
O Brasil, com 8,5 milhões de km2, equivalentes a 850 milhões de hectares (ha), tem a quinta maios extensão territorial do mundo, atrás de Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, nessa ordem. Desse total, 282,5 milhões de ha são ocupados por atividades agropecuárias, divididas entre pecuária (160 milhões de ha), agricultura (72 milhões de ha) e florestas cultivadas (50 milhões de ha). Esse cenário apresenta um dado que merece atenção e preocupa: a degradação de pastagens, que atinge cerca de 30 milhões de ha, comprometendo a sustentabilidade dos sistemas pastoris, com graves prejuízos econômicos, ambientais e sociais. Portanto, a recuperação dessas áreas é estratégica para o País.
O manejo adequado das plantas forrageiras e a melhoria da fertilidade do solo são práticas fundamentais para a recuperação de pastagens degradadas. Pesquisadores da Embrapa têm trabalhado no desenvolvimento de soluções para essa questão, e fazem um alerta: na tentativa de resolver rapidamente o problema, muitos produtores brasileiros vêm fazendo trocas sucessivas de espécies forrageiras por outras menos exigentes em manejo tanto de plantas quanto de fertilidade do solo, o que é apenas um saída paliativa, contribuindo ainda mais para degradar as pastagens.
Por isso, recomendam a adoção de soluções tecnológicas que promovam efetivamente a recuperação de pastagens e, concomitantemente, possam gerar alguma economia ou facilidade de execução. Nesse sentido, uma das opções é a utilização do plantio do feijão guandu (Cajanus cajan) em consórcio com as gramíneas.
Características
A Embrapa Pecuária Sudeste, instalada em São Carlos (SP), desenvolveu uma nova cultivar desse feijão, denominada ‘Guandu BRS Mandarim’, que tem sido utilizada com bons resultados na recuperação de áreas degradadas e na alimentação animal.
Essa leguminosa apresenta alta produtividade de forragem, cerca de 10% superior às demais cultivares, sendo resultado do processo de seleção entre muitas linhagens. Tem apresentado bons resultados na recuperação de áreas degradadas quando consorciada com braquiária, apresentando alto potencial para adubação verde, melhorando a fertilidade do solo e a qualidade do pasto.
Sua implantação e seu manejo são fáceis. Como é uma planta rústica, adapta-se bem a solos de baixa fertilidade, exigindo correções mínimas. Dispensa a adubação nitrogenada para recuperar o pasto, uma vez que o resíduo proveniente da sua roçada funciona como adubo verde, disponibilizando nitrogênio no sistema. De acordo com pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste, o material roçado agrega mais de 200 kg/ha de nitrogênio (N) na pastagem. Trata-se de um benefício adicional, principalmente para o período seco, quando a pastagem não está em boas condições, para servir de alimento para os bovinos.
Diferenciais
Em comparação com as espécies concorrentes disponíveis no mercado, essa cultivar apresenta os seguintes diferenciais:
- Fornecida no cocho ou em pastejo, reduz a quantidade necessária de alimento concentrado;
- A produção de matéria seca (MS) é vantajosa em relação aos demais guandus, com avanço no período de inverno;
- A sobressemeadura com pastagens (especialmente em áreas degradadas) permite o fornecimento de nitrogênio, aumentando a produção do capim;
- É um biodescompactador natural do solo, pois, por meio de seu sistema radicular, promove a ruptura de possíveis camadas compactadas;
- Aumenta a massa de forragem destinada à silagem quando em consórcio com milho ou sorgo;
- Requer menos tempo para introdução do animal na área após a instalação da pastagem consorciada;
- É uma boa alternativa de forrageira para áreas com histórico de escassez de chuvas, para uso na alimentação animal;
- É uma boa fonte de forragem (vagens e folhas) para o período seco;
- Para completar, é resistente aos fungos Macrophomina e da ferrugem da soja.
(Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste)