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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Mudas Amendoim forrageiro caixa c/ 15 mudas



Amendoim forrageiro caixa c/ 15 mudas planta rasteira para sol do dia todo, requer poucos cuidados porém uma adubação constante, sempre é recomendada requer regas dia rias se exposta ao sol pleno. aceita poda de correção. Tam. aprox.. 10 cm.

Fornecimento sob encomenda! agropanerai@gmail.com

segunda-feira, 27 de maio de 2019

UTILIZAÇÃO DE LEGUMINOSAS FORRAGEIRAS NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS



amendoim forrageiro

Fonte: site ceplac
1. INTRODUÇÃO
A Introdução de leguminosa na pastagem, promove incrementos na produção animal, pelo aumento da qualidade e da quantidade da forragem em oferta, resultante não só da participação da leguminosa na dieta do animal mas também dos efeitos indiretos relacionados com a fixação biológica de nitrogênio e seu repasse ao ecossistema de pastagem.
Nas últimas duas décadas as pesquisas com leguminosas forrageiras no Brasil ganharam impulso nunca antes registrado. Centenas de novos acessos de leguminosas, de diferentes origens foram avaliados em ensaios individuais ou em redes nacionais ou internacionais. Em 1983 a Embrapa Cerrados lançou os cultivares Stylozanthes guianensis cv. Bandeirantes e S. macrocephala cv. Pioneiro). O Instituto de Zootecnia de São Paulo em 1994 liberou a Macrotyloma axilares cv. Guatá e Galactia striata cv. Yarana. Desmodium ovalifolium cv. Itabela foi lançada pela Ceplac, Ilhéus-BA em 1987 e a Embrapa (Gado de Corte), lançou em 1993, o Stylosanthes guianensis cv. Mineirão e. em 2000, lançou o estilosantes Campo Grande, cultivar multilinha formado por 80 % de S. capitata e 20 % de S. macrocephala.
Arachis pintoi (Krap. e Greg.), na última década vem merecendo grande atenção da pesquisa e de empresas produtoras de sementes. O acesso BRA 0013251 foi liberado comercialmente em 1987 na Austrália como cultivar Amarillo, na Colômbia como cv. Maní Forrageiro Perene, em 1994 em Honduras como cv. Pico Bonito e no Brasil, vem sendo comercializado como a cv. MG 100. Avaliações agronômicas e sob pastejo, realizadas pela Ceplac no Sul da Bahia resultaram no lançamento em 1999, do A. pintoi cv. Belmonte (BRA 0311828), bastante produtivo e persistente, embora com baixa produção de sementes. Além desses lançamentos, espécies como o Calopogonio muconoides (calopogônio) Pueraria phaseoloides (cudzú tropical) Neotonia wightii (soja perene) e Leucena leucocephala (leucena) há mais tempo no mercado, ainda correspondem nesta ordem de citação, à grande fatia do volume de sementes de leguminosas comercializadas no Brasil.
A baixa persistência das leguminosas na pastagem tem sido citada como a principal limitação à sua inclusão nos sistemas de produção ou até mesmo à continuidade das pesquisas necessárias ao lançamento de novos materiais. Felizmente, existem em nosso meio alguns casos de sucesso suficientes para estimular produtores e técnicos na recomendação do uso de leguminosas e melhorar a produtividade e a sustentabilidade da pastagem.
2. BENEFÍCIOS DO USO DE LEGUMINOSAS
2.1 Melhora a produção de leite e carne
A principal expectativa do uso de leguminosas em pastagens é a melhoria da produção animal em relação à pastagem de gramínea exclusiva com redução dos custos de produção, quando comparados com estas mesmas pastagens submetidas à adubação com nitrogênio mineral. Este benefício é reportado como sendo efeito da participação direta da leguminosa melhorando e diversificando a dieta do animal e também do aumento da disponibilidade de forragem pelo aporte de nitrogênio ao sistema, através da sua reciclagem e transferência para a gramínea acompanhante.
A produtividade da pastagem consorciada tem variado de 231 a 610 kg/ha, enquanto em pastagem de gramínea exclusiva tem se obtido de 117 a 475 kg/ha. Na produção de leite os benefícios das leguminosas também são significativos. A consorciação de capim pangola com C. pubescens ou adubação nitrogenada apresentaram aumentos na produção de leite de 15% e 18%. A inclusão de A. pintoí em pastagens de gramíneas promoveu acréscimos de 17 a 20% na produção de leite. Os resultados têm variado com o valor nutritivo da leguminosa consorciada.
A produtividade de pastagens consorciadas só ultrapassa a obtida em pastagens em monocultivo de gramínea, quando os níveis de N aplicados são baixos, sendo a presença da leguminosa equivalente a 100 kg/ha de N. Esta equivalência pode ser verificada em trabalhos desenvolvidos no sul da Bahia, onde não se obteve diferença significativa entre a presença das leguminosas e adubação com 90 kg/há e com 150 kg/ha de N, em pastagens de Brachiaria spp. Para utilização de dosagens mais elevadas de nitrogênio, a produção de pastagens com leguminosas possivelmente, será menor. Mas as respostas não podem ser dadas unicamente pela produção animal. Além dos custos, os benefícios adicionais sobre o conservação ambiental devem ser levados em conta.
A magnitude do desempenho animal em pastagens consorciadas está diretamente relacionada com a proporção da leguminosa na pastagem. Em trabalho realizado na Colombia verificou-se, que a produção animal em pastagens de B. humidícola consorciado com A. pintoí, onde a proporção da leguminosa era de 30% foi o dobro da observada em pastagem só de gramínea (LASCANO,1944). Em outra pastagem com a mesma consorciação, mas com apenas 10% de Arachis, o ganho do peso aumentou em somente 35%. A presença de S. guianensis cv Mineirão em pastagem de B. decumbens na proporção de 28,7% , proporcionou ganho de peso de 464 kg/há, mas quando associado ao B. brizantha cv Marandu, onde a proporção da leguminosa na pastagem era de apenas 11,9 % o ganho de peso foi de 352 kg/há (ALMEIDA et al., 2001 a , ALMEIDA et al.,2001 b).
2.2. Melhora o valor nutritivo do pasto e da dietaO melhor desempenho animal em pastagens consorciadas é explicado por apresentarem em geral melhor valor alimentício em relação às gramíneas. Maiores níveis de proteína bruta (PB) e de digestibilidade são os atributos mais marcantes. Em ensaio sob corte realizado em Itabela, BA, durante dois anos e com avaliações realizadas nos períodos de maior e menor precipitação, contemplando 18 acessos de leguminosas e dez acessos de gramíneas, obteve-se teores médios de PB de 18,8% e 11,5%, com amplitudes de 13,6 a 24,6% e 7,8 a 14,5%, respectivamente para leguminosas e gramíneas. (PEREIRA et al.,1995).
Verifica-se ainda que de uma maneira geral a presença de leguminosa promove melhoria nos níveis de proteína bruta da gramínea acompanhante, mesmo quando comparada à adubação nitrogenada, Em trabalho realizado na Ceplac, verificou-se que a MS verde em oferta de B. decumbens consorciada com Pueraria phaseoloides tinha teor de PB de 9,5%, superior a pastagens adubadas com 90 kg/ha de N, cujo valor era de 7,6 % (PEREIRA , et al., 1990).
