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terça-feira, 23 de junho de 2026

Uso do Guandu na alimentação de aves





A criação de aves para a produção de carne do tipo caipira, no sistema semi-intensivo, é um dos segmentos da avicultura que tem se mostrado promissor.
A carne produzida apresenta sabor diferenciado, que agrada ao paladar de consumidores à procura de alimentos com maiores atributos de qualidade.
No entanto, o desafio nesse tipo de criação é tornar a produção mais eficiente, ao diminuir os custos com a alimentação, sem perder as características dos produtos.
O aumento na demanda por fontes de proteína e o seu alto custo tem estimulado pesquisas que buscam novas alternativas para substituir as tradicionais fontes proteicas, principalmente a do farelo de soja.
O feijão guandu [Cajanus cajan (L.) Millsp.] é uma dessas alternativas, pois apresenta boas quantidades de proteína bruta, que variam entre 22 e 27%. 2011). Além disso, é uma leguminosa resistente à seca, fator importante para sua cultura em regiões semiáridas.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Feijão guandu é alternativa para recuperar pastagens degradadas

 

O Brasil, com 8,5 milhões de km2, equivalentes a 850 milhões de hectares (ha), tem a quinta maios extensão territorial do mundo, atrás de Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, nessa ordem. Desse total, 282,5 milhões de ha são ocupados por atividades agropecuárias, divididas entre pecuária (160 milhões de ha), agricultura (72 milhões de ha) e florestas cultivadas (50 milhões de ha). Esse cenário apresenta um dado que merece atenção e preocupa: a degradação de pastagens, que atinge cerca de 30 milhões de ha, comprometendo a sustentabilidade dos sistemas pastoris, com graves prejuízos econômicos, ambientais e sociais. Portanto, a recuperação dessas áreas é estratégica para o País.

O manejo adequado das plantas forrageiras e a melhoria da fertilidade do solo são práticas fundamentais para a recuperação de pastagens degradadas. Pesquisadores da Embrapa têm trabalhado no desenvolvimento de soluções para essa questão, e fazem um alerta: na tentativa de resolver rapidamente o problema, muitos produtores brasileiros vêm fazendo trocas sucessivas de espécies forrageiras por outras menos exigentes em manejo tanto de plantas quanto de fertilidade do solo, o que é apenas um saída paliativa, contribuindo ainda mais para degradar as pastagens.

Por isso, recomendam a adoção de soluções tecnológicas que promovam efetivamente a recuperação de pastagens e, concomitantemente, possam gerar alguma economia ou facilidade de execução. Nesse sentido, uma das opções é a utilização do plantio do feijão guandu (Cajanus cajan) em consórcio com as gramíneas.

Características

A Embrapa Pecuária Sudeste, instalada em São Carlos (SP), desenvolveu uma nova cultivar desse feijão, denominada ‘Guandu BRS Mandarim’, que tem sido utilizada com bons resultados na recuperação de áreas degradadas e na alimentação animal.

Essa leguminosa apresenta alta produtividade de forragem, cerca de 10% superior às demais cultivares, sendo resultado do processo de seleção entre muitas linhagens. Tem apresentado bons resultados na recuperação de áreas degradadas quando consorciada com braquiária, apresentando alto potencial para adubação verde, melhorando a fertilidade do solo e a qualidade do pasto.

Sua implantação e seu manejo são fáceis. Como é uma planta rústica, adapta-se bem a solos de baixa fertilidade, exigindo correções mínimas. Dispensa a adubação nitrogenada para recuperar o pasto, uma vez que o resíduo proveniente da sua roçada funciona como adubo verde, disponibilizando nitrogênio no sistema. De acordo com pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste, o material roçado agrega mais de 200 kg/ha de nitrogênio (N) na pastagem. Trata-se de um benefício adicional, principalmente para o período seco, quando a pastagem não está em boas condições, para servir de alimento para os bovinos.

Diferenciais

Em comparação com as espécies concorrentes disponíveis no mercado, essa cultivar apresenta os seguintes diferenciais:

  • Fornecida no cocho ou em pastejo, reduz a quantidade necessária de alimento concentrado;
  • A produção de matéria seca (MS) é vantajosa em relação aos demais guandus, com avanço no período de inverno;
  • A sobressemeadura com pastagens (especialmente em áreas degradadas) permite o fornecimento de nitrogênio, aumentando a produção do capim;
  • É um biodescompactador natural do solo, pois, por meio de seu sistema radicular, promove a ruptura de possíveis camadas compactadas;
  • Aumenta a massa de forragem destinada à silagem quando em consórcio com milho ou sorgo;
  • Requer menos tempo para introdução do animal na área após a instalação da pastagem consorciada;
  • É uma boa alternativa de forrageira para áreas com histórico de escassez de chuvas, para uso na alimentação animal;
  • É uma boa fonte de forragem (vagens e folhas) para o período seco;
  • Para completar, é resistente aos fungos Macrophomina e da ferrugem da soja.

(Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste)

Uso do guandu para recuperar pastagens degradadas







A degradação das pastagens é um dos principais problemas da pecuária brasileira e compromete o desempenho animal e a rentabilidade dos sistemas de produção. Aproximadamente, 80% das pastagens encontram-se com algum grau de degradação, prejudicando a produtividade do setor. Essa porcentagem elevada está relacionada ao manejo inadequado e à falta de reposição de nutrientes do solo. Uma alternativa para reverter esse quadro e garantir a produtividade e a viabilidade econômica da pecuária é a utilização do Guandu BRS Mandarim, que tem contribuído para recuperação de pastagens. O guandu BRS mandarim é uma opção viável, principalmente para pequenos produtores, porque é uma tecnologia de baixo custo de implantação, fácil manejo e promove a melhoria do sistema solo-planta pela adição de nitrogênio, aporte de matéria orgânica e reciclagem de nutriente.

domingo, 19 de abril de 2026

FEIJÃO GUANDÚ (Cajanus cajan): Vegetal com alto potencial alimentício pouco explorado no Brasil.


Autor: Ms Carlos H. Biagolini – Biólogo – Universidade Guarulhos UnG
O Feijão Guandu ou Andu, como também é conhecido, é uma planta leguminosa da família Fabaceae, ordem Fabales de origem africana, pouco explorada no Brasil, no sentido nutricional. Mais conhecida na região nordeste, está presente em quintais das casas daquela região e muitas vezes nas ruas ou ainda em praças públicas cultivadas como planta ornamental uma vez que apresenta vistosas flores amarelas com mesclas vermelhas no período de produção de sementes.

Esta planta se desenvolve bem tanto em solos bons como também em solos degradados e além da produção do alimento propriamente dito, tem outras grandes vantagens como, por exemplo, sombrear o solo, mantendo a umidade por maior tempo, incorporar nitrogênio aumentando a fertilidade da terra, servir de alimento para a engorda de aves, servir como forrageira para alimentação de gado e ainda permitir que a água de chuva penetre com maior facilidade devido as suas raízes serem longas e profundas.


Ao contrário do que ocorre no nordeste, na região sudeste o Feijão Guandu é pouco utilizado. Boa parte da população urbana desconhece a planta e os benefícios que podem obter com sua utilização. Em geral ela é cultivada apenas por moradores de origem nordestina ou do interior das grandes capitais que carregam consigo o hábito de consumi-la regularmente. Nas metrópoles, poucos conhecem o Feijão Guandu e muitos não imaginam as vantagens que este maravilhoso vegetal pode oferecer em relação a outros tipos de leguminosas.

