quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Projeto Compostagem para crianças


Vendo minhocas para compostagem e minhocários!!

contate agropanerai@gmail.com      WHAST 51 3407-4813   

Fixação Biológica de Nitrogênio / O legado de Johanna Dobereiner


Se hoje o Brasil é referência na produção de soja e em práticas sustentáveis de agricultura, muito se deve à Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e ao trabalho incansável de uma mulher visionária: Johanna Döbereiner. 🌱 Neste episódio do RuralCampoCast, você vai conhecer a trajetória completa de Johanna — desde sua juventude na Europa até o impacto transformador de suas pesquisas no Brasil. 📖 A história de Johanna Döbereiner Johanna Liesbeth Kubelka nasceu em 1924, na antiga Checoslováquia. Desde cedo trabalhou como camponesa e se apaixonou pela terra. Em 1947 ingressou na Universidade de Munique para estudar Agronomia — um espaço dominado por homens. Sua monografia, em 1950, já revelava sua vocação: “Bactérias na fixação assimbiótica de nitrogênio e a possibilidade de seu aproveitamento na agricultura”. Na universidade, conheceu Jürgen Döbereiner, estudante de Medicina Veterinária, com quem se casou antes de imigrar para o Brasil, onde seu pai e irmão já viviam. 🌍 Chegada ao Brasil e início da pesquisa Em 1951, Johanna foi contratada no antigo Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola, em Seropédica (RJ), que mais tarde se tornaria a Embrapa Agrobiologia. Seu primeiro trabalho, junto a Álvaro Fagundes, tratava da influência da cobertura do solo sobre a flora microbiana. 💡 O desafio científico Na década de 1960, o Brasil gastava fortunas com fertilizantes nitrogenados. Johanna ousou defender que bactérias poderiam fazer esse trabalho de forma natural e gratuita. Muitos consideraram a ideia absurda — alguns chegaram a acusá-la de querer “atrasar a agricultura brasileira”. Ainda assim, ela persistiu. Com o tempo, suas pesquisas mostraram resultados inegáveis: alta produtividade, menor custo e impacto ambiental quase zero. 🔬 Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) Johanna trabalhou com bactérias como o Bradyrhizobium, essencial na soja, e o Azospirillum brasilense, associado a gramíneas como milho e trigo. Enquanto os EUA apostavam na adubação química, o Brasil seguiu o caminho da biotecnologia, tornando-se o maior exemplo mundial de uso da FBN. Graças a essa tecnologia, o Brasil economiza bilhões de dólares por ano e evita a poluição causada pelos adubos nitrogenados. 👩‍🔬 Resistência e reconhecimento No início, Johanna foi ridicularizada em congressos e em salas de aula. Mas, com o sucesso das lavouras brasileiras, a comunidade científica teve que reconhecer que ela estava certa. Em 1997, Johanna Döbereiner foi indicada ao Prêmio Nobel de Química. Além desse reconhecimento internacional, recebeu diversos prêmios no Brasil e formou gerações de pesquisadores que continuam expandindo seu legado. 🌱 O legado Johanna Döbereiner não apenas revolucionou a agricultura brasileira, como também se tornou símbolo feminino nas Ciências Agrárias em uma época em que a ciência era dominada por homens. Seu trabalho transformou o Brasil em líder mundial em agricultura sustentável, mostrando que a vida microscópica do solo pode alimentar o mundo. ✨ Este episódio é uma homenagem ao legado de Johanna — a mulher que transformou bactérias em aliadas do futuro da agricultura. 📤 Compartilhe esse vídeo nos seus grupos de WhatsApp 🟢 Conhece o RuralCampoCast? https://spoti.fi/3AlWZCB 😉INSTAGRAM: @manecozago 🌱 Quer nos enviar alguma proposta, pergunta ou outra coisa? campoeproducao@gmail.com

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

O QUE É PRECISO SABER ANTES DE CONSTRUIR UMA ESTUFA!

Mirtilo, uma grande opção para os pequenos agricultores.


