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quinta-feira, 13 de agosto de 2026
O chorume que polui o ambiente pode ser transformado em adubo orgânico
Reportagem Local
terça-feira, 28 de julho de 2026
Os efeitos do #biofertilizante no controle de pragas e doenças
Os fenômenos podem estar diretamente associados à complexa e pouco conhecida composição química e biológica dos biofertilizantes. Um composto coloidal, de consistência mucilaginosa (goma) e de composição ainda não conhecida, foi observado por Medeiros (2000b), causando a imobilização e morte do ácaro B.phoenicis sobre a folha devido à obstrução de seu sistema digestivo.sábado, 11 de julho de 2026
Cultivo de macroalga rende biofertilizante!! UNICAMP

Estudo contribui para a implantação de fazendas marinhas e abre novas possibilidades econômicas para comunidades do litoral Norte de SP
Em pesquisa orientada pelo professor Jansle Vieira Rocha, do Laboratório de Geoprocessamento da Faculdade da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, a oceanógrafa Valéria Cress Gelli, do Núcleo Regional de Pesquisa do Litoral Norte do Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, desenvolveu tese de doutorado que teve como objetivo contribuir para o cultivo ordenado e responsável da macroalga Kappaphycus alvarezii, com vistas à obtenção do seu extrato como biofertilizante agrícola no litoral Norte do Estado de São Paulo.
Esta alga, originária das Filipinas e introduzida no Brasil em 1995 a partir de mudas importadas do Japão, mostrou-se com grande potencial na maricultura (cultivo de organismos marinhos). Apesar de estudos comprovarem que a espécie não oferece perigos de proliferação invasiva, por questões de biossegurança e em razão dos conhecimentos da época, a legislação brasileira, através do Ibama, restringiu seu cultivo a determinadas áreas do litoral do país, entre elas a faixa que se estende do litoral Norte de SP à baía de Sepetiba, no Estado do RJ.
O cultivo de algas é incentivado em todo o planeta não só pelos produtos naturais delas oriundos, em que se destacam as gelatinas – a exemplo da carragenana, utilizada para conferir cremosidade a alimentos e cosméticos –, biocombustíveis e biofertilizantes, mas também pelo fato de serem responsáveis por mais de 50% da produção de oxigênio atmosférico e do sequestro de gás carbônico (CO2), que no mercado de créditos de carbono é negociado hoje a dez dólares por tonelada. O trabalho dos pesquisadores teve como objetivos estudar a viabilidade técnica e econômica da produção de biofertilizante a partir do cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii, e seleção das áreas mais aptas para seu cultivo no litoral paulista. Para a pesquisadora, “o estudo se justifica face à diminuição dos estoques pesqueiros. A implantação dos cultivos de macroalgas (algicultura) pode ser uma alternativa para mitigar o problema, manter os pescadores em seu local de origem, gerar renda e emprego, além de propor novas formas de desenvolvimento sustentável e incentivar a implantação da atividade de forma planejada para as comunidades costeiras, cuja base econômica se assenta no turismo de sol e praia”.

Dados da FAO (2019) indicaram que o cultivo desta alga constitui uma importante atividade econômica em mais de dez países. Em 2017, sua produção foi de 1,5 milhões de toneladas e representou 171 milhões de dólares. Em 2018, o Brasil importou cerca de duas toneladas da sua gelatina a um custo de 17,5 milhões de dólares.
A algicultura marinha tem grande capacidade de produção de biomassa em curto espaço de tempo e estudos mostram que esta macroalga cresce de 3,8% a 8,7% ao dia sem a utilização quaisquer nutrientes. As algas também absorvem nutrientes e metais pesados em locais poluídos, servem de abrigo a outros organismos marinhos, reduzem ações de ondas em zonas costeiras, retiram o gás carbônico da atmosfera, geram empregos, renda e negócios para as comunidades litorâneas. Constituem ainda fontes de hidrocolóides, bioativos, fertilizantes e biocombustíveis e podem ser utilizadas diretamente na alimentação humana e como ingrediente na ração animal.
O trabalho
A partir da hipótese de que essa extração seria uma atividade técnica e economicamente viável e que poderia ser desenvolvida de forma ordenada no litoral Norte paulista, o trabalho seguiu por três vertentes, explica o docente. A primeira deteve-se em avaliar as viabilidades econômica e técnica da algicultura para a obtenção do biofertilizante pelas comunidades pesqueiras, em módulos familiares de 0,2 hectares de lâmina de água, em sistema de balsas flutuantes e um plantio em redes tubulares (figura), de forma a que esse pequeno produtor tivesse uma alternativa econômica para enfrentar a entressafra da pesca e a carência cada vez maior de pescados.


