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"Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da Terra". provérbio africano

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terça-feira, 28 de junho de 2016

Casa sustentável em SP trata esgoto doméstico com bananeiras

Fonte: UOL MAIS













Em uma casa da cidade de São Paulo, o esgoto do banheiro não vai parar no córrego ou no rio. Ele é tratado no quintal. No processo, cocô produz banana e vapor de água, que ajuda na formação de nuvens de chuva. Nenhuma tecnologia complexa e cara é utilizada. Tudo o que fazem os sete moradores da Casa dos Hólons, um laboratório de permacultura localizado no Campo Belo, zona sul da capital paulista, é deixar que a natureza entre em ação.


A proposta da permacultura é usar os recursos encontrados no próprio local como soluções para coisas como lavar a roupa ou cuidar do jardim e da horta. Por que não fazer a máquina de lavar funcionar só com a água da chuva? E filtrar a água da pia para regar as plantas?
"Basta olhar como a natureza se comporta e repetir seus padrões", conta Josué Apolônio, 26, permacultor e morador da casa. Para ele, a adoção de um sistema alternativo de tratamento de esgoto, algo comum em áreas rurais e sem rede de saneamento, em uma das maiores metrópoles do planeta não é nada absurdo. Ao contrário, ajuda a pensar na crise hídrica que vivenciamos. "Nosso sistema de esgoto não é funcional. Tudo flui para o rio. Estamos sem água mesmo tendo um rio passando pelo meio da cidade".
Deixar de enxergar o que fazemos no banheiro como algo indesejado, que deve ser levado para longe de onde vivemos, ajuda a entender a filosofia por trás da técnica. "O conceito de sujeira é relativo. O resto de uma maçã pode ser considerado lixo, mas é energia quando transformo em adubo para uma planta. Todos os animais devolvem, através das fezes, energia para o solo. A partir do momento que ela é processada, se transforma em outra coisa", diz Josué.

Esgoto vira banana e chuva

O tratamento das chamadas "águas negras" -- as que vão embora com fezes pela descarga -- tem o formato de um pomar instalado no meio do quintal. No local há uma sombra gostosa, o clima friozinho e o barulho das folhas das bananeiras sacudidas pelo vento. Embaixo delas, sob a terra onde estão as plantas, extravasa por um cano a água que veio do vaso. Nada de mau cheiro ou água empoçada.
Antes de chegar ali, o esgoto se decompõe e é fermentado em tanques hermeticamente fechados. O processo elimina as bactérias que causam doença presentes nas fezes humanas. Por precaução, não é recomendável comer nada que entre em contato direto com a terra. Mas as bananas ou outros frutos e folhas de plantas altas podem ser consumidas.
O permacultor diz que a maior parte do resíduo, misturado com a água da descarga, é líquida. O pouco material sólido presente no esgoto fica retido no tanque. A limpeza da bacia seria necessária apenas após muitos anos de uso.
A função da bananeira é fundamental. Ela dá o destino final para a água tratada do esgoto, transpirando-a na forma de vapor, sem nenhum contaminante. O sistema ganha o nome de bacia de evapotranspiração. "Uma bananeira consome 15 a 30 litros de água por dia", diz. Os nutrientes despejados na terra vão parar nas bananas.
"É muito importante ter a água retornando ao solo no ambiente urbano", diz Josué. "A transpiração dessa bananeira forma as nuvens que estão aqui em cima". Mas a ideia não é apenas dar um jeito no que vai embora pela descarga. A sombra e o clima fresco são ganhos conjuntos nessa forma holística de pensar a casa.
"A permacultura trabalha a ideia de que um sistema atenda várias funções. Com a bacia de evapotranspiração, o esgoto é filtrado, o ambiente fica mais úmido e mais fresco, temos banana... E a fibra da bananeira ainda pode servir para artesanato", afirma o permacultor.



terça-feira, 12 de abril de 2016

Dez conselhos do Papa Francisco para cuidar do meio ambiente

Em sua primeira grande encíclica – carta papal endereçada aos bispos – voltada para o meio ambiente, o Papa Francisco pede uma “ação decisiva, aqui e agora” para deter a degradação ambiental e o aquecimento global. No documento “Laudato Si [Seja Louvado] – Cuidados de Nosso Lar Comum”, o Papa também pede por uma mudança do estilo de vida dos países ricos e da cultura do consumo “descartável”. Confira alguns conselhos que o papa Francisco listou para que os cidadãos comuns possam ajudar na preservação do planeta.

