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segunda-feira, 27 de junho de 2016

30 minutos por semana em contato com a natureza reduz depressão e doenças cardíacas, segundo estudo


      Um estudo conduzido pela Universidade de Queensland, na Austrália, conseguiu avaliar os efeitos diretos do contato com a natureza na saúde humana. De acordo com a pesquisa, passar apenas 30 minutos semanais em parques poderia reduzir em 7% os casos de depressão e em 9% os casos de pressão alta.

      Os benefícios de ter contato direto com a natureza são muito, inegáveis e conhecidos há muito tempo. No entanto, está é a primeira vez que os cientistas conseguiram colocar essas informações em números, que influenciam diretamente os indivíduos e os governos, pois podem direcionar novas políticas públicas e investimentos.
      Para a pesquisa, os cientistas contaram com a participação de 1.538 pessoas, residentes da cidade australiana de Brisbane. O estudo contou com uma série de comparações e cruzamentos de informações que permitiram a avaliação da influência de um passeio no parque no organismo dos participantes.
      O que se identificou foi que esse contato simples e em um curto período de tempo com a natureza é capaz de reduzir os riscos de desenvolvimento de doenças cardíacas, estresse, ansiedade e depressão. Mesmo que a Austrália ofereça muitas opções de parques municipais, eles têm uma taxa de frequência de apenas 40% da população local.
      “Se todas as pessoas visitassem os parques locais por meia hora toda semana, poderiam ocorrer 7% menos casos de depressão e 9% menos casos de pressão alta”, explicou a Dr. Danielle Shanahan, uma das integrantes do estudo.
      Os benefícios também se refletem na economia. “Tendo em vista que os custos sociais gerados pela depressão apenas na Austrália são estimados em 12,6 bilhões de dólares australianos por ano, a economia pública com os orçamentos ligados à saúde poderia ser imensa”, completa a pesquisadora.
      Apesar de ser um estudo feito com amostras locais, o princípio pode ser aplicado e replicado em qualquer lugar do mundo.

Fonte – Ciclo Vivo

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Dia da Terra: por que é preciso proteger a ‘pequena’ biodiversidade


Abelhas, rãs, peixes minúsculos e o milho têm maior risco de extinção que baleias, tigres e águias

Google destaca a data com um doodle especial




Apicultor tira mel de colmeia. E. Feferberg / AFP
“Não podemos falar de biodiversidade sem falar de besouros.” É assim que Mario García, pesquisador científico do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha, exemplifica a importância da chamada “pequena” biodiversidade – aquela que passa mais despercebida e que, por acreditarmos ser mais comum, nem sempre é encarada com a devida seriedade. O caso recente mais paradigmático é o conhecimento do efeito catastrófico de determinados pesticidas sobre as abelhas, responsáveis pela polinização de mais de 250.000 plantas florais, sem contar muitas que são cruciais para nossa agricultura e para a alimentação.


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Calcula-se que em todo o mundo há 380.000 espécies de besouros já identificadas, “de pragas a espécies que estão desaparecendo agora mesmo sob alguma escavadeira”, calcula García. Isso significa sete vezes mais do que todas as espécies de vertebrados juntas. Mais de 90% dabiodiversidade registrada (1,9 milhão de espécies) é pequena, porque até mesmo entre as mais de 300.000 plantas as árvores são as menos numerosas. O problema é que muitas delas podem estar desaparecendo agora porque nem sequer se conhece seu status, e muito menos o da grande maioria da biodiversidade estimada (8,7 milhões de espécies, 99% das quais são invertebrados).
Lista Vermelha da União Internacional para a Preservação da Natureza só consegue classificar a situação de 78.000 espécies. É algo curioso, já que aqui, sim, ganham as aves (10.300) e os mamíferos (5.400), com praticamente todas as suas espécies registradas incluídas. Se extrapolarmos para o caso espanhol, também fica evidente essa diferença, porque nos catálogos de espécies com proteção especial e ameaçadasos vertebrados (508) ganham com folga das plantas (341) e dos invertebrados (89), contando ainda com o fato de entre estes últimos haver 9.000 espécies de besouros.
A lista de 10 exemplos de espécies que trazemos aqui não só destaca essa fauna invertebrada que recicla resíduos, poliniza plantas, espalha sementes e controla pragas de maneira natural, como também as espécies vegetais e os pequenos vertebrados que atuam da mesma maneira para manter o equilíbrio de nossos ecossistemas. É uma maneira de homenagear sua importância no Dia da Terra.
1. Abelha Bombus franklini


