A descoberta pode alterar o destino dos resíduos, segundo o pesquisador Guilherme Lenz, do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas da UFSC
Sarah MouraFlorianópolis
Pesquisas sobre adubo foram feitas no cultivo de alfaceFoto: Arquivo pessoal de Guilherme Lenz/NDMaisUm estudo feito na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) que transforma restos de peixe em adubo foi premiado no Innovation Awards Roullier 2025-2026, na França, nesta semana.
“De maneira geral, os resultados indicam que a utilização de resíduos de pescado como bioinsumos agrícolas pode contribuir simultaneamente para a valorização de resíduos e economia circular, manutenção da produtividade agrícola, melhoria da qualidade biológica do solo e promoção de sistemas agrícolas mais sustentáveis e resilientes”, afirmou o pesquisador, em nota.
Uma pesquisa inovadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) conquistou um prêmio internacional ao transformar resíduos de pescado em um poderoso biofertilizante para a produção de alface. O projeto, desenvolvido pelo pesquisador Guilherme Lenz, venceu o prêmio internacional Innovation Awards Roullier 2025-2026 na categoria Scale Up. O adubo ecológico, testado tanto na forma líquida quanto em pó, passou por validação laboratorial na universidade e provou que pode manter a produtividade das plantas de forma idêntica aos fertilizantes químicos tradicionais.
Diferente dos adubos minerais comuns, que costumam atrair microrganismos causadores de doenças, o novo produto biológico melhorou a saúde do solo. Os testes de laboratório e de campo mostraram que o adubo feito com restos de peixe aumentou a presença de fungos e bactérias do bem, que ajudam na circulação de nutrientes e na decomposição da terra. De acordo com Guilherme, a técnica gera uma economia circular, pois aproveita materiais que antes virariam lixo ou produtos de baixo valor, transformando-os em um rico estimulante cheio de proteínas e minerais para a agricultura.
O prêmio garante mentoria e incubação técnica com especialistas do setor, dando ao pesquisador o direito de usar os laboratórios de ponta de uma multinacional francesa. Essa estrutura vai ajudar a adaptar a tecnologia para o mercado, facilitando novos testes práticos.
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