sexta-feira, 12 de junho de 2026

Mexer com a terra pode melhorar a qualidade de vida nas cidades

Veja exemplos de quem construiu uma horta, mesmo em pequenos espaços, e algumas dicas para fazer a sua própria

Como o manuseio com a terra pode melhorar a qualidade de vida nas cidades Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS
Suba as escadarias do viaduto da Avenida Borges de Medeiros. Entre no número 727. Vá até o terraço. O que irá encontrar é inusitado para o prédio de nove andares, encravado na região mais quente e barulhenta da cidade. Uma horta com culturas agrícolas reúne borboletas, passarinhos e minhocas, reproduzindo um cenário campestre em meio ao concreto do centro de Porto Alegre.
Em um antigo prédio do INSS, ocupado por moradores de baixa renda por meio de um financiamento de crédito solidário do governo federal, 42 famílias dão exemplo de como o verde pode ganhar espaço em meio ao cinza. No alto do residencial Utopia e Luta, o local a céu aberto, antes em desuso, recebeu antigas banheiras transformadas em vasos onde estão plantados tomate, rúcula, figo, alecrim, radite, uva e muito mais.
A iniciativa surgiu a partir de uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que auxiliou na escolha dos gêneros alimentícios, no plantio e na irrigação. A partir dali, foi diagnosticada a necessidade de uma cobertura para proteger a horta das variações rigorosas do clima gaúcho. Os responsáveis são os próprios moradores. Há três anos, o projeto foi contemplado por um edital da Petrobras para geração de renda. Então, as famílias conseguiram financiar e construir o primeiro jardim hidropônico em terraço do Brasil.
— As alfaces estão um pouco sofridas, mas rúcula, radite e manjericão estão indo de vento em popa — diz a socióloga Anna Simão, umas das administradoras do local.
Fertilizar a terra e espantar as pragas também fazem parte da lida. O trabalho requer paciência. O fato de estar na cidade não dispensa os cuidados da roça, mesmo sob o sol de quase 40°C. E como nem todos os vasos são irrigados pelos dutos automáticos da hidroponia, é necessário regar manualmente três vezes por dia. Anna transpira enquanto põe as mãos na terra para mostrar, orgulhosa, as plantas que já cresceram por ali. Depois de germinadas, as mudas podem servir para doação, venda e consumo próprio. Para os moradores do prédio, elas representam muito mais do que apenas plantas.
— Queremos mostrar que é possível transformar o cenário e o convívio entre as pessoas das grandes cidades — diz Anna.
O jardineiro fiel
Foto: Adriana Franciosi/Agência RBS 

