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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

As mudas de Ipê Amarelo da av da cavalhada



 NOVA AÇÃO:

ONTEM 16/10/2018 , coloquei alguns pedaços de cano PVC para proteção das mudas e aplicamos aproximadamente 30 gramas de  NPK 10.10.10 em cada uma delas.


Estas mudas que aparecem na foto são de ipê amarelo e segundo as imagens do google, devem ter sido plantadas em 2011. Crescimento muito lento, provavelmente devido a carência nutricional do solo e injúrias pela roçada da grama. No final de 2016, coloquei alguns pedaços de cano PVC para proteção das mudas e aplicamos aproximadamente 30 gramas de  NPK 10.10.10 em cada uma delas. Em um ano já visualizamos um crescimento.27/12/2017





Ipê-Amarelo-da-Serra (Tabebuia alba)

Classificação:
Reino Plantae
Divisão Magnoliophyta
Classe Magnoliopsida
Subclasse Asteridae
Ordem Lamiales
Família Bignoniaceae
Gênero Tabebuia
Espécie T. alba
Sinônimia botânica: Handroanthus albus (Mattos), Tecoma alba (Charm)
Nomes Populares: Ipê-do-Morro, Ipê-Amarelo-Cascudo, Aipé, Pau-d’arco-amarelo, Ipê-açu e etc
O nome:
O nome ipê-amarelo é utilizado para designar não uma mas várias espécies do gênero Tabebuia que em tupi-guaraní significa “pau que flutua”, é denominado pelos índios de Caxetá, o nome Ipê, também de origem tupi, significa “árvore de casca grossa”.
Caracteristícas:
Espécie nativa brasileira oriunda da região Sul e Sudeste abrangendo a Floresta Estacional Semidecidua, a Mata de Araucária e também o Cerrado, com crescimento rápido podendo alcançar até 30 metros de altura e 10 de diâmetro, sendo que hoje se estende por todo o território nacional devido a sua adaptabilidade. Seu tronco tem característica de crescimento retilíneo, porem pode apresentar curvaturas onde se ramificam por entre 5 e 8 metros de altura, possui suber fissurada grossa e de zoloração acinzentada.
Suas folhas são compostas tomentosas (pilosas), filotaxia oposta, com face superior verde e a inferior de coloração prateada, dispostas de 5 a 7 folíolos, com ápice pontiagudo, base arredondada e margem serreada. Forma uma copa larga e alongada na base.
Suas raízes são profundas e não possuem muita exigência de nutrientes, mas preferem solos úmidos com drenagem lenta, profundos e não muito ondulados.
A floração do Ipê-Amarelo e da maioria dos Ipês ocorre no mês de Agosto, no final do inverno, logo sua floração é influenciada por ele, assim quanto mais frio e seco o inverno maior a florada do Ipê. Suas flores dispostas em cachos são grandes, gamossépalas e gamopétas em número de 5, simetria zigomórfa, assumindo uma forma cônica, possui 4 estames epipétalos didínamos. Sua coloração amarelo-ouro chama a atenção de diversos polinizadores como beija-flores, e insetos de diversos portes incluindo a abelha Mamangava, polinizadora natural desta espécie e também do maracujá (Passiflora edulis).
Seus frutos são do tipo síliqua, secos e bivalvares, deiscentes o que auxilia a dispersão das sementes que são aladas, de coloração marrom brilhante, sua coleta deve ser feita antes da abertura dos frutos pois possuem viabilidade curta, a espécie não possui dormência, sua germinação ocorre após 30 dias e o estimado é de 80% de brotamento.
Utilização:
A madeira do Ipê é extremamente resistente, flexivel e durável, sendo utilizada na fabricação de tacos, na construção civíl e naval (devido a sua resistencia a umidade), marcenaria, carpintaria.
Utilizada na arborização urbana, por seu belo espetáculo de flores, porem não é recomendado seu plantio em baixo de redes elétricas, em canteiros estreitos, próximo a dutos ou em locais de solo compactado pois suas raízes tendem a se direcionar para a superfície, nestes casos recomenda-se a espécie Tabebuia chrysotricha de menor porte.
Árvore Símbolo:
Houve um projeto de lei que visava declarar o Ipê árvore simbolo do Brasil, porém esse lugar foi ocupado pelo Pau-Brasil (Caesalpinia echinata), hove um novo projeto onde foi proposto o Ipê como flor símbolo do Brasil, este projeto foi arquivado na Câmara.
Referência:

