terça-feira, 29 de setembro de 2020

Brasil lança novo amendoim forrageiro para consórcio com pastagens. revista vida rural

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Leonardo Gottems
 
23 Setembro, 2020

Permite diversificar as pastagens, melhorar a fertilidade do solo e a dieta animal na pecuária, além de manter o pasto produtivo por mais tempo. Está lançada a primeira variedade de amendoim forrageiro no Brasil, pelas mãos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Trata-se de uma espécie propagada por sementes, para ser consorciada com gramíneas forrageiras, e já foi apresentada em plantações demonstrativas a agricultores do município de Rio Branco, do estado do Acre, no extremo norte do país.

Segundo Bruno Pena, chefe adjunto de transferência de tecnologias da Embrapa Acre, a nova cultivar de amendoim forrageiro é uma alternativa para a intensificação da atividade pecuária, com baixo impacto ambiental. “Além de reduzir custos na implantação de pastagens consorciadas, já que as cultivares propagadas por mudas necessitam de muita mão de obra, visa melhorar o acesso a sementes de qualidade. Por ser importado de outros países, o quilo do produto chega a custar 200 Reais (32€) no mercado brasileiro. Com a BRS Mandobi (nome com o qual foi batizada) os preços serão mais compatíveis com a realidade dos produtores rurais”, afirma.

Os investigadores demoraram cerca de 20 anos para conseguir desenvolver esta variedade, que foi trabalhada no âmbito do projeto “Desenvolvimento de cultivares de amendoim forrageiro para uso em sistemas sustentáveis de produção pecuária”, executado pela Embrapa Acre, em parceria com unidades de outros estados brasileiros e especializadas em gado de corte e de leite e a Associação para Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), entidade que reúne mais de 30 empresas do setor de produção de sementes.

A variedade já está registrada no “Sistema Nacional de Proteção de Cultivares” do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) brasileiro, para proteger a propriedade intelectual dos desenvolvedores. O amendoim foi produzido em campos experimentais e o objetivo agora é acelerar a comercialização, sendo que ao produtor.

Captura de nitrogénio é um dos destaques

Como principal característica da planta, a nova variedade destaca-se por possuir a capacidade de capturar nitrogénio do ar e fixá-lo no solo, em função da associação da planta com bactérias que vivem na terra. De acordo com o investigador da Embrapa Acre, Judson Valentim, em consórcios com 30% de amendoim forrageiro na sua composição, é possível incorporar até 150 quilos de nitrogénio na pastagem, o equivalente a 330 quilos de ureia, obtidos de forma natural.

“Este resultado proporciona uma economia anual de cerca de 600 reais por hectare (cerca de 93€), para o produtor rural, que deixa de gastar em adubos nitrogenados. Além de suprir a necessidade de nitrogénio nas pastagens, a baixo custo, o amendoim forrageiro possui um elevado teor de proteína bruta, entre 18 e 25%, nutriente que melhora a qualidade da forragem e o desempenho produtivo do rebanho. Bem consumida pelo gado, a planta proporciona aporte proteico à dieta animal, fator que reduz a emissão de carbono no ar, contribuindo para mitigar os impactos ambientais da produção de carne e leite a pasto”, explica.

Para Marcos Roveri, gerente da Unipasto, os consórcios de gramíneas e leguminosas tem um alto valor agregado, pois são uma estratégia eficiente para promover de forma contínua a sustentabilidade pecuária na Amazónia e outras regiões do País. “Apostamos nesses sistemas por acreditar na viabilidade e competitividade e nos ganhos reais para a produção de carne e leite e para o meio ambiente”, afirma.

Além da diminuição da pegada ambiental, a produtividade também pode ser comprovada nos resultados dos ensaios em campos experimentais. Segundo o pesquisador Maykel Sales, em pastos formados exclusivamente com gramíneas, a produtividade potencial foi de 24 arrobas de peso vivo/hectare/ano, apenas com suplementação mineral. Já em pastagens consorciadas, a produtividade saltou para 35 arrobas de peso vivo/hectare/ano.

“Embora alcançado por parâmetros rigorosos de pesquisa, esse resultado é fantástico se comparado com a produtividade média da pecuária nacional, em sistemas completos de cria, recria e engorda, de seis arrobas de peso vivo por hectare/ano em pastos puros. Em consórcios conduzidos de forma convencional, em propriedades rurais familiares do Acre, a produtividade mínima é 12 arrobas de peso vivo/hectare/ano, o dobro da média nacional”, enfatiza o investigador.


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