O mirtilo é nativo da América do Norte: Estados Unidos e Canadá, onde é denominado blueberry, também, onde se produz e consome 90% do mirtilo do mundo. No final da década passada uma série de estudos realizados por universidades norte americanas colocam essa fruta como a de maior poder antioxidante associado a isto uma série de propriedades nutracêuticas. A partir daí seu consumo como fruta fresca tem aumentado em todo o mundo. Esse cenário tem levado o mercado norte americano oferecer frutas frescas aos consumidores durante todo ano. Por ser uma fruta de curta vida de conservação a alternativa de ofertar ao mercado todo o ano é importar fruta do hemisfério sul. O Chile tem sido o principal produtor, com uma área superior a 2.000ha de cultivo, atingindo um volume de exportação de fruta fresca em torno de 6.000 toneladas. Mais recentemente, a Argentina e o Uruguai, também se inseriram como produtores e exportadores de mirtilo, com uma área em torno de 1.500ha e 500ha respectivamente, com plantios crescentes a cada ano. Nesses países predominam os plantios dos grupos highbush e southern highbush Na Europa o consumo de mirtilo tem crescido muito. O crescimento da produção é limitado pelo clima e pela escassa e cara mão de obra dos países europeus. Existe uma grande demanda pelo mirtilo e outras pequenas frutas por países europeus.


No Brasil, estima-se uma a área de cultivo de mirtilo ao redor de 100 ha, sendo 30 ha em Vacaria ( predominando highbush), 20 ha na região de Caxias do Sul (predominando rabitteye) e 10 ha na região de Pelotas (predominando rabitteye). O restante da área de cultivo está disperso em pequenos pomares em outros municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.



Comercialização

O mirtilo, nos últimos anos, tem ganhado as prateleiras dos supermercados nos mais diversos produtos industrializados, o que tem aumentado a demanda pela fruta congelada. Mas, a maior parte da produção é comercializada na forma de fruta “in natura”. O apelo nutricional e terapêutico (nutraceutico), destacando o mirtilo e as frutas vermelhas como alimentos funcionais, capaz de prevenir e controlar determinadas doenças, tem atraído as pessoas para o consumo dessas frutas. A fruta produzida para o mercado “in natura” e congelada no Brasil, tem como principal produtor o município de Vacaria. Essa produção tem sido exportada em pequenos volumes para países europeus. Sabe-se também, que existe a importação de determinados volumes, principalmente de fruta congelada para processamento industrial. Na região da Serra Gaúcha e Serra da Mantiqueira, nos estados de São Paulo e Minas Gerais existem pequenos cultivos para atender a demanda de fruta fresca nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.

Não se encontram muitos dados sobre a produção, consumo e comercialização de mirtilo no Brasil, nem mesmo sobre volumes importados e exportados. No entanto, percebe-se, que a oferta no Brasil parece ser menor que a demanda, e os preços são compensadores aos produtores. Na região de Vacaria e na Serra Gaúcha, pequenos produtores, recebem em torno de R$ 10,00 a R$15,00 pelo quilo da fruta fresca, podendo chegar a R$ 20,00/quilo, quando vendida sem intermediação.

Minhocário: para que serve e como funciona. UFSC

 

De acordo com o Ministério da Agricultura, no Brasil é produzido diariamente algo em torno de 144 mil toneladas de resíduos orgânicos, isso representa 60% do lixo urbano.

E para onde vai todo este material que nós produzimos? Geralmente para os aterros sanitários e em alguns casos para os lixões ocupando espaço, poluindo o solo, contaminando o lençol freático, além de representar um gasto enorme do dinheiro público no transporte e tentativas de amenizar as situações críticas do tanto de lixo que é produzido.

E é ai que entram os minhocários, que se caracterizam como um sistema de reciclagem do lixo orgânico caseiro, com minhocas transformando restos de alimento e gerando o húmus.

Aproximadamente 70% da ingestão de alimentos pelas minhocas é expelido na forma de pequenos grãos de húmus.
Geralmente em 30 dias o processo de humificação fica pronto (transformação de resíduo orgânico em húmus).

Fonte: Google

 

 

Fonte: Google
O húmus é inodoro, rico em matéria orgânica, fósforo, potássio, nitratos, cálcio, magnésio, minerais, nitrogênio e micro elementos assimiláveis pelas raízes das plantas, além de não ser tóxico para as plantas, animais e seres humanos.

