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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

APRENDA EM 04 PASSOS A PODAR SEU PÉ DE UVA E TER BELOS CACHOS


A VIDEIRA

O pé de uva é chamado de videira, parreira ou vinha. No Brasil, são várias as espécies cultivadas que podem ser consumidas in natura (consumo natural das bagas) ou na confecção de vinhos secos e suaves. Para o consumo natural, a uva mais cultivada é a espécie Vitis labrusca, seu nome popular é Niagara rosada e Niagara branca. A Niagara Rosada é aquela uva comercializada, normalmente, na beira de estrada. Outras uvas cultivadas em casa são a Bordô, a Concord e a Itália.

Benefícios do consumo da uva

As uvas possuem diversas propriedades benéficas à saúde. Elas protegem o sistema circulatório e o coração; têm propriedades antioxidantes, o que significa que impedem a ação de radicais livres no organismo; apresentam características antiinflamatórias; inibem a aglomeração das plaquetas sangüíneas, reduzindo os riscos de ocorrência de infartos e derrames; além de impedir alguns processos desencadeadores do câncer. A fruta ainda é boa fonte de vitamina C e complexo B, rica em minerais como magnésio, enxofre, ferro, cálcio e fósforo, indispensáveis a uma boa saúde.
beneficios uva
Fonte da Foto: gardener.blogg.se

Efeito ornamental da videira

Muito valorizadas por seus frutos que há milênios oferecem alimento e vinho ao homem, as videiras também podem ter uso ornamental e serem bem aproveitadas em jardins domésticos. Ao serem mantidas sobre caramanchões ou pergolados, essas trepadeiras podem adicionar altura em projetos de paisagismo e ainda prover sombra no verão. Além disso, dependendo da espécie escolhida e das condições de plantio, as parreiras de uvas podem gerar deliciosos frutos. Se o objetivo é somente produzir sombra, o melhor são as plantas que comercialmente são utilizadas como porta enxertos. Entre as variedades indicadas para regiões tropicais estão a IAC 572 Jales, a IAC 313 Tropical e a IAC 766 Campinas. Para regiões mais frias, as variedades mais apropriadas são a Paulsen 1103, a SO4, Solferino e a Kober 5BB.
uva ornamental
Fonte da foto: zielonyfront.pl

Condução da videira

Por ser trepadeira, a cultura precisa de suporte para a sustentação dos ramos. A latada ou pérgola é formada por malhas suspensas a cerca de dois metros do chão. As plantas são, assim, conduzidas na horizontal, o que permite um melhor desenvolvimento foliar, maior formação de sombras e alta produção de frutos.
uva pergola
Fonte da foto: florafind.mainegardens.org

Poda de produção da videira

A poda é uma técnica usada para estimular a planta a produzir novas brotações a partir de gemas dormentes. A videira inicia sua produção após 3 anos de plantio. Nestes primeiros 3 anos ela desenvolve raízes para absorção de nutrientes e ramos vegetativos que irão sustentar os cachos produzidos. Após 3 anos de cultivo ela têm condições nutricionais para iniciar a sua produção, produzindo poucos cachos. Com o passar dos anos, essa produção aumenta até estabilizar na fase adulta da planta. Porém, se, após o início da produção não for feita a poda, a planta tende a produzir cada vez menos cachos. Isso ocorre pelo fato da planta produzir cachos apenas em ramos novos.
produção uva
Fonte da foto: sagebud.com

Passo 01 - Desenvolvimento da videira

Para a videira produzir cachos é importante que seja feita uma boa adubação nutricional. Para o plantio da muda da videira deve-se fazer a cova 3 vezes maior o torrão da muda, encher a cova com um condicionador de solo "Classe A" misturado a 300 gramas do NPK formulação 04-14-08, plantar a muda sem desfazer o torrão, apertar em volta para que ela fique fixa e molhar em seguida. Após o plantio, deve-se iniciar a adubação foliar utilizando um fertilizante para o enraizamento e intercalar com uma formulação para o crescimento, ou seja, aplica-se, com um pulverizador nas folhas da videira, 1 vez por semana a formulação de enraizamento e na semana seguinte a formulação de crescimento. Este tratamento visa acelerar o crescimento da videira. Durante a época das chuvas, deve-se aplicar ao redor do pé da videira cerca de 100 gramas do NPK formulação 20-05-20 para o crescimento e desenvolvimento da planta. Após essa aplicação de NPK, a adubação foliar pode ser resumida apenas ao fertilizante de crescimento aplicado 1 vez a cada 15 dias.
plantio uva
Fonte da Foto: www.alltomtradgard.se

Passo 02 - Poda de produção

Após 3 anos de crescimento a videira está apta à produção. A poda deve ser feita no período de dormência da planta, final do inverno ou início da primavera. Para identificação desse período, a videira deverá estar quase sem folhas. Deve-se contar 12 gemas a partir do enxerto e podar em forma de bisel com uma tesoura de poda afiada e esterilizada em fogo brando. No corte você deve polvilhar canela em pó (a mesma utilizada no arroz doce) para a cicatrização e impedimento da entrada de pragas e doenças. Plantas mais velhas e já estruturadas no pergolado seguem o mesmo princípio. A contagem das gemas deve ser feita sob o pergolado, para não desestruturar a planta durante o desenvolvimento dos ramos de produção.
poda pergola
Fonte da foto: davethegardenguy.typepad.com

