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domingo, 22 de julho de 2018

O Manacá da Serra

Lindo exemplar plantado por moradores na ru Fernando Machado em Porto Alegre RS.

Site: Ponto Garden

O manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis) é uma árvore originária do Brasil, é uma Angiosperma e pertence à família Melastomataceae, ao gênero da quaresmeira.
manacadaserra.jpgO Manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis) é uma arvore originária do Brasil, é uma Angiosperma e pertence à família Melastomataceae, ao gênero da quaresmeira (Tibouchina granulosa) e da orelha-de-onça (Tibouchina holosericea). Pode atingir de 2 até 15 m de altura. Possui flores brancas e rosas. A flor de centro branco e pétalas azuis muda de cor após fecundada. Floresce durante o inverno e podendo florescer na primavera e no verão, com flores que variam do branco ao lilás colorindo a mata.

A multiplicação pode ser feita por sementes ou por estacas. Devido ao porte alto e sistema radicular não agressivo, é muito usada como ornamental em jardins e ainda na arborização urbana, não danificando as calçadas. Podemos encontrar também o manacá-da-serra-anão, que possui flores menores, assim como o porte, em torno de 3 metros, muito recomendado para áreas menores, como pequenos jardins e vasos grandes.

Como cuidar – quando plantar no chão recomenda-se a utilização de um substrato ou terra preparada com adubo que contenha mais fósforo para agilizar o enraizamento. Regar todos os dias até o seu enraizamento (aproximadamente 1 mês). Após 1 mês iniciar a adubação com N-P-K mais micronutrientes, na dosagem recomendada pelo fabricante.
No caso de ser plantada em vaso, o cuidado deve ser maior, a freqüência de rega deve ser aumentada, principalmente quando a planta estiver mais desenvolvida. A adubação segue o mesmo princípio da rega, quanto maior a planta, maior a freqüência. Recomenda-se a adubação a cada 15 dias conforme a dosagem do fabricante, detalhe importante é escolher o adubo com N-P-K mais micronutrientes.

Pode ser podada para deixar na altura desejada. Recomenda-se fazer a poda sempre após a floração, deixando sempre algumas folhas para a árvore continuar sobrevivendo, se possível utilizar uma tesoura bem afiada e em seguida utilizar calda bordaleza para a cicatrização e evitar fungos.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Composteira caseira reduz descarte de lixo doméstico em até 51%

Composteira no trabalho profissional
Composteira um outro modelo


A utilização de composteiras domésticas para a destinação adequada de resíduos orgânicos é uma opção que vem ganhando força na busca por sustentabilidade. “Compostar orgânicos, em qualquer casa, significa poder reciclar 51% dos materiais que normalmente vão para aterro sanitário. A prática minimiza a necessidade de transporte e uso dos aterros, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa”, explica o gestor ambiental Marcos Alejandro Badra, da Inambi.

A empresa é parceira da CasaE, Casa de Eficiência Energética da BASF, que montou uma composteira doméstica. Além do detrito orgânico produzido na cozinha da CasaE, também podem ser depositados no local os restos de jardinagem, papel de guardanapo e os plásticos compostáveis. O adubo produzido poderá ser usado no próprio jardim da residência.
Segundo Badra, quase a metade dos resíduos gerados nas cidades é orgânico e enviado, inadequadamente, para aterros sanitários ou lixões. A degradação desses resíduos no ambiente gera gás metano, com potencial de aquecimento global 25 vezes superior ao dióxido de carbono, segundo o IPCC, Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Essa é a principal causa do efeito estufa relacionada ao lixo urbano. “O descarte inadequado de resíduos é responsável por 30% dos gases-estufa gerados no País, segundo o IPCC”, diz Badra.
A prática da compostagem contribui com as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305/2010 aprovada em agosto de 2010, e o Decreto 7404/2010, de dezembro do mesmo ano, com o propósito de enfrentar o desafio que o Brasil tem neste sentido. A PNRS prevê a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos itens que têm valor econômico e podem ser reaproveitados. Além disso, trata da destinação ambientalmente adequada dos rejeitos, que não podem ser reutilizados.
Como fazer uma composteira doméstica
A compostagem é uma prática milenar, realizada de formas variadas em muitas culturas e destinada a melhorar a fertilidade e saúde do solo usado para a produção de alimentos. O método imita os processos dos ecossistemas naturais.
Recipiente
Há vários tipos de composteiras para uso doméstico. A escolha dependerá do tipo de local onde será instalada (casa, apartamento etc.) e a capacidade para receber resíduos em relação à quantidade de pessoas. Qualquer um dos modelos, desde que usado corretamente, é bom.
Tipos de resíduos
Dependerá do tipo de composteira. Em todas elas podem ser depositados resíduos orgânicos de cozinha. Na composteira instalada na CasaE, pode ser incluído papel de guardanapo, plásticos compostáveis, filtro de café, entre outros.
Manejo
Distribua na composteira os resíduos orgânicos compostáveis e cubra-os com biomassa (restos de folhas, grama ou serragem). A composteira deverá permanecer fechada, sendo aberta somente para adicionar resíduos ou retirar o composto. Após 60 dias o composto pode ser retirado pela parte inferior da composteira. Importante: o composto deverá ser escuro e úmido, com o aspecto de borra de café, odor semelhante ao solo de floresta e sem insetos.
Uso
O resultado da compostagem é um adubo que pode ser utilizado na fertilização do solo e vasos de plantas.

Minhocas ou composteiras? Contate agropanerai@gmail.com


quinta-feira, 17 de maio de 2018

IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES PARA TER ÁGUA DE QUALIDADE.

Pesquisadores explicam a importância das árvores para ter água de qualidade

Bacias hidrográficas recobertas por vegetação florestal fornecem água de qualidade durante o ano todo.
22 de agosto de 2016 • Atualizado às 18 : 08

A floresta ainda contribui para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. | Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Florestal (IF) comprovam que a presença de cobertura florestal em bacias hidrográficas promove a regularização do regime de rios e a melhora na qualidade da água. Os pesquisadores científicos da Seção de Engenharia Florestal, do IF, Valdir de Cicco, Francisco Arcova e Maurício Ranzini, embasaram suas teses de doutorado em pesquisas sobre a relação entre a floresta e a água, elucidando dúvidas e provando com números as suas proposições.
“As bacias hidrográficas recobertas por vegetação florestal são as que oferecem água com boa distribuição ao longo do ano, e de melhor qualidade”, enfatiza Arcova, engenheiro florestal, doutor em Geografia Física, pela Universidade de São Paulo, no IF desde 1985. Segundo ele, parte da água da chuva é retida pelas copas das árvores, evaporando em seguida em um processo denominado interceptação. A taxa de evaporação varia com a espécie, idade, densidade e estrutura da floresta, além das condições climáticas de cada região.
“Em florestas tropicais, a interceptação varia de 4,5% a 24% da precipitação, embora tenham sido registrados valores superiores a 30%”, explica. Os pesquisadores ainda dizem que as pesquisas realizadas nos laboratórios em Cunha, no parque Estadual da Serra do Mar, estimam o valor de  18% de interceptação. O restante da água alcança o solo florestal por meio de gotejamento de folhas e ramos ou escoando pelo tronco de árvores. No solo, a água infiltra-se ou é armazenada em depressões, não ocorrendo o escoamento superficial para as partes mais baixas do terreno, como aconteceria em uma área desprovida de floresta.
“O piso florestal é formado por uma camada de folhas, galhos e outros restos vegetais, que lhe proporciona grande rugosidade, impedindo o escorrimento superficial da água para as partes mais baixas do terreno, favorecendo a infiltração. Também a matéria orgânica decomposta é incorporada ao solo, proporcionando a ele excelente porosidade e, consequentemente, elevada capacidade de infiltração.”

