quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Adubo Orgânico e Composto - video da faculdade de Agronomia do Uruguai


Abono orgánico y compost from Huertas familiares on Vimeo.

«A produção de resíduos é hoje em dia um dos problemas de maior impacto no ambiente, devido não só ao aumento da sua produção, como também ao tipo de resíduos produzidos e aumento da sua perigosidade. Contudo, apesar da produção de resíduos ser inevitável, existem formas de a minimizar e de tornar mais sustentável e menos nociva a sua gestão.


Neste âmbito, a Vermicompostagem é uma das soluções possíveis.

O processo de tratamento e valorização dos resíduos orgânicos através da Vermicompostagem tem consideráveis vantagens competitivas face a outros processos (compostagem, digestão anaeróbica, aterro, etc.), para além de apresentar baixo custo, robustez e originar um produto final de qualidade. A vermicompostagem é ainda um processo ecológico, competitivo e barato.
 
Para quem não sabe:
Porto Alegre leva diariamente, desde 2002, 1,4 mil toneladas de lixo doméstico e público produzidos pela população para o aterro de Minas do Leão , distante 113 quilômetros. A solução de destinar os resíduos para a mina de carvão desativada e transformada em aterro foi adotada depois que o Aterro Sanitário da Extrema, no Lami - o primeiro aterro licenciado pela Fepam, em 1997 -, esgotou sua capacidade.

Parabéns Cariocas! 13 bairros do Rio integram circuito de feiras orgânicas

Fonte Ciclo Vivo
07 de Outubro de 2014 • Atualizado às 12h15

Há uma semana foi lançada mais uma feira de alimentos livres de agrotóxicos na cidade do Rio, desta vez no bairro da Urca. A iniciativa integra o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, que teve início em 2010 e já está presente em 13 bairros.
Os demais bairros que recebem semanalmente suas feiras com alimentos exclusivamente orgânicos são Ipanema, Leblon, Jardim Botânico, Tijuca, Glória, Freguesia, Barra da Tijuca e Olaria. Nas feiras, os alimentos são vendidos pelo próprio produtor, sem intermediação, a preços justos para os consumidores. Os produtores passam por rigorosa avaliação e os alimentos são produzidos de acordo com as normas de preservação ambiental.

Moradora de Botafogo, a aposentada Rose Penin, 64 anos, comemorou a novidade no bairro vizinho. “Tenho absoluta certeza de que esta feira veio para ficar. Torço para que as pessoas se conscientizem sobre os benefícios de se consumir alimentos orgânicos”, afirmou.
Consumidor de alimentos orgânicos há cerca de um ano e meio, o engenheiro Arnaldo Teixeira notou mudanças significativas na saúde de sua família. “Além da segurança que a qualidade desses alimentos nos transmite, sinto-me mais disposto. Com a saúde a minha família em dia, passei a dar mais valor a alimentos e hábitos saudáveis”, conta ele.
Como montar sua barraca orgânica
Para participar do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, o produtor interessado deve entrar em contato com a Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico Solidário e apresentar a certificação de produtos orgânicos. As solicitações são avaliadas pelo Comitê Gestor e somente são aceitos os pedidos que estiverem de acordo com as normas do regimento interno do comitê, especialmente no que diz respeito ao plantio orgânico dos produtos.

Foto: Ricardo Cassiano
Endereços das feiras disponíveis na cidade:
Feira Orgânica da Urca
Local: Praça da Medalha Milagrosa (Avenida Pasteur, próximo ao número 458), às quintas-feiras, das 7h as 13h.
Feira Orgânica do Bairro Peixoto
Local: Praça Edmundo Bittencourt, aos sábados, de 7h às 13h.
Feira Orgânica da Glória
Local: Rua do Russel, aos sábados, de 7h às 13h.
Feira Orgânica de Ipanema
Local: Praça Nossa Senhora da Paz, às terças-feiras, de 7h às 13h.
Feira Orgânica do Jardim Botânico
Local: Praça da Igreja São José da Lagoa, aos sábados, de 7h às 13h.
Feira Orgânica do Leblon
Local: Praça Ministro Romeiro Neto, às quintas-feiras, de 7h às 13h.
Feira Orgânica da Tijuca
Local: Praça Afonso Pena, às quintas-feiras, de 7h às 13h.
Feira Orgânica da Barra da Tijuca
Local: na Praça do O, às terças-feiras, de 7h às 13h.
Feira Orgânica de Botafogo
Local: Praça da esquina da Rua Muniz Barreto com Rua São Clemente, aos sábados, de 7h às 13h.
Feira Orgânica do Flamengo
Local: Praça José de Alencar (Rua Marques de Abrantes, esquina com Rua São Salvador), às terças-feiras, de 7h às 13h.
Feira Orgânica de Laranjeiras
Local: Praça Jardim Laranjeiras (Rua General Glicério, altura do n. 224), às terças-feiras, de 7h às 13h.
Feira Orgânica da Freguesia
Local: Praça Professora Camisão, aos sábados, de 7h às 13h.
Feira Orgânica da Leopoldina
Local: Praça Marechal Maurício Cardoso - Olaria, aos sábados, de 7h às 13h.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Plante muitas árvores, mas nunca o Ficus na cidade!

Ficus na Zona Leste de São Paulo

Árvore já apresentada aqui em outro artigo (ver), o popular Ficus (Ficus benjamina), está sendo disseminado pela população em todo o Brasil a uma velocidade impressionante. Acredito que não existe mais município no Brasil sem ele. Vendido em floriculturas, supermercados e em diversos lugares por um preço bem em conta, muitas vezes é a única árvore disponível, e que se disfarça muito bem quando pequeno no vaso, podendo ter seu tronco trançado e parecer um “bonsai” muito ornamental, bom para presentes e decorar ambientes.

Sua venda devia ser proibida por lei, e não se trata de implicância com a “pobre” árvore. Nativa da Ásia e melhorada por viveiristas da Holanda, é produzida aos milhões em Holambra-SP, com baixíssimo custo. Quando plantada no solo, fora do vaso, suas raízes agressivas destroem galerias pluvias, de esgoto, fiações enterradas, fundações e o que mais houver pela frente, causando enormes prejuízos materiais.
Como é uma árvore que cresce em qualquer solo e clima brasileiro, extremamente rústica, já existe até em cidades ribeirinhas no meio da floresta amazônica, mesmo com tantas belas árvore nativas à disposição(!!).
O problema é que ela surgiu no mercado há cerca de 20 anos, e muitas destas belas arvorezinhas presentes nas cidades não chegaram ainda sequer a idade adulta. Daqui algumas décadas elas ficarão adultas e vamos ter um problema seríssimo nas edificações das cidades e prejuízos  públicos e particulares incalculáveis por causa desta “bonsai”. A conta irá então para o bolso de todos, e o que é pior, a fama ficará para todas as árvores urbanas, naquele velho pensamento que árvore na cidade só dá problema.
Ricardo Henrique Cardim

domingo, 5 de outubro de 2014

PROPAGACION Y VENTA DE MANI FORRAJERO (Arachis pintoi)



+ venda de mudas de amendoim forrageiro(para POA e RS)

+ Venda de minhocasvermelhas da califórnia.

+Venda de Mudas de Ora-Pro-Nobis.

+Venda de sementes fisális ou camapu ou saco-de-bode

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Pragas exóticas - A erradicação do Pinus Elliottii na Ilha de Florianópo...





Lei Municipal 9097/2012, aprovada pela Câmara de Vereadores de Florianópolis e com apoio dos ambientalistas, determina a remoção da vegetação exótica invasora, em expansão no território da Ilha Capital. O Plano de Manejo estabelece o prazo de 10 anos para remoção das pragas exóticas das espécies Pinus Elliottii, Eucalyptus e Casuarina ssp, as quais serão substituídas pelo plantio de mudas nativas da região da Mata Atlântica.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Batata yacon, um ótimo alimento e excelente medicamento - Programa Rio G...





