quarta-feira, 7 de maio de 2025

Pesquisadores gaúchos investigam possível híbrido de butiazeiro


Cruzamento entre duas espécies pode ter gerado planta que produz frutos e cachos maiores

Redação Agro Estadão

03/03/2025 - 16:42

O pesquisador Gilson Schlindwein com frutos híbridos do butiá - Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi

O Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Aquicultura (CEPAQ) de Viamão (RS) está estudando butiazeiros que apresentam indícios de ser uma planta híbrida. Ao todo, 12 mudas estão em análise pelos pesquisadores. Essas árvores começaram a produção dos primeiros butiás e o que vem chamando a atenção é a diferença morfológica entre eles. 

Enquanto alguns têm aspectos parecidos com o Butia yatay, outros são mais semelhantes aos frutos do Butia odorata. Porém, essas espécies de butiazeiros são de regiões diferentes. Enquanto a primeira é natural do oeste do Rio Grande do Sul, a outra está presente na parte central e leste do estado. O fato de haver butiás diferentes em um mesmo cacho aponta para um possível cruzamento entre as duas espécies. 

“Esse fenômeno se deve, muito provavelmente, ao cruzamento natural destas duas espécies, uma vez que a planta matriz onde as sementes foram coletadas e que deram origem às mudas está situada nas proximidades da área de contato entre essas duas populações (espécies), o que deve ter contribuído para o surgimento deste híbrido”, destaca o pesquisador do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi-RS), Gilson Schlindwein. 

De acordo com os pesquisadores, há cerca de oito anos, essas 12 mudas foram feitas a partir de uma planta matriz de Santa Maria (RS). A mãe apresentava características da espécie Butia odorata. Na época, eles resolveram multiplicar o butiazeiro devido aos frutos com mais de 50 gramas por unidade e os cachos chegavam a pesar 40 quilos, o que são números acima da média. 

Agora, a investigação científica tenta descobrir se a planta matriz, na verdade, já seria uma planta híbrida, além de confirmar se as mudas são realmente de cruzamento das duas espécies. Schlindwein ainda aponta novas direções para o estudo sobre o butiá no estado gaúcho: “Será que plantas com tamanho de frutos e de cachos muito acima da média, encontradas na região de Santa Maria, são resultantes do cruzamento entre duas espécies distintas?”.


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Fonte: https://agro.estadao.com.br/inovacao/pesquisadores-gauchos-investigam-possivel-hibrido-de-butiazeiro

Passeio Trem do Pampa/Santa do Livramento

terça-feira, 6 de maio de 2025

Pesticidas com potencial cancerígeno poluem o ar em zonas agrícolas no interior de SP


Malationa e permetrina foram os compostos mais detectados em áreas urbanas e industriais, enquanto a atrazina predominou nas zonas agrícolas – Foto: NRCS Photo Gallery/USDA / Domínio Público 

FONTE: JORNAL DA USP

Das amostras coletadas em pesquisa, atrazina e malationa são as substâncias mais associadas ao risco de câncer humano; atrazina teve maior concentração em região agrícola

  Publicado: 05/05/2025 às 8:00     Atualizado: 06/05/2025 às 9:11

Texto: Ivanir Ferreira

Arte: Gustavo Radaelli* 

Um estudo do Instituto de Química (IQ) da USP detectou a presença de pesticidas no ar tanto em áreas urbanas e industriais quanto nas rurais, desmistificando a ideia de que o ambiente no campo seja mais limpo do que o da cidade. As análises foram feitas em células epiteliais de pulmão humano expostas a soluções de pesticidas e a material particulado (MP) atmosférico, coletados em três regiões do Estado de São Paulo: Piracicaba – região agrícola; São Paulo – região urbana e Capuava, Santo André – região industrial. Malationa e permetrina foram os compostos mais detectados em áreas urbanas e industriais, enquanto a atrazina predominou nas zonas agrícolas.

