterilizada em fogo brando. No corte você deve polvilhar canela em pó (a mesma utilizada no arroz doce) para a cicatrização e impedimento da entrada de pragas e doenças. Plantas mais velhas e já estruturadas no pergolado seguem o mesmo princípio. A contagem das gemas deve ser feita sob o pergolado, para não desestruturar a planta durante o desenvolvimento dos ramos de produção.
poda pergola
Fonte da foto: davethegardenguy.typepad.com

Passo 03 - Poda de manutenção e limpeza

É importante podar os ramos que crescem no porta enxerto, das raízes e na base o solo. Estes ramos "roubam" a energia que o ramo principal utilizaria para o seu crescimento e a produção dos cachos. Deve-se deixar apenas o caule principal. Deve-se podar também galhos secos e aqueles que crescem fora da estrutura principal do pergolado. É importante manter a linha de crescimento e estruturação do pergolado.
poda uva
Fonte da foto: napaprivatetours.com

Passo 04 - Adubação de produção

Todo ano, após a poda produção, deve ser feito uma adubação de produção, ou seja, é preciso dar nutrientes para que a videira produza mais cachos. Essa adubação deve ser feita utilizando-se o NPK granulado formulação 20-05-20 no pé da planta. Deve-se espalhar 300 gramas no pé da planta no 1º ano de produção ou 3º ano de vida; 400 gramas no 2º ano de produção; 500 gramas no 3º ano e assim, suscesssivamente, até estabilizar no 10º ano com 1 Kg do NPK. É importante que o produto seja muito bem espalhado sobre o solo para que no momento da sua diluição em água, uma maior gama de raízes absorva os nutrientes.
adubação uva
Fonte da foto: www.appeltern.nl

NUNCA MAIS ERRE! O segredo da poda certa pra sua videira produzir muito!

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Em 1997, 12 mil toneladas de cascas de laranja foram jogadas em uma área degradada

 

16 anos depois, pesquisadores encontraram uma floresta tropical.


 
O que aconteceria se toneladas de resíduos fossem deixadas sobre um terreno degradado? Na Costa Rica, cascas de laranja foram usadas em um experimento que, anos depois, revelou uma recuperação impressionante da vegetação.

Como começou o experimento com cascas de laranja?

A história começou em 1997, quando os ecologistas Daniel Janzen e Winnie Hallwachs propuseram uma parceria com a empresa Del Oro, produtora de suco de laranja. A ideia era aproveitar resíduos orgânicos para auxiliar a recuperação de uma área degradada.

O que aconteceu com o solo depois que os resíduos foram depositados?

Os resíduos começaram a se decompor e acrescentaram matéria orgânica ao terreno. Esse processo alterou as condições do solo, que passou a apresentar maiores concentrações de macro e micronutrientes importantes para o crescimento das plantas.

A camada formada pelas cascas também ajudou a modificar as condições que dificultavam a regeneração da vegetação. O local, antes dominado por uma paisagem degradada, começou a apresentar maior cobertura vegetal e sinais de recuperação natural.

O efeito observado não ficou restrito à aparência do terreno.

  • Biomassa: aumento de 176% na biomassa lenhosa acima do solo.
  • Riqueza de espécies: triplicação da riqueza de espécies de plantas lenhosas.
  • Solo: aumento significativo de nutrientes importantes para a vegetação.
  • Cobertura vegetal: maior fechamento do dossel florestal na área tratada.

Quanto a floresta mudou após 16 anos?

Quando os pesquisadores retornaram ao local em 2014, encontraram uma diferença marcante. A vegetação havia crescido de maneira muito mais intensa na área que recebera os resíduos do que na parcela usada como comparação.

O estudo registrou um aumento de 176% na biomassa lenhosa acima do solo.


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