sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Capim Elefante: Uma Nova Fonte Alternativa de Energia

Segundo Urquiaga,

Bruno Alves,

Robert Boddey


A cultura de capim-elefante (Pennisetum purpureum) é altamente eficiente na fixação de CO2 (gás carbônico) atmosférico durante o processo de fotossíntese para a produção de biomassa vegetal. Esta característica é típica de gramíneas tropicais que crescem rapidamente e otimizam o uso da água do solo e da energia solar para a produção de biomassa vegetal.



O capim-elefante tem sua origem da África. Apresenta uma grande variabilidade genética, com características variáveis de rendimento, fotoperíodo, perfilhamento, relação colmo/folha e qualidade como forragem. A seleção de variedades de alto rendimento e qualidade, visando fundamentalmente seu uso como forragem animal, tem sido o principal objetivo dos estudos com essa cultura.



Por ser uma espécie de rápido crescimento e de alta produção de biomassa vegetal, o capim-elefante apresenta um alto potencial para uso não apenas como fonte alternativa de energia senão também para a obtenção de carvão vegetal usado na produção industrial de ferro gusa. Além disso, deve-se destacar que o capim-elefante, por apresentar um sistema radicular bem desenvolvido, poderia contribuir de forma eficiente para aumentar o conteúdo de matéria orgânica do solo, ou o seqüestro de C (carbono) no solo.





Produção de biomassa



O CO2 atmosférico é a fonte de C da planta para seu crescimento, utilizado através do processo fotossintético. Pode-se considerar que esta fonte de CO2 é ilimitada, e, por isso, a acumulação de biomassa pelas plantas dependerá apenas de outros fatores que afetam o crescimento vegetal, destacando-se a disponibilidade de nutrientes minerais, as condições físicas e químicas do solo, a disponibilidade de água e adequada temperatura. Relatos de pesquisa mostram que a produção anual de biomassa desta cultura pode chegar a mais de 100 Mg ha-1, desde que genótipos eficientes sejam utilizados e condições próximas das ideais sejam garantidas. Porém, quando o capim-elefante é cultivado para uso como fonte de energia (produção de carvão vegetal), é interessante que os teores de P e N (nitrogênio) nos tecidos da planta sejam baixos para garantir a melhor qualidade do carvão para uso na siderurgia. Por isso, o uso de fertilizantes deve ser racionalizado, o que faz com que os níveis de produtividade da cultura normalmente fiquem num patamar bem abaixo do potencial da cultura. A Embrapa Agrobiologia vem desenvolvendo estudos com a cultura para identificar genótipos capazes de acumular níveis satisfatórios de biomassa em solos pobres em N. Nestes estudos, mostrou-se que alguns genótipos recebem contribuições significativas da fixação biológica de nitrogênio, o que aparentemente lhes garante a condição para produzir mais de 30 t/ha/ano de colmos secos, com mínima aplicação de outras fontes de nutrientes. A qualidade do material produzido tem sido considerada ideal para produção de carvão.



Capim-elefante para uso em siderurgia



Em geral, o teor de C nos tecidos vegetais apresenta mínima variação. Na biomassa vegetal do capim elefante o teor de C é aproximadamente 42%, na base de matéria seca. Assim, uma produção média de biomassa seca de colmos de capim elefante de 30 t/ha/ano, como conseguida na Embrapa Agrobiologia, acumularia um total de 12,6 t C/ha/ano Se toda a biomassa é utilizada na produção de carvão vegetal, e considerando que no processo de carvoejamento apenas 30% da biomassa se transforma em carvão, deduz-se que cerca de 3,8 Mg C ha-1 ano-1 derivado do capim elefante tem potencial de substituir o carbono mineral usado na produção de ferro gusa. Deve-se destacar que o carvão derivado da biomassa do capim elefante serve tanto como fonte de energia como na própria constituição do ferro gusa.



No caso do carvão da biomassa de capim elefante substituir, por exemplo, 200.000 toneladas por ano de carvão mineral, quantidade média usada na indústria siderúrgica de médio porte, pode-se deduzir que o potencial de substituição de C derivado do capim elefante seria de 84.000 toneladas de C/ano, o equivalente a 308.000 toneladas de CO2 /ano. Para isso seriam necessários 12 mil ha plantados com o esta cultura.