Segundo a autora da pesquisa, Aleinnys Marys Barredo Yera, o pesticida atrazina — um composto organoclorado — representa o maior risco de câncer para populações em áreas rurais. Já o malationa, da classe dos organofosforados, oferece maior perigo nas regiões urbanas. “Os pesticidas organoclorados são altamente persistentes no ambiente, com capacidade de se acumular no solo, na água e na cadeia alimentar. Já os organofosforados, embora se degradem mais rapidamente, são extremamente tóxicos e podem causar efeitos neurológicos agudos em casos de exposição direta”, diz a pesquisadora. No meio rural, o uso desses compostos é comum no controle de pragas agrícolas, e em áreas urbanas, substâncias como o malationa também são empregadas no combate a mosquitos transmissores de doenças por meio de pulverização.

Aleinnys Marys Barredo Yera - Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com a pesquisa, a exposição contínua por 24 horas a concentrações iguais ou superiores a 352 picogramas por metro cúbico (pg/m³) desses pesticidas no ar pode aumentar significativamente o risco de câncer ao longo da vida, especialmente em bebês, considerados mais vulneráveis e pelo baixo peso corpotal.  Aleinnys explica que essas substâncias são citotóxicas, têm potencial para causar danos ou morte celular, além de possuírem propriedades oxidativas, o que favorece a formação de radicais livres e pode provocar danos a proteínas, células e até ao DNA humano.

Concentrações médias de pesticidas encontradas no ar em São Paulo, Piracicaba e Capuava -2017

Ar em zona rural pode ser mais tóxico que o urbano

A pesquisa também derruba a percepção de que áreas rurais tenham o ar mais limpo do que as regiões urbanas.

“Em Piracicaba, amostras de material particulado atmosférico devido à presença de pesticidas e outros compostos orgânicos apresentaram níveis mais altos de carcinogenicidade, citotoxicidade e potencial para induzir estresse oxidativo do que as amostras coletadas em uma região da capital paulista”, relata a professora Pérola Castro Vasconcellos, orientadora do estudo.

Pérola Castro Vasconcellos - Foto: Arquivo Pessoal

Cálculos de exposição diária por inalação de pesticidas também mostraram que as populações que moravam na área agrícola estavam mais expostas do que as que moravam nas regiões urbanas. Compostos como heptacloro e malationa, ambos associados a riscos cancerígenos, foram encontrados em níveis mais elevados na zona agrícola do que na urbana, o que indica maior risco de desenvolvimento de câncer entre a população rural.

O estudo ainda mostrou que a combinação de diferentes pesticidas presentes no ar tem efeito tóxico mais significativo do que a ação isolada de cada composto. “Como as amostras de Piracicaba continham uma maior mistura desses contaminantes, os efeitos à saúde tendem a ser mais severos”, explica Aleinnys.

Coletas por região

Em 2018, amostras de material particulado foram coletadas simultaneamente em três regiões durante 26 dias, com análise das concentrações diárias de pesticidas para avaliar a qualidade do ar. Em São Paulo, o equipamento de medição foi colocado no terraço do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, na Cidade Universitária, região arborizada, e próxima (2 km) da Marginal Pinheiros, um dos lugares de possíveis alvos de aplicação de pesticidas. Em Piracicaba, no Campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP e em Capuava, região metropolitana de São Paulo, próximo ao Polo Petroquímico.

De acordo com a professora Pérola, os sítios onde foram feitas as coletas apresentaram picos de concentração de pesticidas em momentos diferentes, o que revela o uso intensivo dessas substâncias em diversos setores. A atrazina teve sua maior concentração em Piracicaba, região agrícola, com 163 pg/m³, enquanto em São Paulo, a área urbana, atingiu 93 pg/m³. Em Capuava, zona industrial, a substância não foi detectada. Já a substância malationa apresentou os maiores níveis no sítio de Capuava (concentração média de 101 pg/m³), seguida por São Paulo (88 pg/m³) e Piracicaba (79 pg/m³). O composto permetrina, por sua vez, foi mais encontrado no sítio da capital paulista (concentração média de 140 pg/m³), seguida de Capuava (108 pg/m³) e Piracicaba (93 pg/m³).