A facilidade do plantio, produção de sementes e o crescimento rápido, permitem que esta planta seja utilizada em projetos que visam reduzir a desnutrição com resultados favoráveis em curto espaço de tempo. São muitas as possibilidades de projetos sociais visando à redução da desnutrição que podem ter como elemento principal o Feijão Guandu. Podemos citar, por exemplo, que nos conjuntos habitacionais construídos às margens de rodovias, sempre existe uma cerca tipo alambrado ou um muro alto de proteção. Pois bem, estes lugares são excelentes para o plantio do Feijão Guandu que pode, além de servir de proteção de cercas ou muros permitir ainda a produção deste reforço nutricional. Com orientação, os moradores podem se organizar a fim de criar um plano visando o plantio, colheita e distribuição da produção.
Também nos casos de plantio em hortas comunitárias, as sementes poderiam ser distribuídas através de organizações religiosas, ONGs ou órgãos governamentais. Outra possibilidade é o plantio em espaços público como escolas, postos de saúde ou creches.

Ainda abordando as possibilidades de plantio podemos considerar também que em diversas cidades existem espaços abaixo de redes elétricas de distribuição que por questões de segurança, não podem receber vegetais de porte, sendo cultivadas apenas hortas comunitárias com plantio de hortaliças em geral rasteiras. Este tipo de cultivo necessita de cuidados diários, o que desencoraja o uso destes espaços em maior intensidade então uma boa opção seria o plantio do Feijão Guandu, que é rústico e não requer cuidados diários e constantes como nas hortas convencionais, certificando então as vantagens de plantio do Feijão Guandu.

Com relação à utilização dos grãos que podem ser preparados da mesma forma que o feijão comum, há uma infinidade de outros pratos que podem ser elaborados com o Guandu, a partir da colheita em diferentes momentos de maturação das vagens esta variedade de pratos aumenta ainda mais. Em alguns países do continente Africano, o Feijão Guandu é colhido ainda verde e processado e vendido como ervilhas em lata. Por aqui, pelo que parece não há interesse neste segmento. Uma busca rápida na internet pode resultar na localização de uma infinidade de receitas e pratos preparados com esta leguminosa como a que recomenda o Feijão Guandu, cozido em salmoura leve com pouco sal, permitindo que os grãos sejam usados na complementação de saladas ou decoração de pratos frios e quentes.

O feijão maduro e seco, depois de cozido permite também ser utilizado no preparo de massas de salgadinhos ou ainda batido no liquidificador, resulta num caldo nutritivo e saboroso.
Provavelmente o único inconveniente desta leguminosa é que a vagem não pode ser aproveitada como alimento, como no caso do feijão comum quando colhido ainda verde. Por ser fibrosa e resistente mesmo depois de cozidas a casca do Guandu deve ser descartada.

De um modo ou de outro, o Feijão Guandu é um vegetal que apesar de exótico tem muito a oferecer como alimento no Brasil, já que está muito bem adaptado ao nosso clima e solo e já que está introduzido entre nossos vegetais, por que não aproveitá-lo em sua totalidade.
São Paulo, janeiro de 2012.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Conhece o FEIJÃO-ARROZ???







Citação: Vieira RF, Vieira C & Vieira RF (2001) Leguminosas graníferas. Viçosa, Editora UFV. 206p. Este capítulo: p. 95-102. FEIJÃO-ARROZ Nome botânico Vigna umbellata (Thunb.) Ohwi & Ohashi (sin. Dolichos umbellatus Thunb., Phaseolus pubescens Blume, P. calcaratus Roxb., P. chrysanthus Savi, P. torosus Roxb., P. ricciardianus Tenora, V. calcarata (Roxb.) Kurz, Azukia umbellata (Thunb.) Ohwi). Nomes comuns No Brasil, o feijão-arroz é, muitas vezes, erroneamente conhecido por feijão-adzuki, nome de outra espécie do gênero Vigna. Em espanhol, por frijol arroz ou judía arroz; em inglês, por rice bean. A planta Plantas anuais, com ciclo de vida, dependendo das condições climáticas, de 90 a ll5 dias (nos cultivares estudados em Minas Gerais), e apresentam porte quase ereto ou são trepadoras; folhas com três folíolos ovais, inteiros; a inflorescência é um racimo axilar, curto, com 10-15 flores amarelas, autoférteis; quilha com esporão cônico, oco, em um dos lados; uma das asas enrola-se completamente em redor da quilha; vagens glabras, cilíndricas, estreitas, com cerca de 7 a 12 cm de comprimento, pouco curvadas, com curto bico, que ficam enegrecidas na maturidade; elas não apresentam contração entre as sementes, estas em número de 3 a 12. 


 A semente As sementes são pequenas, pesando, nos cultivares usualmente plantados no Brasil, de 5 a 12 g por 100 unidades, dependendo do cultivar e dos fatores edafoclimáticos e culturais. São amarelas ou vináceas, porém a literatura estrangeira menciona ainda outras cores: verde, parda, preta e mosqueada. Apresentam uma característica que lhes facilita a identificação: duas pequenas saliências longitudinais, paralelas, brancas, cobrindo o hilo côncavo. Os cotilédones são hipógeos na germinação. Pelas informações da literatura estrangeira, a composição química do feijão-arroz é aproximadamente a seguinte: umidade 10- 13%, proteína 19-23%, gordura 0,6-1,2%, carboidrato total 60-65%, fibra 4-6% e cinza 4,0-4,3%. Dois cultivares examinados por Vieira (1989), em Viçosa, acusaram 19,2% e 18,2% de proteína. Contêm quantidades apreciáveis de cálcio, ferro, fósforo e as vitaminas tiamina, niacina e riboflavina (National Academy of Sciences, 1979). Por causa da qualidade nutricional de sua proteína, o feijãoarroz tem sido considerado um dos melhores entre os grãos comestíveis de leguminosas e, segundo a National Academy of Sciences (1979), foi altamente recomendado nos programas nutricionais das Filipinas. Cozinha com facilidade. Distribuição Na década de 20, Vavilov (1949/50) verificou que a Índia é o centro de diversidade genética do feijão-arroz. É cultivado neste país e em outros da Ásia: Bangladesh, Mianmar, Sri Lanka, Malásia, Indonésia, Filipinas, China, Japão, Tailândia. Foi introduzido em outros países, da África e das Américas. Em forma silvestre, ocorre na Índia, China e Malásia (Jain e Mehra, 1980). No Brasil ainda é pouco cultivado e foi, provavelmente, introduzido da Ásia por japoneses.