Passo 03 - Poda de manutenção e limpeza

É importante podar os ramos que crescem no porta enxerto, das raízes e na base o solo. Estes ramos "roubam" a energia que o ramo principal utilizaria para o seu crescimento e a produção dos cachos. Deve-se deixar apenas o caule principal. Deve-se podar também galhos secos e aqueles que crescem fora da estrutura principal do pergolado. É importante manter a linha de crescimento e estruturação do pergolado.
poda uva
Fonte da foto: napaprivatetours.com

Passo 04 - Adubação de produção

Todo ano, após a poda produção, deve ser feito uma adubação de produção, ou seja, é preciso dar nutrientes para que a videira produza mais cachos. Essa adubação deve ser feita utilizando-se o NPK granulado formulação 20-05-20 no pé da planta. Deve-se espalhar 300 gramas no pé da planta no 1º ano de produção ou 3º ano de vida; 400 gramas no 2º ano de produção; 500 gramas no 3º ano e assim, suscesssivamente, até estabilizar no 10º ano com 1 Kg do NPK. É importante que o produto seja muito bem espalhado sobre o solo para que no momento da sua diluição em água, uma maior gama de raízes absorva os nutrientes.
adubação uva
Fonte da foto: www.appeltern.nl

NUNCA MAIS ERRE! O segredo da poda certa pra sua videira produzir muito!

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A melhor época de plantar amendoim forragéiro

 


Fonte: site safra viva

O amendoim forrageiro (Arachis pintoi e Arachis repens) é uma leguminosa perene de crescimento rasteiro, nativa do nosso Brasil.

Como se pode imaginar, esta plantinha poderosa é parente do amendoim, comumente conhecida como amendoim bravo ou grama amendoim.

Sim, esta é aquela “graminha” florida que deixa qualquer gramado mais bonito e atraente.

Só que o seu valor é muito maior que o ornamental: o amendoim forrageiro é excelente solução para fixar nitrogênio em solos pobres, sendo usada como adubação verde.

Além disso, é claro, o amendoim forrageiro é fonte de alimento para o gado, com alto valor nutritivo e baixo custo.

Acompanhe o passo a passo para o plantio que preparamos para você:

1. Atente-se às condições climáticas

O amendoim forrageiro gosta de sol e água, mas a boa notícia é que esta espécie tem demonstrado ampla adaptação a diferentes condições de clima e solo, sendo cultivada do sul do país até a Amazônia.

Mas então quando plantar amendoim forrageiro? Escolha realizar o plantio entre os meses de setembro e março, isto é, durante o período chuvoso.

2. Prepare bem o solo

O amendoim forrageiro é pouco exigente quanto à fertilidade do solo. 

Desenvolve-se bem em solos sujeitos a encharcamento, como os de várzeas, mas também se adapta a solos bem drenados e com maiores períodos de déficit hídrico.

A adubação e a calagem (se necessário for) depende primeiramente da análise de solo. Saiba aqui como coletar amostras de solo e garantir análises mais precisas

Se você vai fazer o plantio em novas áreas, prepare o solo de maneira completa, ou seja, fazendo aração e gradagem.

Isso é importante para oferecer maior contato entre a semente e o solo e também controlar as espécies de invasoras presentes.

consórcio gramínea e leguminosa
Consórcio de amendoim forrageiro com capim xaraés. — Foto: Judson Ferreira Valentim/ Embrapa

3. Coloque a mão na massa: como plantar amendoim forrageiro

A propagação do amendoim forrageiro pode ser feita de duas maneiras: por sementes e por estolões, que são as ramificações espontâneas da planta.

Se optar por sementes, saiba que você vai precisar de 10 a 12 kg por hectare.

E aqui vai uma dica: no caso de plantio com máquina plantadeira, aproveite para misturar as sementes com uma parte do superfosfato simples recomendado na análise do solo.

Já o plantio por estolões deve ser feito com segmentos de ramos com cerca de 20 cm de comprimento.

Para o plantio em sulcos, utilize 5 a 8 cm de profundidade, com espaçamento entre eles de 1 metro.

Para o plantio em covas, adote a  profundidade de 5 a 10 cm e a largura de 15 a 20 cm, abertas com um espaçamento de aproximadamente 1,0 m entre linhas e 0,5 m entre covas.

Posicione as mudas no sulco ou na cova de modo a enterrar apenas ¾ delas.

Plantio em pastagens já estabelecidas

Para o plantio em pastagens já estabelecidas com forrageiras gramíneas, faça o rebaixamento do pasto por meio do pastejo ou pelo roço.

Em seguida, com a ajuda de um enxadão, espeque de madeira ou terçado, abra covas no solo descoberto, entre as touceiras do capim.

Depois, pegue um pedaço de estolão da leguminosa, com aproximadamente 20 cm  de comprimento e insira na cova, compactando o solo com o pé.

Por fim, vede o pasto por cerca de 30 dias.

4. Realize o manejo

Depois da germinação das forrageiras, em caso de consórcio, você vai precisar fazer  um manejo de formação por meio de um pastejo leve, com o objetivo de uniformizar a área, favorecer o perfilhamento da gramínea e, com o maior consumo desta, garantir o estabelecimento da leguminosa. 

Portanto, faça o primeiro pastejo de 2 a 3 meses após o plantio do amendoim forrageiro, para reduzir a concorrência da gramínea e favorecer o estabelecimento da leguminosa.

Sendo assim, o pastejo pode ser de um ou dois dias, com alta carga animal.

No manejo, cada detalhe conta : Confira clicando aqui técnicas de adubação eficientes

5. Capriche na adubação

Capriche na adubação de cobertura, especialmente no início da brotação, pois os nutrientes que as plantas recebem nesses momentos fazem toda a diferença na energia que elas serão capazes de dar ao gado.

