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terça-feira, 19 de junho de 2018

Pastagens em consórcio de capim e amendoim-forrageiro ficam mais ricas em nutrientes

Fonte:




A carência de nutrientes no solo e a baixa qualidade de pastagens tropicais tornaram-se desafios para pesquisadores e produtores. São raros os casos de emprego de leguminosas consorciadas com capins em regiões tropicais. No Brasil já existem duas experiências que vêm dando bons resultados. Na Amazônia, por exemplo, já se tem dois casos que merecem destaque: a puerária e o amendoim forrageiro. O uso de uma leguminosa pode contribuir para o aumento da produção de carne e leite na região.

A equipe da Embrapa Acre, diz que o amendoim-forrageiro, planta que apresenta até 22% de concentração de proteína, taxa quase três vezes maior que a encontrada em capins, e capacidade de produção de matéria seca em torno de 20 toneladas por ano. Por esta razão, o uso do consórcio de leguminosas e capins adequados à região, associado a outras técnicas simples e acessíveis ao pequeno produtor, aumenta a capacidade de suporte das pastagens para até três cabeças por hectare.

De acordo com Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre, a indicação desse consórcio atende a três questões chaves para a sustentabilidade da pecuária na Amazônia:

 1) diversificação do pasto como medida de contenção do ataque de pragas e doenças; 
2) alternativa para o problema da mortalidade do capim brizantão; 
3) maior capacidade de suporte para os casos de intensificação da pecuária.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Como plantar e cuidar da grama amendoim!

Fonte: blog sthill jardim de idéias

Com o nome científico Arachis Repens, a grama amendoim é uma espécie da família Fabaceae, nativa do Brasil. Também conhecida como amendoim-rasteiro, amendoim-forrageiro ou amendonzinho, essa espécie é muito utilizada para forração. 

Escolher a grama amendoim tem diversas vantagens: ela não precisa de podas periódicas, é excelente para combater a erosão, ajuda a segurar o solo - especialmente em ladeiras – e auxilia nas composições de lindos jardins por conta da sua flor amarela. 

Suas raízes conseguem fixar o nitrogênio da terra - mesmo em solos pobres e de pouco nutrientes. Por isso é chamada de adubação verde, a técnica de plantar a grama para gerar nitrogênio no solo e beneficiar qualquer tipo de produção, seja de chácaras ou quintais.

Vamos plantar? 

Primeiramente, você precisa escolher um local de plantio adequado, pois a grama amendoim é muito sensível e não tolera lugares muito frios com geadas e pisoteio.

Solo: precisa ser rico em matéria orgânica e enriquecido antes do plantio. Não se esqueça da drenagem de solo, é importante que não acumule água.

Plantio por semente: a dica é fazer a germinação das sementes. Para isso, faça covas espaçadas  - 10 centímetros entre cada uma - e coloque três sementes por espaço. Regue com frequência! 

Plantio por mudas: esse tipo de plantio é fácil de pegar e se alastra com mais rapidez. Faça covas espaçadas de 10 centímetros e coloque uma muda por espaço. Regue com regularidade!

A espécie prefere ambientes com sol pleno, mas suporta meia sombra.  Por ser muito delicada, preste bastante atenção com o desgaste de pisoteio. 

E para deixar a grama com um aspecto bonito, a recomendação é utilizar o aparador elétrico STIHL FSE 41, que é indicado para serviços de corte das bordas de canteiros e gramados. Leve e ergonômico, se adapta ao perfil do usuário através da regulagem do ângulo de trabalho, do tamanho da haste e das posições de encaixe do cabo. 

Mãos à obra? Compartilhe com seus amigos e fique sempre de olho no nosso blog. Até a próxima!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Pasto consorciado com amendoim forrageiro ajuda a aumentar produtividade em até 66%

Fonte:http://www.portaldbo.com.br/Revista-DBO/Noticias/Pasto-consorciado-ajuda-a-aumentar-produtividade-em-ate-66-/24781

Pesquisa da Embrapa Acre ainda mostra a diferença de resposta de bovinos Nelore e de cruzamento industrial Nelore + Angus em pastagem com amendoim forrageiro

Thuany Coelho
Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Acre em 2017 mostrou a diferença de produtividade entre bovinos Nelore e de cruzamento industrial entre Nelore e Aberdeen Angus - muito comum no Acre - em pastos tradicionais e consorciados. Os animais foram observados na recria, no período da seca, de maio a setembro de 2017. Enquanto o ganho de peso do Nelore aumentou cerca de 27% na pastagem consorciada com amendoim forrageiro em relação à “pura”, o crescimento do cruzamento Angus/Nelore foi de 66%. “É uma diferença expressiva, que vem da adaptação desses animais”, diz Maykel Sales, pesquisador da Embrapa Acre.
O ganho de peso diário de animais Nelore foi de 219 g em pasto “puro” e de 278 g no consorciado. Já a média dos animais do cruzamento Angus/Nelore foi de 238 g/dia apenas com braquiária humidícola e de 395 g/dia no consórcio com 20% a 25% de amendoim forrageiro. Nessa pesquisa, a taxa de lotação foi de 2,2 UA/ha no pasto puro e de 2,4 UA/ha no consorciado. Além do ganho de peso, o pesquisador também fez uma avaliação de parâmetros sanguíneos para verificar como estava o aproveitamento da dieta pelos animais. Segundo ele, o Nelore não sente tanto a diferença entre pastos comuns e consorciados, já que está acostumado com uma dieta com pouco nitrogênio. “Por serem animais que vêm de uma região do mundo com gramíneas de baixa qualidade, estão adaptados a isso, então, durante a evolução, se especializaram em reciclar nitrogênio. Com isso, os níveis de nitrogênio no sangue desses animais são estáveis, na faixa de 17% a 20%, o que a gente considera próximos de ideais”, explica Sales.
Já a raça Angus, originária de regiões temperadas da Europa, onde há gramíneas de alta qualidade, não apresenta a mesma evolução. “Esse animal cruzado em ambiente com pouco nitrogênio sofre bastante, o que prejudica o ganho de peso, que fica muito parecido com o do Nelore. Mas quando você compensa com o pasto consorciado, ele é muito melhor”. O pesquisador da Embrapa Acre explica que no caso de pasto puro de braquiária humidícola, a vantagem do melhoramento genético vindo do cruzamento é anulada pela baixa qualidade do pasto. “É um animal que precisa de um ambiente melhor, suplementação proteica se for o caso ou de um pasto consorciado para você não “perder” o potencial genético dele”.


