MOGNO AFRICANO | Pai e filho investem em árvore que pode
chegar a dar R$300 mil por hectare. A propriedade,
em Lontras (SC) começou a ser reflorestada em 2009
com as árvores exóticas. Confira mais detalhes na reportagem!
Fonte: ibflorestas
Entre as árvores plantadas para produção de madeira nobre, o Mogno Africano é a espécie que mais tem se destacado no Brasil. A madeira extraída desta planta é super valorizada no mercado internacional, possibilitando sua exportação em moedas de alto valor.
As condições climáticas e o solo fértil do país, contribuíram com a adaptação da espécie, principalmente em regiões mais quentes, viabilizando o seu plantio em larga escala.
Estudos de mercado sobre a venda da madeira de Mogno Africano ou madeira mahogany estimam que o negócio florestal pode apresentar uma taxa de retorno (TIR) acima de 18% ao ano. Além disso, cada hectare de Mogno Africano plantado pode render ao investidor o equivalente a R$1,5 milhões até o final do seu ciclo.
Lucro do Mogno Africano
Baseando-se no crescimento biológico da árvore de Mogno Africano em 18 anos, o IBF realizou uma projeção de rendimentos apontando que, enquanto os investimentos no mercado financeiro tradicional como poupança, Fundo DI, LCI/LCA, CDB e Tesouro IPCA+, podem apresentar resultados que variam de 181% a 521%, o Mogno Africano mostra um rendimento líquido de mais de 1210%.
Comparativo percentual de retorno de investimentos financeiros e da floresta de Mogno Africano. (Valores simulados em janeiro/2025)
Nota: O incremento biológico de uma floresta, assim como a valorização da terra ao longo dos anos, também são fatores que contribuem com a rentabilidade e o lucro do Mogno Africano.
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A terceira safra da macroalga Kappaphycus alvarezii em
Santa Catarina, encerrada em maio de 2024, confirmou o crescimento da nova
cadeia produtiva no litoral catarinense. Foram comercializadas mais de 700
toneladas de algas in natura, gerando mais de R$ 10,8 milhões com a produção de
biofertilizante. A safra envolveu produtores de nove municípios e reforçou o
potencial econômico da atividade, que surgiu como alternativa para os
maricultores impactados pela queda na produção de moluscos.
Descompasso entre produção e processamento gerou perdas
Apesar do crescimento expressivo, parte da produção não foi
comercializada. Dos 1.154,95 toneladas colhidas, 260,40 toneladas não
encontraram comprador e 143,46 toneladas se perderam por causa das chuvas.
Segundo o pesquisador Alex Alves dos Santos, da Epagri/Cedap, isso ocorreu
porque a única empresa que atuava na transformação da alga em biofertilizante
não conseguia absorver toda a oferta, processando apenas 6 toneladas por dia,
contra a oferta de 10 a 15 toneladas diárias pelos produtores.
Capacidade
de processamento em 2023/24: 6 t/dia
Capacidade
de produção dos produtores: 10 a 15 t/dia
Produção
total da safra: 1.154,95 toneladas
Comercialização
efetiva: 751,09 toneladas
Preço
médio da alga in natura: R$ 2,80/kg
Biofertilizante
vendido: 600.872 litros a R$ 18/litro
Investimento na safra 2024/25 amplia capacidade
industrial
Para evitar novas perdas, a capacidade de processamento de
biofertilizante será ampliada para 35 toneladas por dia na safra 2024/25, com a
atuação de três empresas no lugar de apenas uma. A expectativa é de que a nova
estrutura atenda melhor ao crescimento da produção e garanta renda estável aos
maricultores.
A macroalga Kappaphycus alvarezii tornou-se
uma alternativa viável de renda para os produtores, especialmente diante da
retração do setor de moluscos. A produtividade média foi de 28,55 toneladas por
hectare, com destaque para os produtores de Florianópolis, Palhoça, Bombinhas e
Biguaçu.