1. Aquecimento
Mesmo que suas economias permitam, evite ligar o aquecedor. Prefira usar agasalhos
2. Papel e plástico
Evite o uso de materiais como papel e plástico
3. Água
O papa aconselha também que os cidadãos reduzam o consumo de água
5. Comida
Cozinhe somente os alimentos que irá consumir e evite o desperdício
6. Seres vivos
Para o papa, é muito importante tratar todos os seres vivos com cuidado e compaixão
7. Transporte
Papa Francisco recomenda usar o transporte público sempre que possível ou pegar caronas e compartilhar seu carro com outros amigos
8. Energia
Apagar as luzes quando não for necessário auxilia na economia de energia
9. Ar Condicionado
Tente moderar no uso do ar condicionado, aconselha o papa

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Cada vez mais os resíduos são e deverão ser vistos não como lixo, mas como recurso.


Cada vez mais os resíduos são e deverão ser vistos não como lixo, mas como recurso.
Assim, a recuperação e reciclagem dos materiais é fundamental para a valorização dos resíduos.

Regras a seguir:
  • Escorra e enxague as embalagens usadas para evitar maus-cheiros;
  • Sempre que possível, amasse as embalagens usadas para reduzir o espaço que ocupam e facilitar o transporte;
  • Retire as rolhas e tampas pois são, normalmente, de material diferente da embalagem.
    Reduzir a quantidade de lixo que cada um de nós produz.
    Reutilizar, escolhendo produtos e embalagens que possam ser utilizadas várias vezes.
    Reciclar alguns componentes do lixo, de preferência se o separarmos na origem.

Plástico


Depositar:
Garrafas, garrafões e frascos de:

- água
- sumos e refrigerantes
- vinagre
- detergentes e produtos de higiene
- óleos alimentares

Sacos de plástico
Esferovite
Pacotes de leite e bebidas (ECAL)*
Iogurtes

*embalagens de cartão para alimentos líquidos

Não depositar:
Embalagens de produtos tóxicos ou perigosos, por ex.: combustíveis e óleo de motor.


Metal




Depositar:                                          Não Depositar:
- latas de bebidas                              Electrodomésticos
- latas de conserva                             Pilhas e baterias
- tabuleiros de alumínio                      Objectos que não sejam embalagens, por ex:
- aerossóis vazios                              tachos e panelas, talheres, ferramentas, etc.
- metalizados

Papel e Cartão


Depositar:
- embalagens de cartão, por ex.: caixas de cereais; bolachas, etc
- sacos de papel
- papel de embrulho
- jornais e revistas
- papel de escrita

Não depositar:
- embalagens de cartão com gordura, por ex.: pacotes de batatas fritas, caixas de pizza
- sacos de cimento
- embalagens de produtos químicos
- papel de alumínio
- papel autocolante
- papel de cozinha, guardanapos e lenços de papel sujos
- toalhetes e fraldas


Vidro

Depositar:                         Não depositar:
- Garrafas                       - Louças e cerâmicas (pratos, copos, chávenas, jarras, etc.)
- Garrafões                     - Materiais de construção civil
- Frascos                       - Janelas, vidraças, espelhos, etc.
- Boiões                         - Lâmpadas

Pilhas
Depositar:

Pilhas (salinas e alcalinas, de botão, de lítio e recarregáveis) e acumuladores - baterias recarregáveis (baterias de níquel cádmio, níquel metal híbrido e de iões de lítio).