Consórcio com amendoim forrageiro - Sales realiza estudos em pastos puros e consorciados em 16 hectares da Fazenda Guaxupé, em Rio Branco, no Acre, desde 2010. A partir de 2015, quando ajustes no sistema foram feitos, as avaliações de Nelore na recria - animais de 8 a 10 meses de idade e 220 a 230 kg - sistemicamente têm apontado média de aumento no ganho de peso de pastos consorciados ante puros de 20% na época das chuvas e de cerca de 40% na seca - em números brutos, porém, o ganho de peso diário é maior nas chuvas nos dois sistemas. 
Além de aumentar o teor proteico da dieta na comparação apenas com o pasto de braquiária humidícola, o amendoim forrageiro é menos fibroso e de digestibilidade maior, resultando em melhora do desempenho animal. O consórcio, então, permite produzir mais carne em menos tempo e ainda reduz a dependência de insumos. “O produtor que trabalha com pasto consorciado não depende tanto de comprar ureia, que chega a preços altos no Acre, porque há reposição direta de nitrogênio pelo amendoim”, explica. Segundo o pesquisador, com 30% de amendoim forrageiro e 70% de capim, proporção considerada ótima, a quantidade de nitrogênio fixada no solo ficaria em torno de 80 a 120 kg de N/ha/ano, substituindo por volta de 200 kg de ureia. Apesar dos estudos serem focados no Acre, Sales acredita o sistema funcione bem em toda a região Amazônica e em áreas com estação de seca não tão prolongada.
Assistência técnica - Para o pesquisador, quem usa a tecnologia está satisfeito e expandindo a área, mas a adoção ainda é baixa. “Não conseguimos fazer a disseminação como queríamos, porque não temos perna para isso. A assistência técnica para a introdução é deficiente e você precisa de acompanhamento mais rigoroso para não perder controle do pasto”. Um dos cuidados é passar a aplicar herbicidas seletivos na pastagem em vez de apenas para folhas largas, mais utilizados no capim, porém que prejudicam o amendoim. Em relação a pragas, em geral, o amendoim forrageiro tem sido uma segurança, pois as principais atacam as gramíneas e ele consegue manter a qualidade da dieta enquanto isso. Em 2015, porém, quando houve uma seca mais duradoura, surgiu no Estado uma praga que ataca o amendoim: o ácaro vermelho. “Mas nos anos seguintes já não teve a mesma pressão, então não consideramos um problema. E já fizemos avaliações e temos uma estratégia para o controle”.
A maior dificuldade, contudo, está na implantação do amendoim forrageiro, já que a obrigatoriedade de plantio por mudas limita o uso da tecnologia. “Mas estamos desenvolvendo uma cultivar para ser plantada com sementes, o que vai facilitar o trabalho”. De acordo com o pesquisador, o material deve ser lançado até o ano que vem.

Fonte: Portal DBO


FORNECEMOS MUDAS;
agropanerai@gmail.com

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

VALOR NUTRITIVO DO FENO DE AMENDOIM FORRAGEIRO


  Bom dia! 

 Mais um artigo sobre esta valiosa planta forrageira e recuperadora de solos. No sítio em Montenegro RS, ela contínua crescendo e melhorando o solo no meio do pomar de citrus. (vejam as fotos) .Estou vendendo algumas mudas de amendoim forrageiro para localidades próximas a porto alegre.

atenciosamente

alexandre panerai 


VALOR NUTRITIVO DO FENO DE AMENDOIM FORRAGEIRO EM DIFERENTES IDADES DE CORTE.

Publicado o: 28/08/2012
Qualificação:
Autor : GISELE MACHADO, ROSANA APARECIDA POSSENTI, EVALDO FERRARI JÚNIOR, VALDINEI TADEU PAULINO
Sumário


RESUMO: Realizou-se este trabalho visando à avaliação do teor de matéria seca em relação ao tempo de desidratação em galpão, o teor de proteína bruta, de matéria mineral, de fibra em detergente neutro e ácido e a digestibilidade in vitro da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte, em três idades de corte. O experimento foi instalado em área de 0,5 ha-1, já implantado com Arachis pintoi cv. Belmonte no Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso, com seis repetições. Os tratamentos avaliados foram três idades de corte (30, 60 e 75 dias de crescimento). Avaliou-se o teor de matéria seca do Arachis pintoi cv. Belmonte, com amostras coletadas nos tempos 0, 2, 4, 6, 8, 24 e 30 horas de desidratação em galpão. As características da forragem avaliadas foram fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido que se elevaram com o avanço da idade da planta. Houve decréscimo nos teores de proteína bruta e de matéria mineral. As idades de corte não tiveram efeito sobre a digestibilidade in vitro. Houve aumento no teor de matéria seca com o avanço na idade dos cortes, sendo que a perda de água ocorreu com maior velocidade nas primeiras horas de desidratação. O feno da leguminosa apresentou ótimas características nutricionais, com elevados teores de proteína bruta e teores de fibra adequados, sendo uma excelente opção de forrageira para ruminantes, mesmo nas idades de corte mais avançadas.
Palavras-chave: Arachis pintoi, forragem, nutrição animal.