A digestibilidade das leguminosas tropicais no pasto em oferta via de regra é maior que das gramíneas, mas observa-se diferença entre espécies ou cultivares. O desmodio cv. Itabela pela seu elevado teor de taninos apresenta digestibilidade igual ou inferior à algumas gramíneas, mas o amendoim forrageiro, leucena, soja perene apresentam digestibilidade superior a todas as gramíneas tropicais. A baixa disponibilidade, altos teores de tanino e outros fatores antiqualitativos têm contribuído para reduzir a palatabilidade e a preferência de leguminosas pelos animais. Muitas delas requerem um período de adaptação prévio para serem consorciadas, como é o caso da cv. Itabela.
3. EFEITO DO MANEJO NA PERSISTÊNCIA DE LEGUMINOSAS NA PASTAGEM
De uma maneira geral as leguminosas tropicais são mais sensíveis que as gramíneas a aumentos na pressão de pastejo. Este fato tem contribuído para formar um consenso entre pesquisadores de que pastagens consorciadas são mais recomendadas para uso extensivo e que sob regime de pressões de pastejo mais altas, as leguminosas tenderão a desaparecer. Porém, tem se observado que os efeitos da pressão de pastejo sobre a persistência das leguminosas dependem dos mecanismos de persistência da planta e do grau de seletividade exercida pelo animal. Embora algumas leguminosas persistam mesmo sob pressões de pastejo extremas, não se deve perder de vista que a pressão de pastejo ideal é a que mantendo a leguminosa na pastagem, possibilite ao animal colher uma dieta com qualidade e em quantidade suficiente para exteriorizar o seu potencial produtivo.
Em Itabela, BA, a persistência de pueraria ( cudzu tropical), em consorciação com B. brizantha cv. Marandu foi avaliada sob lotações de 1, 2 e 3 nov/ha, em dois sistema de pastejo ( alterno e rotacionado), verificando-se após quatro anos de pastejo que o aumento da TL comprometeu a persistência da leguminosa, permanecendo em proporções satisfatórias somente com 1 nov/ha no sistema de pastejo alternado Quando consorciado com Andropogon gayanus, a Pueraria persistiu apenas por dois anos e somente quando o pastejo era contínuo, participando da pastagem disponível no final deste período com apenas 6% Ensaios conduzidos na mesma localidade, mostraram que Stylozanthes. guianensis CIAT 136 mostrou-se altamente susceptível a aumentos na TL não persistindo por mais de dois anos quando consorciado com A gayanus nem com B. brizantha cv. Marandu . Trabalhos conduzidos pela Embrapa – Gado de Corte, mostraram que, Estilosantes Campo Grande, aumentou sua disponibilidade e proporção na pastagem de respectivamente 958 kg/ha de MS e 23,5 % para 1578 kg /ha de MS e 46,2 %, com o aumento da TL de 0,6 UA/ha para 1,4 UA/ha, com aumentos no ganhos de peso diário até a TL de 1,0 UA/ha.
A persistência de A. pintoi tem sido reportada na literatura mesmo quando submetido a altas intensidades de pastejo. Em ensaio conduzido em Itabela – BA, em pastagem consorciada com B. dyctioneura, submetida a pastejo contínuo, não se observou efeito da TL sobre a oferta de de A. pintoi mas a proporção da leguminosa aumentou em todas as TLs no decorrer do experimento que teve duração de quatro anos. A leguminosa permanece na área até a presente data, estando portanto com 10 anos de persistência. Quando consorciada com B. humidícola nesta mesma localidade, com cargas ajustáveis em função da disponibilidade de pasto, mantinha-se na proporção de 10,2% e 7,6% respectivamente no final do primeiro e segundo anos experimentais. Pesquisadores da Costa Rica em consorciação com capim estrela africana, conseguiram a proporção média de A. pintoi de 37,9% para os dois anos a que se reportam os dados. Dados obtidos em Carimágua, Colômbia em pastagem de B. humidícola + A. pintoi, com duração de quatro anos, onde a disponibilidade de A. pintoi aumentou em 5 a 6 vezes do primeiro para o quarto ano, não se observando efeitos das TLs de 2, 3 e 4 cab/ha sobre esta disponibilidade. Romero e Gonzalez, citados por LASCANO et al. (2002), mostraram que A pintoí , quando em associação com B. decumbens, possibilitou aumento da taxa de lotação de 2,5 UA/há para 4,6 UA/há, enquanto no pastejo na gramínea exclusiva a evolução da TL só foi possível até 3,7 UA/ha.
Portanto, a persistência da leguminosa depende diretamente da pressão de pastejo utilizada. Algumas leguminosas apresentam maior tolerância a aumentos na pressão de pastejo em função de atributos morfogenéticos próprios, enquanto outras são extremamente sensíveis, sofrendo exclusão na maioria das vezes irreversível da pastagem. Os sistemas de pastejo têm influenciado na proporção de leguminosa em algumas pastagens. De uma maneira geral o pastejo contínuo e o alternado, tem favorecido a permanência das leguminosas (LEITE et al., 1982; SANTANA et al., 1993; LASCANO, 1994). O efeito tem sido maior quando se trabalha com forrageiras de baixa palatabilidade e tem sido recomendada como ferramenta de manejo para favorecer a manutenção da leguminosa na pastagem, levando em consideração a variação estacional da oferta de pasto (ROBERTS, 1980).
O ajuste de taxas de lotação e de períodos de descanso/ocupação, através de um sistema de pastejo alternado, em função da oferta de pasto e da proporção da leguminosa, foi recomendado por SPAIN e PEREIRA (1985). Este sistema de manejo, denominado flexível seria recomendado para avaliação de leguminosas sob pastejo, de modo a equilibrar a proporção dos componentes forrageiros das pastagens em função de seus atributos de persistência, palatabilidade e o padrão de precipitação. Além de reduzir os custos dos ensaios, permite manejar a consorciação dentro das faixas de lotação e períodos de descansos adequados, ao equilíbrio dos componentes, tendo ainda como parâmetro de aferição rendimento animal (Figura1).
4. LEGUMINOSAS COM POTENCIAL- QUALIDADES E LIMITAÇÕES
São poucas as leguminosas que atualmente são citadas na literatura com resultados referentes a estágios mais avançados de pesquisas, em simpósios especializados, que sejam objeto de divulgação e que tenham despertado interesse por parte dos produtores ou empresas de sementes. Neste contexto, as leguminosas que no momento tem maior potencial de uso são: Arachis pintoí, S. guianensis cv. Mineirão, Campo Grande (S. capitata e S. Macrocephala), Desmodium ovalifolium cv. Itabela, Pueraria phaseoloides, Calopogonio muconoides, e leguminosas arbóreas/arbustivas, como a Lecaena leucocephala, Cajanus cajans, Gliricidia serpium, entre outras. No entanto, mesmo essas leguminosas têm uso ainda muito restrito, dependendo não só do aperfeiçoamento de técnicas de manejo, como também de maior trabalho de difusão.

