sexta-feira, 19 de junho de 2026

Biofertilizante feito com farinha de peixe aumenta produção de morangos de agricultora

Biofertilizante feito com farinha de peixe aumenta produção de morangos de agricultora

 

Foto: MFX/Secom/SC

Fonte: OCP News

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

08/06/2025 - 14:06 - Atualizada em: 08/06/2025 - 14:13

Na Semana do Meio Ambiente, celebrada em junho, uma história que reúne ciência, sustentabilidade, qualidade de vida e geração de renda ganha destaque em Santa Catarina. Trata-se do trabalho de Vilma Fontanive Reichert, 57 anos, moradora de Luiz Alves, que apostou no cultivo de morangos em sistema suspenso e protegido com o apoio da Epagri. A produção ganhou novo fôlego com o uso de um biofertiliante aeróbico desenvolvido pela Estação Experimental da Epagri de Itajaí e apresentado recentemente no TecnoHorti 2025.

Vilma iniciou o cultivo há seis anos, buscando uma atividade que complementasse sua renda após a aposentadoria sem exigir esforço físico excessivo. Com a orientação técnica da Epagri e motivada pelos bons resultados, ela já planeja dobrar a produção em 2026 com a construção de mais um abrigo. “Não tem comparação. Sem o biofertilizante, a planta demora mais a produzir e produz menos morangos porque dá menos flor”, relata.

Uso do biofertilizante resolveu o problema de ácaro na plantação de morangos de uma forma ecológica – – Foto: MFX/Secom/SC

O biofertilizante usado por Vilma foi destaque no TecnoHorti 2025, evento realizado no dia 3 de junho na Estação Experimental da Epagri em Itajaí. Apesar do frio e da chuva, mais de 500 pessoas compareceram para conhecer as inovações da pesquisa catarinense na produção de hortaliças orgânicas. Um dos coordenadores do evento, pesquisador Alexandre Visconti, apresentou o bioinsumo e também demonstrou o sistema de termoterapia para desinfecção de substratos.

O produto, fabricado a partir de farinha de peixe, amido de milho e de mandioca, açúcar, farelo de arroz, esterco e água, é fermentado com bombeamento de oxigênio contínuo por até oito dias. Na propriedade de Vilma, são fabricados 200 litros por mês. Ela aplica o produto por gotejamento, o que garante mais vigor às plantas, prolonga o ciclo produtivo e reduz a incidência de pragas e doenças.

“Aqui a gente tinha muito problema de ácaro. Desde que comecei a usar esse fertilizante da Epagri, os bichinhos sumiram”, comemora. No abrigo de 400m2, a produtora tem 2.700 mudas. Durante o auge da safra, ela planta de 70kg a 80kg por mês e fornece para particulares, padarias, lanchonetes e creches do município.

Tecnologias para produção orgânica

Durante o TecnoHorti 2025, outras experiências como a de Vilma também mostraram o impacto positivo da pesquisa da Epagri no campo. Produtores como Josnei Nowak, de Três Barras, e Fabiana Barros, de Massaranduba, relataram os benefícios do cultivo protegido e do uso de bioinsumos em suas propriedades, tanto para a saúde quanto para a renda familiar.

O cultivo suspenso de hortaliças foi outra inovação apresentada no evento que humaniza o trabalho no campo – Foto: Renata Rosa/Epagri/Fapesc

O evento apresentou as seguintes tecnologias desenvolvidas pela pesquisa da Epagri para auxiliar os produtores catarinenses de hortaliças orgânicas:

  • Compostagem – mostrou como resíduos agrícolas são transformados em adubo orgânico de alta qualidade;
  • Mudas Orgânicas – atendendo à nova exigência das Normas da Produção Orgânica no Brasil, válidas a partir de 2026;
  • Biofertilizantes Aeróbicos – fermentado líquido que promove o crescimento das plantas e o controle de doenças do solo;
  • Cultivares Orgânicos da Epagri – variedades como a alface Litorânea, o tomate Kaiçara e novos materiais em desenvolvimento (pimentões, tomate cereja, rúcula e alface de inverno).
  • Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) – tecnologia consagrada para o manejo sustentável do solo;
  • Cultivo Suspenso de Hortaliças – inovação que valoriza a ergonomia e humaniza o trabalho no campo.