INTRODUÇÃO
A determinação da composição químicobromatológica e da digestibilidade de forrageiras permite caracterizar a qualidade dos alimentos utilizados em dietas para ruminantes. Em países tropicais, como o Brasil, é de grande importância o conhecimento das forragens consumidas pelos animais, pois na maioria das vezes, os sistemas de produção adotados em explorações pecuárias são realizados à pasto.
A conservação das forrageiras é de extrema importância já que pode garantir boa qualidade nutricional do alimento mesmo em períodos secos. A fenação torna-se uma opção e tem como princípio básico a conservação do valor nutritivo da forragem por meio da rápida desidratação. REIS et al. (2001) afirmam que o uso do feno como sistema de conservação de forragem tem como vantagens: a possibilidade de armazenamento por longos períodos sem perdas no valor nutritivo, a produção e o uso em grande e pequena escala, a possibilidade de realizar processo mecanizado ou manual, além de permitir que as exigências nutricionais de diferentes categorias animais sejam atendidas.
O uso de leguminosas nas pastagens tropicais melhora a qualidade nutricional da forragem, eleva a fertilidade do solo, pela introdução de nitrogênio através da fixação biológica, reduzindo os custos com fertilizantes, e por possuírem teor mais elevado de proteína que as gramíneas tornam-se importante fonte proteica suplementar aos animais (BENEDETTI, 2005).
Leguminosas consorciadas com outras forrageiras como as gramíneas têm sido utilizadas na substituição de rações comerciais para a suplementação de animais (OLTRAMARI e PAULINO, 2009). Sua utilização como fonte de alimento para os ruminantes pode ser explorada no pastejo direto, em forma de feno ou silagem, sendo que a caracterização química dessas plantas pode auxiliar na escolha do melhor uso das mesmas para alimentação animal (GODOY, 2007).
Dentre as espécies leguminosas, o amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krap. & Greg.) destaca-se pela alta produção de forragem com boa qualidade, excelente adaptação a solos ácidos com baixa fertilidade e/ou drenagem deficiente, além de persistência, alta capacidade de fixação de nitrogênio e a densa camada de estolões enraizados que protegem os solos de efeitos erosivos das chuvas fortes. Possui alta tolerância ao pastejo devido a localização de seus pontos de crescimento que, geralmente, encontram-se bem protegidos e diferentemente de outras leguminosas tropicais que têm seus pontos de crescimento removidos em pastejo intenso. Devido a sua tolerância ao sombreamento tem sido muito estudada e o seu uso indicado em sistemas silvipastoris. Esta leguminosa apresenta resultados para digestibilidade da matéria seca entre 60% a 70%, com teores de proteína de 13% a 25%. Sendo alta a aceitabilidade dos animais por essa leguminosa, que em pastejo selecionam o A. pintoi durante todo o ano (SILVA, 2004). Sua grande produção de forragem de boa qualidade confere-lhe importância crescente entre as alternativas de melhorar a qualidade dos pastos cultivados nos trópicos (LADEIRA et al., 2002).
FERNANDES et al. (2002) avaliaram a qualidade da forragem de A. pintoi em área de várzea e encontraram valores médios para proteína bruta e digestibilidade in vitro de 21,88% e 66,48%, respectivamente. Segundo os autores, que avaliaram diversos cultivares de Arachis, o cv. Belmonte foi uma das forragens que apresentou melhor qualidade.
Com este trabalho objetivamos avaliar os teores de matéria seca em relação ao tempo de desidratação, de proteína bruta, de matéria mineral, de fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido e a digestibilidade in vitro da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte em três idades de corte.

MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi instalado em área de 0,5 ha-1, já implantado com Arachis pintoi cv Belmonte no Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo. O solo do local classificado como Argissolo Vermelho-amarelo, recebeu adubação com superfosfato simples (400kg ha-1), cloreto de potássio (250kg ha-1) após corte de uniformização realizado com cegadeira de forragem em 07 de novembro de 2007.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com seis repetições. Foram estudadas três idades de corte (30, 60 e 75 dias de crescimento), além de curva de desidratação. Os cortes para avaliação das forragens foram realizados nos dias 10/12/ 2006, 10/01/2007 e 25/01/2007. O corte para avaliação da forrageira para produção de feno foi realizado por volta das 09:00 horas, com moto-ceifadeira com lâmina frontal, regulada para altura de corte de 5 centímetros do solo aproximadamente. O material ceifado de cada parcela foi levado para um galpão coberto sem paredes laterais e espalhado sobre superfície cimentada para secagem. Escolheu-se utilizar o galpão para o processo de secagem, visto ser este período muito sujeito a mudanças climáticas.
Para determinação da curva de desidratação foram tomadas amostras a cada 2 horas a partir do momento do corte e no dia posterior, a saber: 09:00, 11:00, 13:00, 15:00 e 17:00 horas e 9:00 e 15:00 horas do dia posterior, as quais foram pesadas e colocadas em estufa para determinação de matéria seca a 65º C. Em todas as amostras foram estimados os teores de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), proteína bruta (PB), determinados de acordo com a A.O.A.C. (1995), fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA), segundo metodologias descritas em SILVA e QUEIROZ (2009); digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) conforme TILLEY e TERRY (1963).
Os dados foram submetidos à análise de variância e de regressão, por meio do PROC GLM e PROC REG, respectivamente, do programa Statystical Analyses System (SAS, 2006).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observou-se efeito quadrático para a variável matéria seca nas diferentes idades de corte em relação ao tempo de desidratação, havendo maior perda de água nas primeiras horas após o corte (Tabela 1). No processo de fenação as primeiras horas são essenciais, pois, quanto mais rápido ocorrer a secagem, menor será a perda do valor nutricional da forrageira.
Tabela 1. Resumo das análises de variância e de regressão do teor de matéria seca de Arachis pintoi cv. Belmonte em diferentes idades de corte, em função do tempo de desidratação em galpão
Na Figura 1 observa-se o efeito quadrático ocorrido sobre o teor de matéria seca em relação ao tempo de desidratação de 30, 60 e 75 dias de corte. A exposição em galpão para produção de feno mostrou-se eficiente e econômica na elevação do teor de matéria seca, já que a rápida desidratação ocorrida no amendoim forrageiro evidencia a importância do uso desta leguminosa. É uma boa alternativa para utilização em regiões que apresentam precipitações acima das médias normais esperadas, bem como em épocas que ocorrem incidências de chuvas atípicas e além do normal, para uma determinada região.
Na Tabela 2 é apresentado o resumo das análises de variância e de regressão para os teores de proteína bruta, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, matéria mineral e digestibilidade in vitro em relação às diferentes idades de corte. A variável digestibilidade in vitro não apresentou regressão significativa, levando a crer que não há grandes variações na digestibilidade, independentemente da idade de corte, demonstrando, assim a importância do acúmulo de biomassa nas diferentes idades de corte.
Para os teores de proteína bruta e fibra em detergente neutro o modelo matemático que melhor se ajustou foi o quadrático, a 5% de probabilidade. No entanto, observamos efeito do modelo linear (P<0 de="" mat="" mineral.="" o="" p="" para="" ria="" teor="">
Observamos que o teor de proteína bruta sofreu decréscimo com o aumento da idade da forrageira, estando de acordo com VAN SOEST (1994) que cita odeclínio nos nutrientes da planta com o avançar da idade. Os valores encontrados demonstram o elevado teor protéico desta leguminosa, caracterizando-a como boa opção de forrageira na alimentação de ruminantes. Comparando com dados da literatura, oamendoim forrageiro apresenta teor de proteína superior ao das gramíneas utilizadas como forrageiras, e superior também ao teor de outras leguminosas, corroborando com pesquisa de FERNANDES et al. (2000) que observaram média de 21,88% de PB. No entanto, demonstraram- se superiores aos encontrados por LADEIRA et al. (2002), BAPTISTA et al. (2007) e SILVA et al. (2009) com teores médios de 14,3%, 17,64% e 18,0%, respectivamente. Superiores também aos resultados encontrados para estudo com soja perene, avaliada por PADUA et al. (2006), obtendo teores médios de 16,46%.
Figura 1. Teores de matéria seca (%) do feno de Arachis pintoi cv. Belmonte em função do tempo de desidratação em galpão (horas). Barras verticais indicam o erro padrão (n=6, *P<0 .05="" p="">
Tabela 2. Resumo das análises de variância e de regressão dos teores de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e matéria mineral (MM) do feno de Arachis pintoi cv. Belmonte, em função das idades de corte, com base na matéria seca