Faltaria ainda avaliar a possibilidade de se produzir carvão vegetal incluindo-se as folhas, pois a relação colmo/folha desta cultura pode variar entre genótipos, assunto que também está sendo estudado na Embrapa Agrobiologia em nível de campo. Os dados obtidos na área experimental da Embrapa Agrobiologia indicam que nas variedades Gramafante, Cameroon Piracicaba e BAG 02, selecionadas durante 10 anos de pesquisa em cooperação com a Embrapa Gado de Leite, a relação colmo/folha varia de 1,5 a 2,7. Caso o processo de carvoejamento permita o processamento de folhas sem diminuição da eficiência, o potencial de produção de carvão por hectare para uso em siderurgia aumentaria em 60 a 100%.



Impacto econômico



O protocolo de Quioto, assinado por 170 países em 1997, visa reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera para valores equivalentes aos observados em 1990. Os países europeus, signatários do Protocolo, deverão ter suas metas de emissão atingidas em 2005. Essa determinação fez com que o chamado “mercado de comodities de carbono” ganhasse maior importância. A idéia é a de que países com altos níveis de emissão de CO2 possam comprar créditos de C de países que sejam considerados não poluidores e que estejam adotando práticas que permitam seqüestrar ainda mais C da atmosfera. Em outras palavras os poluidores pagarão para que outros países façam o seqüestro de C para eles. Embora represente um ônus para os países poluidores, o mercado de C permite que rapidamente consigam cumprir as metas com Quioto sem que sofram impactos negativos pela obrigatoriedade de reduzir suas atividades (industriais, urbanas, agrícolas etc) que respondem pelas emissões de CO2 atuais.



O mercado de comodities de C de empresas européias considera um preço de US$ 10.oo dólares por tonelada de CO2 seqüestrado ou pela redução na emissão. Assim, baseado nos dados apresentados acima, pode-se estimar que uma empresa de mineração seqüestrando ou deixando de emitir o equivalente a 308.000 toneladas de CO2 ano-1, poderia captar cerca de US$ 3.080.000.oo a cada ano somente por este mecanismo. Adicionalmente, deve-se destacar que existem fortes indícios de que produtos que utilizam fontes de energia renovável terão um valor agregado que facilitará sua inserção em novos mercados com melhores preços.



No País, do ponto de vista socio-econômico, a inserção da cultura de Capim elefante como fonte de energia renovável contribuirá significativamente no agronegócio, diversificando a economia, como também aumentado sensivelmente a fonte de empregos.



Fonte: Embrapa Agrobiologia. Seropédica, RJ



* Artigo originalmente publicado no site www.ambientebrasil.com.br







Segundo Sacramento Urquiaga Caballero, possui graduação em Agronomia pela Universidad Nacional Agraria (1973) , mestrado em Ciência do Solo pela Universidad Nacional Agraria (1978) , doutorado em Solos e Nutrição de Plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (1982) e pos-doutorado pela Wye College London University (1994). Atualmente é Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa Agrobiologia. Seropédica, RJ , professor visitante da Universidad Nacional Agraria, Consultor/Acessor técnico-científico do Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Consultor ad hoc do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e Consultor/assessor técnico-científico da Agência Internacional de Energia Atômica. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Ciência do Solo. Atuando principalmente nos seguintes temas: nutrição de plantas. (Texto gerado automaticamente pela aplicação CVLattes

Contato: urquiaga@cnpab.embrapa.br

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Aprenda o segredo para cultivar uma bromélia

Apesar de acumular água entre as folhas, estudos demonstram que a
espécie não reproduz o mosquito da dengue e que é segura para decorar
sua casa.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Inhame – Colocasia antiquorum


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Inhame – Colocasia antiquorum

