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quinta-feira, 4 de abril de 2019

O exotismo das frutas da Mata Atlântica


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Grumixama

Você conhece grumixama? Já comeu geleia de uvaia? Para a grande maioria, provavelmente a resposta será "não". Mas no que depender de Marcio Schittini, das empresas Tiferet, e Paulo Lima, da Estilo Gourmand, essas frutas da Mata Atlântica, hoje ainda consideradas exóticas, se tornarão mais conhecidas do consumidor. Para isso, eles estão fazendo um mapeamento de frutas nativas no estado do Rio, para identificar quais são e em que regiões elas crescem abundantes ou têm potencial para atender demanda comercial.
 
O projeto, que está sendo desenvolvido com financiamento do edital de Inovação Tecnológica, da Faperj, é amplo. "A Mata Atlântica é uma fonte de riquezas ainda pouco exploradas. Existem frutas nativas ainda muito pouco conhecidas do consumidor e por isso mesmo consideradas como exóticas. É o caso do cambuci, do cambucá, da grumixama, da própria pitanga, jabuticaba, da uvaia e do araçá. Elas são, na verdade, as nossas berries nativas, ou seja, nossas cerejas fluminenses, bastante adequadas à produção de geleias, sorvetes, sucos, molhos e até pratos com ingredientes 100% do Rio de Janeiro", explica Schittini.
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uvaia


Identificadas as regiões de maior potencial, a equipe da Tiferet e da Estilo Gourmand vem visitando e entrando em contato com os agricultores da área para desenvolver estilos de cultivo orgânico, biodinâmico e amplo. "Alguns se mostram mais arredios; outros, ao saber que poderão contar com comprador para frutas que até então praticamente não tinham mercado, se entusiasmam."

Segundo Schittini, ao valorizar frutas nativas, também se está valorizando os pequenos produtores rurais. "Nesse sentido, procuramos estabelecer treinamento e melhoria de práticas agrícolas sustentáveis, transformando esse produtor em fornecedor de frutas frescas e para uso industrial."

Apesar de serem frutas abundantes em toda a Mata Atlântica, ainda não existem cultivos em escala. "Na região do município de Varre-Sai, encontramos agricultores bem animados em ampliar sua plantação de jabuticaba e em conhecer novos métodos de cultivo. Na área de Quissamã, no entanto, embora adequada à grumixama, os agricultores ainda não acreditam que haja consumidores para ela por se tratar de uma fruta esquecida", explica.

O fato é que Schittini está investindo com certo conhecimento de causa. Para saber como anda o gosto do público, a Tiferet, que já produz molhos diferentes para atender a um público mais sofisticado, submeteu amostras de geleias de cinco sabores diferentes a testes cegos com especialistas da área de alimentos e donos de restaurantes.

"Testamos pitanga, araçá, jabuticaba, uvaia, grumixama e cambuci, além de outras quatro mais conhecidas, como goiaba, ameixa, laranja e amora. O resultado foi que esse público se mostra disposto e curioso a experimentar novos sabores." Segundo Schittini, ao consultar seus compradores sobre seu interesse em geleias, o resultado foi o mesmo. "Eles querem produtos diferenciados, não o que já existe no mercado e que o público já conhece", garante.

Enquanto procura aprimorar as amostras desses novos sabores de geleia, tanto no sabor quanto na formulação, já que se trata de produtos que não usam conservantes, a empresa também se prepara para começar a produzir de duas a cinco toneladas de geléia. Isso já garantirá a aquisição de quantidades importantes de frutas in natura junto aos plantadores.

"De início, não conseguiríamos adquirir mais devido à escassez de plantios. O nosso objetivo é implementar novas áreas de cultivo pelo estado. Ao comercializar produtos com valor agregado, visamos ao desenvolvimento sustentável das comunidades fruticultoras. Se inicialmente queremos conquistar o mercado fluminense, no futuro, pretendemos direcionar nossas geleias também para exportação, que é um mercado sempre em busca de novidades do Brasil."

Para Schittini, estimular o consumo desses novos produtos será também um grande incentivo à fruticultura no estado, com geração de empregos e renda no interior. Como argumento, ele apresenta números: "O mercado de produtos orgânicos tem aumentado 10% ao ano no Brasil e 20% no exterior. O público consumidor de produtos light ou diet no País é de 30 milhões de pessoas e a receita das empresas do setor cresceu 870% nos últimos dez anos, segundo dados da Apex-Brasil. Além desses argumentos econômicos, temos ainda o fato de que preservar e reflorestar as áreas de Mata Atlântica é uma prioridade para o estado do Rio de Janeiro. Com a exploração econômica de frutas, é exatamente isso que estamos propondo."