Uma planta que está sendo muito procurada, principalmente para tratar o diabetes, é a batata yacon. 

Conheça um pouco desta planta, que além de ser um ótimo alimento, ainda é um excelente remédio.

Jornalista Marcela Buzatto

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Azolla – The best feed for cattle and poultry


Azolla is a free floating water fern that floats in water and fixes nitrogen in association with the nitrogen fixing blue green algae, Anabaena azollae. Azolla is considered to be a potential biofertilizer in terms of nitrogen contribution to rice. Long before its cultivation as a green manure, Azolla has been used as a fodder for domesticated animals such as pigs and ducks. In recent days, Azolla is very much used as a sustainable feed substitute for livestock especially dairy cattle, poultry, piggery and fish. 
Azolla contains 25 – 35 per cent protein on dry weight basis and rich in essential amino acids, minerals, vitamins and carotenoids including the antioxidant b carotene. Cholorophyll a, chlorophyll b and carotenoids are also present in Azolla, while the cyanobiont Anabaena azollae contains cholorophyll a, phycobiliproteins and carotenoids. The rare combination of high nutritive value and rapid biomass production make Azolla a potential and effective feed substitute for live stocks.

Inputs required
Azolla fronds, Polythene sheet, Super phosphate and Cow dung.

Methodology
The area selected for Azolla nursery should be partially shaded. The convenient size for Azolla is 10 feet length, 2 feet breadth and 1 feet depth. The nursery plot is spread with a polythene sheet at the bottom to prevent water loss. Soil is applied to a depth of 2 cm and a gram of super phosphate is applied along with 2 kg of vermicompost or cow dung in the nursery for quick growth. Azolla mother inoculum is introduced @ 5 kg/plot.
The contents in the plot are stirred daily so that the nutrients in the soil dissolve in water for easy uptake by Azolla. Azolla is harvested fifteen days after inoculation at the rate of 50-80 kg / plot. One third of Azolla should be left in the plot for further multiplication. Five kg cow dung slurry should be sprinkled in the Azolla nursery at  ten days intervals. Neem oil can be sprayed over the Azolla at 0.5 5 level to avoid pest incidence.
Animal
Dosage / day
Adult cow , Buffalo, Bullock
1.5-2  kg
Layer, Broiler birds
20 – 30 grams
Goat
300 – 500 grams
Pig
1.5 – 2.0 kg
Rabbit
100 gram
Value of the technology
The egg yield is increased in layer birds due to Azolla feeding. The Azolla fed birds register an overall egg productivity of 89.0 per cent as against 83.7 per cent recorded by the birds fed with only concentrated feed. The average daily intake  of concentrated feed is considerably low (106.0 g) for birds due to Azolla substitution as against 122.0 g in the control birds. More impotantly Azolla feeding shows considerable amount of savings in the consumption of concentrated feed (13.0 %) leading to reduced operational cost. By considering the average cost of the concentrated feed  as Rs. 17/ Kg, a 13.0 % saving in the consumption ultimately leads to a feed cost savings of 10.0 paise /day/ bird and hence a layer unit maintaining 10,000 birds could cut down its expense towards feed to a tune of rs.1000/day.
Benefits
The Azolla feeding to layer birds increase egg weight, albumin, globulin and carotene contents. The total protein content of the eggs laid by the Azolla fed birds is high and the total carotene content of Azolla eggs(440 g 100 g-1 of edible portion)is also higher than the control. The rapid biomass production due to the high relative growth rate, increased protein and carotene contents and good digestability of the Azolla hybrid Rong ping favour its use as an effective feed supplement to poultry birds.
Effect of Azolla hybrid Rong Ping on the nutritional value of egg
Parameters Azolla egg Control percentage increase over control
Egg weight (g) 61.20 57.40 6.62
Albumin (g /100 g of edible portion) 3.9 3.4 14.70
Globulin (g /100 g of edible portion) 10.1 9.5 6.31
Total protein (g/ 100 g of edible portion) 14.0 12.9 8.52
Carotenes (µg / 100 g of edible portion) 440 405 8.64
Application
In Indian conditions, agriculture is very much coupled with poultry farming. Azolla is an important low cost input, which plays a vital role in improving soil quantity in sustainable rice farming. The twin potentials as biofertilizer and animal feed make the water fern Azolla as an effective input to both the vital components of integrated farming, agricultural and animalo husbandry.
Limitation
Azolla is a water fern and requires a growth temperature of 35-38º C. The multiplication of Azolla is affected under elevated temperature. Hence adopting this technology in dry zones where the temperature exceeds 40ºc is difficult.
Achievements
Azolla hybrid Rong ping had been selected to supply to the tribal population. Azolla mother inoculum nursery was  laid out in villages with the help of Krishi Vigyan Kendra, TNAU, Coimbatore and Krishi Vigyan Kendra, Karamadai,  women entrepreneurs were selected and one day training  was imparted to them  on the cultivation of Azolla. Wet biomass (Starter inoculm) were supplied at free of cost @ 10 kg/women entrepreneur during the training so as to enable them to initiate commercial Azolla cultivation in their backyards.
Azolla multiplication plots had been laid out in Narasipuram. Azolla mass production training was conducted to the SHG in Narasipuram village with the help of Kalaimagal Arts and Science College, Narasipuram, Sappanimadai (tribal village) and Avinashilingam KVK, Karamadai. With the help of Avinashilingam KVK, Karamadai Azolla trainings were conducted to women volunteers and we have established Azolla village in Karamadai. The Avin milk producers union Coimbatore and the poultry owners association,  Namakkal have been contacted and explained the importance of Azolla as feed supplement.
The Milk Producers Union also involved in the training and marketing of Azolla. They are purchasing Azolla fronds from the village level Azolla growers both under wet and dry conditions. Around 400 rural women and 370 tribal people have been trained on the cultivation of Azolla through this project. The Azolla laboratory and the Azolla germplasm center at AC& RI, TNAU, Coimbatore helped us in the maintenance of germplasm by providing the mother inoculum. The Animal Husbandry Unit at AC&RI, TNAU, Coimbatore  helped us in standardizing the Azolla and concentrated feed mixing ratio.