No gênero Arachis spp, A.. pintoí, com as cultivares Amarilho e Belmonte e A. glabrata, despontam no momento como as mais promissoras, pela sua qualidade nutricional e persistência sob pastejo sendo motivo de entusiasmo no meio científico e despertando cada vez mais a atenção dos produtores. No entanto não vai ser a solução para todas as situações. A.. pintoí, vem sendo difundida em vários ecossistemas, mas sua adaptação tem sido maior em ecossistemas úmidos ou semi-úmidos, com curta estação seca, como é o caso da Amazônia, Mata Atlântica e tabuleiros costeiros. Em regiões com maior período seco sua utilização pode ficar restrita a várzeas úmidas.
Por outro lado, a literatura revisada aponta algumas demandas a serem pesquisadas, visando maior conhecimento específico dos cultivares já lançados. A dificuldade de colheita de sementes, onerando o preço tem limitado a maior difusão do cultivar Amarilho. A cv. Belmonte com baixa produção de sementes vem sendo disseminada por meio de propagação vegetativa. Apesar disso há notícias de amplas áreas desta cultivar implantadas no estado do Acre e em menor escala nos tabuleiros costeiros da Bahia e Sergipe(observação do autor). No período 2003/04 a Ceplac distribuiu material de propagação para cerca de 1200 produtores em todo o Brasil.
Em alguns casos ajustes de manejo devem ser feitos para evitar que a leguminosa, em face de sua agressividade, domine a gramínea, principalmente quando esta é também de boa qualidade, reduzindo a quantidade de energia disponível para os animais. A lotação contínua parece aumentar a proporção desta leguminosa na pastagem em regiões sem período seco definido. Informações sobre exigências nutricionais e sobre rizobiuns específicos são raras na literatura, requerendo portanto pesquisas. A busca de cultivares mais tolerantes a seca também é necessária. Ações neste sentido estão em curso: diversos acessos de Arachis spp. estão sendo avaliados em rede coordenada pela Embrapa Cerrados, além de estudos que viabilizem a produção de sementes; a Embrapa, Recursos Genéticos está desenvolvendo estudos básicos de genética envolvendo caracterização molecular, enzimática e morfológica de diferentes acessos desta espécie (ANDRADE e KARIA, 2000).
O gênero Stylosanthes spp. com as cv. Mineirão e Campo Grande (S. capitata e S. macrocephala) estão bastante divulgadas como leguminosas adaptadas aos cerrados. O cv. Mineirão tem apresentado baixa aceitabilidade quando associado à Brachiaria spp (ALMEIDA et al, 2001) e baixa persistência quando associado ao cv. Marandu com reflexos na produção animal (ANDRADE e KARIA, 2000). A máximo período de pastejo encontrado na literatura foi de três anos, permanecendo na pastagem na proporção de 10% em média (ALMEIDA et al.,2001). A sua utilização como banco de proteína e recuperação de pastagens degradadas parece ter maior probabilidade de adoção junto ao produtor. O estilosantes Mineirão vem se tornando popular no Brasil, e alguns produtores de sementes estão interessados na divulgação destes cultivares criando expectativas de aumentar o volume de adoção, ainda pequeno (Fazenda Primavera, observação pessoal). Pesquisas adicionais sobres manejo e formas de utilização desta cultivar foram dectadas na literatura revisada. Sobre o multilinha Campo Grande de lançamento recente, há ainda poucas informações sobre sua qualidade e persistência sob pastejo (VALLE, SILVA e SCHUNKE, 2001).
Pueraria phaseoloides e Calopogonio muconoides, têm sido muito utilizados na Amazônia. Com relação a P. phaseoloides, literatura cita persistência de até quatro anos quando consorciadas com Brachiaria spp (SANTANA, PEREIRA e MORENO,1991). São leguminosas que juntamente com Stylosanthes spp podem ser mais utilizadas estrategicamente no período seco.
Desmodium ovalifolium cv. Itabela, tem problema de qualidade influindo negativamente na sua palatabilidade, mas por ser muito persistente, sua presença na pastagem tem mostrado reflexos positivos no ganho de peso dos animais, face a reciclagem de N que beneficia gramínea. Tem atualmente uso restrito ao sul da Bahia, com pouca saída de sementes para outros estados. È recomendada para ecossistemas úmidos e semi-úmidos.
Das leguminosas arbustivas Leucena leucocephala, é a mais estudada e é relativamente bem disseminada em todo o Brasil, tendo o seu uso se consolidado na formação de bancos de proteína. No semi-árido tem sido utilizada como componente do sistema CBL (caatinga, buffel, leucena,). Guandu e gliricidia são menos utilizadas. A primeira tem problema de persistência e a segunda, mais adaptada a ecossistemas úmidos tem palatabilidade de regular a baixa. A Embrapa Cerrados ao longo de vários anos de pesquisas desenvolveu híbridos com tolerância às condições dos solos sob cerrados, tendo como referência de produção a cv. Cunningham (ANDRADE e KARIA, 2001).
4.1 Estratégias de usoA persistência da leguminosa na pastagem é função de características morfofisiológicas da forrageira, portanto genéticas sendo influenciada principalmente, por fatores climáticos e de manejo. Das leguminosas tropicais em uso pouquíssimas têm estas caraterísticas, mas o seu uso não pode ser generalizado Assim, é importante encontrar formas de melhorar o manejo da consorciação visando agregar persistência à leguminosa e/ou definir estratégias para outras formas de utilização das leguminosas com potencial produtivo, mas inadequadas para consorciação direta com as gramíneas disponíveis.
De acordo com a literatura revisada a maiorias das leguminosas não persistem em níveis aceitáveis, por mais três anos. A. pintoí tem sido exceção. Assim, estudos econômicos podem levar à conclusão de que, dependendo de cada caso valerá a pena restabelecer a leguminosa. Esta parece ser uma nova ótica de ver o problema (BARCELLOS et al, 2000). Afinal persistência absoluta não existe nem para pastagens de gramíneas exclusivas.
Outra recomendação seria a utilização de leguminosas na recuperação de pastagens, principalmente através do sistema integrado agricultura e pastagem. Alternativas neste sentido foram apresentadas com associação de leguminosas e cultivos anuais. Esta parece ser uma prática que ganha cada vez mais adeptos, principalmente no centro-oeste, onde a agricultura e pecuária estão mais integradas e onde se concentra a maioria das pastagens degradadas do país. Pesquisas neste sentido precisam continuar, principalmente para indicar quais leguminosas seriam mais adaptadas.
Leguminosas sem atributos para conviver diretamente sob pastejo com gramíneas podem ser utilizadas em bancos de proteína. O estilosantes Mineirão em muitos casos está sendo recomendado para este tipo de uso. As leguminosas arbóreas já são em grande parte utilizadas desta forma, principalmente no nordeste. A utilização para feno ou silagem também são opções sedimentadas, principalmente com estilosantes e leucena.
5. CONCLUSÕES
Os benefícios da inclusão de leguminosas nas pastagens são inquestionáveis. Infelizmente o seu nível de participação nos sistemas de produção pecuários é insignificante. A baixa persistência dos cultivares disponibilizados, é reportada como a principal causa da baixa adoção pelos produtores.
Os fatores que determinam a persistência das leguminosas na pastagem são numerosos e a inter-relação entre eles é complexa e ainda pouco estudada. Fatores inerentes a própria planta, como características morfofisiológicas, adaptabilidade ao ecossistema específico, valor nutritivo e palatabilidade, associados a fatores de manejo são considerados os mais importantes.
O número de cultivares disponível é pequeno e poucos deles estão em uso .e ainda menos têm persistido em consorciação. Estudos sobre estratégias de usos alternativos para leguminosas de baixa persistência sob pastejo, mas que tenham bom potencial forrageiro, com é o caso do estilosantes Mineirão devem ser intensificados. Forrageiras que têm se mostrado persistentes e produtivas como os cultivares de Arachis spp já em uso no Brasil, devem ter seu manejo mais bem estudado para potencializar seu rendimento.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, R. G. A.; NASCIMENTO, JR., D.; EUCLIDES, V. P. B. Pastagens consorciadas de braquiárias com estilosantes, no Cerrado 1. Disponibilidade de forragem, composição botânica e valor nutritivo. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38, Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba: SBZ 2001a, p. 62-63.
ALMEIDA, R. G.; EUCLIDES, V. P. B.; NASCIMENTO JR. D. et al. Pastagens consorciadas de braquiárias com estilosantes, no Cerrado. 2. Consumo, composição botânica e valor nutritivo da dieta. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38, 2001, Piracicaba. Anais... Piracicaba: SBZ, 2001b.p.64-65.
ANDRADE, R. P 1997. de; KARIA, CLÁUDIO TAKAU. Uso de Stylosanthes em pastagens no Brasil. In: SIMPÓSIO DE FORRAGEIRAS E PASTAGENS, 2000, Lavras. Anais... Lavras: UFLA/NEFOR, 2000, p. 273-310.
BACELLOS, A. de, O.; ANDRADE, R. P. de.; KARIA, C. T. et al. Potencial e uso de leguminosas forrageiras dos gêneros Stylosanthes, Arachis e Leucaena. In: SIMPÓSIO Trpical Grasslands. 29: 134-141.
SANTANA, J. R. de.; PEREIRA, J. M.; MORENO, R. M. A. Avaliação da consorciação de Brachiaria brizantha (Roxb) Benth, sob pastejo. In: REUNIÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 28., 1991. João Pessoa. Anais... João Pessoa: SBZ, 1991, p. 4.
SANTANA, J. R. de; PEREIRA, J. M.; MORENO, R. M. A. et al. Persistência e qualidade protéica da consorciação Brachiaria humidícola – Desmodium ovalifolium cv. Itabela; sob diferente sistema e intensidade de pastejo. Pasturas Tropicales. v. 15, n. 2, p. 2-8. 1993.
SPAIN, J. M.; PEREIRA, J. M. Sistemas de manejo flexible para evaluar germoplasma bajo pastoreo: Una propuesta. In: LASCANO, C.; PIZARRO, E. (eds.) Evaliación de pastos com animales. Alternativas metodologias-RIEPT, Cali, 1985. Cali, Colômbia: CIAT 1985 p. 85-87.
WALLE, L. da C.S.; SILVA, J. M. da; SCHUNKE, R. M. Ganho de peso de bovinos em pastagens de Brachiaria decumbens pura e consorciada com Stylosanthes spp. cv. Campo Grande. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38. Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba: SBZ 2001, p. 175-176.