Para compensar a saudade que sente da casa onde nasceu, em Itapuã, o bioconstrutor Clístenes Souza decidiu criar na área de serviço do apartamento em que mora, na Rua Duque de Caxias, um verdadeiro jardim. Com pedras, fontes, leguminosas, plantas medicinais, ornamentais e temperos, ele conseguiu dar ao local um ar fresco e suave de mato.
— É o lugar preferido de todos que vêm aqui. Quem passa pela porta vem direto ao jardim — diz.
Dois anos experimentando mudas de diferentes espécies e ele conseguiu desenvolver variedades de manjerona, cerejeira, pitangueira, alecrim, entre muitos outros. Hoje, são quase cem plantas que vivem no seu apartamento. No meio do caminho, alguns testes deram errado, e a ideia de ter um pé de maracujá e uma parreira, por exemplo, teve de ser abandonada:
— Faz parte de agricultura urbana. A gente vai testando, errando, acertando. A questão é não deixar de cuidar.
No dia a dia do jardineiro, não pode faltar a rega, a poda, o replantio e a adubação. Mexer na terra é uma terapia que torna a vida de Clístenes mais alegre morando no centro da cidade. Filho de agricultores, ele cresceu plantando de tudo um pouco. Depois de adulto, trabalhou em uma propriedade onde fazer jardins foi uma das suas principais missões. As plantas são quase como filhas para ele. Por isso, cuida delas até quando não está em casa, deixando um amigo ou vizinho responsável pela rega quando vai viajar.
Sofá depenado
Luz de menos, calor demais, frio extremo, viagens, pragas, desconhecimento. São vários os desafios de manter um jardim produtivo em grandes cidades. Em bairros da região central, um fator extra desafia o crescimento das hortinhas: os larápios. Na Cidade Baixa, por exemplo, uma horta comunitária de temperos foi criada pelos donos do Consultório Culinário, na Rua da República. Mesmo já tendo sido replantado diversas vezes, o jardim público, instalado dentro do assento de dois sofás na calçada, enfrenta problemas de desenvolvimento devido à ação de vândalos.
— Ou são os mendigos que sentam e dormem ali, enterram coisas, fazem o que não devem, ou são ladrões que vandalizam os temperos — diz Patrícia Guedes, sócia do restaurante.
No bairro Jardim Botânico, a horta comunitária dos moradores do Residencial Paineiras só não está ainda mais bonita porque um homem, já identificado nas câmeras de segurança do prédio, insiste em aparecer na calada da noite para passar a mão nas mudas de manjericão e espinafre.
Mais lúdido do que econômico
Você mora em apartamento ou casa? A horta será colocada em local de muito ou pouco sol? Só depois de responder a essas perguntas será possível começar o cuidadoso planejamento da sua horta. O menor espaço de cultivo pode ser um vaso pequeno. No livro O Prazer de Cultivar, os consultores de planejamento, execução e manutenção de jardins José Arimateas da Silva e Lisandre Figueiredo de Oliveira dão dicas de como você pode amar ter uma horta.
"Uma vez que você tenha ideia do que vai cultivar na horta, será preciso pensar em como monitorá-la. Aperfeiçoe sua capacidade de observação e saiba agir no momento certo", dizem os autores.
Antes de começar, lembre-se de que a função da horta urbana é muito mais lúdica e educativa do que alimentar, explica o engenheiro agrônomo João Manuel Linck Feijó, da Ecotelhado. Levando em conta o espaço, diz Feijó, tempo de cuidado e materiais, produzir alimentos em casa acaba sendo mais caro do que ir no súper e comprá-los. Mesmo assim, o aspecto filosófico justifica a sua execução:
— Um dos principais motivos para construir uma horta é o fato de ter em casa a possibilidade de produzir 5% a 10% da alimentação que se consome. É uma forma de não perder o contato com a natureza e saber de onde vêm os alimentos.
Com o ritmo apressado da vida contemporânea, a comida passou a ser adquirida embalada, congelada, ultraprocessada. Por isso, explica Feijó, a horta tem uma função lúdica e educativa, principalmente para as crianças.
Mesmo nas cidades, as hortas podem ser individuais ou coletivas. Quando em escala reduzida, normalmente no pátio de casa ou no interior dos apartamentos, o plantio ocorre em vasos, potes, latas e bacias. Mas o cuidado compartilhado de uma plantação pode unir as pessoas. É comum ver uma horta surgir ao redor de uma associação comunitária ou de bairro.
Segundo o engenheiro agrônomo Gabriel Specht, a maioria dos tratos culturais que são realizados nas cidades obedece aos preceitos da agricultura orgânica, uma vez que as áreas de cultivo são pequenas e permitem a eliminação de pragas de forma manual, sem o uso de pesticidas. Outra função da horta, esta mais social, é em relação ao significado da produção agrícola.
— Ter de respeitar o ritmo de crescimento de uma alface vai na contramão da lógica da sociedade imediatista em que vivemos, que nos ensina a simplesmente ir ao supermercado e, após passar o cartão, obter em menos de dois minutos a mesma alface — pondera.
Jardim de parede
Para quem quer começar uma pequena horta em casa, separamos três tipos simples, que podem variar de tamanho e preços, ou ser feitos por você mesmo, utilizando material reciclável. Confira, abaixo:


COMO PLANTAR
Escolha vasos com profundidade
Forre o fundo com pedrinhas ou cacos de cerâmica
Fure o fundo
Acrescente a terra ou substrato
Introduza a muda (sem destruir em volta da raiz)
Coloque terra adubada
Aperte com os dedos, sem compactar a superfície
Regue e deixe em local iluminado
COMO CUIDAR
Espaço
A horta pode ser iniciada em vasos ou pequenas bacias, mas preferencialmente deve ser montada em jardineiras. Para uma "horta interna", é importante pensar no espaço que se tem à disposição: se for restrito, o uso de temperinhos é o mais indicado. Se tiver uma boa área, alface, rúcula, espinafre, cenoura, beterraba podem ser opções (até tomateiro também).
Luminosidade
A instalação deve ser perto de uma janela ou na sacada, para permitir boa luminosidade às plantas. O ideal é de três a quatro horas de sol por dia. As hortaliças precisam de mais sol do que alguns temperos.
Água
Cada planta tem suas necessidades próprias, de acordo com espécie, tamanho, habitat e estações do ano. No inverno, recomenda-se que as regas sejam mais espaçadas. Para avaliar a necessidade de rega de modo bastante simples, basta pressionar o solo com os dedos e sentir a umidade da terra.
Podas
Em geral, as podas são feitas com finalidades estéticas, de rejuvenescimento, para dar forma, controlar o crescimento da planta e estimular a floração e a frutificação.
Adubação
Adubo orgânico é o mais completo alimento para as plantas. O adubo químico geralmente tem somente NPK, isto é, nitrogênio, fósforo e potássio, que são os três principais, mas muito pouco daquilo de que as plantas precisam para crescer.
Controle de pragas
Se a sua horta atrair bichinhos em torno das plantas, pode ser um indicativo de qualidade ambiental, pois eles só aparecem em ambiente são. Se tiver praga atacando as suas plantas, é importante controlar para que ela não destrua a produção.
Isto pode ser feito de forma manual ou com o uso de alguns fertilizantes. Há opções químicas e orgânicas.
Fontes: Gabriel Specht, engenheiro agrônomo, José Arimateas da Silva e Lisandre Figueiredo de Oliveira, no livro O Prazer de Cultivar (2009, editora Casa da Palavra)
Confira dicas de como montar uma horta em apartamento:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/vida/noticia/2014/02/como-o-manuseio-com-a-terra-pode-melhorar-a-qualidade-de-vida-nas-cidades-4413473.html
http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/geral/2014/02/dicas-para-montar-uma-horta-apartamento/62147

Sete cuidados especiais para ter com as plantas no inverno!!

Fonte site plantei 




Diferentes estações do ano requerem diferentes cuidados com as plantas da casa. No inverno a importância dos cuidados é ainda maior, já que as plantas se tornam sensíveis nessa época do ano.
O Brasil, sendo um país muito grande, apresenta ainda diferentes invernos. Alguns são secos, outros são úmidos, alguns demoram bastante para passar e outros não possuem mais que algumas semanas de frio. Em especial naqueles que ocorrem ventos e temperaturas baixas durante a noite, é fundamental proteger as plantas dessas intempéries.

Como o frio danifica as plantas

A quantidade de frio que um vegetal tolera depende de sua espécie. Plantas mediterrâneas toleram temperaturas entre 10 e 12ºC, já plantas tropicais entre 20 e 22ºC. As que são adaptadas à ambientes frios chegam a aguentar até -5ºC sem apresentar problemas.
Primeiramente é necessário sabermos como o frio machuca sua planta. Dessa forma saberemos como proceder se uma eventual situação diferente das que citarmos mais para frente ocorrer.
Os vegetais possuem 80% de seu peso constituído por água. Este elemento influencia o crescimento, desenvolvimento e reprodução das plantas. Baixas temperaturas afetam o fluido, congelando-o e consequentemente as células das plantas.
Em climas mais frios onde ocorre geadas, a fina película de gelo que se forma com a queda da temperatura acaba cobrindo toda a planta e faz com que a radiação solar tenha seus efeitos amplificados, queimando sua superfície. O vento também faz com que a temperatura sentida pela planta seja menor ainda que a temperatura do ambiente.
Vamos então às dicas para manter suas plantas saudáveis e vigorosas durante os períodos de frio:



1. Traga suas plantas para dentro.

Flores em vasos e plantas suspensas podem ser trazidas para dentro de casa. Coloque as que necessitam de sol mais perto da janela, mas se lembre que temperaturas extremas deixam as janelas bem frias o que pode danificar sua planta.
Antes de trazê-las para dentro de casa certifique-se que as plantas não possuem pragas, estejam limpas e sem ramos ou folhagem mortas ou doentes.

2. Cubra o solo com folhas (cobertura morta).

Isso mantem o solo quente e retém a umidade. Essa dica vale para arbustos, folhagens e também para gramados. Especialmente nos gramados, evite regar constantemente, fazendo isso apenas quando as folhas começarem a se enrolar.