FONTE

Faperj
Vilma Homero - Jornalista

Links referenciados

Estilo Gourmand
estilogourmand.blogspot.com

Mata Atlântica
pt.wikipedia.org/wiki/Mata_Atlântica

jabuticaba
pt.wikipedia.org/wiki/Jabuticaba

grumixama
pt.wikipedia.org/wiki/Grumixameira

cambucá
pt.wikipedia.org/wiki/Cambucá

Tiferet
www.epicuro.com.br

araçá
pt.wikipedia.org/wiki/Araçá-rosa

cambuci
pt.wikipedia.org/wiki/Cambuci_(fruta)

pitanga
pt.wikipedia.org/wiki/Pitanga

Faperj
www.faperj.br

uvaia
pt.wikipedia.org/wiki/Uvaia

Como fazer adubação orgânica de frutíferas

Extraído do blog:http://microfundiourbano.blogspot.com.br/

Para manter nossas árvores frutíferas sempre saudáveis, um dos fatores que devemos observar é mantê-las sempre bem adubadas, pois é através deste alimento que nossas árvores irão gerar flores e, consequentemente, bons frutos.


Cada espécie de frutífera tem uma exigência especial de adubação. Algumas plantas necessitam mais zinco que outras, algumas precisam de boro em menor quantidade. Devemos consultar as literaturas disponíveis para conhecermos as exigências nutricionais específicas de cada frutífera que desejamos adubar.


Entretanto, quanto falamos de frutíferas nativas regionais brasileiras, como dizemos aqui em Minas "aí é que o trem desanda!", pois: quais são as necessidades de adubação de uma grumixama? de um gravatá? de um cambuci, da uvaia, do araçá??? Praticamente não temos nenhum estudo sobre estas necessidades!


Para todas as frutíferas já estabelecidas, que já produzam frutos, inclusive as nativas regionais, podemos adotar uma fórmula básica orgânica, que atenda as necessidades primárias de nutrição de qualquer espécie frutífera, assegurando particularmente uma boa colheita anual.


1 - Fórmula básica para adubação de frutíferas:
- Farinha de osso = 200 g a 300 g por m2 de área da árvore; 
- Cinza de madeira = 50 g a 150 g por m2 de área da árvore;
- Esterco de gado = 6,5 litros, ou Composto orgânico = 10 litros, ou Esterco de galinha = 1 litro, por m2 de área da árvore;
- Húmus de minhoca = 1 kg a 1,5 kg por árvore;
- Pó de rocha (opcional) = 500 g a 1000 g por árvore;



Para a farinha de osso, a cinza de madeira, o pó de rocha e o húmus de minhoca: quanto mais alta e frondosa a arvore, maior a quantidade destes produtos.


2 - Calculando a área da frutífera:
Quando falamos de metros quadrados de área de um árvore, nos referimos a sua circunferência. Para calcular esta área, medimos a distância entre base do tronco da árvore, o mais próximo ao chão possível, até o ponto máximo de projeção da copa da mesma. Esse valor é o raio da árvore (R). Usamos a fórmula abaixo para obter a área:


Área da árvore = R x R x 3


Exemplo: para uma árvore com R = 2,1 metros, temos:  


Área da árvore = 2,1 x 2,1 x 3 = 13,23


Arredondados o valor da área da árvore para cima - para um valor múltiplo de 0,5 - temos que a área desta árvore é de  13,5 metros quadrados.



3 - Quando adubar:
Recomenda-se que façamos uma adubação, bem caprichada, uma vez por ano, pelo menos, de 1 mês a  mês e meio antes do período que anteceda a floração da frutífera. Se o período de floração precede a época das chuvas, podemos fazer a adubação 15 dias antes da floração. Se você não tem certeza de quando sua frutífera começa a florir, faça esta a adubação em meados de setembro.



4 - Como adubar:
Podemos, simplesmente, utilizar está fórmula em cobertura, sob a projeção da copa de nossa frutífera. Podemos também abrir alguns buracos, sob a copa, e preenche-los com esta adubação.



