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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Amendoim Forrageiro, PALATABILIDADE, CRESCIMENTO E VALOR NUTRICIONAL FRENTE AO PASTOREIO DE EQÜINOS ADULTOS



A leguminosa Arachis pintoi é uma excelente fonte de forragem para cavalos e pode estar associada com a maioria das gramíneas, mesmo as mais agressivas. 

Ela tem aceitação muito boa e excelente valor nutritivo. Os bons resultados obtidos neste estudo, em relação à persistência na associação ou na cobertura de solo e na nutrição de cavalos, indica essa espécie como boa opção para o criador brasileiro de cavalos. Essa planta tem grande tolerância ao pastoreio, devido à sua estrutura de crescimento ser protegida da boca do animal, diferentemente da maioria das leguminosas tropicais.

O Arachis pintoi (Amendoim Forrageiro Perene) é uma leguminosa herbácea perene, de crescimento rasteiro, hábito estolonífero, prostrado e lança estolões horizontalmente em todas as direções em quantidade significativa, cujos pontos de crescimento são bem protegidos do pastejo realizado pelos animais. Adapta-se bem em solos de baixa a média fertilidade e tolera aqueles com alta saturação de alumínio (ácidos), porém, responde bem à calagem e adubação fosfatada. É uma leguminosa de porte baixo, dificilmente ultrapassando 30-40 cm de altura, possui raiz pivotante, que pode alcançar 1,60 m de profundidade. As hastes são ramificadas, circulares, ligeiramente achatadas, com entrenós curtos e estolões que podem chegar a 1,5 m de comprimento. A planta floresce várias vezes ao ano, geralmente entre a 4ª e 5ª semana após a emergência das plântulas. Em condições de sombreamento, as plantas apresentam crescimento mais vertical, com maior alongamento do caule, maior tamanho e menor densidade de folhas (CALEGARI et al., 1995; LIMA, 2007; SUPRAREAL, 2007).
 
Uma característica que confere grande tolerância ao pastejo é a localização de seus pontos de crescimento que, geralmente, encontram-se bem protegidos do alcance da boca do animal, ao contrário da maioria das espécies de leguminosas tropicais, que tem seus pontos de crescimento facilmente removidos em condições de pastejo intenso. Assim, é possível manter uma área foliar residual, mesmo quando a planta é submetida a um pastejo contínuo e intenso. Com relação ao frio, à seca, ao encharcamento e às cigarrinhas, essa leguminosa apresenta tolerância média segundo relatos de Calegari et al. (1995) e Lima (2007).

As pragas mais comuns que atacam essa leguminosa são os crisomélidos (que consomem as folhas), formigas e algumas larvas de lepidópteros. A presença dessas pragas ocorre de forma localizada dentro das pastagens e não afeta a persistência e a sua produtividade (CALEGARI et al., 1995; LIMA, 2007).

Apesar de terem sido identificadas diversas doenças que atacam o amendoim forrageiro, até o momento estas não têm limitado sua produção. De acordo com Lima (2007), o Arachis pode ser usado tanto na consorciação com gramíneas, como para recuperação de pastagens puras em processos de degradação. Sua densa rede de entolhos tem impacto positivo no controle da erosão (CALEGARI et al., 1995). Por ser ainda uma leguminosa perene, age como fixadora de nitrogênio, que promove boa cobertura de solo e controla plantas invasoras. Assim, foi objetivo da pesquisa proporcionar outra alternativa forrageira para melhorar a qualidade nutritiva da alimentação fornecida aos eqüinos criados na Região Metropolitana de Curitiba.

CONCLUSÕES
Concluiu-se que Arachis pintoi, empregado isoladamente ou consorciado, teve grande aceitação pelos animais (boa palatabilidade), além de significativamente suprir as necessidades diárias, em função dos dados da análise bromatológica efetuada.

Fonte: http://www2.pucpr.br/reol/index.php/ACADEMICA?dd1=1871&dd99=view

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Pasto consorciado aumenta produção de carne em até 40%

Teor proteico elevado contribui para ganho de peso

Marina Salles





Há oito anos, Francisco Militão Matheus Brito começou a ter problemas com morte súbita de pasto em suas propriedades em Alta Floresta (MT), onde cultivava braquiária brizanta, conhecida como braquiarão. “No início era um ponto que secava aqui, outro ali, formava uma reboleira, mas o problema se agravou”, diz.

Passados quatro anos, o pecuarista precisou intervir. Iniciou um processo de reforma de pastagens quando já tinha em torno de 70% da área sob estresse. De acordo com o que se apurou na época, a morte súbita de pasto tem causas múltiplas, entre elas a ação de fungos, encharcamento da terra, superpastejo e mudança de uso do solo. Segundo o Instituto Centro de Vida, ONG que presta entre outros serviços assistência técnica a produtores que precisam reformar a pastagem, diante do comprometimento de 60% da área é necessário iniciar a substituição do capim.  

No caso de Francisco, outra motivação para trocar o brizantão pelo mombaça, capim do gênero Panicum, mais resistente, foi a intenção de aumentar a produtividade. Nos piores estágios de degradação, seu pasto não suportava mais de 0,7 unidades animais/ha. Hoje, ele conta que já alcança a média de 2,5 UA/ha nas áreas ainda em processo de reforma. 

Feita gradativamente, a implantação do mombaça custou R$ 2 mil por ha, incluídos custos com adubação e calcareamento. Não estão contabilizados aí gastos com infraestrutura. “O mombaça é mais exigente quanto aos nutrientes do solo, mas nos trouxe bons resultados e, agora, queremos seguir investindo no uso sustentável da pastagem”, afirma. O plano do criador é fazer testes com consórcios das gramíneas humidícola e estrela africana com amendoim forrageiro. O objetivo é diversificar as opções de pastagem e não ficar refém só de um capim.

“Consórcios de leguminosas com gramíneas são velhos conhecidos de produtores do Acre”, comenta o pesquisador da Embrapa, Judson Ferreira Valentim. No Estado, o surto da morte do braquiarão veio há mais tempo e, hoje, o amendoim forrageiro já é adotado em mais de 138 mil hectares de pastagem. A puerária, outra leguminosa, em mais de 450 mil ha. “Temos que estar preparados para o ataque seja de fungos, cigarrinhas ou lagartas. Fazer isso é ter alternativas para não perder todo o capim”, diz o pesquisador da Embrapa Acre.

Os benefícios do consórcio vão além. “Ele reduz o risco de ataque por pragas e doenças, mas também aumenta a qualidade da forragem, é suprimento nitrogenado para o capim e ainda encurta o tempo de terminação dos animais, diminuindo suas emissões de metano”, afirma Judson. Com a implantação de consórcios assim, o aumento na produção de carne e leite por hectare pode chegar a 40% em relação ao manejo tradicional.