Constatada essas viabilidades, o segundo enfoque concentrou-se na seleção de locais aptos à implantação da maricultura, realizada através das ferramentas da geotecnologia. Foram realizados estudos da série temporal da temperatura de superfície do mar de 10 anos com o sensor MODIS do satélite Terra, nos locais ao longo do litoral norte; de crescimento da macroalga associados aos fatores ambientais; e por fim aplicado método para hierarquização, através de entrevistas com pesquisadores da área para o mapeamento. Levaram-se em consta vários critérios como a legislação ambiental, áreas próximas à foz dos rios, áreas abrigadas e sem conflitos com as atividades pesqueiras e turísticas, temperatura de superfície do mar e profundidade.
Os estudos levaram à seleção e quantificação de aproximadamente 2.300 hectares de “áreas mais aptas” ao cultivo da macroalga, porém as áreas foram restritas à 1.300 hectares em função da legislação ambiental em decorrência de Instrução Normativa IBAMA de 2008.

Com a implantação das áreas ocupadas apenas com o cultivo da macroalga K. alvarezii foi possível estimar que a atividade geraria em torno de 7 mil empregos, uma receita bruta de R$ 64 milhões e ainda sequestraria 15 mil toneladas de CO2.
Produção do extrato
A macroalga é comumente cultivada para a extração da gelatina (carragenana), mas esse processamento requer altos investimentos em instalações e equipamentos, mão de obra qualificada, energia e grande consumo de água, condições impraticáveis para as comunidades locais. Por isso, explica Valéria, “optamos em incentivar a produção do extrato de forma artesanal, que envolve um processamento simples, de separação do suco e do bagaço, através de uma infraestrutura caseira (figura)”. A fração líquida pode ser engarrafada e vendida diretamente aos agricultores ou mesmo a indústrias de biofertilizantes que a utilizam como matéria-prima. Como já existem fornecedores desse extrato, a expectativa dos pesquisadores é que ele também possa ser comercializado pelo produtor através de cooperativas às empresas interessadas.

