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sábado, 27 de abril de 2019

Amsterdam conecta árvores à internet para reduzir poluição

O projeto TreeWiFi instalou casas de pássaros em árvores da capital holandesa, que oferecem acesso gratuito à internet quando o ar está respirável





Reprodução/Youtube

Amsterdam, capital da Holanda, está experimentando um projeto inovador, que pode trazer grandes resultados na redução de emissões poluentes no ar.

É o TreeWiFi, projeto que consiste na instalação de casinhas de pássaros, equipadas com sensores sofisticados que medem os níveis de contaminação atmosférica. Quando o ar não ultrapassa os índices máximos recomendados de poluição, a casinha se colore de verde e oferece acesso gratuito à internet sem fio. Do contrário, quando o ar fica irrespirável, a casinha fica vermelha e a conexão é interrompida (veja vídeo no fim da reportagem).

O projeto, desenvolvido por Joris Lam, produtor audiovisual holandês e dono da empresa TreeWiFi, ainda alcança determinados pontos da cidade, que tem 800 mil habitantes. Mas ele acredita que já é uma forma de criar consciência: ''se implantamos ferramentas que todo mundo pode entender como funcionam, em que as pessoas podem ver com os próprios olhos a contaminação, talvez deixemos de usar os carros, por exemplo, e poderemos observar as consequências de nossas ações'', acredita Joris Lam.

conexão de internet alcança um raio de cem metros das árvores onde estão instaladas as casinhas de pássaros. A ideia, mais à frente, é ampliar a lista de ''recompensas'' pelo controle da poluição, tais como download gratuito de música e de aplicativos e descontos no comércio da região onde estão os medidores. "Quem sabe oferecer um segundo café grátis numa cafeteria do bairro", sugere Lam, autor dessa ideia original e criativa para resolver um problema crítico do planeta.

fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/especiais/bigideia/bigideia-noticia/2016/11/14/bigideia,823705/amsterdam-conecta-arvores-a-internet-para-reduzir-poluicao.shtml

domingo, 10 de março de 2019

Viver em cidades arborizadas beneficia o cérebro

Imbuia: planta, provedora de sombra, foi incluída na lista de espécies ameaçadas no Brasil | Foto: Zig Koch/Divulgação/CR

Sólidas e serenas, vivas e vibrantes. As árvores produzem nas pessoas um efeito calmante e positivo. Mas viver perto desses gigantes verdes gera impacto muito concreto na saúde, especialmente nos habitantes das cidades, segundo novo estudo, divulgado pela BBC Mundo. E as consequências vão desde mudar a qualidade e a temperatura do ar a influir no funcionamento do cérebro.
O estudo destacou três efeitos saudáveis no corpo humanos ao se viver perto das árvores. O primeiro deles é a redução da matéria particulada, um dos piores tipos de contaminação.
Uma árvore reduz a chamada matéria particulada ao seu redor de 7% e 24%, segundo um estudo publicado recentemente pela The Nature Conservancy (TNC), organização não-governamental que trabalha em escala global para a conservação da biodiversidade. Sediada nos Estados Unidos, tem atuação em 69 países. A investigação avaliou o impacto das árvores em 245 cidades ao redor do mundo.
O contaminante material particulado pode ser classificado em dois tipos. O mais grosso tem 10 ou menos micrômetros (um micrômetro é a milésima parte de um milímetro) de diâmetro, ou PM 10, e resulta do pó da construção e das ruas, entre outras fontes. Mas o tipo mais prejudicial de material particulado é chamado PM 2,5. Ele tem diâmetro de 2,5 ou menos micrômetros e resulta da queima de combustíveis fósseis e madeira, entre outras fontes.
Essas partículas finas em suspensão podem penetrar profundamente nos pulmões e estima-se que causem 3,2 milhões de mortes por ano mundialmente, segundo o estudo. O material PM 2,5 está associado a um risco maior de acidentes vasculares cerebrais, problemas cardíacos e enfermidades respiratórias como a asma.
Trata-se de um problema verdadeiramente global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, neste ano, que cerca de 90% da população ao redor do planeta, que vivia em centros urbanos em 2014, foi exposta a níveis de material particulado que excederam as recomendações da organização.
O estudo publicado pela TNC destaca que, em ruas com muito tráfego, as árvores devem ser plantadas de maneira espaçada, para impedir que as copas reduzam a circulação de ar.
Graus - O segundo grande efeito é a redução da temperatura em até 2 graus centígrados. O impacto das árvores na temperatura é crucial, dado que as ondas de calor matam cerca de 12 mil pessoas por ano e dificultam a vida de milhões. “A mudança climática fará com que o impacto dessas ondas de calor nas cidades seja ainda mais severo”, afirma o documento.
A OMS estima que as mortes anuais por ondas de calor nas cidades podem chegar a 260 mil pessoas (leia-se 2015), a menos que os centros urbanos tomem medidas para se adaptar às novas condições.
“Muitos estudos científicos demonstraram que a sombra das árvores, além da transpiração durante a fotossíntese, contribuem para reduzir a temperatura do ar e consequentemente o consumo de eletricidade para ar condicionado”, afirma a investigação da organização não-governamental.
Espírito - O terceiro efeito positivo é o bem-estar psicológico. “Não posso cuidar da minha saúde e do meu espírito a menos que passe ao menos quatro horas por dia na floresta, totalmente livre de compromissos mundanos”, escreveu no século XIX o americano Henry David Thoreau em seu livro clássico Walden, que relata sua experiência de viver dois anos em uma cabana construída por ele mesmo às margens do lago do mesmo nome, em Massachusetts.
Um estudo já conhecido, liderado pelo psicólogo ambiental Roger Ulrich na década de 1980, comparou pacientes de um hospital da Pensilvânia que haviam sido operados da vesícula. Aqueles que estavam em quartos com vista para árvores se recuperaram mais rapidamente que aqueles que estavam em quartos com janelas voltadas para edifícios.
Cérebro - E um estudo recente de Gregory Bratman, da Universidade Stanford, na Califórnia, mediu o impacto no cérebro de caminhar durante 90 minutos na natureza. Um grupo que caminhou em meio a árvores foi comparado com outro que andou em uma rua com muito tráfego. As pessoas que andaram na rua tiveram um aumento da atividade de ‘ruminar’ criticamente sobre si mesmo ou sobre eventos do passado - padrão negativo de pensamento vinculado à depressão.
Aqueles que caminharam entre as árvores tiveram menos tendência de ruminar pensamentos. O estudo também incluiu análise por ressonância magnética do cérebro dos participantes e constatou que os que caminharam na natureza mostraram uma atividade menor na região do cérebro associada à autocrítica e ao isolamento social comum de quem ‘rumina em excesso’.
A importância das árvores nas cidades não pode ser subestimada. Ainda mais levando em conta que atualmente 54% da população mundial é urbana e que essa porcentagem chegará a 66% em 2050, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU). “Em muitas cidades o departamento de saúde está de um lado e as árvores do outro”, observa Rob Mc Donald, um dos autores do estudo publicado pela TNC.
“Uma das metas do nosso estudo é recordar às cidades que esses dois departamentos devem colaborar. “Se isso acontecer, minha esperança é que veremos um renascimento das plantações de árvores em centros urbanos”, conclui Mc Donald.
Redação Jornal Correio Riograndense

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A guabiroba (gabirobeira, gabirobeira, gabiroba) pertence à família Myrtaceae,

Gabiroba - Campomanesia xanthocarpa Berg



Nome científico: Campomanesia xanthocarpa Berg
Nome popular: guabiroba; guabiroba-da-mata; gabiroba
Família: Myrtaceae

Gabiroba


A guabiroba (gabirobeira, gabirobeira, gabiroba) pertence à família Myrtaceae, é uma planta que não perde as folhas facilmente (decídua), heliófita (que se desenvolve na presença de luz), característica das submatas abertas ou de vegetação semidevastada na zona dos pinhais do Planalto Meridional. Ocorre em Goiás, Minas Gerais até Santa Catarina, nas regiões de florestas e cerrados.

Planta muito variável morfologicamente e rara em toda a área de distribuição. Altura entre 4 a 7 metros, dotada de copa globosa, densa e baixa, tronco curto e cilíndrico, revestido por casca grossa e fissurada.

Suas folhas são simples, glandulares, subcoriáceas ou cartáceas, face superior pouco nítida com nervura central impressa, com ou sem pêlos na face interior. Floresce abundantemente durante os meses de outubro e novembro, as flores são solitárias, glandulares, axilares ou laterais, de cor branca com numerosos estames.