A principal explicação é a melhora na nutrição animal. Por mais bem manejado que seja, o capim mombaça não apresenta teor de proteína bruta maior que 14%. Nas condições ambientais do Acre, o amendoim forrageiro cultivar Belmonte tem teor proteico entre 20 e 25%. Os animais engordam mais rápido e são abatidos mais cedo. “Enquanto em pasto puro o criador abate um boi Nelore após 36 meses, a pasto consorciado consegue abater aos 30. Se for cruzamento industrial, o tempo cai de 30 para 24 meses na média”, afirma Judson.

A alta digestibilidade da leguminosa reduz as emissões de metano em até 30%/kg/carne produzida e influencia no ganho de peso dos animais, diz o pesquisador. Na safra 2013/2014, com o amendoim forrageiro presente em 10% da área de pasto de humidícola, observou-se um incremento de produtividade de 18% no rebanho que ficou em pasto consorciado em relação àquele que ficou em pasto puro, só de gramínea. Em termos reais, o valor saltava de 278 kg/ha, em 101 dias de experimento, para 330 kg/ha. Já na safra 2014/2015, com a leguminosa tendo ocupado 25% da área, o incremento de peso foi de 45% na comparação do primeiro com o segundo grupo. O recomendado pela Embrapa é que a proporção entre capim e leguminosa seja de 70% um, 30% outro, respectivamente.

As combinações de espécies são muitas. Judson explica que o amendoim forrageiro, por exemplo, é mais indicado para a prática da pecuária intensiva do que a puerária. Por ser rasteiro, o amendoim resiste mais ao pisoteio e vai bem em sistemas rotacionados com taxas de lotação de 2 a 2,5 UA/ha. Também é uma planta que gosta de sombra e se desenvolve melhor nos períodos de seca quando consorciada ao capim. “A puerária já é diferente. Mais indicada para sistemas de pastejo contínuo com lotação de 1,5 UA/ha, é uma trepadeira e, se não resiste tanto ao pisoteio, por outro lado, pode ser consorciada com capins mais altos”, diz o pesquisador.
Para fazer a manutenção do pasto, principalmente na pecuária intensiva, o manejo do consórcio depende muito mais da altura do capim que de um tempo fixo de descanso dado aos piquetes (ver tabela abaixo).
Indicadores para uso consorciado de gramíneas com o amendoim forrageiro em sistemas de pasto rotacionado
Tipo de capim
Altura para entrada
dos animais
Altura para saída
dos animais
Brachiaria humidicola 30 cm  10-15 cm
Brachiaria brizantha 40-45 cm  20-25 cm
Estrela africana 40  cm 20 cm
Massai 60-70 cm 30 cm

O uso de variadas espécies é um trunfo com vantagens ilimitadas na mão do pecuarista. “O capim humidícola aguenta bem o pisoteio, o solo infértil, mas é menos nutritivo. Pode, então, ser uma boa opção para colocar vacas secas. No caso de uma boiada de terminação, vale a pena investir num Panicum, seja tanzânia, mombaça, ou cultivares novas, como zuri ou tamani”, indica Judson.
amendoim forrageiro
Quanto aos cuidados com o solo, as leguminosas acabam fazendo a maior parte do trabalho. Fixadoras de nitrogênio, adubam o pasto e promovem uma economia considerável. “Em uma pastagem com 30% de amendoim forrageiro consorciado você consegue incorporar até 60kg/N/ha/ano, o equivalente a 133 kg de ureia por ha”, afirma Judson. “Sem falar que elas não trazem despesas extras com máquinas ou operadores para fazer essa aplicação”, completa.
Custos
Corrigido pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), o custo de um hectare de pastagem consorciada (implantada em 2012) seria hoje de aproximadamente R$1.500. O valor compreende gastos com correção do solo, adubação, mão de obra e insumos.
Plantio das leguminosas
Em se tratando do amendoim forrageiro, o mais comum é que o produtor adquira as mudas e faça o cultivo em pequenos viveiros e sua posterior distribuição na pastagem.
Espécies comumente dispersadas por sementes podem ser plantadas a lanço ou direto no solo. Outra possibilidade é fazer a implantação com a ajuda do gado. “Para o produtor que não tem máquinas ou quer diminuir custos, uma prática válida é misturar sementes na ração. Ainda no rúmen dos animais acontece a quebra da dormência da semente e quando o gado defeca faz a distribuição delas ao acaso”, explica o pesquisador. Havendo um pastejo uniforme das áreas, a técnica se mostra eficiente.
Fonte: Portal DBO

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Restauração de solo do pomar com adubação verde usando amendoim forrageiro!!


O pomar do sítio tinha solo descoberto devido a capina e pastejo de animais.Solicitei várias vezes aos caseiros para plantar mudas de amendoim forrageiro, algumas poucas, mas sempre enrolavam dizendo ter esquecido, feito isso, aquilo, etc.... 

Após a saída do último caseiro em agosto de 2011, comecei a plantar algumas mudas e vejam só o que aconteceu depois de 3 anos! Uma cobertura excepcional no solo do pomar e já tenho uma fonte quase inesgotável de mudas, mesmo com a geada de -2 ºC do inverno de 2013, onde tudo ficou queimado.

 Também tenho utilizado o amendoim forrageiro na beira de um córrego que corta o sítio, para conter a erosão. Ele descompacta o solo pois as raízes chegam a 40 cm de profundidade. Serve para alimentação de galinhas, bovinos e equinos, conforme estudos científicos.

A fixação do nitrogênio do ar por esta leguminosa é fantástico e seu custo maior é a mão de obra no plantio, pois é muito difícil a coleta de sementes. Após 6 meses já podemos fazer mudas das plantas mães.

agosto 2011
novembro 2011


janeiro 2014

Quer adquirir mudas??? (Só para o RS)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

VALOR NUTRITIVO DO FENO DE AMENDOIM FORRAGEIRO


  Bom dia! 

 Mais um artigo sobre esta valiosa planta forrageira e recuperadora de solos. No sítio em Montenegro RS, ela contínua crescendo e melhorando o solo no meio do pomar de citrus. (vejam as fotos) .Estou vendendo algumas mudas de amendoim forrageiro para localidades próximas a porto alegre.

atenciosamente

alexandre panerai 


VALOR NUTRITIVO DO FENO DE AMENDOIM FORRAGEIRO EM DIFERENTES IDADES DE CORTE.