José Marques Pereira

Pesquisador da Ceplac e Professor Titular da Universidade de Santa Cruz

sexta-feira, 29 de março de 2019

O que é o caqui chocolate?



Caqui que ganhamos dos vizinhos em Porto Alegre




Os caquis (Diospyros kaki) são divididos em três grupos: taninosos ou shibugaki, não taninos ou amagaki e variáveis.

- Os frutos dos caquis pertencentes ao grupo taninoso ou shibugaki são de coloração amarela quando maduros, podendo ou não ter sementes e sempre possuem polpa taninosa. Ex. de cultivares: 'Pomelo' e 'Taubaté'

- Os frutos dos caquis do grupo não taninoso ou amagaki, são conhecidos como caquis doces. São de coloração mais amareladas quando maduros, são firmes, podendo ou não possuir sementes e não possuem tanino. Ex. de cultivares: 'Fuyu' e 'Jirô'

- Já os caquis do grupo variáveis são os caqui que podem ser tanto de polpa amarela, possuir adstringência e não possuir sementes, como possuírem sementes e assim adquirirem a polpa escura (chocolate) e assim não possuirem adstringência. Ex. de cultivares: 'Giombo' e 'Rama Forte'.

Assim, quando as flores femininas ou hermafroditas das plantas dos cultivares pertencentes ao grupo variável são polinizadas, forma-se as sementes nos frutos. As sementes liberam substâncias conhecidas como fenóis, que insolubilizam o tanino, removendo assim a adstringência da polpa e consequentemente, causando oxidação, assim tornando a polpa escura, conhecida popularmente como "caqui chocolate".

Para remover a adstringência dos frutos em casa, basta pingar algumas gotas de vinagre no cálice do fruto (restos florais que ficam em cima do fruto), embrulhar em folhas de jornal e manter a sombra por três dias. Comercialmente, os produtores removem o tanino dos frutos com o emprego de combustão, pulverizações com solução alcóolica ou com carbureto.

terça-feira, 19 de março de 2019

Cobertura com amendoim forrageiro no pomar de pitaya

Maracajá investe em cultivo de pitaya orgânica

Técnicas de produção foram tema de "Tarde de Campo"

Uma prática de poda da planta, informações sobre fertilidade do solo e exigências nutricionais da cultura e cobertura do solo com o uso de adubos verdes, integraram o conteúdo de uma "Tarde de Campo", tendo como tema as principais técnicas e manejo para o cultivo da Pitaya orgânica. A atividade foi realizada na propriedade do agricultor Claudenir Euclides da Rocha, na comunidade do Cedro, em Maracajá, na última terça-feira,12.

Mais de 50 agricultores da região sul participaram do evento, quantificou o engenheiro agronômo da Epagri de Maracajá, Ricardo Martins, comemorando o sucesso da iniciativa. A "Tarde de Campo" foi realizada em parceria com o Grupo Frutos da Terra, grupo de certificação orgânica participativa da Rede EcoVida, com apoio das prefeituras de Maracajá e Forquilhinha.
Ricardo Martins destacou sobre a importância da cultura da Pitaya na região e entre os principais temas abordados foram preparo do solo, condução do pomar, adubação e tratos culturais. "Reforçamos a importância de se utilizar uma espécie para cobertura permanente do solo, como o amendoim forrageiro, que fornece nitrogênio ao pomar, adubar as plantas na época certa e conduzir o pomar de maneira adequada", disse o agrônomo.

O diretor do Departamento Municipal de Agricultura de Maracajá, Luiz Martinelo, o Neguinho, observou que a produção de Pitaya e, sobretudo de forma orgânica, se constitui em uma importante alternativa à agricultura familiar do município e da região. "São iniciativas como esta que têm o apoio permanente da administração do prefeito Arlindo Rocha", salientou Martinelo.
Fonte: Assessoria de Imprensa

sábado, 9 de março de 2019

Pomar de caqui com cobertura de amendoim forrageiro

Pomar de caqui com cobertura de amendoim forrageiro
Emater-Rio estimula a produção de caqui em Trajano de Moraes




 Atualizado em 04/09/2012 - 13:22h



Dia de campo sobre a cultura da fruta reúne agricultores da microbacia Alto Macabu





A Emater-Rio, empresa vinculada à secretaria estadual de Agricultura, e a Prefeitura de Trajano de Moraes promoveram, na última sexta-feira (31/8), na localidade de Gravatá, na microbacia Alto Macabu, o terceiro encontro técnico do caqui. Os trabalhos foram conduzidos pelo engenheiro agrônomo e supervisor regional da Emater-Rio na Serra, Alexandre Jacintho Teixeira, autor de uma cartilha sobre cultivo do caqui, publicada pela Emater-Rio em parceria com o Sebrae-RJ.





Na ocasião, Alexandre explicou como é feito o controle fitossanitário e a prática de poda do caquizeiro. Durante a parte teórica, ele falou sobre as duas principais doenças que podem acometer a lavoura de caqui (cercosporiose e antracnose), além de algumas pragas como a lagarta dos frutos, tripes e cochonilhas.

A segunda parte foi prática, onde os participantes acompanharam as demonstrações de poda. Segundo Alexandre, após a poda é recomendável fazer dois procedimentos de pulverização no pé de caqui, utilizando defensivos agrícolas alternativos: o primeiro, com a calda bordalesa; e o segundo, após 30 dias, com a calda sulfocálcica.



- Essa técnica protege a planta e ajuda com eficiência no controle de pragas e doenças - afirmou.

Um das propriedades visitadas foi a da produtora rural Rosimar Fonseca Ouverney, que vive há 30 anos na região com a família. Há quatro anos, ela e o marido introduziram o amendoim forrageiro na lavoura do caqui, uma das técnicas sustentáveis de adubação incentivada pelo Programa Rio Rural.

- Se a poda não for realizada, os frutos tendem a ser mais fracos e suscetíveis a doenças. Além de facilitar a colheita, esse manejo aumenta a produtividade em longo prazo, já que a planta fica mais exposta à luminosidade - explicou a agricultora.

O próximo dia de campo sobre caqui está previsto para 6 de setembro (quinta-feira), às 10h, na localidade Tirol, em Trajano de Moraes.   fonte: http://www.rj.gov.br/web/seapec/exibeconteudo?article-id=1137457

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Pastagens para gado

No Brasil cerca de 95% da carne bovina é produzida em regime de pastagens, cuja área total é de cerca de 167 milhões de hectares (EMBRAPA). Amendoim Forrageiro na propriedade. Vendo mudas.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Amendoim Forrageiro, PALATABILIDADE, CRESCIMENTO E VALOR NUTRICIONAL FRENTE AO PASTOREIO DE EQÜINOS ADULTOS



A leguminosa Arachis pintoi é uma excelente fonte de forragem para cavalos e pode estar associada com a maioria das gramíneas, mesmo as mais agressivas. 

Ela tem aceitação muito boa e excelente valor nutritivo. Os bons resultados obtidos neste estudo, em relação à persistência na associação ou na cobertura de solo e na nutrição de cavalos, indica essa espécie como boa opção para o criador brasileiro de cavalos. Essa planta tem grande tolerância ao pastoreio, devido à sua estrutura de crescimento ser protegida da boca do animal, diferentemente da maioria das leguminosas tropicais.