Possui fruto subgloboso, glandular, de polpa suculenta, com poucas sementes glandulosas. São comestíveis e muito apreciados pela avifauna, amadurecem no período de dezembro e janeiro.

A árvore pode ser utilizada na arborização, reflorestamento de áreas degradadas. A madeira é pesada, textura média, sujeita ao rachamento na secagem e pouco durável.
É empregada localmente para uso interno em construção civil e sobretudo lenha e carvão.
Possui anualmente grande quantidade de sementes viáveis que são amplamente disseminadas pela avifauna.





Fontes

http://belezadacaatinga.blogspot.com.br/2012/06/gabiroba-campomanesia-xanthocarpa-berg.html
www.4elementos.bio.br
www.ibb.unesp.br
LORENZI, H.; 2000. Árvores Brasileiras:
Manual de Identificação e Cultivo de Plantas 
Arbóreas do Brasil. São Paulo, 3ª ed. Vol 02.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

As mudas de Ipê Amarelo da av da cavalhada



 NOVA AÇÃO:

ONTEM 16/10/2018 , coloquei alguns pedaços de cano PVC para proteção das mudas e aplicamos aproximadamente 30 gramas de  NPK 10.10.10 em cada uma delas.


Estas mudas que aparecem na foto são de ipê amarelo e segundo as imagens do google, devem ter sido plantadas em 2011. Crescimento muito lento, provavelmente devido a carência nutricional do solo e injúrias pela roçada da grama. No final de 2016, coloquei alguns pedaços de cano PVC para proteção das mudas e aplicamos aproximadamente 30 gramas de  NPK 10.10.10 em cada uma delas. Em um ano já visualizamos um crescimento.27/12/2017





Ipê-Amarelo-da-Serra (Tabebuia alba)

Classificação:
Reino Plantae
Divisão Magnoliophyta
Classe Magnoliopsida
Subclasse Asteridae
Ordem Lamiales
Família Bignoniaceae
Gênero Tabebuia
Espécie T. alba
Sinônimia botânica: Handroanthus albus (Mattos), Tecoma alba (Charm)
Nomes Populares: Ipê-do-Morro, Ipê-Amarelo-Cascudo, Aipé, Pau-d’arco-amarelo, Ipê-açu e etc
O nome:
O nome ipê-amarelo é utilizado para designar não uma mas várias espécies do gênero Tabebuia que em tupi-guaraní significa “pau que flutua”, é denominado pelos índios de Caxetá, o nome Ipê, também de origem tupi, significa “árvore de casca grossa”.
Caracteristícas:
Espécie nativa brasileira oriunda da região Sul e Sudeste abrangendo a Floresta Estacional Semidecidua, a Mata de Araucária e também o Cerrado, com crescimento rápido podendo alcançar até 30 metros de altura e 10 de diâmetro, sendo que hoje se estende por todo o território nacional devido a sua adaptabilidade. Seu tronco tem característica de crescimento retilíneo, porem pode apresentar curvaturas onde se ramificam por entre 5 e 8 metros de altura, possui suber fissurada grossa e de zoloração acinzentada.
Suas folhas são compostas tomentosas (pilosas), filotaxia oposta, com face superior verde e a inferior de coloração prateada, dispostas de 5 a 7 folíolos, com ápice pontiagudo, base arredondada e margem serreada. Forma uma copa larga e alongada na base.
Suas raízes são profundas e não possuem muita exigência de nutrientes, mas preferem solos úmidos com drenagem lenta, profundos e não muito ondulados.
A floração do Ipê-Amarelo e da maioria dos Ipês ocorre no mês de Agosto, no final do inverno, logo sua floração é influenciada por ele, assim quanto mais frio e seco o inverno maior a florada do Ipê. Suas flores dispostas em cachos são grandes, gamossépalas e gamopétas em número de 5, simetria zigomórfa, assumindo uma forma cônica, possui 4 estames epipétalos didínamos. Sua coloração amarelo-ouro chama a atenção de diversos polinizadores como beija-flores, e insetos de diversos portes incluindo a abelha Mamangava, polinizadora natural desta espécie e também do maracujá (Passiflora edulis).
Seus frutos são do tipo síliqua, secos e bivalvares, deiscentes o que auxilia a dispersão das sementes que são aladas, de coloração marrom brilhante, sua coleta deve ser feita antes da abertura dos frutos pois possuem viabilidade curta, a espécie não possui dormência, sua germinação ocorre após 30 dias e o estimado é de 80% de brotamento.
Utilização:
A madeira do Ipê é extremamente resistente, flexivel e durável, sendo utilizada na fabricação de tacos, na construção civíl e naval (devido a sua resistencia a umidade), marcenaria, carpintaria.
Utilizada na arborização urbana, por seu belo espetáculo de flores, porem não é recomendado seu plantio em baixo de redes elétricas, em canteiros estreitos, próximo a dutos ou em locais de solo compactado pois suas raízes tendem a se direcionar para a superfície, nestes casos recomenda-se a espécie Tabebuia chrysotricha de menor porte.
Árvore Símbolo:
Houve um projeto de lei que visava declarar o Ipê árvore simbolo do Brasil, porém esse lugar foi ocupado pelo Pau-Brasil (Caesalpinia echinata), hove um novo projeto onde foi proposto o Ipê como flor símbolo do Brasil, este projeto foi arquivado na Câmara.
Referência:

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A guabiroba quase desapareceu na cidade de São Paulo

Fruta nativa do Cerrado, a guabiroba quase desapareceu na cidade de São Paulo

by Ricardo Cardim
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Tempo de guabiroba era a alegria de muitos paulistanos no passado. Os campos cerrados, nativos na cidade, ficavam com arbustos repletos dessa pequena goiabinha amarela de casca lisa, muito doce e não enjoativa, e bem diferente de seus primos goiaba e araçá.
Com o crescimento da metrópole nos últimos 50 anos, os campos cerrados praticamente desapareceram, e com eles, os pés de guabiroba (Campomanesia pubescens), já que é fruta "do mato" e não cultivada. Assim, sobreviveu na memória da infância dos mais velhos.
Com a moda crescente de plantas estrangeiras nos jardins e paisagismo, hoje é uma super raridade. Em São Paulo, você pode experimentar itens como trufas negras ou caviar beluga,  mas guabiroba não, por mais dinheiro que tenha.
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Onde sobrou os arbustos de guabiroba em São Paulo? Julgo que menos de 20 exemplares na malha urbana, espalhados nos trechos de cerrado do Campus da USP no Butantã (vários foram destruídos nesse ano pela absurda obra do Centro de Convenções), no Parque do Carmo e em um grande terreno baldio no bairro do Morumbi, perto do Clube Paineiras.
Coletamos uma pequena parte desses frutos (70% ficou para a fauna manter a espécie) e plantamos em nosso viveiro. Se der certo, a ideia é levá-la de volta para alguns parques da metrópole e reapresentá-la aos paulistanos.
Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados nativo nos campos cerrados paulistanos
Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados 
Ricardo Cardim
Ricardo Cardim | 04/12/2014 às 10:49 | Tags: arbustos ornamentaisarbustos para paisagismo,árvores frutíferasárvores veteranas de guerrabiodiversidadeCampomanesia pubescens,campos cerradoscampos de piratiningaespécies comestíveis do cerradoespécies para jardins,frutas de São Paulofrutas do campofrutas do cerradofrutas nativasfrutas rarasgabiroba,gabiroba do campogastronomia sustentávelguabirobaplantas ameaçadas de extinção em são pauloplantas ornamentais São Pauloplantas rarasveteranas de guerra | Categorias:arborização urbanaÁrvores de São PauloÁrvores históricas de São Pauloárvore urbana,árvoresárvores antigasárvores brasileirasárvores frutíferasárvores nativasárvores ornamentaisárvores veteranas de guerraBiodiversidade paulistanaBotânicacampos cerrados em São Paulocerrado em São Paulofrutas brasileirasmeio ambiente urbanomeio ambiente urbano em São Paulopaisagismopaisagismo sustentávelplantas nativasSão Paulo,sustentabilidade urbana | URL: http://wp.me/phu1c-1iS
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Corte de grama pode matar mudas de árvores!!!

O uso de  roçadeiras no corte de grama nas ruas e praças da cidade de porto alegre, tem causado danos no caule das mudas (como na foto abaixo) .Muitas morrem!!