Com esse propósito, os bioestimuladores têm papel fundamental na aceleração da brotação, o que vai reduzir o ciclo da planta, refletindo-se em maior produtividade em menos tempo. Isso é o que garante o sucesso em toda a cadeia produtiva. Para garantir a adubação correta, comece com uma amostragem gratuita de solo profissional.

amendoim forrageiro brs oquira
Amendoim forrageiro BRS Oquira. — Foto: Giselle Mariano Lessa de Assis/ Embrapa

As nossas dicas fizeram sentido para você?  Ficou com alguma dúvida? Vamos fazer, juntos, um cultivo de sucesso!

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Reciclando seu lixo e Instalando seu minhocário - passo a passo

Bom dia !
Levantamentos mostram que o Brasil produz cerca de 241.614 toneladas de lixo/dia, onde 60% são resíduos orgânicos. Em média, cada um de nós geramos 5 kg de resíduos sólidos por semana, sendo 3kg formado por resíduos orgânicos. Para se ter uma idéia, numa cidade de 50 mil habitantes teríamos 150 toneladas de resíduos orgânicos por semana, que poderiam ser transformados em adubo para as plantas. Mas muito pouco ainda é destinado para esse fim.

 O nosso lixo tem muito valor, mas precisamos transforma-lo em adubo orgânico de ótima qualidade. O processo é simples veja abaixo:

ATENÇÃO NO PRIMEIRO CICLO DE COMPOSTAGEM: A segunda caixa coletora deve ser colocada apenas quando a primeira estiver cheia.

Os passos 1 a 5 representam o primeiro ciclo do processo e os passos de 6 a 9 representam a manutenção periódica do seu Minhokas.



Passos 1 a 5 - INSTALAÇÃO



1. A caixa sem furos que e que contém a torneira deve ser posicionada abaixo das demais. Esta é a caixa coletora de chorume. O líquido produzido nas caixas furadas (digestoras) tem o nome de chorume vai para esta caixa. Coloque a caixa coletora no local que você escolheu para o seu minhocário.

2. As caixas furadas são as caixas digestoras, é nelas que o seu lixo será processado pelas minhocas. Encaixe a primeira caixa digestora por cima da caixa coletora.


3. Coloque um pouco de composto (aproximadamente 3cm) e as minhocas na primeira caixa digestora que você acabou de encaixar sobre a coletora.


4. Tampe e utilize a primeira caixa digestora como lixeira normalmente seguindo as instruções no capítulo de utilização até que esta caixa esteja cheia.


5. Quando a primeira caixa digestora estiver cheia, coloque a segunda caixa digestora por cima dela, passe a tampa para cima e passe a utilizar a segunda caixa digestora como lixeira enquanto as minhocas processam o lixo na primeira caixa digestora que ficou no meio.


Passos 6 a 9 - PROCEDIMENTO DE TROCA DE CAIXAS

6. Quando a caixa digestora de cima estiver cheia, troque-a de posição com a caixa digestora do meio que contém o composto produzido pelas minhocas enquanto você utilizava a caixa digestora de cima como sua lixeira orgânica.

7. Agora a caixa que está por cima contém minhocas e composto. As minhocas devem descer naturalmente pelos buracos se você deixar entrar luz por alguns instantes. Você pode retirar o composto da digestora superior ou deixá-lo. Você deve deixar um pouco de composto para facilitar o início de um novo processo de decomposição.

8. Passe a utilizar a caixa digestora que estiver por cima como lixeira normalmente seguindo as instruções no capítulo de utilização até que esta caixa esteja cheia.

9. Repita os passos de 6 a 9.

fonte: http://www.minhokas.com.br/instalacao/1-instalando-seu-minhokas-passo-a-passo

Assista um vídeo bem instrutivo

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Mirtilo, uma grande opção para os pequenos agricultores.


O mirtilo é nativo da América do Norte: Estados Unidos e Canadá, onde é denominado blueberry, também, onde se produz e consome 90% do mirtilo do mundo. No final da década passada uma série de estudos realizados por universidades norte americanas colocam essa fruta como a de maior poder antioxidante associado a isto uma série de propriedades nutracêuticas. A partir daí seu consumo como fruta fresca tem aumentado em todo o mundo. Esse cenário tem levado o mercado norte americano oferecer frutas frescas aos consumidores durante todo ano. Por ser uma fruta de curta vida de conservação a alternativa de ofertar ao mercado todo o ano é importar fruta do hemisfério sul. O Chile tem sido o principal produtor, com uma área superior a 2.000ha de cultivo, atingindo um volume de exportação de fruta fresca em torno de 6.000 toneladas. Mais recentemente, a Argentina e o Uruguai, também se inseriram como produtores e exportadores de mirtilo, com uma área em torno de 1.500ha e 500ha respectivamente, com plantios crescentes a cada ano. Nesses países predominam os plantios dos grupos highbush e southern highbush Na Europa o consumo de mirtilo tem crescido muito. O crescimento da produção é limitado pelo clima e pela escassa e cara mão de obra dos países europeus. Existe uma grande demanda pelo mirtilo e outras pequenas frutas por países europeus.


No Brasil, estima-se uma a área de cultivo de mirtilo ao redor de 100 ha, sendo 30 ha em Vacaria ( predominando highbush), 20 ha na região de Caxias do Sul (predominando rabitteye) e 10 ha na região de Pelotas (predominando rabitteye). O restante da área de cultivo está disperso em pequenos pomares em outros municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.