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A guabiroba quase desapareceu na cidade de São Paulo

Fruta nativa do Cerrado, a guabiroba quase desapareceu na cidade de São Paulo

by Ricardo Cardim
??????????
Tempo de guabiroba era a alegria de muitos paulistanos no passado. Os campos cerrados, nativos na cidade, ficavam com arbustos repletos dessa pequena goiabinha amarela de casca lisa, muito doce e não enjoativa, e bem diferente de seus primos goiaba e araçá.
Com o crescimento da metrópole nos últimos 50 anos, os campos cerrados praticamente desapareceram, e com eles, os pés de guabiroba (Campomanesia pubescens), já que é fruta "do mato" e não cultivada. Assim, sobreviveu na memória da infância dos mais velhos.
Com a moda crescente de plantas estrangeiras nos jardins e paisagismo, hoje é uma super raridade. Em São Paulo, você pode experimentar itens como trufas negras ou caviar beluga,  mas guabiroba não, por mais dinheiro que tenha.
??????????
Onde sobrou os arbustos de guabiroba em São Paulo? Julgo que menos de 20 exemplares na malha urbana, espalhados nos trechos de cerrado do Campus da USP no Butantã (vários foram destruídos nesse ano pela absurda obra do Centro de Convenções), no Parque do Carmo e em um grande terreno baldio no bairro do Morumbi, perto do Clube Paineiras.
Coletamos uma pequena parte desses frutos (70% ficou para a fauna manter a espécie) e plantamos em nosso viveiro. Se der certo, a ideia é levá-la de volta para alguns parques da metrópole e reapresentá-la aos paulistanos.
Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados nativo nos campos cerrados paulistanos
Um pé de guabiroba muito antigo, sobrevivente da época em que toda a região do Butantã e Morumbi eram campos cerrados 
Ricardo Cardim
Ricardo Cardim | 04/12/2014 às 10:49 | Tags: arbustos ornamentaisarbustos para paisagismo,árvores frutíferasárvores veteranas de guerrabiodiversidadeCampomanesia pubescens,campos cerradoscampos de piratiningaespécies comestíveis do cerradoespécies para jardins,frutas de São Paulofrutas do campofrutas do cerradofrutas nativasfrutas rarasgabiroba,gabiroba do campogastronomia sustentávelguabirobaplantas ameaçadas de extinção em são pauloplantas ornamentais São Pauloplantas rarasveteranas de guerra | Categorias:arborização urbanaÁrvores de São PauloÁrvores históricas de São Pauloárvore urbana,árvoresárvores antigasárvores brasileirasárvores frutíferasárvores nativasárvores ornamentaisárvores veteranas de guerraBiodiversidade paulistanaBotânicacampos cerrados em São Paulocerrado em São Paulofrutas brasileirasmeio ambiente urbanomeio ambiente urbano em São Paulopaisagismopaisagismo sustentávelplantas nativasSão Paulo,sustentabilidade urbana | URL: http://wp.me/phu1c-1iS
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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Corte de grama pode matar mudas de árvores!!!

O uso de  roçadeiras no corte de grama nas ruas e praças da cidade de porto alegre, tem causado danos no caule das mudas (como na foto abaixo) .Muitas morrem!!

Mas porque as mudas morrem?
O anelamento dos caules provoca interrupção do transporte no floema

 Apesar da colocação de tubos de PVC na proteção das mudas ser uma solução inteligente, as vezes eles desaparecem. Tenho cortado PETs e colocados nas mudas por  onde ando, isso salva algumas árvores. 
Rua Dona Paulina / muda seca por corte de grama