Aqui na minha casa, a técnica que utilizo é a da meia-lua, que consiste em abrir um sulco, em formato de meia-lua, a 2/3 do tronco até projeção da copa, região esta onde se concentram as raízes responsáveis pela nutrição da planta. Esta meia-lua deve ter, aproximadamente, 15 cm de profundidade, por 15 a 20 cm de largura, e medir de 1,5 a 3 metros de comprimento (quanto maior a árvore, maior o comprimento da meia-lua). Se o terreno é inclinado, devemos abrir a meia-lua do lado de cima da planta.



Dentro da meia-lua, depositamos primeiro a metade do húmus de minhoca. Misturar previamente a a farinha de osso, a cinza de madeira e o pó de rocha e espalhar dentro da meia-lua. Sobre esta mistura, espalhamos o resto do húmus. Umedecer levemente a meia-lua.

Sulco em meia-lua.


Se você tem alguns pés de confrei, colher algumas folhas, picar bem, e colocar as folhas de confrei sobre o húmus.


Colocar o esterco/composto, de modo a tampar toda a meia-lua. Se sobrar esterco/composto, espalhe-o ao redor da árvore. Umedecer todo o esterco e cobrir tudo com material orgânico (capim seco, ou casca de arroz, ou palha de café, etc...).


Para umedecer a meia-lua, costumo usar uma mistura de humato com EM ativado - que são sinérgicos entre si, pois um potencializa a ação do outro - diluídos em água.


5 - Adubação pós-colheita:
Um mês após a colheita de todas as frutas, faremos uma adubação de reforço, da seguinte maneira: Se tiver confrei, espalhar folhas picadas, na projeção da copa. Cobrir com 3 litros de esterco curtido, ou 5 litros de composto orgânico, por metro quadrado, misturado a 500 g de bokashi (ou bocac), mais 100 g de calcário. Umedecer bem a área e cobrir com material orgânico. Se não tiver confrei e/ou bokashi/bocac, fique, pelo menos, como o esterco/composto + calcário.



Mais detalhes no vídeo:


6 - Dicas:
- Durante o ano, para uma melhor nutrição da planta, aplicar caldas fermentadas de espécies diferentes, chorume de urtiga, solução de cálcio e humato, intercalando a aplicação mês a mês, em intervalos regulares;
- Fazer adubação verde, envolta da frutífera, com feijão de porco, para suprir as necessidades de nitrogênio, antes do período vegetativo da árvore;
- As exigências nutricionais específicas de cada espécie, podem ser agregadas a fórmula básica, para garantir uma nutrição completa;
- Se a frutífera tiver menos de 3 anos, e ainda não tiver produzido, aplicar 1/3 da fórmula básica de adubação no primeiro ano. Nos próximos anos, aplicar metade da fórmula básica;
- Plantas que entram em dormência, no inverno, não devem ser adubadas neste período. Aguardar meados de setembro, para adubá-las;
- Não utilizar cinza proveniente de churrasqueira, para compor a fórmula básica de adubação.

sábado, 2 de março de 2019

BUTIÁ, COQUINHO DE COMER! FONTE DE FIBRAS E VITAMINA C

butiá
Butiá é uma palmeira brasileira. Bem, é um gênero de palmeiras (Arecaceae) nativas da América do Sul (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina) que ocorre nos pampas, na mata atlântica e no cerrado. Seus frutos, os butiás são alimentícios, suas folhas são são usadas para tecer cestos e o óleo da semente é usado na cosmética.
São de 9 espécies as palmeiras conhecidas como butiáButia archeriButia campicolaButia capitataButia eriospatha, Butia microspadixButia paraguayensisButia purpurascensButia stoloniferaButia yatay.
Os butiazais são uma formação vegetal bastante importante na manutenção dos ecossistemas aos quais pertencem já que seus frutos servem de alimento a diversas aves, mamíferos e répteis que, por seu lado, ao defecarem as sementes do butiá, contribuem com a sua disseminação.
“A Rota dos Butiazais envolve o comprometimento das comunidades com a restauração e a manutenção da vegetação nativa, além de gerar oportunidades de emprego e renda”.
Do coquinho do butiá se faz geleia, licor, cachaça, vinagre e doces diversos. Das sementes, que podem ser comidas in natura ou assadas, também se extrai o óleo de butiá. Do estipe da palmeira, caule, se fabrica papel. O artesanato com palha e semente de butiá é uma fonte de renda para as comunidades onde há butiazeiros.
artesanato butia
Foto - Artesanato com butiá
Na mitologia das tribos indígenas brasileiras, o butiazeiro é uma árvore sagrada.

Composição nutricional dos coquinhos de butiá

butiazal
Foto - butiazal
Segundo uma tabela nutricional do IBGE (2011), para cada 100 gramas de butiá comestível existem:
Calorias: 105,00 kal
Proteínas:1,90 g
Lipídios: 2,00 g
Glicídios: 22,80 g
Carboidratos: 22,80 g
Fibra: 7,40 g
Cálcio: 20 mg
Fósforo: 36 mg
Ferro: 2,20 mg
Vitamina A ( Retinol ): 30 mcg
Vitamina B1 (Tiamina ): 0,04 mg
Vitamina B2 ( Riboflavina ): 0,04 mg
Vitamina B3 (Niacina ): 0,50 mg
Vitamina C ( Ácido Ascórbico ): 33,00 mg
Mas, existem diferenças significativas nas propriedades nutritivas dos coquinhos, em função das espécies. O butiá Yatay foi estudado pela nutricionista Jéssica Fernanda Hoffmann que definiu, para a sua polpa, os valores na tabela abaixo:
valores tabela
* Valores diários de referência com base em uma dieta de 2.500 calorias

Características medicinais dos coquinhos butiá

cacho de butiá
Foto - cacho de butiá
As propriedades nutricionais têm a ver com as características medicinais dos coquinhos butiá ou com suas propriedades funcionais, segundo um estudo sobre o butiá Yatay feito por Márcia Vizzoto, da Embrapa Clima Temperado de Pelotas.
Compostos Fenólicos Totais: 496,8mg/100g
Carotenóides Totais: 5,6mg/100g
Atividade Antioxidante: 5.558,79µg/g
Por outro lado, o butiá é considerado uma importante fonte de fibras e vitamina C e, como alimento “laranja”, é um fortalecedor do sistema imunológico, previne contra o envelhecimento das células, contra a cegueira, doenças cardíacas e câncer, segundo a nutricionista Juliane Freitag.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Mais uma fruta nativa CEREJA-DO-RIO-GRANDE

FONTE:

eugenia-involucratadeliciosa-cereja-do-rio-grande
Nome científico: Eugenia involucrata DC.
Nomes populares: cereja-do-rio-grande, cereja-nativa, cereja-do-uruguai, cereja-do-mato, araçazeiro.
Família botânica: Myrtaceae
Distribuição geográfica e habitat: ocorre de forma natural no Brasil, na Bolívia, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai. No Brasil, ocorre desde São Paulo até o Rio Grande do Sul, nas formações florestais do complexo atlântico e nas florestas e cerrados da bacia do Paraná. Ocorre ainda no Mato Grosso do Sul, em Minas Gerais e em Goiás, nas florestas estacionais semidecíduas e nos cerrados “senso lato”. 
Características geraisárvore de porte pequeno a médio, com  5 a 10 m de altura. Tronco ereto, com ramificações tortuosas, pouco suberoso, com casca acinzentada. Folhas simples opostas, lanceoladas, com pelos curtos nas nervuras, aromáticas e com pontos translúcidos. No inverno, há queda de parte das folhas velhas, com nova vegetação no início da primavera, quando floresce. Flores brancas, numerosas, pequenas, com odor agradável, usadas na indústria de perfumaria. Fruto baga, subglobosa ou globosa, com 3 cm ou mais, levemente pubescente, amarelado, velutino quando jovem, com uma semente grande castanho-clara. 
Clima e solo: pode ser encontrada em temperaturas entre 8,2 a 24,7 °C, com chuvas uniformemente distribuídas na região Sul e periódicas, nas demais regiões. O regime de precipitação pluvial média anual pode ocorrer desde 1.000 mm, no estado de São Paulo, a 2.500 mm, no estado do Rio de Janeiro. Suporta geada. Requer solos de alta fertilidade, bem drenados, com textura areno-argilosa.        
Usos: usualmente consumido ao natural, o fruto contém em média 74% de polpa, 24,5% de semente e 1,5% de casca. Pode ser usado para geleia, doces e licores.
Curiosidades: é uma excelente espécie ornamental devido às suas folhas persistentes, de coloração verde-escura, brilhantes e lisas, que dão ao vegetal uma aparência vistosa, podendo ser utilizada na arborização de ruas estreitas, sob redes elétricas. Por atraírem a fauna silvestre, especialmente os pássaros, é indicada para plantios destinados à recuperação de áreas degradadas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O cambucazeiro no centro de Porto Alegre

Encontrei uma frutífera na rua dos andradas, descobri que os frutos eram cambucás.


Fonte: site toda fruta
cambucá
Nome científico: Plinia edulis (Berg) Nied.
Família: Myrtaceae
Nomes populares: Cambucá, cambucazeiro, cambucá-verdadeiro.
Características gerais: Árvore frutífera endêmica do Brasil e nativa da zona litorânea da Mata Atlântica. Seu fruto fez parte cotidiano dessa região até a primeira metade do século vinte, mas hoje é pouquíssimo conhecido. Da família à qual pertencem frutas populares, como goiaba, jabuticaba e pitanga e outras menos conhecidas, como cambuci, araçá e gabiroba ou guariroba, o cambucá (palavra indígena, que significa “fruta de mamar”) é considerado uma das frutas mais saborosas que há no Brasil e no mundo. Suas flores são brancas, nascem solitárias ou em grupos no caule, no qual, como as jabuticabas, os frutos da cambucá brotam direto. Estes têm de 4 a 7 cm de diâmetro, são arredondados e achatados nos pólos, coma casca lisa, sulcos com leve relevo longitudinais e coloração intensamente amarelo-alaranjada. Sua polpa é suculenta e também amarelo-alaranjada. Seu sabor lembra o da jabuticaba, porém mais intenso e de um agridoce balanceado sem adstringência. Considerada uma raridade da Mata Atlântica, a espécie está praticamente limitada ao que restou de seu ambiente natural, alguns pomares de produtores de frutas raras, jardins botânicos e poucas chácaras e quintais anônimos. Não há variedades de cambucá, apenas um tipo foi observado em Jaboticabal, de frutos maiores e de ótima qualidade, mas sua reprodução via mudas enxertadas é difícil. Seus frutos são comestíveis e muito saborosos para o consumo “in natura” e são procurados por várias espécies de pássaros, podendo ser empregados em reflorestamentos mistos destinados à recomposição de áreas degradadas de preservação permanente, devendo ser preservado, pois tem-se tornado cada vez mais raro. Sua safra principal ocorre no verão, no estado de São Paulo.
Usos: O fruto do cambucá é consumido principalmente in natura de maneira semelhante à jabuticaba e é extremamente atrativo a várias espécies de pássaros e pequenos mamíferos. Tanto a polpa quanto a parte carnosa da casca ainda podem ser aproveitadas no preparo de doces, sucos, sorvetes, geleias e licores. A árvore tem aplicação paisagística: possui copa densa, tronco ornamental e na temporada de frutos adquire um impressionante efeito decorativo e serve, em especial, para a recuperação de matas ciliares, áreas degradadas de preservação permanente e poleiro para dispersores de sementes. A madeira resistente, elástica e bastante pesada (d = 0,91 g/cm3) pode ser aproveitada na carpintaria e na marcenaria, sendo utilizada na fabricação de pequenas ferramentas e mobiliário.
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Foto 1. Fruto cortado mostrando semente e polpa; esta chega a ter metade do peso do fruto
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Foto 2. Frutos de cambucá mostrando ataque de pragas e doenças
cambucá donadio 3
Foto 3. Frutos, flores e folhas de cambucá