Pesticida

São Paulo (urbano)

Piracicaba (rural)

Capuava (industrial)

Atrazina

93 pg/m³

163 pg/m³

0

Malationa

88 pg/m³

79 pg/m³

101 pg/m³

Permetrina

140 pg/m³

93 pg/m³

108 pg/m³

Em São Paulo, capital, foram coletadas amostras de material particulado durante duas campanhas, nos anos de 2017 e 2018. Em 2017, dos 34 pesticidas estudados, 18 foram detectados e 13 quantificados. Os compostos mais frequentes encontrados nas amostras foram o permetrina 1 e 2 (100%), diazinon (93%), β-endosulfan (87%), bifentrina (60%) e etiona (53%). Na campanha de 2018 foram estudados 11 compostos e sete foram detectados com alta frequência, com destaque para o malationa.

Em Piracicaba, município localizado a 369 km da capital paulista, as análises de amostras de material particulado foram realizadas em 2008 e 2018. Na campanha de 2018, feita simultaneamente com outras cidades, quatro pesticidas foram detectados em todas as amostras coletadas: atrazina (163 pg/m³), heptacloro (78 pg/m³), cresoxim metílico (50 pg/m³) e λ-cialotrina (210 pg/m³).

Segundo Aleinnys, apesar de ocupar a segunda posição em concentração (163 pg/m³), “o atrazina merece maior atenção, porque esse pesticida permanece por mais tempo no meio ambiente e sua dispersão na atmosfera ocorre tanto na fase particulada quanto na gasosa por até 11 meses após a aplicação, reforçando seu potencial de contaminação atmosférica”.

Entre os pesticidas encontrados em 2008, alguns chamam a atenção pela sua presença significativa. O inseticida etiona, amplamente utilizado em diversas lavouras, foi detectado em todas as amostras analisadas, com a maior concentração registrada de 160 pg/m³. Outro pesticida amplamente detectado foi o λ-cialotrina, também comum em áreas agrícolas.

Aleinnys explica que embora o etiona e o λ-cialotrina sejam frequentemente usados em regiões rurais na agricultura, alguns estudos  mostraram a presença destas substâncias em áreas urbanas, sugerindo que os pesticidas podem se dispersar para fora de sua área de aplicação direta. “Em 2017, medições feitas nas cidades de São Paulo e em Houston (EUA) encontraram concentrações mais elevadas de λ-cialotrina, 41 pg/m³ e 57 pg/m³, respectivamente, superando os 27 pg/m³ observados em Piracicaba”, diz.

O heptacloro, um pesticida que já havia sido banido no Brasil quatro anos antes da coleta, foi detectado em todas as amostras coletadas em Piracicaba, com concentrações máximas de 89 pg/m³. “Esse resultado indica a persistência do composto no ambiente, mesmo após a proibição de seu uso, o que levanta questões sobre os impactos a longo prazo e a eficácia da fiscalização do uso de substâncias proibidas”, relata a pesquisadora.

Em Capuava, situada na região de Santo André, na grande São Paulo, campanhas de amostragem foram realizadas entre 2015 e 2018. Durante os quatro anos de coleta, o pesticida malationa foi o mais detectado em todas as amostras. Em 2015, os pesticidas mais frequentemente encontrados (em mais de 50% das amostras) foram o malationa (100%), o β-endosulfan, o permetrina 1 e 2 (93%) e o heptacloro (87%). A maior concentração registrada foi de 827 pg/m³ para o permetrina 2, o que representa o nível mais alto já reportado para um pesticida no material particulado atmosférico do Estado de São Paulo.

Em 2016, o malationa continuou a ser o único composto detectado em todas as amostras, com a maior concentração registrada de 161 pg/m³. Em 2017, observou-se o maior número de compostos detectados por amostra, com destaque para o etiona, que alcançou a maior concentração registrada no período, 750 pg/m³. Em 2018, os resultados foram similares.

A pesquisadora diz que os testes de potencial oxidativo, que expuseram células epiteliais de pulmão humano ao material particulado coletado nas áreas estudadas e a soluções de pesticidas, indicaram que amostras de Capuava apresentaram forte correlação entre pesticidas organoclorados e o estresse oxidativo celular — um fator que pode causar danos crônicos ao sistema respiratório. Segundo a pesquisadora, esses compostos são reconhecidos como disruptores endócrinos, e estudos de saúde na região já apontaram aumento nos casos de disfunções na tireoide. Ela destaca a necessidade de um estudo epidemiológico mais aprofundado para investigar essas possíveis relações.