Dia da Terra 2016: Bombus franklini. Wikipedia


Em novembro de 2008, sob a supervisão da Real Sociedade Geográfica de Londres, o plâncton e as abelhas ficaram empatados em uma decisão final do Instituto Earthwatch sobre qual é a espécie mais importante e imprescindível para a vida na Terra. As abelhas acabaram ganhando. Constantemente surgem estudos que confirmam essa decisão, como o que foi publicado pela Science e coordenado pela FAO, no qual se compara 344 regiões agrícolas na África, na Ásia e na América Latina. A conclusão é que a produtividade é notadamente mais baixa nos terrenos que atraíram um menor número de abelhas durante a temporada principal de floração.
Desde quatro anos antes da decisão tomada em Londres, em 2004, não se tem notícias da Bombus franklini, uma espécie cujo raio de distribuição está circunscrito a 300 quilômetros entre os Estados do Oregon e da Califórnia, nos Estados Unidos. Está catalogada em perigo de extinção na Lista Vermelha da UIPN e sofre as causas que oGreenpeace expõe em O Declínio das Abelhas. A ONG adverte que as populações desses insetos na Europa caíram 25% entre 1985 e 2005 por causa de uma aliança mortal de doenças, do uso intensivo de pesticidas, do déficit nutricional, da transformação do habitat e das mudanças climáticas.
2. Besouros Mylabris uhagonii
Agrupados na ordem dos coleópteros, eles formam a maior variedade de espécies do planeta, com cerca de 380.000. Entre as 12 espécies que a Espanha incluiu oficialmente na sua lista de proteção especial, sobre um total de 9.000, não está uma endêmica, a Mylabris uhagonii. “Desde 1950 não temos notícia da ocorrência dessa espécie na natureza. Até então era comum vê-las, até mesmo em pleno Paseo del Prado, em Madri”, afirma Marcio García, pesquisador que conta com a coleção mais completa da espécie.
“Em torno da data em que deixou de ser frequente, parece que a espécie foi muito afetada pelo uso intensivo de DDT, já que suas larvas se alimentavam de gafanhotos e crustáceos que formavam pragas e atacavam as plantações”, sentencia García. Controlar pragas é uma das muitas funções realizadas pelos coleópteros, dos quais também fazem parte besouros responsáveis pela decomposição de matéria orgânica.
3. Borboleta monarca