aaaaaaDesde o século XVII, já se tinha evidências experimentais de que o floema transporta substâncias importantes para o crescimento das plantas. Uma dessas evidências foi apontada por Marcelo Malpighi (1686), o qual chamou atenção para o intumescimento resultante do anelamento de troncos e galhos (Fig. 1).
Floema
FIGURA 1. Anel de Malpighi.
O intumescimento da região logo acima do anel evidencia que substâncias são transportadas pelo floema. Se o anelamento for realizado no caule principal, a falta de suprimentos provocará a morte das raízes e posteriormente do vegetal como um todo.
O floema é, portanto, a ponte que permite a passagem de suprimentos da parte aérea (produtos da fotossíntese) para as raízes. Esses suprimentos permitem que as raízes continuem exportando água e sais minerais para a parte aérea.
O intumescimento sugere que substâncias que antes eram transportadas para a região basal do vegetal passam a acumular devido à interrupção do transporte.
Outra evidência é a constatação de que plantas que sofrem anelamento do tronco principal morrem. A explicação para essa letalidade é que a falta de suprimentos vindos da parte aérea (produtos da fotossíntese) provoca a morte das raízes. Posteriormente, a parte aérea também morre, pois fica sem água e sais minerais derivados do sistema radicular.
O floema nada mais é do que a parte interna da casca das plantas com crescimento secundário (Fig. 2). Nas plantas com crescimento primário, o floema também ocupa a porção externa dos caules, exceção sendo feita para as gramíneas, cujos vasos de floema e xilema estão distribuídos em vários feixes dispersos no córtex. Contudo, em cada feixe, o floema também ocupa a porção mais externa.
Floema
FIGURA 2. Secção transversal de caules mostrando o crescimento primário e secundário.
O floema e o xilema primários são formados diretamente através da diferenciação do meristema apical. Floema e xilema secundário são formados pelo câmbio, o qual diferencia ao mesmo tempo células de floema para fora (centrifugamente) e células de xilema para dentro (centrípetamente).
Como conseqüência, o floema fica sempre na porção externa de plantas com crescimento secundário e o floema primário fica mais externo que o floema secundário. Desse modo, ao removermos os tecidos externos de um caule (casca), o floema será eliminado, mas o xilema não.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O guabiju, conheces?? mais uma nativa desconhecida

Extraído do site http://frutaspoa.inga.org.br/
Resultado de imagem para guabiju

guabira-guaçú, guabiroba-açú, arrayán indígena, guajabo negro. Em guarani: yguabi-jy (=fruta que se come) e ygua-pi-jy (=fruta de casca rija), guaviyiu ouguaiavayú (= fruto com penugem)
Nome Científico: Myrcianthes pungens (Berg) Legr.
Família Botânica: Myrtaceae

O guabiju, por causa da coloração quase negra da casca, é muitas vezes confundido com a jabuticaba, mas, ao contrário desta, não mostra os frutos aderidos ao tronco. Os frutos são bagas globosas, de coloração roxa-escura, recobertos por uma fina lanugem de casca áspera e resistente mesmo no fruto bem maduro.  A polpa tem cor e textura semelhante a da uva, bem equilibrada entre doçura e acidez e apresenta teor de água superior a 40%. Na maioria das vezes cada fruto contém uma semente; às vezes, duas grudadas. As sementes são marrons, uma ou duas por fruto e ocupam boa parte da polpa suculenta e esbranquiçada.
Seus frutos são muito apreciados pela avifauna e fauna silvestre em geral, o que torna esta espécie indicada para recuperação de áreas degradadas e para compor sistemas agroflorestais. O tempo de vida é estimado em torno dos 50 anos; em indivíduos jovens a frutificação tende a ser massiva.

Resultado de imagem para guabiju
Quanto à época de início de frutificação, a literatura traz informações bastante desencontradas que variam desde “os 4 anos de idade”, “entre 7 e 8” e “após 10 anos de vida”, por exemplo. A variabilidade genética é bastante alta, sendo encontrados indivíduos com florescimento e frutificação precoces ou tardios; com frutos grandes, com muita polpa e sementes pequenas e vice-versa, entre outras características. 
À semelhança de outras frutas nativas, o guabiju é tradicionalmente utilizado no ambiente doméstico para o consumo in natura- “da planta para a boca”- mas também na elaboração de doces, licores e curtido em cachaça. A colheita dos frutos deve ser feita com tesoura, para que parte do pedúnculo seja mantida junto ao fruto evitando que a casca se rompa. Colhido assim e mantidos em geladeira, conservam-se por vários dias.
Resultado de imagem para guabiju
O fruto possui diversas vitaminas que auxiliam no combate a anemias. As folhas desta planta são popularmente utilizadas no tratamento de diarréias. O chá das cascas e das folhas é indicado para disenterias e para regular as funções intestinais. Indígenas kaiowá e guarani utilizam a casca para dores estomacais.