Azolla mass multiplication in pits









Feeding Azolla to Rabbit









Feeding Azolla to Rabbit









Feeding Azolla to Poultry









Feeding Azolla to Poultry









Feeding Azolla to Livestock









Feeding Azolla to Livestock









Inoculating Super phosphate and Cow dung in Azolla pit

6. List of Biofertilizer production units in Tamil Nadu
Department of Agricultural Microbiology, Agriculture College and Research Institute,
Tamil Nadu Agricultural University
Dr. S. Anthoniraj
MADURAI-625 104
( 0452-422956 fax: 422785
e-mail: s_anthoniraj@yahoo.com

Biofertilizer Production Unit, Department of Agriculture, Govt. of Tamil Nadu
Gundusalai Road, Sommandalam,
CUDDALORE-607 001 (TN)
Biofertilizer Production Unit, Department of Agriculture, Govt. of Tamil Nadu
Agricultural Chemist
Sakkottai,
THANTAVUR-612 401 (TN)
Biofertilizer Production Unit, Department of Agriculture, Govt. of Tamil Nadu
Jamal Mohd. College Post, Khajamalai,
TRICHY-620 020 (TN)
KRIBHCO
Sidco Garment Complex, Thiruvika Industrial Estate, Guidy,
CHENNAI-32
Regional Research Station
Tamil Nadu Agricultural University,
PIYUR-635 112
Via-Kaveripattinam
Dharmapuri District
( 04343-50043

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fome: o ingênuo otimismo da ONU