3. Cubra suas plantas durante a noite com cobertores, lonas ou tecidos de tnt.

Esta dica é direcionada à plantas tropicais, que são bem sensíveis a temperaturas baixas. Os cobertores previnem a formação da geada e inibem a ação do vento. Não se esqueça de destapá-las durante o dia.

4. Construa uma “casinha” para suas plantas ou uma estufa.

Barreiras totalmente sólidas inibem completamente a ação dos ventos gélidos. Esta é uma boa solução para hortas e pequenos jardins que podem ser manipulados.

5. Regue abundantemente o solo (e não as folhas e flores).

Faça isso pela manhã, pois a rega pela tarde e pela noite deixa o solo muito úmido favorecendo o aparecimento de pragas. Regar no período correto também causa o derretimento da geada antes da incidência do sol e a consequente queimadura (aqui vale regar as folhagens).
Sabe como facilitar esse tipo de rega? Com os produtos auto irrigáveis, mais tranquilidade para você e sua plantinha 🙂 Confira > Vaso Auto Irrigável

6. Forneça uma fonte de calor.

Lâmpadas ou um melhor posicionamento são as sugestões. Realizar a poda de galhos mortos, malformados ou doentes também melhoram a incidência solar sobre a planta.

7. Escolha plantas adaptadas ao frio.

Essas plantas possuem maneiras de criar uma “bolsa de ar” em seu exterior, aguentar uma maior formação de gelo intracelular e tem suas folhas com uma menor área de exposição. Camélia, amor-perfeito, boca-de-leão e hamamélis (ou flor-do-inverno) são algumas sugestões de plantas para cultivo em climas frios.
Ao adquirir uma planta nova, não se esqueça de perguntar ao vendedor sobre suas características e cuidados no cultivo em todas estações.
Mantenha os cuidados de temperatura todo o ano através das previsões do tempo. Não é apenas no inverno que as temperaturas podem cair e o melhor é não ser surpreendido.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

2024 CHUVAS EXTREMAS NO SUL DO BRASIL



Fonte: GLOSSÁRIO DE VERBETES EM AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

VOLUME 3 - CRISE CLIMÁTICA, RISCOS E ADAPTAÇÃO

Adriano André Lange Dalci

Daniela Mueller de Lara

Suzana Frighetto Ferrarini

Conforme o Relatório de Eventos Climáticos, Eventos extremos de maio de 2024 no Brasil, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a cidade de Caxias do Sul registrou, em maio de 2024, 845,3 mm de precipitação – aproximadamente 713 mm a mais que a média usual de 131,4 mm, o que representa mais de seis vezes o valor climatológico. Segundo Collischonn et al. (2024), entre 1º de abril e 5 de maio, a precipitação na bacia hidrográfica do Guaíba atingiu cerca de 900 mm, mais de dez vezes a média esperada para a região. Esses eventos extremos resultam em sérias consequências para a população, a economia e o meio ambiente, causando a destruição da flora e da fauna em várias regiões do Rio Grande do Sul. Segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, 473 dos 497 municípios do estado (ou 95%) foram afetados, o que resultou em mortes e destruição de estradas, construções, casas, plantações e criações de animais. Esses eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos. Dados globais indicam que a atividade humana a partir da Revolução Industrial, é um dos principais fatores responsáveis (Monteiro et al., 2021).

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que, desde 1970, a temperatura da superfície global aumentou mais rapidamente do que em qualquer outro período de 50 anos nos últimos 2.000 anos, alcançando 1,51 ºC acima dos níveis pré-industriais (1850-1900) em 2023. Segundo Scabin (2023), o aumento da temperatura global pode causar longos períodos de seca, escassez de água, desertificação de algumas áreas, perda de recursos naturais e graves problemas socioambientais. A ONU também aponta que a concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera aumentou de 280 ppm em 1850 para 421 ppm em 2023, com crescimento exponencial após 1950, quando esse nível era de 321 ppm. A crescente concentração de gases de efeito estufa na atmosfera – principalmente o CO₂, gerado pela queima de combustíveis fósseis – impede a dissipação de radiação, elevando a temperatura do planeta. Esse aquecimento global causa alterações nos ciclos hidrológicos e interfere em processos físicos, químicos e biológicos em todo o ecossistema. A ONU indica que o nível dos mares – que reflete a perda de massa das geleiras, mudanças nos recursos hídricos e expansão térmica dos oceanos – aumentou 4,4 mm por ano entre 2013 e 2021, somando cerca de 280 mm desde 1880. Esses indicadores estão interligados: a maior concentração de CO₂ intensifica o efeito estufa, o que eleva a temperatura e, consequentemente, o nível dos oceanos, aumentando a quantidade de vapor d'água na atmosfera.