Os teores de FDN e FDA, como esperado, se elevaram com a idade da planta, dificultando o consumo e a digestibilidade da forragem, já que as mesmas expressam parte da fração indigestível contida na parede celular vegetal: a lignina. SILVA et al. (2009) encontraram valores semelhantes aos deste estudo com teores de 46,9% para FDN e 30,7% para FDA. AFFONSO et al. (2007) obtiveram resultados inferiores para FDN e semelhantes para FDA com idade de corte de 183 dias, ou seja, bem acima das idades avaliadas neste estudo. O teor de fibra da forragem é determinante na qualidade da dieta fornecida ao animal e tem a função de proteger o conteúdo celular e dar sustentação às plantas (CARVALHO et al., 2003). Baixo teor de fibra em forrageiras significa maior consumo, devido ao menor enchimento físico do rúmen, e também maior digestibilidade pelo fato desta fração possuir a maior parte dos componentes que não são digeridos (LADEIRA et al., 2002). Portanto, torna-se necessário o seu conhecimento para a escolha da melhor idade de corte para que seu fornecimento aos animais não limite o consumo.
No presente estudo foram verificados maiores concentrações de minerais do que os obtidos por BAPTISTA et al. (2007) e MORGADO et al. (2009) respectivamente de 7,5 e 7,9%. Em relação as outras leguminosas a cv Belmonte apresentou maiores teores de matéria mineral. PADUA et al. (2006) avaliando feno de macrotiloma (Macrotyloma axillare) kudzu tropical (Pueraria phaseoloides), e soja perene (Neonotonia wightii) com médias de 4,3%, 5,5% e 5,1%, respectivamente.
CONCLUSÕES
O feno da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte apresentou ótimas características nutricionais, com elevados teores de proteína bruta e teores de fibra adequados, sendo uma excelente opção de forrageira para ruminantes, mesmo nas idades de corte mais avançadas.
O processo de fenação mostrou-se eficiente na conservação da forragem, mantendo o valor nutritivo do material fenado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A. O. A. C. Official methods of analysis. Washington: Association of Official Analytical Chemists, 1995. 1051p.
AFFONSO, A. B.; FERREIRA, O. G. L.; MONKS, P. L.; SIEWERDT, L.; MACHADO, A. N. Rendimento e valor nutritivo da forragem outonal de amendoim-forrageiro. Ciência Animal Brasileira, v. 8, n. 3, p. 385-395, 2007.
BAPTISTA, C. R. W.; MORETINI, C. A.; MARTINEZ, J. L. Arachis pintoi, palatabilidade, crescimento e valor nutricional frente ao pastoreio de equinos adultos. Revista Acadêmica, v. 5, n. 4, p. 353-357, 2007.
BENEDETTI, E. Leguminosas na produção de ruminantes nos trópicos. Uberlândia: EDUFU, 2005. 118p.
CARVALHO, F. A. N.; BARBOSA, F. A.; McDOWELL, L. R. Nutrição de bovinos a pasto. Belo Horizonte: PapelForm, 2003. 438p.
FERNANDES, F. D. et al. Produção e qualidade da forragem de Arachis spp. em área de várzea em Planaltina, DF. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 39., 2002, Recife. Anais... Recife: SBZ, 2002. Disponível em:
GODOY, P. B. Aspectos nutricionais de compostos fenólicos em ovinos alimentados com leguminosas forrageiras. 2007, 90p. Tese (Doutorado) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz". Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2007.
LADEIRA, M. M. et al. Avaliação do feno de Arachis pintoi utilizando o ensaio de digestibilidade in vivo. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 31, n. 6, p.2 350-2356, 2002.
MORGADO, E. S. et al. Digestão dos carboidratos de alimentos volumosos em eqüinos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n. 1, p. 75-81, 2009.
OLTRAMARI, C. E.; PAULINO, V. T. Forrageiras para gado leiteiro. Nova Odessa: Instituto de Zootecnia, 2009. (Produção Técnica do Curso de produção animal sustentável).
PADUA, F. T . et al. Produção de matéria seca e composição químico-bromatológica do feno de três leguminosas forrageiras tropicais em dois sistemas de cultivo. Ciência Rural, v. 36, n. 4, p. 1253-1257, 2006.
REIS, R. A.; MOREIRA, A. L.; PEDREIRA, M. S. Técnicas para produção e conservação de fenos de forrageiras de alta qualidade. In: SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO E UTILIZAÇÃO DE FORRAGENS CONSERVADAS, 1., 2001, Maringá. Anais... Maringá: UEM/CCA/DZO, 2001. 319p.
SAS Institute, SAS/STAT version 9.1, SAS Institute, Cary, NC, SAS Institute, 2006.
SILVA, D. J.; QUEIROZ, A. C. Análise de alimentos: métodos químicos e biológicos,. 3. ed. Viçosa: UFV, 2009. 235p.
SILVA, M. P. Amendoim forrageiro - Arachis pintoi. Fauna e Flora do Cerrado, Campo Grande, Novembro 2004. Disponível em:
SILVA, V. P. et al. Digestibilidade dos nutrientes de alimentos volumosos determinada pela técnica dos sacos móveis em equinos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n. 1, p.82-89, 2009.
TILLEY, J. M. A.; TERRY, R. A. 1963 A two stage technique for the in vitro digestion of forage crops. Journal Brithish Gassland Society, v. 18, p. 104–111.
VAN SOEST, J. Nutritional ecology of the ruminal. Ithac: Cornel University Press, 1994. 476p.


