terça-feira, 21 de julho de 2015

Vermicompostagem: potencializando as funções das minhocas

Amauri Adolfo da Silva, agricultor de Espera Feliz (MG), coloca a questão: A diferença de um minhocário para um composto é a rede. Por quê? E responde: O tempo que eu estaria fazendo composto eu deito na rede e, enquanto as minhocas fazem a rede com os organismos, eu faço poesia.
É pouco provável que algum animal tenha desempenhado um papel tão importante na história do nosso planeta como o destas pequenas criaturas. (...) O arado é uma das invenções mais antigas (...) do homem, mas bem antes que o homem existisse, a terra já era regularmente arada pelas minhocas. 
Charles Darwin (1881)
Galão de armazenamento do vermicomposto na propriedade de Amauri Adolfo da Silva. Foto: Irene Maria Cardoso
Galão de armazenamento do vermicomposto na propriedade de Amauri Adolfo da Silva. Foto: Irene Maria Cardoso
Muitos agricultores reconhecem as minhocas como indicadores de qualidade do solo. Quantas vezes não ouvimos dizer se tem minhoca, a terra é boa? Mas nem todos reconhecem a importância ou as funções das minhocas para os solos. Como Darwin já havia percebido, uma dessas funções é de arar a terra.
Mas a aração realizada pelas minhocas não compacta o solo e nem gasta combustível. Outra função muito importante é a transformação da matéria orgânica. É por meio desse trabalho que as minhocas produzem um composto orgânico de alta qualidade, o vermicomposto. Como aponta Amauri, enquanto a minhoca faz composto, ele faz poesia! Entretanto, muitos agricultores não aproveitam esse trabalho realizado pelas minhocas. Por quê?
Procuramos resposta a essa questão enquanto desenvolvíamos ações voltadas a facilitar o acesso ao conhecimento sobre a produção de vermicompostos pelos agricultores. Dessa forma, procuramos reconhecer e valorizar os conhecimentos dos agricultores adquiridos a partir de seu cotidiano de trabalho.

Vermicompostagem

As minhocas e os microrganismos presentes no seu trato digestivo transformam material orgânico pouco degradado em matéria orgânica estabilizada. Chamado de vermicompostagem, esse processo proporciona o melhor aproveitamento dos resíduos orgânicos na agricultura, já que forma um composto com características físico-químicas e biológicas superiores às dos estercos. Quando os estercos são dispostos ao ar livre, situação frequente nas propriedades dos agricultores, suas qualidades químicas são deterioradas devido, sobretudo, à volatilização da amônia, uma substância rica em nitrogênio, um nutriente essencial para as plantas cultivadas.
Muitos agricultores reconhecem as vantagens do vermicomposto quando comparado com a utilização dos resíduos orgânicos sem o processo de compostagem. Reconhecem, portanto, sua superioridade com relação ao esterco. Entretanto, a prática não é comum entre eles, já que acreditam que o sucesso da técnica está condicionado à construção de instalações caras e complexas e ao acesso às matrizes de minhocas de qualidade (SCHIEDECK et al., 2007).
Essa era a percepção inicial dos agricultores que participam do projeto de pesquisa-extensão Animais para a Agroecologia, realizado em parceria por vários Departamentos da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em especial os Departamentos de Solos e Veterinária, pelo Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA) e por organizações dos agricultores, entre elas, sindicatos da agricultura familiar de alguns municípios. O projeto tem por objetivo aprimorar a integração ecológica da criação animal nos agroecossistemas familiares, incrementando a produção animal e melhorando a quantidade e a qualidade dos estercos nas propriedades (FREITAS et al., 2009). A vermicompostagem foi uma das estratégias adotadas para o aprimoramento dessa integração.

O despertar para a prática

Os agricultores participantes do projeto visitaram a propriedade de um agricultor com o objetivo de vivenciar a sua experiência de vermicompostagem a partir das práticas de uso e manejo do minhocário. Para alguns, esse foi o primeiro contato com a técnica. Esses mesmos agricultores participam de outros intercâmbios promovidos pelo CTA em alguns municípios da Zona da Mata mineira, como forma de estimular a troca de conhecimentos e criar ambientes propícios para a articulação horizontal entre os conhecimentos populares e conhecimentos técnico-científicos. Durante alguns intercâmbios, são realizadas oficinas sobre temas definidos em conjunto com os agricultores. Diante do interesse despertado, a produção de vermicomposto foi um dos temas priorizados para a realização das oficinas do projeto.
Em cada uma das 15 oficinas realizadas, os participantes foram organizados em grupos para responder às seguintes perguntas: i) Por que quero aprender mais sobre minhocas? ii) O que quero aprender sobre minhocas? iii) Onde já ouvi falar de minhocas? iv) O que ouvi falar de minhocas? Esse momento da oficina é importante para que sejam identificadas as motivações e resgatados os conhecimentos prévios dos agricultores sobre o uso de estercos e o manejo das minhocas.
A maioria dos agricultores já conhecia a importância das minhocas para a qualidade do solo, mas demonstraram interesse em aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto. Relataram ainda que esse conhecimento prévio havia sido adquirido em contato com familiares, amigos, vizinhos, bem como pela televisão e pela universidade. Os intercâmbios agroecológicos foram também identificados como importante canal de aprendizagem. Foi nos intercâmbios que muitos agricultores tiveram o primeiro contato com a técnica da vermicompostagem.
Vermicompostagem