Estas pilhas e acumuladores serão armazenados em condições de segurança e encaminhadas para valorização onde, através de vários processos, se separam e recuperam os diversos materiais que as constituem.
Nota: As pilhas são resíduos perigosos. Uma simples pilha pode contaminar 3000 litros de água!
Alguns aspectos negativos das lixeiras

- Contaminação das águas.
- Contaminação dos solos.
- Maus cheiros.
- Provocam incêndios.
- Formação de focos de doenças.
- Problemas paisagisticos.
- Problemas de sobrevivência de alguns seres vivos.



Algumas vantagens da Reciclagem:



- Economiza e reduz a procura de energia;
- Reduz a quantidade de matérias-primas necessárias para o fabrico de novos produtos;
- Reduz a quantidade de resíduos depositados em aterro;
- Protege a biodiversidade;
- Reduz o aquecimento global;
- Reduz a poluição da água;
- Reduz a poluição do ar;
- Reduz a quantidade de resíduos sólidos;
- Reduz a destruição de habitat


Por um Mundo melhor...
 Pedro Gonçalo C. S. Silva

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A urgência de uma ecologia integral



10/11/2015
Uma das afirmações básicas do novo paradigma científico e civilizatório é o reconhecimento da inter-retro-relação de todos com todos, constituindo a grande rede terrenal e cósmica da realidadade. Coerentemente a Carta da Terra, um dos documentos fundamentais desta visão das coisas, afirma: ”Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções includentes”(Preâmbulo, 3).
O Papa Francisco em sua encíclicas sobre O cuidado da Casa Comum se associa a esta leitura e sustenta que “pelo fato de que tudo está intimamente relacionado e que os problemas atuais requerem um olhar que leve em conta todos os aspectos da crise mundial”(n.137) se impõe uma reflexão sobre a ecologia integral pois só ela dá conta dos problemas da atual situação do mundo. Esta interpretação integral e holística ganha uma reforçao inestimável dada a autoridade com que se reveste a figura do Papa e a natureza de sua encíclica, dirigida a toda a humanidade e a cada um de seus habitantes. Não se trata mais apenas da relação do desenvolvimento com a natureza mas do ser humano para com a Terra como um todo e com os bens e serviço naturais,os únicos que podem sustentar as condições físicas, químicas e biológicas da vida e garantir um futuro para a nossa civilização.
O tempo é urgente e corre contra nós. Por isso, todos os saberes devem ser ecologizados, vale dizer, postos em relação entre si e orientados para o bem da comunidade de vida. Igualmente todas as tradições espirituais e religiosas são convocadas a despertarem a consciência da humanidade para a sua missão de ser a cuidadora dessa herança sagrada recebida do universo e do Criador que é a Terra viva, a única Casa que temos para morar. Junto com a inteligência intelectual deve vir a inteligência sensível e cordial e mais que tudo a inteligência espiritual, pois é ela que nos relaciona diretamente com o Criador e com o Cristo ressuscitado que estão fermentando dentro da criação, levando-a junto conosco para a sua plenitude em Deus (nn.100; 243).
O Papa cita o comovente final da Carta da Terra que resume bem a esperança que deposita em Deus e no empenho dos seres humanos:”Que nosso tempo seja lembrado pelo despertar de um nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta pela justiça e pela paz e pela alegre celebração da vida”(n. 207).
Uma outra notável contribuição nos vem do conhecido psicanalista Carlos Gustavo Jung (1875-1961) que em sua psicologia analítica deu grande importância à sensibilidade e submeteu a duras críticas o cientifismo moderno. Para ele a psicologia não possuía fronteiras, entre cosmos e vida, entre biologia e espírito, entre corpo e mente, entre consciente e inconsciente, entre individual e coletivo. A psicologia tinha que ver com a vida em sua totalidade, em sua dimensão racional e irracional, simbólica e virtual, individual e social, terrenal e cósmica e em seus aspectos sombrios e luminosos.

Sabia articular todos saberes disponíveis, descobrindo conexões ocultas que revelavam dimensões surpreendentes da realidade. Conhecido foi o dialogo em 1924-1925 que Jung manteve com um indígena da tribo Pueblo no Novo México nos USA. Este indígena achava que os brancos eram loucos. Jung lhe perguntou por que os brancos seriam loucos? Ao que o indígena respondeu:”Eles dizem que pensam com a cabeça”. “Mas é claro que pensam com a cabeça” retrucou Jung. “Como vocês pensam”? – arrematou. E o indígena, surpreso, respondeu: ”Nós pensamos aqui” e apontou para o coração (Memórias, Sonhos, Reflexões, p. 233).
Esse fato transformou o pensamento de Jung. Entendeu que o homem moderno havia conquistado o mundo com a cabeça mas que havia perdido a capacidade de pensar e sentir com o coração e de viver através da alma. A mesma crítica fez o Papa quando esteve na ilha italiana de Lampeduza onde centenas de refugiados se haviam afogado. “Desaprendemos a sentir e a chorar.”
Logicamente não se trata de abdicar da razão – o que seria uma perda para todos – mas de recusar o estreitamento de sua capacidade de compreender. É preciso considerar o sensível e o cordial como elementos centrais no ato de conhecimento. Eles permitem captar valores e sentidos presentes na profundidade do senso comum. A mente é sempre incorporada, portanto, sempre impregnada de sensibilidade e não apenas cerebrizada.
Em suas Memórias diz: ”há tantas coisas que me repletam: as plantas, os animais, as nuvens, o dia, a noite e o eterno presente nos homens. Quanto mais me sinto incerto sobre mim mesmo, mais cresce em mim o sentimento de meu parentesco com o todo”( p. 361).
O drama do homem atual é ter perdido a capacidade de viver um sentimento de pertença, coisa que as religiões sempre garantiam. O que se opõe à religião não é o ateísmo ou a negação da divindade. O que se opõe é a incapacidade de ligar-se e religar-se com todas as coisas. Hoje as pessoas estão desenraizadas, desconectadas da Terra e da anima que é a expressão da sensibilidade e da espiritualidade.
Se não resgatarmos hoje a razão sensível que é uma dimensão essencial da alma, dificilmente nos movemos para respeitar o valor intrínseco de cada ser, amar a Mãe Terra com todos os seus ecossistemas e vivermos a compaixão com os sofredores da natureza e da humanidade.
Leonardo Boff, colunista do JB on line e escritor