Autor/s.
GISELE MACHADO FERNANDES

Sao Paulo, Brasil
Engenheiro Agrônomo

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Esta é uma leguminosa perene que vem ganhando destaque! Amendoim-forrageiro (Arachis pintoi)

Fonte: EMBRAPA

Nome comum Amendoim-forrageiro
Nome científico Arachis pintoi
Época Verão
Família Leguminosa
Ciclo de vida Perene
Descrição Esta é uma leguminosa perene que vem ganhando destaque por sua alta produção e qualidade, capacidade de competir com invasoras e de sobreviver ao inverno. Diferente de outras leguminosas, não causa problemas de timpanismo no gado. É multiplicada principalmente por mudas, pois as sementes são mais difíceis de encontrar no mercado e possuem preço elevado. Os ramos e estolões (ramos enraizados) são utilizados como mudas e plantados em covas com espaçamento de 50 x 50cm e 15 cm de profundidade. Quando são utilizadas sementes, a quantidade é de 8 a 12 kg por hectare. As variedades existentes no Brasil são Alqueire-1, Amarillo e Belmonte. O amendoim forrageiro pode ser usado em cultivo solteiro, em consorciação com gramíneas perenes de verão como as gramas bermuda, o capim-elefante anão, a hemártria e o capim-nilo, ou ainda com gramíneas anuais de inverno, como a aveia e o azevém. Com as espécies de verão, pode ser implantado junto ou sobre pastagens já estabelecidas. Já as gramíneas de inverno devem ser semeadas em sulcos (plantio direto) sobre a pastagem de amendoim forrageiro já estabelecida. Outra possibilidade é realizar o plantio de mudas de amendoim no início do outono, semeando junto o azevém.  

 


Mudas em estolões para Porto Alegre e RS

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Em processo de ócio criativo !


Estamos em férias, caso queiras mudas, minhocas californianas ou minhocários, contate pelo email agropanerai@gmal.com.

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alexandre panerai
eng. agrônomo


‘Ócio criativo significa trabalhar, se divertir e aprender’, diz Domenico De Masi

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

EMBRAPA: Projeto investe no melhoramento genético do amendoim forrageiro!




Foto: Diva Gonçalves
Diva Gonçalves - Amendoim forrageiro - Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Acre
Amendoim forrageiro - Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Acre
Pesquisadores da Amazônia e outras regiões brasileiras buscam alternativas para melhorar a capacidade produtiva e de adaptação a diferentes condições de clima e solo, de uma das principais leguminosas utilizadas em pastagens consorciadas no País. O trabalho em rede, realizado por meio do projeto "Desenvolvimento de cultivares de amendoim forrageiro para uso em sistemas sustentáveis de produção pecuária", desenvolvido pela Embrapa, visa tornar o uso dessa planta mais acessível ao produtor rural e contribuir para intensificar a produção de carne e leite a pasto nos diferentes biomas.
O amendoim forrageiro é uma planta com alta capacidade de fixar nitrogênio no solo e elevado teor de proteína, representando uma excelente alternativa para o consórcio com gramíneas. "A associação com essa leguminosa favorece a produção de forragem, proporciona aumento da longevidade das pastagens e melhora a qualidade da dieta animal, com reflexos positivos na produtividade do rebanho. Estes fatores contribuem para a sustentabilidade econômica e ambiental da atividade pecuária", diz a pesquisadora da Embrapa Acre, Giselle Lessa, líder do projeto.
Entre 2011 e 2015, durante a primeira etapa do projeto em andamento, uma equipe de pesquisadores trabalhou na avaliação de plantas (acessos) coletadas livremente na natureza. Os estudos realizados no Acre, Rondônia, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal confirmaram que o amendoim forrageiro pode ser cultivado tanto em regiões quentes e úmidas como em localidades mais frias, em níveis variados de precipitação e em solos bem drenados ou encharcados.
Executadas no âmbito do Programa de Melhoramento Genético da espécie, coordenado pela Embrapa Acre, as pesquisas contam com a participação da Embrapa Rondônia, Amazônia Ocidental, Amazônia Oriental, Cerrados, Gado de Corte, Gado de Leite, Pecuária Sudeste, Pecuária Sul e Clima Temperado. A Associação para Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), entidade que congrega 31 empresas do setor de produção de sementes, também é parceira na iniciativa. 
Pioneirismo
As pesquisas em andamento contemplam duas espécies de amendoim forrageiro que só ocorrem no Brasil (Arachis pintoi e Arachis   repens). Além de materiais genéticos oriundos do Banco Ativo de Germoplasma localizado na Embrapa Acre, também são estudados híbridos da espécie com o objetivo de desenvolver plantas com caraterísticas capazes de atender a demandas específicas dos estados.
A segunda etapa desse trabalho começou no final do ano passado com foco na continuidade das ações para lançamento de cultivares propagadas por mudas e por sementes e na obtenção de híbridos com características genéticas que atendam a demandas diversas da atividade pecuária. Os estudos enfatizam aspectos como resistência a doenças, tolerância ao alagamento e à seca, além da capacidade de persistência e compatibilidade da leguminosa no consórcio com gramíneas.
Para Giselle Lessa, o grande diferencial do projeto é o pioneirismo das pesquisas em processos de hibridação artificial do amendoim forrageiro. Esse esforço resultará nas primeiras linhagens da espécie oriundas de cruzamentos direcionados, ou seja, plantas com características genéticas que praticamente não sofrem alterações no processo de reprodução. "A partir desse material é possível obter cultivares com caraterísticas desejáveis para o mercado consumidor. Cada localidade tem suas particularidades e, pensando nisso, buscamos desenvolver plantas mais adaptadas ao clima e ao solo de diferentes biomas", afirma.
Desafios
Estudos recentes sobre a atividade pecuária no Brasil indicam uma tendência de mudança dos sistemas intensivos de produção, que utilizam a pastagem como base da alimentação do rebanho, para arranjos mais sustentáveis e competitivos, nas diversas regiões, com manutenção da característica de produção a pasto. Este tipo de arranjo tem como um dos pilares a associação de gramíneas e leguminosas forrageiras bem adaptadas e produtivas, capazes de fornecer aos animais os nutrientes necessários para a produção de carne ou leite economicamente viável, entretanto, ainda são poucas as opções de leguminosas disponíveis para o mercado consumidor.
No caso do amendoim forrageiro, outra limitação para expansão do seu uso é o alto preço das sementes, 100% importadas de outros países. Segundo Giselle Lessa, os resultados das pesquisas em andamento podem mudar essa situação, com a oferta de cultivares nacionais propagadas por mudas e por sementes, para atendimento a particularidades regionais. Embora essa etapa tenha avançado, o trabalho de melhoramento genético da espécie é um processo de longo prazo e com muitos desafios. Além de investir no desenvolvimento de novas cultivares, o projeto avalia materiais genéticos quanto à produtividade e tamanho das sementes. "Estes fatores podem reduzir a taxa de semeadura na implantação de pastagens consorciadas e diminuir custos para o produtor rural", esclarece a pesquisadora.
Em outra frente de atuação, o projeto viabiliza estudos voltados para a definição e recomendação de um método de preparo pré-colheita de sementes de amendoim forrageiro, elaboração de um sistema de produção comercial de sementes e definição de coeficientes técnicos e custos de produção de sementes em sistema mecanizado, aspectos também considerados essenciais para ampliar o uso da leguminosa.
Colhedora de sementes
As pesquisas com amendoim forrageiro envolvem outros projetos em andamento na Embrapa Acre. Um deles, executado em parceria com a Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos/SP) e Unipasto, tem por objetivo o desenvolvimento de uma máquina colhedora de sementes. Uma série de testes realizados com um protótipo já existente geram informações para subsidiar a elaboração de um novo equipamento.
Segundo o pesquisador Judson Valentim, responsável pelos estudos, o objetivo é alcançar eficiência operacional superior a 90% do banco de sementes. Ele acredita que a colheita mecanizada reduzirá a demanda por mão-de-obra e as perdas de sementes, tornando o processo menos oneroso e mais eficiente. "Isso permitirá ao mercado ofertar sementes de qualidade a preços acessíveis aos produtores rurais e contribuirá para a adoção em larga escala do amendoim forrageiro na recuperação de pastagens degradadas e na formação de áreas consorciadas destinadas a sistemas pecuários intensivos e de integração lavoura-pecuária-floresta na Amazônia Legal", afirma.
Diva Gonçalves (Mtb-0148/AC) 
Embrapa Acre 
Telefone: (68) 3212-3250
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)