Publicado o: 28/08/2012
Qualificação:
Autor : GISELE MACHADO, ROSANA APARECIDA POSSENTI, EVALDO FERRARI JÚNIOR, VALDINEI TADEU PAULINO
Sumário


RESUMO: Realizou-se este trabalho visando à avaliação do teor de matéria seca em relação ao tempo de desidratação em galpão, o teor de proteína bruta, de matéria mineral, de fibra em detergente neutro e ácido e a digestibilidade in vitro da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte, em três idades de corte. O experimento foi instalado em área de 0,5 ha-1, já implantado com Arachis pintoi cv. Belmonte no Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso, com seis repetições. Os tratamentos avaliados foram três idades de corte (30, 60 e 75 dias de crescimento). Avaliou-se o teor de matéria seca do Arachis pintoi cv. Belmonte, com amostras coletadas nos tempos 0, 2, 4, 6, 8, 24 e 30 horas de desidratação em galpão. As características da forragem avaliadas foram fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido que se elevaram com o avanço da idade da planta. Houve decréscimo nos teores de proteína bruta e de matéria mineral. As idades de corte não tiveram efeito sobre a digestibilidade in vitro. Houve aumento no teor de matéria seca com o avanço na idade dos cortes, sendo que a perda de água ocorreu com maior velocidade nas primeiras horas de desidratação. O feno da leguminosa apresentou ótimas características nutricionais, com elevados teores de proteína bruta e teores de fibra adequados, sendo uma excelente opção de forrageira para ruminantes, mesmo nas idades de corte mais avançadas.
Palavras-chave: Arachis pintoi, forragem, nutrição animal.

INTRODUÇÃO
A determinação da composição químicobromatológica e da digestibilidade de forrageiras permite caracterizar a qualidade dos alimentos utilizados em dietas para ruminantes. Em países tropicais, como o Brasil, é de grande importância o conhecimento das forragens consumidas pelos animais, pois na maioria das vezes, os sistemas de produção adotados em explorações pecuárias são realizados à pasto.
A conservação das forrageiras é de extrema importância já que pode garantir boa qualidade nutricional do alimento mesmo em períodos secos. A fenação torna-se uma opção e tem como princípio básico a conservação do valor nutritivo da forragem por meio da rápida desidratação. REIS et al. (2001) afirmam que o uso do feno como sistema de conservação de forragem tem como vantagens: a possibilidade de armazenamento por longos períodos sem perdas no valor nutritivo, a produção e o uso em grande e pequena escala, a possibilidade de realizar processo mecanizado ou manual, além de permitir que as exigências nutricionais de diferentes categorias animais sejam atendidas.
O uso de leguminosas nas pastagens tropicais melhora a qualidade nutricional da forragem, eleva a fertilidade do solo, pela introdução de nitrogênio através da fixação biológica, reduzindo os custos com fertilizantes, e por possuírem teor mais elevado de proteína que as gramíneas tornam-se importante fonte proteica suplementar aos animais (BENEDETTI, 2005).
Leguminosas consorciadas com outras forrageiras como as gramíneas têm sido utilizadas na substituição de rações comerciais para a suplementação de animais (OLTRAMARI e PAULINO, 2009). Sua utilização como fonte de alimento para os ruminantes pode ser explorada no pastejo direto, em forma de feno ou silagem, sendo que a caracterização química dessas plantas pode auxiliar na escolha do melhor uso das mesmas para alimentação animal (GODOY, 2007).
Dentre as espécies leguminosas, o amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krap. & Greg.) destaca-se pela alta produção de forragem com boa qualidade, excelente adaptação a solos ácidos com baixa fertilidade e/ou drenagem deficiente, além de persistência, alta capacidade de fixação de nitrogênio e a densa camada de estolões enraizados que protegem os solos de efeitos erosivos das chuvas fortes. Possui alta tolerância ao pastejo devido a localização de seus pontos de crescimento que, geralmente, encontram-se bem protegidos e diferentemente de outras leguminosas tropicais que têm seus pontos de crescimento removidos em pastejo intenso. Devido a sua tolerância ao sombreamento tem sido muito estudada e o seu uso indicado em sistemas silvipastoris. Esta leguminosa apresenta resultados para digestibilidade da matéria seca entre 60% a 70%, com teores de proteína de 13% a 25%. Sendo alta a aceitabilidade dos animais por essa leguminosa, que em pastejo selecionam o A. pintoi durante todo o ano (SILVA, 2004). Sua grande produção de forragem de boa qualidade confere-lhe importância crescente entre as alternativas de melhorar a qualidade dos pastos cultivados nos trópicos (LADEIRA et al., 2002).
FERNANDES et al. (2002) avaliaram a qualidade da forragem de A. pintoi em área de várzea e encontraram valores médios para proteína bruta e digestibilidade in vitro de 21,88% e 66,48%, respectivamente. Segundo os autores, que avaliaram diversos cultivares de Arachis, o cv. Belmonte foi uma das forragens que apresentou melhor qualidade.
Com este trabalho objetivamos avaliar os teores de matéria seca em relação ao tempo de desidratação, de proteína bruta, de matéria mineral, de fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido e a digestibilidade in vitro da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte em três idades de corte.

MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi instalado em área de 0,5 ha-1, já implantado com Arachis pintoi cv Belmonte no Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo. O solo do local classificado como Argissolo Vermelho-amarelo, recebeu adubação com superfosfato simples (400kg ha-1), cloreto de potássio (250kg ha-1) após corte de uniformização realizado com cegadeira de forragem em 07 de novembro de 2007.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com seis repetições. Foram estudadas três idades de corte (30, 60 e 75 dias de crescimento), além de curva de desidratação. Os cortes para avaliação das forragens foram realizados nos dias 10/12/ 2006, 10/01/2007 e 25/01/2007. O corte para avaliação da forrageira para produção de feno foi realizado por volta das 09:00 horas, com moto-ceifadeira com lâmina frontal, regulada para altura de corte de 5 centímetros do solo aproximadamente. O material ceifado de cada parcela foi levado para um galpão coberto sem paredes laterais e espalhado sobre superfície cimentada para secagem. Escolheu-se utilizar o galpão para o processo de secagem, visto ser este período muito sujeito a mudanças climáticas.
Para determinação da curva de desidratação foram tomadas amostras a cada 2 horas a partir do momento do corte e no dia posterior, a saber: 09:00, 11:00, 13:00, 15:00 e 17:00 horas e 9:00 e 15:00 horas do dia posterior, as quais foram pesadas e colocadas em estufa para determinação de matéria seca a 65º C. Em todas as amostras foram estimados os teores de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), proteína bruta (PB), determinados de acordo com a A.O.A.C. (1995), fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA), segundo metodologias descritas em SILVA e QUEIROZ (2009); digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) conforme TILLEY e TERRY (1963).
Os dados foram submetidos à análise de variância e de regressão, por meio do PROC GLM e PROC REG, respectivamente, do programa Statystical Analyses System (SAS, 2006).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observou-se efeito quadrático para a variável matéria seca nas diferentes idades de corte em relação ao tempo de desidratação, havendo maior perda de água nas primeiras horas após o corte (Tabela 1). No processo de fenação as primeiras horas são essenciais, pois, quanto mais rápido ocorrer a secagem, menor será a perda do valor nutricional da forrageira.
Tabela 1. Resumo das análises de variância e de regressão do teor de matéria seca de Arachis pintoi cv. Belmonte em diferentes idades de corte, em função do tempo de desidratação em galpão
Na Figura 1 observa-se o efeito quadrático ocorrido sobre o teor de matéria seca em relação ao tempo de desidratação de 30, 60 e 75 dias de corte. A exposição em galpão para produção de feno mostrou-se eficiente e econômica na elevação do teor de matéria seca, já que a rápida desidratação ocorrida no amendoim forrageiro evidencia a importância do uso desta leguminosa. É uma boa alternativa para utilização em regiões que apresentam precipitações acima das médias normais esperadas, bem como em épocas que ocorrem incidências de chuvas atípicas e além do normal, para uma determinada região.
Na Tabela 2 é apresentado o resumo das análises de variância e de regressão para os teores de proteína bruta, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, matéria mineral e digestibilidade in vitro em relação às diferentes idades de corte. A variável digestibilidade in vitro não apresentou regressão significativa, levando a crer que não há grandes variações na digestibilidade, independentemente da idade de corte, demonstrando, assim a importância do acúmulo de biomassa nas diferentes idades de corte.
Para os teores de proteína bruta e fibra em detergente neutro o modelo matemático que melhor se ajustou foi o quadrático, a 5% de probabilidade. No entanto, observamos efeito do modelo linear (P<0 de="" mat="" mineral.="" o="" p="" para="" ria="" teor="">
Observamos que o teor de proteína bruta sofreu decréscimo com o aumento da idade da forrageira, estando de acordo com VAN SOEST (1994) que cita odeclínio nos nutrientes da planta com o avançar da idade. Os valores encontrados demonstram o elevado teor protéico desta leguminosa, caracterizando-a como boa opção de forrageira na alimentação de ruminantes. Comparando com dados da literatura, oamendoim forrageiro apresenta teor de proteína superior ao das gramíneas utilizadas como forrageiras, e superior também ao teor de outras leguminosas, corroborando com pesquisa de FERNANDES et al. (2000) que observaram média de 21,88% de PB. No entanto, demonstraram- se superiores aos encontrados por LADEIRA et al. (2002), BAPTISTA et al. (2007) e SILVA et al. (2009) com teores médios de 14,3%, 17,64% e 18,0%, respectivamente. Superiores também aos resultados encontrados para estudo com soja perene, avaliada por PADUA et al. (2006), obtendo teores médios de 16,46%.
Figura 1. Teores de matéria seca (%) do feno de Arachis pintoi cv. Belmonte em função do tempo de desidratação em galpão (horas). Barras verticais indicam o erro padrão (n=6, *P<0 .05="" p="">
Tabela 2. Resumo das análises de variância e de regressão dos teores de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e matéria mineral (MM) do feno de Arachis pintoi cv. Belmonte, em função das idades de corte, com base na matéria seca

Os teores de FDN e FDA, como esperado, se elevaram com a idade da planta, dificultando o consumo e a digestibilidade da forragem, já que as mesmas expressam parte da fração indigestível contida na parede celular vegetal: a lignina. SILVA et al. (2009) encontraram valores semelhantes aos deste estudo com teores de 46,9% para FDN e 30,7% para FDA. AFFONSO et al. (2007) obtiveram resultados inferiores para FDN e semelhantes para FDA com idade de corte de 183 dias, ou seja, bem acima das idades avaliadas neste estudo. O teor de fibra da forragem é determinante na qualidade da dieta fornecida ao animal e tem a função de proteger o conteúdo celular e dar sustentação às plantas (CARVALHO et al., 2003). Baixo teor de fibra em forrageiras significa maior consumo, devido ao menor enchimento físico do rúmen, e também maior digestibilidade pelo fato desta fração possuir a maior parte dos componentes que não são digeridos (LADEIRA et al., 2002). Portanto, torna-se necessário o seu conhecimento para a escolha da melhor idade de corte para que seu fornecimento aos animais não limite o consumo.
No presente estudo foram verificados maiores concentrações de minerais do que os obtidos por BAPTISTA et al. (2007) e MORGADO et al. (2009) respectivamente de 7,5 e 7,9%. Em relação as outras leguminosas a cv Belmonte apresentou maiores teores de matéria mineral. PADUA et al. (2006) avaliando feno de macrotiloma (Macrotyloma axillare) kudzu tropical (Pueraria phaseoloides), e soja perene (Neonotonia wightii) com médias de 4,3%, 5,5% e 5,1%, respectivamente.
CONCLUSÕES
O feno da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte apresentou ótimas características nutricionais, com elevados teores de proteína bruta e teores de fibra adequados, sendo uma excelente opção de forrageira para ruminantes, mesmo nas idades de corte mais avançadas.
O processo de fenação mostrou-se eficiente na conservação da forragem, mantendo o valor nutritivo do material fenado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A. O. A. C. Official methods of analysis. Washington: Association of Official Analytical Chemists, 1995. 1051p.
AFFONSO, A. B.; FERREIRA, O. G. L.; MONKS, P. L.; SIEWERDT, L.; MACHADO, A. N. Rendimento e valor nutritivo da forragem outonal de amendoim-forrageiro. Ciência Animal Brasileira, v. 8, n. 3, p. 385-395, 2007.
BAPTISTA, C. R. W.; MORETINI, C. A.; MARTINEZ, J. L. Arachis pintoi, palatabilidade, crescimento e valor nutricional frente ao pastoreio de equinos adultos. Revista Acadêmica, v. 5, n. 4, p. 353-357, 2007.
BENEDETTI, E. Leguminosas na produção de ruminantes nos trópicos. Uberlândia: EDUFU, 2005. 118p.
CARVALHO, F. A. N.; BARBOSA, F. A.; McDOWELL, L. R. Nutrição de bovinos a pasto. Belo Horizonte: PapelForm, 2003. 438p.
FERNANDES, F. D. et al. Produção e qualidade da forragem de Arachis spp. em área de várzea em Planaltina, DF. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 39., 2002, Recife. Anais... Recife: SBZ, 2002. Disponível em:
GODOY, P. B. Aspectos nutricionais de compostos fenólicos em ovinos alimentados com leguminosas forrageiras. 2007, 90p. Tese (Doutorado) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz". Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2007.
LADEIRA, M. M. et al. Avaliação do feno de Arachis pintoi utilizando o ensaio de digestibilidade in vivo. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 31, n. 6, p.2 350-2356, 2002.
MORGADO, E. S. et al. Digestão dos carboidratos de alimentos volumosos em eqüinos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n. 1, p. 75-81, 2009.
OLTRAMARI, C. E.; PAULINO, V. T. Forrageiras para gado leiteiro. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia, 2009. (Produção Técnica do Curso de produção animal sustentável).
PADUA, F. T . et al. Produção de matéria seca e composição químico-bromatológica do feno de três leguminosas forrageiras tropicais em dois sistemas de cultivo. Ciência Rural, v. 36, n. 4, p. 1253-1257, 2006.
REIS, R. A.; MOREIRA, A. L.; PEDREIRA, M. S. Técnicas para produção e conservação de fenos de forrageiras de alta qualidade. In: SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO E UTILIZAÇÃO DE FORRAGENS CONSERVADAS, 1., 2001, Maringá. Anais... Maringá: UEM/CCA/DZO, 2001. 319p.
SAS Institute, SAS/STAT version 9.1, SAS Institute, Cary, NC, SAS Institute, 2006.
SILVA, D. J.; QUEIROZ, A. C. Análise de alimentos: métodos químicos e biológicos,. 3. ed. Viçosa: UFV, 2009. 235p.
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SILVA, V. P. et al. Digestibilidade dos nutrientes de alimentos volumosos determinada pela técnica dos sacos móveis em equinos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n. 1, p.82-89, 2009.
TILLEY, J. M. A.; TERRY, R. A. 1963 A two stage technique for the in vitro digestion of forage crops. Journal Brithish Gassland Society, v. 18, p. 104–111.
VAN SOEST, J. Nutritional ecology of the ruminal. Ithac: Cornel University Press, 1994. 476p.


