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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

APRENDA A ADUBAR A JABUTICABEIRA





Neste vídeo, Aline Cury do www.jabuticabeira.com.br,

nos ensina a fazer a adubação correta da jabuticabeira.

A produtora mostra como escolher o melhor tipo de

adubo para árvores frutíferas e dá dicas muito úteis

de como aplicá-lo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Grumixameira, florindo nas ruas de Porto Alegre




Grumixama Ou Cereja-do-brasil. Foto: B.navez - 22/02/2006

Grumixama, uma planta nativa melitófila em risco de extinção


A grumixama (Eugenia brasiliensis) também é conhecida como cereja-do-brasil. É uma árvore exclusiva da Mata Atlântica, ocorrendo desde o sul da Bahia até Santa Catarina.

Fui apresentada a essa frutinha saborosa no fim de 2016, por uma amiga mineirinha que ama a flora brasileira e as abelhas nativas, assim como eu! Foram longas conversas ao pé da grumixameira em floração.

O pé, com cerca de oito anos, fica na calçada, para que os vizinhos que passam por ali possam comer e parar para um minuto de prosa, que atualmente gira em torno de abelhas nativas e sustentabilidade… kkkkkkk

Os pássaros também fazem a festa com os frutos caídos na calçada.
De crescimento lento, a grumixameira pode alcançar de 8 a 15 m de altura. Seu tronco é curto e descamante e suas folhas simples. As flores são brancas, solitárias, vistosas e aromáticas e ocorrem em setembro e outubro com frutificação em novembro e dezembro. Para abelhas mirins como as jataís, suas flores constituem fonte de pólen.

Flores da grumixameira no Jardim Botânico de São Paulo.
Seus frutos são globosos, negro-violáceos, vermelhos ou amarelos, lisos e brilhantes, muito atrativos para a avifauna. Sua polpa é espessa, branco-amarelada de sabor doce e levemente ácido. Cada fruto possui de 1 a 3 sementes que se soltam facilmente da polpa.

Grumixama (Eugenia brasiliensis) ou cereja-do-brasil. Foto: B.navez – 22/02/2006
A grumixama (Eugenia brasiliensis) pertence à família das mirtáceas, assim como a pitanga, a cereja-do-rio-grande, a araçarana, o araçá-boi, a jabuticaba, a gabiroba, a uvaia, a feijoa ou goiaba-da-serra e a goiaba, todas nativas.
As variedades vermelha e amarela são pouco cultivadas em pomares domésticos, sobretudo na região Sudeste, além de serem raras em seu habitat natural.
O pesquisador, escritor e médico Sérgio Sartori, da cidade de Rio Claro, juntamente com duas universidades têm desenvolvido trabalhos científicos para estudar as propriedades farmacológicas dessa fruta que pode ser consumida in natura ou na forma de geléias e licores.

Muda de grumixama (Eugenia brasiliensis).
A grumixama foi incluída pelo Slow Food Brasil na Arca do Gosto como uma das espécies frutíferas brasileiras em extinção. Por isso é importante que, além de divulgar a existência dessa espécie nativa, façamos como minha vizinha e amiga Sônia, que produz mudas de sua grumixameira e as distribui. Eu mesma já plantei duas dessas mudas na escola na qual leciono e espero em breve plantar a minha!

Muda plantada e conhecimento disseminado.

sábado, 21 de setembro de 2019

COMPOSTAGEM DOMÉSTICA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES AO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS DO LAR



ISSN 1678-0701
Número 58, Ano XV.
Dezembro-2016/Fevereiro-2017.
Números   

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 Artigos
No. 58 - 27/11/2016
COMPOSTAGEM DOMÉSTICA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES AO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS DO LAR  
Link permanente: http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2551 
 
COMPOSTAGEM DOMÉSTICA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES AO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS ORGÂNICOS DO LAR

Autores: Cíntia Cleub Neves Batista ¹
Graduada em Zootecnia – CCA/UFPB
Tel: 83 99655-0260
Erick Jonh Batista Moura ²
Engenheiro Agrônomo
83 99930-4399
eng.erickmoura@gmail.com
Gabrielle Diniz dos Santos ³
Bacharel em Ecologia – CCAE/UFPB
83 987256987
Prof. Dr. Gil Furtado⁴
Dr. Psicobiologia
Esp. Psicopedagogo
Eng. Agrônomo - CREA - 6867 - D
Cel: (83)-988862694 (OI) / (84)-999199477 (TIM)
Lázaro Fialho da Cruz Ribeiro
Graduado em Ciências Biológicas CCEN/UFPB
(83) 99654-8905
Roseann Mary Hageraats
Bacharel em Ciências Biológicas e estudos dos meio ambiente – Université d’Ottawa
83 99647-6324
hageraats.rosie@gmail.com
RESUMO

A alta taxa de produção alimentar mundial, devido ao aumento populacional, tem levado a outro problema, o grande desperdício de alimentos, e consequentemente o aumento de resíduos. Atualmente os resíduos sólidos tem sido alvo de preocupação devido à alta taxa de lixo depositado de forma livre no meio ambiente ou em aterros. Uma das formas de mitigação dessa problemática vem sendo utilizada, que é a compostagem, na qual reduz o lançamento de resíduos em aterros e produz composto que pode ser utilizado na agricultura em grande ou pequena escala, reduz a geração de gases tóxicos, entre outros benefícios. Essa técnica não recebe incentivos públicos diretos por não apresentar retorno financeiro imediato, o que acaba se tornando um desafio para a sociedade.

Palavras-chave: Compostagem; Resíduos Sólidos; Resíduos Orgânicos.

ABSTRACT

The high rate of world food production, due to population growth, has led to another problem, the huge waste of food, and consequently the increase of waste. Currently the solid waste has been causing concern due to the high rate of waste deposited freely in the environment or in landfills. One way of mitigating this problem has been used, that is the composting, which reduces the release of waste in landfills and produces compound that can be used in agriculture for large or small scale, reduces the generation of toxic gases, among other benefits. This technique does not receive direct public incentives for not providing immediate financial return, which eventually becomes a challenge to society.

Keywords: Composting; Solid Waste; Organic Waste.

1.    INTRODUÇÃO
A alimentação é uma necessidade básica comum a todos os seres vivos, mas avaliando sobre a perspectiva social é possível destacar ao longo da história evolutiva a crescente preocupação do homem em relação a sua alimentação, apontando medidas crescentes quanto a aspectos de conservação, disponibilidade, qualidade, quantidades etc. Quanto a esses aspectos é possível afirmar que a dinâmica homem versus alimentação é “resultado e representação de processos culturais que preveem a domesticação, a transformação, a reinterpretação da natureza”, como afirma Montanari (2008), passando à questões culturais e ideológicas dos povos.
No que diz respeito a produção de alimentos, segundo dados do relatório lançado pela FoodandAgricultureOrganization – FAO (2013), ocorreu nas últimas cinco décadas uma triplicação da produção de alimentos no mundo, o fornecimento per capita aumentou de 2.200 kcal/dia na década de 60, para mais de 2.800 kcal/dia em 2009. Em contrassenso, o relatório afirma que todos os anos são desperdiçadas 1,3 bilhões de toneladas de alimentos no mundo. Somente para o Brasil são cerca de 26,3 milhões de toneladas de alimentos que tem como destino o lixo.  
Estudos que determinam quais o principais fatores e setores onde ocorre o fenômeno do desperdício a pontam que ele se faz presente em toda a cadeia produtiva. Em seus trabalhos Marques e Caixeta-Filho (2001), verificam que o desperdício atinge os seguintes valores: 10% no campo, 50% no manuseio e transporte, 30% na comercialização e abastecimento, e 10% no varejo (supermercados) e consumidor final. Com relação aos consumidores finais, esse desperdício é taxado como resíduos alimentares e direcionados a aterros e lixões.
O lixo orgânico é uma problemática nos aterros sanitários e lixões eles chegam a representar “50% de todos os resíduos desses espaços” Viana (2007). Ele pode provocar vários problemas nesses espaços, tais como “focos de criação de animais vetores de doenças como o rato, mosquito, barata etc. e de contaminação de corpos d’água, pelo chorume” (JARDIM, 1995).
Uma das alternativas viáveis a mitigação da problemática do direcionamento de lixo orgânico para os aterros sanitários e lixões é a compostagem doméstica. A compostagem é uma técnica que faz uso de processos biológico, por meio da ação de microrganismos decompositores, que degradam o lixo orgânico em um composto rico em nutrientes que pode ser utilizado para diversos fins, mas principalmente, servir de adubo para o solo, Morada da Floresta (2004).
Esse trabalho foi elaborado visando estimular a produção da compostagem doméstica, apontando suas principais vantagens em termos ambientais, sociais e econômicos, assim como também as possíveis dificuldades de sua implantação e formas adequadas de manejo.