O Arachis pintoi (Amendoim Forrageiro Perene) é uma leguminosa herbácea perene, de crescimento rasteiro, hábito estolonífero, prostrado e lança estolões horizontalmente em todas as direções em quantidade significativa, cujos pontos de crescimento são bem protegidos do pastejo realizado pelos animais. Adapta-se bem em solos de baixa a média fertilidade e tolera aqueles com alta saturação de alumínio (ácidos), porém, responde bem à calagem e adubação fosfatada. É uma leguminosa de porte baixo, dificilmente ultrapassando 30-40 cm de altura, possui raiz pivotante, que pode alcançar 1,60 m de profundidade. As hastes são ramificadas, circulares, ligeiramente achatadas, com entrenós curtos e estolões que podem chegar a 1,5 m de comprimento. A planta floresce várias vezes ao ano, geralmente entre a 4ª e 5ª semana após a emergência das plântulas. Em condições de sombreamento, as plantas apresentam crescimento mais vertical, com maior alongamento do caule, maior tamanho e menor densidade de folhas (CALEGARI et al., 1995; LIMA, 2007; SUPRAREAL, 2007).
 
Uma característica que confere grande tolerância ao pastejo é a localização de seus pontos de crescimento que, geralmente, encontram-se bem protegidos do alcance da boca do animal, ao contrário da maioria das espécies de leguminosas tropicais, que tem seus pontos de crescimento facilmente removidos em condições de pastejo intenso. Assim, é possível manter uma área foliar residual, mesmo quando a planta é submetida a um pastejo contínuo e intenso. Com relação ao frio, à seca, ao encharcamento e às cigarrinhas, essa leguminosa apresenta tolerância média segundo relatos de Calegari et al. (1995) e Lima (2007).

As pragas mais comuns que atacam essa leguminosa são os crisomélidos (que consomem as folhas), formigas e algumas larvas de lepidópteros. A presença dessas pragas ocorre de forma localizada dentro das pastagens e não afeta a persistência e a sua produtividade (CALEGARI et al., 1995; LIMA, 2007).

Apesar de terem sido identificadas diversas doenças que atacam o amendoim forrageiro, até o momento estas não têm limitado sua produção. De acordo com Lima (2007), o Arachis pode ser usado tanto na consorciação com gramíneas, como para recuperação de pastagens puras em processos de degradação. Sua densa rede de entolhos tem impacto positivo no controle da erosão (CALEGARI et al., 1995). Por ser ainda uma leguminosa perene, age como fixadora de nitrogênio, que promove boa cobertura de solo e controla plantas invasoras. Assim, foi objetivo da pesquisa proporcionar outra alternativa forrageira para melhorar a qualidade nutritiva da alimentação fornecida aos eqüinos criados na Região Metropolitana de Curitiba.

CONCLUSÕES
Concluiu-se que Arachis pintoi, empregado isoladamente ou consorciado, teve grande aceitação pelos animais (boa palatabilidade), além de significativamente suprir as necessidades diárias, em função dos dados da análise bromatológica efetuada.

Fonte: http://www2.pucpr.br/reol/index.php/ACADEMICA?dd1=1871&dd99=view

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Pasto consorciado aumenta produção de carne em até 40%

Teor proteico elevado contribui para ganho de peso

Marina Salles





Há oito anos, Francisco Militão Matheus Brito começou a ter problemas com morte súbita de pasto em suas propriedades em Alta Floresta (MT), onde cultivava braquiária brizanta, conhecida como braquiarão. “No início era um ponto que secava aqui, outro ali, formava uma reboleira, mas o problema se agravou”, diz.

Passados quatro anos, o pecuarista precisou intervir. Iniciou um processo de reforma de pastagens quando já tinha em torno de 70% da área sob estresse. De acordo com o que se apurou na época, a morte súbita de pasto tem causas múltiplas, entre elas a ação de fungos, encharcamento da terra, superpastejo e mudança de uso do solo. Segundo o Instituto Centro de Vida, ONG que presta entre outros serviços assistência técnica a produtores que precisam reformar a pastagem, diante do comprometimento de 60% da área é necessário iniciar a substituição do capim.  

No caso de Francisco, outra motivação para trocar o brizantão pelo mombaça, capim do gênero Panicum, mais resistente, foi a intenção de aumentar a produtividade. Nos piores estágios de degradação, seu pasto não suportava mais de 0,7 unidades animais/ha. Hoje, ele conta que já alcança a média de 2,5 UA/ha nas áreas ainda em processo de reforma. 

Feita gradativamente, a implantação do mombaça custou R$ 2 mil por ha, incluídos custos com adubação e calcareamento. Não estão contabilizados aí gastos com infraestrutura. “O mombaça é mais exigente quanto aos nutrientes do solo, mas nos trouxe bons resultados e, agora, queremos seguir investindo no uso sustentável da pastagem”, afirma. O plano do criador é fazer testes com consórcios das gramíneas humidícola e estrela africana com amendoim forrageiro. O objetivo é diversificar as opções de pastagem e não ficar refém só de um capim.

“Consórcios de leguminosas com gramíneas são velhos conhecidos de produtores do Acre”, comenta o pesquisador da Embrapa, Judson Ferreira Valentim. No Estado, o surto da morte do braquiarão veio há mais tempo e, hoje, o amendoim forrageiro já é adotado em mais de 138 mil hectares de pastagem. A puerária, outra leguminosa, em mais de 450 mil ha. “Temos que estar preparados para o ataque seja de fungos, cigarrinhas ou lagartas. Fazer isso é ter alternativas para não perder todo o capim”, diz o pesquisador da Embrapa Acre.

Os benefícios do consórcio vão além. “Ele reduz o risco de ataque por pragas e doenças, mas também aumenta a qualidade da forragem, é suprimento nitrogenado para o capim e ainda encurta o tempo de terminação dos animais, diminuindo suas emissões de metano”, afirma Judson. Com a implantação de consórcios assim, o aumento na produção de carne e leite por hectare pode chegar a 40% em relação ao manejo tradicional.

A principal explicação é a melhora na nutrição animal. Por mais bem manejado que seja, o capim mombaça não apresenta teor de proteína bruta maior que 14%. Nas condições ambientais do Acre, o amendoim forrageiro cultivar Belmonte tem teor proteico entre 20 e 25%. Os animais engordam mais rápido e são abatidos mais cedo. “Enquanto em pasto puro o criador abate um boi Nelore após 36 meses, a pasto consorciado consegue abater aos 30. Se for cruzamento industrial, o tempo cai de 30 para 24 meses na média”, afirma Judson.

A alta digestibilidade da leguminosa reduz as emissões de metano em até 30%/kg/carne produzida e influencia no ganho de peso dos animais, diz o pesquisador. Na safra 2013/2014, com o amendoim forrageiro presente em 10% da área de pasto de humidícola, observou-se um incremento de produtividade de 18% no rebanho que ficou em pasto consorciado em relação àquele que ficou em pasto puro, só de gramínea. Em termos reais, o valor saltava de 278 kg/ha, em 101 dias de experimento, para 330 kg/ha. Já na safra 2014/2015, com a leguminosa tendo ocupado 25% da área, o incremento de peso foi de 45% na comparação do primeiro com o segundo grupo. O recomendado pela Embrapa é que a proporção entre capim e leguminosa seja de 70% um, 30% outro, respectivamente.