Dia da Terra 2016: Borboleta monarca. Wikipedia


Os lepidópteros estão a salvo em parte por serem tão vistosos, por isso a borboleta monarca está para os insetos como o panda ou o tigre para os mamíferos. Seu périplo migratório entre os Estados Unidos, Canadá e México (mais de 4.000 quilômetros) também ajuda a visibilizar uma espécie e uma ordem, o dos lepidópteros, muito afetadas pelos efeitos da mudança climática e da destruição do hábitat, neste caso as florestas de pinheiros.
Os últimos dados do WWF México são animadores: “Na temporada 2015-2016 foram registadas nove colônias que ocuparam 4,01 hectares de floresta, superfície que representa um aumento em relação à temporada 2014-2015 (1,13 hectare) e poderia ser um sinal de recuperação depois de chegar ao seu nível mais baixo em 2013-2014 (0,67 hectare)”.
Depois dos coleópteros, os lepidópteros formam a mais numerosa ordem de insetos, com 170.000 espécies. Além de seu valor intrínseco para a biodiversidade, a administração provincial de Palencia (norte da Espanha) demonstrou que uma borboleta Phengaris nausithous, uma das mais ameaçadas da Europa, pode se tornar uma atração turística regional, junto com o urso pardo. É uma maneira de apostar na conservação de uma espécie para a qual os modelos climáticos preveem, até 2050, uma drástica redução populacional, da ordem de 20% a 70%.
4. Mexilhão-auriculado
Há vinte vezes mais espécies descritas de moluscos (90.000) do que de mamíferos. As conchas que enfeitam as praias e as ostras elevadas à categoria de manjar culinário fazem parte de uma ordem pouco lembrada por sua importante contribuição para a biodiversidade e o bem-estar humano. Nos Estados Unidos, um projeto de investigação e restauração vinculado às ostras e realizado pela NY/NJ Baykeeper, está demonstrando que esses moluscos são cruciais para limpar as águas dos rios que desembocam no Atlântico a partir de Nova Jersey.
Como os caranguejos, os moluscos filtram e purificam as águas durante sua função de nutrição, por isso também são chamadas em algumas línguas de náiades, as míticas ninfas protetoras das águas doces. Um desses moluscos, o mexilhão-auriculado-do-rio (Margaritifera auricularia) está sob ameaça de extinção, segundo o catálogo espanhol de espécies ameaçadas. Atualmente, só está presente na bacia do rio Ebro, e suas populações correm sério risco por causa de outro dos principais impactos para a biodiversidade, a invasão de espécies exóticas, neste caso o mexilhão-zebra e a ameijoa-asiática
5. Astragalus nitidiflorus
Esta leguminosa endêmica das colinas vulcânicas de Cartagena (região de Múrcia, sudeste Espanha) foi redescoberta em 2004 depois de ser considerada extinta. Um projeto LIFE+ da União Europeia recuperou sua atualidade e valor após vários anos de estudos e tentativas de recuperação promovidas pela Universidade Politécnica de Cartagena (UPCT) e a Associação de Naturalistas do Sudeste Espanhol (Anse). Um ainda incipiente plano de recuperação da planta, conhecida em espanhol comogarbancillo de Tallante, e a reintrodução de 6.000 sementes e 6.500 mudas procedentes de viveiros buscam ressuscitar uma espécie que contava com apenas 300 espécimes reprodutores.
“Quando o pequeno protege o grande.” Juan José Martínez, catedrático do Departamento de Produção Vegetal da UPCT, ilustra com esse slogan, usado no projeto LIFE+, do qual também é coordenador, a relevância do garbancillo de Tallante. “Ele se tornou um ícone para a conservação de todos os recursos naturais, arquitetônicos e paisagísticos da zona oeste de Cartagena, não só dos seus próprios povoados. Se quisermos conservar o garbancillo devemos conservar seus hábitats, com toda a diversidade associada que comportam: variedades de amendoeiras nativas, alfarrobeiras, socalcos tradicionais, pastoreio extensivo…”


Dia da Terra 2016: Garbancillo de Tallante.Wikipedia


6. Sapatinhos-de-dama
A coleta e a exibição de espécies, associadas muitas vezes ao tráfico ilegal, são outras mazelas da biodiversidade. Poucas plantas sofrem tanto dessa prática como as belas orquídeas. Na última atualização da Lista Vermelha da UICN, o organismo destacou que “a avaliação das 84 espécies de orquídea sapatinho-de-dama da Ásia tropical (que estão entre as mais belas plantas ornamentais do planeta) indica que 99% estão ameaçadas de extinção, principalmente por causa da coleta excessiva para a horticultura e da perda de hábitat.”
Este mesmo gênero (Cypripedium) inclui uma espécie de sapatinho-de-dama presente na Espanha (Cypripedium calceolus) e catalogada em perigo de extinção. Só cresce nos Pirineus Aragoneses e Catalães e está regredindo: das sete populações presentes em Aragão nos anos 1990, hoje só se conhecem três.
7. Rã Eleutherodactylus thorectes
Em setembro de 2012, como previu o Congresso Mundial da Natureza realizado em Jeju (Coreia do Sul), a Sociedade de Zoologia de Londres (ZSL, na sigla em inglês) e a UICN apresentaram a lista das 100 espécies de fauna e flora mais ameaçadas do mundo. Nenhuma era associada a animais icônicos e 70% eram plantas, invertebrados e pequenos e desconhecidos vertebrados. Nove delas eram anfíbios, representação infelizmente habitual, já que, segundo a UICN, esta é a classe de vertebrados que apresenta maior proporção de espécies ameaçadas no mundo: 41%.