Descrição: Herbácea perene, com rizomas bastante feculentos e caule delgado. Possui folhas alternas, de coloração verde a amarela, brilhantes, peltado-ovais, com lobo anteriores levemente agudos, os posteriores menores, ovais, obtusos com quatro ou cinco nervuras laterais em cada página. Os pedúnculos mais curtos que os pecíolos. Apresenta espata de tubo lanceolado e espádice com apêndice agudo.
Cultivo: O inhame é uma herbácea de região tropical e subtropical, que se multiplica através de tubérculos. É considerada planta daninha nos bananais e em outras culturas perenes. Vegeta principalmente em brejos e terrenos bastante úmidos.
Propriedades: A espécie Colocasia antiquorum Schott. fornece uma espécie de batata, que mede aproximadamente 48 centímetros de diâmetro, contendo uma substancia consistente, macia e doce. Quando pouco cozidas, estas batatas possuem sabor acre e irritam a garganta, mas bem cozidas tornam-se muito agradáveis ao paladar sendo por isso bastante apreciadas como alimento principalmente pelas populações de baixa renda e também nas zonas rurais. O inhame pode ser empregado em guisados, sopas, ensopados etc. Pode também ser ingerido como sobremesa, sendo que neste caso deve-se cozinhá-lo sem sal e servi-lo com açúcar, melado ou mel de abelhas. Dizem que as folhas também se constituem em um ótimo alimento quando refogadas com tempero, parecendo um pouco com a couve. Os criadores de suínos utilizam os inhame para a engorda de porcos, constituindo urna boa forragem.
O inhame limpa o sangue
É um dos alimentos medicinais mais eficientes que se conhece: faz muitas impurezas do sangue saírem através da pele, dos rins, dos intestinos. No começo do século já se usava elixir de inhame para tratar sífilis. Acredita-se que foi uma das primeiras plantas cultivadas no planeta.

Fortalece o sistema imunológico
Os médicos orientais recomendam comer inhame para fortificar os gânglios linfáticos, que são os postos avançados de defesa do sistema imunológico. Curioso que a forma do inhame seja tão semelhante à dos gânglios. Ele é riquíssimo em zinco, que aumenta nossas defesas.

Evita malária, dengue, febre amarela
A presença do inhame no sangue permite uma reação imediata à invasão do mosquito, neutralizando o agente causador da doença antes que ele se espalhe pelo corpo. Aldeias inteiras morreram de malária depois que as roças de inhame foram substituídas por outros plantios.

É mais poderoso que a batata
E tem a vantagem de ser nativo, enquanto a semente da batata é importada. Inhame dá com fartura em qualquer lugar úmido. Em vez de apodrecer na cesta, como a batata, ele brota e produz mais inhames. Nas mulheres aumenta a fertilidade porque contém fitoestrógenos, hormônios vegetais, importantes na menopausa e após.

Medicinal é o pequeno, cabeludo
Marronzinho por fora, com a pele variando de roxo a branco. Existem ainda o inhame-do-norte e o cará, maiores e mais lisos, que são muito bons para comer mas não têm o mesmo poder curativo do inhaminho (também chamado de inhame chinês ou cará chinês).

A folha parece com a taioba
É da mesma família; ao contrário do que se pensa, a folha do inhame também serve para comer, cozida ou refogada. Às vezes pinica muito, como a taioba, que às vezes não pinica.

Se pinicar é porque tem muito ácido oxálico
que se apresenta em forma de cristaizinhos finos como agulhas e, nesse caso, não deve ser comido cru. Como há muita variação nos cultivares de inhame, o conteúdo de ácido oxálico (que pode dar pedra nos rins e dificultar a absorção de cálcio e ferro) também varia. O inhame branco japonês parece ser o mais apurado de todos, com teor baixíssimo do ácido.

Emplastro de inhame puxa tudo:
furúnculos, quistos sebáceos, unhas encravadas, verrugas, espinhas insistentes, farpas ou cacos de vidro que entram nas mãos ou nos pés. Desinflama cicatrizes, elimina o sangue pisado de contusões, abcessos e tumores. Pode ser usado imediatamente após fraturas ou queimaduras para evitar inchaço e dor, e também em processos inflamatórios de hemorróidas, apendicites, artrites, reumatismos, sinusites, pleurisias, nevralgias, neurites, eczemas. Em caso de tumor no seio ou em outros lugares junto à pele é ótimo usar o emplastro de inhame durante uma semana antes de operar, pois ele vai aumentar esse tumor atraindo toda substância semelhante que houver no interior do corpo e evitar outros tumores. Serve ainda para baixar febres.

Aqui vão algumas receitas com Inhame, para saber mais acesse o site: http://correcotia.com/inhame/index.html
Cozido no vapor
Ponha alguns inhames com casca e tudo na parte superior da cuscuzeira, ou numa peneira sobre uma panela com água fervendo, e tampe. Depois de meia hora espete com o garfo para ver se estão macios. Nessa altura a casca solta com muita facilidade, basta puxar que sai inteirinha. É aí que o inhame tem o sabor mais simples e gostoso.

Purê de inhame
Depois de cozinhar os inhames no vapor ou na água, solte a casca e amasse com um garfo; junte um pouquinho de manteiga e de sal marinho, ou molho de soja, e misture bem. Só precisa ir ao fogo de novo se for para esquentar.