 3 Utilização O feijão-arroz tem sido consumido no Brasil na forma de grãos secos. Em outros países, as vagens imaturas também são utilizadas. Comparando-o, em avaliação sensorial dos grãos cozidos (inteiros, batidos em liquidificador), com o feijão-comum, Vieira et al. (1989) verificaram que, enquanto este foi tido como entre bom e muito bom, o feijão-arroz foi considerado entre menos que aceitável e aceitável. Isso mostra que o brasileiro, acostumado com o sabor acentuado do feijão-comum, pode fazer restrição ao sabor suave do feijão-arroz. Contudo, seu consumo entre nós vem, pouco a pouco, aumentando, sobretudo entre os seguidores da macrobiótica. É possível que a sua aceitação geral possa ser melhorada pela adição de outros temperos, além do sal e do óleo utilizados por Vieira et al. (1989). Seu fornecimento `as crianças, ainda sem o hábito arraigado de consumir apenas o feijão-comum, seria outra estratégia para aumentar-lhe o consumo. O feijão-arroz atinge alta produção de massa verde, permitindo indicá-lo como forrageira, planta de cobertura ou para a adubação verde. Em Viçosa, um cultivar de feijão-arroz rendeu 33,7 t/ha de massa verde, enquanto o feijão-de-porco produziu 25,0 t/ha (Vieira, 1971). Na Índia, o feijão-arroz é considerado forragem de boa qualidade nutritiva quando cultivado, em fileiras alternadas, com a gramínea Pennisetum pedicellatum; para carneiros, é bem palatável quando fornecido no estádio de pré-florescimento (Chatterjee e Dana, 1977).

 Adaptação O feijão-arroz adapta-se a diversas condições edafoclimáticas, mas é essencialmente uma cultura tropical, muito suscetível `a geada. Em geral, considera-se a temperatura média entre 18 e 30C a mais adequada para a cultura (Kay, 1979). Para altos rendimentos, requer condições de muita umidade, porém é moderadamente resistente `as condições mais secas, mais 4 apropriadas ao caupi. Na Ásia, é cultivado em altitudes que atingem 1.500-1.800 m. Desenvolve-se em solos de diferentes texturas, mas, para altos rendimentos, o solo deve aliar fertilidade com boa capacidade de retenção de água e aeração adequada. O feijão-arroz é considerado sensível ao fotoperíodo, exigindo dias curtos para o florescimento. Entretanto, nas condições de Viçosa, Vieira (1971) plantou sete cultivares de feijão-arroz em 31 de outubro e seis deles iniciaram a floração entre 18 e 20 de dezembro, sendo colhidos em 10 de fevereiro. O sétimo iniciou a floração em 11 de março, mostrando-se sensível ao fotoperíodo. No Havaí, Hartmann (1969) também identificou diversas introduções de feijão-arroz que se comportaram como neutros em relação ao comprimento do dia. Cultivo O feijão-arroz, em Minas Gerais, pode ser semeado de agosto (com irrigação) a março. Plantado no começo da estação chuvosa produz bem, porém há o risco de chuvas continuadas durante o período de maturação causar prejuízos aos grãos. Em regiões com inverno pouco rigoroso, pode ser plantado em abril ou maio. Para Minas Gerais é recomendado o cultivar Viçosa, de hábito de crescimento determinado, ciclo de vida de 100 dias, 4-9 sementes por vagem e grãos violáceos pesando de 8,5 a 9,8 g por 100 unidades; produção de 2.073 kg/ha já foi alcançada com esse cultivar (EPAMIG, s.d.).

 Recomenda-se o espaçamento entre fileiras de 50 a 60 cm com 15-20 sementes por metro. Em Gurupi, TO, Miranda et al. (1997), utilizando o espaçamento entre fileiras de 0,6 m, constataram que o maior rendimento (1.059 kg/ha) foi obtido com a densidade de 300 mil plantas por hectare. Não há estudos sobre a adubação mineral da cultura do feijão-arroz no Brasil; por isso, tentativamente, pode-se indicar a mesma recomendada para a cultura do feijão-comum. No verão, a emergência das plantinhas ocorre oito a nove dias após a semeadura, se houver boa disponibilidade hídrica no solo. Em Viçosa, o desenvolvimento inicial das plantas foi lento 5 quando o plantio foi realizado no final de março, com a utilização de irrigação suplementar. Porém, depois de três semanas, o desenvolvimento das plantas foi rápido, fechando o vão entre as fileiras aos 45 dias após o plantio, quando as plantas estavam no início da floração. A semeadura logo depois do preparo do solo retarda a emergência da flora invasora. Recomenda-se manter a cultura no limpo até o começo da floração. O desenvolvimento inicial lento do feijão-arroz demanda maior cuidado no controle das plantas daninhas que no caso do feijão-comum. Há carência de estudos sobre herbicidas na cultura do feijão-arroz; nos EUA, o metribuzin mostrou-se promissor (Harrison Jr., 1988); no Brasil, resultados preliminares indicaram bom potencial de uso dos seguintes: flumetsulam, trifluralin e imazaquin (pré-emergentes) e imazamox, imazethapyr, fluazifop-p-butil e chlorimuron-ethyl (pós-emergentes) (Silva et al., 1999). Embora não inoculado com rizóbio, tem-se notado em Viçosa que o feijão-arroz apresenta nódulos em suas raízes que, em número e tamanho, assemelham-se aos do feijoeiro-comum. 

As espécies de Vigna são noduladas por estirpes de Bradyrhizobium e são consideradas hospedeiras relativamente promíscuas (Giller e Wilson, 1991). O pequeno agricultor geralmente planta o feijão-comum em consórcio, sobretudo com o milho. Por isso, Vieira e Vieira (1996) procuraram estudar o comportamento do feijão-arroz quando submetido a esse tipo de sistema de produção. Plantaram simultaneamente ambas as culturas nas mesmas fileiras espaçadas de 1 m, o milho com cerca de três pés por metro. O feijão-arroz utilizou o milho como suporte físico para a subida de suas hastes volúveis, que chegaram a 1,75 m de altura, aparentemente sem causar danos `a gramínea. O cultivar E-7 de feijão-arroz produziu 1.059 kg/ha, sofrendo uma redução de rendimento de 70% em relação ao monocultivo (3.487 kg/ha). O outro cultivar (E-18) rendeu 1.164 kg/ha, uma redução de 58% quando comparado ao monocultivo (2.747 kg/ha). Os dois cultivares de feijão-comum incluídos no estudo produziram, no consórcio, 1.231 e 1.100 kg/ha, com quebras de produção de 44 e 46% em relação ao monocultivo. Tudo isso 6 comprova que o feijão-arroz pode ser consorciado com o milho, embora seja mais sensível que o feijão-comum `a concorrência movida pelo milho, competidor mais forte. Colheita e armazenamento Dependendo da época de plantio, o ciclo de vida (a partir da emergência) do feijão-arroz pode variar de 82 a 1121 dias, nas condições da Zona da Mata de Minas Gerais. A maturação das vagens completa-se num lapso de uma ou duas semanas, mas nem sempre é uniforme. No consórcio com o milho, a maturação é mais desuniforme, exigindo mais de uma colheita das vagens maduras. Estas abrem-se com facilidade quando manuseadas, transtorno que pode ser minimizado efetuando-se a colheita nas primeiras horas da manhã. 