Comercialização

O mirtilo, nos últimos anos, tem ganhado as prateleiras dos supermercados nos mais diversos produtos industrializados, o que tem aumentado a demanda pela fruta congelada. Mas, a maior parte da produção é comercializada na forma de fruta “in natura”. O apelo nutricional e terapêutico (nutraceutico), destacando o mirtilo e as frutas vermelhas como alimentos funcionais, capaz de prevenir e controlar determinadas doenças, tem atraído as pessoas para o consumo dessas frutas. A fruta produzida para o mercado “in natura” e congelada no Brasil, tem como principal produtor o município de Vacaria. Essa produção tem sido exportada em pequenos volumes para países europeus. Sabe-se também, que existe a importação de determinados volumes, principalmente de fruta congelada para processamento industrial. Na região da Serra Gaúcha e Serra da Mantiqueira, nos estados de São Paulo e Minas Gerais existem pequenos cultivos para atender a demanda de fruta fresca nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.

Não se encontram muitos dados sobre a produção, consumo e comercialização de mirtilo no Brasil, nem mesmo sobre volumes importados e exportados. No entanto, percebe-se, que a oferta no Brasil parece ser menor que a demanda, e os preços são compensadores aos produtores. Na região de Vacaria e na Serra Gaúcha, pequenos produtores, recebem em torno de R$ 10,00 a R$15,00 pelo quilo da fruta fresca, podendo chegar a R$ 20,00/quilo, quando vendida sem intermediação.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Os efeitos do #biofertilizante no controle de pragas e doenças

Os efeitos do biofertilizante no controle de pragas e doenças de plantas têm sido bem evidenciados. Efeitos fungistático, bacteriostático e repelente sobre insetos já foram constatados. Santos e Sampaio (1993)verificaram uma propriedade coloidal do biofertilizante que provoca a aderência do inseto sobre a superfície do tecido vegetal. Os autores destacaram também o efeito repelente e deterrente de alimentação contra pulgões e mosca-das-frutas. Medeiros et al. (2000b) verificaram que o biofertilizante a base de conteúdo de
rúmen bovino e composto orgânico Microgeo reduziram a fecundidade, período de oviposição e longevidade de fêmeas do ácaro-da-leprose dos citros, Brevipalpus phoenicis, quando pulverizado em diferentes concentrações.

O estudo comprovou que o biofertilizante agiu por contato direto e residual e também funcionou de forma sistêmica na planta. Esses mesmos autores comprovaram que este biofertilizante agiu sinergicamente com Bacillus thuringiensis e o fungo B. bassiana, reduzindo a viabilidade dos ovos e sobrevivência de larvas do bicho-furão-dos-citros (Ecdytolopha aurantiana A ação antibiótica e indução de resistência sistêmica da planta são provavelmente os principais mecanismos de ação do biofertilizante sobre a praga (D´ANDRÉA; MEDEIROS,2002).

Os fenômenos podem estar diretamente associados à complexa e pouco conhecida composição química e biológica dos biofertilizantes. Um composto coloidal, de consistência mucilaginosa (goma) e de composição ainda não conhecida, foi observado por Medeiros (2000b), causando a  imobilização e morte do ácaro B.phoenicis sobre a folha devido à obstrução de seu sistema digestivo.
 
O que são biofertilizantes líquidos?

Os biofertilizantes possuem compostos bioativos, resultantes da biodigestão de compostos orgânicos de origem animal e vegetal. Em seu conteúdo são encontradas células vivas ou latentes de microrganismos de metabolismo aeróbico, anaeróbico e fermentação (bactérias, leveduras, algas e fungos filamentosos) também metabólitos e quelatos organominerais em solutos aquoso.

Segundo Santos e Akiba (1996), os metabólitos são compostos de proteínas, enzimas, antibióticos, vitaminas, toxinas, fenóis, ésteres e ácidos, inclusive de ação fito-hormonal produzidos e liberados pelos microrganismos. As modificações genéticas pelas quais as plantas cultivadas e os animais passaram, permitiram adaptações em diferentes ambientes.

Embora os avanços científicos e tecnológicos tenham permitido enormes progressos, o desenvolvimento da atividade agrícola, pela própria natureza, perturba de alguma forma o meio ambiente em relação à sua situação natural. São exemplos, os problemas graves de deterioração dos solos, e a grande multiplicação de “pragas e doenças” agrícolas.

Surgem nos diversos setores sociais discussões em torno da “agricultura sustentável”. Nesta, o conceito de sustentabilidade  não pode ter o aspecto estático, comumente implícito no tempo, pelos quais os sistemas agrícolas são considerados sustentáveis quando a produção é pensada como fator isolado. Um conceito dinâmico é mais apropriado e atende a evolução e ao desenvolvimento da sociedade. Muitas práticas agrícolas podem ter sido denominadas sustentáveis no passado, ou mesmo no presente, segundo as condições socioeconômicas, edafoclimáticas e demais características locais. Num conceito dinâmico, a sustentabilidade deve levar em conta as mudanças temporais nas necessidades humanas, especialmente relacionadas a uma população crescente, bem como uma adequada percepção da relação ambiental com a agricultura, salienta Paterniani (2001).

Surge então a necessidade de promover estilos alternativos de agricultura ou a implementação de técnicas dentro dos sistemas já existentes, no sentido de garantir a viabilidade agrícola sob seus diversos aspectos. Frente a essa problemática, apresentam-se neste trabalho, algumas considerações sobre o uso de biofertilizantes líquidos na agricultura,que vem mostrando bons resultados em algumas formulações já testadas e que podem ser aplicadas de forma alternativa na proteção de plantas. Essa estratégia é indicada principalmente para as pequenas propriedades, onde os recursos financeiros e tecnológicos são escassos, aproveitando-se subprodutos da agropecuária que muitas vezes são descartados.

fonte :Biofertilizantes líquidos e sustentabilidade agrícola
Marcos Barros de Medeiros*
Juliano da Silva Lopes**

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Um dos livros que marcaram o século XX - Primavera Silenciosa

  Ao ser introduzido para uso no combate a pragas, o DDT — o mais poderoso pesticida que o mundo já conhecera — terminou por mostrar que a natureza é vulnerável à intervenção humana. A maior parte dos pesticidas é efetiva contra um ou outro tipo de insetos, mas o DDT era capaz de destruir de imediato centenas de espécies diferentes de insetos. O DDT, cujo inventor recebeu o Prêmio Nobel, tornou-se conhecido durante a II Guerra Mundial, quando foi usado pelas tropas americanas contra insetos causadores da malária. Ao mesmo tempo, na Europa, começou a ser usado sob a forma de pó, eficiente contra pulgas e outros pequenos insetos.


No livro Silent Spring (A Primavera Silenciosa), lançado em 1962, Rachel Carson mostrou como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem (chegou a ser detectada a presença de DDT até no leite humano!), com o risco de causar câncer e dano genético.

A grande polêmica movida pelo instigante e provocativo livro é que não só ele expunha os perigos do DDT, mas questionava de forma eloqüente a confiança cega da humanidade no progresso tecnológico. Dessa forma, o livro ajudou a abrir espaço para o movimento ambientalista que se seguiu. Juntamente com o biólogo René Dubos, Rachel Carson foi uma das pioneiras da conscientização de que os homens e os animais estão em interação constante com o meio em que vivem.


Quando o DDT se tornou disponível para uso também por civis, poucas pessoas desconfiavam do miraculoso produto, talvez apenas aquelas que eram ligadas a temas da natureza. Uma dessas pessoas foi o escritor E. W. Teale, que advertia: "Um spray que atua de forma tão indiscriminada como o DDT, pode perturbar a economia da natureza tanto quanto uma revolução perturba a economia social. Noventa por cento dos insetos são benéficos e, se são eliminados, as coisas em pouco tempo fogem do controle."

Outra dessas pessoas foi Rachel Carson, que propôs um artigo para o Reader's Digest falando sobre a série de testes que estavam sendo feitos com o DDT próximo a onde ela vivia, em Maryland. A idéia foi rejeitada.

Treze anos mais tarde, em 1958, a idéia de Rachel de escrever sobre os perigos do DDT, teve um novo alento, quando ela soube da grande mortandade de pássaros em Cape Cod, causada pelas pulverizações de DDT. Porém seu uso tinha aumentado tanto desde 1945, que Rachel não conseguiu convencer nenhuma revista a publicar sua opinião sobre os efeitos adversos do DDT. Ainda que Rachel já fosse uma pesquisadora e escritora reconhecida, sua visão do assunto soava como uma heresia.


Então, ela decidiu abordar o assunto em um livro.

A Primavera Silenciosa levou quatro anos para ser terminado. Além da penetração do DDT na cadeia alimentar, e de seu acúmulo nos tecidos dos animais e do homem, Rachel mostrou que uma única aplicação de DDT em uma lavoura matava insetos durante semanas e meses e, não só atingia as pragas, mas um número incontável de outras espécies, permanecendo tóxico no ambiente mesmo com sua diluição pela chuva.

Rachel concluía que o DDT e outros pesticidas prejudicavam irremediavelmente os pássaros e outros animais, e deixavam contaminado todo o suprimento mundial de alimentos. O mais contundente capítulo do livro, intitulado "uma fábula para o amanhã", descrevia uma cidade americana anônima na qual toda vida — desde os peixes, os pássaros, até as crianças — tinham sido silenciadas pelos efeitos insidiosos do DDT.

O livro causou alarme entre os leitores americanos. Como era de se esperar, provocou a indignação da indústria de pesticidas. Reações extremadas chegaram a questionar a integridade, e até a sanidade, de Rachel Carson.

Porém, além de ela estar cuidadosamente munida de evidências a seu favor, cientistas eminentes vieram em sua defesa e quando o Presidente John Kennedy ordenou ao comitê científico de seu governo que investigasse as questões levantadas pelo livro, os relatórios apresentados foram favoráveis ao livro e à autora. Como resultado, o governo passou a supervisionar o uso do DDT e este terminou sendo banido.

A visão sobre o uso de pesticidas foi ampliada e a conscientização do público e dos usuários começou a acontecer. Logo, já não se perguntava mais "será que os pesticidas podem ser realmente perigosos?", mas sim "quais pesticidas são perigosos?"

Então, em vez dos defensores da natureza terem de provar que os produtos eram prejudiciais, foram os fabricantes que passaram a ter a obrigação de provar que seus produtos são seguros.

A maior contribuição de A Primavera Silenciosa foi a conscientização pública de que a natureza é vulnerável à intervenção humana. Poucas pessoas até então se preocupavam com problemas de conservação, a maior parte pouco se importava se algumas ou muitas espécies estavam sendo extintas. Mas o alerta de Rachel Carson era assustador demais para ser ignorado: a contaminação de alimentos, os riscos de câncer, de alteração genética, a morte de espécies inteiras... Pela primeira vez, a necessidade de regulamentar a produção industrial de modo a proteger o meio ambiente se tornou aceita.

Fonte: www.geocities.com


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Receitas de Inseticidas, Fungicidas e Repelentes para Hortas Agroecológicas

Fonte: site semear e plantar

Inseticida, fungicida, repelente biologico

Vamos ver algumas receitas para fazer inseticidas, fungicidas e repelentes para pragas comuns em hortas biológicas.