Agricultura brasileira

A pesquisadora Aleinnys reconhece que a agricultura é crucial para a economia brasileira, com o País sendo líder global na produção de diversos alimentos. No entanto, esse crescimento resultou na expansão das áreas cultivadas e no uso intensivo de pesticidas, tornando o Brasil o maior consumidor dessas substâncias. A pesquisadora aponta que a solução não é eliminar os pesticidas, pois sua ausência poderia reduzir a produção de alimentos em até 78%, dependendo das condições específicas de cada região e das práticas agrícolas implementadas. Contudo, ela enfatiza a necessidade de um controle mais rigoroso sobre a quantidade aplicada e os tipos de pesticidas utilizados, tanto no campo quanto nas áreas urbanas.

Parte da pesquisa que trata sobre as concentrações dos pesticidas e os riscos da inalação já foi publicado em três artigos científicos:  Pesticides in the atmosphere of urban sites with different characteristics, Particulate matter–bound organic compounds: levels, mutagenicity, and health risks e Occurrence of Pesticides Associated to Atmospheric Aerosols: Hazard and Cancer Risk Assessments. Em junho de 2025, será apresentada a tese pelo Instituto de Química da USP,  Pesticidas na Atmosfera de Cidades do Estado de São Paulo: Avaliação de Riscos para a Saúde, orientada pela professora Pérola de Castro Vasconcelos e coorientada pela professora Ana Paula de Melo Loureiro, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP. 

Mais informações: professora Pérola de Castro Vasconcellos (orientadora da pesquisa), perola@iq.usp.br e Aleinnys B. Yera (autora da pesquisa), aleinnysb@usp.br; professora Ana Paula de Melo Loureiro, apmlou@usp.br

*Estagiário sob orientação de Moisés Dorado


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.


QUE FAZER PARA PRESERVAR OU RECUPERAR UMA MATA CILIAR?

 Plantio de árvores na beira do arroio!!



 Duas ações são muito importantes para preservar ou recuperar uma mata ciliar: Cercar a área, para evitar o acesso de animais domésticos; Plantar espécies de árvores nativas, especialmente frutíferas.




 As espécies nativas são aquelas originárias de uma determinada região  que durante milhares de anos vêm interagindo com o ambiente. Isso significa que passaram por um rigoroso processo de seleção natural, tornando-as resistentes e adaptadas ao local onde ocorrem. Um aspecto importante é que as espécies nativas fornecem alimentação e abrigo para agentes polinizadores, fundamentais no meio ambiente e na agricultura. 





segunda-feira, 5 de maio de 2025

Benefícios da Physalis e como consumir


Você conhece a physalis e seus benefícios? A Physalis, também conhecida como camapu ou tomate-capucho, é uma fruta com sabor doce e levemente ácido. Ela pertence à família das Solanáceas, a mesma do tomate, da berinjela e da batata. Embora seja menos conhecida que outras frutas, a physalis oferece diversos benefícios à saúde e se torna cada vez mais popular. Existem diversas espécies de physalis, cada uma com suas características únicas. As mais comuns no Brasil são: Physalis angulata: Conhecida como camapu, é a espécie mais comum no Brasil. Possui sabor doce e ácido, e é utilizada em diversas receitas. Physalis peruviana: Também conhecida como cape gooseberry, é originária do Peru. Possui sabor doce e cítrico, e é geralmente consumida fresca. Physalis ixocarpa: Conhecida como tomate-capucho, é nativa do México. Possui sabor doce e levemente ácido, e é utilizada em molhos e conservas. A Physalis é uma fruta nutritiva, versátil e deliciosa que oferece diversos benefícios à saúde. Com seu sabor único e textura crocante, ela pode ser facilmente incorporada à dieta, proporcionando mais sabor e saúde ao seu dia a dia.

