FONTE: ADUFOP
Ontem (07), o Projeto de Extensão
Circula Agricultura realizou o Encontro da Agrobiodiversidade: Sementes
Crioulas como Patrimônio Biocultural dos Territórios, na Escola de Minas,
campus Morro do Cruzeiro, em Ouro Preto. O evento reuniu agricultores/as
familiares da região, docentes, estudantes e população local. O professor
Pedro, 2º Tesoureiro da ADUFOP, esteve
presente na atividade.
Durante a atividade, houve um posto
de troca de mudas e biofertilizantes por embalagens plásticas. Os interessados
que levaram embalagens higienizadas (garrafas de água ou refrigerante de 500
ml, 1 L ou 5 L, além de caixas de suco e leite) puderam trocá-las por uma muda ou biofertilizante. Na roda de conversa, os/as
agricultores/as contaram sobre a preservação das sementes, os desafios da
produção dos territórios, além de trocarem experiências e se apresentaram aos
presentes.
Além disso, os/as chamados/as
“guardiões de sementes", os/as agricultoras/es que preservam sementes
tradicionais, distribuíram sementes aos participantes.
Em Ouro Preto, existe a Casa Nativa,
que é um ponto de entrega de cestas de alimentos frescos, orgânicos e da
estação vindos diretamente da produção agroecológica e de roçado tradicional da
região de Piedade (subdistrito de Santa Rita de Ouro Preto) fruto de uma
parceria com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ouro Preto. As entregas
são feitas todas as semanas. Você encontra cereais, frutas, legumes, verduras,
temperos, processados, PANCs e ervas. Os(as) interessados(as) devem fazer suas
reservas antecipadas através do grupo de WhatsApp:
https://chat.whatsapp.com/LgEif0ldkQbFl3GmdNp0ft?s=sh&p=a&mlu=4&ilr=4
O professor Pedro destaca que a
iniciativa organizada na Escola de Minas é essencial. "São fundamentais
para dar visibilidade a modos de vida e de produção no campo que o modelo
hegemônico tenta ocultar. A agroecologia reúne conhecimentos tradicionais milenares,
altamente científicos, de quem realmente conhece o seu território, o clima e a
biodiversidade", afirma.
Para o tesoureiro da ADUFOP, o projeto
prova a viabilidade de um modelo sustentável. "É uma demonstração de que
existe uma alternativa viável para reverter o risco de fome e garantir
alimentação saudável para toda a população. Enquanto o agronegócio e a
mineração focam na produção de commodities e agravam a crise climática, é a
agrobiodiversidade que tem resiliência para reverter esses impactos ambientais
e salvar nossos campos, águas e florestas.”
O professor Maurício Leonard de Souza,
coordenador do Projeto de Extensão Circula Agricultura, explicou o impacto mais
amplo da iniciativa: "O Circula Agricultura é um projeto de extensão que
vai muito além de distribuir alimentos; nós queremos fazer circular a economia
solidária, a promoção da saúde e a manutenção do tecido social e cultural das
famílias camponesas dos territórios de Ouro Preto. Hoje, consumimos muitos
alimentos contaminados por agrotóxicos e sem rastreabilidade nos supermercados.
O nosso projeto viabiliza a comercialização de produtos agroecológicos frescos,
sem veneno e de altíssima qualidade nutricional, cultivados com o cuidado das
famílias da zona rural. A nossa cesta é muito variada e inclui também
processados, como fubá, doces, compotas, bolos e, agora, cultivo de
cogumelos."
O coordenador reforçou ainda a
importância do engajamento docente para fortalecer a rede: "Agradecemos
muito o apoio da ADUFOP na divulgação para os/as docentes sindicalizados/as.
Precisamos mostrar a importância desse projeto e atrair mais pessoas para
ampliar as vendas e manter a entrega semanal de cestas na universidade",
explicou.
A ADUFOP apoia iniciativas como esta
para fortalecer a agricultura familiar e contribuir para um futuro mais
sustentável, além de refletir acerca do território no vislumbre de alternativas
ao atual modelo minerário que desencadeia expressiva destruição ambiental. Essa
pauta se relaciona com a atuação político-sindical do Grupo de Trabalho de
Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) local.

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