Dia da Terra 2016: Eleutherodactylus thorectes.Robin Moore


Na lista apresentada em Jeju figurava a rã da espécie Eleutherodactylus thorectes, uma das menores do mundo (do tamanho de uma uva), que se encontra em perigo crítico de extinção e endêmica no maciço de La Hotte, no Haiti. A UICN tem poucas esperanças para enfrentar esse caso, pois sua sobrevivência entra em conflito com o desmatamento e a abertura de terras agrícolas para a economia de subsistência das comunidades locais.
8. Fartet
A lista conjunta da ZSL e da UICN inclui também nove pequenos peixes, a classe dos vertebrados com maior número de espécies descritas. Entre eles, há um do gêneroAphanius, justamente ao qual pertencem duas das espécies mais ameaçadas da Espanha, conhecidas localmente como samaruc e fartet. Ignacio Doadrio, professor de pesquisa do MNCN/CSIC e um dos maiores conhecedores dos peixes de águas continentais espanholas, afirma que “além de seus valores intrínsecos dentro dos ecossistemas onde habitam e como grande informação evolutiva, as espécies do gênero Aphanius são excelentes controladoras da proliferação de larvas de mosquitos e, portanto, da transmissão de doenças.”


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Assim como o samaruc, o fartet também está em perigo de extinção. Suas populações endêmicas espanholas se restringem a dois núcleos na costa mediterrânea e um na costa atlântica no estuário do rio Guadalquivir. Doadrio lamenta que não se aprenda com os erros que levaram o fartet a essa situação. “A principal ameaça a nossas espécies autóctones é a introdução de [espécies] exóticas. Há pouco tempo, numa zona quase sem exemplares desse tipo no rio Hozgarganta, em Cádiz, foram soltos ciprinídeos da Ásia que começaram a transmitir doenças a endemismos ibéricos”, afirma.
9. Pardal
A Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO/BirdLife) declarou o pardal a Ave do Ano 2016. Com isso, pretende chamar atenção para a alarmante queda no número de exemplares de espécies que antes eram consideradas comuns. No final de 2014, a revista científica Ecology Letters publicou um estudo realizado pela Universidade Exeter, a Real Sociedade para a Proteção das Aves (RSPB, na sigla em inglês) e o Esquema Comum Pan-Europeu de Monitoramento de Aves (PECBMS). Conclusão do estudo: nos últimos 30 anos, a Europa sofreu uma grave redução do número de aves comuns, cerca de 421 milhões de exemplares a menos, ou 20% do total.


Dia da Terra 2016: Gorrión comum macho. Wikipedia


A Ave do Ano em 2014 foi a andorinha, outra frequentadora de campos e cidades que não vive seu melhor momento. Em ambos os casos (andorinha e pardal), a aparente abundância e cotidianidade não correspondem à realidade. A Espanha perdeu 10% das populações de pardal desde 1988, e é cada vez mais difícil vê-los em cidades como Londres e Praga. A SEO/BirdLife destaca os benefícios da presença desses pássaros para a sociedade: “Ajudam a controlar pragas, dispersam sementes e são um excelente indicador de nossa qualidade ambiental.”
10. Milho


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Tão ou mais comum que o pardal na vida cotidiana de muitos países é o milho. E tão importante como a biodiversidade selvagem é a cultivada e domesticada. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), embora tenha se chegado a cultivar 7.000 espécies de plantas, muitas delas importantes para a segurança alimentar dos moradores locais, “estima-se que hoje 95% das necessidades de energia alimentar das pessoas sejam satisfeitas por apenas 30% dos cultivos, e cinco deles (arroz, trigo, milho, milheto e sorgo) cobrem aproximadamente 60%”.
A erosão genética das espécies de plantas se une à das variedades. A FAO adverte sobre esse risco em seu relatório Situação dos Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura no Mundo. “A causa predominante é a substituição das variedades tradicionais por cultivos modernos”, afirma o documento, lembrando que “todas as populações de teosinto (variedade da América Central) estão em risco”.