terça-feira, 22 de agosto de 2017

Esterco tratado vira fertilizante e evita contaminação de nascentes de água

Fonte: globo rural

Compartilhe:          |  21 de agosto de 2017
Esterco de vaca é um assunto que muita gente acha desagradável, mas o pior mesmo é não falar disso porque, ainda hoje, tem fazenda e sítio que despejam todo o esterco do rebanho na natureza, poluindo o solo e a água. No Paraná, uma tecnologia simples está ajudando criadores a lidar com esse problema.
Tomazina, no norte do Paraná, é um lugar cercado de montanha que produzem cenários dignos de cartão postal. Muitos cursos d’água que formam a bacia do rio nascem nas área mais altas do município, como o bairro da Barra Mansa.
Essa região do município concentra a maior bacia leiteira de Tomazina. Em uma área de pouco mais de 120 hectares, existem perto de 1300 vacas, que produzem por dia 16 mil litros de leite.  São cerca de 12 litros por vaca. Mas tem algo que elas produzem muito mais: resíduo. Uma vaca de leite produz por dia mais de 45 quilos de esterco e urina. Se o animal fica no pasto, o material vai sendo espalhado conforme ele anda, se degrada aos poucos e acaba virando adubo.
Veja mais detalhes da reportagem no vídeo acima.
Mas quando as vacas estão confinadas, fezes e urina se acumulam no chão da instalação, como explica o agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Alfredo Alemão:
“Nesse momento em que elas estão, é o momento em que elas acabam defecando mais. Porque estão se alimentando, já ativa o intestino e elas acabam defecando mais aqui. Assim como também é o momento da ordenha. Ela acaba sendo estimulada a defecar. Então, nesse momento acumula mais”.
Para manter a higiene e evitar doenças, o lugar tem que ser lavado, pelo menos, uma vez por dia. A água misturada com urina e com o próprio esterco cria o chorume. E é aí que começam os problemas. Se o chorume que sai do curral vai direto para o ambiente, pode contaminar o solo e, especialmente, a água.
Esterco é matéria orgânica que, na água, rouba o oxigênio dela para sua decomposição. Roubando oxigênio, ele mata a vida que existe naquela água, ou seja, mata peixes. Veja mais detalhes no vídeo acima.
O chorume que fica depositado diretamente sobre o solo sem nenhuma proteção e não é escorrido, infiltra. Aí chorume infiltrado vai atingir o lençol freático. Se estiver muito próximo a uma lâmina d’água, significa que o lençol freático é raso. Então, isso atinge rapidamente o lençol freático e vai contaminar não só as águas de lá, como qualquer água de nascente ou outra coisa que tiver sendo abastecida por esse lençol.
Esterqueira é solução
Além da contaminação ambiental, o chorume sem tratamento atrai moscas e outros insetos que incomodam o gado e podem transmitir doenças para animais e pessoas.
Para conter o problema, o governo do Paraná criou um programa para construção de esterqueiras modernas e tecnicamente corretas. Veja no vídeo acima.
A esterqueira é uma estrutura bem simples: um buraco escavado no chão, cujo tamanho depende do número de animais da propriedade. O diferencial está no material usado para fazer a impermeabilização, que impede que o chorume passe para o solo e para o lençol freático.
A geomembrana é um tipo de plástico que tem alta resistência tanto a agentes físicos como químicos. Ela é resistente à ação do tempo, e recebe um tratamento com uma substância que faz com que ela fique resistente à ação dos raios de sol. São 5 anos de garantia da empresa.
A geomembrana recomendada pela Emater deve ter 0,8 mm de espessura. Assim, fica mais maleável na hora de revestir o buraco, mas ao mesmo tempo tem resistência suficiente para impedir a infiltração do chorume.
Uma esterqueira como a mostrada no vídeo, do padrão de 65.000 litros, fica em torno de R$3.000 a R$3500, incluindo tudo. Desde a hora da máquina que foi utilizada, mão-de-obra, a própria lona, tudo isso incluso neste valor.
Chorume vira fertilizante
Acumulado na esterqueira, o chorume deixa de ser problema e vira um benefício pro criador.  É que esse material pode usado como fertilizante. Mas para isso, tem que ser bem manejado. Uma vez por semana, o chorume tem que ser revolvido e bem misturado.
São fases diferentes. Se você deixar parado vai acontecer uma decantação. Parte do produto vai pro fundo, outra parte flutua, e fica uma camada líquida no meio. Então, essa agitação é feita para que você tenha um revolvimento disso tudo e, ao mesmo tempo, permite a entrada de oxigênio. A entrada de oxigênio no material permite uma melhor decomposição dele.
Bem manejado, o chorume pode ser usado na adubação das lavouras de milho, para produção de silagem, e também na nutrição das pastagens.
Quando o gado ingere a ração, ele não absorve todos os nutrientes que ela possui. Então, as fezes do gado têm uma alta quantidade de elementos que são nutrientes para o solo. Tem uma quantidade grande de nitrogênio, de potássio, de fósforo e de outros elementos, além de uma quantidade grande de microflora e dos micro-organismos que melhoram a estrutura do solo.
O programa da Emater construiu 25 esterqueiras em 3 comunidades de Tomazina. O projeto já ganhou vários prêmios por causa dos benefícios que traz para o meio ambiente. O Rio das Cinzas, que recebe muita água dessa região, agradece.


Fonte: Globo Rural - Ana Dalla Pria 
http://g1.globo.com/pr/parana/cidade/tomazina.html

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