De acordo com Gotardo et al. (2019), a substituição da cobertura vegetal natural, para outros usos influencia diretamente os mecanismos de retroalimentação entre a interface solo-atmosfera, resultando em impactos nas variáveis do ciclo hidrológico. No experimento realizado, na área interna de uma floresta do bioma Mata Atlântica do Sul do Brasil, comparado com área de pastagem, constatou-se uma precipitação 70% maior, umidade relativa do ar 7,1% menor, radiação global 7,35 vezes maior, temperatura do ar 10,71 % maior, velocidade do vento quase sete vezes maior, evapotranspiração oito vezes maior, e temperatura do solo 15% maior nas áreas de pastagens, com base nos valores das áreas florestadas. A precipitação interna menor da floresta se deve à interceptação da água no dossel da mesma. No entanto, quanto ao balanço hídrico, em números absolutos, internamente na floresta houve uma precipitação de 1343 mm e uma evapotranspiração de 192 mm, resultando numa retenção de 1151 mm. Na área de pastagem houve uma precipitação de 2284 mm e evapotranspiração de 1764 mm resultando numa retenção de 520 mm. Segundo o autor, os remanescentes florestais do bioma mata atlântica têm grande importância na atenuação das variáveis meteorológicas locais, sendo os serviços ecossistêmicos de regulação da floresta, através do microclima específico de seu interior, essencial para a biodiversidade local.

Especificamente sobre as enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul, segundo Clarke et al. (2024), a amplificação do centro de alta pressão sobre o centro do Brasil, ocasionado pelo El Niño, formou um sistema de bloqueio que, somado a alta anormal da temperatura do Atlântico, intensificou a corrente de umidade denominada Jato de baixo nível Sul Americano (SALLJ) e o fluxo de umidade da Amazônia, contribuindo para as fortes chuvas. Esse panorama permite uma compreensão mais clara dos profundos impactos das mudanças climáticas globais e das causas ligadas às atividades humanas. Ele reforça a urgência de ações efetivas para mitigar esses efeitos e limitar o avanço das mudanças climáticas.

REFERÊNCIAS

CLARKE, R. T. et al. Climate change, El Niño and infrastructure failures behind massive floods in southern Brazil. 2024. Disponível em: http://hdl.handle.net/10044/1/111882. Acesso em: 5 nov. 2024.

COLLISCHONN, W.; RUHOFF, A.; FILHO, R. C.; PAIVA, R.; FAN, F.; POSSA, T. Chuva da cheia de 2024 foi mais volumosa e intensa que a da cheia de 1941 na bacia hidrográfica do Guaíba. Nota Técnica IPH/UFRGS, 2024. Disponível em: https://www.ufrgs.br/iph/wp-content/uploads/2024/06/Comparacao-2024-e-1941-final.pdf. Acesso em: 3 nov. 2024.

DEFESA CIVIL. Defesa Civil atualiza balanço das enchentes no RS – 31/5, 9h. 2024. Disponível em: https://estado.rs.gov.br/defesa-civil-atualiza-balanco-das-enchentes-no-rs-31-5-9h. Acesso em: 4 nov. 2024.

GOTARDO, R.; PINHEIRO, A.; KAUFMANN, V.; PIAZZA, G. A.; TORRES, E. Comparação entre variáveis microclimáticas de local aberto e florestal em um bioma da Mata Atlântica, sul do Brasil. Ciência Florestal, v. 29, n. 3, p. 1415–1427, 2019.

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA (INMET). Eventos extremos de maio de 2024 no Brasil. 2024. Disponível em: https://portal.inmet.gov.br/uploads/notastecnicas/EventosExtremos-Brasil-Maio-2024.pdf. Acesso em: 3 nov. 2024.