O tipo de crescimento da planta, a debulha fácil das vagens, a maturação desuniforme e o fato de as plantas permanecerem verde mesmo com as vagens secas tornam a colheita mecanizada do feijãoarroz uma tarefa difícil. Quando é feita uma única colheita, a prática de secagem e bateção das plantas ou das vagens é feita de maneira idêntica `a realizada com o feijão-comum. Depois da bateção, os grãos são beneficiados e, se necessário, novamente expostos ao sol no terreiro, até que sua umidade atinja cerca de 12%. Em virtude da resistência das sementes ao caruncho, nenhum tratamento químico é recomendado antes do armazenamento. Se guardadas em lugar arejado e seco, podem manter alta percentagem de germinação mesmo depois de dois anos e meio de armazenamento (Vieira et al., 1998). Rendimento Na Zona da Mata de Minas Gerais, o feijão-arroz pode render tanto quanto o feijão-comum (Vieira et al., 1992; Vieira & Lima, 2008) ou mais que esta espécie (Vieira, 1971; Vieira et al., 1992), quanto a semeadura é feita entre outubro e março. A produtividade máxima do feijão-arroz foi obtida em Viçosa em semeadura feita em 7 11 de novembro: 3487 kg/ha (Vieira e Santos, 2000). Semeado em agosto e irrigado por aspersão, quando necessário, ele rendeu 2000 kg/ha, produtividade semelhante à do feijão-comum (Vieira e Santos, 2000). Em semeadura realizada em novembro ou fevereiro, em Goiânia, GO, e Brasília, DF, o feijão arroz (não irrigado) produziu tanto quanto o feijão-comum (Nasser e Vieira, 1997) ou mais que este (Vieira e Nasser, 1997).

 Nesses estudos, a produtividade máxima alcançada pelo feijão-comum foi 1023 kg/ha, enquanto o feijão-arroz chegou a 1622 kg/ha. Semeado em abril ou maio em regiões de inverno ameno, como nos municípios de Oratórios e Leopoldina, a produtividade do feijão-arroz foi semelhante à do feijão-comum. As produtividades médias de genótipos de feijão-arroz nesses meses variaram de 1164 a 2261 kg/ha (Vieira e Santos, 2000; Vieira e Lima, 2008; Vieira et al., 2009). O genótipo GL 401, semeado em 18 de abril, em Leopoldina, chegou a render 2474 kg/ha (Vieira et al., 2009). Doenças e pragas O feijão-arroz é menos atacado por moléstias e pragas que outras leguminosas produtoras de sementes comestíveis (Rachie e Roberts, 1974; Kay, 1979). Segundo Sikona e Greco (1990), pode ser atacado pelos seguintes nematóides: Heterodera cajani, H. glycine, Meloidogyne incognita, M. javanica e Radopholus similis. Nos plantios realizados em Minas Gerais, tem-se observado ataque de nematóides causadores de galhas nas raízes, de crisomelídeos (Diabrotica speciosa, Cerotoma sp.) e do fungo Sclerotinia sclerotiorum. Quando o plantio é realizado em fins de março ou depois, e é usada a irrigação  o que proporciona vigoroso desenvolvimento vegetativo , pode ocorrer ataque desse fungo causador do mofo-branco, doença favorecida por alta umidade e baixa temperatura. No Paraná, não se constataram moléstias foliares sérias, mas pequenas perdas ocasionadas por fungos do solo; crisomelídeos podem causar problemas (Khatounian, 1993). Em Leopoldina, Zona da Mata de Minas Gerais, não se observou 8 sintoma de doença na folhagem do feijão-arroz nas diferentes épocas de plantio (Vieira & Santos, 2000; Vieira et al., 2009). De acordo com Chatterjee e Dana (1977), as sementes do feijão-arroz são resistentes ao caruncho. De fato, armazenadas em Viçosa sem tratamento químico, elas não foram atacadas pelo caruncho, enquanto o oposto ocorreu com o feijão-comum, com o guandu, com o caupi e com o feijão-mungo-verde. 

Em Janaúba, Minas Gerais, coletou-se amostra de feijão-arroz exibindo ovos de caruncho aderidos ao tegumento das sementes, mas nenhuma delas apresentava perfuração. Vieira, R.F. & Santos, C.M. dos (2000). Comportamento de cultivares de feijão-arroz em Ponte Nova, Minas Gerais. Rev. Ceres 47:573-578. Vieira, R.F. & Lima, R.C. (2008). Desempenho de cultivares de feijão-arroz em Coimbra e Leopoldina, Minas Gerais. Rev. Ceres 55:131-134. Vieira, R.F.; Paula Júnior, T.J. & Lehner, M. da S. (2009). Viabilidade do cultivo do feijão-arroz no outono-inverno em regiões de inverno ameno. Ciên. Agrotec. 33:2075-2077.

sábado, 31 de maio de 2025

Biomassa, quanto mais, melhor???


Normalmente consideramos alguns fatores principais para a escolha das espécies, como sua categoria de sucessão ecológica, se é nativa do bioma, sua taxa de crescimento… Uma espécie de serviço chave na agrofloresta é a bananeira, que além da produção de biomassa para cobertura do pé das mudas, produz frutos que serão fonte de renda durante os primeiros anos. Também gostamos bastante de usar o feijão guandu, que por ser uma leguminosa, fixa nitrogênio no solo, promovendo ciclagem de nutrientes e cresce rápido, também sendo fonte de biomassa.

As árvores de madeira mole, ou seja, que não possuem potencial madeireiro também podem ser utilizadas como espécie de serviço, como o capixingui, os ingás e guapuruvus. Até a pimenta-rosa pode ser uma espécie de serviço, desde que manejada frequentemente, como estamos fazendo no Projeto Timburi.

 Nossa equipe na implantação do nosso projeto no Vale da Pelada, Alagoas.

Muitos serviços

Além da biomassa, as espécies de serviço provém outras vantagens quando inseridas em sistemas produtivos. Chamamos de espécies de serviço de dupla aptidão aquelas que além da biomassa, podem nos fornecer outro produto, como por exemplo a bananeira e a aroeira pimenteira. Mas a verdade é que essas espécies fornecem vários outros benefícios:

  • podem criar um microclima mais adequado para o desenvolvimento de espécies mais tardias;
  • atraem polinizadores, o que beneficia a produção da cultura principal;
  • ciclam nutrientes no solo;
  • previnem erosão;
  • aumentam capacidade de retenção hídrica do solo;
  • podem atrair pragas, amenizando o ataque em culturas comerciais;
  • favorecem a descompactação do solo.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