Pastinhas de inhame
São ótimas para passar no pão e substituem muito bem as pastas de queijo nas festas. A base é um purê de inhames cozidos e amassados, ao qual se acrescentam azeite ou manteiga, folhas verdes picadinhas (salsinha, manjericão, coentro, cebolinha) ou orégano; uma beterraba cozida e batida no liquidificador com inhame e um tantinho de água vai produzir uma pasta rosada; inhame batido com azeite, alho, água e sal faz uma delícia de molho tipo maionese. Use a criatividade e ofereça aos amigos uma coisa nova de cada vez!

Inhame sauté
Depois de cozidos e descascados, corte os inhames em rodelas ou pedaços; esquente manteiga ou azeite numa frigideira; ponha os inhames, e sobre eles bastante folhas verdes picadinhas (salsa ou cebolinha ou manjericão ou coentro ou orégano ou…); umas pitadinhas de sal marinho; mexa rapidamente, baixe o fogo e deixe grudar um pouquinho no fundo para ficar crocante.

Sopa de inhame com misso
O misso, que é desintoxicante, é um alimento tradicional japonês muito usado como tempero, feito de soja fermentada com cereais e sal. Vem em forma de pasta. É muito rico em enzimas, proteínas e vitamina B12, devido ao seu processo de fermentação. Limpa o pulmão dos fumantes, restaura a flora intestinal, e acima de tudo dá um gosto todo especial à sopa. Portanto cozinhe os inhames descascados com o mesmo tanto de água, uma ou duas folhinhas de louro e alguns dentes de alho inteiros; depois bata no liquidificador para obter um creme fino. Acrescente o misso, na base de uma colher de chá cheia por pessoa, ou dissolva com um pouco d’água numa tigelinha e deixe que cada um se sirva como quiser. (Algumas pessoas vão preferir sal.) Cebolinha verde picada, por cima, combina muito.

Pizza de frigideira
Rale inhames crus, misture com farinha de arroz ou de milho, tempere a gosto; achate a massa numa frigideira antiaderente e deixe assar dez minutos de um lado, dez do outro. Com alguma prática dá para fazer isso numa chapa bem quente, levemente untada. O ponto da massa não deve ser nem seco nem aguado.

Fonte da pesquisa: Flora Brasileira, Editora Três Livros e Fascículos e http://correcotia.com/inhame/index.html

http://sitiocurupira.wordpress.com/frutosdositio/

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Cursos do Serviço de Inspeção Municipal - Porto Alegre

Cursos do SIM Vegetal começam nesta segunda-feira

12/11/2012 09:11:23

Foto: Munique Freitas /DivuIgação PMPA
Cozinha industrial do CAD foi reformada para funcionar como Centro de Treinamento de agricultores Cozinha industrial do CAD foi reformada para funcionar como Centro de Treinamento de agricultores
A Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio inicia nesta segunda-feira, 12, os cursos de capacitação dos agricultores que beneficiam artesanalmente os alimentos, para que eles atendam as exigências do Serviço de Inspeção Municipal de produtos de origem vegetal, o SIM Vegetal. A primeira turma, com 10 alunos, frequenta as aulas no período de 12 a 22 de novembro. Outros 20 produtores rurais devem ser capacitados nos próximos meses.

Em 40 horas de curso, os agricultores terão aulas teóricas e práticas sobre processos, métodos e boas práticas de fabricação, conservação dos produtos, rótulos, embalagens, controles, registros e legislação. Além disso, a equipe multidisciplinar do Centro Agrícola Demonstrativo da Smic, composta de técnicos nas áreas da saúde e da agricultura, vai dar assessoria nas propriedades para que os produtores rurais tenham seus estabelecimentos e documentação adequados à lei.

O objetivo é capacitar os produtores rurais sem interferir nas receitas e na produção artesanal da zona rural de Porto Alegre. O objetivo é respeitar o “modo de fazer” artesanal porém dentro das normas sanitárias para que os produtos possam ser colocados no mercado e tenham condições de venda até para o exterior.

Como participar – O CAD está cadastrando os agricultores que vão ser capacitados. Os primeiros são aqueles que fazem parte das Feiras Agroecológicas da Capital. Depois, a ideia é estender a qualificação aos trabalhadores rurais das Feiras Modelo que também beneficiem alimentos.