As flores são melíferas.
A casca, ramos e folhas têm propriedades taníferas. Tem um bom potencial ornamental por conta de sua massiva floração.  É uma espécie indicada para arborização rural e urbana, pois suas raízes não levantam a pavimentação e seu crescimento é lento.

É uma árvore que atinge até 15 metros de altura, formando copa baixa e arredondada quando em ambientes abertos, semidecídua. A maioria dos guabijuzeiros apresenta um só fuste, geralmente curto, levemente tortuoso e nodoso. A casca é lisa e desprende-se em placas, tal como a da goiaba vermelha, o que confere ao tronco um aspecto manchado, maculado. As folhas são verde-escuro, relativamente rígidas e providas de um espinho apical, que conferiu à espécie o epítetopungens, de pungente. Os ramos novos são pilosos e de aspecto aveludado. A nervação secundária, numerosa e bastante visível nas duas faces da lâmina foliar.

A propagação dá-se por sementes. Estas necessitam de luz para germinarem, sendo categorizadas como fotoblásticas positivas. A taxa de germinação inicia em torno de 30 ou 40 dias após semeadura. Sobre a taxa de germinação, não há consenso na literatura especializada: ora é considerada alta, ora média conforme os autores. Assim como no caso de outras mirtáceas, as sementes de guabiju não toleram dessecação e, segundo pesquisas, um mês de exposição ao ar é suficiente para ressecar o embrião, deixando-o escurecido e quebradiço. O período mais indicado para semeadura é entre fevereiro e abril. O crescimento é considerado bastante lento: mudas em torno de 6 meses de semeadura apresentam entre 7 e 10 cm de altura.

Floresce de setembro a dezembro e frutifica de fevereiro a abril.

Espécie pioneira, preferencialmente associada à interior de matas e beiras de cursos d’água.
Distribui-se desde o norte do Uruguai, Argentina, Bolívia e Paraguai. No BR ocorre de SP até o RS, nas Florestas Semideciduais de Altitude e nas bacias do Rio Uruguai e Paraná. Em nosso estado ocorre ainda na depressão central, no planalto e no Escudo Riograndense. Em Porto Alegre é espécie pouco freqüente.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES PARA TER ÁGUA DE QUALIDADE.

Pesquisadores explicam a importância das árvores para ter água de qualidade

Bacias hidrográficas recobertas por vegetação florestal fornecem água de qualidade durante o ano todo.
22 de agosto de 2016 • Atualizado às 18 : 08

A floresta ainda contribui para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. | Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Florestal (IF) comprovam que a presença de cobertura florestal em bacias hidrográficas promove a regularização do regime de rios e a melhora na qualidade da água. Os pesquisadores científicos da Seção de Engenharia Florestal, do IF, Valdir de Cicco, Francisco Arcova e Maurício Ranzini, embasaram suas teses de doutorado em pesquisas sobre a relação entre a floresta e a água, elucidando dúvidas e provando com números as suas proposições.
“As bacias hidrográficas recobertas por vegetação florestal são as que oferecem água com boa distribuição ao longo do ano, e de melhor qualidade”, enfatiza Arcova, engenheiro florestal, doutor em Geografia Física, pela Universidade de São Paulo, no IF desde 1985. Segundo ele, parte da água da chuva é retida pelas copas das árvores, evaporando em seguida em um processo denominado interceptação. A taxa de evaporação varia com a espécie, idade, densidade e estrutura da floresta, além das condições climáticas de cada região.
“Em florestas tropicais, a interceptação varia de 4,5% a 24% da precipitação, embora tenham sido registrados valores superiores a 30%”, explica. Os pesquisadores ainda dizem que as pesquisas realizadas nos laboratórios em Cunha, no parque Estadual da Serra do Mar, estimam o valor de  18% de interceptação. O restante da água alcança o solo florestal por meio de gotejamento de folhas e ramos ou escoando pelo tronco de árvores. No solo, a água infiltra-se ou é armazenada em depressões, não ocorrendo o escoamento superficial para as partes mais baixas do terreno, como aconteceria em uma área desprovida de floresta.
“O piso florestal é formado por uma camada de folhas, galhos e outros restos vegetais, que lhe proporciona grande rugosidade, impedindo o escorrimento superficial da água para as partes mais baixas do terreno, favorecendo a infiltração. Também a matéria orgânica decomposta é incorporada ao solo, proporcionando a ele excelente porosidade e, consequentemente, elevada capacidade de infiltração.”