UTILIZAÇÃO DE LEGUMINOSAS FORRAGEIRAS NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS



amendoim forrageiro

Fonte: site ceplac
1. INTRODUÇÃO
A Introdução de leguminosa na pastagem, promove incrementos na produção animal, pelo aumento da qualidade e da quantidade da forragem em oferta, resultante não só da participação da leguminosa na dieta do animal mas também dos efeitos indiretos relacionados com a fixação biológica de nitrogênio e seu repasse ao ecossistema de pastagem.
Nas últimas duas décadas as pesquisas com leguminosas forrageiras no Brasil ganharam impulso nunca antes registrado. Centenas de novos acessos de leguminosas, de diferentes origens foram avaliados em ensaios individuais ou em redes nacionais ou internacionais. Em 1983 a Embrapa Cerrados lançou os cultivares Stylozanthes guianensis cv. Bandeirantes e S. macrocephala cv. Pioneiro). O Instituto de Zootecnia de São Paulo em 1994 liberou a Macrotyloma axilares cv. Guatá e Galactia striata cv. Yarana. Desmodium ovalifolium cv. Itabela foi lançada pela Ceplac, Ilhéus-BA em 1987 e a Embrapa (Gado de Corte), lançou em 1993, o Stylosanthes guianensis cv. Mineirão e. em 2000, lançou o estilosantes Campo Grande, cultivar multilinha formado por 80 % de S. capitata e 20 % de S. macrocephala.
Arachis pintoi (Krap. e Greg.), na última década vem merecendo grande atenção da pesquisa e de empresas produtoras de sementes. O acesso BRA 0013251 foi liberado comercialmente em 1987 na Austrália como cultivar Amarillo, na Colômbia como cv. Maní Forrageiro Perene, em 1994 em Honduras como cv. Pico Bonito e no Brasil, vem sendo comercializado como a cv. MG 100. Avaliações agronômicas e sob pastejo, realizadas pela Ceplac no Sul da Bahia resultaram no lançamento em 1999, do A. pintoi cv. Belmonte (BRA 0311828), bastante produtivo e persistente, embora com baixa produção de sementes. Além desses lançamentos, espécies como o Calopogonio muconoides (calopogônio) Pueraria phaseoloides (cudzú tropical) Neotonia wightii (soja perene) e Leucena leucocephala (leucena) há mais tempo no mercado, ainda correspondem nesta ordem de citação, à grande fatia do volume de sementes de leguminosas comercializadas no Brasil.
A baixa persistência das leguminosas na pastagem tem sido citada como a principal limitação à sua inclusão nos sistemas de produção ou até mesmo à continuidade das pesquisas necessárias ao lançamento de novos materiais. Felizmente, existem em nosso meio alguns casos de sucesso suficientes para estimular produtores e técnicos na recomendação do uso de leguminosas e melhorar a produtividade e a sustentabilidade da pastagem.
2. BENEFÍCIOS DO USO DE LEGUMINOSAS
2.1 Melhora a produção de leite e carne
A principal expectativa do uso de leguminosas em pastagens é a melhoria da produção animal em relação à pastagem de gramínea exclusiva com redução dos custos de produção, quando comparados com estas mesmas pastagens submetidas à adubação com nitrogênio mineral. Este benefício é reportado como sendo efeito da participação direta da leguminosa melhorando e diversificando a dieta do animal e também do aumento da disponibilidade de forragem pelo aporte de nitrogênio ao sistema, através da sua reciclagem e transferência para a gramínea acompanhante.
A produtividade da pastagem consorciada tem variado de 231 a 610 kg/ha, enquanto em pastagem de gramínea exclusiva tem se obtido de 117 a 475 kg/ha. Na produção de leite os benefícios das leguminosas também são significativos. A consorciação de capim pangola com C. pubescens ou adubação nitrogenada apresentaram aumentos na produção de leite de 15% e 18%. A inclusão de A. pintoí em pastagens de gramíneas promoveu acréscimos de 17 a 20% na produção de leite. Os resultados têm variado com o valor nutritivo da leguminosa consorciada.
A produtividade de pastagens consorciadas só ultrapassa a obtida em pastagens em monocultivo de gramínea, quando os níveis de N aplicados são baixos, sendo a presença da leguminosa equivalente a 100 kg/ha de N. Esta equivalência pode ser verificada em trabalhos desenvolvidos no sul da Bahia, onde não se obteve diferença significativa entre a presença das leguminosas e adubação com 90 kg/há e com 150 kg/ha de N, em pastagens de Brachiaria spp. Para utilização de dosagens mais elevadas de nitrogênio, a produção de pastagens com leguminosas possivelmente, será menor. Mas as respostas não podem ser dadas unicamente pela produção animal. Além dos custos, os benefícios adicionais sobre o conservação ambiental devem ser levados em conta.
A magnitude do desempenho animal em pastagens consorciadas está diretamente relacionada com a proporção da leguminosa na pastagem. Em trabalho realizado na Colombia verificou-se, que a produção animal em pastagens de B. humidícola consorciado com A. pintoí, onde a proporção da leguminosa era de 30% foi o dobro da observada em pastagem só de gramínea (LASCANO,1944). Em outra pastagem com a mesma consorciação, mas com apenas 10% de Arachis, o ganho do peso aumentou em somente 35%. A presença de S. guianensis cv Mineirão em pastagem de B. decumbens na proporção de 28,7% , proporcionou ganho de peso de 464 kg/há, mas quando associado ao B. brizantha cv Marandu, onde a proporção da leguminosa na pastagem era de apenas 11,9 % o ganho de peso foi de 352 kg/há (ALMEIDA et al., 2001 a , ALMEIDA et al.,2001 b).
2.2. Melhora o valor nutritivo do pasto e da dietaO melhor desempenho animal em pastagens consorciadas é explicado por apresentarem em geral melhor valor alimentício em relação às gramíneas. Maiores níveis de proteína bruta (PB) e de digestibilidade são os atributos mais marcantes. Em ensaio sob corte realizado em Itabela, BA, durante dois anos e com avaliações realizadas nos períodos de maior e menor precipitação, contemplando 18 acessos de leguminosas e dez acessos de gramíneas, obteve-se teores médios de PB de 18,8% e 11,5%, com amplitudes de 13,6 a 24,6% e 7,8 a 14,5%, respectivamente para leguminosas e gramíneas. (PEREIRA et al.,1995).
Verifica-se ainda que de uma maneira geral a presença de leguminosa promove melhoria nos níveis de proteína bruta da gramínea acompanhante, mesmo quando comparada à adubação nitrogenada, Em trabalho realizado na Ceplac, verificou-se que a MS verde em oferta de B. decumbens consorciada com Pueraria phaseoloides tinha teor de PB de 9,5%, superior a pastagens adubadas com 90 kg/ha de N, cujo valor era de 7,6 % (PEREIRA , et al., 1990).