Ilustração: Maurício Ranzini
Uma parcela da água infiltrada contribui para a formação de um rio por meio do escoamento subsuperficial, e outra, é absorvida pelas raízes e volta para a atmosfera pela transpiração das plantas. “A interceptação e a transpiração, ou a evapotranspiração, fazem a água da chuva voltar para a atmosfera não contribuindo para aumentar a vazão de um rio.”
Em florestas tropicais, a evapotranspiração varia de 50% a 78% da precipitação anual. Na pesquisa realizada em Cunha, esse número é de aproximadamente 30%. Os pesquisadores explicam que o remanescente da água infiltrada movimenta-se em profundidade e é armazenado nas camadas internas do solo e na região das rochas, alimentando os cursos de água pelo escoamento de base, isto é, do subsolo onde se localizam os lençóis freáticos.
A relação entre árvores e água varia de acordo com o tipo de floresta
Embora os processos que determinam os fluxos de água sejam semelhantes para as diferentes formações florestais, a magnitude desses processos, que depende das características da floresta, da bacia hidrográfica e do clima, influencia a relação floresta-produção de água (escoamento total do rio). Em florestas tropicais, a produção hídrica nas microbacias varia de 22% a 50% da precipitação. “Em Cunha, onde a evapotranspiração anual da Mata Atlântica é da ordem de apenas 30%, a produção de água pela microbacia é de notáveis 70% da precipitação”, afirma Francisco.

Esse mecanismo, em que a água percola o solo e alimenta gradualmente o lençol freático, possibilita que um rio tenha vazão regular ao longo do ano, inclusive nos períodos de estiagem. Nas microbacias recobertas com mata atlântica em Cunha, o escoamento de base é responsável por cerca de 80% de toda a água escoada pelo rio, fato que proporciona a elas um regime sustentável de produção hídrica ao longo de todo o ano.
Consequências da falta de vegetação
Ao contrário, em uma bacia sem a proteção florestal, a infiltração da água da chuva no solo é menor para alimentar os lençóis freáticos. O escoamento superficial torna-se intenso fazendo com que a água da chuva atinja rapidamente a calha do rio, provocando inundações. E, nos períodos de estiagem, o corpo-d’água vai minguando, podendo até secar.
Um outro fator drástico é que, enquanto nas bacias florestadas, a erosão do solo ocorre a taxas naturais, pois o material orgânico depositado no piso impedem o impacto direto das gotas de chuva na superfície do solo, nas áreas desprovidas de vegetação há um intenso processo de carreamento de material para a calha do rio aumentando a turbidez e o assoreamento dos rios.
Segundo Maurício, na microbacia recoberta com Mata Atlântica em Cunha, a perda de solo no rio é da ordem de 162 kg/hectare/ano. “Esse valor é muito inferior à perda de solo registrada para o estado de São Paulo, que varia de 6,6 a 41,5 t/hectare/ano, dependendo da cultura agrícola, algo como 12 toneladas num campo de milho, 12,4 toneladas numa área de cana-de-açúcar, chegando a até 38,1 toneladas numa plantação de feijão”, informa em tom de alerta.
A floresta representa muitos outros benefícios para os sistemas hídricos. Contribui, por exemplo, para o equilíbrio térmico da água, reduzindo os extremos de temperatura e mantendo a oxigenação do meio aquático. Promove, ainda, a absorção de nutrientes pelas árvores, arbustos e plantas herbáceas evitando a lixiviação excessiva dos sais minerais do solo para o rio.
Fonte : CicloVivo

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Utilize Borra de café na sua horta