2. COMPOSTAGEM COMO OPÇÃO VIÁVEL PARA AMENIZAR A PROBLEMÁTICA DO LIXO
Diante das constantes discussões sobre mudanças climáticas e os diversos problemas causados ao meio ambiente pelos seres humanos, outro fator preocupante é a intensa geração de resíduos sólidos e sua destinação final (COSTA E CARDOSO, 2011).
Os resíduos sólidos são focos de intensas discussões sobre qualidade ambiental, pois apresentam um grande desafio, em função da sua grande demanda de espaço físico e o grande risco de contaminação do solo, de aguas subterrâneas e superficiais, tornando necessário a adoção de práticas que amenizem esses impactos (GABBIATTI, 2006).
O aterro sanitário é uma boa opção para mitigação dos impactos causados pelo lixo, porém, ainda não resolve a problemático dos resíduos orgânicos, que correspondem a cerca de 60% do total de lixo urbano, os quais podem ser transformados em matéria prima rica em excelente fonte de nutrientes para as plantas (OLIVEIRA et al, 2005).
A compostagem é um processo de transformação de diversos resíduos orgânicos em adubo, que ao ser adicionado ao solo, melhora suas características físicas, físico químicas e biológicas (OLIVEIRA ET AL, 2005). Por ser um processo aeróbio gera baixas quantidades de gás metano, quando comparado a outras formas de tratamento e deposição desses resíduos (AMLINGER et al., 2008).
Considerando o fato de que muitas vezes os resíduos domésticos são descartados de maneira errônea, sem a devida preocupação com o ambiente, a utilização da compostagem surge como uma possibilidade de mitigar os impactos causados pelo lixo, com um intenso trabalho de conscientização e educação ambiental, é possível e viável essa mudança de pensamentos e de hábitos da população.
Além disso, a compostagem pode trazer benefícios tanto ambientais como financeiros, seja para órgão público ou para a população que utilizar o método, alguns órgãos e escolas públicas já utilizam a prática da compostagem, a EMPASA (Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas) de João Pessoa – PB é um dos exemplos que deu certo, pois, ao fazer o levantamento do grande número de resíduos descartados na feira agrícola que ocorre diariamente na empresa, o setor de gestão ambiental implantou o projeto da compostagem, e atualmente já consegue produzir uma grande quantidade de composto orgânico, o qual é peneirado, ensacado e vendido para a população da região.
Outra alternativa viável para redução do descarte do lixo orgânico é a utilização da composteira doméstica, que pode ser utilizada tanto em apartamentos quanto em casas, utilizando recipientes que se enquadrem no espaço disponível.
Em ambientes com pouco espaço como é o caso dos apartamentos, podem ser utilizados garrafas pet ou potes de sorvete.
A confecção de uma composteira segue alguns princípios básicos, sendo a matéria prima utilizada composta basicamente por areia, terra e restos de alimentos (cascas de frutas e verduras, borra de café, folhas secas, folhas de hortaliças, cinzas, etc).
Um exemplo prático para ser feito tanto em residências como em trabalhos de educação ambiental é a composteira de garrafa pet, onde são utilizadas duas garrafas pet, a primeira, que será utilizada para composteira e a segunda como base e também para coleta do chorume, em seguida é feito um corte no fundo de umas garrafas e na outra corta – se a parte superior, encaixando a primeira garrafa com gargalo para baixo, uma tampa com furos feitos previamente e o fundo aberto para cima. Como sugestão para reduzir o odor do chorume, pode –se utilizar areia no fundo da garrafa de base. Para a montagem da composteira propriamente dita, são feitas camadas intercaladas de resíduos orgânicos e areia, para a filtragem adequada do chorume é recomendado que seja colocado pequenas pedrinhas no fundo da primeira garrafa, seguido da deposição das camadas. Caso surja algum odor, pode – ser adicionar na parte superior da composteira borra de café. Para cobrir a composteira pode – se utilizar meia fina de nylon (AZAMBUJA, 2013)
Com isso, a utilização da compostagem torna-se uma opção economicamente viável e ambientalmente correta, pois o resultado desse processo é um composto orgânico altamente nutritivo, que pode ser utilizado tanto nas plantas da própria residências, como também por agricultores da região, além disso, proporciona a redução do volume de rejeitos enviados aos aterros, como também pode contribuir para redução da emissão de gases do efeito estufa e gerar benefícios financeiros para os que utilizam a prática a longo prazo. 