MONTEIRO, A. F. M.; YAMAMOTO, A. L. C.; SILVA, P. N.; REBOITA, M. S. Conhecer a complexidade do sistema climático para entender as mudanças climáticas. Terrae Didatica, Campinas, v. 17, publ. contínua, p. 1–12, e021006, 2021.

SCABIN, D. Aquecimento global. 2023. Disponível em: https://semil.sp.gov.br/educacaoambiental/prateleira-ambiental/aquecimento-global/. Acesso em: 4 nov. 2024.

UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Atmospheric CO₂ concentration. Disponível em: https://wesr.unep.org/climate/essential-climate-variables-ecv/atmospheric-co2-concentration. Acesso em: 3 nov. 2024.

UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Global temperature change. Disponível em: https://wesr.unep.org/climate/essential-climate-variables-ecv/global-temperature-change. Acesso em: 3 nov. 2024.

UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Sea level rise. Disponível em: https://wesr.unep.org/climate/essential-climate-variables/sea-level-rise. Acesso em: 3 nov. 2024.


Vermicompostagem: conheça as vantagens dessa técnica que reduz o lixo orgânico

equipe eCycle

A vermicompostagem é a forma de compostagem

que mais enriquece o solo!




Nos dias se hoje, tempos de sustentabilidade, muito se discute sobre a questão do volume de lixo que se é gerado nas residências, pois mesmo separando os recicláveis, ainda temos bastante lixo orgânico. Entretanto, grande parte são restos de comida que podem ir para uma composteira, plenamente possível de ser instalada em casas ou apartamentos (dependendo do tipo do processo). E com isso, além de 
A compostagem caseira em geral pode se dar em suas formas seca, vermicompostagem ou automática. A automática utiliza uma composteira mecânica, sendo uma forma mais simples, prática e sustentável de se fazer compostagem em casa (veja mais aqui); a seca trata apenas da decomposição dos alimentos por micro-organismos, sendo o mesmo princípio da vermicompostagem; porém, na seca, não são adicionadas minhocas para digerir a matéria orgânica.
A vermicompostagem faz uso das minhocas, que são vermes e pode ser realizada em casas e apartamentos com uso da composteira domésticaEssa técnica requer pouco consumo de energia e um menor tempo para produção do composto comparativamente ao tipo seca. Com essa técnica, há a formação do vermicomposto, que é o produto obtido por meio da ação das minhocas em resíduos orgânicos. O vermicomposto é também conhecido como húmus de minhoca e é um ótimo adubo orgânico, muito rico em flora bacteriana. Basicamente, é a matéria orgânica "reciclada".
Além de ser mais estável, principalmente quanto ao pH, à relação carbono/nitrogênioe às propriedades físicas, químicas e biológicas capazes de auxiliar no bom desempenho das culturas, o vermicomposto devolve à terra cinco vezes mais nitrogênio, duas vezes mais cálcio, duas vezes e meia mais magnésio, sete vezes mais fósforo e 11 vezes mais potássio.
Vantagens do vermicomposto
• Não agressivo para o ambiente; • Não contamina solo e água como os fertilizantes químicos;• Enriquece o solo com nutrientes;• Grande fonte de nutrientes para as plantas;• Controle da toxicidade do solo, corrigindo excessos de alumínio, ferro e manganês;• Aumento da resistência das plantas a pragas e doenças;• Maior absorção dos nutrientes pelas raízes das plantas;• Favorece a entrada de ar e circulação de água no solo;• Melhora a estrutura do solo;• Propicia produção de alimentos mais saudáveis;
• Produção de adubo de alta qualidade para manutenção de jardins e hortas. 
Minhocas
A importância das minhocas para a fertilização e recuperação dos solos é conhecida há tempos e o filósofo Aristóteles definia estes seres como "arados da terra", graças à capacidade de escavar os terrenos mais duros. Esse verme tem o poder de ingerir terra e matéria orgânica equivalente ao seu próprio peso, além de digerir e expelir cerca de 60% do que comeu sob a forma de húmus.
Segundo estudos, o tipo de minhoca mais indicada para a vermicompostagem é a detritívora, pois se alimenta de matéria orgânica morta, suporta melhor as adversidades de temperatura e acidez, que ocorrem em um processo de decomposição, e se reproduz de acordo com a quantidade de alimento disponível, ou seja, melhor para a criação em cativeiro.
Dentro dessa tipologia, a espécie que é comumente utilizada é a Eisenia foetida(espécie Epígea)também conhecida como vermelha da Califórnia ou minhoca dos resíduos orgânicos. Essas minhocas conseguem processar uma grande variedade de materiais em menos tempo, promovem a aceleração da maturação do composto, apresentam alta atividade, taxa de conversão do composto em húmus e elevada taxa de reprodução.
Fuga das Minhocas
Quando o ambiente dentro da composteira (chamada também de minhocário) está desfavorável para esse animal, as minhocas podem fugir, por isso é necessário que os recipientes estejam sempre adequadamente fechados. Na maioria dos casos, essas condições ruins levam à perda de atividade reprodutora ou morte das minhocas. Para isso não ocorrer, fique atento a alguns parâmetros como:
• Umidade: a falta de água ou baixa umidade diminui a ação dos micro-organismos e as minhocas podem morrer por desidratação; e se o ambiente estiver com muita água, isso também pode levar à mortandade de minhocas, interferir na circulação de ar e exalar mau cheiro;
• Porosidade/areamento: se o substrato tiver alta densidade e compactação, pode ocorrer falta de espaços e  baixa porcentagem de oxigênio, afetando a atividade das minhocas;
• Natureza dos resíduos: alguns resíduos acabam elevando a temperatura, teores de acidez e demorando para se decompor, afetando o ambiente das minhocas (vejaaqui o que não colocar na sua composteira);
• Relação C/N: os resíduos possuem quantidades variáveis de Carbono e Nitrogênio, que são essenciais para os seres-vivos - relações altas de nitrogênio e baixas de carbono interferem na ação dos micro-organismos e trazem condições desfavoráveis às minhocas;
• pH: as minhocas necessitam de um ambiente de pH compreendido entre 5 e 8, fora desse intervalo, pode haver diminuição da sua atividade; 
• Temperatura: o metabolismo das minhocas fica baixo em temperaturas inferiores a 15 ºC; mais frio do que isso elas morrem; e em temperaturas altas, também.