A borra de café é uma excelente fonte de nitrogénio  e pode ser utilizada diretamente em volta das plantas, principalmente vegetais de crescimento rápido. Também se pode misturar na terra dos canteiros ou dos vasos novos. Para conseguirmos um líquido fertilizante, basta diluir umas 100-150 gramas de borra em dez litros de água. Em alternativa, pode-se compostar, o que vai adicionar nitrogénio à pilha.
Como se não bastasse, certas pragas não gostam de café (cafeína para ser exato), entre elas os caracóis e lesmas. Uma solução muito concentrada de cafeína — 1 a 2%, mata 60% ou 95% dos caracóis e lesmas respectivamente (um café expresso tem cerca de 0,1% de cafeína). A borra não mata, mas actua como repelente.
A borra de café é bastante ácida, dependendo do seu tipo de solo, pode ter que contrariar esta questão, por exemplo com cinza, folhas ou serragem.
Por fim, não encontrei estudos científicos que confirmem todas estas técnicas, mas já arranjei um café que me irá fornecer a borra (que habitualmente vai para o lixo) para experimentar.

terça-feira, 20 de março de 2018

Manual técnico de Arborização Urbana



A arborização urbana traz diversos beneficios tanto para os moradores quanto para o meio ambiente. Essa integração dos meios urbano e ambiental tendem a trazer melhores condições de vida aos moradores, proporcionando bem estar psicológico e conforto, além de garantir melhorias climáticas para o meio urbano, como sensação térmica mais agradavel, isto ocorre devido a filtragem do ar que é feito pelas plantas.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Mais um temporal em Porto Alegre


O encontro de uma frente fria com a massa de ar quente e úmido que estava pelo Estado na última semana provocou um temporal na tarde desta sexta-feira, na região Metropolitana de Porto Alegre. Primeiras informações são conta de que diversos galhos e árvores caíram em Porto Alegre. Ainda não há registro de feridos. De acordo com o sistema Metroclima, ventos de 80km/h atingiram a cidade.
No Centro da Capital, a tempestade foi precedida de um forte vento, que iniciou por volta das 15h45min. Até então, um sol forte e o calor predominavam em Porto Alegre. Em questão de minutos, o tempo virou, mas às 16h30min, o clima já havia acalmado novamente, só que com um rastro de destruição.
A Defesa Civil de Porto Alegre, inicialmente, registrou o destelhamento de pelo menos uma residência na rua Humberto de Campos, no bairro Partenon, na zona Leste. No Centro, a Feira de Material Escolar, na Praça da Alfândega, teve a estrutura comprometida. O peso da água acabou rasgando a lona. Dezenas de pessoas, incluindo crianças, estavam no local. A feira foi fechada. Texto: jornal correio do povo





foto Ricardo Giusti


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

As mudas de Ipê Amarelo da av da cavalhada





Estas mudas que aparecem na foto são de ipê amarelo e segundo as imagens do google, devem ter sido plantadas em 2011. Crescimento muito lento, provavelmente devido a carência nutricional do solo e injúrias pela roçada da grama. No final de 2016, coloquei alguns pedaços de cano PVC para proteção das mudas e aplicamos aproximadamente 30 gramas de  NPK 10.10.10 em cada uma delas. Em um ano já visualizamos um crescimento.





Ipê-Amarelo-da-Serra (Tabebuia alba)