3.     MÉTODO DA COMPOSTEIRA DOMÉSTICA
Sendo um processo biológico de tratamento de resíduos, a compostagem obedece a princípios básicos que já foram vistos anteriormente. Porém, as tecnologias de implantação do processo admitem alternativas que podem variar de sistemas simples e manuais, até sistemas complexos, altamente tecnificados, onde todos os parâmetros do processo são monitorados e controlados com precisão. O interessante da compostagem é que um bom composto pode ser obtido tanto por tecnologias simples como por tecnologias complexas, desde que os resíduos sejam adequados e o processo biológico ocorra em boas condições.

No caso da compostagem doméstica, geralmente, utiliza-se composteiras domésticas que é um sistema fechado, onde os resíduos são colocados dentro de depósitos acoplados, que permitem o controle de todos os parâmetros do processo de compostagem.
A montagem da composteria deve ser feita preferencialmente com restos de vegetais, solo e anelídeos que contribuem para a aceleração do processo de compostagem, porém isso não é imprescindível para que ocorra este processo.
O processo de compostagem acontece em fases, sendo elas muito distintas umas das outras. Suas principais características são:Fase mesofílica:nessa fase, fungos e bactérias mesófilas (ativas a temperaturas próximas da temperatura ambiente), que começam a se proliferar assim que a matéria orgânica é aglomerada na composteira, são de extrema importância para decomposição do lixo orgânico. Eles vão metabolizar principalmente os nutrientes mais facilmente encontrados, ou seja, as moléculas mais simples. As temperaturas são moderadas nesta fase (cerca de 40°C) e ele tem duração de aproximadamente de 15 dias.Fase termofílica: é a fase mais longa e pode se estender por até dois meses, dependendo das características do material que está sendo compostado. Nessa fase, entram em cena os fungos e bactérias denominados de termofilicos ou termófilos, que são capazes de sobreviver a temperaturas entre 65°C e 70°C, à influência da maior disponibilidade de oxigênio - promovida pelo revolvimento da pilha inicial. A degradação das moléculas mais complexas e a alta temperatura ajudam na eliminação de agentes patógenos.Fase da maturação: a última fase do processo de compostagem, e que pode durar até dois meses. Nessa fase há a diminuição da atividade microbiana, juntamente com as quedas de gradativas de temperatura (até se aproximar da temperatura ambiente) e acidez, antes observada no composto. É um período de estabilização que produz um composto maturado.
O produto gerado a partir desse processo de degradação recebe o nome de composto orgânico, que é um material estável, rico em nutrientes minerais, que pode ser utilizado em hortas, jardins e para fins agrícolas, devolvendo à terra os nutrientes de que necessita, e evitando o uso de fertilizantes sintéticos.