O trabalho concentrou-se mais especificamente na produção do extrato dessa macroalga que serve como biofertilizante ou estimulante agrícola. A eficiência do extrato, empregado em concentrações específicas e utilizado de modo foliar, é relatada em vários trabalhos científicos referentes ao cultivo de quiabo, soja, feijão verde, tomate, arroz, pimenta, amendoim, banana, milho e cana-de-açúcar. Nesta, por exemplo, o uso a 1% aumentou a produtividade em cerca de 25% em quatro colheitas
O extrato é considerado ambientalmente sustentável, biodegradável, não tóxico, nem poluente e não contamina os seres humanos e animais. Sua aplicação foliar promove a germinação mais rápida das sementes das plantas, aumenta o rendimento da colheita, melhoria qualidade das sementes, tem baixa emissão de carbono e é baixo custo.
Conclusões
A autora considera que o cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii constitui alternativa sustentável, técnica e economicamente viável. A implantação da algicultura pode ser incentivada de forma responsável e ordenada no litoral paulista junto às comunidades costeiras do Estado de São Paulo.
O trabalho possibilitou em uma primeira fase a identificação de 44 locais aptos à implantação da algicultura com base em diferentes restrições e fatores específicos para a espécie Kappaphycus alvarezii, contribuindo diretamente para projetos futuros em políticas públicas.
Face ao seu baixo custo e aos elementos integradores de natureza inovadora, a metodologia utilizada neste estudo poderá ser adotada para outras espécies cultivadas superficialmente. Valéria considera que o estudo pode trazer contribuições para o Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro de São Paulo, especialmente em relação ao Zoneamento Ecológico Econômico Costeiro, assim como para o Plano Gestor da Apa Marinha do litoral Norte, visto que o potencial estimado pode ser representativo para a economia dos municípios de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, além da possibilidade de ter sua aplicação estendida também para o litoral sul do estado do RJ e as costas de outros municípios brasileiros.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Biofertilizante feito com farinha de peixe aumenta produção de morangos de agricultora
Biofertilizante feito com farinha de peixe aumenta
produção de morangos de agricultora
Foto: MFX/Secom/SC
Fonte: OCP News
Por: Isabelle
Stringari Ribeiro
08/06/2025 - 14:06 - Atualizada em: 08/06/2025 - 14:13
Na Semana do Meio Ambiente, celebrada em junho, uma história
que reúne ciência, sustentabilidade, qualidade de vida e geração de renda ganha
destaque em Santa Catarina. Trata-se do trabalho de Vilma Fontanive Reichert,
57 anos, moradora de Luiz Alves, que apostou no cultivo de morangos em sistema
suspenso e protegido com o apoio da Epagri. A produção ganhou novo fôlego com o
uso de um biofertiliante aeróbico desenvolvido pela Estação Experimental da
Epagri de Itajaí e apresentado recentemente no TecnoHorti 2025.
Vilma iniciou o cultivo há seis anos, buscando uma atividade
que complementasse sua renda após a aposentadoria sem exigir esforço físico
excessivo. Com a orientação técnica da Epagri e motivada pelos bons resultados,
ela já planeja dobrar a produção em 2026 com a construção de mais um abrigo.
“Não tem comparação. Sem o biofertilizante, a planta demora mais a produzir e
produz menos morangos porque dá menos flor”, relata.
Uso do biofertilizante resolveu o
problema de ácaro na plantação de morangos de uma forma ecológica – – Foto:
MFX/Secom/SC
O biofertilizante usado por Vilma foi destaque no TecnoHorti
2025, evento realizado no dia 3 de junho na Estação Experimental da Epagri em
Itajaí. Apesar do frio e da chuva, mais de 500 pessoas compareceram para
conhecer as inovações da pesquisa catarinense na produção de hortaliças
orgânicas. Um dos coordenadores do evento, pesquisador Alexandre Visconti,
apresentou o bioinsumo e também demonstrou o sistema de termoterapia para
desinfecção de substratos.
O produto, fabricado a partir de farinha de peixe, amido de
milho e de mandioca, açúcar, farelo de arroz, esterco e água, é fermentado com
bombeamento de oxigênio contínuo por até oito dias. Na propriedade de Vilma,
são fabricados 200 litros por mês. Ela aplica o produto por gotejamento, o que
garante mais vigor às plantas, prolonga o ciclo produtivo e reduz a incidência
de pragas e doenças.
“Aqui a gente tinha muito problema de ácaro. Desde que
comecei a usar esse fertilizante da Epagri, os bichinhos sumiram”, comemora. No
abrigo de 400m2, a produtora tem 2.700 mudas. Durante o auge da safra, ela
planta de 70kg a 80kg por mês e fornece para particulares, padarias,
lanchonetes e creches do município.
Tecnologias para produção orgânica
Durante o TecnoHorti 2025, outras experiências como a de
Vilma também mostraram o impacto positivo da pesquisa da Epagri no campo.
Produtores como Josnei Nowak, de Três Barras, e Fabiana Barros, de
Massaranduba, relataram os benefícios do cultivo protegido e do uso de
bioinsumos em suas propriedades, tanto para a saúde quanto para a renda
familiar.
O cultivo suspenso de hortaliças
foi outra inovação apresentada no evento que humaniza o trabalho no campo –
Foto: Renata Rosa/Epagri/Fapesc
O evento apresentou as seguintes tecnologias desenvolvidas
pela pesquisa da Epagri para auxiliar os produtores catarinenses de hortaliças
orgânicas:
- Compostagem
– mostrou como resíduos agrícolas são transformados em adubo orgânico de
alta qualidade;
- Mudas
Orgânicas – atendendo à nova exigência das Normas da Produção Orgânica no
Brasil, válidas a partir de 2026;
- Biofertilizantes
Aeróbicos – fermentado líquido que promove o crescimento das plantas e o
controle de doenças do solo;
- Cultivares
Orgânicos da Epagri – variedades como a alface Litorânea, o tomate Kaiçara
e novos materiais em desenvolvimento (pimentões, tomate cereja, rúcula e
alface de inverno).
- Sistema
de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) – tecnologia consagrada para o
manejo sustentável do solo;
- Cultivo
Suspenso de Hortaliças – inovação que valoriza a ergonomia e humaniza o
trabalho no campo.
Além das visitas, o TecnoHorti 2025 contou com palestras
técnicas ministradas por especialistas de empresas parceiras, com temas
alinhados à produção orgânica e ao uso responsável dos recursos naturais
Visconti ressalta que a integração entre pesquisa agropecuária, extensão rural e produtores reforça o papel estratégico da ciência no enfrentamento de desafios como a segurança alimentar, a sucessão familiar e a preservação ambiental. “Em plena Semana do Meio Ambiente, essas histórias demonstram que a sustentabilidade no campo passa por inovação, parceria e protagonismo da agricultura familiar”, diz ele.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Biofertilizante, desenvolvido na USP, pode auxiliar a produção agrícola sustentável
A pesquisadora Giovanna Ribeiro comenta a patente de um biofertilizante produzido a partir de resíduos agrícolas comuns, desenvolvido no Instituto de Química de São Carlos da USP
- Post category:Atualidades
- https://jornal.usp.br/?p=665044