Além das visitas, o TecnoHorti 2025 contou com palestras técnicas ministradas por especialistas de empresas parceiras, com temas alinhados à produção orgânica e ao uso responsável dos recursos naturais

Visconti ressalta que a integração entre pesquisa agropecuária, extensão rural e produtores reforça o papel estratégico da ciência no enfrentamento de desafios como a segurança alimentar, a sucessão familiar e a preservação ambiental. “Em plena Semana do Meio Ambiente, essas histórias demonstram que a sustentabilidade no campo passa por inovação, parceria e protagonismo da agricultura familiar”, diz ele. 

Catálogo de plantas auxilia na conservação de espécies ameaçadas no Espinhaço Mineiro

O Instituto de Biociências da USP e o Instituto Estadual de Florestas lançam publicação que reúne dados botânicos e saberes locais da região da Serra do Espinhaço; e-book está disponível para download gratuito

  17/11/2025 - Publicado há 7 meses
Por
Visão de um campo verde com pequenas flores amarelas e ao fundo uma montanha
Publicação apresenta plantas da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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Entre dados botânicos, histórias e modos de viver do território, o novo Catálogo de Plantas Secas Decorativas Comercializadas no Espinhaço Mineiro propõe um diálogo entre ciência, gestão pública e cultura popular da região, localizada na porção mineira da Serra do Espinhaço, cadeia montanhosa que atravessa o Estado de norte a sul. A área é marcada por grande diversidade biológica, paisagens de campos rupestres e comunidades tradicionais que vivem e manejam esses ambientes. “Mais do que um registro, é um chamado que une conhecimento e responsabilidade socioambiental, para que os recursos naturais caminhem lado a lado com o fortalecimento das identidades regionais”, afirmam os autores Renato Ramos da Silva e Paulo Takeo Sano. O catálogo está disponível para download gratuito neste link (o arquivo está em alta resolução, com 300 MB).

A publicação é uma parceria entre o Instituto de Biociências (IB) da USP e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), e integra as ações do Plano de Ação Territorial (PAT) para a conservação de espécies ameaçadas da região e representa uma ferramenta para o fortalecimento da bioeconomia local. O objetivo principal é conciliar a conservação e a geração de renda.

Para Gabriela Brito, coordenadora do PAT Espinhaço Mineiro, que assina o prefácio, “esta publicação surge com o intuito de lançar um novo olhar sobre o uso das espécies vegetais da região, com um enfoque especial nas plantas secas decorativas, como as famosas sempre-vivas. Este catálogo não só destaca a importância dessas plantas, mas também busca ampliar o conhecimento sobre essa categoria ainda pouco explorada”, afirma, completando que o catálogo é peça fundamental para o compromisso central do PAT Espinhaço Mineiro, de conectar novas possibilidades de estratégias de conservação, integrando a proteção da biodiversidade com o desenvolvimento regional sustentável.

Capa e páginas do livro que tem download gratuito – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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Plano de Ação Territorial 

Em 2020, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF/MG) firmou parceria com o projeto Pró-Espécies: Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), sendo a agência executora o WWF-Brasil. O objetivo era coordenar a elaboração e execução do Plano de Ação Territorial – PAT para conservação de espécies ameaçadas de extinção do território Espinhaço Mineiro.