Autor/s.
GISELE MACHADO FERNANDES

Sao Paulo, Brasil
Engenheiro Agrônomo

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Esta é uma leguminosa perene que vem ganhando destaque! Amendoim-forrageiro (Arachis pintoi)

Fonte: EMBRAPA

Nome comum Amendoim-forrageiro
Nome científico Arachis pintoi
Época Verão
Família Leguminosa
Ciclo de vida Perene
Descrição Esta é uma leguminosa perene que vem ganhando destaque por sua alta produção e qualidade, capacidade de competir com invasoras e de sobreviver ao inverno. Diferente de outras leguminosas, não causa problemas de timpanismo no gado. É multiplicada principalmente por mudas, pois as sementes são mais difíceis de encontrar no mercado e possuem preço elevado. Os ramos e estolões (ramos enraizados) são utilizados como mudas e plantados em covas com espaçamento de 50 x 50cm e 15 cm de profundidade. Quando são utilizadas sementes, a quantidade é de 8 a 12 kg por hectare. As variedades existentes no Brasil são Alqueire-1, Amarillo e Belmonte. O amendoim forrageiro pode ser usado em cultivo solteiro, em consorciação com gramíneas perenes de verão como as gramas bermuda, o capim-elefante anão, a hemártria e o capim-nilo, ou ainda com gramíneas anuais de inverno, como a aveia e o azevém. Com as espécies de verão, pode ser implantado junto ou sobre pastagens já estabelecidas. Já as gramíneas de inverno devem ser semeadas em sulcos (plantio direto) sobre a pastagem de amendoim forrageiro já estabelecida. Outra possibilidade é realizar o plantio de mudas de amendoim no início do outono, semeando junto o azevém.  

 


Mudas em estolões para Porto Alegre e RS

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Amendoim forrageiro ou Grama amendoim é ideal para ser cultivada em taludes e terrenos muito acidentados.

Grama amendoim, amendoim rasteiro, amendoinzinho e amendoim-forrageiro, conhecido por diversos nomes diferentes esta espécie leguminosa trata-se de uma planta rasteiras que apresente folhas na cor verde escuras em formato oval que nascem em pares com pequenas flores amarelas, que nascem durante toda a primavera e verão.



A espécie apresenta raízes entrelaçadas e profundas, que atingem de 10 á 30 cm de cumprimento; O que auxilia no combate da erosão e cria no terreno uma resistência contra deslizamentos. Essa característica torna a grama amendoim ideal para ser cultivada em taludes e terrenos muito acidentados.
Com raiz muito comprida a grama amendoim busca nutrientes e água no fundo do solo e com isto, tolera períodos extensos sem irrigação.
O sistema radicular da planta produz seu próprio nitrogênio, nutriente essencial para a formação das folhas. Assim só é necessário adubar a planta se quiser estimular a floração.
Com um desenvolvimento e rebrote muito rápidos a grama amendoim desempenha muito bem o papel de proteção contra ervas daninhas, com uma altura média de 30 cm, dispensa podas periódicas e assim reduz gastos com manutenção. Sua densa folhagem garante que o solo receba pouca ou nenhuma luz solar, impedindo que as ervas daninhas cresçam; Embora rústica em alguns aspectos apresenta resistência a geada, cultivo em sombra e pisoteio.
A grama amendoim se desenvolve muito bem em solos ácidos e com média ou pouca fertilidade e é utilizada para fazer correção de acidez do solo e na recuperação de solos muito degradados.
Ambiente ideal para o cultivo da grama amendoim:
  • A grama amendoim é muito utilizada em plantações de hortaliças e pomares devido aos grandes benefícios que ela traz ao solo e as plantas, onde ajuda reter umidade e fixar o nitrogênio no solo e realiza a adubação natural do solo, além de fazer a correção do pH da terra. Sendo considerada um adubo vivo ou adubo verde.
  • Na pastagem para gado, pois possui alto valor nutritivo.
  • Cultivo em gramado, pois é uma espécie bastante ornamental, introduzida na forma de forração, se adapta bem ao clima de todas as regiões do Brasil.

Dicas para o cultivo saudável da grama amendoim:

  • Cultive sob sol pleno ou meia sombra, porém a grama amendoim é uma planta que tolera bem o frio.
  • Regue a planta a cada 15 dias, pois a planta apresenta grande resistência a falta d’água.
  • A planta pode ser cultivada em solo pobre e ácidos.
  • Realize mudas através de divisão de ramagens.
  • Faça a poda de contenção da planta se houver necessidade, entre os meses de maio até agosto.
  • Adube com fertilizante rico em fósforo. Se desejar estimular a floração da planta.
Planta rasteiras que apresente folhas na cor verde escuras em formato oval que nascem em pares.

Grama amendoim é ideal para ser cultivada em taludes e terrenos muito acidentados.