Biomassa tem potencial além do biofertilizante
Além da aplicação como biofertilizante, a alga oferece
potencial em outras áreas: biotecnologia, pecuária, mercado de créditos de
carbono e alimentação animal. Após a extração do biofertilizante, 4% do volume
restante — rico em carragenana e probióticos — é aproveitado para adubar o solo
e alimentar suínos, aves e bovinos. A única limitação para a comercialização
desse subproduto é a secagem eficiente, ainda em fase de testes por uma das
empresas atuantes.
Produção ainda enfrenta desafios para consolidação
A cadeia da macroalga, aprovada para cultivo comercial em
2020, ainda enfrenta obstáculos típicos de uma atividade emergente. Segundo
Alex, é necessário avançar na organização da produção, ampliar as plantas
processadoras, diversificar os usos do produto e fortalecer os canais de
comercialização. A pesquisa da Epagri e da UFSC, que durou mais de uma década,
continua sendo essencial para o aprimoramento da cadeia produtiva.
Cultivado em sistemas agroflorestais, o café catarinense tem apelo ambiental e econômico
Há gerações, cafezais crescem no Leste de Santa Catarina sob a sombra da Mata Atlântica ou de outros cultivos agrícolas. Um saber-fazer de famílias agricultoras que optaram pela convivência harmoniosa da natureza com o cultivo do grão, que vai dar origem a um café especial, com alto apelo econômico e ambiental.
Um estudo comprovou que o café arábica variedade mundo novo, produzido sob a sombra de bananais orgânicos em Araquari, se enquadra como café especial excelente. A pesquisa foi realizada por profissionais da Epagri em parceria com o Instituto Federal Catarinense (IFC) campus Araquari e com o Instituto Federal do Sul de Minas campus de Machado e concluiu ainda que Santa Catarina possui áreas com condições climáticas potencialmente aptas para o cultivo de café arábica especial, considerando a colheita seletiva e adequado processamento pós-colheita para explorar a máxima qualidade sensorial e evitar defeitos físicos nos grãos. Por fim, a pesquisa apontou a necessidade de mais estudos, tanto sobre a adaptabilidade ao grão ao litoral catarinense, como do manejo de cultivo e pós-colheita. Wilian Ricce e Fábio Zambonim, pesquisadores da Epagri/Ciram, delimitaram o mapa com a região potencialmente apta, de acordo com o clima, para o cultivo de C. arábica em Santa Catarina.
Com base nestes resultados iniciais, a Epagri submeteu projeto de pesquisa à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) para ampliar o estudo sobre cafés especiais no Estado. Os resultados do edital de submissão ainda não foram divulgados pela Fapesc.
“Queremos mostrar o potencial que tem o café especial arábica para a região litorânea de Santa Catarina. Cultivado em sistemas agroflorestais, ele pode ser usado como estratégias de restauração e uso econômico de áreas de preservação permanente nas propriedades rurais familiares”, descreve Fábio, pesquisador da Epagri. Ele lembra que a expansão da cultura no Estado teria apelo ambiental e também econômico. “Tem muito agricultor familiar indo bem economicamente com essa cultura”, relata.
Pesquisadores da Epagri/Ciram delimitaram mapa com região potencialmente apta
Bandeira
A cafeicultura já foi uma atividade de expressão econômica em Santa Catarina. Prova disso é a bandeira do Estado, criada em 1895, que traz a imagem de um ramo de café com frutos. “As primeiras plantações de café em Santa Catarina foram estabelecidas no final do século XVIII e, apesar de sua pequena escala, quando comparada às grandes lavouras da região Sudeste do Brasil, o produto catarinense sempre se destacou pela sua qualidade”, avalia Fernando Prates Bisso, professordo IFC-Campus Araquari e um dos autores do estudo. Ele conta que, frequentemente, os grãos colhidos no território catarinense eram utilizados para compor e melhorar lotes exportados para mercados mais exigentes, como Uruguai e Holanda.