O plano foi desenvolvido em conjunto com diversos atores como uma estratégia integrada para a conservação e para o uso sustentável dos recursos naturais dos ecossistemas presentes na região da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço. A proposta é conciliar a proteção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos com o desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais. Foi elaborado um conjunto de ações de conservação, com um planejamento partindo de um contexto territorial, visando a atender ao objetivo principal do PAT que é “aumentar a conservação dos hábitats, das espécies e da sociobiodiversidade no território Espinhaço Mineiro, com engajamento dos diversos atores sociais”.

O território do PAT abrange uma área com 105.251 km², perpassando os biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. São alvo do plano 24 espécies criticamente em perigo de extinção, sendo 19 espécies da flora, três espécies de peixes e duas espécies de invertebrados; entretanto, os efeitos positivos das ações do plano também serão refletidos em pelo menos 1.787 outras espécies ameaçadas presentes no território.

Partes utilizadas no comércio de plantas – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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Mercado alternativo

Segundo a publicação, o mercado de plantas secas externo está concentrado principalmente nos Estados Unidos e na Europa, onde esses materiais são revendidos. Com a recente emergência do uso das flores secas para montagem de arranjos de plantas secas no Brasil, houve uma mudança na proporção entre os destinos nacionais e internacionais. Enquanto o mercado externo prevalecia em volumes e valores de exportação, essa relação sofreu forte mudança, com uma equivalência atual de mercados.

Segundo os autores, tais mudanças acompanham discussões sobre a sustentabilidade do mercado de flores frescas, considerado como um produto de ciclo de vida curto, mas com alto investimento em cultivos em estufa, com alto consumo de insumos e itens descartáveis. “As flores secas nativas ou de origem cultivada constituem uma alternativa a esse cenário, contudo há que se observar a legislação para que o extrativismo, transporte e comércio sejam realizados de forma legal”, alertam.

Eles explicam que, devido às exigências da legislação ambiental, as espécies comercializadas devem estar identificadas com o nome científico, indicando sua presença ou não em listas de espécies ameaçadas de extinção. Esse, dizem, é um dos objetivos que esse catálogo busca suprir, constituindo bases para adequação e sustentabilidade das atividades, garantindo a conservação das espécies.

Mapa da região do Espinhaço – Foto: Reprodução/Catálogo de Plantas Secas Decorativas

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A pesquisa

O levantamento de dados foi iniciado a partir de visitas a galpões e entrepostos de comércio em Diamantina e Contagem, em Minas Gerais. As amostras das partes de plantas comercializadas foram tratadas, seguindo um fluxo de ação regular, para a inclusão de informações básicas sobre cada uma delas. Junto das amostras dos materiais foram obtidos os nomes comerciais ou populares, com informações sobre a origem do material coletado. As fotografias foram organizadas por um banco de imagens. Outras espécies obtidas de publicações científicas e de sites especializados também foram acrescentadas.

A área de estudo compreende a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço (RBSE), no território de Minas Gerais, desde a região central até o norte do Estado. Ali estão as zonas núcleo, compreendidas pelas Unidades de Conservação de Proteção Integral, com a zona de amortecimento e de transição no seu entorno. As plantas estão inseridas no Reino Plantae e os seus diferentes grupos estão representados no catálogo por Angiospermas, Gimnospermas, Líquens, Musgos, Samambaias e Licófitas. As espécies comercializadas foram classificadas quanto à sua origem, distribuição, e ocorrência natural, entre nativas, cultivadas e exóticas.

Confira o Catálogo de Plantas Secas Decorativas Comercializadas no Espinhaço Mineiro neste link.


quarta-feira, 17 de junho de 2026

Biofertilizante, desenvolvido na USP, pode auxiliar a produção agrícola sustentável

 

A pesquisadora Giovanna Ribeiro comenta a patente de um biofertilizante produzido a partir de resíduos agrícolas comuns, desenvolvido no Instituto de Química de São Carlos da USP