FONTE: http://terracotajardinagem.com.br/?p=7712


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Adubação verde com leguminosas



CROTALÁRIA ou guizo de cascavel
A adubação verde é uma prática agrícola que consiste no plantio de espécies capazes de reciclar os nutrientes presentes no solo para torná-lo mais fértil e mais produtivo. O uso de adubos verdes pode reduzir o uso de fertilizantes minerais, garantindo a conservação dos recursos naturais.
Durante o programa, a equipe da Embrapa Agrobiologia (Seropédica - RJ) trará informações sobre como fazer a adubação verde com leguminosas. Essa prática permite uma economia considerável para o pequeno produtor, pois reduz ou até elimina o uso de fertilizantes minerais, produtos caros. Para fazer uma boa adubação verde o agricultor deve escolher espécies adequadas para o tipo de clima, solo e sistema de manejo das plantas.
Arachis Pintoi ou amendoim forrageiro
As raízes das leguminosas extraem vários nutrientes das camadas mais profundas do solo, puxando-as para a superfície. Com isso, essas plantas aumentam a matéria orgânica presente naquela área, contribuindo para a conservação ambiental, retenção de água e redução da erosão.

ESCUTE O PROGRAMA EM: http://hotsites.sct.embrapa.br/prosarural/programacao/2006/adubacao-verde-com-leguminosas

2006/10/25 20:00:00 GMT+0
15'
Ana Lucia Ferreira (MTB 16913/RJ)
Email: analucia@cnpab.embrapa.br
Telefone: (21) 2682-1500
Embrapa Agrobiologia

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Cultivo de amendoim forrageiro ocasionando problemas.

Sabem formamos uma pastagem de amendoim forrageiro em um sítio de Itapuã, no entanto os animais ( aves e equinos) não pastam, preferindo outras gramíneas. O que fazer???


A propriedade cultiva hortaliças com canteiros cobertos com lona plástica para facilitar o controle de plantas espontâneas, no entanto o amendoim forrageiro cresce tanto ao ponto de cobrir toda a lona, sufocando as hortaliças. O que fazer???


Estamos pesquisando métodos de controle do amendoim forrageiro, por isso toda a sugestão é bem vinda.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

EMBRAPA: Projeto investe no melhoramento genético do amendoim forrageiro!




Foto: Diva Gonçalves
Diva Gonçalves - Amendoim forrageiro - Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Acre
Amendoim forrageiro - Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Acre
Pesquisadores da Amazônia e outras regiões brasileiras buscam alternativas para melhorar a capacidade produtiva e de adaptação a diferentes condições de clima e solo, de uma das principais leguminosas utilizadas em pastagens consorciadas no País. O trabalho em rede, realizado por meio do projeto "Desenvolvimento de cultivares de amendoim forrageiro para uso em sistemas sustentáveis de produção pecuária", desenvolvido pela Embrapa, visa tornar o uso dessa planta mais acessível ao produtor rural e contribuir para intensificar a produção de carne e leite a pasto nos diferentes biomas.
O amendoim forrageiro é uma planta com alta capacidade de fixar nitrogênio no solo e elevado teor de proteína, representando uma excelente alternativa para o consórcio com gramíneas. "A associação com essa leguminosa favorece a produção de forragem, proporciona aumento da longevidade das pastagens e melhora a qualidade da dieta animal, com reflexos positivos na produtividade do rebanho. Estes fatores contribuem para a sustentabilidade econômica e ambiental da atividade pecuária", diz a pesquisadora da Embrapa Acre, Giselle Lessa, líder do projeto.
Entre 2011 e 2015, durante a primeira etapa do projeto em andamento, uma equipe de pesquisadores trabalhou na avaliação de plantas (acessos) coletadas livremente na natureza. Os estudos realizados no Acre, Rondônia, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal confirmaram que o amendoim forrageiro pode ser cultivado tanto em regiões quentes e úmidas como em localidades mais frias, em níveis variados de precipitação e em solos bem drenados ou encharcados.
Executadas no âmbito do Programa de Melhoramento Genético da espécie, coordenado pela Embrapa Acre, as pesquisas contam com a participação da Embrapa Rondônia, Amazônia Ocidental, Amazônia Oriental, Cerrados, Gado de Corte, Gado de Leite, Pecuária Sudeste, Pecuária Sul e Clima Temperado. A Associação para Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), entidade que congrega 31 empresas do setor de produção de sementes, também é parceira na iniciativa. 
Pioneirismo
As pesquisas em andamento contemplam duas espécies de amendoim forrageiro que só ocorrem no Brasil (Arachis pintoi e Arachis   repens). Além de materiais genéticos oriundos do Banco Ativo de Germoplasma localizado na Embrapa Acre, também são estudados híbridos da espécie com o objetivo de desenvolver plantas com caraterísticas capazes de atender a demandas específicas dos estados.
A segunda etapa desse trabalho começou no final do ano passado com foco na continuidade das ações para lançamento de cultivares propagadas por mudas e por sementes e na obtenção de híbridos com características genéticas que atendam a demandas diversas da atividade pecuária. Os estudos enfatizam aspectos como resistência a doenças, tolerância ao alagamento e à seca, além da capacidade de persistência e compatibilidade da leguminosa no consórcio com gramíneas.
Para Giselle Lessa, o grande diferencial do projeto é o pioneirismo das pesquisas em processos de hibridação artificial do amendoim forrageiro. Esse esforço resultará nas primeiras linhagens da espécie oriundas de cruzamentos direcionados, ou seja, plantas com características genéticas que praticamente não sofrem alterações no processo de reprodução. "A partir desse material é possível obter cultivares com caraterísticas desejáveis para o mercado consumidor. Cada localidade tem suas particularidades e, pensando nisso, buscamos desenvolver plantas mais adaptadas ao clima e ao solo de diferentes biomas", afirma.
Desafios
Estudos recentes sobre a atividade pecuária no Brasil indicam uma tendência de mudança dos sistemas intensivos de produção, que utilizam a pastagem como base da alimentação do rebanho, para arranjos mais sustentáveis e competitivos, nas diversas regiões, com manutenção da característica de produção a pasto. Este tipo de arranjo tem como um dos pilares a associação de gramíneas e leguminosas forrageiras bem adaptadas e produtivas, capazes de fornecer aos animais os nutrientes necessários para a produção de carne ou leite economicamente viável, entretanto, ainda são poucas as opções de leguminosas disponíveis para o mercado consumidor.
No caso do amendoim forrageiro, outra limitação para expansão do seu uso é o alto preço das sementes, 100% importadas de outros países. Segundo Giselle Lessa, os resultados das pesquisas em andamento podem mudar essa situação, com a oferta de cultivares nacionais propagadas por mudas e por sementes, para atendimento a particularidades regionais. Embora essa etapa tenha avançado, o trabalho de melhoramento genético da espécie é um processo de longo prazo e com muitos desafios. Além de investir no desenvolvimento de novas cultivares, o projeto avalia materiais genéticos quanto à produtividade e tamanho das sementes. "Estes fatores podem reduzir a taxa de semeadura na implantação de pastagens consorciadas e diminuir custos para o produtor rural", esclarece a pesquisadora.
Em outra frente de atuação, o projeto viabiliza estudos voltados para a definição e recomendação de um método de preparo pré-colheita de sementes de amendoim forrageiro, elaboração de um sistema de produção comercial de sementes e definição de coeficientes técnicos e custos de produção de sementes em sistema mecanizado, aspectos também considerados essenciais para ampliar o uso da leguminosa.
Colhedora de sementes
As pesquisas com amendoim forrageiro envolvem outros projetos em andamento na Embrapa Acre. Um deles, executado em parceria com a Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos/SP) e Unipasto, tem por objetivo o desenvolvimento de uma máquina colhedora de sementes. Uma série de testes realizados com um protótipo já existente geram informações para subsidiar a elaboração de um novo equipamento.
Segundo o pesquisador Judson Valentim, responsável pelos estudos, o objetivo é alcançar eficiência operacional superior a 90% do banco de sementes. Ele acredita que a colheita mecanizada reduzirá a demanda por mão-de-obra e as perdas de sementes, tornando o processo menos oneroso e mais eficiente. "Isso permitirá ao mercado ofertar sementes de qualidade a preços acessíveis aos produtores rurais e contribuirá para a adoção em larga escala do amendoim forrageiro na recuperação de pastagens degradadas e na formação de áreas consorciadas destinadas a sistemas pecuários intensivos e de integração lavoura-pecuária-floresta na Amazônia Legal", afirma.
Diva Gonçalves (Mtb-0148/AC) 
Embrapa Acre 
Telefone: (68) 3212-3250
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dicas bacanas para evitar a erosão do barranco