1 – Inseticidade de Alho

Rale 10 dentes de alho com a varinha mágica, adicione 2 litros de água, mexa a mistura e deixe repousar por 24 horas. Após as 24 horas coe os 2 litros de preparado, misture com mais 5 litros de água e pulverize de imediato as plantas. Recomenda-se que faça uma pulverização por semana em dias secos e até 3 em dias de chuva.

Ps. Um dos mais fortes inseticias, fungicidas e repelentes naturais. Serve para repelir pulgões, borboleta da couve, afideos, mosca branca e cicadelas.


2 – Chorume de Urtigas

Vai precisar de 1kg de urtigas frescas sem flôr, 10 litros de água e um recipiente onde possa misturar ambos. Coloque a água e as urtigas dentro de recipiente, mexa bem mexida a mistura, tape o recipiente e deixe repousar. Ao final de alguns dias devem aparecer algumas borbulhas no topo da misturar, essas borbulhas são sinal de que a fermentação está em curso. Quando deixar de ver essas borbulhas é sinal que o chorume de urtigas está pronto.
Retire as urtigas, coe o liquido resultante da fermentação e guarde num local fresco e limpo.

  • Para repelir os pulgões das suas plantas, dilua 1 litro de chrume de urtiga em 10 litros de água e pulverize as plantas. Lembre-se que prevenir é o melhor remédio! Portanto pulverize as suas plantas semanalmente com este repelente mesmo antes das pragas atacar a sua horta biológica.
  • Para utilizar como adubo liquido natural, dilua 3 litros de chrome em 10 litros de água e regue as plantas.


3 – Cebola
A cebola é um excelente de todo o tipo de insectos.
Corte uma cebola às rodelas, junte um pouco de água e rele no liquidificador ou com varinha mágica, filtre a mistura, junte dois litros de água e borrife as plantas com o preparado.


4 – Hortelã
O chã de hortelã tem se mostrado um excelente repelente de insectos.
Coloque água a ferver e junte folhas de hortelã quanto baste, deixe ferver por 3 minutos, deixe arrefecer, coe e aplique de imediato depois de frio.


5 – Vinagre com Oregãos
Ferva o vinagre com oregãos durante três minutos como de estivesse a fazer um chã, deixe a arrefecer, coe e aplique nas folhas e caules das plantas, serve para repelir formigas, alguns insetos e lagartas.


6 – Tomateiro
Chã de folha de tomateiro tem ação inseticida contra pulgões. Ferva algumas folhas e pedacinhos de caule em 2 litros de água, deixe arrefecer e aplique de imediato nas plantas a tratar.


7 – Chã de Cavalinha
O chã de cavalinha é bom para afugentar insetos nocivos à sua horta.
Vai precisar de 10 gr de cavalinha seca ou 30 gr de cavalinha verde.
Ferva as folhas de cavalinha em 1 litro de água por 25 minutos. Dissolva a calda resultante em 9 litros de água.
Deixe arrefecer e aplique nas plantas com um pulverizador.



8 – Inseticida de Leite
O leite é tembém ele um excelente inteticida e fungicida para a sua horta. Use uma porção de leite para dez de água. Num recipiente, misture 1 litro de leite e 10 de água, mexa bem a mistura e borrife as plantas a tratar.
  9 – Quadrados de papel ou plástico amarelo garrido
Já é sabido que muitos insetos se sentem atraídos pelo amarelo. Para evitar pragas como a mosca branca e outros insetos nocivos para a suas plantas, coloque quadrados  grandes de papel ou plástico amarelos untados com mel (ou outra substância pegajosa) espalhados pela sua horta.
amarelo mosca branca


10 – Cinzas
Espalhe cinzas de madeira pelo meio das suas plantas para evitar lesmas e caracóis. Além disso, as cinzas são um excelente fertilizante para as suas plantas.



11 – Casca de Ovo
As cascas de ovo bem trituras e colocadas junto aos pés das plantas, evita que lesmas e caracóis subam pelo pé e danifiquem a planta.


12 – Ervas aromáticas
Plantar ervas aromáticas pelos canteiros da sua horta, vai ajudar a repelir vários insetos nocivos. A hortelã, deverá ser presença obrigatória na sua horta.


13 – Sabão de potassa
Vai precisar de 10 l de água, 200 gr de sabão de potassa ou sabão azul, 100 ml de óleo vegetal (óleo Fula, de girassol, de milho etc)

Em aproximadamente 5 l de água misturar 200 gr de sabão de potassa (se utilizar sabão sólido, diluir em água morna mexendo com frequência até completa diluição), misturar os 100 ml de óleo lentamente ir mexendo sempre. Para finalizar junte os outros 5 litros de água para terminar a calda.
Deixe arrefecer e pulverize as plantas de preferência de manhã.

PORQUE ANALISAR O SOLO???







Determinar o ph do solo e conhecer as quantidades necessárias de nutrientes a serem absorvidos é um fator importante para o aumento da produtividade na lavoura. Através da análise, pode-se qualificar e quantificar o tipo de calcário a ser utilizado na calagem, conseqüentemente, aumentando a eficiência da adubação e ao mesmo tempo corrigindo a acidez do solo.
Usado de forma correta, a aplicação de calcário permite a maximização dos efeitos do fertilizante, tornando o solo mais produtível além de melhorar o custo beneficio na lavoura.
Em resumo, o processo é simples e acessível, se feito de forma eficiente. O primeiro passo é providenciar a análise do solo, seguida da aplicação de calcário, e depois o uso do fertilizante. Em alguns meses, após o plantio, o resultado pode ser uma colheita farta e lucrativa.