  01/08/2023 - Publicado há 3 anos     Atualizado: 02/08/2023 às 10:49
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Sem utilizar produtos químicos danosos ao solo e aos animais, pesquisadores conseguiram desenvolver um fertilizante eficiente e sustentável – Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
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Fertilizantes são componentes utilizados para fornecer nutrientes ao solo, contribuindo para o desenvolvimento de plantas e vegetais, e são fundamentais para a Revolução Verde, conjunto de inovações tecnológicas no campo, e o consequente desenvolvimento da produção agrícola. Contudo, seu uso inadequado pode levar à degradação do meio ambiente. Tanto a produção quanto a aplicação de certos fertilizantes podem gerar poluentes que contaminam o ar e o solo. Além disso, o uso excessivo desses produtos pode levar à sua saturação, resultando em contaminação dos corpos hídricos através de um processo chamado lixiviação.

Pensando nisso, pesquisadores da USP desenvolveram a patente Biofertilizante Bioativo Líquido Produzido a Partir de Resíduos Agrícolas. De acordo com Giovanna Ribeiro, pesquisadora do Instituto de Química de São Carlos da USP, que participou do desenvolvimento do produto, “a patente visa à aplicação de um biofertilizante que não utiliza produtos químicos danosos ao solo e aos animais presentes no ambiente de aplicação”. Além disso, Giovanna destaca que o seu principal diferencial é a utilização de resíduos que seriam simplesmente descartados, neste caso a cama de frango, que nada mais é do que um material depositado no galpão de criação de aves, e o esterco bovino. A patente também não prevê a dispersão do biofertilizante pelo ar, o que inibe a poluição atmosférica. 

O biofertilizante é um subproduto obtido a partir da fermentação anaeróbica (sem a presença de ar) de resíduos da lavoura ou dejetos de animais. No caso da patente, esse produto é diluído em água e é aplicado na forma líquida, o que permite melhor absorção dos nutrientes pelas plantas. Ele também pode ser utilizado na hidroponia, que é uma técnica de produção de hortaliças que não utiliza o solo, ou seja, o cultivo é realizado em estufas e uma solução nutritiva substitui o solo, devido à sua capacidade indutora de crescimento da raiz. 

Desenvolvimento agrícola 

Uma agricultura sustentável é essencial para a construção de um futuro verde e produtivo

 

A ideia teve origem no Laboratório de Química Ambiental da USP em São Carlos, sob a orientação da professora Maria Olimpia Oliveira, durante uma pesquisa de doutorado que investigava o potencial de desenvolvimento de bioprodutos para a agricultura. Giovanna explica que, a partir desse estudo, foi possível selecionar alguns resíduos agrícolas gerados em larga escala, que poderiam ser aproveitados como matérias-primas para o biofertilizante. Os pesquisadores escolheram a cama de frango e o esterco bovino, que são resíduos comuns na produção agrícola em pequena e grande escala.

Giovanna destaca que as matérias-primas utilizadas foram minuciosamente analisadas no laboratório durante todo o processo de desenvolvimento da patente, com o objetivo de verificar as melhorias na quantificação de macros e micronutrientes do produto, seguindo os padrões de qualidade estabelecidos inicialmente pelos pesquisadores.

O biofertilizante teve seu processo e efeitos validados em escala laboratorial, encontrando-se em um estágio de desenvolvimento avançado. O pedido de patente já foi depositado, porém, para que seja possível iniciar a comercialização, ainda são necessários alguns testes de desempenho em solo para ajustes de diluição, dosagem e aplicação, além do registro do produto junto aos órgãos reguladores e, também, a busca por uma parceria comercial.

* sob orientação de Cinderela Caldeira


Momento Tecnologia
Produção: Henrique Giacomin e Breno Marino
Edição de som
Produção geral e co-produção :  Cinderela Caldeira
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: Quinzenalmente, terças-feiras, às 8h35

O Momento Tecnologia vai ao ar na Rádio USP, quinzenalmente, terças-feiras, às 8h35 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast  Veja todos os episódios do Momento Tecnologia

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