 
"O modelo da FAO é afinado constantemente com pesquisas dirigidas à base de amostragem, com o objetivo de identificar grupos particularmente vulneráveis. Esse modelo é criticado pelos pesquisadores Bernard Maire e Francis Delpeuch por calcular calorias em termos de macronutrientes (proteínas, glicídios e lipídeos), sem levar em conta as deficiências da população em termos de micronutrientes – a carência de vitaminas, minerais e oligoelementos", comenta Juliana Dias, editora, em artigo publicado pelo portal Malaguetta, 25-09-2014.
Eis o artigo.
A indiferença glacial a respeito da fome no mundo contrasta com os dados do sociólogo Jean Ziegler, que considera a destruição anual de dezenas de milhões de homens, mulheres e crianças pela falta de comida como o escândalo do nosso século. No seu estado atual, a agricultura mundial poderia alimentar, sem problemas, 12 bilhões de pessoas, quase duas vezes a população mundial. No entanto, a cada cinco segundos, morre uma criança de menos de dez anos, num planeta que transborda riquezas. Os neurônios do cérebro humano formam-se entre zero e cinco anos. Se nesse período não receber uma alimentação adequada, suficiente e regular, a criança ficará lesionada pelo resto da vida.
Aos 80 anos, Ziegler é o pensador suíço contemporâneo mais conhecido no mundo. Com mais de 20 livros publicados, combina sua produção intelectual com uma resistente intervenção social e política. Atuou como o primeiro relator Especial sobre o Direito Humano à Alimentação e membro do Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos, da Organização das Nações Unidas (ONU), entre 2000 e 2012. Seu último livro, Destruição em massa – geopolítica da fome (Ed. Cortez) é dedicado ao médico brasileiro Josué de Castro, um dos fundadores da agência daONU para Alimentação e Agricultura (FAO), reconhecido internacionalmente por seu pioneirismo em denunciar o flagelo da fome.
A reflexão de Ziegler sobre as causas da escassez de alimentos é pertinente para avaliar o recém-lançado Relatório de Insegurança Alimentar no Mundo (SOFI, sigla em inglês), divulgado pela FAO. De acordo com o documento, na última década a redução de famintos chegou a 100 milhões. O número de pessoas “cronicamente desnutridas” chega a 805 milhões no período de 2012 a 2014. Nos países em desenvolvimento, a desnutrição caiu de 23,4% para 13,5%. O Brasil foi o destaque do relatório, apontado como o país que, oficialmente, superou o problema da fome.
Dados do referido relatório indicam que existem 3,7 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o que corresponde a 1,7% da população brasileira. O programa Bolsa Família, que atende 14 milhões de famílias e oPrograma Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), destinado diariamente a 43 milhões de estudantes da Educação Básica, são apontados como fatores relevantes para essa superação, cumprindo o primeiro ponto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), previsto para 2016: eliminar a fome.
O otimismo do relatório, tanto em nível global, como na América Latina e Caribe, esbarra com as declarações deZiegler, embasadas na experiência de mais de uma década na linha de frente da defesa do Direito Humano à Alimentação. Ao destrinchar as causas da fome, ele aponta os “senhores dos trustes agroalimentares”, os dirigentes da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI), dos diplomatas ocidentais, dos especuladores de alimentos básicos; e dos que chama de “abutres do ouro verde” (produtores de agrocarburantes, ou combustíveis de base vegetal) como os que se empenham em naturalizar a fome.
Ziegler começa sua exposição explicando como os dados da FAO são coletados. O modelo matemático data de 1971 e é de extrema complexidade, a qual o autor se propõe a simplificar. O primeiro passo é fazer um recenseamento da produção de bens alimentares, exportação e importação, especificando o conteúdo calórico. A Índia, por exemplo, abriga a metade de todas as pessoas grave e permanentemente subalimentadas do mundo, mas exporta cerca de 17 milhões de toneladas de trigo[1].
Assim, a FAO obtém a quantidade de calorias disponível em cada país, de acordo com as variáveis: faixa etária, sexo, tipo de trabalho executado e situação socioprofissional. Na segunda etapa os estatísticos estabelecem a estrutura demográfica e sociológica da população. Ao correlacionar os dois agregados de indicadores, obtêm-se os déficits calóricos globais dos países e é fixada a quantidade teórica de pessoas permanentemente e gravemente subalimentadas. A crítica de Ziegler é que os dados não dizem nada a respeito da distribuição de calorias no interior de uma população determinada.