Para coletar uma analise de solo siga as instruções abaixo:



PORQUE ANALISAR O SOLO

A análise do solo é o melhor meio para avaliar a fertilidade do solo. Com base nos resultados das análises é possível determinar as doses adequadas de calcário e adubo para garantir maior produtividade e lucratividade para a sua lavoura.
Para obter bons resultados com a análise é muito importante retirar as amostras corretamente. Siga as instruções e veja como é fácil.

ESCOLHA DAS GLEBAS PARA AMOSTRAGEM

Divida sua propriedade em glebas homogêneas, nunca superiores a 20 hectares, e amostre cada área isoladamente. Separe as glebas com a mesma posição topográfica (solos de morro, meia encosta, baixada, etc.), cor do solo, textura (solos argilosos, arenosos), cultura ou vegetação anterior (pastagem, café, milho, etc.), adubação e calagem anteriores. Em culturas perenes, leve em conta também a idade e variedade das plantas. Áreas com uma mesma cultura, mas com produtividades muito diferentes, devem ser amostradas separadamente. Identifique essas glebas de maneira definitiva, fazendo um mapa para o acompanhamento da fertilidade do solo com o passar dos anos. A retirada das amostras deve ser em caminhamento em zig-zag.

QUAL FERRAMENTA USAR

A coleta das amostras pode ser feita com um enxadão ou com trados. O trado torna a operação mais fácil e rápida.
Além disso, ele permite a retirada da amostra na profundidade correta e da mesma quantidade de terra de todos os pontos amostrados.




COMO COLETAR AS AMOSTRAS

De cada gleba devem ser retiradas diversas subamostras, para se obter uma média da área amostrada. Para isso percorra a área escolhida em ziguezague e colete 20 subamostras por gleba homogênea. Em cada ponto, retire com o pé detritos e restos de cultura. Evite pontos próximos a cupins, formigueiros, casas, estradas, currais, estrume de animais, depósitos de adubo, calcário ou manchas de solo. Introduza o trado no solo até a profundidade de 20 cm.
A terra coletada representa uma porção de solo na profundidade de 0-20cm.
Raspe a terra da lateral do trado, aproveitando apenas a porção central.
Em áreas cultivadas em sistema de plantio direto há vários anos, é interessante a amostragem na camada de 0 a 10cm, para monitorar o acúmulo de nutrientes na superfície do solo. Entretanto, as recomendações de adubação baseadas apenas na profundidade de 0 a 10 cm, podem subestimar a necessidade de nutrientes para as culturas. As pesquisas sobre o assunto ainda não são conclusivas.
Transfira a terra do trado para um balde ou outro recipiente limpo. Repita a tradagem do mesmo modo em cada um dos 20
pontos. Quebre os torrões de terra dentro do balde, retire pedras, gravetos ou outros resíduos e misture muito bem. Essa mistura de subamostras retiradas de vários pontos de uma gleba homogênea é chamada de amostra composta.

ATENÇÃO: todas as ferramentas e recipientes usados para a amostragem e embalagem da terra devem estar limpos e, principalmente, não devem conter resíduos de calcário ou fertilizantes.
Para amostras nas quais pretende-se também analisar micronutrientes, use trado de aço e evite baldes de metal galvanizado.
Retire cerca de 300g de terra do balde e transfira para um saco de plástico limpo apropriado. Essa porção de terra (amostra composta) será enviada ao laboratório. Jogue fora o resto da terra do balde e recomece a amostragem em outra área.

AMOSTRA A SER ENVIADA AO LABORATÓRIO

Identifique a amostra de solo com o seu nome, propriedade, gleba amostrada e data. Anote em um caderno, junto com um mapa da propriedade, o número de cada amostra e o local de onde foi retirada. Essas anotações são importantes para identificar o local para aplicações de calcário e fertilizantes. Além disso, facilitam o acompanhamento da evolução da fertilidade do solo de um ano para outro.

FREQÜÊNCIA DE AMOSTRAGEM
O solo deve ser analisado pelo menos a cada 2 ou 3 anos ou com maior freqüência em solos com problemas de fertilidade ou intensamente cultivados.

http://www.calcariosolofertil.com.br/index.php/representantes/analise-de-solo

sábado, 4 de julho de 2026

Biofertilizante líquido ou adubo foliar


O biofertilizante, empregado apenas como adubo orgânico com excelentes resultados, é um efluente pastoso, resultante da fermentação da matéria orgânica, por um determinado tempo, na ausência total de oxigênio. 

Mas, a partir de 1985, técnicos da EMATER-RIO começaram a observar os efeitos do biofertilizante liquído diluído em água, percebendo redução do ataque de pragas e doenças. Os efeitos foram:
- nutricional, com aumento da produtividade;
- fito-hormonal,induz floração e facilita o enraizamento de estacas;
- nematicida, controla larvas e nematóides quando aplicado puro sobre o solo;
- fungistático e bacteriostático, reduzem o ataque de fungos e bactérias;
- inseticida e repelente, mata insetos de "corpo mole" (formas larvais e jovens), como lagartas, e repele os ditos de "corpo duro" (insetos adultos alados).

Todas as ações ocorrem sem haver desequilíbrios, pois o biofertilizante é constituídosimplesmente por macro, meso e microelementos e aminoácidos úteis ao desenvolvimento do vegetal. Não é recomendado pulverizar durante a floração, para não haver prejuízos à polinização.Para produzir o biofertilizante, a EMATER-RIO recomenda uma bombona plástica com esterco bovino misturado em partes iguais com água
pura, não-clorada, deixando-se um espaço vazio de 15 a 20 cm no seu interior. Esta bombona é hermeticamente fechada, tendo adaptada, em uma de suas tampas, uma mangueira plástica fina, que tem a outra extremidade mergulhada em uma garrafa cheia de água.