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ARBORIZAÇÃO URBANA: IMPORTÂNCIA E ASPECTOS JURÍDICOS

Praça na cidade de NOVA PRATA RS
Ultimamente temos observado que está aumentando na população a preocupação em relação ao meio ambiente urbano e a qualidade de vida de nossas cidades.
 Fala-se muito em áreas verdes e arborização, mas o que significam e qual a relação que há entre si? Especificamente, qual é a importância da arborização e quais são seus aspectos jurídicos? É o que tentaremos analisar.
Arborizar quer dizer plantar ou guarnecer de árvores um local. Por sua vez arborização é o efeito de arborizar. Porém, quando pronunciamos estas palavras tem-se a impressão, a primeira vista, de que estamos nos referindo a uma região rural, mas estes termos são muito mais utilizados em áreas urbanas do que nas rurais.
A arborização urbana é caracterizada principalmente pela plantação de arvores de porte em praças, parques, nas calçadas de vias públicas e nas alamedas e se constitui hoje em dia uma das mais relevantes atividades da gestão urbana, devendo fazer parte dos planos, projetos e programas urbanísticos das cidades.
Todo o complexo arbóreo de uma cidade, quer seja plantado ou natural, compõe em termos globais a sua área verde. Todavia, costuma-se excluir a arborização ao longo das vias públicas como integrante de sua área verde, por se considerar acessória e ter objetivos distintos, já que as áreas verdes são destinadas principalmente à recreação e ao lazer e aquela tem a finalidade estética, de ornamentação e sombreamento (José Afonso da Silva. Direito Urbanístico Brasileiro, 2. ed. São Paulo. Malheiros, 1997, pg247-248).
Praça na cidade de NOVA PRATA RS
Isto se deve também ao fato de que a legislação de uso e parcelamento do solo (Lei 6766/79) obrigar aos loteamentos apenas a destinar uma área verde para praças, silenciando-se sobre arborização das ruas.
Outros ainda afirmam que falta de permeabilidade em vista das calçadas, descaracteriza esta forma de arborização como área verde.
Realmente se analisarmos apenas pelas suas finalidades principais, são distintas, mas se analisarmos do ponto de vista ambiental, podemos concluir que as árvores existentes ao logo das vias públicas não podem ser excluídas do complexo de áreas verdes da cidade, pois apesar de estarem dispostas de forma linear ou paralela, constituem-se muitas vezes em uma “massa verde contínua”, propiciando praticamente os mesmos efeitos das áreas consideradas como verdes das praças e parques.
Ademais, normalmente estas árvores estão protegidas pela legislação municipal contra cortes, de forma que sua localização acaba sendo perene, fortalecendo o entendimento de que compõem efetivamente a “massa verde urbana”.
Depredação na av. Romeu Samarani em PORTO ALEGRE
Além disso, este tipo de arborização tem a finalidade de propiciar um equilíbrio ambiental entre as áreas construídas e o ambiente natural alterado. Para nós toda a vegetação existente na cidade deve ser considerada como área verde, inclusive as árvores de porte que estão nos quintais, ou seja em áreas particulares. Não são áreas verdes da cidade? Evidente que são, pois também estão sob fiscalização do Poder Público, por força do contexto jurídico atual que as protege.  Em suma, toda vegetação ou árvore isolada, quer seja ela pública ou particular, ou de qualquer forma de disposição que exista na cidade, constitui a “massa verde urbana”, por conseqüência a sua área verde.