Aprendendo e ensinando sobre o proceso de vermicompostagem

A reprodução das minhocas foi um dos aspectos que despertou a curiosidade nos agricultores. Elas colocam casulos que contêm em média três minhocas. Essa alta capacidade de proliferação e o rápido crescimento da espécie vermelha-da-califórnia permitem que os agricultores repassem para vizinhos parte das minhocas após a conclusão da vermicompostagem.
Quando comparam a outros processos de compostagem, os agricultores identificam duas vantagens da vermicompostagem: a) não precisa revolver o material, exigindo menos trabalho no seu preparo; b) é mais leve, facilitando o transporte (EDWARDS; ARANCON, 2004). Dessa forma, com pouco trabalho adicional, os agricultores melhoram seus solos com o aproveitamento de materiais orgânicos já disponíveis em suas propriedades (NGO et al., 2012).

Implanta ção dos minhocários

Após os debates iniciais sobre a biologia das minhocas, propôs- se a discussão relacionada às infraestruturas e ao manejo para a realização da vermicompostagem. Diferentes tipos de minhocários foram apresentados, destacando-se as vantagens e desvantagens de cada um, considerando as dificuldades de construção, bem como as condições adequadas para a sua estruturação, como a escolha do local, os cuidados no preparo do material e na separação do vermicomposto das minhocas. Cada família indicou o melhor local para construir o minhocário em sua propriedade guiando- se por critérios como a necessidade de sombreamento e a proximidade da fonte de água e dos substratos.
Pela simplicidade de construção e seu menor custo, decidiu-se pela adoção do modelo campeiro de bambu (AQUINO; MEIRELLES, 2006; SCHIEDECK et al., 2007). No período de março de 2011 a setembro de 2012, foram implantados 13 minhocários nos municípios de Acaiaca, Araponga, Divino, Espera Feliz, Visconde do Rio Branco, São Sebastião da Vargem Alegre, Leopoldina e Viçosa.

Avaliação dos minhocários

O funcionamento dos minhocários foi avaliado por meio de visitas nas propriedades, ligações telefônicas, internet e recados enviados pelos agricultores por intermédio de terceiros. Algumas das perguntas utilizadas na avaliação foram as seguintes: i) Quais foram as dificuldades encontradas para realizar a vermicompostagem na propriedade? ii) Por que não utilizavam a técnica do minhocário? iii) Quem irá continuar com o minhocário?
A avaliação constituiu uma forma simples e eficaz de gerar um conjunto de informações que permitiram captar a percepção dos agricultores. Embora tenham ocorrido problemas, a aceitação do minhocário foi grande, como ficou demonstrado pelo interesse de 75% das famílias em continuar com a atividade. Dentre os problemas, os agricultores relataram ataques de predadores, como sanguessugas e, principalmente, formigas. O uso de borra de café, farinha de osso ou de casca de ovo moída espalhada sobre o canteiro pode inibir o aparecimento das formigas, além de ser um complemento alimentar para as minhocas (SCHIEDECK et al., 2006). Já a presença de sanguessugas foi relatada em apenas um dos minhocários. Elas são visualmente muito parecidas com as minhocas e causam sérios estragos, mas canteiros bem drenados podem prevenir o seu surgimento.
A maioria dos agricultores não conhecia a técnica do minhocário. E mesmo aqueles que conheciam não sabiam como construir e acreditavam que seria difícil e caro implantá-la. No entanto, a construção do tipo campeiro de bambu torna-se ainda mais simples quando realizada com material disponível na propriedade (carcaça de geladeira ou caixa d’água velha, por exemplo), como alguns agricultores fizeram.
A aquisição das minhocas também foi uma limitação para utilizarem a técnica, uma vez que a espécie vermelha-dacalifórnia não é nativa do Brasil. Para suprir essa dificuldade, foram distribuídos kits contendo minhocas. Embora seja uma prática menos comum, as minhocas nativas também podem ser utilizadas.