Tudo isto serve para garantir a anaerobiose necessária ao processo de fermentação, a qual dura 30 dias. O material a ser empregado é coado em peneira e, posteriormente, filtrado em pano fino. O tempo de utilização do biofertilizante é reduzido, devendo ser usado imediatamente ou, no máximo, em uma semana, para que não perca o efeito fitosanitário. Caso não possa ser utilizado, ele deve voltar ao sistema anaeróbico, ficando por mais 30 dias. Neste caso, só terá efeito hormonal e nutricional.

A aplicação do biofertilizante é feita com os pulverizadores normalmente utilizadosnas lavouras. Dilui-se a 50%, isto é, colocam-se 50 litros de biofertilizante e completa-se com água para 100 litros ou proporções equivalentes. Esta concentração garante o controle dos insetos de "corpo mole",agindo como inseticida de contato, repelindo as formas adultas. Elevando-se a concentração, aumenta também o controle dos insetos em formas adultas. À medida que se diminui a concentração da calda, diminui o efeito inseticida, permanecendo o efeito repelente de insetos adultos. As pulverizações são feitas em alto volume, ou seja, as
plantas devem ser totalmente recobertas com a calda. As estacas poderão ser mergulhadas em biofertilizante
liquído puro, por 1 a10 minutos, sendo secas à sombra por cerca de duas horas e postas a enraizar em seguida. Maiores informações são apresentadas no trabalho de VAIRO DOS SANTOS (1992).

Talvez o único inconveniente do uso do biofertilizante seja a carga microbiológica, que poderia ser aumentada sobre a parte aérea das plantas, comprometendo a qualidade. No entanto, não há estudos envolvendo plantas medicinais.

fotos: Escola: Etec Antonio Junqueira da Veiga
Galeria: PREPARO DE BIOFERTILIZANTE

http://www.esalq.usp.br/siesalq/pm/p05.pdf

Amendoim Forrageiro como cobertura viva para cultivo de hortaliças





O uso de coberturas vivas formadas por gramíneas ou leguminosas aparece como uma prática agrícola promissora para o cultivo de hortaliças, pois promove grande aporte de biomassa, protege o solo de chuvas intensas, mobiliza e recicla nutrientes e favorece a atividade biológica do solo. Essa prática de cultivo mínimo favorece o controle da erosão visto que não há revolvimento do solo como acontece no preparo tradicional (canteiros) em que o solo permanece desnudo por longos períodos de tempo. Nos cultivos em cobertura viva faz-se o corte da planta, deixando a matéria verde na superfície aonde ela vai se decompor, liberando gradativamente os nutrientes e promovendo a sua ciclagem. Em áreas onde há alta infestação de ervas espontâneas persistentes como a tiririca, o cultivo de hortaliças é dificultado em sistema orgânico, visto que não se permite o uso de herbicidas sintéticos. Nesses casos, o cultivo sobre coberturas vivas facilita o controle do mato, reduzindo a necessidade de capinas.

São utilizadas coberturas vivas de diferentes espécies botânicas, porém as de maior destaque são as leguminosas, por formarem associações biológicas com bactérias fixadoras de nitrogênio. O amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krapov. & W.C. Gregory) é uma excelente alternativa para cobertura viva de solo. é uma leguminosa herbácea perene, de crescimento rasteiro, estolonífera com 20 a 40 cm de altura e facilmente adaptável a altitudes desde o nível do mar até cerca de 1.800 m.

Recomendações para o plantio da cobertura viva

O amendoim forrageiro produz pequena quantidade de sementes e de difícil extração. Desta forma, para a sua efetiva propagação recomenda-se o uso de mudas ou estolões bem desenvolvidos. O plantio deve ser feito no inicio da época chuvosa em sulcos espaçados de 30 a 50 cm (1 estolão a cada 10 ou 20cm) ou em covas (3 estolões por cova) espaçamento de 0,50 x 0,50m ambos com aproximadamente 15 cm de profundidade. Os estolões devem medir entre 20 a 30 cm e conter pelo menos 4 gemas. Em aproximadamente 6 meses tem-se a cobertura viva completamente estabelecida, cobrindo toda a superfície do solo.

A cobertura viva influencia as características químicas do solo, melhorando sua fertilidade tanto pela fixação de nitrogênio quanto pelo aumento das concentrações de alguns nutrientes (Tabela 1).

O amendoim forragero forma uma cobertura viva perene que pode ser mantida por pelo menos 5 anos na mesma área. Após este período, a cobertura deve ser renovada devido a invasão de ervas espontâneas, o que pode ser feito com mudas obtidas Do próprio local.


Plantio das hortaliças

A cobertura viva com amendoim forrageiro pode ser utilizada para o cultivo de hortaliças tanto em campo aberto quanto em cultivo protegido.
Antes do plantio da hortaliça, a cobertura viva é completamente roçada e são abertos sulcos ou covas de acordo com o espaçamento recomendado para a cultura. As adubações são feitas diretamente nos sulcos ou covas antes do transplante da hortaliça.

Resultados de pesquisas mostraram que o uso de amendoim forrageiro com cobertura viva do solo proporcionou aumento do numero de colheitas de até 20% na produção comercial nas culturas do tomate, pimentão e pepino em relação ao solo descoberto e reduziu a incidência da podridão apical (deficiência de cálcio) em frutos de tomate. Destacou-se também pelo aumento do numero médio de folhas por planta e produção de matéria seca na alface.

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