Aliás, há divergências até quanto a forma de se obter o índice área verde/habitante, pois alguns utilizam em seus cálculos somente as áreas públicas, enquanto outros toda a “massa verde” da cidade. Para nós, deve-se considerar as áreas verdes particulares (quintais e jardins), que muitas vezes são visivelmente maiores que as públicas. Assim, quando falamos em áreas verdes, estamos englobando também as áreas onde houve processo de arborização público ou particular, sem exceção.
Atualmente, as áreas verdes ou espaços verdes são essenciais a qualquer planejamento urbano, tanto que na carta de Atenas há recomendação para sua criação em bairros residenciais, bem como essas áreas devem ser definidas claramente que são para recreação, escolas, parques infantis, para jogos de adolescentes e outros, sempre para uso comunitário.
Além das destinações citadas, as áreas verdes têm outras funções importantes tais como: higiênica, paisagística, estética, plástica, de valorização da qualidade de vida local, de valorização econômica das propriedades ao entorno etc. Em termos de Direito Urbanístico o art. 22 da Lei 6766/79- Lei do Parcelamento do Solo- impõe para o registro de parcelamento a constituição e integração ao domínio público das vias de comunicação, praças e os espaços livres. Nestes últimos estão incluídas as áreas verdes. Pelo art. 23 da citada lei, os espaços livres- entre eles as áreas verdes, como dito- passam a integrar o domínio público do município e em muitos deles as leis de parcelamento do solo determinam que nos projetos de loteamento sejam destinadas percentuais do imóvel a áreas verdes.
Depredação na av. Romeu Samarani em PORTO ALEGRE
Assim, os espaços verdes ou áreas verdes, incluindo-se aí as árvores que ladeiam as vias públicas fruto da arborização urbana, também por serem seus acessórios que devem acompanhar o principal, são bens públicos de uso comum do povo, nos termos do art. 66 do Código Civil, estando à disposição da coletividade, o que implica na obrigação municipal de gestão, devendo o poder público local cuidar destes bens públicos de forma a manter a sua condição de utilização.
A arborização é essencial a qualquer planejamento urbano e tem funções importantíssimas como: propiciar sombra, purificar o ar, atrair aves, diminuir a poluição sonora, constituir fator estético e paisagístico, diminuir o impacto das chuvas, contribuir para o balanço hídrico, valorizar a qualidade de vida local, assim como economicamente as propriedades ao entorno.
Além disso é fator educacional. Funções estas também presentes nos parques e praças. Ademais, por se constituírem em muitos casos em redutos de espécies da fauna e flora local, até com espécies ameaçadas de extinção, as árvores e áreas verdes urbanas tornam-se espaços territoriais importantíssimos em termos preservacionistas, o que aumenta ainda mais sua importância para a coletividade, agregando-se aí também o fator ecológico.
Estas funções e características  reforçam seu caráter de bem difuso, ou seja de todos, afinal o meio ambiente sadio é um direito de todo cidadão (art.225, Constituição Federal).
Aliás, por se tratar de uma atividade de ordem pública imprescindível ao bem estar da população, nos termos dos arts.30,VIII, 183 e 183 da Constituição Federal e do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01), cabe ao Poder Público municipal em sua política de desenvolvimento urbano, entre outras atribuições, criar, preservar e proteger as áreas verdes da cidade, mediante leis específica, bem como regulamentar o sistema de arborização. Disciplinar a poda das árvores e criar viveiros municipais de mudas, estão entre as providências específicas neste sentido, sem contar na importância de normas sobre o tema no plano diretor, por exemplo.
Depredação na av. Romeu Samarani em PORTO ALEGRE
Além disso, a legislação urbanística municipal pode e deve incentivar ao particular a conservação de áreas verdes em sua propriedade, assim como incentivar a sua criação e manutenção, possibilitando inclusive desconto no IPTU ao proprietário que constitui ou mantém áreas verdes no seu imóvel, como já ocorrem em algumas cidades. Oportuno lembrar ainda Hely Lopes Meirelles quando diz que entre as atribuições urbanísticas estão as composições estéticas e as paisagísticas da cidade (Direito Municipal Brasileiro. Malheiros. 9ª edição. 1997. pg382), nas quais se inclui perfeitamente a arborização.
Por sua vez, quem destrói ou danifica, lesa ou maltrata, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedades privadas alheias, comete crime ambiental penalizado nos termos do art.49, da Lei 9.605/98.
Portanto, pela condição jurídica de bem comum do povo as áreas verdes naturais ou arborizadas podem e devem ser protegidas legalmente pela coletividade através das associações de bairro por meio da ação civil pública (Lei 7347/85), ou pelo Ministério Público, ou ainda pelo cidadão através da ação popular (Lei 4717/65).
Afinal, por sua importância sócio-ambiental representam valores inestimáveis aos cidadãos, bem como às empresas que nada mais são do que a extensão de nossas atividades e conseqüentemente de nossos anseios e bem estar.
ANTÔNIO SILVEIRA RIBEIRO DOS SANTOS
Criador do Programa Ambiental: A Última Arca de Noé (www.aultimaarcadenoe.com.br)
——
Obs. contéudo do artigo publicado em A Tribuna de Santos/ SP. 16.11.01; Gazeta Mercantil (Legal & Juris.)- 28.11.01; Revista Jurídica- Bahia- novembro/ 2001; Revista Meio Ambiente Industrial- SP- nov./dez. 2001;  Correio Braziliense- Direito & Justiça- 04.03.02 etc.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

“As #plantas têm #neurônios, são seres #inteligentes”