Cartilha ensina boas práticas agroflorestais a famílias de assentamentos rurais

 Com o objetivo facilitar o planejamento, implantação, manejo e monitoramento de Sistemas Agroflorestais (SAF), utilizando metodologias participativas de base agroecológica, foi lançada a cartilha Manejo de Sistemas AgroflorestaisA publicação integra a série Produtor Rural (número 87), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, e busca levar conhecimento técnico e prático ao campo, promovendo a aplicação da ciência na rotina do agricultor. A série aproxima pesquisadores, estudantes e produtores para melhorar a produtividade e a sustentabilidade agrícola. Está disponível para download gratuito no Portal de Livros Abertos da USP



quarta-feira, 30 de abril de 2025

Mini Estufa para Germinação

Hoje resolvi fazer duas estufas com pet de 5 litros, para geraminação de sementes de tomate, pimenta e fisális. Será que funcionará?

fonte: horta urbana


A estufa protege as plantas contra ataques de insetos, vento e chuva fortes, e mantem a temperatura interna controlada de acordo com as condições climáticas. Sua estrutura constitui-se de material transparente, para permitir o total recebimento de radiação solar. Esta radiação aquece o solo que passa a emitir radiação infravermelha, que, por sua vez, aquece o interior da estufa, fazendo circular massa de ar quente que sobe e massa de ar frio que desce. Este tipo de climatização potencializa a ação germinadora das plantas e também beneficia plantas adultas.
Em grandes estufas o benefício também é econômico, pois gasta-se menos com adubação, irrigação e controle de pragas. Isto ocorre porque tudo o que é colocado em uma estufa é absorvido completamente, já que não sofre com ameaças externas como chuva, vento, frio, calor excessivo, predadores, etc,

Qualquer planta pode ser cultivada em estufa. Há vários modelos, de vários preços, dependendo do tamanho da estrutura e da tecnologia empregada (sistema de irrigação, materiais importados etc)
Esta modesta estufa que criei para germinar sementes de saquinho funciona muito bem para mudas de seleção, onde são plantadas várias sementes para depois escolher apenas as mudinhas mais fortes.


O processo é assim:
  • Pegue uma vasilha de plastico transparente. Faça vários furinhos embaixo e na lateral.
  • Cubra com uma fina camada de pedras.
  • Complete a vasilha até a metade com terra adubada.
  • Semeie as sementes. Procure evitar que fiquem amontoadas.
  • Cubra suavemente com uma fina camada de terra.
  • Envolva o pote com um plastico resistente. Faça vários furinhos no plástico.
  • Regue salpicando água em cima da superfície coberta.
  • Leve sua mini estufa para um local que receba luz solar, mas que não fique no "sol a pino".
A foto ao lado mostra o resultado de germinação em mini estufa. Assim que germinaram tirei o plástico porque fiz uma estufa muito baixa, e o ideal é que as plantas não encontrem barreiras para seu crescimento. Como benefícios posso citar que houve maior aproveitamento das sementes, pois quase todas germinaram. Perceba que as mudinhas tem mais ou menos o mesmo tamanho, e não estão com aspecto de doentes, com manchas ou atrofiadas. As regas eram feitas dia sim, dia não, pois a estufa mantinha o seu interior mais úmido. O tempo de germinação também foi mais rápido. 7 dias, ao invés de 10 que costuma ser o tempo de germinação da alface americana.
Esta simples estrutura pode parecer dispensável em um processo de germinação para uma produção tão pequena. Mas a estufa é uma excelente opção para a conservação das plantas. Neste ambiente ela receberá os nutrientes potencializados permitindo maior aproveitamento de mudas.
É possível criar uma mini estufa com qualquer material transparente. Copos descartáveis, garrafa pet, potes etc.

Estaquia na estufa
Dica: Em tempos de chuva faça estufas para suas estacas. As de garrafa pet funcionam muito bem em estaquias.