Considerações finais

O processo participativo permitiu atender aos anseios dos diferentes atores envolvidos na experimentação com vermicompostagem, ao facilitar a interação entre os agricultores e pesquisadores e proporcionar um aprendizado mútuo. Além de possibilitar que os agricultores conhecessem e empregassem a técnica, o trabalho favoreceu a divulgação para familiares e vizinhos.
Por fim, a experiência aqui relatada nos permitiu fazer uma análise crítica sobre a prática da vermicompostagem na mesorregião da Zona da Mata e apontar outras demandas de pesquisa.
Maria Eunice Paula de Souza, Irene Maria Cardoso, André Mundstock Xavier de Carvalho, Andreia Paiva Lopes, Pedro Henrique Silva e Ivo Jucksch
Maria Eunice Paula de Souza
Doutoranda em Solos e Nutrição de Plantas – UFV
maria.paula@ufv.br
Irene Maria Cardoso
Prof. Departamento de Solos – UFV
irene@ufv.br
André Mundstock Xavier de Carvalho
Prof. Departamento de Solos – UFV
andre.carvalho@ufv.br
Andreia Paiva Lopes
Engenheira agrônoma
andreia.paivalopes@hotmail.com
Pedro Henrique Silva
Graduando em Agronomia – UFV
pedrohenrique.santos.ufv@gmail.com
Ivo Jucksch
Prof. Departamento de Solos – UFV
ivo@ufv.br
Agradecimentos
CAPES e a FAPEMIG, pela bolsa de pós-doutorado e a CAPES e ao CNPq pela bolsa de doutorado concedida à M.E.P SOUZA. Ao CNPq e ao ProExt suporte financeiro à pesquisa. Ao Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM) e às organizações locais dos agricultores pela oportunidade que nos deram de desenvolver a pesquisa.
Referências bibliográficas:
  • AQUINO, A.M.; MEIRELLES, E.C. Canteiros de bambu para a criação ecológica de minhocas. Seropédica: Embrapa Agrobiologia, 2006. 2 p. (Comunicado Técnico, 93).
  • EDWARDS, C.E.; ARANCON, N.Q. The use of earthworms in the breakdown of organic wastes to produce vermicomposts and animal feed protein. In: EDWARDS, C.A. (Ed.). Earthworm Ecology. 2. ed. Boca Raton: CRC Press,.2004. p. 345-380.
  • FREITAS, A.F.; PASSOS, G.R.; FURTADO, S.D.C.; SOUZA, L.M.; ASSIS, S.O.; MEIER, M.; SILVA, B.M.; RIBEIRO, S.; BEVILACQUA, P.D.; MANCIO, A.B.; SANTOS, P.R.; CARDOSO, I.M. Produção animal integrada aos sistemas agroflorestais: necessidades e desafios. Agriculturas, v. 6, n. 2, p. 31-35, jul. 2009.
  • MARCONI, M.A.; LAKATOS, E.V. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005. 312 p.
  • NGO, P.T., RUMPEL, C., DOAN, T.T., JOUQUET, P. The effect of earthworms on carbon storage and soil organic matter composition in tropical soil amended with compost and vermicompost. Soil Biology & Biochemistry, v. 50, p. 214-220, 2012.
  • SCHIEDECK, G.; GONÇALVES, M.M.; SCHWENGBER, J. E. Minhocultura e produção de húmus para a agricultura familiar. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2006. 11 p. (Circular Técnica, 57).
  • SCHIEDECK, G.; SCHWENGBER, J.E.; GONÇALVES, M.M.; SCHIAVON, G.A.; CARDOSO, J.H. Minhocário campeiro de baixo custo para a agricultura familiar. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2007. 4 p. (Comunicado Técnico, 171).

Óleos essenciais orgânicos - Ecocitrus montenegro

O Técnica Rural fala sobre a produção de óleos essenciais de citrus. Você vai conhecer o trabalho de uma cooperativa de produção orgânica em Montenegro no Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Carol Daemon: É impossível remover agrotóxicos dos alimentos

Carol Daemon: É impossível remover agrotóxicos dos alimentos: De vez em quando, as redes sociais desencavam uns assuntos mofados, um monte de gente curte e compartilha e com isso, certos mitos volt...