Mas porque as mudas morrem?
O anelamento dos caules provoca interrupção do transporte no floema

 Apesar da colocação de tubos de PVC na proteção das mudas ser uma solução inteligente, as vezes eles desaparecem. Tenho cortado PETs e colocados nas mudas por  onde ando, isso salva algumas árvores. 
Rua Dona Paulina / muda seca por corte de grama


aaaaaaDesde o século XVII, já se tinha evidências experimentais de que o floema transporta substâncias importantes para o crescimento das plantas. Uma dessas evidências foi apontada por Marcelo Malpighi (1686), o qual chamou atenção para o intumescimento resultante do anelamento de troncos e galhos (Fig. 1).
Floema
FIGURA 1. Anel de Malpighi.
O intumescimento da região logo acima do anel evidencia que substâncias são transportadas pelo floema. Se o anelamento for realizado no caule principal, a falta de suprimentos provocará a morte das raízes e posteriormente do vegetal como um todo.
O floema é, portanto, a ponte que permite a passagem de suprimentos da parte aérea (produtos da fotossíntese) para as raízes. Esses suprimentos permitem que as raízes continuem exportando água e sais minerais para a parte aérea.
O intumescimento sugere que substâncias que antes eram transportadas para a região basal do vegetal passam a acumular devido à interrupção do transporte.
Outra evidência é a constatação de que plantas que sofrem anelamento do tronco principal morrem. A explicação para essa letalidade é que a falta de suprimentos vindos da parte aérea (produtos da fotossíntese) provoca a morte das raízes. Posteriormente, a parte aérea também morre, pois fica sem água e sais minerais derivados do sistema radicular.
O floema nada mais é do que a parte interna da casca das plantas com crescimento secundário (Fig. 2). Nas plantas com crescimento primário, o floema também ocupa a porção externa dos caules, exceção sendo feita para as gramíneas, cujos vasos de floema e xilema estão distribuídos em vários feixes dispersos no córtex. Contudo, em cada feixe, o floema também ocupa a porção mais externa.
Floema
FIGURA 2. Secção transversal de caules mostrando o crescimento primário e secundário.
O floema e o xilema primários são formados diretamente através da diferenciação do meristema apical. Floema e xilema secundário são formados pelo câmbio, o qual diferencia ao mesmo tempo células de floema para fora (centrifugamente) e células de xilema para dentro (centrípetamente).
Como conseqüência, o floema fica sempre na porção externa de plantas com crescimento secundário e o floema primário fica mais externo que o floema secundário. Desse modo, ao removermos os tecidos externos de um caule (casca), o floema será eliminado, mas o xilema não.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O guabiju, conheces?? mais uma nativa desconhecida

Extraído do site http://frutaspoa.inga.org.br/
Resultado de imagem para guabiju

guabira-guaçú, guabiroba-açú, arrayán indígena, guajabo negro. Em guarani: yguabi-jy (=fruta que se come) e ygua-pi-jy (=fruta de casca rija), guaviyiu ouguaiavayú (= fruto com penugem)
Nome Científico: Myrcianthes pungens (Berg) Legr.
Família Botânica: Myrtaceae

O guabiju, por causa da coloração quase negra da casca, é muitas vezes confundido com a jabuticaba, mas, ao contrário desta, não mostra os frutos aderidos ao tronco. Os frutos são bagas globosas, de coloração roxa-escura, recobertos por uma fina lanugem de casca áspera e resistente mesmo no fruto bem maduro.  A polpa tem cor e textura semelhante a da uva, bem equilibrada entre doçura e acidez e apresenta teor de água superior a 40%. Na maioria das vezes cada fruto contém uma semente; às vezes, duas grudadas. As sementes são marrons, uma ou duas por fruto e ocupam boa parte da polpa suculenta e esbranquiçada.
Seus frutos são muito apreciados pela avifauna e fauna silvestre em geral, o que torna esta espécie indicada para recuperação de áreas degradadas e para compor sistemas agroflorestais. O tempo de vida é estimado em torno dos 50 anos; em indivíduos jovens a frutificação tende a ser massiva.