Fotos: Google e Jardinet

Azolla: a planta que pode ajudar a combater o aquecimento global


Azolla cultivada em laboratório. IRRI Images via Wikimedia Commons
Artigo original por Jennifer Huizen, em 15/07/14
Há 55 milhões de anos, quando os cientistas acreditam que a terra se encontrava em um estado de quase caos, perigosamente aquecida por gases estufa, o Oceano Ártico também era um lugar muito diferente. Era um grande lago, conectado com oceanos maiores por uma abertura primária: o Estreito de Turgai.
Quando este canal se fechou ou foi bloqueado cerca de 50 milhões de anos atrás, o corpo de água fechado se tornou o habitat perfeito para uma samambaia de folhas pequenas chamada Azolla. Imagine o Ártico como o Mar Morto de hoje: era um lago quente que se tornou estratificado, sofrendo por falta de trocas com águas externas. Isto significa que a água se tornou carregada de nutrientes em excesso.
Azolla tirou vantagem da abundância de hidrogênio e dióxido de carbono, dois de seus alimentos favoritos, e se espalhou. Grandes populações formaram tapetes grossos que cobriram todo o lago. Quando a precipitação de chuvas passou a aumentar, graças a mudanças climáticas, enchentes criaram uma fina camada de água fresca para a Azolla se espalhar para fora, em partes dos continentes nos arredores.
Azolla surgiu e desapareceu em ciclos por aproximadamente um milhão de anos, cada vez acrescentando uma camada adicional de sedimentos ao grosso “tapete” formado por eles, que foi encontrado em 2004 pela expedição Arctic Coring.
O fato de que esta planta só precisa de pouco mais de uma polegada (2,5 cm) de água para crescer faz com que todo o cenário pareça ter sentido – isto é, até você saber o quanto de dióxido de carbono esta planta faminta absorveu no decorrer destes milhões de anos.
“Cerca da metade do CO2 disponível na época” disse Jonathan Bujak, que estuda poeira e partículas finas de plantas como um palinologista. “Os níveis despencaram de 2500-3500 [partes por milhão] para entre 1500 e 1600 PPM.”
Enquanto o que acabou a era Azolla ainda é incerto, os 49 milhões de anos seguintes viram a terra cair em um ciclo que causou ainda mais quedas drásticas nos níveis de CO2.
Os continentes ao sul se separaram, e, enquanto a América do Sul e a Índia migravam para o norte, a Antártica se tornava isolada e cada vez mais fria, absorvendo mais CO2 e criando correntes de ar frio que perpetuavam o gelo. Uma sucessão de eras glaciais foi iniciada assim que o CO2 atmosférico caiu para menos de 600 PPM, há aproximadamente 26 milhões de anos, apenas 200 PPM acima da estimativa atual.
Eras glaciais cíclicas começaram, alternando entre 10 mil anos de glaciação massiva, seguidos de uma pausa de 10 mil anos. Na metade do século 18, o CO2 atmosférico estava a uma concentração de 280 PPM.

Encontrando usos modernos para uma planta heroica
“O que é realmente incompreensível”, disse Bujak, “é que os processos do nosso planeta de resfriamento e queda de CO2 levaram 50 milhões de anos para acontecer. Agora, estamos revertendo isso em uma questão de séculos”.
O que sabemos sobre as funcionalidades da Azolla ainda é superficial, mas pessoas ao redor do mundo, como Kathleen Pryer, uma professora da Duke que idealizou o sequenciamento do genoma desta pequena samambaia, vem encontrando formas criativas para explorar suas possibilidades. Alan Marshall, um ex-radiologista vivendo na Tasmânia, Austrália, é apenas um exemplo de cidadão-cientista que acredita queAzolla pode ajudar o planeta a encontrar um equilíbrio.
Após dois sofridos anos como um radiologista voluntário no leste africano, Marshall começou a ver que os avanços tecnológicos não são sempre conseguidos por um bom preço. Ele passou a pesquisar meios de empregar o que ele chama de tecnologia alternativa apropriada.
“’Alternativa’ significa que, em oposição á tecnologia industrial cara e que só pode estar disponibilizada quando se tem uma equipe de manutenção, você emprega um meio local e mais simples para realizar o mesmo trabalho.” disse Marshall. “’Apropriado’ leva em consideração o que o povo local vai aceitar de acordo com suas necessidades, tradições, religião, capacidade técnica, etc”.
Marshall estava procurando por um método de tratar a água das pias e da banheira de sua casa, para que pudesse ser usada em seu jardim, quando ele encontrou aAzolla.
“Eu estava no jardim de um vizinho, quando notei uma planta rosada nascendo na superfície de sua lagoa; peguei uma amostra, levei pra casa e pesquisei sobre ela na internet.” Disse Marshall. “Quando descobri que era uma espécie de Azolla, e que ela podia remover fosfatos e nitrogênio da água, pensei que isto poderia ajudar.”
Ele começou a experimentar com Azolla como parte de um sistema de filtragem e compartilhava seu projeto na internet com outros entusiastas da planta e de tecnologia alternativa. Marshall criou um sistema de filtragem de três partes que é efetivo em eliminar o cheiro da água suja, mas não em remover patógenos e vírus.
Ele disse que o desenvolvimento desses mecanismos simples e de pequena escala é ideal como uma tecnologia alternativa, mas também pode ser adaptado para um sistema maior. Este é o motivo pelo que se precisa tanto de profissionais da área para guiar trabalhos futuros.