Classificação:
Reino Plantae
Divisão Magnoliophyta
Classe Magnoliopsida
Subclasse Asteridae
Ordem Lamiales
Família Bignoniaceae
Gênero Tabebuia
Espécie T. alba
Sinônimia botânica: Handroanthus albus (Mattos), Tecoma alba (Charm)
Nomes Populares: Ipê-do-Morro, Ipê-Amarelo-Cascudo, Aipé, Pau-d’arco-amarelo, Ipê-açu e etc
O nome:
O nome ipê-amarelo é utilizado para designar não uma mas várias espécies do gênero Tabebuia que em tupi-guaraní significa “pau que flutua”, é denominado pelos índios de Caxetá, o nome Ipê, também de origem tupi, significa “árvore de casca grossa”.
Caracteristícas:
Espécie nativa brasileira oriunda da região Sul e Sudeste abrangendo a Floresta Estacional Semidecidua, a Mata de Araucária e também o Cerrado, com crescimento rápido podendo alcançar até 30 metros de altura e 10 de diâmetro, sendo que hoje se estende por todo o território nacional devido a sua adaptabilidade. Seu tronco tem característica de crescimento retilíneo, porem pode apresentar curvaturas onde se ramificam por entre 5 e 8 metros de altura, possui suber fissurada grossa e de zoloração acinzentada.
Suas folhas são compostas tomentosas (pilosas), filotaxia oposta, com face superior verde e a inferior de coloração prateada, dispostas de 5 a 7 folíolos, com ápice pontiagudo, base arredondada e margem serreada. Forma uma copa larga e alongada na base.
Suas raízes são profundas e não possuem muita exigência de nutrientes, mas preferem solos úmidos com drenagem lenta, profundos e não muito ondulados.
A floração do Ipê-Amarelo e da maioria dos Ipês ocorre no mês de Agosto, no final do inverno, logo sua floração é influenciada por ele, assim quanto mais frio e seco o inverno maior a florada do Ipê. Suas flores dispostas em cachos são grandes, gamossépalas e gamopétas em número de 5, simetria zigomórfa, assumindo uma forma cônica, possui 4 estames epipétalos didínamos. Sua coloração amarelo-ouro chama a atenção de diversos polinizadores como beija-flores, e insetos de diversos portes incluindo a abelha Mamangava, polinizadora natural desta espécie e também do maracujá (Passiflora edulis).
Seus frutos são do tipo síliqua, secos e bivalvares, deiscentes o que auxilia a dispersão das sementes que são aladas, de coloração marrom brilhante, sua coleta deve ser feita antes da abertura dos frutos pois possuem viabilidade curta, a espécie não possui dormência, sua germinação ocorre após 30 dias e o estimado é de 80% de brotamento.
Utilização:
A madeira do Ipê é extremamente resistente, flexivel e durável, sendo utilizada na fabricação de tacos, na construção civíl e naval (devido a sua resistencia a umidade), marcenaria, carpintaria.
Utilizada na arborização urbana, por seu belo espetáculo de flores, porem não é recomendado seu plantio em baixo de redes elétricas, em canteiros estreitos, próximo a dutos ou em locais de solo compactado pois suas raízes tendem a se direcionar para a superfície, nestes casos recomenda-se a espécie Tabebuia chrysotricha de menor porte.
Árvore Símbolo:
Houve um projeto de lei que visava declarar o Ipê árvore simbolo do Brasil, porém esse lugar foi ocupado pelo Pau-Brasil (Caesalpinia echinata), hove um novo projeto onde foi proposto o Ipê como flor símbolo do Brasil, este projeto foi arquivado na Câmara.
Referência:

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Espécies exóticas invasoras: conheça para não plantar na calçada e ter uma incomodação.

fonte: projeto pincel

Em um país como o Brasil, que detém uma das maiores biodiversidades do mundo, não falta opções de espécies de árvores nativas indicadas para a arborização urbana, como já mencionei em posts anteriores e na página “Faça sua parte”. Apesar disso, o nosso hábito ancestral de carregar conosco espécies que conhecemos para novos lugares explorados, intercambiando muitas delas e até estabelecendo redes tradicionais de reciprocidade, culminaram nessa miscelânea de espécies nos ambientes alterados pelo homem, rurais ou urbanos, se estendendo até em áreas de florestas que muitos julgam erroneamente como sendo virgens ou intocadas. Consequência disso, são inúmeros os exemplos malsucedidos de introdução de espécies exóticas, muitas vezes resultando em competição com nossas nativas e até extinguindo algumas. Lembrando que espécies exóticas são aquelas presentes fora da sua área natural de distribuição presente ou passada.