Graças aos nossos amigos do Redes, o programa de Eduard Punset, pesquisadores incansáveis de diversas áreas do conhecimento científico buscam ampliar os limites do saber. Dentre esses que se questionam sobre quem somos e qual papel desempenhamos nesta sopa de universos, descobrimos Mancuso, que nos explica que as plantas, vistas pela câmera rápida, se comportam como se tivessem cérebro: elas têm neurônios, se comunicam mediante sinais químicos, tomam decisões, são altruístas e manipuladoras. Há cinco anos era impossível falar de comportamento das plantas, hoje já podemos começar a pensar em falar sobre sua inteligência... Pode ser que logo comecemos a falar de seus sentimentos. Mancuso estará no Redes no próximo dia 02. Não percam.
A entrevista é publicada pelo jornal La Vanguardia, 29-12-2010. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.
Quais são as novidades?
As plantas são organismos inteligentes, mas que se movem e tomam decisões em um tempo mais longo que o homem.
Você já suspeitava.
Hoje sabemos que elas têm famílias e parentes e que reconhecem sua proximidade.  Comportam-se de maneira totalmente diferente se ao seu lado há parentes ou estranhos. Se forem parentes não competem: através das raízes, dividem o território de maneira equitativa.
Uma árvore pode voluntariamente mandar seiva a uma pequena planta?
Sim. As plantas necessitam de luz para viver, e para que uma semente chegue até a luz são necessários muitos anos; enquanto isso, são nutridas por árvores de sua mesma espécie.
Curioso.
Os cuidados parentais só ocorrem em animais muito evoluídos e é incrível que existam entre as plantas.
Então, elas se comunicam.
Sim, em uma selva todas as plantas estão em comunicação subterrânea através das raízes. E também fabricam moléculas voláteis que avisam as plantas distantes sobre o que está acontecendo.
Por exemplo?
Quando uma planta é atacada por um agente patogênico, imediatamente produz moléculas voláteis que podem viajar quilômetros e que avisam a todas as outras para que preparem suas defesas.
Quais defesas?
Produzem moléculas químicas que se tornam indigestas e podem ser muito agressivas. Há dez anos, em Botsuana introduziram em um grande parque 200 mil antílopes, que começaram a comer as acácias com intensidade. Após poucas semanas muitos morreram e ao final de seis meses morreram mais de 10 mil, e não sabia-se o porquê. Hoje sabemos que foram as plantas.
Uma grande predação.
Sim, e as plantas aumentaram a tal ponto a concentração de taninos em suas folhas, que se tornaram um veneno.
As plantas também tem empatia com outros seres?
É difícil dizer, mas uma coisa é certa: as plantas podem manipular os animais. Durante a polinização produzem néctar e outras substâncias para atrair os insetos. As orquídeas produzem flores que são muito parecidas com as fêmeas de alguns insetos, que, enganados, vão até elas. E há quem afirme que até o ser humano é manipulado pelas plantas.
Como assim?
Todas as drogas que o homem usa (café, tabaco, ópio, marijuana...) derivam das plantas, mas por que as plantas produzem uma substância que torna os humanos dependentes? Porque assim as propagamos. As plantas utilizam o homem como transporte. Há pesquisas sobre isso.
Incrível.
Caso amanhã as plantas do planeta desaparecessem, em um mês toda a vida se extinguiria, visto que não haveria nem comida, nem oxigênio. Todo o oxigênio que respiramos vem delas. Mas se nós desaparecêssemos, nada iria ocorrer. Somos dependentes das plantas, mas as plantas não são de nós. Quem é dependente está em uma situação inferior, ou não?
...
As plantas são muito mais sensíveis. Quando algo muda no ambiente, como elas não podem escapar, devem ser capazes de sentir com muita antecedência qualquer mínima mudança para se adaptarem.
E como percebem?
Cada ponta da raiz é capaz de perceber simultaneamente pelo menos quinze parâmetros físicos e químicos diferentes ( como temperatura, luz, gravidade, presença de nutrientes, oxigênio).
É sua grande descoberta, e é sua.
Em cada ponta das raízes existem células similares aos nossos neurônios e sua função é a mesma: comunicar os sinais mediante impulsos elétricos, igual ao nosso cérebro. Em uma planta pode haver milhões de pontas de raízes, cada uma com sua pequena comunidade celular; e trabalham em rede como a internet.
Encontrou o cérebro vegetal.
Sim, sua zona de cálculo. A questão é como medir sua inteligência. Mas de uma coisa estamos certos: são muito inteligentes, seu poder de resolver problemas de adaptação é grande. Hoje 99,6% de tudo o que está vivo sobre o planeta são plantas.
… E só conhecemos 10% delas.
E nessa porcentagem temos todo nossa alimentação e os remédios. O que os 90% restantes fazem?... Diariamente, centenas de espécies de vegetais desconhecidas se extinguem. Talvez possuam a capacidade de uma cura importante, nunca o saberemos.  Devemos proteger as plantas pela nossa sobrevivência.
O que sobre as plantas o emociona?
Alguns comportamentos são muito emocionantes. Todas as plantas dormem, acordam, buscam a luz com suas folhas; tem uma atividade similar a dos animais. Filmei o crescimento de alguns girassóis, e se vê de maneira muito clara como brincam entre eles.
Brincam?
Sim, estabelecem o comportamento típico da brincadeira que se vê em tantos animais. Pegamos uma dessas pequenas plantas e a fizemos crescer sozinha. Quando adulta, ela tinha problemas de comportamento: custava-lhe girar em busca do sol, faltava a ela a aprendizagem obtida através do jogo. Ver estas coisas é emocionante.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Aposentado planta 16 mil árvores em áreas abandonadas na zona leste de SP