Você sabe o que é adubação verde?

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

As leguminosas por fora e por dentro. Como funciona a adubação verde.

As plantas leguminosas, recentemente classificadas pelos botânicos como fabáceas, são espécies fundamentais, quer pelo seu valor nutritivo (saiba mais), quer pela fixação biológica do nitrogênio em simbiose com a bactéria do género Rhizobium.

produção agrícola e a agricultura biológica (saiba mais) em particular devem fomentar este mecanismo natural como alternativa à síntese química de amoníaco no fabrico de adubo nitrogenado, uma reação que consome muita energia e que torna o "nitrogênio do saco” o fator de produção agrícola mais dispendioso em energia e mais poluente, com muitas emissões de gases com efeito de estufa. Recentemente chegou-se à conclusão que o fabrico de adubos químicos (azotados e outros) tem uma emissão de gases poluentes quase tão grande como as dos combustíveis nos diversos transportes com motores de combustão.

Figura 1 – Fava-ratinha ou faveta (Vicia faba var. minor), semeada para adubação verde (Ferreira do Zêzere, Outubro 2015)
cultura de leguminosas pratica-se pelo menos desde a antiguidade egípcia e desde então que se reconhece que estas plantas melhoram o solo. O grego Teofrasto escreveu que as leguminosas tinham "um carácter regenerador do solo mesmo semeadas bastas e produzindo muito fruto”.

Mas só em 1886 Hellriegel e Wilfarth demonstram que as leguminosas noduladas fixam nitrogênio, ou melhor que as bactérias rizóbio presentes no interior dos nódulos transformam nitrogênio gasoso em amónio (N2 + 3H2 -> 2NH3). É um processo com resultado semelhante ao da fábrica de amoníaco (saiba mais), mas em que a fonte de energia é mais limpa – os açúcares produzidos pela planta através da fotossíntese. Na produção industrial, para transformar a molécula gasosa de N2 em amoníaco, é preciso uma temperatura da ordem dos 500ºC e uma pressão de 200 a 400 atmosferas. Já na fixação biológica a enzima nitrogenase(identificada e isolada em 1966) presente na bactéria, faz o mesmo à temperatura e pressão ambiente.

Existem diferentes espécies de rizóbio que fazem simbiose com diferentes espécies de leguminosas, produzindo nódulos na raiz também diferentes (fig. 2 e 3) e que não devem ser confundidos com as galhas provocadas por nemátodos, que são doença.

Nos chícharos (género Lathyrus), ervilhas (gén. Pisum), ervilhacas e favas (gén. Vicia),lentilhas (gén. Lens), o rizóbio é a espécie Rhizobium leguminosarum bv.Viceae, que é das maiseficientes a fixar azoto. É por isso que quando semeamos estas plantas não precisamos nem devemos aplicar adubo azotado (saiba mais), seja químico seja orgânico, pois se o fizermos, para além de estarmos a aumentar os custos da produção, reduzimos a fixação biológica de azoto. É também por isso que quando enterramos as plantas na sua floração para adubar uma cultura seguinte, já não precisamos de aplicar estrume (saiba mais), pois estamos a fazer uma "estrumação” verde, também chamada de adubo verde ou sideração.


Figura 2 – Nódulos de rizóbio em fava, brancos por fora e avermelhados por dentro, sinal de funcionamento do mecanismo de fixação de N, uma fábrica natural de adubo (Reguengos de Monsaraz, Maio 2011).

rizóbio da figura 3 é doutra espécie (Bradyrhizobium spp.) um pouco menos eficiente que o anterior mas melhor adaptado a solos ácidos e arenosos, onde a tremocilha cresce melhor que a fava ou a ervilhaca.

