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O programa já distribuiu 3.000 kits de compostagem doméstica para transformar resíduos orgânicos em adubo
Cascas e restos de frutas, legumes e verduras, borra e filtro de café, entre outros resíduos, são colocados na caixa. As minhocas californianas e os microrganismos atuam na sua decomposiçãoFoto: Andy Puerari/PMF/Divulgação/NDAo lado do fogão da casa da educadora ambiental Gisele Hohgraefe Lopes de Souza, nos Ingleses, um pequeno balde recebe as sobras orgânicas produzidas pela família. Quando está cheio, o conteúdo segue para o minhocário, onde é coberto com serragem ou folhas secas e começa a ser transformado em adubo.
Em uma casa com quatro adultos, são preenchidos entre três e quatro baldes de cinco litros por semana. Cascas, restos de frutas, legumes e outros resíduos que poderiam seguir para o aterro sanitário permanecem no próprio terreno e depois retornam às plantas.
“É como montar uma lasanha. A gente coloca a matéria orgânica úmida e cobre com a matéria seca. Quando aprende a fazer esse equilíbrio, não tem erro”, conta Gisele.
Ela participou de uma das primeiras turmas do programa Minhoca na Cabeça, criado em 2018 pela Prefeitura de Florianópolis. Professora em um colégio no Norte da Ilha, fez a capacitação com o objetivo de utilizar o minhocário como recurso pedagógico nas aulas de educação ambiental.
“Com o Minhoca na Cabeça, a compostagem deixa de ser uma prática distante e passa a fazer parte da rotina das famílias. O programa oferece o equipamento, a capacitação e o acompanhamento necessário para que cada participante consiga transformar os resíduos dentro de casa e manter esse hábito ao longo do tempo”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer.
No início, o equipamento circulava pelas salas e pelos auditórios. Mais tarde, com a implantação de uma área de compostagem na escola, passou a permanecer no local. Gisele participou novamente da oficina para ter outro kit em casa.
A experiência da professora faz parte de uma rede que já recebeu 3.000 minhocários em Florianópolis. Segundo as estimativas do programa, os equipamentos em operação evitam o envio de aproximadamente 950 toneladas de resíduos orgânicos ao aterro sanitário por ano.
Os dados indicam que uma residência participante pode tratar, em média, cerca de 32 quilos desses materiais por mês. Além de reduzir o volume recolhido e transportado, o processo produz húmus e biofertilizante que podem ser utilizados em vasos, jardins e hortas.
“Quando o morador trata os resíduos orgânicos dentro de casa, evita que esse material precise ser coletado, transportado e encaminhado ao aterro. Um minhocário pode parecer uma estrutura pequena, mas o resultado de milhares de famílias participando representa centenas de toneladas recuperadas todos os anos”, destaca Kronbauer.
Gisele Hohgraefe participou de uma das primeiras oficinas da iniciativa, criada em 2018 pela Prefeitura de Florianópolis. Criou um minhocário na escola onde atua e depois instalou um minhocário na própria casaFoto: Arquivo pessoal/NDAprendizado chega aos estudantes
Na escola, os próprios estudantes participam do manejo do minhocário e acompanham a transformação dos restos de alimentos. Quando o húmus fica pronto, o material é levado para a horta. As crianças também coletam o biofertilizante, fazem a diluição em água e utilizam o produto nas plantas.
Parte do material é entregue às famílias ou distribuída durante eventos escolares. A experiência permite trabalhar a educação ambiental a partir de uma atividade presente na rotina dos estudantes.
“Aprendi na minha trajetória como educadora ambiental que resíduo orgânico não é lixo. É matéria-prima, é alimento para a terra. É isso que procuro ensinar aos estudantes”, afirma Gisele.
A prática iniciada com o kit também abriu caminho para outras formas de compostagem. Hoje, além do minhocário, a professora mantém composteiras maiores e uma leira diretamente no solo de casa.
O receio de mau cheiro ou da presença de animais indesejados, segundo ela, desapareceu com o aprendizado sobre o equilíbrio entre os materiais.
“Eu também tinha medo de dar mau cheiro ou atrair animais, mas resolvi experimentar. Até hoje, nunca tive nenhum problema. O minhocário é uma maneira muito simples de começar, principalmente para quem tem pouco espaço ou ainda tem receio da compostagem”, relata.
O kit inclui quatro caixas plásticas, insumos para iniciar o processo e minhocas californianas; a retirada é feita mediante Termo de Empréstimo e pode permanecer com o morador pelo tempo em que estiver em FlorianópolisFoto: Andy Puerari/`MF/Divulgação/ND MaisCapacitação acompanha a entrega
Para receber o kit do Minhoca na Cabeça, o morador precisa participar de uma capacitação sobre montagem, funcionamento e cuidados necessários. A formação apresenta os materiais que podem ser compostados, a quantidade de matéria seca utilizada e a forma correta de retirar o húmus e o biofertilizante.
O kit inclui quatro caixas plásticas, insumos para iniciar o processo e minhocas californianas, que aceleram a decomposição dos resíduos. O equipamento pode ser mantido tanto em casas quanto em apartamentos.
Os kits são retirados mediante a assinatura de um Termo de Empréstimo e podem permanecer com os participantes enquanto eles residirem em Florianópolis e mantiverem o equipamento em uso.
As solicitações recebidas preencheram a capacidade disponível nesta etapa. Por isso, as inscrições estão temporariamente suspensas e não haverá abertura de lista de espera. Os minhocários que estão em produção serão destinados aos pedidos que já foram registrados no sistema e aguardam atendimento.
“A procura mostra que os moradores estão dispostos a adotar soluções sustentáveis dentro de casa. Neste momento, a produção está direcionada às solicitações já recebidas, para que possamos atender essa demanda com os equipamentos e a capacitação necessária”, afirma Kronbauer.
Quando novas inscrições forem abertas, as informações estarão disponíveis em minhocacabeca.pmf.sc.gov.br. Dúvidas podem ser encaminhadas pelo WhatsApp (48) 3261-4808.
Como funciona o minhocário
Minhocário fica em caixas de diferentes tamanhosFoto: Andy Puerary/PMF/ND MaisSeparação dos resíduos
Cascas e restos de frutas, legumes e verduras, borra e filtro de café, erva de chimarrão e outros materiais orgânicos são separados na cozinha.
Montagem das camadas
Os resíduos são colocados na caixa e cobertos com matéria seca, como serragem ou folhas. O equilíbrio entre materiais úmidos e secos ajuda a controlar a umidade e evita mau cheiro.
Ação das minhocas
As minhocas californianas e os microrganismos atuam na decomposição. Quando uma caixa fica cheia, a seguinte passa a receber os resíduos, enquanto o material armazenado continua em processamento.
Produção do húmus
Ao fim do processo, os resíduos são transformados em húmus, um adubo rico em nutrientes que pode ser utilizado em vasos, hortas e jardins.
Coleta do biofertilizante
A caixa inferior, que não possui furos, recebe o líquido formado durante a compostagem. Depois de diluído em água conforme as orientações do programa, o biofertilizante pode ser aplicado nas plantas.
Como é o kit
O conjunto fornecido pelo Minhoca na Cabeça possui quatro caixas plásticas, insumos para iniciar o processo e minhocas californianas. O tamanho permite a instalação em casas ou apartamentos.