A digestibilidade das leguminosas tropicais no pasto em oferta via de regra é maior que das gramíneas, mas observa-se diferença entre espécies ou cultivares. O desmodio cv. Itabela pela seu elevado teor de taninos apresenta digestibilidade igual ou inferior à algumas gramíneas, mas o amendoim forrageiro, leucena, soja perene apresentam digestibilidade superior a todas as gramíneas tropicais. A baixa disponibilidade, altos teores de tanino e outros fatores antiqualitativos têm contribuído para reduzir a palatabilidade e a preferência de leguminosas pelos animais. Muitas delas requerem um período de adaptação prévio para serem consorciadas, como é o caso da cv. Itabela.
3. EFEITO DO MANEJO NA PERSISTÊNCIA DE LEGUMINOSAS NA PASTAGEM
De uma maneira geral as leguminosas tropicais são mais sensíveis que as gramíneas a aumentos na pressão de pastejo. Este fato tem contribuído para formar um consenso entre pesquisadores de que pastagens consorciadas são mais recomendadas para uso extensivo e que sob regime de pressões de pastejo mais altas, as leguminosas tenderão a desaparecer. Porém, tem se observado que os efeitos da pressão de pastejo sobre a persistência das leguminosas dependem dos mecanismos de persistência da planta e do grau de seletividade exercida pelo animal. Embora algumas leguminosas persistam mesmo sob pressões de pastejo extremas, não se deve perder de vista que a pressão de pastejo ideal é a que mantendo a leguminosa na pastagem, possibilite ao animal colher uma dieta com qualidade e em quantidade suficiente para exteriorizar o seu potencial produtivo.
Em Itabela, BA, a persistência de pueraria ( cudzu tropical), em consorciação com B. brizantha cv. Marandu foi avaliada sob lotações de 1, 2 e 3 nov/ha, em dois sistema de pastejo ( alterno e rotacionado), verificando-se após quatro anos de pastejo que o aumento da TL comprometeu a persistência da leguminosa, permanecendo em proporções satisfatórias somente com 1 nov/ha no sistema de pastejo alternado Quando consorciado com Andropogon gayanus, a Pueraria persistiu apenas por dois anos e somente quando o pastejo era contínuo, participando da pastagem disponível no final deste período com apenas 6% Ensaios conduzidos na mesma localidade, mostraram que Stylozanthes. guianensis CIAT 136 mostrou-se altamente susceptível a aumentos na TL não persistindo por mais de dois anos quando consorciado com A gayanus nem com B. brizantha cv. Marandu . Trabalhos conduzidos pela Embrapa – Gado de Corte, mostraram que, Estilosantes Campo Grande, aumentou sua disponibilidade e proporção na pastagem de respectivamente 958 kg/ha de MS e 23,5 % para 1578 kg /ha de MS e 46,2 %, com o aumento da TL de 0,6 UA/ha para 1,4 UA/ha, com aumentos no ganhos de peso diário até a TL de 1,0 UA/ha.
A persistência de A. pintoi tem sido reportada na literatura mesmo quando submetido a altas intensidades de pastejo. Em ensaio conduzido em Itabela – BA, em pastagem consorciada com B. dyctioneura, submetida a pastejo contínuo, não se observou efeito da TL sobre a oferta de de A. pintoi mas a proporção da leguminosa aumentou em todas as TLs no decorrer do experimento que teve duração de quatro anos. A leguminosa permanece na área até a presente data, estando portanto com 10 anos de persistência. Quando consorciada com B. humidícola nesta mesma localidade, com cargas ajustáveis em função da disponibilidade de pasto, mantinha-se na proporção de 10,2% e 7,6% respectivamente no final do primeiro e segundo anos experimentais. Pesquisadores da Costa Rica em consorciação com capim estrela africana, conseguiram a proporção média de A. pintoi de 37,9% para os dois anos a que se reportam os dados. Dados obtidos em Carimágua, Colômbia em pastagem de B. humidícola + A. pintoi, com duração de quatro anos, onde a disponibilidade de A. pintoi aumentou em 5 a 6 vezes do primeiro para o quarto ano, não se observando efeitos das TLs de 2, 3 e 4 cab/ha sobre esta disponibilidade. Romero e Gonzalez, citados por LASCANO et al. (2002), mostraram que A pintoí , quando em associação com B. decumbens, possibilitou aumento da taxa de lotação de 2,5 UA/há para 4,6 UA/há, enquanto no pastejo na gramínea exclusiva a evolução da TL só foi possível até 3,7 UA/ha.
Portanto, a persistência da leguminosa depende diretamente da pressão de pastejo utilizada. Algumas leguminosas apresentam maior tolerância a aumentos na pressão de pastejo em função de atributos morfogenéticos próprios, enquanto outras são extremamente sensíveis, sofrendo exclusão na maioria das vezes irreversível da pastagem. Os sistemas de pastejo têm influenciado na proporção de leguminosa em algumas pastagens. De uma maneira geral o pastejo contínuo e o alternado, tem favorecido a permanência das leguminosas (LEITE et al., 1982; SANTANA et al., 1993; LASCANO, 1994). O efeito tem sido maior quando se trabalha com forrageiras de baixa palatabilidade e tem sido recomendada como ferramenta de manejo para favorecer a manutenção da leguminosa na pastagem, levando em consideração a variação estacional da oferta de pasto (ROBERTS, 1980).
O ajuste de taxas de lotação e de períodos de descanso/ocupação, através de um sistema de pastejo alternado, em função da oferta de pasto e da proporção da leguminosa, foi recomendado por SPAIN e PEREIRA (1985). Este sistema de manejo, denominado flexível seria recomendado para avaliação de leguminosas sob pastejo, de modo a equilibrar a proporção dos componentes forrageiros das pastagens em função de seus atributos de persistência, palatabilidade e o padrão de precipitação. Além de reduzir os custos dos ensaios, permite manejar a consorciação dentro das faixas de lotação e períodos de descansos adequados, ao equilíbrio dos componentes, tendo ainda como parâmetro de aferição rendimento animal (Figura1).
4. LEGUMINOSAS COM POTENCIAL- QUALIDADES E LIMITAÇÕES
São poucas as leguminosas que atualmente são citadas na literatura com resultados referentes a estágios mais avançados de pesquisas, em simpósios especializados, que sejam objeto de divulgação e que tenham despertado interesse por parte dos produtores ou empresas de sementes. Neste contexto, as leguminosas que no momento tem maior potencial de uso são: Arachis pintoí, S. guianensis cv. Mineirão, Campo Grande (S. capitata e S. Macrocephala), Desmodium ovalifolium cv. Itabela, Pueraria phaseoloides, Calopogonio muconoides, e leguminosas arbóreas/arbustivas, como a Lecaena leucocephala, Cajanus cajans, Gliricidia serpium, entre outras. No entanto, mesmo essas leguminosas têm uso ainda muito restrito, dependendo não só do aperfeiçoamento de técnicas de manejo, como também de maior trabalho de difusão.