4.    BENEFÍCIOS DA COMPOSTAGEM
A compostagem pode trazer benefícios não só ambientais, mais também vantagens sociais e econômicas pelas comunidades que aplicam a técnica. Em primeiro lugar, o simples fato de desviar a grande quantidade de lixo orgânico que normalmente é destinado aos aterros, já impõe uma grande economia nos custos de transporte dos resíduos, assim como uma redução dos poluentes nocivos gerados pelos lixões de matéria não separada. Nas residências, a compostagem pode reduzir de 50% o volume total de lixo produzido, e para empresas é possível uma redução maior dependendo das atividades praticadas (Gabbiati et al., 2006). Desta forma, existe a potencialidade de aliviar a grande demanda para aterros dos quais muitos já estão sobrecarregados.
Com a redução de matéria orgânica em aterros, é possível também diminuir a produção de subprodutos tóxicos como o chorume e o gás metano, evitando a contaminação dos lençóis freáticos, o solo e a atmosfera. Além de evitar a contaminação do solo, a reciclagem de matéria orgânica que ocorre no processo de compostagem favorece a presencia e a manutenção de micro organismos beneficiários ao equilíbrio edáfico, e a retenção de água no solo. Um solo de qualidade que é rico em nutrientes atua como a base para manter ecossistemas equilibrados, e por consequência é essencial pela viabilidade de todos os seres vivos.
Além dos benefícios ambientais, as práticas de compostagem têm potencialidades de desenvolvimento social e comunitário, sendo atividades que costumam reunir os moradores de lugares comuns, fomentar oportunidades de sensibilização e educação ambiental, e geralmente criam sociedades mais resilientes e conscientes. Por último, a compostagem traz benefícios econômicos importantes. Com o desvio do lixo orgânico do sistema de coleta comum, os custos de transporte são significativamente reduzidos, que pode ser um incentivo para empresas e municípios de investir em programas de compostagem. O próprio produto da compostagem também pode ser vendido e servir de fonte de renda para quem pratica a técnica (Pereira Neto, 1996).

5.    DESAFIOS PRÁTICOS DA APLICAÇÃO DA COMPOSTAGEM

Mesmo com a consciência dos benefícios da compostagem, a sua aplicação na pratica pode parecer difícil no dia-dia para quem não tem costume. Primeiro, o conhecimento da técnica e as suas utilidades é fundamental para que exista incentivo para aplicá-la. Uma vez informado sobre as funções da compostagem, muitas pessoas ainda podem criar desculpas ou barreiras ao uso no domicílio. Por exemplo, podem existir preocupações com o cheiro da composteira, a atração de insetos ou a percepção que a manutenção exige um compromisso de tempo inviável para moradores em centros urbanos. Porém, existem métodos de compsotagem doméstica que uma vez desmistificadas no olhar do desconhecido, se revelam como muito práticas, econômicas e simples de aplicar (Fernandes e Silva, 1999).
No entanto, mesmo para as pessoas que se comprometem a fazer compostagem no domicílio, existem desafios relacionados à infraestrutura dos municípios, que empeçam o consumidor a poder destinar 100% dos seus resíduos orgânicos na composteira. Em municípios onda a coleta seletiva não é oferecida, o descarte de resíduos orgânicos nos lixos comuns apresenta-se como única opção nos lugares públicos. Deste modo, é necessário não somente incentivar o uso de compostagem doméstica, mas também apoiar iniciativas de compostagem municipal e comunitário, para poder alcançar a totalidade dos benefícios que a prática potencializa.     

CONCLUSÕES
Sabendo que o lixo é alvo de preocupação, a compostagem aparece como uma das formas de destinação deste, de forma eficiente e também com baixo custo, sendo um tipo de tratamento dos resíduos domésticos e quando em prática reduz a quantidade de lixo destinado aos aterros. É uma técnica que precisa de melhoramentos e divulgação para que os índices de destinação desse lixo sejam ainda menores.
Muitas vezes por falta de conhecimento técnico e compromisso com o meio ambiente, a técnica da compostagem acaba sendo abandonada pelos governantes, a qual geralmente é interpretada como trabalhosa e qual não tem retorno financeiro imediato. Sendo, porém, sua contribuição ao meio ambiente uma grande forma de controle da poluição.
É necessário chamar a atenção dos órgãos públicos para o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos que priorize a mitigação de danos ao meio ambiente, incluindo, desta forma, a compostagem no processo. Como é previsto na Agenda 21, por exemplo, na qual cita as diretrizes para o gerenciamento dos resíduos sólidos de forma compatível com o meio ambiente. Acima de tudo deve haver a consciência de que não haverálucros econômicos diretos, mas que a compostagem se faz essencial na condução a um planeta ambientalmente sustentável. Sendo possível, então, propor aos municípios que retomem a prática da compostagem oferecendo-lhes suporte técnico para que obtenham resultados satisfatórios e animadores.