Resultado de imagem para guabiju
Quanto à época de início de frutificação, a literatura traz informações bastante desencontradas que variam desde “os 4 anos de idade”, “entre 7 e 8” e “após 10 anos de vida”, por exemplo. A variabilidade genética é bastante alta, sendo encontrados indivíduos com florescimento e frutificação precoces ou tardios; com frutos grandes, com muita polpa e sementes pequenas e vice-versa, entre outras características. 
À semelhança de outras frutas nativas, o guabiju é tradicionalmente utilizado no ambiente doméstico para o consumo in natura- “da planta para a boca”- mas também na elaboração de doces, licores e curtido em cachaça. A colheita dos frutos deve ser feita com tesoura, para que parte do pedúnculo seja mantida junto ao fruto evitando que a casca se rompa. Colhido assim e mantidos em geladeira, conservam-se por vários dias.
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O fruto possui diversas vitaminas que auxiliam no combate a anemias. As folhas desta planta são popularmente utilizadas no tratamento de diarréias. O chá das cascas e das folhas é indicado para disenterias e para regular as funções intestinais. Indígenas kaiowá e guarani utilizam a casca para dores estomacais.

As flores são melíferas.
A casca, ramos e folhas têm propriedades taníferas. Tem um bom potencial ornamental por conta de sua massiva floração.  É uma espécie indicada para arborização rural e urbana, pois suas raízes não levantam a pavimentação e seu crescimento é lento.

É uma árvore que atinge até 15 metros de altura, formando copa baixa e arredondada quando em ambientes abertos, semidecídua. A maioria dos guabijuzeiros apresenta um só fuste, geralmente curto, levemente tortuoso e nodoso. A casca é lisa e desprende-se em placas, tal como a da goiaba vermelha, o que confere ao tronco um aspecto manchado, maculado. As folhas são verde-escuro, relativamente rígidas e providas de um espinho apical, que conferiu à espécie o epítetopungens, de pungente. Os ramos novos são pilosos e de aspecto aveludado. A nervação secundária, numerosa e bastante visível nas duas faces da lâmina foliar.

A propagação dá-se por sementes. Estas necessitam de luz para germinarem, sendo categorizadas como fotoblásticas positivas. A taxa de germinação inicia em torno de 30 ou 40 dias após semeadura. Sobre a taxa de germinação, não há consenso na literatura especializada: ora é considerada alta, ora média conforme os autores. Assim como no caso de outras mirtáceas, as sementes de guabiju não toleram dessecação e, segundo pesquisas, um mês de exposição ao ar é suficiente para ressecar o embrião, deixando-o escurecido e quebradiço. O período mais indicado para semeadura é entre fevereiro e abril. O crescimento é considerado bastante lento: mudas em torno de 6 meses de semeadura apresentam entre 7 e 10 cm de altura.

Floresce de setembro a dezembro e frutifica de fevereiro a abril.

Espécie pioneira, preferencialmente associada à interior de matas e beiras de cursos d’água.
Distribui-se desde o norte do Uruguai, Argentina, Bolívia e Paraguai. No BR ocorre de SP até o RS, nas Florestas Semideciduais de Altitude e nas bacias do Rio Uruguai e Paraná. Em nosso estado ocorre ainda na depressão central, no planalto e no Escudo Riograndense. Em Porto Alegre é espécie pouco freqüente.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES PARA TER ÁGUA DE QUALIDADE.

Pesquisadores explicam a importância das árvores para ter água de qualidade

Bacias hidrográficas recobertas por vegetação florestal fornecem água de qualidade durante o ano todo.
22 de agosto de 2016 • Atualizado às 18 : 08

A floresta ainda contribui para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. | Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Florestal (IF) comprovam que a presença de cobertura florestal em bacias hidrográficas promove a regularização do regime de rios e a melhora na qualidade da água. Os pesquisadores científicos da Seção de Engenharia Florestal, do IF, Valdir de Cicco, Francisco Arcova e Maurício Ranzini, embasaram suas teses de doutorado em pesquisas sobre a relação entre a floresta e a água, elucidando dúvidas e provando com números as suas proposições.
“As bacias hidrográficas recobertas por vegetação florestal são as que oferecem água com boa distribuição ao longo do ano, e de melhor qualidade”, enfatiza Arcova, engenheiro florestal, doutor em Geografia Física, pela Universidade de São Paulo, no IF desde 1985. Segundo ele, parte da água da chuva é retida pelas copas das árvores, evaporando em seguida em um processo denominado interceptação. A taxa de evaporação varia com a espécie, idade, densidade e estrutura da floresta, além das condições climáticas de cada região.
“Em florestas tropicais, a interceptação varia de 4,5% a 24% da precipitação, embora tenham sido registrados valores superiores a 30%”, explica. Os pesquisadores ainda dizem que as pesquisas realizadas nos laboratórios em Cunha, no parque Estadual da Serra do Mar, estimam o valor de  18% de interceptação. O restante da água alcança o solo florestal por meio de gotejamento de folhas e ramos ou escoando pelo tronco de árvores. No solo, a água infiltra-se ou é armazenada em depressões, não ocorrendo o escoamento superficial para as partes mais baixas do terreno, como aconteceria em uma área desprovida de floresta.
“O piso florestal é formado por uma camada de folhas, galhos e outros restos vegetais, que lhe proporciona grande rugosidade, impedindo o escorrimento superficial da água para as partes mais baixas do terreno, favorecendo a infiltração. Também a matéria orgânica decomposta é incorporada ao solo, proporcionando a ele excelente porosidade e, consequentemente, elevada capacidade de infiltração.”