Coma sua Azolla, faz bem pra você
Outros indivíduos experimentaram com os aspectos alimentícios da Azolla, incluindo Andrew Bujak, um chef, filho de Jonathan Bujak. Andrew vem cultivando-as em sua casa, no Canadá. Inicialmente interessado no conceito de slow-food, um movimento italiano que surgiu em oposição à crescente influência das empresas de fast-food, como o McDonald’s, Bujak pensou em um uso pessoal para a Azolla.
“Eu percebi que ela não era apenas uma boa fonte alimentar, sendo nutritiva e praticamente sem sabor, mas também pode ser cultivada por qualquer um, em (quase) qualquer lugar do planeta. Ela é fácil de encontrar, seja online ou em lojas de aquários. É só adicionar água, literalmente”, afirmou Bujak, com uma risada. Quando pedido para descrever o sabor da planta, Bujak a comparou com uma folha de grama.
Azolla cresceu não apenas no Canadá, mas quase em todos os lugares do mundo, segundo Bujak, então, ela é naturalmente adaptada para muitos climas e regiões diferentes. Isto faz com que seja fácil que as pessoas possam simplesmente pegar a planta e usá-la.
“Talvez você seja um pequeno fazendeiro em Alberta e você queira cortar gastos e diminuir a emissão de carbono”, disse Bujak. “Cultive Azolla. Agora você tem um fertilizante valioso, uma fonte de alimentos para seu gado e algo para você mesmo comer.”
Ele adicionou que Azolla também pode ser um superalimento no futuro, tanto por causa de seu valor nutritivo quanto pela quantidade mínima de espaço que ocupa.
“Mesmo se nós as cultivarmos em safra, nós não iriamos estar desperdiçando áreas agricultáveis. Ela seria simplesmente adicionada a sistemas já existentes, como as que são usadas agora em lavras de arroz”, declarou Bujak. “Em situações onde a terra para cultivo de alimentos é extremamente limitada, Azolla oferece muita nutrição para pouco terreno. Já está sendo pesquisado até mesmo seu uso no espaço!”
Bujak relatou que seu próximo projeto é recriar nori, tiras secas e compressas de algas marinhas, utilizando esta planta. Atualmente, Azolla pode ser encontrada como nutracêutico [junção de “nutricional” e “farmacêutico”] no Canadá, em cápsulas ou em pó, com a afirmação de ser um antioxidante e de trazer outros benefícios gerais à saúde, mas ainda não foi aprovada nos Estados Unidos. Bujak afirmou que não vai demorar até que isto aconteça.
“Essa planta é tão incrível, em todos os sentidos”, ele disse. “Eu não ficaria surpreso com nada que fosse descoberto sobre suas capacidades”