VALOR NUTRICIONAL

cambucá - VN
O cambucá  tem valor medicinal. É utilizado pelos nativos e caboclos como medicamento para desordens estomacais, da garganta e diabetes, tendo sido avaliados e comprovados estes efeitos por pesquisas. Na medicina popular, folhas e sementes sob a forma de infusão são usadas em formulações homeopáticas contra a bronquite, tosse e coqueluche. Os benefícios à saúde promovidos pelos cambucazeiros são popularmente conhecidos por caiçaras dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Algumas pesquisas investigam o potencial medicinal da espécie e os resultados preliminares apontaram baixa toxicidade e eficiência na proteção do estômago contra úlceras não crônicas, quando se usa o extrato obtido das folhas. Também estão sendo avaliadas a ação contra tumores (câncer) e a atividade antioxidante (combate a radicais livres e ao envelhecimento).
A qualidade média do fruto foi avaliada na UNESP de Jaboticabal, em 1997, e deu cerca de 47% de polpa, 19% de casca e 33% de sementes, tendo a polpa 8 ºBrix, 0,36% de acidez e baixo nível de vitamina C. Outras análises de frutos foram relatadas, com até 73% de polpa, vitamina C de 15 a 27 mg por 100 g de polpa em frutos maduros, com bom teor de tiamina e riboflavina, e pouco de gordura.
Análises anteriores da ESALQ-USP, de Piracicaba, deram sólidos totais de 17 a 19 ºBrix, proteína de 1,36 a 2% e baixa porcentagem de gorduras, de 0,70 a 0,80 %; boa composição de minerais, com o potássio sendo o principal, seguido por fósforo e cálcio.
Minerais – 21 mg de cálcio; 22 mg de fósforo; 0,3 mg de ferro; potássio – 28 a 34 mg.
Vitaminas – 0,03 mg de vitamina A; 0,04 mg de vitamina B1 e B2 cada uma; 12 mg de vitamina C; 0,5 mg de B3.
Fonte: DONADIO, L.C.; ZACCARO, R.P. Valor nutricional de frutas.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
O fruto é uma baga subglobosa, lisa, ligeiramente costada, ou seja, com estrias longitudinais, amarela ou amarelo-alaranjada quando bem maduro, medindo de 3 a 5 cm de diâmetro e 2 a 3 cm de altura. A casca é grossa, coriácea, e a polpa é abundante, com mais de 50% do fruto, doce a acidulada, sabor agradável, e cada fruto contém usualmente uma semente de 2 a 2,5 cm , ou duas menores, achatadas. O florescimento ocorre em setembro-outubro, para colheita de seus frutos no verão, em janeiro-fevereiro, podendo ir até março. Floradas temporãs são mais raras, ao contrário da jabuticabeira, e, diferentemente desta, também não tem floradas intensas, sendo as flores distribuídas esparsamente nos ramos. (DONADIO, L.C & CARVALHO, J.E.U de, 2010).

sábado, 2 de fevereiro de 2019

ARAÇÁ: A FRUTA DAS PROPRIEDADES DIURÉTICAS E ANTI-INFLAMATÓRIAS




Fonte site 

araca

O araçá, Psidium araca, é uma planta brasileira, parente da goiaba e da jabuticada, da pitanga e da grumixama, alimentícia e com diversos usos medicinais na medicina popular
Araçá tem diversos nomes araçá-vermelho, o araçá-de-cora, o araçá-de-praia, o araçá-do-campo, o araçá-do-mato, o araçá-pera, o araçá-rosa e o araçá-piranga e é uma planta que tem 150 espécies diferentes, conforme o ambiente onde cresce.
O araçá cresce nas planícies costeiras, restinga e na Mata Atlântica, até cerca de 1.200 metros de altitude. Também é cultivada como ornamental, frutífera e em projetos de recuperação de áreas degradadas. Seus frutos, parecidos com a goiaba, de tamanho menor e sabor mais acentuado, é procurado por pássaros e morcegos frugívoros. Suas flores, brancas e perfumadas, são melíferas e muito procuradas por abelhas nativas, contribuindo para a sua preservação.
araca 3

Propriedades medicinais

O araçá tem ação calmantediurética e antiinflamatória, sendo usada para combater as inflamações bucais e gastrointestinaisurogenitais e intestinais. A infusão de folhas e brotos é indicada, como as goiabas, para tratar diarréias e hemorragias. São medicinais tanto a fruta, as folhas e as flores que podem ser usadas em infusão.
A fruta do araçá é rica em cálcioferrofósforovitaminas AB e C, antioxidantes, carboidratos e proteínas. É uma fruta mucilaginosa e adstringente cujo óleo essencial tem atividade antimicrobiana. Também possui importante teor de carotenóides e antocianinas.
araca 2
Com sua riqueza nutricional, é usada na prevenção e tratamento da osteoporose, no excesso de ácido úrico, na retenção de líquidos, na anemia, no tratamento de prisão de ventre e no esgotamento físico.
Araçá possui tanta vitamina C quanto os frutos cítricos, sendo recomendada sua ingestão nos casos de gripes e resfriados.
Com a fruta madura pode-se preparar sucos, sorvete, doces e geleias mas, seu melhor uso é “in natura”, fresca.
O óleo essencial do araçá é extraído de suas folhas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A guabiroba (gabirobeira, gabirobeira, gabiroba) pertence à família Myrtaceae,

Gabiroba - Campomanesia xanthocarpa Berg



Nome científico: Campomanesia xanthocarpa Berg
Nome popular: guabiroba; guabiroba-da-mata; gabiroba
Família: Myrtaceae

Gabiroba


A guabiroba (gabirobeira, gabirobeira, gabiroba) pertence à família Myrtaceae, é uma planta que não perde as folhas facilmente (decídua), heliófita (que se desenvolve na presença de luz), característica das submatas abertas ou de vegetação semidevastada na zona dos pinhais do Planalto Meridional. Ocorre em Goiás, Minas Gerais até Santa Catarina, nas regiões de florestas e cerrados.

Planta muito variável morfologicamente e rara em toda a área de distribuição. Altura entre 4 a 7 metros, dotada de copa globosa, densa e baixa, tronco curto e cilíndrico, revestido por casca grossa e fissurada.

Suas folhas são simples, glandulares, subcoriáceas ou cartáceas, face superior pouco nítida com nervura central impressa, com ou sem pêlos na face interior. Floresce abundantemente durante os meses de outubro e novembro, as flores são solitárias, glandulares, axilares ou laterais, de cor branca com numerosos estames.

Possui fruto subgloboso, glandular, de polpa suculenta, com poucas sementes glandulosas. São comestíveis e muito apreciados pela avifauna, amadurecem no período de dezembro e janeiro.

A árvore pode ser utilizada na arborização, reflorestamento de áreas degradadas. A madeira é pesada, textura média, sujeita ao rachamento na secagem e pouco durável.
É empregada localmente para uso interno em construção civil e sobretudo lenha e carvão.
Possui anualmente grande quantidade de sementes viáveis que são amplamente disseminadas pela avifauna.





Fontes

http://belezadacaatinga.blogspot.com.br/2012/06/gabiroba-campomanesia-xanthocarpa-berg.html
www.4elementos.bio.br
www.ibb.unesp.br
LORENZI, H.; 2000. Árvores Brasileiras:
Manual de Identificação e Cultivo de Plantas 
Arbóreas do Brasil. São Paulo, 3ª ed. Vol 02.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

11 Frutas da Mata Atlântica que Todo Brasileiro Deveria Conhecer


Fonte: blog Nó de Oito  

Mesmo nas grandes cidades é possível experimentar algumas dessas delícias.
topo
Em 1521 ficaram prontas o que é considerado hoje o primeiro pedaço de legislação ambiental do Brasil – as Ordenações Manuelinas, ordenadas por D. Manuel I. O código versava sobre todas as áreas do Direito, com as partes sobre meio ambiente espalhadas ao longo do texto, sem uma sessão específica. Ainda assim, é de se admirar os pontos tratados no documento (para a época, claro) – como a proibição da caça de determinados animais com instrumentos capazes de lhes causar dor e sofrimento; a restrição da caça em determinadas áreas e a proibição do corte de árvores frutíferas, com a atribuição de severas penalidades e multas para o infrator.
As coisas mudaram, obviamente. A Mata Atlântica, que abrange toda a costa nordeste, sul e sudeste do Brasil e é uma das áreas mais ricas em biodiversidade do planeta, já teve cerca de 93% de suas extensão desmatada. Infelizmente, com a devastação foi-se também um conhecimento que deveria fazer parte da vida de mais de 70% da população brasileira que habita a faixa de Mata Atlântica. Conheça agora algumas das frutas mais comuns da nossa incrível Mata Atlântica (e, se possível, empolgue-se o bastante para cultivá-las!):

Cabeludinha

Também chamada de Café cabeludo, Fruta cabeluda, Jabuticaba amarela, Peludinha e Vassourinha da praia. Doce, pode ser aproveitada in natura, ou em sucos, sorvetes e doces entre o final do inverno e começo da primavera. Se você é de São Paulo e quiser ver uma árvore de cabeludinha ao vivo, fique de olho no Parque do Ibirapuera e no jardim do Instituto de Biociências da USP. A árvore é ornamental e ideal para arborização urbana. E, olha só, é fácil encontrar mudas para cultivar! #ficaadica.
frutas mata atlântica

Cereja do Rio Grande

Também conhecida por Cerejeira-da-terra, Cerejeira-do-mato, Guaibajaí, Ibá-rapiroca, Ibajaí, Ibárapiroca, Ivaí e Ubajaí, a cereja-do-rio-grande dá numa árvore absolutamente linda (que ficaria mais linda ainda na sua calçada). O fruto é carnudo e docinho – muito parecido com a cereja cara e importada que a gente compra no supermercado em época de ano novo. Você encontra ela no pé no começo da primavera (e dá para ir caçar uma sementes na esquina do Palácio Nove de Julho com a rua Abílio Soares, se você for de São Paulo).
frutas mata atlântica