As aulas vão ocorrer na cozinha do Centro Agrícola Demonstrativo, na Lomba do Pinheiro, que foi reformada para a realização dos cursos. É um projeto permanente, pois o local deve ser transformado em centro de treinamento.

Informações no CAD pelo telefone 3289 4808.

sábado, 10 de novembro de 2012

Curso Produção de Mudas de batata doce Assentamento da Palma 28 05 2012

Curso Produção de Mudas de batata doce Assentamento da Palma 28 05 2012
Assentamento da Palma, Capão do Leão, TerraSul ConFIE Assentamentos Reforma Agrária



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras"

“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras"

*Docente da UFRPE ministra palestra sobre Agroecologia em conferência do Parlamento Europeu*




O professor Francisco Roberto Caporal, do Departamento de Educação da  Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), ministrará a palestra  “The Brasilian Case: experiences and evolution”, durante conferência  pública do Parlamento Europeu que discute o *potencial da Agroecologia como  alternativa sustentável para a produção de alimentos no mundo.* A  conferência será realizada no dia 9 de novembro, na cidade de Bruxelas,  Bélgica.

Na ocasião, o professor Roberto Caporal apresentará algumas experiências  relacionadas à Agroecologia no Brasil, e as relações entre a Agroecologia,  o mundo acadêmico e os movimentos sociais no país.

A audiência pública é promovida pelo The Greens European Free Aliance,  grupo político formado por representantes de partidos ligados à  sustentabilidade ou que representam nações sem Estado e minorias
desfavorecidas.

A finalidade da conferência é a de explicar o conceito de Agroecologia para  uma platéia de acadêmicos, estudantes, agricultores, políticos, ONGs e  outras partes interessadas,que tenham interesse em estudos ambientais,  agricultura e produção de alimentos.A intenção é de refletir  interativamente sobre os caminhos possíveis para a transição entre a  agricultura tradicional para uma viável sustentavelmente.

O professor Francisco Roberto Caporal é um dos maiores expoentes  brasileiros nas reflexões sobre a Agroecologia. O docente da UFRPE é Doutor  Engenheiro Agrônomo, pela Universidad de Córdoba (Espanha), no curso de  Doutorado em Agroecología, Campesinado e Historia, do Instituto de  Sociología y Estudios Campesinos. Mestre em Extensão Rural, pela  Universidade Federal de Santa Maria (1991) e graduado em Agronomia, pela  Universidade Federal de Santa Maria (1975). Atualmente, exerce as funções  de Professor Adjunto da Universidade Federal Rural de Pernambuco, junto ao  Departamento de Educação, dando aulas na disciplina de Extensão Rural.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Como fazer a sua própria composteira

Trabalho produzido pelos alunos participantes da oficina de vídeo Canal da Turma na escola Municipal Anita Garibaldi em Estância Velha -- RS.
Neste Vídeo mostramos como confeccionar uma composteira caseira para reciclar seu lixo orgânico. Destaque especial para o Aluno Mateus que sugeriu o assunto a partir dos seus conhecimentos e sua participação no projeto municipal "Separe o Lixo" (http://www.estanciavelha.rs.gov.br/coleta). Parabéns a todos os alunos que participaram deste trabalho e confira mais novidades no blog da nossa escola!http://escolamunicipalanitagaribaldi.blogspot.com/
ou no blog Multiplicadores do Anita 
http://multiplicadoresdoanita.blogspot.com/

O que está em questão para consumidores de alimentos ecológicos?

Estamos vivendo um momento crucial para o rumo da produção e consumo de alimentos. Em que pese o processo que torna paulatinamente qualquer coisa em mercadoria (a natureza, a água, as ideias), este mesmo movimento abre espaços para a valorização, via mercados, de características distintivas dos alimentos: a originalidade, o cuidado, o sabor, os traços culturais, a tradição e a relação com a sustentabilidade ambiental.

Estudos recentes têm demonstrado duas versões sobre o fenômeno do consumo nas sociedades contemporâneas e que são possivelmente complementares. Alguns sustentam que consumo é o ápice da ação alienada, espaço da realização individual e egocêntrica de um “cidadão” que age para obter prazeres ditos consumistas. Outros, com interpretações mais otimistas, apontam que é possível ver transformações relevantes para as quais grupos coletivos conseguem ter sucesso ao “pressionar” produtores a modificarem processos de produção e criar demandas por atributos considerados valiosos, especialmente quando se trata de alimentos: qualidade, pureza, sabor, originalidade (Portilho, Castaneda, 2012). Embora se reconheça que este ainda é um consumidor escasso ou minoritário, conforme mostra Guivant (2003), atualmente seu potencial político não pode ser menosprezado.