3. Referências
AMLINGER, F.; Peyr, S. & C. Curls Green house gas emissions from composting and mechanical biological treatment.26: 47-60. Waste Management &Research. 2008

AZAMBUJA, M. E. R. de. Educação ambiental voltada à educação infantil: ações desenvolvidas em um centro de educação infantil. Curitiba, PR. 2013.

OLIVEIRA, A. M. G.; AQUINO, A. M. de; CASTRO NETO, M. T. de. Compostagem caseira de lixo orgânico doméstico.Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Circular Técnica, v. 76, p. 1-6, 2005.

COSTA, R. F. M.; CARDOSO, R. N. C. Reaproveitamento do lixo orgânico como forma de produção de biofertilizante na Região Norte. 2011.
FAO, IFAD. WFP. 2013. The state of food insecurity in the world, 2013.
FERNANDES, F.; SILVA, S. M. C. P. Manual prático para a compostagem de Biossólidos. 1999.
GABBIATTI, N. C. et al. Compostagem de resíduos sólidos urbanos: diagnóstico da situação no rio Grande do Sul e contribuição ambiental. JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA: MEIO AMBIENTE, v. 2, 2006.
JARDIM, N. S. Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado, 1.ed. São Paulo: IPT/CEMPRE 2163. 1995. 370p.
MARQUES, R.W.C.; CAIXETA FILHO, J.V. Análise das operações de transporte de frutas e hortaliças no estado de São Paulo: um estudo comparativo (Compactdisc). In: X World Congressof Rural Sociology / XXXVIII Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural.Proceedings / Anais. Rio de Janeiro, ago. 2001.

MONTONARI, M. Comida como cultura. São Paulo: ed. SENAC São Paulo, 2008. 207 p.

PEREIRA NETO, J.T. Manual de compostagem. UFV/SLU/ UNICEF Belo Horizonte, 56p, 1996.
SÃO PAULO. Morada da Floresta. Manual de compostagem doméstica com minhocas. Edição Blue. São Paulo, Brasil, 2004.
VIANA, N. L. Análise de aceitabilidade, consumo de alimentação escolar e estado nutricional de escolares no município de Viçosa – MG – MS. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Viçosa, 2007.



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Ipês de tantas flores, cores… e seus parentes

ipe-cores-parentes
Sempre que falo sobre espécies diferentes de árvores nativas brasileiras, ou até mesmo quando dou palestras sobre a importância da flora para nossas vidas, uma árvore em especial chama a atenção de todos: o ipê!
Adoro compartilhar com todos a existência do ipê-verde, por exemplo. Você já sabia que ele existe? Vez ou outra, noto uma certa confusão entre as diversas espécies dessa planta e suas cores, como a presença mística do ipê-azul. Dedicarei este texto, então, ao ipê, para que todos possam conhecer um pouco mais sobre suas particularidades e aprofundem seu amor por esta árvore tão linda.
O mundo dos ipês é um mundo muito grande e – claro! – encantador. Começando por sua família botânica – Bignoniaceae –, que abraça 110 gêneros e cerca de 840 espécies de árvores, arbustos e lianas (cipós).
O Brasil em particular é considerado o maior centro de diversidade dessa família botânica, pois em todo território nacional, de norte ao sul do país, são encontrados 33 gêneros e 412 espécies. Destas, um total de 199 espécies são endêmicas, ou seja, ocorrem somente aqui e em nenhum outro local do mundo, estabelecendo, assim, uma relação altamente complexa de interação com todos os seres e sistemas do seu ambiente de ocorrência natural.
As lindas flores desta família – facilmente identificadas devido a seu formato de pequenas trombetas – são muito atrativas para grande parte da fauna, como por exemplo: vespas, abelhas, aves, morcegos, borboletas e mariposas. Algumas flores têm, até mesmo, finalidades alimentícias, como o ipê-amarelo, que pode ser saboreado em saladas.
Eis, aqui, duas árvores da família Bignoniaceae que costumamos encontrar com facilidade e não são brasileiras: espatódea e ipê-de-jardim.

Espatódea, tulipeira, árvore-de-bisnagas, tulipeira africana

flor-spathodeafruto-spathodeaNome científico: Spathodea campanulata
Origem: África
Particularidade: bastante comum na arborização urbana das cidades brasileiras, a espatódea também faz parte das lembranças de brincadeiras de infância – com seus botões florais e sépalas (área que sustenta as pétalas) as crianças jogam jatinhos de água nos amigos. Suas flores podem ser laranja ou amarelas.