Extraído de: https://razoesparaacreditar.com/cultivar/aposentado-planta-16-mil-arvores-em-areas-abandonadas-na-zona-leste-de-sp/

Por Vicente Carvalho | 
Caminhando pela parte mais fechada da vegetação até o local onde as mudas são recém-plantadas, o administrador aposentado Hélio da Silva, 62, sabe dizer a idade de quase todas as árvores do parque linear Tiquatira, na Penha, zona leste. É ele quem vem plantando exemplares na região há dez anos.
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A ideia era colocar 5.000 unidades; hoje, na contagem do próprio Hélio, são 16.591 árvores de 170 espécies diferentes, a maioria nativa da mata atlântica.
“Algumas pessoas acham que sou funcionário da prefeitura”, afirma ele, que teve de conseguir autorização da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente antes de plantar e não ganha nada pelo trabalho. Por um tempo, diz que gastou R$ 2.000 por mês com mudas e adubo.
PROBLEMAS
Além de plantar, é preciso cuidar da herança que ele diz deixar para os três filhos, os netos e a cidade. Assim, agora no outono, que não é época de plantio, ele poda as mudas. “São Paulo me deu tudo. Estou só retribuindo.”
Ele conta que, quando começou, achavam que era louco. Sua mulher, Leda Vitoriano, era uma dessas pessoas. “Eu dizia: ‘Você faz tudo e quem vai levar a fama são os vereadores'”, conta ela, que acha que o casal comprou brigas desnecessárias.
A principal foi com comerciantes da região, já que a vegetação começou a tapar a visão das lojas da avenida Carvalho Pinto. As primeiras 500 mudas foram destruídas. “De cada dez que eu plantava, arrancavam oito.”
Após quatro anos e 5.000 árvores, a prefeitura transformou, em 2007, o Tiquatira no primeiro parque linear (ao longo de rios) da cidade e lá instalou banheiros e equipamentos de lazer.
Há 12 anos no ponto, o vendedor de coco Antônio Ferreira, 52, testemunhou o processo. “As pessoas começaram a caminhar mais aqui, o movimento dobrou.”
Mas Hélio também ouve piadinhas. “Me perguntam para quem estou plantando. Digo: ‘Pro seu neto, porque logo, logo você já era!’.”
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Matéria original da Folha de S. Paulo.