No gênero Arachis spp, A.. pintoí, com as cultivares Amarilho e Belmonte e A. glabrata, despontam no momento como as mais promissoras, pela sua qualidade nutricional e persistência sob pastejo sendo motivo de entusiasmo no meio científico e despertando cada vez mais a atenção dos produtores. No entanto não vai ser a solução para todas as situações. A.. pintoí, vem sendo difundida em vários ecossistemas, mas sua adaptação tem sido maior em ecossistemas úmidos ou semi-úmidos, com curta estação seca, como é o caso da Amazônia, Mata Atlântica e tabuleiros costeiros. Em regiões com maior período seco sua utilização pode ficar restrita a várzeas úmidas.
Por outro lado, a literatura revisada aponta algumas demandas a serem pesquisadas, visando maior conhecimento específico dos cultivares já lançados. A dificuldade de colheita de sementes, onerando o preço tem limitado a maior difusão do cultivar Amarilho. A cv. Belmonte com baixa produção de sementes vem sendo disseminada por meio de propagação vegetativa. Apesar disso há notícias de amplas áreas desta cultivar implantadas no estado do Acre e em menor escala nos tabuleiros costeiros da Bahia e Sergipe(observação do autor). No período 2003/04 a Ceplac distribuiu material de propagação para cerca de 1200 produtores em todo o Brasil.
Em alguns casos ajustes de manejo devem ser feitos para evitar que a leguminosa, em face de sua agressividade, domine a gramínea, principalmente quando esta é também de boa qualidade, reduzindo a quantidade de energia disponível para os animais. A lotação contínua parece aumentar a proporção desta leguminosa na pastagem em regiões sem período seco definido. Informações sobre exigências nutricionais e sobre rizobiuns específicos são raras na literatura, requerendo portanto pesquisas. A busca de cultivares mais tolerantes a seca também é necessária. Ações neste sentido estão em curso: diversos acessos de Arachis spp. estão sendo avaliados em rede coordenada pela Embrapa Cerrados, além de estudos que viabilizem a produção de sementes; a Embrapa, Recursos Genéticos está desenvolvendo estudos básicos de genética envolvendo caracterização molecular, enzimática e morfológica de diferentes acessos desta espécie (ANDRADE e KARIA, 2000).
O gênero Stylosanthes spp. com as cv. Mineirão e Campo Grande (S. capitata e S. macrocephala) estão bastante divulgadas como leguminosas adaptadas aos cerrados. O cv. Mineirão tem apresentado baixa aceitabilidade quando associado à Brachiaria spp (ALMEIDA et al, 2001) e baixa persistência quando associado ao cv. Marandu com reflexos na produção animal (ANDRADE e KARIA, 2000). A máximo período de pastejo encontrado na literatura foi de três anos, permanecendo na pastagem na proporção de 10% em média (ALMEIDA et al.,2001). A sua utilização como banco de proteína e recuperação de pastagens degradadas parece ter maior probabilidade de adoção junto ao produtor. O estilosantes Mineirão vem se tornando popular no Brasil, e alguns produtores de sementes estão interessados na divulgação destes cultivares criando expectativas de aumentar o volume de adoção, ainda pequeno (Fazenda Primavera, observação pessoal). Pesquisas adicionais sobres manejo e formas de utilização desta cultivar foram dectadas na literatura revisada. Sobre o multilinha Campo Grande de lançamento recente, há ainda poucas informações sobre sua qualidade e persistência sob pastejo (VALLE, SILVA e SCHUNKE, 2001).
Pueraria phaseoloides e Calopogonio muconoides, têm sido muito utilizados na Amazônia. Com relação a P. phaseoloides, literatura cita persistência de até quatro anos quando consorciadas com Brachiaria spp (SANTANA, PEREIRA e MORENO,1991). São leguminosas que juntamente com Stylosanthes spp podem ser mais utilizadas estrategicamente no período seco.
Desmodium ovalifolium cv. Itabela, tem problema de qualidade influindo negativamente na sua palatabilidade, mas por ser muito persistente, sua presença na pastagem tem mostrado reflexos positivos no ganho de peso dos animais, face a reciclagem de N que beneficia gramínea. Tem atualmente uso restrito ao sul da Bahia, com pouca saída de sementes para outros estados. È recomendada para ecossistemas úmidos e semi-úmidos.
Das leguminosas arbustivas Leucena leucocephala, é a mais estudada e é relativamente bem disseminada em todo o Brasil, tendo o seu uso se consolidado na formação de bancos de proteína. No semi-árido tem sido utilizada como componente do sistema CBL (caatinga, buffel, leucena,). Guandu e gliricidia são menos utilizadas. A primeira tem problema de persistência e a segunda, mais adaptada a ecossistemas úmidos tem palatabilidade de regular a baixa. A Embrapa Cerrados ao longo de vários anos de pesquisas desenvolveu híbridos com tolerância às condições dos solos sob cerrados, tendo como referência de produção a cv. Cunningham (ANDRADE e KARIA, 2001).
4.1 Estratégias de usoA persistência da leguminosa na pastagem é função de características morfofisiológicas da forrageira, portanto genéticas sendo influenciada principalmente, por fatores climáticos e de manejo. Das leguminosas tropicais em uso pouquíssimas têm estas caraterísticas, mas o seu uso não pode ser generalizado Assim, é importante encontrar formas de melhorar o manejo da consorciação visando agregar persistência à leguminosa e/ou definir estratégias para outras formas de utilização das leguminosas com potencial produtivo, mas inadequadas para consorciação direta com as gramíneas disponíveis.
De acordo com a literatura revisada a maiorias das leguminosas não persistem em níveis aceitáveis, por mais três anos. A. pintoí tem sido exceção. Assim, estudos econômicos podem levar à conclusão de que, dependendo de cada caso valerá a pena restabelecer a leguminosa. Esta parece ser uma nova ótica de ver o problema (BARCELLOS et al, 2000). Afinal persistência absoluta não existe nem para pastagens de gramíneas exclusivas.
Outra recomendação seria a utilização de leguminosas na recuperação de pastagens, principalmente através do sistema integrado agricultura e pastagem. Alternativas neste sentido foram apresentadas com associação de leguminosas e cultivos anuais. Esta parece ser uma prática que ganha cada vez mais adeptos, principalmente no centro-oeste, onde a agricultura e pecuária estão mais integradas e onde se concentra a maioria das pastagens degradadas do país. Pesquisas neste sentido precisam continuar, principalmente para indicar quais leguminosas seriam mais adaptadas.
Leguminosas sem atributos para conviver diretamente sob pastejo com gramíneas podem ser utilizadas em bancos de proteína. O estilosantes Mineirão em muitos casos está sendo recomendado para este tipo de uso. As leguminosas arbóreas já são em grande parte utilizadas desta forma, principalmente no nordeste. A utilização para feno ou silagem também são opções sedimentadas, principalmente com estilosantes e leucena.
5. CONCLUSÕES
Os benefícios da inclusão de leguminosas nas pastagens são inquestionáveis. Infelizmente o seu nível de participação nos sistemas de produção pecuários é insignificante. A baixa persistência dos cultivares disponibilizados, é reportada como a principal causa da baixa adoção pelos produtores.
Os fatores que determinam a persistência das leguminosas na pastagem são numerosos e a inter-relação entre eles é complexa e ainda pouco estudada. Fatores inerentes a própria planta, como características morfofisiológicas, adaptabilidade ao ecossistema específico, valor nutritivo e palatabilidade, associados a fatores de manejo são considerados os mais importantes.
O número de cultivares disponível é pequeno e poucos deles estão em uso .e ainda menos têm persistido em consorciação. Estudos sobre estratégias de usos alternativos para leguminosas de baixa persistência sob pastejo, mas que tenham bom potencial forrageiro, com é o caso do estilosantes Mineirão devem ser intensificados. Forrageiras que têm se mostrado persistentes e produtivas como os cultivares de Arachis spp já em uso no Brasil, devem ter seu manejo mais bem estudado para potencializar seu rendimento.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, R. G. A.; NASCIMENTO, JR., D.; EUCLIDES, V. P. B. Pastagens consorciadas de braquiárias com estilosantes, no Cerrado 1. Disponibilidade de forragem, composição botânica e valor nutritivo. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38, Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba: SBZ 2001a, p. 62-63.
ALMEIDA, R. G.; EUCLIDES, V. P. B.; NASCIMENTO JR. D. et al. Pastagens consorciadas de braquiárias com estilosantes, no Cerrado. 2. Consumo, composição botânica e valor nutritivo da dieta. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38, 2001, Piracicaba. Anais... Piracicaba: SBZ, 2001b.p.64-65.
ANDRADE, R. P 1997. de; KARIA, CLÁUDIO TAKAU. Uso de Stylosanthes em pastagens no Brasil. In: SIMPÓSIO DE FORRAGEIRAS E PASTAGENS, 2000, Lavras. Anais... Lavras: UFLA/NEFOR, 2000, p. 273-310.
BACELLOS, A. de, O.; ANDRADE, R. P. de.; KARIA, C. T. et al. Potencial e uso de leguminosas forrageiras dos gêneros Stylosanthes, Arachis e Leucaena. In: SIMPÓSIO Trpical Grasslands. 29: 134-141.
SANTANA, J. R. de.; PEREIRA, J. M.; MORENO, R. M. A. Avaliação da consorciação de Brachiaria brizantha (Roxb) Benth, sob pastejo. In: REUNIÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 28., 1991. João Pessoa. Anais... João Pessoa: SBZ, 1991, p. 4.
SANTANA, J. R. de; PEREIRA, J. M.; MORENO, R. M. A. et al. Persistência e qualidade protéica da consorciação Brachiaria humidícola – Desmodium ovalifolium cv. Itabela; sob diferente sistema e intensidade de pastejo. Pasturas Tropicales. v. 15, n. 2, p. 2-8. 1993.
SPAIN, J. M.; PEREIRA, J. M. Sistemas de manejo flexible para evaluar germoplasma bajo pastoreo: Una propuesta. In: LASCANO, C.; PIZARRO, E. (eds.) Evaliación de pastos com animales. Alternativas metodologias-RIEPT, Cali, 1985. Cali, Colômbia: CIAT 1985 p. 85-87.
WALLE, L. da C.S.; SILVA, J. M. da; SCHUNKE, R. M. Ganho de peso de bovinos em pastagens de Brachiaria decumbens pura e consorciada com Stylosanthes spp. cv. Campo Grande. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38. Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba: SBZ 2001, p. 175-176.