É também pela fixação biológica que se produz o azoto que vai formar as proteínas na planta e em especial nas sementes, algumas delas com possível uso na alimentação humana.

Desta forma, a natureza, e o homem com um cultivo mais ecológico, produzem alimentos mais proteicos que a carne, com muito menor consumo de recuros naturais (solo, água) e de baixo impacte ambiental.

Figura 3 – Interior dos nódulos de rizóbio em planta de tremocilha (Lupinus luteus) com uma coloração avermelhada, sinal de boa atividade fixadora de azoto (Évora, Abril 2009)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Leguminosas consorciadas com café é alternativa no manejo de daninhas




amendoim forrageiro
amendoim forrageiro
A busca por alternativas ambientalmente corretas que contribuam para uma agricultura ecológica e sustentável cresce cada vez mais no cenário mundial. O controle de plantas daninhas usando leguminosas herbáceas consorciadas com a cultura do café vai ao encontro desse pensamento. Esse estudo foi desenvolvido pelo pesquisador da Embrapa Café, Julio Cesar Freitas Santos, em sua tese de doutorado, na área de Fitotecnia, realizada na Universidade Federal de Viçosa (UFV), projeto que teve apoio do Consórcio Pesquisa Café. Entre as conclusões do trabalho, Julio Cesar confirmou a possibilidade do cultivo de leguminosa, como lablabe, sirato, híbrido de Java ou amendoim forrageiro, fazer parte do manejo integrado da lavoura. “A leguminosa vem substituir ou complementar os métodos tradicionais de controle de plantas daninhas no cafezal”, diz.

A tecnologia consiste em utilizar uma dessas leguminosas herbáceas como cobertura viva de solo. “Existem as coberturas mortas como biomassa de culturas e casca de café, por exemplo, já utilizada por produtores. As leguminosas são coberturas vivas que contribuem para boas práticas agrícolas. Elas também podem ser utilizadas como cultivos intercalares com as culturas de arroz e feijão, que geralmente acontece em algumas lavouras”, explica. A supressão da infestação das plantas daninhas ocorre pelos efeitos de competição por sombreamento e de alelopatia, por compostos químicos liberados pelas leguminosas, proporcionando a maior cobertura do solo e o maior predomínio da vegetação sobre essas plantas infestantes. Os benefícios das leguminosas no solo apontados pelo pesquisador são também adicionais como: redução da compactação, controle da erosão, fixação de nitrogênio, propiciando economia com adubos e menos poluição do meio ambiente, aumento da matéria orgânica e incremento da biodiversidade.

lab lab
A pesquisa foi realizada na Zona da Mata e na Região do Cerrado, respectivamente em áreas de declive acentuado, com espaçamento estreito e mecanização limitada, e de relevo plano, com espaçamento largo e mecanização constante. Julio Cesar verificou que, na Zona da Mata, a lablabe e o sirato no primeiro ano e o amendoim forrageiro no segundo ano proporcionaram menor densidade e biomassa de plantas daninhas. No Cerrado, os mesmos resultados foram constatados pelo híbrido de Java no primeiro ano, que manteve a maior produção de biomassa, e pelo amendoim forrageiro no segundo, que expandiu a cobertura de solo. A longo prazo, o pesquisador verificou ainda que o amendoim apresenta maior capacidade de reduzir plantas daninhas por ser uma espécie perene, de porte baixo, rastejante e de fácil propagação vegetativa, tendo resistência ao período seco e bom revigoramento no período chuvoso, além de facilidade de regeneração após a realização de podas.


O pesquisador explica ainda que, na convivência das plantas daninhas com cafeeiros, ocorrem interações que propiciam benefícios ou prejuízos. “Em cultivo solteiro, principalmente em lavoura nova, sobram espaço e recurso, que facilitam a maior ocupação das plantas daninhas. Nos modelos de consórcios, essa ocupação é muito reduzida, devido à área ser preenchida por arranjos de espécies que exercem o controle cultural sobre essas plantas. A tecnologia contribui com as demandas das lavouras novas de café e das lavouras adultas do Cerrado e de regiões com declive acentuado, que são mais propícias à infestação por plantas daninhas”.

Segundo o pesquisador, a prática é recomendável para o produtor. “Um único sistema de manejo é inviável no controle das plantas daninhas, por isso esse manejo deve ser diversificado e dinâmico, como o próprio desenvolvimento da infestação dessas espécies”. 

“Em dois anos de avaliação das leguminosas, verificou-se que elas não influenciaram o crescimento vegetativo e a produtividade do cafeeiro”, ressalta Julio. Em meio a técnicas convencionais que utilizam práticas de capina com enxada ou roçadas mecanizadas para controle das plantas daninhas, a pesquisa comprovou na adoção das leguminosas como parte do manejo integrado, uma alternativa adequada às demandas de cafés de base ecológica, certificados e especiais pelo mundo. Na medida em que também está adequada aos interesses da agricultura de baixo carbono, limita o uso de produtos químicos (herbicidas) na lavoura, permite a recuperação de áreas e o aumento da área de vegetação entre cultivos perenes como café.

O resultado é uma tecnologia que contribui para a sustentabilidade da cafeicultura, com melhoria da qualidade do solo e do cafezal, redução de capinas e diminuição de custos. A continuação do projeto será com uma seleção de plantas leguminosas para inibição de plantas daninhas em lavouras de café nas regiões da Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.
Fonte: CBPeD/Café - Embrapa Café

terça-feira, 26 de julho de 2016

PLANTAS MELHORADORAS OU RECUPERADORAS DO SOLO 1 - EMBRAPA


Boa semana! Você quer recuperar seu solo do pomar , da horta ou do jardim?? Utilize estas plantas, a natureza agradece. Sou fã do amendoim forrageiro, ele suporta geadas fortes ( veja nas fotos abaixo).
Depois eu publico as outras plantas, deste folder da EMBRAPA.

alexandre


Eng. Agrônomo

Plantas melhoradoras são aquelas que proporcionam melhorias nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. As leguminosas destacam-se entre as espécies vegetais que podem ser utilizadas como plantas melhoradoras do solo, pela sua característica em obter a quase totalidade do nitrogênio que necessitam, por meio da simbiose com bactérias específicas, as quais, ao se associarem com as leguminosas, utilizam o nitrogênio atmosférico transformando-o em compostos nitrogenados; além disso, apresentam raízes geralmente bem ramificadas e profundas, que atuam estabilizando a estrutura do solo e reciclando nutrientes.
Trabalhos de pesquisa com fruteiras (banana, citros, mamão e maracujá) têm mostrado efeitos benéficos da utilização de leguminosas nas entrelinhas, como plantas melhoradoras do solo.
Entre as leguminosas estão o feijão-de-porco, o guandu, a crotalária, o caupi, o kudzu tropical, a mucuna preta e o amendoim forrageiro.

7. Amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krap. & Greg.)

É uma leguminosa nativa do Brasil, perene, de crescimento rasteiro, de clima tropical e subtropical, recuperando-se depois de geadas fortes e suportando secas moderadas. Apresenta altura média de 0,20 a 0,40 m e raiz pivotante. Adapta-se em solos argilosos e arenosos, porém produz maior massa vegetal nos solos mais férteis.

Essa leguminosa, que apresenta boa tolerância ao sombreamento e ao pisoteio, é indicada para cobertura permanente do solo em culturas perenes, como fruteiras, objetivando controlar erosões, competir com plantas invasoras e fixar nitrogênio atmosférico (60 a 150 kg de N/ha/ano). É também utilizada como forragem, tanto pelo alto teor de proteína (150 a 220 g/kg), quanto por ser tolerante ao pastejo.

O plantio pode ser feito a lanço, em linhas ou em covas, manual ou mecanicamente. Aprofundidade de semeadura deve ser de 0,02 a 0,05 m, e a densidade da semeadura vai depender da qualidade das sementes, podendo ser em covas espaçadas de 0,50 em 0,50 m. Como a sua semente, e também a da maioria das leguminosas, apresenta uma cobertura impermeável à penetração de água, impedindo a germinação, além de ser de difícil obtenção, recomenda se a propagação por mudas (40.000 mudas/ha).

6. Mucuna preta (Stizolobium aterrimum Piper & Tracy)

 
É a espécie de mucuna mais conhecida no Brasil, tem ciclo anual, é robusta, de c rescimento indeterminado, com hábito rasteiro e emite ramos trepadores. É uma leguminosa rústica, de clima tropical e subtropical , resistente a temperaturas elevadas, à seca, ao sombreamento e ligeiramente resistente ao encharcamento temporário do solo. Adapta-se a solos ácidos e com baixos teores de nutrientes.

Produz 40 a 50 t de massa verde/ha, é bastante utilizada como adubo verde, fixando de 170 a 210 kg de N/ha, além de atuar na diminuição da multiplicação de populações de nematóides. Quando intercalada com culturas perenes, a mucuna deve ter seus ramos manejados, para que não subam nas plantas, prejudicando o
desenvolvimento destas. Além disso, pode ser utilizada como forragem ou grãos triturados, como suplemento protéico na alimentação animal.

A semeadura pode ser realizada em linhas, no espaçamento de 0,50 m, com quatro a oito sementes por metro linear (60 a 80 kg de sementes/ha). No plantio em covas, espaçá-las em 0,40 m, colocandose duas a três sementes por cova. Caso o plantio seja a lanço, utilizamse em torno de 10 sementes/m2 com uma densidade 20% superior.Recomenda-se a escarificação das sementes com areia, para quebrar a dormência.

1. Feijão-de-porco [Canavalia ensiformis (L) DC]

É uma leguminosa rústica, anual ou bianual, de clima tropical e subtropical, não suportando geadas fortes. Apresenta crescimento inicial relativamente rápido, sendo resistente a altas temperaturas e à seca e tolerante ao sombreamento parcial. Adapta-se tanto aos solos argilosos quanto aos arenosos.
É eficiente na cobertura do solo, apresentando efeito supressor e/ou alelopático em plantas invasoras, principalmente no difícil controle da tiririca (Cyperus rotundus). Produz de 20 a 40 t de massa verde/ha e fixa de 80 a 160 kg de N/ha, dependendo da idade da planta, tipo de solo, clima, época e densidade de semeadura. Os grãos ou vagens podem ser consumidos cozidos ou em conserva pelo homem, apresentando sabor agradável e grande valor nutritivo. É suscetível ao ataque de nematóides.

A semeadura pode ser feita em linhas, no espaçamento de 0,50 m, com 5 a 6 sementes por metro linear (cerca de 130 a 160 kg de sementes/ha). No caso do plantio em covas, recomendam-se duas sementes por cova, distanciadas em 0,40 m. Se o plantio for a lanço (8 sementes/m2), gasta-se em torno de 20% a mais de sementes.

2. Guandu [Cajanus cajan (L) Millsp.]

É uma leguminosa arbustiva, anual ou semi-perene, com vida de até três anos, quando podada anualmente. É uma planta resistente à seca, sendo suficientes 500 mm anuais de chuva para seu desenvolvimento. É pouco exigente em nutrientes, desenvolvendo-se bem tanto em solos arenosos quanto nos argilosos; contudo, não tolera excesso de umidade nas raízes.

Apresenta alta produção de massa verde (20 a 30 t/ha) e seu sistema radicular pivotante tem grande capacidade de reciclar nutrientes e penetrar em solos compactados e adensados. Como adubo verde, deve ser podado no pré-florescimento (140 a 180 dias), fixando de 90 a 170 kg de N/ha. Além disso, essa leguminosa fornece forragem com mais de 200 g de proteína por quilo e os grãos podem ser utilizados tanto na alimentação humana quanto animal.

A semeadura pode ser feita em linhas, no espaçamento de 0,50 m, com 16 a 25 sementes por metro linear (50 kg de sementes/ha). No caso de plantio em covas, recomenda-se duas a três sementes por cova, distanciadas em 0,20 m. No plantio a lanço, recomendam-se 40 sementes/m2, com densidade de 60 kg/ha.


Referências bibliográficas

CALEGARI, A. Leguminosas para adubação verde de verão no Paraná. Londrina: IAPAR, 1995. 118p. (IAPAR. Circular, 80).

MONEGAT, C. Plantas de cobertura do solo: características e manejo em pequenas propriedades. Chapecó: ACARESC, 1991. 337p.

PIRAÍ SEMENTES (Piracicaba, SP). Adubação verde. Piracicaba: Dezembro/2004

Ana Lúcia Borges
 Luciano da Silva Souza
 José Eduardo Borges de Carvalho










Tiragem: 1000 exemplares