O Curso Uso e Conservação da Agrobiodiversidade por meio de metodologias participativasserá oferecido pelo Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Ecologia e Agrobiodiversidade (NEPEEA) da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) - Unidade Ituiutaba em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
O NEPEEA desenvolve ações inter e multidisciplinares em diferentes linhas de pesquisas e áreas do conhecimento no âmbito da Ecologia e Agrobiodiversidade. Tem como objetivo capacitar os participantes em Metodologias Participativas Aplicadas à Conservação e Uso da Agrobiodiversidade.
Compostagem doméstica não causa mau cheiro e pode ser lucrativo
Fonte: ZAP Imóveis
Compostagem doméstica produz um adubo de qualidade para o seu próprio plantio (Foto: Divulgação/Morada da Floresta)
Você sabia que o lixo orgânico de sua casa pode ser reaproveitado? A composteira doméstica, ou minhocário, transforma o resíduo orgânico em adubo, que pode ser utilizado posteriormente em uma horta caseira ou, até mesmo, ser vendido. E o melhor, o sistema de compostagem não gera mau cheiro, se utilizado da maneira correta.
De acordo com dados do IBGE, a matéria orgânica corresponde a 60% do total de lixo gerado no Brasil, causando impactos ambientais. Segundo Leopoldo Matosinho, gestor administrativo da Morada da Floresta, o reaproveitamento deste lixo produz nutrientes essenciais ao solo por meio do adubo orgânico, também chamado de húmus.
“A reciclagem de lixo orgânico, além de trazer economia para empresas, pode reaproximar as famílias da terra e do plantio, já que o produto gerado pela compostagem, o húmus, é essencial para o cultivo de plantas e alimentos”, explica Matosinho.
Composteira, ou minhocário, produzido pela Morada da Floresta custa a partir de R$ 161 (Foto: Divulgação/Morada da Floresta)
As composteiras domésticas comercializadas pela Morada da Floresta funcionam com três caixas de plástico empilhadas. As duas de cima, que contêm húmus e minhocas, digerem os resíduos orgânicos e a última recolhe o chorume, um fertilizante potente, que escorre das caixas de cima.
Essas caixas são furadas para facilitar o fluxo das minhocas e do chorume e a caixa coletora possui uma torneira para a retirada do líquido. Os compartimentos de cima servem para o descarte do lixo orgânico.
Este material se transforma em adubo e chorume em aproximadamente um mês após o preenchimento da primeira caixa. “O chorume deve ser diluído em água e o ideal é sempre utilizá-lo fresco. Ele é um adubo poderoso e, por ser líquido, possui alta absorção pelas plantas”, orienta Matosinho.
O chorume pode ser utilizado para regar as plantas, sem o uso de agrotóxicos (Fotos: Shutterstock)
É importante destacar que a composteira não pode ficar exposta ao sol e nem pegar chuva. Deve ser colocada em um local arejado e sombreado para que o bem-estar e a vida das minhocas não sejam comprometidas. Ao descartar os resíduos orgânicos deve-se cobrir tudo com matéria vegetal seca, como folhas, serragem, palha ou grama.
“Existem diversas soluções caso tenha algum problema, desde uso de cinzas de carvão, borra de café, etc. A solução varia de acordo com o problema”, afirma Matosinho.
O que pode ser jogado na composteira –Frutas, legumes, verduras, grãos e sementes, saquinhos de chá, erva de chimarrão, borra de café, de cevada (com filtro), sobras de alimentos cozidos ou estragados (sem exageros), cascas de ovos, palhas, folhas secas, serragem, gravetos, palitos de fósforo e dentais, podas de jardim, papel toalha, guardanapos de papel, papel de pão, papelão, embalagem de pizza e papel jornal (em pouca quantidade).
Composteira pode ainda ser feita em casa, com outros materiais
O que não pode –Carnes de qualquer espécie, casca de limão, laticínios, óleos, gorduras, papel higiênico usado, fezes de animais domésticos, frutas cítricas em grande quantidade (laranja, mexerica, abacaxi), alimentos cozidos (em maior quantidade que os alimentos crus), temperos fortes em grande quantidade (pimenta, sal, alho, cebola).
Preços –Existe a possibilidade de produzir uma composteira em casa, sem a necessidade de gastar muito com os kits. Mas também é possível comprar as caixas coletoras, já com um pouco de adubo e minhoca, que se reproduzem com facilidade.
A Morada da Floresta oferece dois kits para residências. O primeiro, indicado para uma pessoa, custa R$ 161 e o segundo, indicado para quatro ou cinco pessoas, custa R$ 299.
Nada melhor do que comer os vegetais que foram plantados em casa
Pasto de pequeno proprietário nas
imediações da Floresta Nacional do Tapajós, Pará, com a área de
preservação ao fundo; na região amazônica, 60% a 80% das áreas
desmatadas são ocupadas por pastagens – Foto: Leandro Fonseca de
Souza/Cena-USP
.
Recuperar a cobertura vegetal de
áreas degradadas utilizadas como pastagem tem potencial de reduzir o
impacto da atividade pecuária na emissão de gases de efeito estufa, em
especial o metano. A conclusão é de pesquisa do Centro de Energia
Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, realizada na
Amazônia, região onde é comum a substituição da floresta por pastos. O
estudo traz indícios de que áreas com a vegetação degradada, com falhas
na cobertura de pasto, emitem mais metano e mostra que medidas adotadas
para melhorar a qualidade do solo favorecem o crescimento das plantas
usadas para pastagem e reduzem a presença de micro-organismos que
produzem metano.
O metano é um dos gases de efeito estufa, responsáveis pelo
aquecimento global. “Quando há a floresta, esse gás é retirado da
atmosfera e retido abaixo das árvores, por meio de micro-organismos
presentes no solo”, afirma o biólogo Leandro Fonseca de Souza, que
realizou a pesquisa. “Com o desmatamento e a substituição da floresta
por pastos, há emissão de metano para a atmosfera, produzido inclusive
por micro-organismos, o que agrava o efeito-estufa”.
O biólogo foi até a região amazônica para medir as emissões e o fluxo
de gases no solo, comparando o que acontece na floresta e nas áreas de
pastagem. “Os solos amazônicos são naturalmente ácidos. A queima da
floresta e incorporação das cinzas no solo reduzem essa acidez”, relata.
“A medição aconteceu em áreas diferentes, no Pará e em Rondônia. Foram
feitas várias medições ao longo do ano, para avaliar os períodos de seca
e de chuva. Ao mesmo tempo, houve a coleta de amostras de solo para
analises microbiológicas, que serviram para entender o comportamento dos
micro-organismos em cada uma das áreas.”
A análise das emissões de gases confirmou que a floresta retira o
metano da atmosfera, o qual é retido por micro-organismos que ficam no
solo, e também demonstrou a importância dos micro-organismos junto às
raízes das gramíneas neste processo. “O estudo identificou quais são
esses micro-organismos e como muda sua abundância com as mudanças no
ambiente”, explica Fonseca de Souza. “O objetivo é entender como o
manejo da pastagem pode reduzir as emissões de metano.” .
Ao
fundo, área vizinha à propriedade de pastagem, com uma mata secundária,
já explorada; recuperação de áreas degradadas exige melhoria da
qualidade do solo e recolocação de plantas – Foto: Leandro Fonseca de
Souza/Cena-USP
.
Manejo de pastagem
+ Mais
Infografia: Jornal da USP
. .
Maisinformações: e-mail leandro_fonseca@usp.br, com Leandro Fonseca de Souza