Apesar
de estar em época de colheita, aumento no preço do fruto foi bem
superior ao índice de inflação. No inverno, situação tende a piorar

Karina costuma comprar dois sacos com 600gm cada, no hortomercado
Foto:
Marcelo Oliveira / Agencia RBS
Quando uma hortaliça ou legume está na safra, na época da colheita, o
preço da unidade, ou do quilo reduz, certo? Pode ser, mas não é o caso
do tomate. Neste ano, o fruto registrou alta de 36,77% (a inflação no
período foi de 1,49%). Só em fevereiro, o aumento foi de 18,55%. No
acumulado dos últimos 12 meses, a escalada de aumentos assusta: 102%.
- O tomate subiu no inverno e não baixou mais. Mas o pessoal continua
comprando porque é a saladinha preferida - observa o feirante Arlindo
Clemer.
O coordenador do Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas em
Porto Alegre, Marcio Fernandes Mendes da Silva, explica que, como a
produção de tomate foi reduzida em todo o país por causa do clima, o
fruto plantado no Rio Grande do Sul, cuja cultura não foi tão
prejudicada, está abastecendo outros Estados. Com isso, a quantidade que
fica por aqui não é suficiente para atender o consumo.
- A perspectiva não é boa. Virá o frio e o tomate deve sumir - afirma
Marcio, que há mais de dez anos não via aumento de preço do tomate
durante a safra.
"Na feira é mais barato"
Como trabalha no Centro da Capital, a garçonete Karina Godoy, 29
anos, aproveita para comprar dois sacos de tomate longa vida (cada um
com 600g) no Hortomercado Parobé.
- Tenho que ter tomate em casa. Uso na salada, para temperar a
comida, junto com cebola e alho. Mas vi que está mais caro e o tamanho
está menor - diz.
Assim como ela, a auxiliar de serviços gerais Maribel Silva de
Oliveira, 68 anos, de Viamão, não substitui o tomate por outro alimento
quando o preço está mais alto.
- Eu coloco tomate em tudo, até no arroz! Dá um sabor muito bom.
Também faço salada todos os dias. Compro na feira porque é mais barato -
revela.
De acordo com análise técnica da Ceasa/RS, a safra do tomate no Sul
em 2012/2013 está menor por conta da desmotivação dos produtores pela
baixa remuneração obtida na safra anterior. Com isso, a oferta de tomate
do Rio Grande do Sul e Santa Catarina não está sendo suficiente para
abastecer o Brasil.
O que pode substituir
Do ponto de vista nutricional, conforme nutricionistas, os molhos
prontos devem ser consumidos com moderação, devido à presença de
conservantes e à adição de gorduras e sódio.
O licopeno, nutriente do tomate, é ativado no cozimento e ajuda a
prevenir o câncer de próstata. Outra substância do tomate, o potássio,
que ajuda a evitar cãibras e é bom para o coração, pode ser encontrado
no pepino e na banana.
Plantar seria a saída?
Além de apelar às feiras livres, no lugar da compra no súper, para economizar, plantar o fruto também pode ser uma alternativa:
- A semente é barata, se encontra em supermercados, mas só vale a
pena se a pessoa tem espaço para plantar e tempo para cuidar. Neste
caso, teria que seguir as orientações da embalagem - observa o
economista.
Variação do quilo
Na cotação da Ceasa, feita semanalmente e divulgada no dia 7 de
março, o preço mais frequente do quilo do tomate gaúcho foi de R$ 5. Já o
longa vida foi encontrado por R$ 3,75 e o tomate italiano/paulista, por
R$ 4.
Conforme levantamento da Agas, a média mensal do quilo do tomate em fevereiro passado foi de R$ 5,39.