Ilustração: Maurício Ranzini
Uma parcela da água infiltrada contribui para a formação de um rio por meio do escoamento subsuperficial, e outra, é absorvida pelas raízes e volta para a atmosfera pela transpiração das plantas. “A interceptação e a transpiração, ou a evapotranspiração, fazem a água da chuva voltar para a atmosfera não contribuindo para aumentar a vazão de um rio.”
Em florestas tropicais, a evapotranspiração varia de 50% a 78% da precipitação anual. Na pesquisa realizada em Cunha, esse número é de aproximadamente 30%. Os pesquisadores explicam que o remanescente da água infiltrada movimenta-se em profundidade e é armazenado nas camadas internas do solo e na região das rochas, alimentando os cursos de água pelo escoamento de base, isto é, do subsolo onde se localizam os lençóis freáticos.
A relação entre árvores e água varia de acordo com o tipo de floresta
Embora os processos que determinam os fluxos de água sejam semelhantes para as diferentes formações florestais, a magnitude desses processos, que depende das características da floresta, da bacia hidrográfica e do clima, influencia a relação floresta-produção de água (escoamento total do rio). Em florestas tropicais, a produção hídrica nas microbacias varia de 22% a 50% da precipitação. “Em Cunha, onde a evapotranspiração anual da Mata Atlântica é da ordem de apenas 30%, a produção de água pela microbacia é de notáveis 70% da precipitação”, afirma Francisco.

Esse mecanismo, em que a água percola o solo e alimenta gradualmente o lençol freático, possibilita que um rio tenha vazão regular ao longo do ano, inclusive nos períodos de estiagem. Nas microbacias recobertas com mata atlântica em Cunha, o escoamento de base é responsável por cerca de 80% de toda a água escoada pelo rio, fato que proporciona a elas um regime sustentável de produção hídrica ao longo de todo o ano.
Consequências da falta de vegetação
Ao contrário, em uma bacia sem a proteção florestal, a infiltração da água da chuva no solo é menor para alimentar os lençóis freáticos. O escoamento superficial torna-se intenso fazendo com que a água da chuva atinja rapidamente a calha do rio, provocando inundações. E, nos períodos de estiagem, o corpo-d’água vai minguando, podendo até secar.
Um outro fator drástico é que, enquanto nas bacias florestadas, a erosão do solo ocorre a taxas naturais, pois o material orgânico depositado no piso impedem o impacto direto das gotas de chuva na superfície do solo, nas áreas desprovidas de vegetação há um intenso processo de carreamento de material para a calha do rio aumentando a turbidez e o assoreamento dos rios.
Segundo Maurício, na microbacia recoberta com Mata Atlântica em Cunha, a perda de solo no rio é da ordem de 162 kg/hectare/ano. “Esse valor é muito inferior à perda de solo registrada para o estado de São Paulo, que varia de 6,6 a 41,5 t/hectare/ano, dependendo da cultura agrícola, algo como 12 toneladas num campo de milho, 12,4 toneladas numa área de cana-de-açúcar, chegando a até 38,1 toneladas numa plantação de feijão”, informa em tom de alerta.
A floresta representa muitos outros benefícios para os sistemas hídricos. Contribui, por exemplo, para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. Promove, ainda, a absorção de nutrientes pelas árvores, arbustos e plantas herbáceas evitando a lixiviação excessiva dos sais minerais do solo para o rio.
Fonte : CicloVivo