Apartamentos - Momento Ambiental - horta urbana





O espaço pode até ser apertado, mas isso não impede que atitudes sustentáveis sejam colocadas em prática. Hoje, 19 milhões de brasileiros vivem em apartamentos e nem imaginam que algumas mudanças de hábitos possam fazer tanta diferença. Dar um destino diferente ao lixo orgânico com o uso de sistemas compactos de compostagem é só um exemplo. As hortas verticais também ajudam a deixar a ambiente mais verde, agradável e ecológico.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Chamada de artigos: Mulheres e agroecologia

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Chamada de artigos: Mulheres e agroecologia

As mulheres são fortes impulsionadores da mudança agroecológico em comunidades agrícolas e de consumo. Um exemplo é o movimento das mulheres para agrobiodiverse, a produção agrícola livre de pesticidas na Índia. Em outros lugares, as mulheres experimentar com consórcio, os regimes de caixa vegetal e trocas de sementes. O que os motiva? E qual o papel que a agroecologia desempenhar na melhoria da vida das mulheres?

Há 500 milhões de famílias escala fazenda pequenas ao redor do mundo, e 70% do trabalho agrícola nestas fazendas é feito por mulheres. Segundo a FAO, as mulheres poderiam aumentar a sua produtividade em até 30% se tivessem o mesmo acesso que os homens aos recursos produtivos. Fechando a lacuna de gênero, como foi chamado para por tantos durante o 2014 Ano Internacional da Agricultura Familiar, poderia reduzir o número de pessoas subnutridas do mundo por 12-17% ( www.fao.org/sofa/gender/home ).

Há muito que sabemos que as mulheres detêm a agricultura ea alimentação importante conhecimento, e que eles são uma força empurrando para as mudanças agroecológicas que levem à agricultura resiliente. Onde os homens tendem a se concentrar mais em ganhos econômicos, preocupações últimas das mulheres tendem a soberania alimentar e nutricional, a estabilidade social ea paz, ea conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.

Queremos ter um olhar mais atento o que motiva as mulheres a inspirar o progresso na agricultura. Como práticas agroecológicas impactar sua carga de trabalho, nutrição familiar e sua qualidade de vida? E qual o papel que as mulheres e suas organizações desempenham na construção de um futuro melhor para suas famílias ea si mesmos?

Nós convidamos você a compartilhar suas experiências, olhando especialmente para histórias práticas de mulheres como agricultores, trabalhadores agrícolas, cozinheiros, mães, educadores e representantes da comunidade, das mulheres na política, mulheres em posições de poder, mulheres como modelos, ou histórias de aqueles que trabalham diretamente com essas mulheres.

Artigos de dezembro 2015 emissão de Assuntos Agrícolas devem ser enviadas para os editores até 1 deSetembro de 2015.
Email: info@farmingmatters.org

Leia também: Guia para autores

Nós queremos ouvir de você

Quais temas para Farming Matters em 2016?


Em setembro de 2015, a Rede Agriculturas realizará sua Reunião Anual Internacional de decidir sobre estratégias para o próximo par de anos. Uma das coisas sobre a nossa agenda é a decisão sobre temas centrais para cada questão da Matéria Agricultura e das revistas regionais em 2016.

Envie-nos as suas propostas

Gostaríamos de convidar vocês, nossos leitores e autores, para nos dizer que o tema (s) você propõe para as quatro revistas que serão publicados em 2016. O tema deve ser relevante para debates atuais sobre agroecologia e agricultura familiar e servir a um necessidade prática de compartilhamento de conhecimento entre os agricultores, profissionais, académicos e responsáveis ​​políticos. Em 2015, os temas são: nutrição, ligações rurais-urbanas, escassez de água, e as mulheres.

Estamos curiosos para ouvir de você! Por favor, envie suas sugestões com uma breve motivação parainfo@farmingmatters.org
32px 32px ícone: rss Por mais de 30 anos, nossas revistas têm sido partilha de conhecimentos e informações sobre a agricultura sustentável e agricultura familiar, com milhares de pessoas de todo o mundo. Cada edição mostra como os pequenos agricultores estão a trabalhar, a fim de alimentar suas famílias, regiões e países, enquanto, ao mesmo tempo, contribuir positivamente em termos de alterações climáticas, biodiversidade, ea luta contra a pobreza ea fome.
Para cancelar a assinatura, envie um e-mail para subscriptions@ileia.org com o assunto REMOVER.
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Joaninhas no combate natural aos pulgões