O cenário mudou na década de 1960, como resultado de uma política pública nacional de erradicação de cafezais para regulação dos estoques mundiais do grão. A partir daí a produção de café no Leste catarinense migrou do status comercial para uma cultura de subsistência. No entanto, levantamento realizado pelo IBGE em 2017 mostrou que pequenos cultivos isolados se mantiveram em 15 municípios de Sul a Norte da costa catarinense, evidenciando a adaptabilidade da cultura às condições de clima e relevo da região.
O sistema de produção e de colheita adotado na região produtora de café no Estado foi o diferencial que garantiu a qualidade do produto catarinense quando era produzido em escala comercial. Os pesquisadores explicam que, cultivado preferencialmente sob a sombra de espécies arbóreas da Floresta Atlântica, o café arábica se adaptou e se desenvolveu muito bem no litoral do Estado. Por outro lado, a colheita dos frutos, realizada predominantemente de forma seletiva e escalonada ao longo da safra, garantia que os frutos fossem coletados no ponto ideal de maturação, atividade trabalhosa e onerosa, porém viável no contexto típico das propriedades rurais familiares.
A produção de café em regiões de planícies costeiras, vales e encostas de morros do litoral de Santa Catarina em sistemas sombreados por espécies arbóreas nativas, bananeiras e palmeiras juçara chamou a atenção do professor Fernando assim que chegou ao Estado. “Inicialmente, fiquei curioso sobre qual seria o significado de um ramo de café na bandeira”, conta o professor. Em seus estudos, iniciados em 2013, ele percebeu que existe uma rica tradição cultural que resiste ao tempo em inúmeras famílias de agricultores que ainda cultivam o café para sua subsistência, preservando os hábitos e o conhecimento tradicional de seus antepassados.
Extensão
Aspectos de mercado de cafés especiais e do sistema produtivo agroflorestal que o caracteriza em Santa Catarina despertaram o interesse da pesquisa agropecuária, da extensão rural, de gestores públicos, de produtores rurais e da iniciativa privada.
Em Major Gercino, município da Grande Florianópolis, o extensionista da Epagri, Remy Narciso Simão, iniciou um trabalho em parceria com o agricultor Amauri Batisti na implantação de 1,8 hectare de cafés arábica das variedades Icatu, Tupi e também de plantas formadas com sementes de cafezeiros tradicionais da região. O extensionista aposta que a cultura do café, que faz parte da tradição dos agricultores do Vale do Rio Tijucas, pode ser uma importante fonte de renda associada à manutenção da cobertura florestal existente no município.
No litoral Norte do Estado, no município de São Francisco do Sul, o extensionista da Epagri Claudio Souza observa que, na comunidade da Vila da Gloria, os cafezais são cultivados sob cobertura de árvores nativas. Segundo Claudio, apesar da produtividade não ser considerada alta, os valores obtidos com a comercialização do café torrado e moído pelos agricultores diretamente aos consumidores tornam a atividade importante fonte de renda complementar às propriedades.
No município do José Boiteux, no Alto Vale, o jovem agricultor Matheus Eliaser Lunelli recebeu orientação da extensionista da Epagri, Deborah Ingrid de Souza, para aderir à produção de café no sistema agroflorestal. Mas quem deu a ideia foi o avô do Matheus. “O pai dele tinha café plantado e produzia muito bem na nossa propriedade”, conta o agricultor, que recentemente implantou 150 pés numa área de 600 metros quadrados. Ele se diz muito satisfeito com os resultados obtidos até o momento: “dá para ver que todas as plantas estão se adaptando muito bem ao sistema e estão todas bem sadias”.