As combinações de espécies são muitas. Judson explica que o amendoim forrageiro, por exemplo, é mais indicado para a prática da pecuária intensiva do que a puerária. Por ser rasteiro, o amendoim resiste mais ao pisoteio e vai bem em sistemas rotacionados com taxas de lotação de 2 a 2,5 UA/ha. Também é uma planta que gosta de sombra e se desenvolve melhor nos períodos de seca quando consorciada ao capim. “A puerária já é diferente. Mais indicada para sistemas de pastejo contínuo com lotação de 1,5 UA/ha, é uma trepadeira e, se não resiste tanto ao pisoteio, por outro lado, pode ser consorciada com capins mais altos”, diz o pesquisador.
Para fazer a manutenção do pasto, principalmente na pecuária intensiva, o manejo do consórcio depende muito mais da altura do capim que de um tempo fixo de descanso dado aos piquetes (ver tabela abaixo).
Indicadores para uso consorciado de gramíneas com o amendoim forrageiro em sistemas de pasto rotacionado
Tipo de capim
Altura para entrada
dos animais
Altura para saída
dos animais
Brachiaria humidicola 30 cm  10-15 cm
Brachiaria brizantha 40-45 cm  20-25 cm
Estrela africana 40  cm 20 cm
Massai 60-70 cm 30 cm

O uso de variadas espécies é um trunfo com vantagens ilimitadas na mão do pecuarista. “O capim humidícola aguenta bem o pisoteio, o solo infértil, mas é menos nutritivo. Pode, então, ser uma boa opção para colocar vacas secas. No caso de uma boiada de terminação, vale a pena investir num Panicum, seja tanzânia, mombaça, ou cultivares novas, como zuri ou tamani”, indica Judson.
amendoim forrageiro
Quanto aos cuidados com o solo, as leguminosas acabam fazendo a maior parte do trabalho. Fixadoras de nitrogênio, adubam o pasto e promovem uma economia considerável. “Em uma pastagem com 30% de amendoim forrageiro consorciado você consegue incorporar até 60kg/N/ha/ano, o equivalente a 133 kg de ureia por ha”, afirma Judson. “Sem falar que elas não trazem despesas extras com máquinas ou operadores para fazer essa aplicação”, completa.
Custos
Corrigido pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), o custo de um hectare de pastagem consorciada (implantada em 2012) seria hoje de aproximadamente R$1.500. O valor compreende gastos com correção do solo, adubação, mão de obra e insumos.
Plantio das leguminosas
Em se tratando do amendoim forrageiro, o mais comum é que o produtor adquira as mudas e faça o cultivo em pequenos viveiros e sua posterior distribuição na pastagem.
Espécies comumente dispersadas por sementes podem ser plantadas a lanço ou direto no solo. Outra possibilidade é fazer a implantação com a ajuda do gado. “Para o produtor que não tem máquinas ou quer diminuir custos, uma prática válida é misturar sementes na ração. Ainda no rúmen dos animais acontece a quebra da dormência da semente e quando o gado defeca faz a distribuição delas ao acaso”, explica o pesquisador. Havendo um pastejo uniforme das áreas, a técnica se mostra eficiente.
Fonte: Portal DBO

terça-feira, 19 de junho de 2018

Pastagens em consórcio de capim e amendoim-forrageiro ficam mais ricas em nutrientes

Fonte:




A carência de nutrientes no solo e a baixa qualidade de pastagens tropicais tornaram-se desafios para pesquisadores e produtores. São raros os casos de emprego de leguminosas consorciadas com capins em regiões tropicais. No Brasil já existem duas experiências que vêm dando bons resultados. Na Amazônia, por exemplo, já se tem dois casos que merecem destaque: a puerária e o amendoim forrageiro. O uso de uma leguminosa pode contribuir para o aumento da produção de carne e leite na região.

A equipe da Embrapa Acre, diz que o amendoim-forrageiro, planta que apresenta até 22% de concentração de proteína, taxa quase três vezes maior que a encontrada em capins, e capacidade de produção de matéria seca em torno de 20 toneladas por ano. Por esta razão, o uso do consórcio de leguminosas e capins adequados à região, associado a outras técnicas simples e acessíveis ao pequeno produtor, aumenta a capacidade de suporte das pastagens para até três cabeças por hectare.

De acordo com Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre, a indicação desse consórcio atende a três questões chaves para a sustentabilidade da pecuária na Amazônia:

 1) diversificação do pasto como medida de contenção do ataque de pragas e doenças; 
2) alternativa para o problema da mortalidade do capim brizantão; 
3) maior capacidade de suporte para os casos de intensificação da pecuária.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Como plantar e cuidar da grama amendoim!

Fonte: blog sthill jardim de idéias

Com o nome científico Arachis Repens, a grama amendoim é uma espécie da família Fabaceae, nativa do Brasil. Também conhecida como amendoim-rasteiro, amendoim-forrageiro ou amendonzinho, essa espécie é muito utilizada para forração. 

Escolher a grama amendoim tem diversas vantagens: ela não precisa de podas periódicas, é excelente para combater a erosão, ajuda a segurar o solo - especialmente em ladeiras – e auxilia nas composições de lindos jardins por conta da sua flor amarela. 

Suas raízes conseguem fixar o nitrogênio da terra - mesmo em solos pobres e de pouco nutrientes. Por isso é chamada de adubação verde, a técnica de plantar a grama para gerar nitrogênio no solo e beneficiar qualquer tipo de produção, seja de chácaras ou quintais.

Vamos plantar? 

Primeiramente, você precisa escolher um local de plantio adequado, pois a grama amendoim é muito sensível e não tolera lugares muito frios com geadas e pisoteio.

Solo: precisa ser rico em matéria orgânica e enriquecido antes do plantio. Não se esqueça da drenagem de solo, é importante que não acumule água.

Plantio por semente: a dica é fazer a germinação das sementes. Para isso, faça covas espaçadas  - 10 centímetros entre cada uma - e coloque três sementes por espaço. Regue com frequência! 

Plantio por mudas: esse tipo de plantio é fácil de pegar e se alastra com mais rapidez. Faça covas espaçadas de 10 centímetros e coloque uma muda por espaço. Regue com regularidade!

A espécie prefere ambientes com sol pleno, mas suporta meia sombra.  Por ser muito delicada, preste bastante atenção com o desgaste de pisoteio. 

E para deixar a grama com um aspecto bonito, a recomendação é utilizar o aparador elétrico STIHL FSE 41, que é indicado para serviços de corte das bordas de canteiros e gramados. Leve e ergonômico, se adapta ao perfil do usuário através da regulagem do ângulo de trabalho, do tamanho da haste e das posições de encaixe do cabo. 

Mãos à obra? Compartilhe com seus amigos e fique sempre de olho no nosso blog. Até a próxima!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Pasto consorciado com amendoim forrageiro ajuda a aumentar produtividade em até 66%

Fonte:http://www.portaldbo.com.br/Revista-DBO/Noticias/Pasto-consorciado-ajuda-a-aumentar-produtividade-em-ate-66-/24781

Pesquisa da Embrapa Acre ainda mostra a diferença de resposta de bovinos Nelore e de cruzamento industrial Nelore + Angus em pastagem com amendoim forrageiro

Thuany Coelho
Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Acre em 2017 mostrou a diferença de produtividade entre bovinos Nelore e de cruzamento industrial entre Nelore e Aberdeen Angus - muito comum no Acre - em pastos tradicionais e consorciados. Os animais foram observados na recria, no período da seca, de maio a setembro de 2017. Enquanto o ganho de peso do Nelore aumentou cerca de 27% na pastagem consorciada com amendoim forrageiro em relação à “pura”, o crescimento do cruzamento Angus/Nelore foi de 66%. “É uma diferença expressiva, que vem da adaptação desses animais”, diz Maykel Sales, pesquisador da Embrapa Acre.
O ganho de peso diário de animais Nelore foi de 219 g em pasto “puro” e de 278 g no consorciado. Já a média dos animais do cruzamento Angus/Nelore foi de 238 g/dia apenas com braquiária humidícola e de 395 g/dia no consórcio com 20% a 25% de amendoim forrageiro. Nessa pesquisa, a taxa de lotação foi de 2,2 UA/ha no pasto puro e de 2,4 UA/ha no consorciado. Além do ganho de peso, o pesquisador também fez uma avaliação de parâmetros sanguíneos para verificar como estava o aproveitamento da dieta pelos animais. Segundo ele, o Nelore não sente tanto a diferença entre pastos comuns e consorciados, já que está acostumado com uma dieta com pouco nitrogênio. “Por serem animais que vêm de uma região do mundo com gramíneas de baixa qualidade, estão adaptados a isso, então, durante a evolução, se especializaram em reciclar nitrogênio. Com isso, os níveis de nitrogênio no sangue desses animais são estáveis, na faixa de 17% a 20%, o que a gente considera próximos de ideais”, explica Sales.
Já a raça Angus, originária de regiões temperadas da Europa, onde há gramíneas de alta qualidade, não apresenta a mesma evolução. “Esse animal cruzado em ambiente com pouco nitrogênio sofre bastante, o que prejudica o ganho de peso, que fica muito parecido com o do Nelore. Mas quando você compensa com o pasto consorciado, ele é muito melhor”. O pesquisador da Embrapa Acre explica que no caso de pasto puro de braquiária humidícola, a vantagem do melhoramento genético vindo do cruzamento é anulada pela baixa qualidade do pasto. “É um animal que precisa de um ambiente melhor, suplementação proteica se for o caso ou de um pasto consorciado para você não “perder” o potencial genético dele”.