A China se torna favorável
Duas semanas atrás, o Instituto de Genômica de Pequim (BGI), dono da plataforma de sequenciamento mais sofisticada do mundo, concordou em adotar o projeto de Pryer para financiar o mapeamento do genoma da Azolla. Até este ano, os mistérios do passado desta planta e suas aplicações para o futuro poderão se tornar dados de acesso aberto.
Gane Ka-Shu Wong, uma das fundadoras do BGI, que também ensina na Universidade de Alberta, no Canadá, disse que a origem pouco ortodoxa do grupo combina, de algumas formas, com o projeto de Pryer. Enquanto trabalhava no projeto Genoma Humano, no final dos anos 90, Wong começou a pensar que o processo de ciência tinha se tornado muito institucionalizado.
“O sistema de recompensa de um governo típico ou de um laboratório universitário é muito focado no indivíduo, não na equipe”, declarou Wong. Se juntando com outros cientistas que pensavam o mesmo, Wong procurou um lugar para abrir suas portas.
“Nós decidimos que, se quiséssemos mudar essa cultura, nós precisaríamos ir para um lugar em que praticamente não houvesse competição, na época”, disse Wong. “Na década de 90, um lugar era muito, muito diferente do que é hoje – esse lugar é a China”.
Sabendo que o genoma humano estava prestes a ser decodificado, a equipe rapidamente se mudou para o outro lado do oceano. Para a surpresa de seus colegas, eles conseguiram terminar sua contribuição de 1% a tempo.
“Nós provamos que conseguíamos, então nós crescemos rapidamente. O governo ficou interessado, empresas privadas ficaram interessadas, e, de repente, nós nos tornamos importantes”, relatou Wong.
Agora fornecendo testes hospitalares, além de oferecer um enorme espectro de outros serviços biológicos, a empresa logo começou a gerar lucro.
“Começamos a usar dinheiro de projetos comerciais para financiar o que chamamos de ‘ciência divertida’”, disse Wong, se referindo aos projetos que despertam a curiosidade de cientistas apenas porque respondem a uma pergunta, não necessariamente servindo a uma função econômica.
“Basicamente, somos um bando de cientistas que amam a ciência e querem ganhar a vida. Até então, está dando certo”, disse Wong. “Nosso objetivo é levar estas informações ao público para que o máximo de pessoas possa ter acesso”.
O BGI também vai focar em desvendar a relação complexa entre Azolla e as cianobactérias que são suas companheiras próximas, algo que o BGI vê como um elemento chave no uso futuro da planta e na extensão dos estudos.
Outros que vêm trabalhando com Azolla por décadas estão entusiasmados com a notícia.

Uma fortuna no futuro de uma plantinha?
“Este conhecimento vai nos dar controle sobre a Azolla de um jeito que não tínhamos antes”, disse Francisco Carrapico, da Universidade de Lisboa. “Nós poderemos aumentar a captura de carbono e a fixação de nitrogênio, ou dar propriedades da Azolla para outras plantas. Até encontramos compostos químicos naAzolla que param a divisão celular. A questão quase chega a ser ‘precisamos encontrar o que esta planta não consegue fazer’”.
Esta planta tem, sim, um problema, que vem dando a ela uma má reputação em partes da Europa e a designação de erva-daninha na América do Norte. Azolla pode,como a maioria das algas, formar enormes proliferações, como ela fez há 49 milhões de anos, no ártico, asfixiando toda a vida de baixo.
Mesmo nesses casos, Jonathan Bujak argumenta, “a proliferação é um sintoma”, normalmente causado por níveis altos de nitrogênio.
Enquanto Pryer diz que suas motivações para pesquisar Azolla são, em maioria, acadêmicas, ela certamente vê o potencial para que o empreendedorismo cresça em volta da planta no futuro.
“Nós queríamos um genoma para o povo, pelo povo”, disse Pryer, com um sorriso. Mas, outros pensam em algo além do aprendizado acadêmico, aplicações ambientais ou industriais que serão possíveis com o trabalho de Pryer.
Azolla me fez perceber que as coisas na vida são muito diferentes do que nos ensinam que seja”, disse Carrapico. “A vida é como a internet: Tudo está conectado invisivelmente, mas nós nos esquecemos disso. Não vemos como impactamos uns aos outros. Podemos olhar para essas conexões e, através da biologia, investir em mudanças que irão melhorar o mundo que deixaremos para o futuro”.
A busca por financiamento para pesquisas adicionais já terminou*, mas este certamente não é o capítulo final na saga da Azolla, uma história que começou muito antes de os humanos habitarem o planeta e, provavelmente, continuará até bem depois de nós irmos embora.

*Azolla genome Project recebeu doações através deste site até o dia 17/07/2014, quando atingiu 147% do valor que era preciso.

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Oi. Tenho 17 anos e sou de Campina Grande, na Paraíba. Aficionado por biologia e (quase) tudo que ela engloba, pretendo me formar em biotecnologia.

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