Ipê-de-Jardim, amarelinho, bignônia-amarela, carobinha, guarã-guarã, ipê-mirim, sinos-amarelos

tecoma_stans_2
Nome científico: Tecoma stans
Origem: Estados Unidos e México
Particularidade: seu porte pequeno, quase arbustiva e por não perder suas folhas ao florescer, tornou-se uma das árvores exóticas confundida com nossos ipês nativos mais comuns dos jardins residenciais e na arborização das cidades, principalmente como opção em calçadas onde passa fiação elétrica na parte superior. Muitas pessoas acreditam que é uma espécie brasileira, mas certamente não é o caso. Suas sementes são produzidas em quantidade grandiosa e o poder germinativo é alto, isso porque ela não encontra predadores de suas sementes em nossos biomas brasileiros. Sua presença tem sido monitorada para avaliar se está impactando negativamente a distribuição de espécies nativas – sendo considerada invasora.

Nossos ipês

ipes-flores-coresEm meio às espécies de ipê mais comuns aqui no Brasil – conhecendo um pouco mais do tamanho desse universo – é mais fácil perceber as diversas tonalidades de cor de suas flores; as diferenças nas estruturas das folhas compostas por três, quatro, cinco, seis ou sete folíolos; os detalhes de textura da casca; e a forma das vagens e das sementes. Cada um desses detalhes em conjunto pode nos apresentar espécies de ipê, ainda que similares, bastante particulares. Eles são muito mais do que os nomes que lhes foram dados obviamente pelo colorido de suas flores, como ipê-branco, ipê-rosa, ipê-amarelo, etc. Dentro de cada uma dessas categorizações simplistas, existe uma grande diversidade de espécies, de tamanhos e de áreas de ocorrência, muitas vezes diferenciadas.
folha-ipeamareloAgora faço uma provocação para você, leitor: procure apreciar os ipês também nos momentos em que eles não estão floridos.
Vamos praticar mais desse vínculo apreciativo e de cuidado com nossas árvores, mesmo quando elas estão em momentos de vida menos exuberantes? Assim, é possível reparar na tonalidade das folhas novas que brotam ou na cor que fica gradualmente alterada quando a árvore se prepara para desprender todas as folhas. E os pequenos brotos de flores ou crescimento das vagens? E as incríveis sementes? Já coletou algumas pelo caminho e imediatamente colocou-as para germinar?
flores-iperosaSuas sementes aladas são dispersadas pelo vento. São pequenas joias brilhantes e translúcidas. No miolo da membrana, o embrião de uma nova árvore. A madeira dos ipês é valorizada e reconhecida mundialmente por suas propriedades de resistência e dureza. Até hoje, toras inteiras são facilmente encontradas em carregamentos de extração madeireira ilegal.
Uma das espécies de ipê de flores rosadas contém, em suas estruturas, o princípio ativo e os medicamentos para tratamento oncológico. Os ipês também são conhecidos por diversos outros nomes populares, como estes:
ipê-amarelo, ipê-ouro,  ipê-da-serra, aipê, ipê-branco, ipê-mamono, ipê-mandioca, ipê-pardo, ipê-vacariano, ipê-tabaco, ipê-do-cerrado, ipê-dourado, ipezeiro, pau-d’arco, taipoca, piúva, piúna, ipê-roxo-de-bola, ipê-una, ipê-roxo-grande, ipê-de-minas, ipê-comum, ipê-reto, ipê-rosa, ipé, ipeúna, ipê-do-brejo, ipê-da-várzea

Ipê-azul existe?