Quais aspectos estão em questão para estes consumidores ativos e engajados e qual a importância de seus argumentos para modificações das práticas produtivas? Um dos fenômenos de destaque quando se observam mudanças nos padrões de consumo diz respeito aos alimentos ecológicos. Portanto, o que dizem consumidores de alimentos ecológicos sobre o que desejam e que características aparecem como essenciais para eles?

As informações sobre preferências e gostos de consumidores que analisamos a seguir são oriundas de uma pesquisa de caráter antropológico realizada por um dos autores entre 2008 e 2009 no município de Chapecó, estado de Santa Catarina (Radomsky, 2010). Na época, como estratégia metodológica, optou-se por acompanhar a construção de uma organização de consumidores de alimentos ecológicos da região cujo objetivo era tornar a oferta de produtos mais ampla no meio urbano e simultaneamente criar mercados para agricultores familiares locais.

O grupo organizou-se em torno de professores e alunos (e seus amigos) de uma universidade comunitária de Chapecó e possuía um núcleo expressivamente engajado que contava com cerca de doze pessoas. Embora pequeno em número, a mobilização era intensa: eram conhecidos dos agricultores e mediadores de sindicatos rurais, cooperativas e da Prefeitura e conseguiram organizar diversos eventos de compras coletivas de alimentos exclusivamente ecológicos, que chegaram a contar com mais de quarenta pedidos.

Percebe-se que um dos argumentos mais fortes de mobilização das práticas de consumo está na qualidade. Porém, não se trata de uma característica isolada como se para o grupo bastasse uma qualidade sem atributos e que não espelhasse elementos da sociedade em que vivemos. Como gostam os antropólogos, valorizaremos as falas das pessoas participantes do grupo, que na época nos brindaram com frases admiráveis.

Um dos “riscos” das compras coletivas – sempre debatidas no coletivo – residia na perda da qualidade dos alimentos que ficassem armazenados durante muito tempo. Isto equivaleria a comprar em supermercados e um dos participantes esclareceu para os demais participantes: “é preciso distinguir mercadorias de alimentos; alimento é uma coisa, outra coisa é sucata alimentar. Mercadoria é feita pra durar na prateleira do supermercado. [...] Até as crianças sabem o que é bom e o que é ruim nos produtos”. Observamos que, mesmo sem verbalizar desse modo, alimento é entendido como dádiva. Em sua percepção, mercadoria é necessariamente ruim, sucata, pois é produção em massa apenas para que possa permanecer com bom aspecto nas prateleiras de supermercados. O aspecto físico do produto-alimento conta menos que sua essência intrínseca. Com alguma ironia, a “sucata alimentar” parece ser uma imagem do mundo em que vivemos em que ela se tornou comum e com objetivo mais eminente de durar na prateleira do que de ser um bem saboroso e fonte de energia.

Em outro momento, a mesma pessoa procurou mostrar como comida não pode ser pensada sem que os atributos culturais estejam igualmente implicados. Diz ele: “temos que resgatar aquele saber, aquele conhecimento desinteressado. Antes o agricultor fazia o vinho para tomar e se ele fosse te vender ele ia na pipa pegar. O salame a gente quer agora, mas tem que preparar e avisar o agricultor”, sublinhando que os produtos demandados pelos consumidores são resultado de um processo de cultivo, criação e trabalho da família. Segue dizendo que “não é qualquer salame. Daí ele [o agricultor] tem que criar o porco, alimentar sem milho híbrido, fazer o salame com a tripa do porco invertida, queremos aquele salame que ficou famoso. Depois o agricultor tem que deixar o produto na fumaça para as moscas não colocarem ovos. E o controle da qualidade? É no cheiro”, gesticulando com os dedos próximos ao nariz enquanto falava, “é assim que eu compro salame”, concluiu.