erosao
Hoje é dia de dicas bacanas – e de lidar com o risco de erosão em terrenos que sofreram cortes

Tânia Rabello
O pessoal que faz terraplanagem – ou terraplenagem? – geralmente não está nem aí. Quando fazem cortes no terreno como o da foto – que, inclusive, devem ser autorizados pela entidade ambiental oficial local, é bom lembrar -, deveriam pensar em um meio de evitar a erosão natural do terreno cortado. Fazem o corte e deixam tudo lá, aí o barranco cortado, a terra nua, vira literalmente um escorregador de água. E de terra. Estou falando isso porque no sítio de uma amiga minha ela estava enfrentando um problemão no barranco, quando chovia. A terra vinha abaixo mesmo, ajudando a assorear os cursos d’água da região. Com algumas dicas, inclusive do colaborador do Portal Orgânico, o Guaraci Diniz (que escreve todas as quintas-feiras neste blog, contando a rotina do seu sítio, o Sítio Duas Cachoeiras), está sendo possível evitar a erosão do barranco e ainda fazer um paisagismo bacana por ali. A foto mostra o barranco já em fase de recuperação, com degraus cortados na própria terra, que em breve receberão vegetação. Já falo da vegetação, aliás.

 
Amendoim forrageiro
Amendoim forrageiro
Bem, o jeito certo de fazer é o seguinte: deve-se medir a altura máxima do barranco, dividir esta altura em 4 e marcar as linhas onde deverão ser feitos vários degraus neste barranco. Com enxada mesmo é possível fazer isso. A largura do degrau deve ser de uns 40 centímetros. O grande segredo é que a plataforma de cada degrau deve ser inclinada para dentro do barranco. Isso porque quando a água desce morro abaixo e cai no degrau, em vez de escorrer pro próximo degrau (formando uma cachoeira na escada), ela fica represada no degrau e sua infiltração na terra fica facilitada. Ou seja, mais água escorre para o fundo da terra, o que ajuda a encher o lençol freático e facilita a conservação da água e o surgimento de nascentes. Essa inclinação também serve para diminuir a velocidade da água – água que corre veloz carrega mais terra e ajuda no processo da erosão.
gramado de amendoim forrageiro

Feitos os degraus, agora é hora de plantar. Guaraci Diniz recomendou semear, em linhas, aveia preta e amendoim forrageiro. Uma linha de aveia preta e na linha seguinte, a 20 cm de distância uma da outra, o amendoim forrageiro. A aveia preta cresce rápido, vai enraizar, cobrir o barranco e protegê-lo rapidamente enquanto o amendoim forrageiro, de crescimento mais lento, porém perene, trata de se espalhar sobre a superfície. O amendoim forrageiro é inclusive ornamental. Dá umas florzinhas amarelas lindas. Quando o barranco estiver lindo, já “reflorestado”, mando outra foto para vocês verem a diferença. Se tiverem alguma dúvida e quiserem fazer o mesmo, é só entrar em contato com a gente, no Portal Orgânico.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

As leguminosas por fora e por dentro. Como funciona a adubação verde.

As plantas leguminosas, recentemente classificadas pelos botânicos como fabáceas, são espécies fundamentais, quer pelo seu valor nutritivo (saiba mais), quer pela fixação biológica do nitrogênio em simbiose com a bactéria do género Rhizobium.

produção agrícola e a agricultura biológica (saiba mais) em particular devem fomentar este mecanismo natural como alternativa à síntese química de amoníaco no fabrico de adubo nitrogenado, uma reação que consome muita energia e que torna o "nitrogênio do saco” o fator de produção agrícola mais dispendioso em energia e mais poluente, com muitas emissões de gases com efeito de estufa. Recentemente chegou-se à conclusão que o fabrico de adubos químicos (azotados e outros) tem uma emissão de gases poluentes quase tão grande como as dos combustíveis nos diversos transportes com motores de combustão.

Figura 1 – Fava-ratinha ou faveta (Vicia faba var. minor), semeada para adubação verde (Ferreira do Zêzere, Outubro 2015)
cultura de leguminosas pratica-se pelo menos desde a antiguidade egípcia e desde então que se reconhece que estas plantas melhoram o solo. O grego Teofrasto escreveu que as leguminosas tinham "um carácter regenerador do solo mesmo semeadas bastas e produzindo muito fruto”.

Mas só em 1886 Hellriegel e Wilfarth demonstram que as leguminosas noduladas fixam nitrogênio, ou melhor que as bactérias rizóbio presentes no interior dos nódulos transformam nitrogênio gasoso em amónio (N2 + 3H2 -> 2NH3). É um processo com resultado semelhante ao da fábrica de amoníaco (saiba mais), mas em que a fonte de energia é mais limpa – os açúcares produzidos pela planta através da fotossíntese. Na produção industrial, para transformar a molécula gasosa de N2 em amoníaco, é preciso uma temperatura da ordem dos 500ºC e uma pressão de 200 a 400 atmosferas. Já na fixação biológica a enzima nitrogenase(identificada e isolada em 1966) presente na bactéria, faz o mesmo à temperatura e pressão ambiente.