 

Existem várias maneiras de montar um minhocário. Podemos utilizando caixas plásticas, garrafas plásticas e também pneus usados.

Para o minhocário do Laboratório de Tecnologias Socioambientais da UFSC foram utilizados pneus usados.

Materiais utilizados para a montagem do nosso minhocário:

– 06 pneus usados;

– 01 pedaço de plástico tipo lona;

– 02 pedaços de tecido de ráfia (sacos de ráfia) para forrar entre o primeiro e o segundo pneu que servirá para a contenção do chorume que pode se formar;

– solo e esterco curtido em quantidade suficiente para preencher um pneu;

– restos de alimentos e material palhoso (cascas de frutas, restos de vegetais, tudo cru em quantidade suficiente para preencher o segundo pneu);

– 02 pedaços de tecido sombrite, para cobrir os minhocários e algumas madeiras para evitar que o sombrite se solte; 

– minhocas.

Passos para montagem:

1. Forre o solo com um pedaço de plástico preto (tamanho suficiente para as duas pilhas de pneus);

Foto da lona preta e o primeiro pneu sobre ela

Fonte: Hellycson D. Barros

2. Coloque o primeiro pneu, forre com o saco de ráfia;

 

Foto do primeiro pneu coberto com a ráfia

Fonte: Hellycson D. Barros
3. Coloque o segundo pneu, e dentro dele a mistura de solo e esterco e minhocas, na proporção de 1 parte de solo para uma parte de esterco curtido;

 

Foto da mistura de minhocas com o solo e o esterco e a outra da mistura dentro do segundo pneu.

Fonte: Hellycson D. Barros
4. Coloque o terceiro pneu, e dentro dele a os restos de alimentos misturados com a serragem, palha e folhas secas, na proporção de 1 parte de restos e 2 partes de material palhoso;

 

Foto dos restos de alimentos sendo colocados no terceiro pneu e o material palhoso.

Fonte: Hellycson D. Barros
5. Cubra tudo com o pedaço de sombrite dobrado ao meio para proteger do excesso de sol e chuva e as madeira para evitar que o sombrite se solte da pilha.
Foto da pilha coberta com o sombrite e as madeiras sobre ela.

Fonte: Hellycson D. Barros
6. Deixe descansar por no mínimo 30 dias
Foto geral do sistema de minhocário montado.

Fonte: Hellycson D. Barros

Importante: montar o minhocário próximo a local sombreado para evitar o ressecamento do material.

A espécie de minhoca utilizada foi Eisenia andrei popularmente conhecida como Vermelha da Califórnia apresentado em seu tamanho adulto de 7 a 12 cm de comprimento. É a espécie mais indicada para produção de húmus, pois se adapta bem tanto em clima tropical como temperado, produzindo húmus durante o ano inteiro.

Vamos calcular a quantidade necessária de minhocas para o minhocário?

– Referência: 1000 unidades/m2 

– Diâmetro aproximado dos pneus: 59 cm ou 0,59m

– Área do pneu: 0,07 m2

Então, neste caso utilizaremos 70 minhocas para cada unidade de minhocário.

Curiosidades:

Como as minhocas não possuem olhos e nem ouvidos, sua movimentação é influenciada por células sensíveis a luz que existem na sua pele, por esse motivo elas preferem os ambientes mais sombreados e úmidos, porém não encharcados uma vez que sua respiração é feita pela pele.

Quer saber mais sobre os minhocários?

Então, dê uma olhada no material abaixo:

eBook-Como-fazer-compostagem-Doméstica-novo (1)

 FONTE:  https://tecsamb.paginas.ufsc.br/minhocario/

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

GANHE 5 mil por mês INVESTINDO apenas R$ 500,00 na criação de MINHOCA.


Criar minhoca dá dinheiro? Veja quanto rende um minhocário investindo R$ 500,00 e ganhando todo mês mais de R$ 5.000,00 com apenas 4 canteiros de minhocas. Baixo investimento, rápido retorno e grande lucratividade! Saiba tudo sobre a minhocultura e veja como ganhar dinheiro em um pequeno espaço em sua chácara, sítio ou até mesmo em seu quintal.