flor-jacarandafruto-jacarandaO mais comum é confundir as tonalidades de roxo e azul. Como alguns ipês têm o nome popular ipê-roxo, muitas pessoas esperam encontrar flores roxas com tonalidade mais azulada durante as floradas. Normalmente, as espécies que chamamos de ipê-roxo na verdade apresentam flores em tom de rosa em uma tonalidade bastante forte, mas, mesmo assim, mais magenta (pink) do que azul.
No entanto, existem os jacarandás, também da família Bignoniaceae as espécies do gênero Jacaranda sp. São cerca de 36 espécies, sendo que 32 são endêmicas do Brasil. Por serem parentes da mesma família, as flores de todas essas espécies são muito similares em formato com as dos tradicionais ipês. E elas, sim, possuem tonalidade arroxeada-azulada. Por isso, quando algumas pessoas dizem que viram um ipê-roxo ou azul, na maioria das vezes estão se referindo aos jacarandás muito presentes em nossos caminhos.
Neste exato momento, na primavera, podemos encontrar inúmeros jacarandás floridos nas ruas arborizadas das cidades brasileiras. Lindos e tão incríveis como os ipês, é importante notar uma diferença entre eles: o formato das vagens, que lembram castanholas. Já as sementes, são bem parecidas, assim como as flores.

E onde mora o ipê-verde?

ipe-verdeUma típica árvore do cerrado brasileiro – Cybistax antisyphilitica. Suas flores são realmente verdes, essa característica deve denotar que seus polinizadores a encontram mais devido seus atributos aromáticos do que visuais.
Possivelmente é bastante visitada por fauna de hábito de vida noturno. Quem já viu, marca o lugar para sempre voltar a encontrar. Quem ainda não viu, tenho certeza que vai querer plantar.
Para encerrar este post com muito carinho e emoção em conhecer mais sobre nossas árvores, vejam algumas fotos que fiz de alguns ipês-verdes-do-cerrado que vivem perto do escritório do Instituto Árvores Vivas na região central da cidade de São Paulo.
Fotos: Juliana Gatti (abertura – 2/4/5/6/7/8 /11) e Wikimedia
Edição: Mônica Nunes

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Especialistas dão dicas para plantar abacate! #sustentabilidade

Conheça os principais cuidados que o abacateiro necessita para gerar bons frutos e resultados.

Fonte: canal rural

Por Roberta Silveira | Cordeirópolis (SP)
Fonte: Roberta Silveira/Canal Rural

O abacate é um ingrediente versátil na cozinha, servindo tanto em receitas doces como salgadas. Mas sua adaptabilidade vem do berço, já que a produção é viável em praticamente todo o país.
Vindo de uma árvore resistente e que exige poucos cuidados, a produção da fruta pode chegar a 600 quilos por pé. Para aqueles que querem plantar o fruto em uma área pequena, de um hectare, por exemplo, a produtora de abacate Eliani Bertanha indica a variedade fortuna, que é meia estação e produz em abril e junho, e o tardio do margarida, que produz em julho e outubro.

Com a demanda pelo fruto aumentando, é preciso ficar de olho nos cuidados com o abacateiro, que precisa de atenção na hora do adubamento. De acordo com o engenheiro agrônomo Tiago Mercuri, o adubo usado pode ser orgânico, mas o químico também precisa estar presente. Ele explica que o ideal é que seja feita a calagem, processo de aplicação de calcário na terra, de acordo com a análise do solo, e sugere o uso do nitrogênio, do fósforo e do potássio (NPK).
“Principalmente na fase inicial, as plantas são muito exigentes em fósforo, que é o adubo ideal para o enraizamento. Depois as coberturas com nitrogênio e potássio. O potássio pode ser utilizado parcialmente, metade na hora do plantio e depois na cobertura”, completa.



É preciso ficar atento também ao espaçamento entre os pés, que deve ser de 10 entre linhas e seis entre plantas, aconselha Mercuri. “Ele (agricultor) pode fazer um consorciamento das linhas se não tiver um plantio mecanizado. Mas até pela luminosidade que a planta precisa, tem que ter um espaçamento grande porque senão ela vai ter baixa produção”.
O abacate também pode ser plantado em consórcio com outras culturas, como a soja, o milho, feijão ou outros produtos anuais, pois, como explica Mercuri, o abacateiro leva três anos para começar a produzir. A árvore precisa de paciência e no início resulta de três a quatro caixas por pé ou 4 mil kg por hectare.

Porém, a longo prazo, a produção aumenta consideravelmente e traz um lucro maior. Um pomar entre oito a 10 anos pode gerar de 200 a 600 kg por planta/ano de acordo com a variedade escolhida.

plantio de moradores em local correto