Este conjunto de características dos alimentos e também dos agricultores que os produzem fornece um sentimento de autenticidade e pureza para o consumidor (o estudo de Pratt, 2007, é exemplar neste sentido). O que aparece na fala é exatamente o que algumas pesquisas mostram sobre a importância da biodiversidade agrícola e dos conhecimentos tradicionais para a produção de alimentos, nos quais a interpelação se direciona para o agricultor trabalhar a favor de uma espécie vegetal (no caso, milho) de variedade local e valorizar o conhecimento que utiliza os sentidos, vale-se dos objetos antigos e dos processos característicos da agricultura camponesa (aproveitando as matérias primas desenvolvidas na propriedade rural). O pertencimento, que nos impele a refletir sobre seu caráter cultural, adquire o caráter relacional, tal como argumentam Heley e Jones (2012), pois é aquele saber que não aparece em outro contexto e tem na experiência sua autenticidade.
Na reunião seguinte, ainda durante nossa pesquisa, ocorre uma instigante conversa sobre os valores. “É, hoje até o paladar foi monetarizado...” fala livremente um dos membros do grupo. “Se tudo está monetarizado”, responde um deles, “temos que usar o dinheiro para valorizar e fortalecer a agroecologia. Temos que ter produtos com valores agregados (salames, queijos, vinhos) para que os de menor preço venham junto [nas compras coletivas, para tornar mais atraente para o agricultor]...”. O primeiro voltou a comentar algo, mas desviando um pouco do assunto, embora sem discordar. E segue o segundo corrigindo sua própria frase, falando ainda do dinheiro e sua relação com a agricultura ecológica: “Valor agregado não, preço agregado, pois são os valores morais que vêm agregados”.
Estamos vivendo um momento crucial para o rumo da produção e consumo de alimentos. Em que pese o processo que torna paulatinamente qualquer coisa em mercadoria (a natureza, a água, as ideias), este mesmo movimento abre espaços para a valorização, via mercados, de características distintivas dos alimentos: a originalidade, o cuidado, o sabor, os traços culturais, a tradição e a relação com a sustentabilidade ambiental.

Este tipo de consumidor, como antes dissemos, é ainda pouco comum, mas tem tido importante papel na politização das atividades econômicas (DuPuis e Goodman, 2005). Percebe-se a crítica à economia capitalista que, de certa forma, sugere um tipo expansivo de aquisição de mercadorias ao tentar suprir o mercado por meio da produção em massa. Com isto, testemunhamos a extração e o uso de recursos naturais sem o cuidado de recomposição e que tem como um dos efeitos a poluição do solo, do ar e dos cursos d’água.         
O consumo de alimentos ecológicos se insere em uma distinta lógica de valores em que se destaca a importância do modo como foi produzido, levando em consideração uma maior harmonia com o ambiente e amparado no contexto sociocultural.

Um aspecto essencial das práticas de consumo de alimentos ecológicos por meio de grupos organizados é que o fenômeno faz necessária a reconstituição das relações de proximidade entre agricultores e consumidores, ensejando formas distintas da percepção sobre alimentos, cooperação e mercados.

Assim, o consumo de produtos agroecológicos, mesmo que ainda de maneira tímida, vem se colocando para o debate atual sobre alimentação e cultura como questionador das práticas habituais de consumo. Diferente do produto massificado vislumbrado como mera mercadoria, quando os consumidores ecológicos se relacionam com o alimento de maneira mais próxima (e até emotiva) desempenham papel crucial para subverter as tão desgastadas relações econômicas impessoais em nossas sociedades.

Referências
DUPUIS, E. M.; GOODMAN, D. Should we go ‘‘home’’ to eat? toward a reflexive politics of localism. Journal of Rural Studies, v. 21, n. 3, p. 359–371, 2005.
GUIVANT, J. Os supermercados na oferta de alimentos orgânicos: apelando ao estilo de vida ego-trip. Ambiente e Sociedade, v. 6, n. 2, p. 63-81, 2003.
HELEY, J.; JONES, L. Relational rurals: some thoughts on relating things and theory in rural studies. Journal of Rural Studies, v. 28, p. 208-217, 2012.
PORTILHO, F.; CASTANEDA, M. Certificação e confiança face-a-face em feiras de produtos orgânicos. Revista de Economia Agrícola, v. 58, p. 11-21, 2012.
PRATT, J. Food values: the local and the authentic. Critique of Anthropology, v. 27, n. 3, p. 285-300, 2007.
RADOMSKY, G. F. W. Certificação participativa e regimes de propriedade intelectual. 2010. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.

* Guilherme F. W. Radomsky é Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  Michele L. Lima Ávila é acadêmica do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Bolsista PIBIC/CNPq,  Daniela Lesina Soares é acadêmica do Curso de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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