O modelo da FAO é afinado constantemente com pesquisas dirigidas à base de amostragem, com o objetivo de identificar grupos particularmente vulneráveis. Esse modelo é criticado pelos pesquisadores Bernard Maire e Francis Delpeuch por calcular calorias em termos de macronutrientes (proteínas, glicídios e lipídeos), sem levar em conta as deficiências da população em termos de micronutrientes – a carência de vitaminas, minerais e oligoelementos.
A confiabilidade dos dados também é posta a prova, pois se baseia inteiramente na qualidade das estatísticas fornecidas pelos Estados. Apesar das críticas, Ziegler reconhece a pertinência, e que o modelo dá conta, a longo prazo, das variações dos números dos subalimentados e das mortes pela fome no planeta, caso do relatório publicado no último dia 16 de setembro. Para o sociólogo e militante, os números subestimam o fenômeno, mas permitem conhecer o cenário árido dos famélicos em todo o mundo.
Os três grupos de pessoas mais vulneráveis são os pobres rurais, os pobres urbanos e as vítimas de catástrofes. A maioria dos que não têm o que comer pertence às comunidades rurais pobres dos países em desenvolvimento. Quem produz alimento está exposto à fome. É uma contradição a ser enfrentada. A escassez está nos campos onde se deveria tirar o sustento. Ziegler ataca a prática de que a segurança e a soberania alimentar sejam lideradas pelo jogo do livre mercado. A ideia que paira é que somente o mercado pode vencer o flagelo da fome.
Basta potencializar ao máximo a produtividade agrícola mundial, liberar e privatizar para se ter acesso a uma alimentação adequada, suficiente e regular para todos. “O mercado, enfim, liberado derramará, como uma chuva de ouro, seus favores sobre a humanidade” (p. 158). Para uma questão complexa como a alimentação, propaga-se uma solução unilateral e reduzida a uns poucos atores sociais.
A questão agrária é posta pelo ex-relator como um desafio para combater a fome. As terras são disputadas para o plantio de comodities da produção agrícola ou os agrocarburantes, também divulgados como biocombustíveis, dos quais, esclarece Ziegler, existem dois tipos: o bioetanol e o biodiesel. O prefixo bio (vida, vivo), indica que o carburante (etanol ou diesel) é produzido a partir de matéria orgânica (biomassa). Não há relação direta com uma agricultura biológica, como sugere o termo biocombustível. A confusão favorece a imagem desse carburante que se imagina limpo e ecológico. Também chamado de Ouro Verde, essa matriz de produção energética é considerada pelo sociólogo como a nova recolonização do território, devastando os recursos naturais e aprofundando mazelas sociais, culturais e econômicas.
No Brasil, o protagonista é a cana-de-açúcar. Matéria-prima de base do período colonial com a monocultura para a produção de açúcar, esse plantio retorna ocupando os campos de alimentos para a produção de agrocarburantes.Zielger critica duramente o programa brasileiro Proálcool: “além dos barões brasileiros do açúcar, o Proálcoolbeneficia as grandes sociedades transcontinentais estrangeiras (Louis DreyfusBungeNoble Group e Archer Daniels Midland)”.
Ao estabelecer a relação entre combustível e comida, ele relembra o dado com que inicia o seu livro: “queimar milhões de toneladas de alimentos em um planeta em que, a cada cinco minutos, morre de fome uma criança de menos de dez anos é evidentemente revoltante”. Para produzir 50 litros de bioetanol, é preciso destruir 358 quilos de milho. No México e na Zâmbia, o grão é a base da alimentação. Com essa quantidade daria para alimentar durante um ano uma criança nesses países. “Agrocarburantes: tanque cheio e barriga vazia”, sentencia Ziegler.
Na visão do geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves [2], a classificação adequada desde o início da colonização até os dias de hoje é “sistema-mundo moderno colonial”. O modelo agrário/agrícola, que se apresenta como o que há de mais moderno, sobretudo por sua capacidade produtiva, atualiza o que há de mais antigo e colonial em termos de padrão de poder ao estabelecer uma forte aliança oligárquica entre as grandes corporações financeiras internacionais; as grandes indústrias-laboratórios de adubo, fertilizantes, herbicidas e sementes; as grandes cadeias de comercialização ligadas aos supermercados; os grandes latifundiários exportadores de grãos [3].
Para se ter uma ideia de como a fome não pode ser subestimada, muito menos naturalizada, Ziegler cita dados sobre o controle do mercado sobre a produção de alimentos no mundo: “apenas dez corporações – entre as quaisAventisMonsantoPioneer e Syngenta – controlam um terço do mercado global de sementes, estimado em 23 bilhões de dólares por ano; e 80% do mercado de pesticidas, em torno de 28 bilhões de dólares. Dez outras corporações, entre as quais a Cargill, controlam 57% das vendas dos 30 maiores varejistas do mundo e representam 37% das receitas das 100 maiores sociedades fabricantes de produtos alimentícios e de bebidas (p. 152). Sobre a atuação dessas multinacionais, João Pedro Stédile, um dos principais dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), afirma que “o objetivo não é produzir alimentos, mas mercadorias para ganhar dinheiro” (p. 153).
A forma como se produzem, distribuem e consomem alimentos – considerando a comida como uma mercadoria, regulada por um mercado voraz, e Estados enfraquecidos – é uma maneira de violar o direito à alimentação e de limitar a soberania alimentar das nações, destruindo os territórios, lugares de produção de alimentos, cultura, memória e saberes. Essa indiferença glacial, à qual se refere Zielger, é intolerável. Para vencer esse monstro, o autor se mostra esperançoso com o “formidável despertar das forças revolucionárias camponesas nas zonas rurais do hemisfério Sul. Sindicatos camponeses transnacionais [como a Via Campesina], associações de lavradores e criadores lutam contra os abutres do ‘ouro verde’ e contra os especuladores que tentam roubar suas terras. Essa é a força principal da luta contra a fome” (p. 28).

Ziegler cita um provérbio chinês que Che Guevara gostava de pronunciar para justificar sua esperança e incentivar a resistência: “Os muros mais sólidos desmoronam por suas fissuras”. Assim, ele convoca a provocar, o tanto quanto possível, fissuras na ordem atual deste mundo que “esmaga brutalmente os povos”. O inimigo, como o autor chama, está exposto nos relatórios da FAO. Há que questionar com essas estatísticas por que 805 milhões de pessoas morrem de fome no século XXI. A experiência do sociólogo e militante nos mostra que o gigante pode ser maior e os que deveriam eliminá-lo estão buscando estratégias para naturalizá-lo.
Ao comparar o relatório com o relato de Ziegler é relevante refletir as contradições e ambiguidades que o sistema alimentar produz. O que está evidente, talvez nas entrelinhas ou com a ajuda de autores como este em questão, é que se torna injustificável uma destruição pela falta de acesso à comida, de qualidade e em quantidade, respeitando a cultura, como estabelece o conceito de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil.
Como é possível o homem travar uma guerra ambiciosa e inescrupulosa em favor do consumo e do lucro, contra sua própria espécie? Como explicar esse desejo autodestrutivo? Por que o outro é tratado com inferioridade se, na verdade, é a imagem refletida de seu semelhante? É necessário derreter essa indiferença glacial e compreender que comida não é produto de prateleira, é um direito básico à vida humana. Pensemos nos dados da FAO como uma tarefa que demanda esforços coletivos para provocar fissuras no muro sólido da mercantilização da comida, antes bem comum e de interesse público.
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Notas
[1] _ Período entre junho de 2002 e novembro de 2003.
[2] _ 2006
[3] 2006, p. 243
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Referências Bibliográficas
Porto-Gonçalves, C.W. A globalização da natureza e a natureza da globalização. 2ª edição. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 2006.
Ziegler, J. Destruição em massa. Geopolítica da fome. Trad.: José Paulo Netto – 1ª edi. São Paulo: Editora Cortez, 2013.
____ The State of Food Insecurity in the World. Roma: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, 2014.

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