Na tabela a seguir, da CONFRAGI de Portugal, temos um síntese de algumas soluções e causas desses parâmetros:
ProblemaCausaSolução
Minhocas acumulam-se nas camadas superiores do minhocário; cama muito húmida
Excesso de água
Renove a cama; coloque mais serragem e não adicione alimentos ricos em água
Minhocas acumulam-se no fundo do minhocário; cama muito seca (não sai água ao espremer o composto)
Falta de água
Borrife a cama com água
Odores desagradáveis
Cama pouco arejada
Comida em excesso
Interrompa a adição de comida e revolva bem a cama; não adicione alguns alimentos
Minhocas começam a comer o húmus
Pouca comida
Cama precisa de ser mudada
Adicione comida; Mude de cama
Excesso de resíduos ou presença de moscas
Adição de comida em excesso
Interrompa a adição de comida e revolva o material
Cheiro de mofo
Alimentos difíceis de compostar como carne, peixe, lacticínios e gorduras.
Não deposite esses alimentos na composteira
Aparecimento de moscas
Decomposição lenta
Ambiente ácido 
Coloque alimentos variados e cortados aos pedaços
Não deposite frutas ácidas
Composteira ou minhocário
No caso da vermicompostagem caseira, a composteira doméstica ou minhocário é o local em que as minhocas irão atuar para "reciclar" os resíduos orgânicos. Basicamente, o dispositivo consiste em três ou mais caixas empilháveis de plástico, mas isso depende da demanda de pessoas na casa. Para saber qual é o melhor tamanho para sua família, clique aqui.
As duas primeiras caixas são digestoras. A primeira, onde se depositam os resíduos (confira aqui quais resíduos podem ser usados), necessita de tampa e tem furos no fundo; a última serve como coletora para armazenar o chorume orgânico produzido.
A composteira é um processo simples e higiênico de reciclar o lixo orgânico que produzimos em casa, entretanto, existem alguns cuidados que devem ser tomados para evitar maus odores, atração de animais e morte das minhocas.
Recomenda-se portanto, como que em um passo-a-passo, que os resíduos sejam depositados sucessivamente em fileiras (preferencialmente picados) e a seguir em camadas, preservando-se sempre no lado oposto uma camada de composto pronto, húmus livre de resíduos que servirá para o que se chama de "cama". A “cama” é como um local de segurança, onde as minhocas se sentem confortáveis, devendo existir em ambas caixas digestoras. Elas migrarão por todas as caixas, subindo e descendo, sempre usando os furos.
Para adquirir uma composteira, acesse a loja virtual escolha o melhor tipo para sua família. Confira muitas dicas de utilização da composteira no nosso guia de compostagem.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Saiba como adubar e colher frutos de suas árvores!!