Eu consegui na frente da minha casa que tem um pomar com algumas joaninhas,pois elas comem 100 pulgões por dia

eu coloquei dentro da estufa e elas se reproduziram e estão colocando
mais ovos nas folhas e logo nascerá mais joaninhas pra combater os
pulgões na minha horta que se multiplicam muito rápido, espero que as
joaninhas de conta deles, pra quem não conhecia mostrei os estágios do
crescimento até virar uma joaninha, espero que tenham gostado e muito
obrigado

terça-feira, 14 de julho de 2015

Pesquisa aponta que comer frutas e vegetais reduz risco de morte


Recomendação do estudo é consumir sete porções ou mais por dia

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Pesquisa aponta que comer frutas e vegetais reduz risco de morte stock.xchng/Divulgação
Legumes frescos proporcionam maior efeito protetivo, em comparação às frutas Foto: stock.xchng / Divulgação
Comer sete ou mais porções de frutas e vegetais por dia reduz o risco de morte em até 42% se comparado à ingestão de menos de uma porção diária, relata um novo estudo da University College of London.
Pesquisadores usaram dados do Health Survey da Inglaterra para analisar os hábitos alimentares de 65.226 pessoas, entre 2001 e 2013. Foi descoberto que quanto mais frutas e vegetais os participantes comiam, menos propensos a morrer eles estavam em qualquer idade. Ingerir sete ou mais porções reduz os riscos específicos de morte por câncer e doenças cardíacas em 25% e 31%, respectivamente.
Em comparação a ingestão de menos do que uma porção de frutas e legumes, o risco de morte por qualquer causa é reduzido em 14% por comer uma a três porções diárias, 29% de três a cinco porções, 36% por cinco a sete porções e 42% para sete ou mais.
O estudo, publicado no Journal of Epidemiology & Community Health, descobriu que legumes frescos demonstraram o efeito protetor mais forte, com cada porção diária reduzindo o risco geral de morte em 16%. A salada contribuiu para uma redução de 13% do risco por porção, e cada porção de frutas frescas foi associado com uma redução menor, mas ainda significativa, de 4%.
— Sabemos que a ingestão de frutas e legumes é saudável, mas o tamanho do efeito é impressionante. Quanto mais frutas e vegetais você come, menos propenso você estará a morrer em qualquer idade — diz o pesquisador Oyinlola Oyebode.
Os pesquisadores não encontraram nenhuma evidência de benefício significativo a partir do suco de frutas. Frutas em conserva ou congeladas tendem a aumentar o risco de morte em 17% por porção.
— A maioria das frutas enlatadas contem níveis elevados de açúcar, e as variedades mais baratas são embaladas em calda e xaropes em vez de suco de fruta. Os impactos negativos do açúcar sobre a saúde podem compensar quaisquer benefícios— explica o autor.
BEM-ESTAR ZH

Amendoim forrageiro: enriquecendo a pastagem

 






Marcio Fonseca de Carvalho - marcio.carvalho@unisul.br

06 de Janeiro de 2012 às 01:19min
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Marcio Fonseca de Carvalho

Bom dia. Alguns anos atrás, um dos maiores pesquisadores de pastagem
do Brasil foi visitar a Austrália, à procura de novas tecnologias a
serem implantadas em nosso país. Conta o mesmo que, em um determinado
momento, perguntou ao pesquisador local qual seria a melhor espécie
para pastagem que eles estavam pesquisando. O pesquisador australiano,
com um sorriso no rosto, apontou e disse: “É esse aqui”. E completou:
“Você veio de tão longe em busca de algo que é nativo de sua terra”.

Espécies
A espécie em questão era o amendoim forrageiro (Arachis pintoi),
originário da América do Sul, com cerca de 70 a 80 espécies
encontradas no Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Os
primeiros acessos foram coletados na década de 50 pelo professor
Geraldo Pinto, na Bahia. Hoje, é conhecida internacionalmente, lançada
como cultivar amarilho na Austrália e com outras denominações em
alguns países das América do Sul e Central.

Vantagens
O amendoim forrageiro possui várias vantagens quando implantado em
pastagem. Primeiramente, esta espécie consegue fixar nitrogênio do ar,
produzindo grande quantidade de alimento, mesmo em solos de média e
baixa fertilidade. Possui grande valor nutritivo devido ao alto teor
de proteína em sua composição, cerca de 20%, e pode ser consorciado
com várias gramíneas na formação do pasto, aumentando sua eficiência.
Possui, ainda, a vantagem de auxiliar na recuperação de pastagens
degradadas, por causa do nitrogênio absorvido que vira adubo,
fertilizando naturalmente o solo.

O processo
O amendoim forrageiro pode ser implantado através de mudas ou
sementes. Quando for utilizado em consórcio com gramíneas, faz-se
necessário o rebaixamento das mesmas antes da semeadura ou plantio. É
uma espécie que adapta bem a altitudes desde o nível do mar até cerca
de 1,8 mil metros, com boa precipitação anual, não tolerando períodos
prolongados de seca. Procure conhecer melhor esta espécie e veja se é
interessante para a sua propriedade.
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