terça-feira, 31 de maio de 2016

Hortas abrem janela para a saúde!

Cultivo de hortaliças, em pequenas áreas no campo e na cidade, ganha atenção da pesquisa



Hortaliças frescas com “gostinho de antigamente”. É possível e existe até pesquisa no país. A novidade vem de Santa Catarina. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), na Estação Experimental de Campos Novos, dá a receita para cultivar hortaliças de forma ecológica aproveitando pequenas áreas, inclusive nas cidades. São as chamadas ecohortas, horta agroecológica.

O engenheiro agrônomo Cirio Parizotto simplificou a ideia. “No campo ou na cidade, manter uma horta para consumo da família não exige grandes áreas nem muita mão de obra”, esclarece. Para tanto, diz ele, basta seguir algumas orientações, a começar pelo que plantar, levando em conta o clima, solo, variedades etc.

De acordo com Parizotto, as opções para as pequenas hortas são muitas. Batata, tomate, pimentão, alface, repolho, couve-flor, brócolis, feijão-vagem, moranga, pepino, melancia, cenoura, beterraba, alho e cebola são alguns exemplos. “A horta também é ideal para cultivar temperos e plantas medicinais”, ensina.



Onde fazer a horta - “Escolha um local ensolarado, próximo à residência e com água por perto. A horta deve ficar longe de sanitários, esgotos e lixo e protegida dos animais. O espaço não precisa ser grande”, observa. Em 50m² é possível produzir uma grande diversidade de espécies (16 espécies) para uma família de cinco pessoas. “São necessários de 6 a 10m² de horta/pessoa”, descreve o agrônomo.

O terreno deve ser plano ou ligeiramente inclinado e bem drenado. O solo ideal é medianamente leve (areno-argiloso), permeável e de boa fertilidade. A horta deve ser ainda de fácil acesso (boas estradas). Dar preferência a áreas próximas à vegetação nativa (quebra-vento, inimigos naturais).



Preparo do solo - Conforme o agrônomo, o interessado deve fazer a análise do solo para avaliar a necessidade de aplicar calcário e fosfato natural e, caso seja preciso, corrigir com uma camada de 20 cm. “A dosagem de adubo para semeadura ou plantio é de aproximadamente 3kg/m² de composto orgânico, 4 a 5kg/m² de esterco de gado ou 2kg/m² de esterco de aves”, orienta.




Quando plantar - Antes de plantar, informe-se sobre o período recomendado para cada espécie, pois a época varia de acordo com a região. Para o Sul, a recomendação geral é o ano todo para alface, beterraba, cebolinha, cenoura, chicória, rúcula e salsa. Já abóbora e moranga, de agosto a dezembro. O alho é de abril a julho; a cebola, de março a julho; brócolis e couve-flor, de março a setembro.

Já para o feijão-vagem trepador, melancia e melão o período ideal vai de agosto a dezembro; o pepino, de setembro a fevereiro, pimentão e tomate, de setembro a janeiro; rabanete, de abril a junho, e o repolho, de março a janeiro.



Transplante - Normalmente as mudas permanecem no abrigo de 30 (verão) a 40 dias (inverno). O transplante é realizado com 4-6 folhas definitivas ou 10-15 cm (sementeiras). Um dia antes do transplante, suspender a irrigação para provocar uma pequena murcha (“endurecimento” das mudas).


Um pouco antes da retirada das mudas é importante fazer uma boa irrigação para facilitar a retirada da muda com o torrão. Enterrar apenas o torrão com raízes, não permitindo o contato da terra com o colo da muda. Após, irrigar no local definitivo.


Ecológicas têm mais nutrientes

Hortaliças cultivadas em casa de forma ecológica são mais saudáveis dos que as convencionais? “As hortaliças agroecológicas são ricas em vitaminas A, C, B, E e K e sais minerais (cálcio e ferro), têm bom teor de carboidratos, proteínas e fibras”, garante o engenheiro agrônomo Cirio Parizotto, da Epagri, baseado também em pesquisas internacionais.

Segundo o pesquisador da Epagri, uma dieta à base de produtos orgânicos está relacionada à prevenção de alguns tipos de câncer e doenças coronarianas, dermatites, sequelas neurológicas, Mal de Parkinson, esterilidade em adultos e alergias e hiperatividade em crianças. “A dieta orgânica é livre de produtos radiolíticos (provenientes das irradiações) de ação carcinogênica”, explica. Além dessas vantagens, a horta tem importância na terapia ocupacional, educacional, econômica e medicinal.

Consorciação e rotação de culturas

A rotação de culturas, prática comum no sistema agroecológico, diminui a incidência de doenças, pragas e de plantas espontâneas. Mantém e ajuda a melhorar fertilidade do solo. Aumenta eficiência do controle da erosão, a produtividade e estabiliza a produção. Além disso, viabiliza o sistema de plantio direto e melhora o desempenho de máquinas e da mão de obra.

Para o agrônomo Círio Parizotto, é fundamental que o agricultor conheça a família a que cada hortaliça pertence para poder fazer a rotação de culturas. “Toda vez que fizer um novo plantio o agricultor deve mudar de família para romper o ciclo das doenças e pragas”, frisa.

Já a consorciação de culturas é o cultivo simultâneo de duas ou mais culturas na mesma área. Os objetivos são o melhor aproveitamento da área; maior produção física por área; redução de riscos, da erosão, melhor cobertura do solo e estabilidade de produção.

A rotação de culturas melhora também o aproveitamento da água, luz e nutrientes. A iniciativa diversifica a dieta alimentar e a renda, diminui a incidência de pragas, plantas espontâneas e doenças.

Plantas atraem insetos e pragas


Para manter a ecohorta saudável é simples. Deve-se fornecer água de qualidade às plantas. As folhosas são irrigadas diariamente e frutos e raízes a cada três dias, no verão. Retirar as plantas espontâneas. “Elas competem com as hortaliças por água, luz e nutrientes”, destaca Círio Parizotto. Para manejar os insetos, usar plantas atrativas como tayuyá, mostarda, porongo e couve-chinesa. Já o cravo-de-defunto (tajete), losna, gerânio, urtiga, camomila e cavalinha ajudam a repelir insetos. “A consorciação aproveita o espaço, estabiliza a produção, reduz a erosão e a incidência de pragas, plantas espontâneas e doenças”, detalha ao CR.

Para diminuir a incidência de pragas e doenças cultivar plantas de famílias diferentes a cada ciclo. Por exemplo, a cebola, alho e o alho poro pertencem à família botânica Aliaceae. Já o repolho, couve-flor, brócoli, rúcula, rabanete, à Brassicaceae; beterraba, espinafre, acelga, Chenopodiaceae.

Fonte: jornal Correio Riograndense