Em São Paulo, a maior parte das árvores presentes nas nossas calçadas e áreas verdes é constituída por espécies exóticas, algumas consideradas invasoras devido ao seu comportamento agressivo e competitivo que não raro resulta na eliminação de espécies nativas. Prova disso é que a invasão de espécies exóticas em um determinado ambiente é a 2ª maior causa da perda de biodiversidade no planeta. Não obstante, as espécies invasoras produzem mudanças nas cadeias tróficas, na estrutura, nos processos evolutivos, na dominância, na distribuição da biomassa e nas funções de um dado ecossistema, provocando também alterações nas propriedades ecológicas do solo e na ciclagem de nutrientes. Por fim, essas espécies podem produzir híbridos ao cruzar com nativas e eliminar genótipos originais, ocupando o espaço de espécies nativas e levando-as a diminuir em abundância e extensão geográfica, aumentando os riscos de extinção de populações locais.

Na tentativa de reverter esse processo, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente do município de São Paulo estabeleceu em 2009 a Portaria 154/09, disciplinando medidas visando à erradicação e ao controle de espécies vegetais exóticas invasoras. Assim, instituiu também a Lista de Espécies Vegetais Exóticas Invasoras do Município de São Paulo, constituída até o momento pelas seguintes espécies arbóreas:

Acácia-Negra – Acacia mearnsii
Alfeneiro – Ligustrum japonicumLigustrum lucidumLigustrum vulgare
Eucalipto – Eucalyptus robusta
Falsa-seringueira – Ficus elastica
Figueira – Ficus benjamina
Leucena – Leucaena leucocephala
Palmeira Seafórtia – Archontophoenix cunninghamiana
Pinheiros do gênero Pinus – Pinus caribaeaPinus elliottiiPinus taeda

Todas essas espécies listadas são bastante comuns em São Paulo e em muitas cidades do país, mas gostaria de destacar a presença da figueira asiática Ficus benjamina, certamente uma das 3 espécies mais comuns nas nossas calçadas. A principal causa disso decorre do hábito de muitas pessoas plantarem no chão aquele arbusto que vem crescendo há anos no vaso e, já maiorzinho, “merece” ganhar vida livre no solo. Prova disso é queFicus benjamina é a árvore mais fácil de ser encontrada em lojas de plantas e supermercados, tanto a variedade de folhas verdes como a de folhas rajadas de verde e branco (variegata). Muitos também plantam propositalmente o Ficus na calçada para que tenha aquele aspecto de “cotonete”, uma vez que a espécie tolera bem podas. Eu particularmente acho de extremo mal gosto uma árvore podada com formas geométricas, sem dizer que isso maltrata a árvore, tira o aspecto natural da sua copa e ainda diminui os serviços prestados por árvores com copa larga, como sombreamento e filtragem de poluentes. Além disso, trata-se de uma espécie de grande porte, com troncos adultos bastante largos e raízes agressivas que comprometem tubulações subterrâneas e equipamentos públicos, como muros, ruas e calçadas. Enfim, é mais uma espécie exótica invasora que deve, no máximo, ser mantida apenas em vasos. Chega de plantá-las equivocadamente no chão.

Os pinheiros do gênero Pinus passam por processo semelhante, afinal, quantas pessoas já não plantaram no chão o pinheirinho que comprou para o Natal e depois ficou esquecido no quintal? Mais um erro! Os pinheiros são originários do Hemisfério Norte e suas folhas possuem efeito alelopático, ou seja, quando caem eliminam substâncias no solo que inibem o desenvolvimento de outras espécies de plantas, por isso é comum vermos bosques de pinheiros sem sub-bosque. Aqui no Brasil, os pinheiros são amplamente cultivados nas zonas rurais para a produção de madeira e celulose. Nas cidades, são comuns em quintais e áreas verdes.