A criação de minhocas para pesca ou para produção de humus pode ser em caixa d'água, em caixas, caixas plásticas ou até mesmo em baldes. As espécies mais cultivadas são a californiana, a gigante africana e o minhocuçu.

Mas afinal criação de minhocas é lucrativa? Para ter essa resposta, assista ao vídeo e veja qual o lucro da minhocultura, sendo que o criador deve seguir as orientações da Embrapa na implantação do minhocário, tendo assim uma melhor rentabilidade e produtividade. Saiva como criar minhocas e tenha isca o ano todo!

Conhece o FEIJÃO-ARROZ???







Citação: Vieira RF, Vieira C & Vieira RF (2001) Leguminosas graníferas. Viçosa, Editora UFV. 206p. Este capítulo: p. 95-102. FEIJÃO-ARROZ Nome botânico Vigna umbellata (Thunb.) Ohwi & Ohashi (sin. Dolichos umbellatus Thunb., Phaseolus pubescens Blume, P. calcaratus Roxb., P. chrysanthus Savi, P. torosus Roxb., P. ricciardianus Tenora, V. calcarata (Roxb.) Kurz, Azukia umbellata (Thunb.) Ohwi). Nomes comuns No Brasil, o feijão-arroz é, muitas vezes, erroneamente conhecido por feijão-adzuki, nome de outra espécie do gênero Vigna. Em espanhol, por frijol arroz ou judía arroz; em inglês, por rice bean. A planta Plantas anuais, com ciclo de vida, dependendo das condições climáticas, de 90 a ll5 dias (nos cultivares estudados em Minas Gerais), e apresentam porte quase ereto ou são trepadoras; folhas com três folíolos ovais, inteiros; a inflorescência é um racimo axilar, curto, com 10-15 flores amarelas, autoférteis; quilha com esporão cônico, oco, em um dos lados; uma das asas enrola-se completamente em redor da quilha; vagens glabras, cilíndricas, estreitas, com cerca de 7 a 12 cm de comprimento, pouco curvadas, com curto bico, que ficam enegrecidas na maturidade; elas não apresentam contração entre as sementes, estas em número de 3 a 12. 


 A semente As sementes são pequenas, pesando, nos cultivares usualmente plantados no Brasil, de 5 a 12 g por 100 unidades, dependendo do cultivar e dos fatores edafoclimáticos e culturais. São amarelas ou vináceas, porém a literatura estrangeira menciona ainda outras cores: verde, parda, preta e mosqueada. Apresentam uma característica que lhes facilita a identificação: duas pequenas saliências longitudinais, paralelas, brancas, cobrindo o hilo côncavo. Os cotilédones são hipógeos na germinação. Pelas informações da literatura estrangeira, a composição química do feijão-arroz é aproximadamente a seguinte: umidade 10- 13%, proteína 19-23%, gordura 0,6-1,2%, carboidrato total 60-65%, fibra 4-6% e cinza 4,0-4,3%. Dois cultivares examinados por Vieira (1989), em Viçosa, acusaram 19,2% e 18,2% de proteína. Contêm quantidades apreciáveis de cálcio, ferro, fósforo e as vitaminas tiamina, niacina e riboflavina (National Academy of Sciences, 1979). Por causa da qualidade nutricional de sua proteína, o feijãoarroz tem sido considerado um dos melhores entre os grãos comestíveis de leguminosas e, segundo a National Academy of Sciences (1979), foi altamente recomendado nos programas nutricionais das Filipinas. Cozinha com facilidade. Distribuição Na década de 20, Vavilov (1949/50) verificou que a Índia é o centro de diversidade genética do feijão-arroz. É cultivado neste país e em outros da Ásia: Bangladesh, Mianmar, Sri Lanka, Malásia, Indonésia, Filipinas, China, Japão, Tailândia. Foi introduzido em outros países, da África e das Américas. Em forma silvestre, ocorre na Índia, China e Malásia (Jain e Mehra, 1980). No Brasil ainda é pouco cultivado e foi, provavelmente, introduzido da Ásia por japoneses.