Por Lila de Oliveira, iG São Paulo |


Tenho uma muda de árvore frutífera em um vaso pequeno. Como faço para transportá-lo para um local maior?
Escolha um vaso de plástico com orifício na parte inferior para facilitar a drenagem. Em seguida, coloque uma camada de 5 cm de pedra (brita) ou argila expandida, sobreponha uma manta de bidim, que servirá como filtro, um substrato de boa qualidade (200 g/ m²), calcário e adubo N-P-K 4-14-8, na proporção de 200 g/m² para 250 g/m². Após esse procedimento, retire com cuidado a planta, de modo que o torrão (local onde as raízes estão localizadas) seja conservado, e coloque-a no novo vaso de forma que a região de transição entre o caule e a raiz fique no nível da terra.
Se decidir replantar a muda no solo, abra uma cova com 40 cm x 40 cm x 40 cm de medida, utilizando uma pá reta. Misture a terra retirada a terra-preta (20 l/m²), adubo N-P-K 4-14-8 (200 g/m²) e calcário (250 g/m²). Nas primeiras semanas após colocar a planta, em ambos os casos, não se esqueça de irrigá-la bem.

É preciso conhecer bem a espécie antes de plantar uma árvore perto de casa


Tenho árvores de pêssego, goiaba, abacate, manga e lichia, mas elas não estão dando fruto. O que pode estar acontecendo? O que devo fazer?
Se duas plantas de mesma espécie estiverem plantadas no mesmo ambiente e o florescimento das duas for diferente, o problema provavelmente é genético e a solução será aceitá-la desta forma ou trocá-la por outra muda.
Mas se nenhuma das árvores está florescendo, talvez trate-se de uma questão ambiental, como ausência de algum nutriente no solo, excesso ou falta de água, presença de pragas ou doenças, ou alteração brusca de temperatura. Porém, é difícil identificar as causas sem a ajuda de um profissional.

Qual o tipo de adubo recomendado para jabuticabeiras?
A adubação deve ocorrer em dois períodos. Do início de setembro até novembro, ela deve ser completa, com 10 l/m² de matéria orgânica 100% ou 20 l/m² de terra-preta; 200 g/m² de adubo N-P-K 10-10-10 e 250 g/m² de calcário dolomítico. De fevereiro a abril deve ser química, com 200 g/m² de adubo N-P-K 10-10-10. A adubação é feita somente uma vez por período e é necessário irrigar em abundância.

Tenho um limoeiro que floresce, mas não chega a dar fruto. O que pode estar acontecendo?
Esse sintoma do abortamento do botão floral é muito comum quando há falta de fósforo, um importante nutriente. Esse elemento deve ser colocado sobre o solo, na projeção da copa da árvore. Após adubar, irrigue em abundância. Pragas e doenças também são causas possíveis.

É possível ter um pé de araçá em um vaso?
Sim. O araçá é uma árvore cuja altura varia de 3 a 6 metros. Para contê-lo em um vaso é necessário podar.

Qual a melhor forma de evitar pragas em árvores frutíferas?
A praga mais comum é a mosca das frutas. Uma das maneiras de evitá-la é cortar uma garrafa PET ao meio, inverter a parte superior e encaixá-la na inferior, criando uma armadilha. Preencha o conjunto com suco de fruta concentrado e acrescente um inseticida (não obrigatório). A mosca adulta será atraída para o suco e não conseguirá sair da garrafa, interrompendo, assim, o ciclo da espécie.

Consultoria:
Aline Chagas Fini, engenheira agrônoma e professora do IBRAP (Instituto Brasileiro de Paisagismo)
Tels: (11) 3061-1219/ 3082-9564
www.ibrappaisagismo.com.br

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