Consórcio com amendoim forrageiro - Sales realiza estudos em pastos puros e consorciados em 16 hectares da Fazenda Guaxupé, em Rio Branco, no Acre, desde 2010. A partir de 2015, quando ajustes no sistema foram feitos, as avaliações de Nelore na recria - animais de 8 a 10 meses de idade e 220 a 230 kg - sistemicamente têm apontado média de aumento no ganho de peso de pastos consorciados ante puros de 20% na época das chuvas e de cerca de 40% na seca - em números brutos, porém, o ganho de peso diário é maior nas chuvas nos dois sistemas. 
Além de aumentar o teor proteico da dieta na comparação apenas com o pasto de braquiária humidícola, o amendoim forrageiro é menos fibroso e de digestibilidade maior, resultando em melhora do desempenho animal. O consórcio, então, permite produzir mais carne em menos tempo e ainda reduz a dependência de insumos. “O produtor que trabalha com pasto consorciado não depende tanto de comprar ureia, que chega a preços altos no Acre, porque há reposição direta de nitrogênio pelo amendoim”, explica. Segundo o pesquisador, com 30% de amendoim forrageiro e 70% de capim, proporção considerada ótima, a quantidade de nitrogênio fixada no solo ficaria em torno de 80 a 120 kg de N/ha/ano, substituindo por volta de 200 kg de ureia. Apesar dos estudos serem focados no Acre, Sales acredita o sistema funcione bem em toda a região Amazônica e em áreas com estação de seca não tão prolongada.
Assistência técnica - Para o pesquisador, quem usa a tecnologia está satisfeito e expandindo a área, mas a adoção ainda é baixa. “Não conseguimos fazer a disseminação como queríamos, porque não temos perna para isso. A assistência técnica para a introdução é deficiente e você precisa de acompanhamento mais rigoroso para não perder controle do pasto”. Um dos cuidados é passar a aplicar herbicidas seletivos na pastagem em vez de apenas para folhas largas, mais utilizados no capim, porém que prejudicam o amendoim. Em relação a pragas, em geral, o amendoim forrageiro tem sido uma segurança, pois as principais atacam as gramíneas e ele consegue manter a qualidade da dieta enquanto isso. Em 2015, porém, quando houve uma seca mais duradoura, surgiu no Estado uma praga que ataca o amendoim: o ácaro vermelho. “Mas nos anos seguintes já não teve a mesma pressão, então não consideramos um problema. E já fizemos avaliações e temos uma estratégia para o controle”.
A maior dificuldade, contudo, está na implantação do amendoim forrageiro, já que a obrigatoriedade de plantio por mudas limita o uso da tecnologia. “Mas estamos desenvolvendo uma cultivar para ser plantada com sementes, o que vai facilitar o trabalho”. De acordo com o pesquisador, o material deve ser lançado até o ano que vem.

Fonte: Portal DBO


FORNECEMOS MUDAS;
agropanerai@gmail.com

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

VALOR NUTRITIVO DO FENO DE AMENDOIM FORRAGEIRO


  Bom dia! 

 Mais um artigo sobre esta valiosa planta forrageira e recuperadora de solos. No sítio em Montenegro RS, ela contínua crescendo e melhorando o solo no meio do pomar de citrus. (vejam as fotos) .Estou vendendo algumas mudas de amendoim forrageiro para localidades próximas a porto alegre.

atenciosamente

alexandre panerai 


VALOR NUTRITIVO DO FENO DE AMENDOIM FORRAGEIRO EM DIFERENTES IDADES DE CORTE.

Publicado o: 28/08/2012
Qualificação:
Autor : GISELE MACHADO, ROSANA APARECIDA POSSENTI, EVALDO FERRARI JÚNIOR, VALDINEI TADEU PAULINO
Sumário


RESUMO: Realizou-se este trabalho visando à avaliação do teor de matéria seca em relação ao tempo de desidratação em galpão, o teor de proteína bruta, de matéria mineral, de fibra em detergente neutro e ácido e a digestibilidade in vitro da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte, em três idades de corte. O experimento foi instalado em área de 0,5 ha-1, já implantado com Arachis pintoi cv. Belmonte no Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo. O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso, com seis repetições. Os tratamentos avaliados foram três idades de corte (30, 60 e 75 dias de crescimento). Avaliou-se o teor de matéria seca do Arachis pintoi cv. Belmonte, com amostras coletadas nos tempos 0, 2, 4, 6, 8, 24 e 30 horas de desidratação em galpão. As características da forragem avaliadas foram fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido que se elevaram com o avanço da idade da planta. Houve decréscimo nos teores de proteína bruta e de matéria mineral. As idades de corte não tiveram efeito sobre a digestibilidade in vitro. Houve aumento no teor de matéria seca com o avanço na idade dos cortes, sendo que a perda de água ocorreu com maior velocidade nas primeiras horas de desidratação. O feno da leguminosa apresentou ótimas características nutricionais, com elevados teores de proteína bruta e teores de fibra adequados, sendo uma excelente opção de forrageira para ruminantes, mesmo nas idades de corte mais avançadas.
Palavras-chave: Arachis pintoi, forragem, nutrição animal.

INTRODUÇÃO
A determinação da composição químicobromatológica e da digestibilidade de forrageiras permite caracterizar a qualidade dos alimentos utilizados em dietas para ruminantes. Em países tropicais, como o Brasil, é de grande importância o conhecimento das forragens consumidas pelos animais, pois na maioria das vezes, os sistemas de produção adotados em explorações pecuárias são realizados à pasto.
A conservação das forrageiras é de extrema importância já que pode garantir boa qualidade nutricional do alimento mesmo em períodos secos. A fenação torna-se uma opção e tem como princípio básico a conservação do valor nutritivo da forragem por meio da rápida desidratação. REIS et al. (2001) afirmam que o uso do feno como sistema de conservação de forragem tem como vantagens: a possibilidade de armazenamento por longos períodos sem perdas no valor nutritivo, a produção e o uso em grande e pequena escala, a possibilidade de realizar processo mecanizado ou manual, além de permitir que as exigências nutricionais de diferentes categorias animais sejam atendidas.
O uso de leguminosas nas pastagens tropicais melhora a qualidade nutricional da forragem, eleva a fertilidade do solo, pela introdução de nitrogênio através da fixação biológica, reduzindo os custos com fertilizantes, e por possuírem teor mais elevado de proteína que as gramíneas tornam-se importante fonte proteica suplementar aos animais (BENEDETTI, 2005).
Leguminosas consorciadas com outras forrageiras como as gramíneas têm sido utilizadas na substituição de rações comerciais para a suplementação de animais (OLTRAMARI e PAULINO, 2009). Sua utilização como fonte de alimento para os ruminantes pode ser explorada no pastejo direto, em forma de feno ou silagem, sendo que a caracterização química dessas plantas pode auxiliar na escolha do melhor uso das mesmas para alimentação animal (GODOY, 2007).
Dentre as espécies leguminosas, o amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krap. & Greg.) destaca-se pela alta produção de forragem com boa qualidade, excelente adaptação a solos ácidos com baixa fertilidade e/ou drenagem deficiente, além de persistência, alta capacidade de fixação de nitrogênio e a densa camada de estolões enraizados que protegem os solos de efeitos erosivos das chuvas fortes. Possui alta tolerância ao pastejo devido a localização de seus pontos de crescimento que, geralmente, encontram-se bem protegidos e diferentemente de outras leguminosas tropicais que têm seus pontos de crescimento removidos em pastejo intenso. Devido a sua tolerância ao sombreamento tem sido muito estudada e o seu uso indicado em sistemas silvipastoris. Esta leguminosa apresenta resultados para digestibilidade da matéria seca entre 60% a 70%, com teores de proteína de 13% a 25%. Sendo alta a aceitabilidade dos animais por essa leguminosa, que em pastejo selecionam o A. pintoi durante todo o ano (SILVA, 2004). Sua grande produção de forragem de boa qualidade confere-lhe importância crescente entre as alternativas de melhorar a qualidade dos pastos cultivados nos trópicos (LADEIRA et al., 2002).
FERNANDES et al. (2002) avaliaram a qualidade da forragem de A. pintoi em área de várzea e encontraram valores médios para proteína bruta e digestibilidade in vitro de 21,88% e 66,48%, respectivamente. Segundo os autores, que avaliaram diversos cultivares de Arachis, o cv. Belmonte foi uma das forragens que apresentou melhor qualidade.
Com este trabalho objetivamos avaliar os teores de matéria seca em relação ao tempo de desidratação, de proteína bruta, de matéria mineral, de fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido e a digestibilidade in vitro da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte em três idades de corte.

MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi instalado em área de 0,5 ha-1, já implantado com Arachis pintoi cv Belmonte no Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, São Paulo. O solo do local classificado como Argissolo Vermelho-amarelo, recebeu adubação com superfosfato simples (400kg ha-1), cloreto de potássio (250kg ha-1) após corte de uniformização realizado com cegadeira de forragem em 07 de novembro de 2007.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com seis repetições. Foram estudadas três idades de corte (30, 60 e 75 dias de crescimento), além de curva de desidratação. Os cortes para avaliação das forragens foram realizados nos dias 10/12/ 2006, 10/01/2007 e 25/01/2007. O corte para avaliação da forrageira para produção de feno foi realizado por volta das 09:00 horas, com moto-ceifadeira com lâmina frontal, regulada para altura de corte de 5 centímetros do solo aproximadamente. O material ceifado de cada parcela foi levado para um galpão coberto sem paredes laterais e espalhado sobre superfície cimentada para secagem. Escolheu-se utilizar o galpão para o processo de secagem, visto ser este período muito sujeito a mudanças climáticas.
Para determinação da curva de desidratação foram tomadas amostras a cada 2 horas a partir do momento do corte e no dia posterior, a saber: 09:00, 11:00, 13:00, 15:00 e 17:00 horas e 9:00 e 15:00 horas do dia posterior, as quais foram pesadas e colocadas em estufa para determinação de matéria seca a 65º C. Em todas as amostras foram estimados os teores de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), proteína bruta (PB), determinados de acordo com a A.O.A.C. (1995), fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA), segundo metodologias descritas em SILVA e QUEIROZ (2009); digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) conforme TILLEY e TERRY (1963).
Os dados foram submetidos à análise de variância e de regressão, por meio do PROC GLM e PROC REG, respectivamente, do programa Statystical Analyses System (SAS, 2006).

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observou-se efeito quadrático para a variável matéria seca nas diferentes idades de corte em relação ao tempo de desidratação, havendo maior perda de água nas primeiras horas após o corte (Tabela 1). No processo de fenação as primeiras horas são essenciais, pois, quanto mais rápido ocorrer a secagem, menor será a perda do valor nutricional da forrageira.
Tabela 1. Resumo das análises de variância e de regressão do teor de matéria seca de Arachis pintoi cv. Belmonte em diferentes idades de corte, em função do tempo de desidratação em galpão
Na Figura 1 observa-se o efeito quadrático ocorrido sobre o teor de matéria seca em relação ao tempo de desidratação de 30, 60 e 75 dias de corte. A exposição em galpão para produção de feno mostrou-se eficiente e econômica na elevação do teor de matéria seca, já que a rápida desidratação ocorrida no amendoim forrageiro evidencia a importância do uso desta leguminosa. É uma boa alternativa para utilização em regiões que apresentam precipitações acima das médias normais esperadas, bem como em épocas que ocorrem incidências de chuvas atípicas e além do normal, para uma determinada região.
Na Tabela 2 é apresentado o resumo das análises de variância e de regressão para os teores de proteína bruta, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, matéria mineral e digestibilidade in vitro em relação às diferentes idades de corte. A variável digestibilidade in vitro não apresentou regressão significativa, levando a crer que não há grandes variações na digestibilidade, independentemente da idade de corte, demonstrando, assim a importância do acúmulo de biomassa nas diferentes idades de corte.
Para os teores de proteína bruta e fibra em detergente neutro o modelo matemático que melhor se ajustou foi o quadrático, a 5% de probabilidade. No entanto, observamos efeito do modelo linear (P<0 de="" mat="" mineral.="" o="" p="" para="" ria="" teor="">
Observamos que o teor de proteína bruta sofreu decréscimo com o aumento da idade da forrageira, estando de acordo com VAN SOEST (1994) que cita odeclínio nos nutrientes da planta com o avançar da idade. Os valores encontrados demonstram o elevado teor protéico desta leguminosa, caracterizando-a como boa opção de forrageira na alimentação de ruminantes. Comparando com dados da literatura, oamendoim forrageiro apresenta teor de proteína superior ao das gramíneas utilizadas como forrageiras, e superior também ao teor de outras leguminosas, corroborando com pesquisa de FERNANDES et al. (2000) que observaram média de 21,88% de PB. No entanto, demonstraram- se superiores aos encontrados por LADEIRA et al. (2002), BAPTISTA et al. (2007) e SILVA et al. (2009) com teores médios de 14,3%, 17,64% e 18,0%, respectivamente. Superiores também aos resultados encontrados para estudo com soja perene, avaliada por PADUA et al. (2006), obtendo teores médios de 16,46%.
Figura 1. Teores de matéria seca (%) do feno de Arachis pintoi cv. Belmonte em função do tempo de desidratação em galpão (horas). Barras verticais indicam o erro padrão (n=6, *P<0 .05="" p="">
Tabela 2. Resumo das análises de variância e de regressão dos teores de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) e matéria mineral (MM) do feno de Arachis pintoi cv. Belmonte, em função das idades de corte, com base na matéria seca

Os teores de FDN e FDA, como esperado, se elevaram com a idade da planta, dificultando o consumo e a digestibilidade da forragem, já que as mesmas expressam parte da fração indigestível contida na parede celular vegetal: a lignina. SILVA et al. (2009) encontraram valores semelhantes aos deste estudo com teores de 46,9% para FDN e 30,7% para FDA. AFFONSO et al. (2007) obtiveram resultados inferiores para FDN e semelhantes para FDA com idade de corte de 183 dias, ou seja, bem acima das idades avaliadas neste estudo. O teor de fibra da forragem é determinante na qualidade da dieta fornecida ao animal e tem a função de proteger o conteúdo celular e dar sustentação às plantas (CARVALHO et al., 2003). Baixo teor de fibra em forrageiras significa maior consumo, devido ao menor enchimento físico do rúmen, e também maior digestibilidade pelo fato desta fração possuir a maior parte dos componentes que não são digeridos (LADEIRA et al., 2002). Portanto, torna-se necessário o seu conhecimento para a escolha da melhor idade de corte para que seu fornecimento aos animais não limite o consumo.
No presente estudo foram verificados maiores concentrações de minerais do que os obtidos por BAPTISTA et al. (2007) e MORGADO et al. (2009) respectivamente de 7,5 e 7,9%. Em relação as outras leguminosas a cv Belmonte apresentou maiores teores de matéria mineral. PADUA et al. (2006) avaliando feno de macrotiloma (Macrotyloma axillare) kudzu tropical (Pueraria phaseoloides), e soja perene (Neonotonia wightii) com médias de 4,3%, 5,5% e 5,1%, respectivamente.
CONCLUSÕES
O feno da leguminosa Arachis pintoi cv. Belmonte apresentou ótimas características nutricionais, com elevados teores de proteína bruta e teores de fibra adequados, sendo uma excelente opção de forrageira para ruminantes, mesmo nas idades de corte mais avançadas.
O processo de fenação mostrou-se eficiente na conservação da forragem, mantendo o valor nutritivo do material fenado.

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Autor/s.
GISELE MACHADO FERNANDES

Sao Paulo, Brasil
Engenheiro Agrônomo