Ilustração: Maurício Ranzini
Uma parcela da água infiltrada contribui para a formação de um rio por meio do escoamento subsuperficial, e outra, é absorvida pelas raízes e volta para a atmosfera pela transpiração das plantas. “A interceptação e a transpiração, ou a evapotranspiração, fazem a água da chuva voltar para a atmosfera não contribuindo para aumentar a vazão de um rio.”
Em florestas tropicais, a evapotranspiração varia de 50% a 78% da precipitação anual. Na pesquisa realizada em Cunha, esse número é de aproximadamente 30%. Os pesquisadores explicam que o remanescente da água infiltrada movimenta-se em profundidade e é armazenado nas camadas internas do solo e na região das rochas, alimentando os cursos de água pelo escoamento de base, isto é, do subsolo onde se localizam os lençóis freáticos.
A relação entre árvores e água varia de acordo com o tipo de floresta
Embora os processos que determinam os fluxos de água sejam semelhantes para as diferentes formações florestais, a magnitude desses processos, que depende das características da floresta, da bacia hidrográfica e do clima, influencia a relação floresta-produção de água (escoamento total do rio). Em florestas tropicais, a produção hídrica nas microbacias varia de 22% a 50% da precipitação. “Em Cunha, onde a evapotranspiração anual da Mata Atlântica é da ordem de apenas 30%, a produção de água pela microbacia é de notáveis 70% da precipitação”, afirma Francisco.

Esse mecanismo, em que a água percola o solo e alimenta gradualmente o lençol freático, possibilita que um rio tenha vazão regular ao longo do ano, inclusive nos períodos de estiagem. Nas microbacias recobertas com mata atlântica em Cunha, o escoamento de base é responsável por cerca de 80% de toda a água escoada pelo rio, fato que proporciona a elas um regime sustentável de produção hídrica ao longo de todo o ano.
Consequências da falta de vegetação
Ao contrário, em uma bacia sem a proteção florestal, a infiltração da água da chuva no solo é menor para alimentar os lençóis freáticos. O escoamento superficial torna-se intenso fazendo com que a água da chuva atinja rapidamente a calha do rio, provocando inundações. E, nos períodos de estiagem, o corpo-d’água vai minguando, podendo até secar.
Um outro fator drástico é que, enquanto nas bacias florestadas, a erosão do solo ocorre a taxas naturais, pois o material orgânico depositado no piso impedem o impacto direto das gotas de chuva na superfície do solo, nas áreas desprovidas de vegetação há um intenso processo de carreamento de material para a calha do rio aumentando a turbidez e o assoreamento dos rios.
Segundo Maurício, na microbacia recoberta com Mata Atlântica em Cunha, a perda de solo no rio é da ordem de 162 kg/hectare/ano. “Esse valor é muito inferior à perda de solo registrada para o estado de São Paulo, que varia de 6,6 a 41,5 t/hectare/ano, dependendo da cultura agrícola, algo como 12 toneladas num campo de milho, 12,4 toneladas numa área de cana-de-açúcar, chegando a até 38,1 toneladas numa plantação de feijão”, informa em tom de alerta.
A floresta representa muitos outros benefícios para os sistemas hídricos. Contribui, por exemplo, para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. Promove, ainda, a absorção de nutrientes pelas árvores, arbustos e plantas herbáceas evitando a lixiviação excessiva dos sais minerais do solo para o rio.
Fonte : CicloVivo

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Presença de árvores reduz casos de câncer de pulmão em idosos

Fonte: jornal da USP

Estudo observou a relação entre arborização, material particulado e casos de câncer de pulmão em São Paulo


