Foto: Waldemore Moriconi
Participantes do dia de campo
Dia de Campo em
Sítio Agroecológico da Embrapa apresenta tecnologias, cultivos, usos e
potencial de geração de renda das PANC
Espécies vegetais pouco conhecidas do grande
público, mas com alto valor nutricional, rusticidade e forte ligação com a
biodiversidade local, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) vêm
ganhando espaço como alternativa estratégica para a agricultura familiar e para
sistemas produtivos sustentáveis. Esse potencial foi apresentado durante o Dia
de Campo “Conhecendo as Plantas Alimentícias Não Convencionais: cultivo, usos e
geração de renda”, realizado no Sítio Agroecológico, na Embrapa Meio Ambiente
no final de janeiro de 2026.
A atividade foi coordenada por pesquisadores da
Embrapa Meio Ambiente e da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em parceria com a
Cooperativa de Agricultores Familiares de Americana e Região (Cooperacra), a
Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), a Agência Paulista de
Tecnologia dos Agronegócios (APTA), a Fundação Instituto de Terras do Estado de
São Paulo “José Gomes da Silva” (ITESP) e as prefeituras de Jaguariúna e
Mogi-Mirim.
O encontro reuniu agricultores familiares, gestores
e técnicos de prefeituras e de instituições de extensão rural, estudantes e
pessoas interessadas em conhecer, na prática, o cultivo e o uso dessas
espécies.
As PANC são plantas com potencial alimentício ainda
pouco explorado pela agricultura convencional. Em sua maioria nativas ou
naturalizadas, mas também algumas exóticas que adaptam-se bem às condições
locais de solo e clima, exigem menos insumos e apresentam elevada capacidade de
produção mesmo em ambientes adversos. Além disso, contribuem para a conservação
da biodiversidade e para a diversificação dos sistemas agrícolas.
Segundo Joel Queiroga, pesquisador da Embrapa Meio
Ambiente e um dos coordenadores do evento, a valorização dessas plantas está
diretamente ligada aos princípios da agroecologia. “As PANC ampliam o
repertório alimentar, reduzem a dependência de agricultores às poucas culturas
dominantes e fortalecem a segurança e a soberania alimentar. São espécies que
dialogam com o território, com a cultura local e com a realidade da agricultura
familiar”, afirma.
Durante o dia de campo, os participantes conheceram
as Unidades de Observação (UO) já existentes no Sítio Agroecológico e a mais
nova delas, dedicada exclusivamente às Plantas Alimentícias Não Convencionais.
Nessas áreas, são desenvolvidas e avaliadas de forma participativa com
agricultores e técnicos, práticas de manejo, cultivo e propagação das espécies,
permitindo o intercâmbio de conhecimentos e que estes agricultores e técnicos
observem o efeito das práticas e o comportamento das plantas em condições reais
de produção.
Para Guilherme Reis Ranieri, autor do livro “Matos de Comer”,
responsável pela apresentação dos fundamentos teóricos das PANC, o
desconhecimento ainda é um dos principais entraves para a ampliação do uso
dessas plantas. “Muitas PANC são vistas como mato ou plantas sem valor, quando,
na verdade, têm grande potencial nutricional e culinário. O trabalho de
divulgação e de formação é essencial para mudar essa percepção”, destaca.
A programação incluiu visitas práticas e técnicas
às áreas de cultivo, onde os participantes puderam conhecer diferentes espécies
e variedades, seus usos alimentares e as principais formas de propagação.
Também foram discutidos arranjos produtivos integrados, como o cultivo
consorciado de mandioca em faixas rotativas, apresentado por Marcelo Ribeiro
Romano, da Embrapa Mandioca e Fruticultura.
De acordo com Romano, a diversificação é uma
estratégia fundamental para sistemas agroecológicos. “O consórcio de culturas e
a inclusão de espécies como as PANC aumentam a eficiência do uso da área,
melhoram a saúde do solo e ampliam as possibilidades de renda para o
agricultor”, explica.
Outro destaque do evento foram os sistemas
agroflorestais (SAFs), apresentados em diferentes abordagens. O SAF Frutas,
conduzido por Luiz Octávio Ramos Filho, da Embrapa Meio Ambiente, demonstrou
como espécies frutíferas podem ser integradas a sistemas mais biodiversos e
resilientes. Já o SAF Medicinal, apresentado por Joel Queiroga, evidenciou o
potencial das plantas medicinais associadas às PANC em sistemas produtivos
diversificados e como estes sistemas conciliam produção e conservação da
socioagrobiodiversidade.
Também foram apresentadas cultivares de mangueiras
adaptadas a sistemas de produção agroecológicos e orgânicos, reforçando a
importância da escolha de variedades adequadas para esse modelo de manejo.
Para além da produção, o evento destacou o
potencial econômico das PANC. A diversificação de cultivos pode gerar novas
oportunidades de comercialização, seja por meio de feiras, mercados locais,
cooperativas ou do processamento artesanal de alimentos. Ao longo da
programação, os participantes puderam degustar os sabores de diferentes
cultivares de mangas e diversas PANC evidenciando as possibilidades
gastronômicas dessas espécies.
“O agricultor familiar pode agregar valor ao
produto, diversificar a renda e ainda oferecer alimentos mais saudáveis e
conectados com a identidade local”, ressalta Queiroga. Segundo ele, iniciativas
como Dias de Campo ajudam a aproximar a pesquisa científica da realidade do
campo e a fortalecer redes locais de produção e consumo.
O evento foi encerrado com uma avaliação coletiva,
na qual os participantes destacaram a importância de ações de capacitação e
demonstração prática para ampliar o uso das Plantas Alimentícias Não
Convencionais. Ao integrar pesquisa, extensão e saberes tradicionais, o projeto
reforça o papel das PANC como aliadas na construção de sistemas alimentares
mais sustentáveis, diversos e socialmente justos.
Cristina
Tordin (MTB 28499/SP)
Embrapa Meio Ambiente
Contatos para a imprensa
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Telefone: 199 92626751
Mais informações sobre o tema
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