José Marques Pereira

Pesquisador da Ceplac e Professor Titular da Universidade de Santa Cruz

domingo, 12 de março de 2023

O que é adubação verde?

Adubação verde: conheça como melhorar a fertilidade do solo

 

O que é adubação verde?

 

Adubação verde é uma técnica agrícola que promove a reciclagem de nutrientes do solo por meio do plantio de determinadas espécies de plantas, preferencialmente espécies que pertencem à família das leguminosas e gramíneas, a fim de tornar o solo mais fértil.

A adubação do solo pode ser aprimorada com a utilização da adubação verde, quer ver como?

Primeiramente, vamos para a definição,

Bem como, visa recuperar solos degradados, melhorar solos pobres e conservar os que já são apresentam boa produtividade.

Essa técnica pode ser utilizada na agricultura em geral.

 

A adubação verde e a fertilidade do solo

 

A adubação verde melhora a fertilidade do solo, porque mobiliza os nutrientes das camadas mais profundas, os deixando disponíveis para o próximo cultivo da cultura de interesse econômico.

Desse modo, os adubos verdes, ao absorverem os nutrientes do solo, contribuem para a redução das perdas por lixiviação.

Da mesma forma, o uso dessa adubação é uma forma viável de amenizar os impactos da agricultura, trazendo maior fertilidade aos solos agrícolas e sustentabilidade ao sistema de produção.

Vejamos a seguir, as vantagens da utilização de adubos verdes e de como seus efeitos podem refletir positivamente na fertilidade do solo.

 

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Vantagens da adubação verde

 

Com efeito, a adubação verde possui muitas vantagens nos sistemas agrícolas, como, evita o desenvolvimento indesejado de ervas daninhas e diminui as perdas de água no solo.

Logo, a necessidade de se investir em adubos químicos, controle de plantas daninhas e o uso de manejo para descompactar o solo é reduzido consideravelmente.

Conheça as principais vantagens da adubação verde:

  • Aumento do teor de matéria orgânica;
  • Maior disponibilidade de nutrientes;
  • Maior capacidade de troca de cátions efetiva do solo;
  • O favorecimento da produção de ácidos orgânicos, de fundamental importância para a solubilização de minerais;
  • Descompactação do solo;
  • Diminuição dos teores de Al, com isso, aumento na absorção de fósforo nos solos;
  • Incremento da capacidade de ciclagem e mobilização de nutrientes lixiviados ou pouco solúveis que estejam nas camadas mais profundas do perfil do solo;
  • Redução de pragas e doenças;
  • Combate de nematoides;
  • Aumento da microbiota benéfica dos solos;
  • Controle das plantas daninhas.

Vejamos a seguir como a adubação age no solo.

 

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Mas como a adubação verde age no solo?

 

O processo de nutrição do solo por meio desta técnica, age como um arado biológico, uma vez que, com suas raízes criam galerias e macroporos, após sua decomposição.

Essas galerias favorecem o crescimento de microorganismos nas camadas mais profundas, rompendo as barreiras físicas do solo.

Algumas espécies de adubos verdes, possuem relação biótica ou associativa com os microorganismos benéficos do solo.

Um exemplo, é a adubação verde à partir de plantas leguminosas. Essas plantas favorecem a absorção de nitrogênio do solo, com auxílio das bactérias (rizóbio) alojadas em suas raízes.

Essas bactérias são especializadas em metabolizar o nitrogênio no solo, ou seja, elas têm a capacidade de absorver o nitrogênio presente na atmosfera e fixá-las no solo.

 

https://materiais.agropos.com.br/pos-graduacao-gestao-ambiental

 

Dentro das plantas utilizadas para adubação verde, está presente também, as gramíneas, elas possuem alto poder de associação com fungos presentes no solo, formando as micorrizas.

Desse modo, com as hifas formadas à partir dessa associação, aumenta o sistema radicular da planta e consequentemente, o seu aumento da absorção de nutrientes e água do solo.

 

adubação verde no solo

 

Escolha da adubação verde

 

Na escolha do adubo verde, é preciso estar atento quanto as condições que interferem diferentemente sobre o rendimento das espécies.

Estas é uma das razões por que há diferenças entre o comportamento das espécies para adubação, quando plantadas em diferentes locais.

Umas dessas condições, seria a do solo. A baixa fertilidade, por exemplo, é um diferencial na produtividade.

Desse modo, a escolha pode se dar devido à maior habilidade da espécie em capturar nutrientes que estejam numa condição menos disponível às plantas.

 

https://agropos.com.br/metodologia/

 

Em razão disso, o conhecimento sobre o comportamento dessas espécies deve ser regionalizado.

Isso para que seja feito a escolha com maior potencial de produção de biomassa, de reciclagem de nutrientes e que melhor se ajuste ao sistema agrícola adotado na produção de culturas comerciais.

Além disso, ainda deve ser considerada a taxa de decomposição do adubo verde, que irá regular a intensidade da liberação dos nutrientes imobilizados na biomassa e que serão absorvidos, na sequência, pela cultura já em crescimento ou cultivada na sucessão.

 

Adubação Verde: Crotalária

                                                                                                                                                                                          Foto: Canal do Horticultor

 

Quais espécies utilizar para a adubação ?

 

As principais espécies para adubação verde são:

  1. Crotalária (Crotalaria juncea)
  2. Guandu (CajanusCajan)
  3. Girassol (Helianthus Annuus)
  4. Feijão de Porco (Canavalia ensiformis)
  5. Macuna Anã (Macuna deeringiana)
  6. Macuna preta (Macuna aterrima)

 

Espécies para adubação verde

Foto: RPAnews

 

Como visto acima, a escolha do adubo verde deve levar em conta alguns fatores, como a possibilidade de acréscimo de nitrogênio proveniente da fixação biológica nas leguminosas, bem como, a capacidade de fornecimento de biomassa.

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