eucalipto também é cultivado para a produção de celulose, mas também é presente em muitas áreas verdes e parques da cidade. No Parque do Ibirapuera, por exemplo, os eucaliptos foram plantados no século passado para drenar o solo, uma vez que a região era formada por áreas alagadiças e brejosas. As espécies do gênero Eucalyptus são originárias da Austrália, possuindo porte bastante avantajado e com grande demanda de água. Não que o eucalipto consuma mais água que outras espécies, mas o fato é que sua fama de beberrão que seca o solo contribuiu para sua dispersão no processo de ocupação e transformação do ambiente urbano.

falsa-seringueria é uma árvore enorme, originária da Ásia Tropical e comum em calçadas e áreas verdes de São Paulo. Como foi plantada sem planejamento no século passado, hoje podemos ver velhos exemplares e verificar o quão imprópria é a espécie no ambiente urbano. Seus troncos possuem diâmetros enormes que obstruem calçadas, além de raízes agressivas que comprometem tubulações subterrâneas, meios-fios, ruas, muros e calçadas. Enfim, um bom exemplo de espécie que não devemos plantar.

palmeira-seafórtia é originária da Austrália e muito abundante em São Paulo. Parte delas sequer foi plantada, simplesmente são fruto do alto poder de dispersão e colonização da espécie, que se desenvolve até em áreas verdes não manejadas, competindo com palmeiras nativas e eliminando-as. No bosque da biologia, no campus da USP no Butantã, existe um programa de pesquisa e manejo da palmeira-seafórtia visando conhecer a ecologia da espécie e adotar medidas de controlar suas populações.

Já o alfeneiro (Ligustrum japonicum) é uma árvore originária do Japão e uma das espécies mais comuns nas calçadas de São Paulo, consequência da fama que a árvore ganhou como espécie ideal para ser utilizada na arborização urbana. Seus frutos são dispersos por aves, contribuindo para que a espécie colonize áreas verdes e ocupe o espaço de nativas. Mais um engano que se espalhou pela cidade…

Em suma, essa lista é bastante enxuta e deverá ser constantemente revisada e ampliada, dado o grande número de espécies exóticas que ameaçam a existência das nativas, principalmente no ambiente urbano. De qualquer forma, é sempre bom que o cidadão pesquise a origem e características fenotípicas e ecológicas das espécies antes de plantá-las. Exemplos de plantios inconsequentes e os resultados catastróficos disso são abundantes.

O famoso Ficus benjamina encontrado a venda até em supermercados. Seu tronco pode ser reto ou retorcido, como esse da foto.


O mesmo Ficus benjamina pode apresentar variedades com folhas verdes rajadas de branco (variegata), como ilustrado na foto.


Ficus benjamina plantado em uma calçada, com a horrenda poda que deixa a árvore com aspecto alienígena.


Um exemplar adulto de Ficus benjamina em uma calçada. Suas raízes quebram calçadas, elevam o asfalto de ruas e atingem tubulações.


Exemplo de Pinus plantado em quintal. O pinheirinho de Natal cresce muito e se dispersa facilmente.


Um jovem eucalipto plantado em um canteiro da Marginal Pinheiros. Essa espécie australiana é muito abundante em áreas verdes de São Paulo.


Falsa-seringueira (Ficus elastica) plantada em uma calçada de São Paulo. Essa árvore enorme é um exemplo de espécie absolutamente inadequada para a arborização urbana.


Vista aproximada da falsa-seringueira para ilustrar o que acontece com o "passeio livre" da calçada. Sem dizer que muro, calçada e rua estão em parte comprometidos.


Palmeira seafortia, espécie australiana de fácil dispersão, coloniza áreas verdes e compete com nossas nativas.


Alfeneiro, espécie originária do Japão amplamente utilizada na arborização urbana de São Paulo e de muitas cidades brasileiras.


Detalhe do fruto do alfeneiro, no inverno as árvores se enchem de cachos com esses pequenos frutos arroxeados.