segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Cyber roças: registros e realizações audiovisuais sobre agricultura urbana em contextos geográficos metropolitanos, midiáticos e tecnológicos, defendida em 2020 no programa Meios e Processos

 

Além de ter um lugar no Instituto de Estudos Avançados (IEA) e experiências práticas como da Faculdade de Medicina, os estudos sobre hortas urbanas e comunitárias na USP avançam. E por que não se comparar experiências de nossa cidade com a capital portuguesa, Lisboa? Esse foi o tema central de uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

A pesquisa mostra como acontece a construção da agricultura urbana em regiões de vulnerabilidade social, em bairros localizados na Zona Leste de São Paulo, e em Lisboa, Portugal. A socióloga Laura Martins de Carvalho, autora do estudo, explica ao Jornal da USP que as hortas portuguesas são institucionalizadas e a prefeitura local financia os projetos envolvidos nessa vertente.

Já em São Paulo, as iniciativas são horizontalizadas, democráticas e surgem da base comunitária. Os agricultores urbanos fazem autogestão. Produzem, colhem, vendem e partilham despesas e lucros. Em Portugal, o cultivo de hortaliças, verduras e chás está associado à terapia ocupacional do cultivar e plantar a terra e de garantir a continuidade dos sistemas naturais em territórios urbanos. Por aqui,  a necessidade básica de comida no prato do dia a dia da família é que move os agricultores urbanos a empreender.

A agricultura urbana também é meio de resistência contra desigualdades estruturais na Zona Leste de São Paulo. Dentre os agricultores, as mulheres vem assumindo um protagonismo em suas comunidades que as ajudam na superação de inúmeras violações vividas no âmbito social e familiar.

A tese Agricultura urbana em contextos de vulnerabilidade social na zona leste de São Paulo e em Lisboa, Portugal foi defendida esse ano, 2021, sob a  orientação da professora Cláudia Bógus, da FSP. 

Laura Martins de Carvalho, socióloga –  – Foto: Arquivo pessoal

Pesquisa da Escola de Comunicações e Artes amplifica voz de lideranças

Na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o doutorando Douglas Galan produziu o documentário Cyber-Roça que trata do assunto em profundidade. Com duração de 1h36min, a produção retrata atividades ligadas a hortas urbanas comunitárias espalhadas pela cidade de São Paulo. O trabalho resultou na tese Cyber roças: registros e realizações audiovisuais sobre agricultura urbana em contextos geográficos metropolitanos, midiáticos e tecnológicos, defendida em 2020 no programa Meios e Processos Audiovisuais da ECA, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

"De uma certa forma, a tese e o documentário são uma homenagem às minhas raízes e, de forma geral, às raízes do povo brasileiro, que deve muito ao campo em relação a sua formação e à cultura"

O documentário traz o depoimento de lideranças de várias hortas, algumas instaladas em bairros das regiões centrais – Horta do Ciclista, na Paulista; Horta das Corujas, na Vila Mariana; Horta das Nascentes, na Pompeia – e outras de iniciativas periféricas da cidade – as da Zonas Leste e Sul, por exemplo, essas últimas gerando grande impacto positivo para a comunidade do entorno. Onde elas foram instaladas, houve melhora de qualidade de vida, trouxeram renda e os praticantes da agricultura urbana se sentiram mais estimulados no combate às violências estruturais.

O documentário tratou ainda de questões que envolvem a produção de alimentos, a ampliação do espaço físico de cultivo através de meios eletrônicos e digitais, a reconstituição das noções sobre espaço geográfico, e as reorganizações culturais e sociais vinculadas ao contexto da agricultura urbana, dentre outras questões. 

Douglas explica ao Jornal da USP que um dos motivos que o levou a seguir esse tema em seu doutorado foi o fato de se surpreender com a pujança das iniciativas que aconteciam nas cidades e perceber os inúmeros benefícios que essas atividades proporcionavam às pessoas envolvidas. Do ponto de vista pessoal, a motivação veio por ter tido um passado rural. Durante a infância e adolescência, morava em um sítio em Jales, interior de São Paulo. Os pais e os avós trabalharam e viveram em sítios durante boa parte da vida, nem sempre nas melhores condições, já que eram meeiros em terras de outras pessoas. “De uma certa forma, a tese e o documentário são uma homenagem às minhas raízes e, de forma geral, às raízes do povo brasileiro, que deve muito ao campo em relação à sua formação e cultura”, diz. 

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