 3 Utilização O feijão-arroz tem sido consumido no Brasil na forma de grãos secos. Em outros países, as vagens imaturas também são utilizadas. Comparando-o, em avaliação sensorial dos grãos cozidos (inteiros, batidos em liquidificador), com o feijão-comum, Vieira et al. (1989) verificaram que, enquanto este foi tido como entre bom e muito bom, o feijão-arroz foi considerado entre menos que aceitável e aceitável. Isso mostra que o brasileiro, acostumado com o sabor acentuado do feijão-comum, pode fazer restrição ao sabor suave do feijão-arroz. Contudo, seu consumo entre nós vem, pouco a pouco, aumentando, sobretudo entre os seguidores da macrobiótica. É possível que a sua aceitação geral possa ser melhorada pela adição de outros temperos, além do sal e do óleo utilizados por Vieira et al. (1989). Seu fornecimento `as crianças, ainda sem o hábito arraigado de consumir apenas o feijão-comum, seria outra estratégia para aumentar-lhe o consumo. O feijão-arroz atinge alta produção de massa verde, permitindo indicá-lo como forrageira, planta de cobertura ou para a adubação verde. Em Viçosa, um cultivar de feijão-arroz rendeu 33,7 t/ha de massa verde, enquanto o feijão-de-porco produziu 25,0 t/ha (Vieira, 1971). Na Índia, o feijão-arroz é considerado forragem de boa qualidade nutritiva quando cultivado, em fileiras alternadas, com a gramínea Pennisetum pedicellatum; para carneiros, é bem palatável quando fornecido no estádio de pré-florescimento (Chatterjee e Dana, 1977).

 Adaptação O feijão-arroz adapta-se a diversas condições edafoclimáticas, mas é essencialmente uma cultura tropical, muito suscetível `a geada. Em geral, considera-se a temperatura média entre 18 e 30C a mais adequada para a cultura (Kay, 1979). Para altos rendimentos, requer condições de muita umidade, porém é moderadamente resistente `as condições mais secas, mais 4 apropriadas ao caupi. Na Ásia, é cultivado em altitudes que atingem 1.500-1.800 m. Desenvolve-se em solos de diferentes texturas, mas, para altos rendimentos, o solo deve aliar fertilidade com boa capacidade de retenção de água e aeração adequada. O feijão-arroz é considerado sensível ao fotoperíodo, exigindo dias curtos para o florescimento. Entretanto, nas condições de Viçosa, Vieira (1971) plantou sete cultivares de feijão-arroz em 31 de outubro e seis deles iniciaram a floração entre 18 e 20 de dezembro, sendo colhidos em 10 de fevereiro. O sétimo iniciou a floração em 11 de março, mostrando-se sensível ao fotoperíodo. No Havaí, Hartmann (1969) também identificou diversas introduções de feijão-arroz que se comportaram como neutros em relação ao comprimento do dia. Cultivo O feijão-arroz, em Minas Gerais, pode ser semeado de agosto (com irrigação) a março. Plantado no começo da estação chuvosa produz bem, porém há o risco de chuvas continuadas durante o período de maturação causar prejuízos aos grãos. Em regiões com inverno pouco rigoroso, pode ser plantado em abril ou maio. Para Minas Gerais é recomendado o cultivar Viçosa, de hábito de crescimento determinado, ciclo de vida de 100 dias, 4-9 sementes por vagem e grãos violáceos pesando de 8,5 a 9,8 g por 100 unidades; produção de 2.073 kg/ha já foi alcançada com esse cultivar (EPAMIG, s.d.).