Deborah conta que a escolha do café para montar o sistema agroflorestal na propriedade de Matheus resgata a cultura e o potencial do Alto Vale para esse cultivo, dada suas características geográficas e de clima. Segundo ela, o grão produzido em sistema agroflorestal se aproxima das condições originais do café, que é uma planta de sub-bosque, ou seja, se desenvolve na companhia e à sombra de outras espécies, o que proporciona ao fruto final uma composição mais interessante, com mais açúcares e outros elementos diferenciados. A extensionista acredita que, apesar de o cultivo na propriedade de Matheus ter apenas quatro meses, vai dar certo, com a primeira colheita a ser realizada em dois anos. “O grande desafio vem depois, o beneficiamento do grão”, afirma. A intenção de Deborah é de que essa cultura agrícola volte a compor o mosaico das propriedades rurais familiares do Alto Vale, não só como resgate de uma tradição, mas também como uma nova alternativa de renda para os agricultores locais. Ela também destaca o aspecto ambiental, já que o sistema é agroecológico, ou seja, não usa agrotóxicos e adubos químicos.
Em Itapema, iniciativas interessantes do cultivo agroflorestal de café têm garantido a renda de produtores rurais familiares. Os agricultores Selmo Manoel Santos e seu genro Renato Alberto de Souza, integrantes do Grupo Ecológico Costa Esmeralda, cultivam cerca de 600 plantas de café em sistema agroflorestal consorciado com banana. A produção possui certificação orgânica pela Rede Ecovida. Inseridas em reserva de Mata Atlântica e sob influência da brisa marítima, as plantas desenvolvem-se em condições específicas de microclima, que influenciam e conferem uma identidade própria na qualidade dos grãos e da bebida. Todo o café produzido é beneficiado pelos próprios produtores, que assim agregam valor à produção comercializada na feira de orgânicos do município. A família vivencia o seu cultivo há muito tempo, sendo uma das pioneiras na região. Renato relata com tristeza a derrubada dos cafezais que ocorreu na região na década de 1960. Entretanto, há cerca de 15 anos a família retomou progressivamente o cultivo comercial do café e agora renova o seu pioneirismo como referência na cafeicultura regional.
Resgate
A Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco), idealizadora do projeto de Indicação Geográfica (IG) de Denominação de Origem (DO), da Região de Corupá como produtora da Banana Mais Doce do Brasil, agora vislumbra o potencial econômico de cafés especiais, sombreado pelas lavouras de banana, principal atividade econômica do município. “Corupá é uma região rica em história e nossos agricultores mantém a tradição do cultivo de café para consumo da família há mais de 80 anos. Não imaginávamos que nosso café teria os atributos e seria classificado como café especial, o que muito nos orgulha”, comenta Eliane Müller, diretora administrativa da Asbanco.
Em Corupá, os cafezais crescem à sombra das bananeiras
O agricultor Guido Tandeck, primeiro em Corupá a participar do projeto de resgate da cafeicultura desenvolvido pelo IFC-Araquari, relata que em sua casa nunca se comprou café no mercado, sempre se consumiu a produção própria. “Depois de colher, secamos os grãos no sótão da casa e deixamos descansar por um ano para depois torrar e moer, tradição que aprendi com meus pais e hoje repasso para meu filho. Nunca imaginei que poderia ser especial, para nós era só café”, relata admirado.
O projeto de resgate da cafeicultura catarinense conta com a colaboração de Leandro Carlos Paiva, renomado mestre em torra e barista, professor titular de agroindústria e qualidade do café do IF Sul de Minas – Campus Machado e Diretor do Polo de Inovação Agroindústria do Café. “Santa Catarina é privilegiada por uma latitude que, para quem entende de cafés especiais, não oferece a necessidade de ter suas lavouras em altitude, para que o café apresente qualidade diferenciada. Seu clima único favorece a produção de cafés diferenciados no mundo. O que falta é um estudo sobre esses efeitos, para descobrir como e quanto é especial o café catarinense”.
Os resultados iniciais do estudo com amostras de cafés de Santa Catarina foram bastante promissores, com algumas chegando a obter pontuação média dos descritores superior a 85 pontos, revelando cafés especiais de qualidade excelente, de acordo com a escala de classificação da SCAA-Specialty Coffee Association of America. Amostras recentes de café procedentes de vários municípios, como Araquari, Itapema e Corupá, e que foram beneficiadas pelos próprios agricultores, seguindo seus próprios métodos familiares tradicionais, também revelaram pontuação de cafés especiais de muito boa qualidade, entre 81 e 84,17 pontos. “Dependendo da procedência da amostra e seus atributos sensoriais, os descritores encontraram diferentes características de aroma e sabor entre os cafés catarinenses, entre elas: caramelo, chocolate, doce, ácido cítrico, frutado e verde, o que confirma a diversidade da cultura em SC e que confere com a identidade única de cada café especial”, finaliza satisfeito o professor Fernando.
Informações para a imprensa: Gisele Dias, jornalista, pelo fone (48) 99989-2992
À primeira vista, é apenas uma floresta. Mas um olhar com
mais atenção revela que, à sombra de árvores como araucária, imbuia, canela,
guamirim e guaraperê, tem produção de erva-mate. Assim é a agrofloresta de 12
hectares que Eurico Rocha conduz em Ponte Serrada, no Oeste Catarinense, em
meio à mata nativa, seguindo a tradição iniciada pelo avô.
“Além desses 12 hectares, tenho uma área de reserva
com plantas de erva-mate que não mexo – mantenho preservada, como um banco de
sementes. Nunca tive problemas com pragas e doenças e acredito que seja por
conta dessa preservação”, relata. O manejo é simples e Eurico não usa insumos
químicos – apenas esterco suíno para adubação. Com os resultados da análise de
solo, faz a correção da acidez.
À sombra da mata nativa, o
agricultor Eurico Rocha mantém 12 hectares de produção de erva-mate
A colheita acontece a cada dois anos e meio. Na área com
plantas mais adensadas, Eurico colhe cerca de 15t/ha, e nas outras áreas, a
produtividade é de cerca de 7t/ha. “Mas o retorno maior é a preservação: olho
para a minha área de floresta e é um verde só. Cada um tem que fazer a sua
parte: precisamos de mais agroflorestas”, diz o produtor, que também trabalha
com apicultura e planeja destinar parte da propriedade para criar uma reserva
de proteção permanente.
Na sombra da mata
As agroflorestas nativas
como a de Eurico, somadas às que foram implantadas pelos agricultores,
respondem por cerca de um terço da produção de erva-mate catarinense. O Estado
conta com mais de 16 mil hectares de cultivo, do Planalto ao Extremo Oeste, o
que equivale a 20% dos plantios no Brasil.
Em 2023, Santa Catarina produziu cerca de 130 mil toneladas
de erva-mate, movimentando R$176 milhões. A planta, além de dar sabor ao
chimarrão, a chás e sucos, é ingrediente de uma gama cada vez maior de produtos
e compõe a renda de milhares de famílias – para muitas delas, é a principal
fonte de sustento.
Um terço da erva-mate produzida em
Santa Catarina vem de agroflorestas
“A erva-mate é uma planta nativa que se adapta muito
bem às condições de clima e solo da nossa região. Em sistemas agroflorestais,
tem a capacidade de trazer bons rendimentos e ao mesmo tempo fazer conservação
de solo e água”, destaca Paulo Alfonso Floss, pesquisador da Epagri.
Diferencial do Planalto Norte
A maior potência das agroflorestas catarinenses de erva-mate
é o Planalto Norte, que também responde pela maior fatia da produção do Estado.
Nessa região, a planta é cultivada em áreas chamadas de caívas: à sombra de
árvores nativas, como a araucária, sem a presença de espécies exóticas ou uso
de agrotóxicos. O resultado dessa combinação é uma erva-mate mais doce e menos
amarga, com folhas mais verdes e maior teor de cafeína.
As características de clima, solo e da cultura dessa região
tornaram a erva-mate
do Planalto Norte Catarinense um produto único. Em 2022, ela foi
reconhecida por essa singularidade e conquistou a Indicação Geográfica (IG) na
categoria Denominação de Origem (DO), em um processo que teve apoio da Epagri.
O registro, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade
Industrial (INPI), abrange 12 cidades e, parcialmente, outros oito municípios.