Fertilizantes são componentes utilizados para fornecer nutrientes ao solo, contribuindo para o desenvolvimento de plantas e vegetais, e são fundamentais para a Revolução Verde, conjunto de inovações tecnológicas no campo, e o consequente desenvolvimento da produção agrícola. Contudo, seu uso inadequado pode levar à degradação do meio ambiente. Tanto a produção quanto a aplicação de certos fertilizantes podem gerar poluentes que contaminam o ar e o solo. Além disso, o uso excessivo desses produtos pode levar à sua saturação, resultando em contaminação dos corpos hídricos através de um processo chamado lixiviação.
Pensando nisso, pesquisadores da USP desenvolveram a patente Biofertilizante Bioativo Líquido Produzido a Partir de Resíduos Agrícolas. De acordo com Giovanna Ribeiro, pesquisadora do Instituto de Química de São Carlos da USP, que participou do desenvolvimento do produto, “a patente visa à aplicação de um biofertilizante que não utiliza produtos químicos danosos ao solo e aos animais presentes no ambiente de aplicação”. Além disso, Giovanna destaca que o seu principal diferencial é a utilização de resíduos que seriam simplesmente descartados, neste caso a cama de frango, que nada mais é do que um material depositado no galpão de criação de aves, e o esterco bovino. A patente também não prevê a dispersão do biofertilizante pelo ar, o que inibe a poluição atmosférica.
O biofertilizante é um subproduto obtido a partir da fermentação anaeróbica (sem a presença de ar) de resíduos da lavoura ou dejetos de animais. No caso da patente, esse produto é diluído em água e é aplicado na forma líquida, o que permite melhor absorção dos nutrientes pelas plantas. Ele também pode ser utilizado na hidroponia, que é uma técnica de produção de hortaliças que não utiliza o solo, ou seja, o cultivo é realizado em estufas e uma solução nutritiva substitui o solo, devido à sua capacidade indutora de crescimento da raiz.
Desenvolvimento agrícola

A ideia teve origem no Laboratório de Química Ambiental da USP em São Carlos, sob a orientação da professora Maria Olimpia Oliveira, durante uma pesquisa de doutorado que investigava o potencial de desenvolvimento de bioprodutos para a agricultura. Giovanna explica que, a partir desse estudo, foi possível selecionar alguns resíduos agrícolas gerados em larga escala, que poderiam ser aproveitados como matérias-primas para o biofertilizante. Os pesquisadores escolheram a cama de frango e o esterco bovino, que são resíduos comuns na produção agrícola em pequena e grande escala.
Giovanna destaca que as matérias-primas utilizadas foram minuciosamente analisadas no laboratório durante todo o processo de desenvolvimento da patente, com o objetivo de verificar as melhorias na quantificação de macros e micronutrientes do produto, seguindo os padrões de qualidade estabelecidos inicialmente pelos pesquisadores.
O biofertilizante teve seu processo e efeitos validados em escala laboratorial, encontrando-se em um estágio de desenvolvimento avançado. O pedido de patente já foi depositado, porém, para que seja possível iniciar a comercialização, ainda são necessários alguns testes de desempenho em solo para ajustes de diluição, dosagem e aplicação, além do registro do produto junto aos órgãos reguladores e, também, a busca por uma parceria comercial.
* sob orientação de Cinderela Caldeira
Momento Tecnologia
Produção: Henrique Giacomin e Breno Marino
Edição de som:
Produção geral e co-produção : Cinderela Caldeira
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: Quinzenalmente, terças-feiras, às 8h35
O Momento Tecnologia vai ao ar na Rádio USP, quinzenalmente, terças-feiras, às 8h35 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast Veja todos os episódios do Momento Tecnologia
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