 Recomenda-se o espaçamento entre fileiras de 50 a 60 cm com 15-20 sementes por metro. Em Gurupi, TO, Miranda et al. (1997), utilizando o espaçamento entre fileiras de 0,6 m, constataram que o maior rendimento (1.059 kg/ha) foi obtido com a densidade de 300 mil plantas por hectare. Não há estudos sobre a adubação mineral da cultura do feijão-arroz no Brasil; por isso, tentativamente, pode-se indicar a mesma recomendada para a cultura do feijão-comum. No verão, a emergência das plantinhas ocorre oito a nove dias após a semeadura, se houver boa disponibilidade hídrica no solo. Em Viçosa, o desenvolvimento inicial das plantas foi lento 5 quando o plantio foi realizado no final de março, com a utilização de irrigação suplementar. Porém, depois de três semanas, o desenvolvimento das plantas foi rápido, fechando o vão entre as fileiras aos 45 dias após o plantio, quando as plantas estavam no início da floração. A semeadura logo depois do preparo do solo retarda a emergência da flora invasora. Recomenda-se manter a cultura no limpo até o começo da floração. O desenvolvimento inicial lento do feijão-arroz demanda maior cuidado no controle das plantas daninhas que no caso do feijão-comum. Há carência de estudos sobre herbicidas na cultura do feijão-arroz; nos EUA, o metribuzin mostrou-se promissor (Harrison Jr., 1988); no Brasil, resultados preliminares indicaram bom potencial de uso dos seguintes: flumetsulam, trifluralin e imazaquin (pré-emergentes) e imazamox, imazethapyr, fluazifop-p-butil e chlorimuron-ethyl (pós-emergentes) (Silva et al., 1999). Embora não inoculado com rizóbio, tem-se notado em Viçosa que o feijão-arroz apresenta nódulos em suas raízes que, em número e tamanho, assemelham-se aos do feijoeiro-comum. 

As espécies de Vigna são noduladas por estirpes de Bradyrhizobium e são consideradas hospedeiras relativamente promíscuas (Giller e Wilson, 1991). O pequeno agricultor geralmente planta o feijão-comum em consórcio, sobretudo com o milho. Por isso, Vieira e Vieira (1996) procuraram estudar o comportamento do feijão-arroz quando submetido a esse tipo de sistema de produção. Plantaram simultaneamente ambas as culturas nas mesmas fileiras espaçadas de 1 m, o milho com cerca de três pés por metro. O feijão-arroz utilizou o milho como suporte físico para a subida de suas hastes volúveis, que chegaram a 1,75 m de altura, aparentemente sem causar danos `a gramínea. O cultivar E-7 de feijão-arroz produziu 1.059 kg/ha, sofrendo uma redução de rendimento de 70% em relação ao monocultivo (3.487 kg/ha). O outro cultivar (E-18) rendeu 1.164 kg/ha, uma redução de 58% quando comparado ao monocultivo (2.747 kg/ha). Os dois cultivares de feijão-comum incluídos no estudo produziram, no consórcio, 1.231 e 1.100 kg/ha, com quebras de produção de 44 e 46% em relação ao monocultivo. Tudo isso 6 comprova que o feijão-arroz pode ser consorciado com o milho, embora seja mais sensível que o feijão-comum `a concorrência movida pelo milho, competidor mais forte. Colheita e armazenamento Dependendo da época de plantio, o ciclo de vida (a partir da emergência) do feijão-arroz pode variar de 82 a 1121 dias, nas condições da Zona da Mata de Minas Gerais. A maturação das vagens completa-se num lapso de uma ou duas semanas, mas nem sempre é uniforme. No consórcio com o milho, a maturação é mais desuniforme, exigindo mais de uma colheita das vagens maduras. Estas abrem-se com facilidade quando manuseadas, transtorno que pode ser minimizado efetuando-se a colheita nas primeiras horas da manhã. 