A certificação tem potencial para impactar positivamente toda a economia do
Planalto Norte, porque traz valor agregado aos produtos, aumentando a renda dos
produtores rurais e impulsionando setores como o turismo.
A erva-mate do Planalto Norte
Catarinense é mais doce e menos amarga, tem folhas mais verdes e maior teor de
cafeína
Tradição e tecnologia
A Epagri trabalha para desenvolver e estimular a cadeia
produtiva da erva-mate desde a década de 1980. As pesquisas são
realizadas na Estação Experimental de Canoinhas e no Centro de Pesquisa para
Agricultura Familiar (Cepaf), em Chapecó, que se dedicam à produção de sementes
e mudas, ao melhoramento genético e ao manejo produtivo.
Essas décadas de trabalho já resultaram em uma série de
entregas para os produtores, como o primeiro pacote tecnológico para a
erva-mate no Brasil. Em parceria com a Embrapa Florestas, a Epagri também
lançou o primeiro cultivar de erva-mate do País: SCSBRS Caa rari.
Atualmente, a Empresa desenvolve pesquisas com diversos materiais genéticos,
tanto para plantio em pleno sol quanto à meia sombra. “No próximo ano, vamos
lançar, em parceria com a Embrapa, uma variedade de erva-mate para plantio em
pleno sol e com sabor diferenciado”, revela o pesquisador Paulo Floss.
Em parceria com a Embrapa, a Epagri
está desenvolvendo uma variedade de erva-mate que será lançada em 2026
O trabalho da Epagri também tem contribuído para sombrear
novas áreas de produção de erva-mate no Estado. “Muitos produtores que tinham
plantios a pleno sol estão, gradativamente, adotando o sombreamento. Embora
precise de mais tempo entre as colheitas, a erva-mate sombreada tem mais
qualidade, sabor agradável e é preferida pela indústria”, diz Paulo.
Nesses casos, a Epagri orienta o plantio de 50 a 100
araucárias por hectare. “O sombreamento deve ser de, no máximo, 30%, para não
provocar queda de produção”, explica.
Conhecimento técnico
Em 2024, a Epagri atendeu 955 pessoas sobre a produção de
erva-mate e 430 pessoas sobre produção agroflorestal. Um trabalho de destaque
foi a capacitação de produtores de Passos Maia, Ponte Serrada e Vargeão, que é
um polo produtivo no Oeste Catarinense. O trabalho, que ainda está em
andamento, envolveu um Seminário Regional, uma viagem técnica e um curso de
formação continuada.
Nas capacitações, os produtores
conhecem tecnologias que aumentam a produtividade
“É possível sair de um patamar de baixas produtividades e
alcançar patamares competitivos com algumas técnicas simples de tratos
culturais, adubação e poda correta. Tudo isso está sendo trabalhado nas
capacitações. Alguns produtores que acompanhamos relatam que a aplicação das
tecnologias já começa a dar os primeiros resultados”, diz Leila Tirelli da
Motta, extensionista da Epagri em Vargeão.
Um dos beneficiados é o produtor Eurico, que mantém a
agrofloresta em Ponte Serrada. Aos 56 anos, ele já tem mais de 20 certificados
de cursos da Epagri. “Comecei a participar muito cedo, incentivado pelo meu
pai, que já recebia assistência técnica na propriedade”, lembra.
“Cada um tem que fazer a sua parte:
precisamos de mais agroflorestas”, diz o produtor Eurico Rocha
Mas muito além do conhecimento técnico, Eurico atribui sua
visão de mundo e o forte trabalho na área ambiental ao aprendizado que acumulou
em mais de 40 anos de parceria com a Empresa. “Eu vejo, hoje, que esses cursos
vão muito além da questão técnica. Eles abrem a mente do agricultor. Eu sou
muito grato, porque me tornei empreendedor graças a esses cursos, que me
tiraram da propriedade e me levaram para outros lugares”, diz Eurico, que hoje
também trabalha como consultor ambiental.