Ameixa da Mata

Mais encontrada na faixa de Mata Atlântica litorânea entre o Rio de Janeiro e a Bahia, a ameixa da mata é pequenininha, mas carnuda e com sabor agridoce. A árvore é um espetáculo à parte, com tronco avermelhado e copa que alcança até 6 metros de altura. A ameixa-da-mata dá no verão, mas é bem rara. Você vai ter que se empenhar para encontrá-la.
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Pitangatuba

Típica da restinga do estado do Rio de Janeiro, a pitangatuba é daquelas frutas docinhas e azedinhas ao mesmo tempo, e dá em uma ‘árvore’ tipo arbusto. O incrível da pitangatuba, além do gosto excepcional (que não carrega aquele amarguinho característico da pitanga), é o tamanho – algumas podem alcançar até 7cm – e a sua suculência, dado que ela só tem uma semente bem pequenininha no meio de um monte de polpa.  Muito adaptável, pode ser plantada em pomares, vasos e jardineiras, sem problemas. Infelizmente, a pitangatuba é extremamente rara na natureza, mas se você encontrar uma mudinha para cultivar, prepare-se para colher os frutos na primavera.
frutas mata atlânticaFrutas de dar água na boca.

Araçá

Mais conhecido, o araçá dá também em um arbusto – ideal para jardins residenciais. O fruto tem um sabor parecido com o da goiaba (com a qual compartilha parentesco), mas um pouco mais azedinho. É ideal para a a recuperação de áreas degradadas, pois tem crescimento rápido e atrai muitos passarinhos, que se encarregam de espalhar suas sementes. É bastante comum no litoral de São Paulo, por isso fique de olho durante as férias de fim de ano, pois ela frutifica no verão.
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Cambuci

Todo paulistano deveria conhecer o cambuci, tão abundante na cidade antigamente que emprestou o nome a um de seus bairros. Azedinha no nível do limão, é rica em vitamina C e pode ser consumida in natura (para os fortes), ou em sucos, compotas e doces. Sua árvore tem uma madeira de excelente qualidade – fato que quase a levou à extinção. Sua presença em uma floresta é sinal de que a mata está bem conservada. Aproveite agora no verão – que é a época dela – para andar no bairro do Cambuci, em São Paulo, que ainda tem alguns espalhados.
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Cambucá

Como a jabuticaba, o cambucá dá direto no tronco da árvore e sua polpa também tem que ser sugada da casca. Há quem diga que é uma das frutas mais saborosas do Brasil, mas, apesar de ter sido muito comum em toda a faixa litorânea da Mata Atlântica até a primeira metade do século XX, hoje em dia é uma árvore rara, limitada à pequena faixa que restou de seu ambiente natural, jardins botânicos e pomares de frutas raras. Se algum dia passar no verão pela cidade de Santa Maria do Cambucá, no Pernambuco, dê uma paradinha para saboreá-la.
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Uvaia

Encontrada principalmente nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, a uvaia é uma fruta azedinha que pode ser consumida in natura (para quem gosta de coisas azedas – *salivando*) ou em sucos e compotas. Sua árvore é bastante utilizada em projetos de reflorestamento, pois a uvaia atrai muitos passarinhos, que espalham as suas sementes. Sua época vai de setembro à janeiro.
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Guabiroba

Natural da Mata Atlântica e do Cerrado, a guabiroba – ou gabiroba – é encontrada principalmente nos estados de Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás, Paraná, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. É uma fruta saborosa e azedinha, rica em vitamina C, que lota o pé entre os meses de dezembro e maio. Além de consumida in natura, é bastante utilizada em sucos, sorvetes e licores.
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Grumixama

Parecida com a cereja-do-rio-grande, a grumixama é uma frutinha arroxeada e suculenta que dá na primavera. Sua ocorrência vai do sul da Bahia até o estado de Santa Catarina e o gosto é um misto de pitanga com jabuticaba. Quem mora em São Paulo, pode ver dois pés enormes na frente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
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Cambuí

Nome de bairro, em Campinas, e de cidade, em Minas Gerais, o cambuí é uma fruta roxa, vermelha ou amarela saborosa a perfumada que lota os pés durante o mês de janeiro. Sua árvore é muito bonita e bastante delicada, levando bastante tempo para crescer – o que a coloca em risco.
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