O tipo de crescimento da planta, a debulha fácil das vagens, a maturação desuniforme e o fato de as plantas permanecerem verde mesmo com as vagens secas tornam a colheita mecanizada do feijãoarroz uma tarefa difícil. Quando é feita uma única colheita, a prática de secagem e bateção das plantas ou das vagens é feita de maneira idêntica `a realizada com o feijão-comum. Depois da bateção, os grãos são beneficiados e, se necessário, novamente expostos ao sol no terreiro, até que sua umidade atinja cerca de 12%. Em virtude da resistência das sementes ao caruncho, nenhum tratamento químico é recomendado antes do armazenamento. Se guardadas em lugar arejado e seco, podem manter alta percentagem de germinação mesmo depois de dois anos e meio de armazenamento (Vieira et al., 1998). Rendimento Na Zona da Mata de Minas Gerais, o feijão-arroz pode render tanto quanto o feijão-comum (Vieira et al., 1992; Vieira & Lima, 2008) ou mais que esta espécie (Vieira, 1971; Vieira et al., 1992), quanto a semeadura é feita entre outubro e março. A produtividade máxima do feijão-arroz foi obtida em Viçosa em semeadura feita em 7 11 de novembro: 3487 kg/ha (Vieira e Santos, 2000). Semeado em agosto e irrigado por aspersão, quando necessário, ele rendeu 2000 kg/ha, produtividade semelhante à do feijão-comum (Vieira e Santos, 2000). Em semeadura realizada em novembro ou fevereiro, em Goiânia, GO, e Brasília, DF, o feijão arroz (não irrigado) produziu tanto quanto o feijão-comum (Nasser e Vieira, 1997) ou mais que este (Vieira e Nasser, 1997).

 Nesses estudos, a produtividade máxima alcançada pelo feijão-comum foi 1023 kg/ha, enquanto o feijão-arroz chegou a 1622 kg/ha. Semeado em abril ou maio em regiões de inverno ameno, como nos municípios de Oratórios e Leopoldina, a produtividade do feijão-arroz foi semelhante à do feijão-comum. As produtividades médias de genótipos de feijão-arroz nesses meses variaram de 1164 a 2261 kg/ha (Vieira e Santos, 2000; Vieira e Lima, 2008; Vieira et al., 2009). O genótipo GL 401, semeado em 18 de abril, em Leopoldina, chegou a render 2474 kg/ha (Vieira et al., 2009). Doenças e pragas O feijão-arroz é menos atacado por moléstias e pragas que outras leguminosas produtoras de sementes comestíveis (Rachie e Roberts, 1974; Kay, 1979). Segundo Sikona e Greco (1990), pode ser atacado pelos seguintes nematóides: Heterodera cajani, H. glycine, Meloidogyne incognita, M. javanica e Radopholus similis. Nos plantios realizados em Minas Gerais, tem-se observado ataque de nematóides causadores de galhas nas raízes, de crisomelídeos (Diabrotica speciosa, Cerotoma sp.) e do fungo Sclerotinia sclerotiorum. Quando o plantio é realizado em fins de março ou depois, e é usada a irrigação  o que proporciona vigoroso desenvolvimento vegetativo , pode ocorrer ataque desse fungo causador do mofo-branco, doença favorecida por alta umidade e baixa temperatura. No Paraná, não se constataram moléstias foliares sérias, mas pequenas perdas ocasionadas por fungos do solo; crisomelídeos podem causar problemas (Khatounian, 1993). Em Leopoldina, Zona da Mata de Minas Gerais, não se observou 8 sintoma de doença na folhagem do feijão-arroz nas diferentes épocas de plantio (Vieira & Santos, 2000; Vieira et al., 2009). De acordo com Chatterjee e Dana (1977), as sementes do feijão-arroz são resistentes ao caruncho. De fato, armazenadas em Viçosa sem tratamento químico, elas não foram atacadas pelo caruncho, enquanto o oposto ocorreu com o feijão-comum, com o guandu, com o caupi e com o feijão-mungo-verde. 

Em Janaúba, Minas Gerais, coletou-se amostra de feijão-arroz exibindo ovos de caruncho aderidos ao tegumento das sementes, mas nenhuma delas apresentava perfuração. Vieira, R.F. & Santos, C.M. dos (2000). Comportamento de cultivares de feijão-arroz em Ponte Nova, Minas Gerais. Rev. Ceres 47:573-578. Vieira, R.F. & Lima, R.C. (2008). Desempenho de cultivares de feijão-arroz em Coimbra e Leopoldina, Minas Gerais. Rev. Ceres 55:131-134. Vieira, R.F.; Paula Júnior, T.J. & Lehner, M. da S. (2009). Viabilidade do cultivo do feijão-arroz no outono-inverno em regiões de inverno ameno. Ciên. Agrotec. 33:2075-2077.

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