Existem diferentes espécies de rizóbio que fazem simbiose com diferentes espécies de leguminosas, produzindo nódulos na raiz também diferentes (fig. 2 e 3) e que não devem ser confundidos com as galhas provocadas por nemátodos, que são doença.

Nos chícharos (género Lathyrus), ervilhas (gén. Pisum), ervilhacas e favas (gén. Vicia),lentilhas (gén. Lens), o rizóbio é a espécie Rhizobium leguminosarum bv.Viceae, que é das maiseficientes a fixar azoto. É por isso que quando semeamos estas plantas não precisamos nem devemos aplicar adubo azotado (saiba mais), seja químico seja orgânico, pois se o fizermos, para além de estarmos a aumentar os custos da produção, reduzimos a fixação biológica de azoto. É também por isso que quando enterramos as plantas na sua floração para adubar uma cultura seguinte, já não precisamos de aplicar estrume (saiba mais), pois estamos a fazer uma "estrumação” verde, também chamada de adubo verde ou sideração.


Figura 2 – Nódulos de rizóbio em fava, brancos por fora e avermelhados por dentro, sinal de funcionamento do mecanismo de fixação de N, uma fábrica natural de adubo (Reguengos de Monsaraz, Maio 2011).

rizóbio da figura 3 é doutra espécie (Bradyrhizobium spp.) um pouco menos eficiente que o anterior mas melhor adaptado a solos ácidos e arenosos, onde a tremocilha cresce melhor que a fava ou a ervilhaca.

É também pela fixação biológica que se produz o azoto que vai formar as proteínas na planta e em especial nas sementes, algumas delas com possível uso na alimentação humana.

Desta forma, a natureza, e o homem com um cultivo mais ecológico, produzem alimentos mais proteicos que a carne, com muito menor consumo de recuros naturais (solo, água) e de baixo impacte ambiental.

Figura 3 – Interior dos nódulos de rizóbio em planta de tremocilha (Lupinus luteus) com uma coloração avermelhada, sinal de boa atividade fixadora de azoto (Évora, Abril 2009)

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Mais uma vantagem do amemdoim forrageiro, combate a erosão.

Uma enchurrada no vale do Caí no rio grande do sul, no dia 23 de Abril de 2011, cobriu o sítio de areia, como podem ver nas fotos!



Assim podemos observar que a cobertura do solo com plantas resistentes é de grande valor, na minimização dos danos. Notei que na beira do arroio a água subiu uns 3 metros , plantei o amendoim forrageiro, que ficou firme no lugar.

O amendoim forrageiro é uma leguminosa herbácea perene, de crescimento rasteiro, estolonífera cm 20 a 40 cm de altura. Possui raiz pivotante que cresce em média até cerca de 30 cm de profundidade. A floração é indeterminada e contínua, com as inflorescências axilares em espiga.

É uma planta rústica, que aceita sombreamento, geadas e se adapta a condições de seca e a solos pobres. Tem melhor desenvolvimento em locais úmidos e quentes com alta intensidade de chuva.

Adaptabilidade edafoclimática

Produz densa quantidade de estolões, com pontos de crescimento bem protegidos do consumo pelos animais e tem florescimento continuo durante o ano, com a formação de uma reserva de sementes no solo que favorece a persistência deste genótipo em áreas de pastagem (CIAT, 1992).

O amendoim forrageiro se adapta bem a altitudes desde o nível do mar até cerca de 1.800 m, desenvolve-se bem quando a precipitação é superior a 1.200 m. Não é muito tolerante a períodos secos prolongados, embora nas condições de cerrado, este cultivar tenha se mostrado superior a outros cinco acessos avaliados. Esta leguminosa é bem adaptada a solos ácidos, de baixa a média fertilidade. Tem exigência moderada em fósforo, sendo no entanto eficiente na absorção deste elemento quando em níveis baixos no solo. Existem informações de elevada atividade de micorrizas associados ao seu sistema radicular. Adapta-se bem em solos de textura franca, sendo medianamente tolerante ao encharcamento. Resultados preliminares indicam bom nível de reciclagem de nitrogênio em pastagens com amendoim forrageiro. Há registros da espécie fixar 80 a 120 Kg de N/ha/ano.

sábado, 9 de julho de 2016

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Pomar de caqui com cobertura de amendoim forrageiro

Pomar de caqui com cobertura de amendoim forrageiro
Emater-Rio estimula a produção de caqui em Trajano de Moraes




 Atualizado em 04/09/2012 - 13:22h



Dia de campo sobre a cultura da fruta reúne agricultores da microbacia Alto Macabu





A Emater-Rio, empresa vinculada à secretaria estadual de Agricultura, e a Prefeitura de Trajano de Moraes promoveram, na última sexta-feira (31/8), na localidade de Gravatá, na microbacia Alto Macabu, o terceiro encontro técnico do caqui. Os trabalhos foram conduzidos pelo engenheiro agrônomo e supervisor regional da Emater-Rio na Serra, Alexandre Jacintho Teixeira, autor de uma cartilha sobre cultivo do caqui, publicada pela Emater-Rio em parceria com o Sebrae-RJ.





Na ocasião, Alexandre explicou como é feito o controle fitossanitário e a prática de poda do caquizeiro. Durante a parte teórica, ele falou sobre as duas principais doenças que podem acometer a lavoura de caqui (cercosporiose e antracnose), além de algumas pragas como a lagarta dos frutos, tripes e cochonilhas.

A segunda parte foi prática, onde os participantes acompanharam as demonstrações de poda. Segundo Alexandre, após a poda é recomendável fazer dois procedimentos de pulverização no pé de caqui, utilizando defensivos agrícolas alternativos: o primeiro, com a calda bordalesa; e o segundo, após 30 dias, com a calda sulfocálcica.



- Essa técnica protege a planta e ajuda com eficiência no controle de pragas e doenças - afirmou.

Um das propriedades visitadas foi a da produtora rural Rosimar Fonseca Ouverney, que vive há 30 anos na região com a família. Há quatro anos, ela e o marido introduziram o amendoim forrageiro na lavoura do caqui, uma das técnicas sustentáveis de adubação incentivada pelo Programa Rio Rural.

- Se a poda não for realizada, os frutos tendem a ser mais fracos e suscetíveis a doenças. Além de facilitar a colheita, esse manejo aumenta a produtividade em longo prazo, já que a planta fica mais exposta à luminosidade - explicou a agricultora.

O próximo dia de campo sobre caqui está previsto para 6 de setembro (quinta-feira), às 10h, na localidade Tirol, em Trajano de Moraes.   fonte: http://www.rj.gov.br/web/seapec/exibeconteudo?article-id=1137457