Árvores diminuem a quantidade de material particulado no ar pois agem como filtros de captação e absorção – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Pesquisas feitas no exterior já têm mostrado como as árvores urbanas afetam a qualidade do ar. Um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, por exemplo, concluiu que prédios cobertos por plantas poderiam diminuir em até 30% a poluição de uma cidade.
Agora a bióloga Bruna Lara de Arantes mostra, em seu mestrado, defendido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, a relação entre arborização, material particulado e casos de câncer de pulmão em idosos na cidade de São Paulo.
O estudo aponta que a presença de árvores diminui a quantidade de material particulado no ar. Em consequência disso, foi observada também uma redução nos casos de doenças respiratórias.
Para chegar a esse resultado, a pesquisadora cruzou dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), através de um convênio firmado com a professora Thaís Mauad e a médica Tiana Lopes.
Regiões mais centrais da cidade são mais ocupadas por construções, enquanto que 
 regiões mais afastadas têm mais árvores – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
“Basicamente nós escolhemos as estações de monitoramento do ar da Cetesb que estavam medindo material particulado em 2010”, explica Bruna. “O material particulado é um dos poluentes que mais afetam a respiração humana e também um dos mais absorvidos pelas plantas. Isso acontece porque ele tem um tamanho microscópico, de 10 microgramas por centímetro cúbico (µg/cm³), o que permite que ele passe pela nossa respiração sem ser filtrado.”
Além dos dados coletados pela Cetesb, Bruna passou a analisar como o entorno das estações de monitoramento é ocupado. Verificou se havia mais asfalto, construções, árvores ou gramado, identificando as espécies de plantas que habitam um raio de 100 metros da estação.
Em seguida, Bruna usou programas estatísticos para observar como as mortes por câncer de pulmão em idosos estavam distribuídas pela cidade e se tinham alguma relação com os dados atmosféricos encontrados pela Cetesb.

Mortes pela poluição

“Os dados apontam que a forma como você ocupa o solo na cidade influencia em 17% os casos de morte por câncer de pulmão em idosos”, afirma Bruna. Outros fatores de risco que devem ser considerados são a genética e o estilo de vida dos idosos.
O estudo também encontrou uma relação entre a ocupação da cidade por relvado ou asfalto e a região no município. Regiões mais centrais são mais ocupadas por construções, enquanto que regiões mais afastadas têm mais árvores. “Esse padrão já era observado na literatura da área, mas não havia dados quantitativos como os desta pesquisa”, ressalta.
O material particulado é um dos poluentes que mais afetam a respiração humana e 
também um dos mais absorvidos pelas plantas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Com os dados, foi possível concluir também que quanto mais afastado do centro da cidade e quanto maior for a quantidade de plantas no local, menos casos de câncer de pulmão são encontrados. “A saúde dessa população é favorecida”, pontua Bruna.
Ainda sim, a pesquisadora lembra que, pelo caráter exploratório da pesquisa, são necessários novos estudos sobre o assunto para afirmações mais concretas.
Segundo uma pesquisa publicada pela revista The Lancet, a poluição do ar foi responsável por mais de 70 mil mortes no Brasil.

Soluções

Além da importância acadêmica, o estudo também é de interesse da gestão pública. “Esses dados nos trazem evidências que, ao aumentar as áreas urbanas de gramados e árvores, há uma diminuição significativa da poluição do ar por material particulado”, defende a pesquisadora.
O estudo encontrou uma relação entre a ocupação da cidade 
por relvado ou
asfalto e a região no município – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Segundo o estudo, o aumento de 1% de gramado na cidade é capaz de diminuir 0.45 μg/cm³ de material particulado. Já o aumento de um metro quadrado de copa de árvore reduz 0.29 μg/cm³.
“A ação dos gramados está relacionada à possibilidade de maior circulação do ar, levando em conta que essas partículas são muito leves e facilmente dispersas”, explica. “Já as árvores agem como filtros de captação e absorção.”
A bióloga ainda destaca que regiões com muitas construções verticais ou bosques fechados podem ter pouca ventilação. Nesse caso, é interessante a substituição de prédios inutilizados pela construção de áreas de gramado, como parques, jardins e canteiros.

Mais informações: Bruna Lara de Arantes, e-mail blarantes@usp.br
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